Sexta-feira, Setembro 03, 2010
CESTAS DE POESIA (CXXXV)
Hoje, dia 3 de Setembro em que:
a) - Começou a 34ª Festa do Avante
b) – Portugal foi afastado do Campeonato da Europa em Futebol, categoria de sub-21
c) – Em que a selecção “A” empatou mal e porcamente com o Chipre no 1º jogo de apuramento para o campeonato europeu de 2012
d) – No dia em que fiquei agradavelmente surpreendido com a Justiça Portuguesa por ter considerado CULPADOS 6 dos 7 arguidos no Caso Casa Pia,
Chega até nós mais uma Cesta de Poesia, ainda com obra de JOSÉ JOAQUIM CONTENTE, o ZÉ CARAPINHA, de Figueira e Barros. O que reservei para vós é o seguinte (para descontrair):
O dez tem a mania
O vinte a impressão
O trinta não ouvia
O quarenta a dar lição
Número um canta comigo
Convida o dois também
O três não lhe convém
Quatro não está resolvido
O cinco muito atrevido
Diz p’ró seis que não sabia
O sete quer ser rufia
O oito está desgostoso
E o nove está teimoso
O dez tem a mania
Número onze não consente
O doze a cantar o fado
O treze já está zangado
E o catorze não está contente
O quinze fala lindamente
Para o dezasseis com atenção
O dezassete faz mangação
Do dezoito que está a cantar
E o dezanove quer ganhar
O vinte tem a impressão
O vinte e um quer vencer
O vinte e dois no combate
Vinte e três quer ter arte
E vinte e quatro não quer perder
Vinte e cinco se veio meter
Vinte e seis teve alegria
Vinte e sete com valentia
Do vinte e oito faz pouco
Vinte e nove chama parvo e mouco
Ao trinta que não ouvia
Trinta e um estava cantando
Trinta e dois toca guitarra
Trinta e três quer ser barra
Trinta e quatro estava escutando
Trinta e cinco detrás falando
Trinta e seis segue a direcção
Trinta e sete arma em revolução
Trinta e oito o mesmo diz
Trinta e oito o mesmo diz
O trinta e nove aprendiz
O quarenta a dar lição
Quarta-feira, Setembro 01, 2010
AVIS EM ALTA!
Foto: A capa do Livro
Por vezes vêm ter a Avis pessoas que são uma mais-valia para a nossa terra. Eu direi mesmo que a grande maioria das pessoas que para cá vêm são pessoas válidas e com grande facilidade de integração. Certamente tanta quantos aqueles que deixam Avis para exercerem profissões noutros locais. Mas deixemo-nos de blábláblás, de conversa mole e vamos ao que interessa. RUTE REIMÃO chegou a Avis há poucos anos mas tem com o seu dedicado trabalho de ilustradora levado o nome de Avis bem longe, pois que os seus trabalhos, sendo reconhecidos em muitos pontos, já se começam a ligar com o nome de Rute Reimão a Avis. Começa a haver uma afinidade entre os dois nomes. Agora surgiu uma “parceria” com outra grande mulher da escrita, de Montemor-o-Velho. O seu nome é LURDES BREDA, é uma amiga indiscutível de Avis (é inclusivamente sócia da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural) que quer aqui voltar sempre que lhe for possível. Da conjugação de esforços entre duas amigas resultou um livro que dá pelo nome de “O Alfabeto Trapalhão”, escrito pela Lurdes e ilustrado pela Rute.
Caros amigos,
É com muito prazer que estendo um novo convite, após o lançamento do livro "Histórias do Barco da Velha", sai para as bancas um novo livro, desta vez editado pela GATAfunho, com texto de Lurdes Breda e ilustrado por mim.
"O Alfabeto Trapalhão" , é uma obra de poesia direccionada para crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico. Através de rimas cheias de nonsense, todas as letras do alfabeto se juntam, para formarem palavras, mostrando como isso pode ser estimulante e divertido. As histórias nascem assim, letra a letra, e a imaginação não tem limites... Por isso, pelas páginas deste “Alfabeto Trapalhão” podem descobrir-se: um B com duas barrigas, um dinossauro que cai, redondo, no chão, um hipopótamo sonolento, um I com os cabelos em pé, um palhaço trapalhão, um N que faz o pino, um pinguim pateta, um soldadinho a marchar, um S a assobiar, um cowboy que faz parapente, um Z a ziguezaguear e muitas outras personagens engraçadas, em ilustrações cheias de cor e fantasia. As mãos da Rute misturaram retalhos de cartas com comboios de sonhos, cartões e cartolinas com sorrisos de alegria, papéis velhos e novos com montanhas de ideias, tesoura e cola com muita brincadeira, e tintas e lápis coloridos com nuvens de magia…
--
Rute Reimão
Por sua vez Lurdes Breda diz-nos assim:
Na impossibilidade de irmos a Montemor-o-Velho ficaremos atentos à ACA e à sua iniciativa.
Convidamos V. Exa. Para o lançamento do livro “O Alfabeto Trapalhão”, escrito por Lurdes Breda e ilustrado por Rute Reimão, editado pela Editora GATAfunho, a ter lugar no dia 5 de Setembro, pelas 15.00 Horas, na Galeria Municipal de Montemor-o-Velho.
A apresentação da obra estará a cargo de Ana Cristina Jorge, Professora do 1º Ciclo do Ensino Básico e, actualmente, a exercer a função de directora no Agrupamento de Escolas de Arazede, Montemor-o-Velho.
A sessão contará com a intervenção do músico João Gentil e do Grupo Instrumental Orff da APPACDM – Unidade Funcional de Montemor-o-Velho, acompanhado pela Professora Lina Carregã.
Seguir-se-á uma sessão de autógrafos pelas autoras e um Porto de honra aos convidados.
Lurdes Breda
Posto isto, nada mais nos resta que endereçar os parabéns a estas duas amigas de Avis, desejando-lhes as maiores venturas nas suas “artes”.
Não digam nada a ninguém, mas parece que este livro vai ser lançado igualmente cá por Avis, num evento cultural elaborado pela Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural que terá o nome de “Escritos e Escritores 2010 – 2ª edição” a ocorrer entre os dias 16 e 18 de Outubro do presente ano.
Segunda-feira, Agosto 30, 2010
3ª JORNADA
Benfica 3 – Vitória de Setúbal 0
Um Jesus menos loirinho,
Cabelo em tons de mel,
Lá ganhou este joguinho
Ao seu colega Manel
Rio Ave 0- Porto 2
Alumia duas vezes
Candeia que vai à frente
…À altura dos revezes,
Onde irá já esta gente?
Naval 1 - Sporting 3
Naval não soube jogar
E um Sporting esforçado,
Teve mesmo que ganhar
Um jogo mal arbitrado…
Um Jesus menos loirinho,
Cabelo em tons de mel,
Lá ganhou este joguinho
Ao seu colega Manel
Rio Ave 0- Porto 2
Alumia duas vezes
Candeia que vai à frente
…À altura dos revezes,
Onde irá já esta gente?
Naval 1 - Sporting 3
Naval não soube jogar
E um Sporting esforçado,
Teve mesmo que ganhar
Um jogo mal arbitrado…
Domingo, Agosto 29, 2010
FUMO SOBRE AVIS
Como em anos anteriores, aí está o fumo vindo de terras distantes onde o fogo dita leis. Não sabemos donde. Abrantes? Sardoal? Vila de Rei? Portalegre? Mais perto? Mais longe? O ar torna-se quase irrespirável, entra pelas frestas das janelas, invade as nossas habitações, penetra nos nossos pulmões.. Sinal de destruição, de morte. Com ele vêm à memória as imagens televisivas de incêndios que diariamente devastam as nossas florestas ou aquelas dos incêndios que em 2003 destruíram parte do parque de S. Mamede, em Portalegre e a que assistimos e tentámos combater. É todos os anos assim. Pelo menos uma vez Avis é invadida por estes sinais de destruição. Lá longe. Valha-nos ao menos isso, sem no entanto nos servir de consolação.
Bom seria que nunca por cá chegassem, por nunca existirem.
Nesta hora em Avis respira fumo, um bem-haja muito grande a todos os Bombeiros deste Portugal que tanto têm lutado para combater uma guerra que lhes é, muitas das vezes, imposta por “terroristas” defensores da terra queimada e um bem-haja muito, mas muito grande, aos Bombeiros Voluntários de Avis, pelo que significam de dedicação, coragem e abnegação em prol do bem comum.
Sábado, Agosto 28, 2010
AVIS EM ALTA - GROOVE COMEMORAM 1º ANIVERSÁRIO
Foto: GROOVE
É verdade: parece que foi ontem que comecei a ter as minhas sestas invadidas por uns agradáveis sons musicais e já lá vai um ano, tanto quanto os “GROOVE” têm de existência. Para trás ficam muitas horas de ensaios, muitos concertos, muitas actuações e um honroso 2º lugar no Concurso de Bandas realizado já este Verão na vila de Cano (Sousel).
Hoje, dia 28 de Agosto é pois dia de aniversário para estes rapazes que de quatro passaram recentemente a cinco, pois que aos fundadores Tiago Garrinhas (dono da voz e da guitarra), Gonçalo Garrinhas (exímio baterista), Rui Oliveira (magnífico guitarrista) e Carlos Poeiras (soberbo no baixo) juntou-se agora mais um elemento: Nelson Feiteira (o senhor das teclas).
A festa vai ser de arromba e acontecerá no Campo Municipal de Futebol, em Avis, a partir das 21h30m. Como convidados os “GROOVE” trazem até nós os “FORA DA BOIA” (que festejam também o seu 3º aniversário) e os “BANG BANG ROSES” (banda de tributo oficial aos Guns n Roses). E mais: dois DJ – dois: GONGO e CHESTER.
Estão assim reunidas as condições para os Avisenses, e não só, terem uma noite de sábado diferente. Hoje à noite todos os caminhos (e ruas) vão dar ao Campo de Futebol em Avis. Os “GROOVE” merecem o nosso aplauso e a nossa presença por tudo quanto têm feito em defesa dos valores culturais de Avis.
“DO CASTELO” endereça os mais sinceros parabéns a estes jovens com votos de que para o ano cá estejamos todos para nos divertirmos em mais um dia de aniversário.
Força, “GROOVE”!
Sexta-feira, Agosto 27, 2010
CESTAS DE POESIA (CXXXIV)
Foto: Grupo que "nem deu pela tarde passar..."
Curiosamente, hoje que é dia das nossas “Cestas de Poesia” houve poesia a rodos no Centro de Convívio e Apoio Social Engº João Antunes Tropa, em Benavila. A Drª Paula Rasquete organizou este encontro/convívio e à mesma mesa sentou-se perto de uma vintena de utentes amantes da poesia para ouvirem poemas da autoria dos presentes, JOÃO VILELA, JOÃO CARVALHO, JOSÉ COUTINHO, FRANCISCA ALMEIDA, JOAQUIM CABRA (que bem sabe dizer poesia - parabéns!) e FELIZARDA GARCIA. Foi ainda feita a leitura de poemas em livro da autoria de JAIME VELEZ, JOSÉ DA SILVA MÁXIMO e MANUEL CARRAJOLA.
No final a satisfação era total havendo mesmo quem afirmasse que “nem se deu pela tarde passar.” Quando isto se diz é porque efectivamente a tarde foi bem passada.
Registado este apontamento voltemos ao nosso JOSÉ JOAQUIM CONTENTE, da Figueira e Barros, para conhecermos mais um dos seus vários trabalhos em décimas. Como já dissemos o Sr. José Contente explorou um café em Figueira e Barros. Acontece que no Ervedal, para aumentar as vendas, houve quem pusesse, noutro estabelecimento os cafés a um preço demasiado baixo. O Contente não gostou e vai daí escreveu assim:
Vou mandar para as outras nações
Do que se passa em Portugal
Cafés a cinco tostões
Só se vendem no Ervedal
Embora digam que não
A verdade assim se escreve
Até a pessoa que o bebe
É o próprio que faz mangação
Fizeram uma reunião
Para levantar uns tostões
Não serviram as combinações
Voltaram ao tempo antigo
Devia ser proibido
Vou mandar para as outras nações
Digo a todos os taberneiros
Deviam ser castigados
Há vinte anos atrasados
Já custavam o mesmo dinheiro
Dou volta ao mundo inteiro
Não encontro coisa igual
Vou mandar pôr no jornal
Este grande atraso de vida
Eu tenho a sentença lida
Do que se passa em Portugal
Estes são os meus palpites
Falados pela minha boca
De café é uma colher de sopa
Para uma cafeteira de cinco litros
Alguns que são mais esquisitos
Dispõem as suas razões
Lá dizem para os seus botões
Cada vez estamos pior
Não podemos servir melhor
Cafés a cinco tostões
Eu vou pedir por favor
Antes do café deitado
Queremos o preço mais elevado
Para a terra ter mais valor
Eu digo seja a quem for
Cumpro o meu dever legal
Digo a todo o pessoal
Temos que conservar esta mágoa
Vender cafés por preço de água
Só se vende no Ervedal
Quarta-feira, Agosto 25, 2010
PEREGRINAÇÃO A NOSSA SENHORA MÃE DOS HOMENS
Recuemos, cá por Avis, até aos princípios dos anos 70 do século passado. Dito assim até parece que já foi há muito tempo. Mas não. Eu vivi-os e não sou nenhum dinossauro. Já aqui uma vez referi que o Externato Mestre de Avis, vulgo Colégio de Avis, gozava de uma merecida fama no que à qualidade de ensino dizia respeito. Professores como o Dr. Fernando Belo, sua esposa Drª Maria Rosa, o Professor Chitas ou mais tarde o Dr. Vidigal conseguiram, a par de outros que a minha memória já não alcança, dar bom nome a este estabelecimento de ensino. E essa fama ultrapassava em muito os limites do distrito de Portalegre, pois aqui rumavam alunos vindos, por exemplo de Mora, Portalegre, Ponte de Sôr ou do Couço.
Como pároco de Avis e leccionando igualmente no Colégio (Português e História?) o Padre Valdemar conseguia granjear uma simpatia acima do normal junto da juventude da nossa terra. Lembro-me perfeitamente de que à altura as missas eram celebradas na Igreja do Convento que não raras vezes enchia. E entre a assistência muitos e muitos jovens como eu. Talvez que até não fosse a fé que nos levasse ali mas outrossim a possibilidade de dar uma “olhadela” às moçoilas que igualmente lá iam, quem sabe se com o mesmo intuito de “lavar a vista”...é que os tempos eram outros! A irreverência da juventude desse tempo, ou não fosse juventude, levava a que por vezes o Padre Valdemar, antes do sermão dominical, endereçasse um ou outro “sermão” aos mais desinquietos, convidando-os mesmo a abandonar a Igreja do Convento. Na altura a palavra “respeito” tinha um significado diferente do que tem hoje e todos se aquietavam depois do raspanete, não sendo necessário sair.
O Padre Valdemar era uma pessoa dinâmica e defensora da cultura de Avis.
Era ele o Director de um jornal que teve certa implementação a nível local que dava pelo nome de “O AVISENSE” , que servia de ponte entre esta terra e os seus filhos espalhados por Portugal e que após a sua morte depressa deixou de circular. Sempre empenhado em resolver problemas relacionados com o nosso património, demandava com grande à-vontade os gabinetes ministeriais de Lisboa para resolução dos problemas que não conseguia resolver a nível local.. Não é difícil deduzir que era ele o grande impulsionador da Festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Lembro-me que éramos várias dezenas de pessoas, muitos jovens, que nos incorporávamos nessa caminhada que de Avis nos levava à Igreja, do outro lado da Barragem. A festa religiosa era o ponto alto das cerimónias. Depois o convívio: o piquenique, o baile, a actuação de uma banda filarmónica no coreto, que penso eu, ainda por lá terá uns restos até que o tempo (ou o homem) o destrua na totalidade.
A tradição mantém-se: um punhado de gente da nossa vila organiza, e no último Domingo de Agosto ainda há quem vá a pé até à Ermida de Nossa Senhora Mãe dos Homens, embora em muito menor número que então, e quiçá com muito menor fé. Mas disso, da falta de fé de cada um, ninguém é culpado. O cartaz acima diz tudo: dia 29 de Agosto 2010 (Domingo) – partida a pé às 06h00 junto do posto da GNR; 10 horas saída da Igreja Matriz, em cortejo automóvel, com a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens; 11h00 missa dominical seguida de procissão em redor da Capela; Almoço livre e tarde de convívio; 17h00 regresso até à Igreja Matriz.
Se o Padre Valdemar ainda estivesse entre nós por certo seria o primeiro a dizer “presente” nesta festa que lhe era tão querida.



