sábado, 31 de julho de 2010

ATÉ JÁ!

“DO CASTELO” vai estar encerrado durante alguns dias para “desinfestação”, caiação e actualização de ficheiros de leitores. Retomará a sua actividade mais ou menos normal a partir de 10 do próximo mês de Agosto.

Quem diz dez, diz onze…

sexta-feira, 30 de julho de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXXI)

Faz hoje precisamente 116 anos que em BENAVILA nasceu um indivíduo do sexo masculino a quem foi dado o nome de JAIME, filho de Joaquim António Velez e de Custódia Maria, neto paterno de António Velez e de Maria Franquinha e materno de João António e de Maria Moedas.

Dito assim, se calhar pouco significado tem. Mas se dissermos que este Jaime foi aquele que mais tarde se tornaria no famoso poeta repentista JAIME DA MANTA BRANCA, a coisa muda de figura. Analfabeto, este poeta-ganhão, que já foi homenageado nas nossas “Cestas de Poesia”, foi viver para o Cano com 7 ou 8 anos de idade e daí a confusão de alguns que pretendem que ele seja natural daquela localidade do concelho de Sousel. Muitas das vezes Jaime cantava a sua poesia acompanhado à guitarra. Ao que nos consta não teria uma voz famosa, mas dado o facto de a sua poesia ser repentista, era afamado e bastas vezes convidado para animar casamentos, feiras e cantava igualmente enquanto trabalhava ou quando se divertia entre uns copos de vinho nas tabernas de então. A maioria da sua poesia era em Décimas, uma modalidade difícil de conceber e que ele, dado o modo repentista como a conseguia, bem sabia defender.

Fica o registo e a nossa vénia a este grande poeta popular Alentejano e Avisense por nascimento.



Com a última sexta-feira de Julho termina a colaboração do nosso amigo JOSÉ COUTINHO CALHAU, também ele ligado e residente em Benavila, que desde há algum tempo temos vindo a dar a conhecer aos nossos leitores neste cantinho dedicado á poesia popular, que intitulámos de “Cestas de Poesia” e que já tem 131 semanas (sextas-feiras) ininterruptas de vida.

Para terminar parte da obra deste nosso amigo, vamos desvendar mais umas décimas de José Coutinho Calhau, poeta popular do nosso concelho:



Pedi a Deus um conselho
Para encontrar a alegria,
Deus mostrou-me a terra e disse:
“Trabalha, semeia e cria”

Neste mundo perturbado,
Tantos corruptos e burlões,
Mil e uma confusões,
Que eu não tiro resultado,
Fico muito incomodado,
Aos pés da Virgem me ajoelho,
E nem a eles me assemelho
E tenho nisso vaidade.
Para viver mais a vontade,
Pedi a Deus um conselho.

Nesta forma de viver,
Que o mundo agora tem,
E que não ajuda ninguém,
Nem dá para compreender.
Se tu fores capaz de dizer,
Para eu saber um dia,
E eu por isso tudo faria,
E nunca mais descansava,
Por todo o lado procurava,
Para encontrar a alegria.

O mundo onde vivemos,
Que se chama planeta,
Vejo que a coisa está preta:
Já não é como o conhecemos;
É aquilo que nós vemos.
Por todo o lado há pulhice,
È tudo só esquisitice
Pergunto para confirmar,
E para eu me certificar,
Deus mostrou-me a terra e disse

Eu sempre conheci a terra
Como um tesouro, uma riqueza
Também vejo nela a nobreza,
E que o nosso pensar encerra,
Quando o arado nela ferra,
E que lavra noite e dia
Isto é o que eu faria
Porque é preciso produção,
Deitar a semente ao chão,
Trabalha, semeia e cria.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

VAMOS Á PESCA!



Ainda não percebi muito bem qual a situação actual do Clube de Futebol “Os Avisenses”. Uma Sede fechada dá a ideia de que não existe, mas logo por nós passa uma carrinha com os dizeres impressos do nome do Clube e ficamos na dúvida. Depois esquecemos o Clube de Futebol “Os Avisenses” por alguns tempos e aparece-nos o Zé Luís mais o Jorge Palma a fazer os festejos dos Santos Populares para arranjar “algum” para o Clube e para o Atletismo. Mais tarde aparece o João Cortes mais o Sr. Pulguinhas, mais um ou outro a fazer o anual Concurso de Pesca do Clube de Futebol “Os Avisenses” e a única certeza que temos é que Futebol é que o Clube de Futebol “Os Avisenses” não tem. A carolice de alguns, essa é que permanece inalterável.

E é isso que está a acontecer neste momento: está aí o Concurso de Pesca comemorativo do 65º aniversário do Clube de Futebol “Os Avisenses” (1945-2010) graças à  dita carolice de dois ou três amantes desta modalidade desportiva.

O cartaz diz tudo, mas eu repito:

- Data – 15 de Agosto

- Local – Albufeira do Maranhão

- Concentração – 06 horas no Clube Náutico

- Prémios – são o que menos deveria interessar, sendo pesca desportiva mas estão no cartaz: ½ libra, 1 Televisão, 1 Microondas e muitos outros valiosos prémios

- Inscrições – 12 Carpas (sempre são mais baratas que os achigãs…)

- Contactos para inscrições – 966 934 778 – 962 854 120 – 242 412 238

Posto isto, “DO CASTELO” deseja a todos os participantes nesta iniciativa as maiores venturas: organizadores, patrocinadores e pescadores!

E até para o ano!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A SPORT TV E O BENFICA

Num momento de pausa oiçam, clicando abaixo, como os lucotores da SPORT TV são pessoas engraçadas quando se referem ao BENFICA...

http://www.archive.org/details/BenficaVsSunderland-ApanhadosSporttv

27 DE JULHO - 38 GRAUS À SOMBRA!


Foto: "Está deserta a vila. ..Todas e quaisquer árvores passíveis de parqueamento estão ocupadas com um carro. "


A custo vou subindo a Rua Machado Santos em direcção ao arco. Está calor. É difícil subir. Muito difícil. Aquilo que em condições normais faço em segunda tem agora que ser feito em primeira. É isso: custa a subir e não vou a pé.. Estaciono o carro lá para a zona histórica, ao sol. Não acho sombra. Encontro uma ou duas pessoas. Pouco mais. Também poucas mais há, mas há.

Agora a pé, palmilho a Rua do Convento, dos Arrabaldes, do Meio, dos Mercadores. Ando estafado não de tanto andar mas de tanto calor. Não há cheiros no ar. Apesar de ser hora de almoços. Os gaspachos não têm cheiro. E tenho pena. Fôra outro tempo, outras temperaturas e logo cheiraria a belos refogados cujos aromas se libertam pelas velhas chaminés pondo em polvorosa as nossas pupilas gustativas. Mas não. É verão, é “pino do Verão” e os gaspachos não deitam cheiro.

Feliz de quem trabalha. Porquê? Eis a razão: fui ver as “novas” instalações do Totta. Confesso que gostei. Estão mais de acordo com o staff existente. Mais maneirinhas…Lá dentro o ar condicionado parece querer negar a evidência de um dia de calmaria alentejano: está quase a raiar o frio. Mas não está. E há este pormenor deliciosamente maravilhoso: o Totta tem à disposição dos seus utentes rebuçados. Até aí tudo bem. Mas uma particularidade deveras importante: os rebuçados chamam-se “Blocos de neve”. Com um dia abrasador como o de hoje, com aquele ar condicionado fora de série, os “Blocos de neve” são a cereja em cima do bolo. Por isso feliz de quem trabalha, pelo menos no Totta. Pelo menos no Totta em Avis.

Mas tenho que continuar. Vou aos Correios meter uma carta e a senhora, a D. Sandra, temporariamente responsável pela estação está desesperada. O ar condicionado do seu local de trabalho não funciona bem. Tentamos ajustá-lo e eis que pára de todo. Aflição das aflições! Quase ao acaso lá começa de novo a fazer ar…morno. Como que em jeito de desabafo a senhora ainda diz meio a brincar meio a sério: “tenho que ir ali para a casa dos meus vizinhos”. Os vizinhos sãos os tipos do Totta. Os tais do ar condicionado bom e dos “Blocos de neve”.

São horas de almoço e regresso a casa. Sou alentejano e amigo da sesta. De preferência sozinho por mor das tentações da carne. O almoço até foi peixe.

 Quatro horas da tarde. O sol não está a pino mas a temperatura deve estar no seu auge.

“Quem tem filhos tem cadilhos e quem não tem cadilhos tem”. Rumo a Évora pois só hoje é dia de início de férias para alguns alunos. Antes de ir, olho Avis mais uma vez. Está deserta a vila. Não se vê vivalma. Apenas calor. Todas e quaisquer árvores passíveis de parqueamento estão ocupadas com um carro. Não deixa de ser curiosa este paradoxo: os carros aumentam exponencialmente em proporção inversa à taxa de habitação da nossa vila: quanto mais desabitada mais automobilizada! 

Parto pois. Vou só. Tal como na sesta. E só, com o carro a marcar os 38 graus à partida, continuo por esse Alentejo feito braseiro. Ultrapasso o Alcórrego e na Ribeira de Manamar já a temperatura registada acusa 40 graus. Antes de Pavia cola-se nos 41. E não sai dali. Estabiliza a temperatura a 41º e o consumo da minha viatura nos 5,5 litros aos cem. E aí vou eu. Só, com muitos quilómetros para percorrer tenho tempo para pensar. Muito, e de tudo. Dou comigo a filosofar: como é que as azinheiras se aguentam tanto tempo sem beber. Ainda os eucaliptos dizem que mandam as raízes por aí abaixo em procura de água. Mas as azinheiras, devem sofrer muito com a seca. As manadas de vacas aproveitam a sua sombra para se abrigarem do calor. Deve ser as que têm a barriga cheia pois que outras há que continuam a pastar sob este sol abrasador. Se fosse eu, já me doía a cabeça…

Faço um aceno de simpatia às azinheiras que não bebendo ainda dão guarida a quem bebe. Envergonho-me do meu gesto, olho pelo retrovisor não estivesse alguém atrás de mim que tivesse visto. Não há ninguém mas não há dúvida que me estou a passar. Deve ser do calor…

O alcatrão está a “ferver”. Nas rectas parece que se fazem pequenas miragens: algo parecido com água que mais não é que calor. Muito calor. E os 41 graus estão ali colados mas o consumo disparou para os 6,2l/100. O ar condicionado puxa muito pelos carros, apesar de eu ir devagar. Média de 90. Um Renault Clio ultrapassa-me e deve ir na casa dos 120. Quase voa. Passa por mim satisfeito por me ter ultrapassado. Deixo-o ir com a sua satisfação. Curiosamente, lá mais à frente estava a “conversar” com a brigada da GNR. Não si qual era o teor da conversa mas pela câmara que detectei no percurso, devia ser uma conversa de “filmagens”. Porque não me mandaram parar segui, pensando que efectivamente muitas das vezes não é quem anda mais depressa que chega em primeiro lugar.

Às 19 horas regresso a Avis. Já não está tanto calor. Agora a temperatura fixa no carro indica os 38º. É menos mas ainda é muito.

Nas Ilhas notam-se nuvens de fumo lá para os lados de Montemor. Depois desaparecem. Em Pavia mais nuvens de fumo, mais espessas e muito mais próximas, dando a impressão que provinham ali bem perto da estrada que liga Pavia a Mora. Cheira a árvores e pasto queimados. O ar custa mais a respirar.

Chego a Avis, janto uma salada de tomate, escrevo estas linhas e penso em ir deitar-me.

Sozinho. Não porque a carne seja fraca mas porque está muito calor.

Nunca mais abala esta maldita quentura!

Ufa!!!!!!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXX)

Foto : Águia Nº 35 - Décimo aniversário


Acaba de “poisar” a ÁGUIA” Nº 35 comemorativa do 10º aniversário daquela Folha Informativa dos “AMIGOS DO COCNELHO DE AVIZ – ASSOCIAÇÃO CULTURAL”.

Recheada de artigos de interesse, por já lhe ter dado uma vista de olhos, destaco “Permanência e transformação” subscrito pela Arquitecta Inês Fonseca, que nos fala do tão badalado Jardim do Mestre e das suas recentes alterações.

Destaco um apontamento dos alunos do 5B da Escola Mestre de Avis que nasceram precisamente no ano em que a Águia “nasceu”.

Destaco…bem o melhor é você arranjar uma e destacar por si mesmo…



Estamos quase a chegar ao final das “Cestas de Poesia” dedicadas ao amigo JOSÉ COUTINHO CALHAU, residente em Benavila. Hoje vamos ainda dar a conhecer umas décimas que este poeta fez aos campos.

Depois de as lerem, fechem os olhos e vejam lá se não ouvem os galos a cantar e, com um pouquinho de sorte, os lobos a uivarem lá na serra distante…

Uivam os lobos na serra
Catam os galos na capoeira
Verdeja a seara na terra
Que será debulhada na eira

Há ar puro nas serranias
Do campo do verde prado
Já se vê por todo o lado
Despontar das alegrias
Parecendo que são fantasias
São realidades da terra
Coisas que a natureza encerra
Parece o campo a sorrir
E se nos pusermos a ouvir
Uivam os lobos na serra

É tão linda a melodia
Que distrai a solidão
E acalma o coração
Quando chega a luz do dia
Quem é que a mim me diria
Que era assim desta maneira
E até sem levantar poeira
De madrugada a ouvir
E ainda meio a dormir
Canta o galo na capoeira

Pelos campos verdejantes
Eu gosto de passear
E o ar puro respirar
Como eu fazia dantes
Lembra-me tempos já distantes
Em que não havia guerra
Calma nos campos a ovelha berra
E vem-se ao longe a brilhar
E ar puro a circular
Verdeja a seara na terra

Lindos campos lindos prados
Lindas paisagens naturais
Lindas purezas reais
Lindas canções, lindos fados
São filhos desnaturados
Com ilusões ou cegueira
Põem os pais na prateleira
E sem querer saber de nada
É a seara abandonada
Que será debulhada na eira






quinta-feira, 22 de julho de 2010

GOSTO

Foto 1 - "...a obra ainda não estará totalmente acabada..."

Há três dias que praticamente só venho pernoitar a Avis, não me inteirando assim de algumas “novidades” da nossa vila. Hoje, por ter regressado mais cedo, constatei com agrado que finalmente foi substituída aquele abrigo para os utentes dos transportes públicos situado nas imediações do Supermercado Salvaterra (passe a publicidade). O antigo mais parecia uma qualquer barraca vinda de um bairro da lata. Este, mais moderno, airoso e espaçoso é muito mais bonito.

Dá-me a impressão de que a obra ainda não estará totalmente acabada (o banco ficará o mesmo? O caixote dos papéis não é substituído/arranjado? O chão?) mas quero desde já deixar aqui o registo e dizer que dá para ver que, enquanto algum energúmeno não se lembrar de partir por ali alguma coisa ou escrevinhar nas paredes transparentes, o espaço está muito mais airoso e convidativo, pese embora o facto de não fazer tanta sombra quanto o outro, àqueles que aproveitam o seu tempo para ali passar umas horas a conversar e a ver quem passa. Mas a sua finalidade também não é essa, não é verdade?

Parabéns à Junta de Freguesia de Avis.

terça-feira, 20 de julho de 2010

VEM AÍ O IV PEDALUAR - É A 24 DE JULHO!|






Com o aproximar da Lua-Cheia, aproxima-se igualmente a noite da realização do IV Pedaluar da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural. No cartaz acima tem todas as indicações para que possa participar nesta grande festa de amizade e convívio da ACA.
Este ano, para além do já tradicional gaspachinho, haverá uma agradável surpresa.
 Se fosse a si inscrevia-me já e...pagava para ver!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXIX)

Mais uma vez temos o grato prazer de dar a conhecer a poesia do nosso amigo JOSÉ COUTINHO CALHAU, morador em Benavila.

Hoje vamo-nos abalançar nos espaços siderais e acompanhar o seguinte raciocínio nas décimas escritas em Agosto de 2008, há portanto quase dois anos, pelo amigo José Coutinho Calhau:


Mote:
Dizes que foi Deus que criou
Todo universo e o infinito
Coisa que ninguém provou
E até nunca foi visto

Criou o sol e os planetas
Que a sua volta conduz
E que ficam a anos-luz
Aonde há estrelas e cometas
E que as passagens são estreitas
E como pode realizar
A obra que planeou
Se ele nunca por lá passou
Nem se poderia deslocar
Dizes que foi Deus que criou

Muito admirado eu fico
Como assim podes pensar
Como é que Deus pode guardar
As almas como te explico
Se não há céu aonde fico
Nunca poderia lá chegar
Se no cemitério que é critico
E que não poderei de lá sair
Como posso atravessar
Todo o universo e o infinito

Se a terra tem atracção
E tudo para o centro puxa
Só com magia de bruxa
Ou então de foguetão
Mas devemos ter atenção
Quanto poderia custar
Mas o deus nunca levou
Porque morrem aos milhões
E com todas estas situações
Coisa que ninguém provou.

Sabes que no espaço há planetas
Não há estradas para andar
E que só lá podem estar
Os meteoritos e os cometas
A coisas que são tão pretas
E basta só vermos isto
E não basta querer em Cristo
Como te podes tu convencer
E que és capas de ver
E até nunca foi visto

quinta-feira, 15 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

AVIS EM ALTA

No passado dia 10, enquanto em Avis decorria a homenagem a José Saramago, acontecimento que ultrapassou os limites do nosso concelho (veja-se aqui: http://dianafm.com/index.php?option=com_content&view=article&id=20604:avis-maratona-de-leitura-do-livro-levantado-do-chao-homenageia-saramago&catid=19:alentejo&Itemid=44  ) em Évora a ARPIE - Associação de Reformados Pensionistas e Idosos de Évora, ao mesmo tempo que comemorava o seu 25º aniversário, fazia a distribuição de prémios dos seus XIX Jogos Florais. Ali, por duas vezes o nome de Avis foi anunciado já que:



-FERNANDINO LOPES foi distinguido com uma menção honrosa na modalidade de conto e

- Fernando Máximo recebeu do Júri a distinção do 1º Prémio na modalidade de Décimas.

“DO CASTELO” teve acesso às Décimas premiadas que, diga-se,  tinham um mote algo difícil fornecido pela organização dos Jogos e que, com a devida autorização, passa a reproduzi-las:


Mote:
Nos “sobe-desces” da vida
Quem tal conhecimento não viu
Às vezes sobe quem desce
Desce tanto quem subiu


Ninguém diga que está bem
Que tem a vida na mão
Pode entrar em contramão
Sem saber o que lá vem;
E mesmo que haja alguém
Que te empurre na subida
Pode ser falsa partida
Pois quem finge te ajudar
Quer é antes te tramar
Nos “sobe-desces” da vida!


Dá-te pancadas nas costas
Fingindo ser teu amigo
E vem conversar contigo
Só de coisas que tu gostas;
Acreditas, quase apostas
Que ele nunca te mentiu
…Que de ti nunca se riu.
Só vive assim enganado
Sem se sentir ultrajado
Quem tal conhecimento não viu


Um dia irás pensar,
E concluirás por fim,
Que há gente muito ruim
Que só te quer enganar;
Para isto acabar
Pedes auxílio em prece
E depressa te parece
(Sentindo-te injustiçado)
Que andando tudo trocado
…Às vezes sobe quem desce


Ficas por fim mais atento
A tudo o que te rodeia
Procuras de volta e meia
Mais coragem, mais alento;
Nesta vida, num momento,
Tanto império que ruiu
E o que ninguém descobriu
(Sendo a questão crucial)
É a regra pela qual
Desce tanto quem subiu…


Aos premiados os nossos parabéns

segunda-feira, 12 de julho de 2010

AINDA A HOMENAGEM A JOSÉ SARAMAGO!

Foto 1 - Francisco Alexandre iniciou a maratona às 14:00h...
Foto 2 - ...e Fernandino Lopes encerrou-a às 03:40h



Eram 13,30h e já a Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, estava aberta para ultimar os preparativos da homenagem que aquela Associação pretendia fazer ao Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, recentemente falecido. À hora aprazada, 14 horas, deu-se início ao evento. A sala, decorada de modo simples mas condigna, apresentava uma mesa redonda para leitura onde um ramo de flores dava um ar de graciosidade, enquanto três fotografias do cartaz promocional deste evento, ladeavam a bandeira da ACA.

Na ocasião usou da palavra Francisco Alexandre, Presidente da Direcção da ACA que apresentou a razão para esta homenagem: tratar-se do Prémio Nobel da Literatura Portuguesa e como tal, entendeu a ACA que a melhor forma de homenagear o português distinguido – José Saramago – é lê-lo. O livro escolhido para esta leitura integral e em voz alta – Levantado do Chão – por ser aquele que o lançou como escritor e por ser um retrato fidelíssimo do nosso Alentejo.

Depois foi a vez do Vice-Presidente, José Ramiro, referir o lado antropológico e histórico, - sem dúvida - dos livros de José Saramago, sendo este um, dos que melhor ilustra este facto.

Começou finalmente a maratona de leitura em voz alta do livro “LEVANTADO DO CHÃO”. Eram exactamente 14:50h.

Não é fácil ler José Saramago. A pontuação é suigeniris, os discursos directos que não têm parágrafos, os períodos que, por vezes, são enormes cortam a respiração, mas nem isso esmoreceu o entusiasmo daqueles que se propuseram levar a bom porto esta iniciativa. Os capítulos foram caindo uns atrás dos outros. Uns mais demorados que outros, por maiores. A tarde nem dá por se passar. Os ouvintes seguem atentamente o que os outros vão lendo. Cada qual tem os seus afazeres. Há quem vá ler e depois vá tratar da sua vida. E não volte. E há quem vá ler, vá tratar de outros assuntos, como por exemplo ir às Marchas ao Maranhão e depois volte. E voltam a ler com o mesmo entusiasmo. A meio da tarde chegam os primeiros voluntários de Portalegre: a Professora Maria Albertina e o marido. Vêm expectantes. E leram: primeiro ela, depois o António Martins. Os “da casa” ouvem e esperam a sua vez. Lá mais para o fim da tarde, mais gente que vem de Portalegre com o propósito de fazer uma homenagem a alguém que, se calhar, nunca tinham pensado poder fazer: a professora Deolinda Milhano chega acompanhada pelo marido e nota-se-lhe a ânsia de querer entrar rapidamente naquele “jogo”. Quer ler. E lê. Pausadamente, como convém, para que as palavras, as sílabas, os parágrafos, sejam apreendidos. Mas antes ainda me segreda: vem aí um amigo meu. Foi erradamente ter ao Auditório…deve estar quase a chegar. E chega. Entra na sala. Reconheço-o. Companheiro de outras lides literárias. É o Matos Serra, capitão de Abril residente em Cabeço de Vide. Não o oiço ler, com muita pena minha. São horas de ir jantar que estas coisas também não se podem fazer de barriga vazia.

Regresso por volta das 22 horas. Na sala já se respira “Saramago” há muito tempo. Na Igreja Matriz o relógio vai marcando, cadenciado o tempo. As badaladas por vezes nem se ouvem. Elas são dadas com força mas a sala está absorta na história. Por ali vagueia, já há muito, o António Mau-Tempo, o do livro, o de Monte Lavre, porque o nosso, o cá de Avis, esse está a fazer as malas para ir passar umas férias à Tunísia. Pois que faça boa viagem que nós ficamos por cá com o António Mau-Tempo e seu pai João Mau-Tempo, de Lavre, mais, o Sigismundo Canastro, mais o Guarda José Calmedo e o Cabo Tacabo (cujo nome tanta dificuldade tinha em ser lido, não era Ana?), mais a Gracinda Mau-Tempo, mais o Manuel Espada, mais o cão Constante e ainda mais toda aquela gente que, graças a Saramago, povoa os nossos sonhos nessa tarde/noite/madrugada.

Alguém abre a porta de mansinho. Assusto-me. Penso que poderá ser o Cabo Tacabo ou mesmo o padre Agamedes que, agastado com esta homenagem, nos venha lembrar que Deus não se compadecerá daquela nossa heresia. Rodo o pescoço devagar e descanso ao ver que afinal quem entra é o José Ramiro, que como a Leonor Xavier, fôra às Marchas ao Maranhão e já regressara. Descanso o medo e embrenho-me de novo na história. A luta pelas oito horas está quase ganha. Mas ainda não está.

…Um noctívago, (já estamos para lá das três da manhã), passa lá fora, na Serpa Pinto (praça ou rua? Que importa?). Os passos são cadenciados e aproximam-se. Soam-me a algo de sinistro e tenho medo de novo. Será alguém que vem fazer o funeral do João Mau-Tempo? Há sempre alguém que lhe cheire a morte. Talvez seja o Padre Agamedes para lembrar um homem bom…Desta vez já não olhei para a porta. Olhei para os meus colegas da sala. Os resistentes… Concentro-me no que a professora Maria Antónia Oliveira lê. E ainda tem folgo para tanto…

Nunca pensei que houvesse tanta gente a assistir ao final do livro. Falta só já um capítulo. Somos seis, os resistentes ao sono a às dores de costas e pescoços.

Tem a honra de encerrar esta maratona o Fernandino Lopes. São três e meia da manhã acabadinhas de dar no relógio da Matriz. Fernandino diz umas palavras de circunstância antes de começar a ler. Está emocionado. A coisa correu bem e sente-se gratificado com a resposta dada a esta iniciativa em que foi ele a dar o pontapé de saída. E ataca o último capítulo. E chega ao fim e batem-se palmas. Batem palmas o Francisco Alexandre, o Fernandino Lopes, o José Ramiro, a Leonor Xavier, a Maria Antónia Oliveira e o Fernando Máximo. Dos 15 leitores da maratona estavam ali 6 leitores àquela hora tardia. Uma boa percentagem de resistentes: 40%! Se nos lembrarmos que 4 dos leitores não residem em Avis a percentagem sobe para uns admiráveis 55%!

Eram 03:40h do dia 11 de Junho. Tinham passado exactamente treze horas e quarenta minutos desde o início desta maratona de leitura. Missão cumprida!

Recorda-se o modo entusiasta como a Ana Martins leu e a “admiração” que expressou ao ler no livro uma referência a Montargil; o modo como Leonor Xavier se emocionou ao ler um fragmento que “mexeu” demais com ela por demasiado próximo da realidade por si vivida; o entusiasmo da pequena Carolina Oliveira e o modo ritmado como sua mãe, Maria Antónia Oliveira leu, apesar de nunca até ali ter lido Saramago e recorda-se, por fim o nome e as horas daqueles que disseram SIM à solicitação da ACA:

Francisco Alexandre e José Ramiro – palavras de abertura – 14:00h



Leitura do livro:

- FRANCISCO ALEXANDRE – 14:50H

- LEONOR XAVIER – 15:10H

- MARIA ALBERTINA DORDIO – 15:45H

- JOÃO MARTINS – 16:15H

- ANA BALÃO – 16:40H

- ANA MARTINS – 17:45H

- SILVIA FELIZ – 18:10H

- JOSÉ RAMIRO – 18:40H

- LEONOR XAVIER – 19:30H

- DEOLINDA MILHANO – 20:35H

- MATOS SERRA – 21:15H

- CAROLINA OLIVEIRA – 22:15H

- MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA – 22:25H

- ANABELA CANELA – 22:45H

- ANA MARTINS – 00:20H

- MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA – 01:15H

- FERNANDO MÁXIMO – 02:00H

- ANA MARTINS – 02.20H

- LEONOR XAVIER – 02:50H

- MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA – 03:00H

- FERNANDINO LOPES – 03:30H



FINAL – 03,40H



Parabéns à ACA!

domingo, 11 de julho de 2010

JÁ ESTÁ!

Está terminada a maratona de homenagem ao Prémio Nobel José Saramago que a Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural lhe promoveu, através da leitura, em voz alta, do livro "Levantado do Chão".



Com início às 14 horas de ontem, dia 10, terminou esta homenagem às 03 horas e 40 minutos de hoje, dia 11. Assim, durante 13 horas e 40 minutos, ininterruptamente, 15 pessoas voluntariamente deram corpo a esta actividade. De salientar que se deslocaram até nós três leitores de Portalegre e um de Cabeço de Vide, o que não deixa de ser relevante da projecção desta iniciativa.



A ACA está, assim, mais uma vez de parabéns.

sábado, 10 de julho de 2010

DE CANDEIAS ÀS AVESSAS...

Por divergências internas a Direcção da Associação de Reformados anda de candeias às avessas. O então Presidente João Moreno bateu com a porta, pediu a demissão não só do cargo como de sócio. Pediram igualmente a demissão dos cargos o vice-presidente, Maximiano Salvaterra e o vogal João Narciso. Sendo a Direcção composta por cinco elementos efectivos e três suplentes, era natural que os suplentes assumissem os cargos vagos. Tal não pôde acontecer por os membros suplentes não saberem ler. Como medida de recurso, assumiu a presidência interinamente o Vice-presidente, assegurando assim o funcionamento daquele corpo social até que para o mês que vem haja eleições intercalares para aqueles três cargos.

A Associação de Reformados de Avis (ASRPICA) é demasiado importante para a nossa vila e para as nossas gentes. Por isso, desejamos que este impasse seja resolvido tão rapidamente quanto possível.

E vai ser, disso temos a certeza.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXVIII)

1 - A HOMENAGEM
É já amanhã, sábado, que a partir das 14 horas na Sede da ACA - Praça Serpa Pinto, 11- se iniciará a maratona de homenagem a José Saramago, com a leitura em voz alta do livro "Levantado do Châo". Mesmo não sendo um dos inscrito(a)s apareça e venha ler com o intuito único de homenagear o Prémio Nobel da Literatura. Ora atente no cartaz e apareça mesmo que seja lá por volta das onze da noite.
A "coisa" promete durar....





2 - AS CESTAS DE POESIA
Damos hoje a conhecer mais umas décimas do nosso amigo e poeta Sr. JOSÉ COUTINHO CALHAU, de Benavila,
Vamos ler o que o poeta escreveu sobre "O trabalho."

Eis pois:

No mundo de quem trabalha
Cria riqueza sem saber
O quanto a ele lhe calha
De tanto esforço fazer

É triste mas tem de ser
O mundo é mesmo assim
E nunca mais vai ter fim
Não se chega a compreender
Eu ando a espera de ver
O meu pensar nuca falha
E não chega para a mortalha
Nem vai dar para eu viver
É o que esta acontecer
No mundo de quem trabalha

Quando no trabalho entrei
Era ainda pequenino
Comecei era um menino
E até hoje não mais parei
Nunca na escola entrei
Para alguma coisa aprender
Coisa que pudesse valer
Falo disto com razão
E só pr’ó lucro do patrão
Criar riqueza sem saber

Fui crescendo e aprendendo
Tudo o que a vida me ensinava
O tal dia que tardava
Mas com a luta fui vencendo
Ainda hoje não entendo
Por que o meu plano falha
E dentro desta maralha
È difícil compreender
O que andamos cá sem saber
O quanto a ele lhe calha

Logo de muito novo
Eu comecei aprender
O que era difícil viver
No meio de este povo
Toda a vida é um jogo
Que é difícil de saber
O que andamos cá a fazer
Começo estar saturado
Estou já muito cansado
De tanto esforço fazer

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O "MAMARRACHO" ENTROU EM OBRAS...

Foto 1 - "Quem estiver no Jardim do Mestre pode espraiar a vista até muito para lá da Senhora Mãe dos Homens,..."

Foto 2 -"...ao tentar apreciar a paisagem para os lados do Ervedal, dá de caras com este mamarracho .."





É verdade: nunca gostei do edifício onde se situam actualmente as instalações do Banco Totta. Aquando da sua inauguração serviu para nele funcionar o então Crédito Predial Português, Banco que entretanto já não existe.

Quando digo que não gosto, refiro-me ao edifício em si. Numa terra marcadamente alentejana em que os edifícios raramente vão além do 2º piso, ficando-se a maioria das casas pelo rés-do-chão, não tinha nenhuma razão, no meu fraco entender, a autorização para construção dum monstro desta altura na nossa vila. Bem sei que à época era importante para os Bancos demonstrarem alguma magnificência, algum luxo. Depois acrescia o facto de poderem vender as moradias dos andares – o lucro era também a mira. E venderam e houve pessoas de cá que fizeram bons negócios. Por aí tudo bem, mas a mim o que me faz afinar é a altura do dito prédio. Quem estiver no Jardim do Mestre pode espraiar a vista até muito para lá da Senhora Mãe dos Homens, mas depois, ao tentar apreciar a paisagem para os lados do Ervedal, dá de caras com este mamarracho que, durante muitos anos, mais parecia um daqueles mapas antigos com as vias-férreas ou os rios desenhados, que nós tínhamos que decorar na 4ª classe, tal era a quantidade de rachas visíveis nas suas paredes.

Este edifício, penso ter sido o primeiro (?) a ter elevador de acesso aos vários andares. Funcionando já ali ao lado a então Escola Primária, não raras vezes a miudagem costumava ir “dar uma voltinha” no elevador, para grande angústia de um funcionário do Banco, que temia pela integridade física da miudagem que, aos quatro e cinco de cada vez, embarcavam naquela aventura de andar de elevador, o que era novidade para a terra.

No princípio a parte comercial, entenda-se a parte do Banco propriamente dita, até não era exageradamente grande para os funcionários que ali trabalhavam e que chegaram a ser uns quinze ou dezasseis. E deles, para aí uns catorze ou quinze tinham trabalho e só um ou dois é que tinham emprego. Por isso estava bem composto o espaço. Com a redução de pessoal que os bancos foram fazendo, muito por mor do avanço informático e da proliferação de novos bancos e novos balcões, o espaço agora era desmesuradamente enorme. Circunscritos actualmente a quatro elementos, por vezes quando entrávamos no banco e acontecia os funcionários estarem nas suas secretárias ou à caixa, atrás do alto balcão, dava a sensação que aquilo era um espaço vazio. Pois bem, para colmatar essa e outras pechas, o “mamarracho” entrou em obras. Ao que julgamos saber, a agência que agora funciona do lado de lá com porta por onde antigamente se encontrava o cofre nocturno, será, depois das obras deslocada de novo para o lado da entrada principal, com atendimento personalizado num espaço a condizer com os ideais dos tempos modernos. Àh! E voltará a Caixa Multibanco, entretanto retirada. O restante espaço será transformado em lojas, suponho que para venda.

Portanto, investidores da nossa terra, olho vivo que vem aí negócio a não perder.

Cá para mim, e não duvidando de que a parte comercial vai ficar muito mais apelativa e acolhedora, e com muito melhores condições de trabalho para quem ali labuta, como sou teimoso q.b. continuo a não gostar do mamarracho.

Mas não tenho outro remédio senão “gramá-lo”…

segunda-feira, 5 de julho de 2010

AVIS EM ALTA - HOMENAGEM A SARAMAGO E PREMIADOS EM JOGOS LITERÁRIOS

1 – HOMENAGEM A SARAMAGO - Não acreditamos que a homenagem ao Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural vai levar a efeito no próximo dia 10 de Julho a partir das 14 horas na sua Sede, não seja um êxito. Para já, segundo nos consta, apenas existem 10 inscrições para ler em voz alta o livro “Levantado do Chão”. Certamente que quando os cartazes, que aguardam oportunidade para serem impressos nos Serviços Socioculturais da Câmara Municipal de Avis, forem por aí afixados, o conhecimento desta iniciativa será mais abrangente e a adesão subirá significativamente.

2 – JOGOS LITERÁRIOS – PREMIADOS AVISENSES

No passado sábado, dia 3, o nome de Avis foi evocado em dois locais diferentes.



Em MONTARGIL:



- Foi feita a entrega de prémios relativos aos Jogos Literários de Montargil 2010, uma organização do Grupo de Promoção Sócio-Cultural de Montargil, por altura das comemorações do seu 40º aniversário.
O tema proposto para estes jogos foi “A nossa terra” e acontece que dois concorrentes da nossa vila foram ali distinguidos com os seguintes prémios:



Modalidade de Conto Curto (máximo de 2 páginas A4)



- FERNANDINO LOPESObteve o 3º prémio com o conto intitulado “A Fotografia”



- Fernando MáximoObteve o 1º lugar com o conto que teve por título “Saudades da nossa terra”.

Foi ainda distinguido com o prémio de melhor do Alentejo nesta modalidade





Modalidade de Poesia – Quadra



Fernando Máximofoi-lhe atribuído o 5º lugar com a seguinte quadra:



Passa lenta a Procissão
Em passos cadenciados,
Nossa terra em oração
Fica livre dos pecados…



Foi-lhe atribuído ainda o 9º lugar com a seguinte quadra:



Minha terra é povoado,
Na barroca, lá ao fundo,
Mas atesto em todo o lado
Que é a mais linda do mundo!



Este nosso amigo foi ainda distinguido com o prémio de melhor do Alentejo na modalidade de quadra.



Foto: Montargil: 1º Prémio - Conto Curto



Em FREAMUNDE:

Ainda dia 3 deste mês, teve lugar em Freamunde, Paços de Ferreira, a entrega de prémios do Concurso de Quadras alusivas às festas Sebastianas, padroeiras daquela localidade.
Ao nosso amigo Fernando Máximo foi atribuída uma menção honrosa com a seguinte quadra:



Sócrates, tu só me enganas,
Mas confia, que eu não minto:
Hei-de ir às Sebastianas
Alargando um pouco o cinto…



Aqui deixamos o registo e os parabéns aos premiados…






sexta-feira, 2 de julho de 2010

CESTAS DE POESIA - (CXXVII)

Continuam a receber-se inscrições para a homenagem que a AMIGOS DO CONCELHO DE AVIZ – ASSOCIAÇÃO CULTURAL, pretende fazer ao Prémio Nobel da Literatura, JOSÉ SARAMAGO, no próximo sábado, dia 10, na Sede da ACA a partir das 14 horas e que consistirá em ler em voz alta o livro “Levantado do Chão”.



Quanto às “Cestas de Poesia”

JOSÉ COUTINHO CALHAU acompanhará as nossas Cestas de Poesia por mais um mês. Por duas razões: porque tem matéria para tal e porque a sua poesia merece ser divulgada. Estivemos a fazer uma análise mais aprofundada às “Cestas” passadas e detectámos algumas anomalias que corrigimos, como seja a errada numeração que vínhamos atribuindo e que agora, supõe-se está correcta. Por outro lado, nas “Cestas de Poesia” nºs CXXII e CXXIII repetimos as poesias sobre Benavila. Sendo embora muito bonito aquilo que o nosso convidado escreveu sobre Benavila, não há necessidade de repetições pois que temos trabalhos suficientes para atribuirmos um a cada Cesta. Com os nossos pedidos de desculpas ao amigo JOSÉ COUTINHO CALHAU, hoje publicamos dois trabalhos de sua autoria:


Eis a primeira
Fui ver se encontrava
Alguma flor que me encantasse
Encontrei uma rosa branca
Pedi-me que a desfolhasse


Que linda rosa era um encanto
Que dava gosto afagar
Seu perfume para cheirar
E que eu adorava tanto
Sua formosura era um espanto
E era linda eu achava
E quando por ela passava
Podes te tu convencer
Que eu só queria saber
Fui ver se encontrava


Parei para contemplar
A flor que ia a passando
Fui sempre para ela olhando
E assim lhe quis eu provar
Chamei-a, fi-la parar
Talvez que eu encontrasse
Quando essa donzela passasse
A minha ideia continua
De encontrar na minha rua
Alguma flor que me encantasse


Quando a donzela passou
Fiquei feliz e radiante
Dei um passo mais adiante
E ela comigo falou
Tu não sabes quem eu sou
Mas para ti eu vou ser franca
Se ouviste a minha tamanca
Foi mesmo para te despertar
Que eu vinha aqui a passar
Encontrei uma rosa branca


Conversa puxa conversa
Perguntei-lhe para saber
O que andava ali a fazer
E se levava muita pressa
E fiz-lhe então uma promessa
Podia ser que aceitasse
E que comigo não se zangasse
Do que lhe estava a pedir
E ela disse-me a sorrir
Pediu-me que a desfolhasse




…e agora as segundas décimas:


Procurei por toda parte
Para ver se encontrava
Dentro do saber e da arte
O que a ciência nos ensinava


Perguntei a muita gente
Qual o máximo do saber
Neguem soube responder
Nem saber suficiente
E foi oportunamente
Que eu a pensar na arte
Mas não a quem me afaste
E falei com muito povo
Nada me disseram de novo
Procurei por toda parte


Se alguém me tem respondido
Foi sempre sem ter a certeza
Falavam da natureza
E daquilo que é conhecido
As vezes mal recebido
No entanto sempre tentava
E aquilo em que me inspirava
Eu nunca tinha a certeza
Foi sempre com delicadeza
Para ver se encontrava


É difícil de encontrar
Quem conheça os dois sentidos
São assuntos desconhecidos
E que andamos a procurar
Para sabermos deslindar
E dizermos por toda a parte
Não vá alguém querer julgar-te
E que toda agente procura
E quem pergunta com ternura
Dentro do saber e da arte


É de um saber avançado
Aqueles mais estudiosos
Estudam o passado dos povos
E tiram sempre resultado
Eu já tenho imaginado
Que o saber é coisa fina
Mas se alguém imagina
O que se queira convencer
Eu gostava de aprender
O que a ciência nos ensina