Terça-feira, Fevereiro 09, 2010
AMANHÃ, QUARTA-FEIRA, VAMOS CHOCALHAR AS COMADRES
Há pessoas que parece a idade não passar por elas. No caso concreto estou a referir-me ao Mestre Orlando. Apesar da avançada idade ainda continua a trabalhar diariamente na sua barbearia e a ter idéias que não ocorreriam a qualquer um. Eis a última: VAMOS CHOCALHAR AS COMADRES NA QUARTA-FEIRA, DIA 10!
Passar da palavra à acção foi um ápice. O Sr. António Henriques ficou encarregado de fazer a boneca e de passa palavra em passa palavra, fez-se uma lista de inscrições e já há quase uma vintena de voluntários para recriar uma tradição que há muito se perdeu. Contam-me que duas das maiores "chocalhadas" eram as do Monte do Painho e a da Fonte Ferrreira, sendo que a Fonte Ferreira era a maior de todas.
Com partida prevista para as 19 horas ( mais coisa menos coisa) da barbearia do Mestre Orlando, as "comadres" vão ser chocalhadas sendo o percurso pelas ruas mais habitadas da nossa vila. Mesmo quem não se inscreveu pode amanhã, quarta-feira, aparecer pela barbearia à hora indicada que será muito bem vindo ao grupo.
Parabém MESTRE ORLANDO, pela lição de vida que dia a dia nos vai dando a todos.
Domingo, Fevereiro 07, 2010
NOS COVÕES HOUVE BATIDA AOS JAVALIS
Foto 1 - Os cães
Foto 2 - O pequeno almoço
Foto Nº 3 - O sorteio
Foto Nº 4 - A espera
Foto Nº 5 - O abate
Foto Nº 6 - A caçada
Foto Nº 7 - O almoço
Foto Nº 8 - O julgamento
Foto Nº 9 - O leilão
O dia amanheceu de tons plúmbeos pelas sete da manhã. O dia de hoje foi escolhido pela Associação de Caçadores, Apicultores e Pescadores dos Covões para realizar uma montaria. Havia que estar cedo na Sede, instalada nas antigas instalações onde funcionou a Escola Primária dos Covões. Chego por volta das oito da manhã e ainda só por lá estão as cozinheiras de serviço e o Presidente da Associação. Pouco mais.
Calmamente vão chegando os interessados nesta montaria: caçadores ou simples amantes da boa cozinha alentejana, vão se juntando aos poucos. Por volta das nove horas começa a dança dos papéis: há que escriturar as presenças (sócios, não sócios, pessoal das montarias, comensais). Depois proceder à escolha dos guias que irão distribuir os caçadores pelas diversas portas: o Ferreira, o Carlos, o Marques e o Luís são os previamente escolhidos. Acabadas as inscrições, são os números das portas metidos conjuntamente com uma série de recomendações úteis, dentro de envelopes fechados. Segue-se o sorteio: cada qual tira seu envelope enquanto o Ferreira avisa que devem sobrar seis portas de sócios que se inscreveram mas não apareceram. Depois do sorteio e verificadas as portas sobrantes poder-se-à proceder à troca de alguma sorteada que pareça menos boa.
Entretanto chegaram as matilhas.
Acabado o sorteio, o primeiro grande momento do dia para quem, como eu, estou ali pelo convívio e pelas guloseimas da Teodora, da Luzia e da outra senhora cujo nome desconheço mas que igualmente preparou o lauto pequeno-almoço: toucinho frito, febras fritas, chouriço e muitas, mas muitas, fatias de ovos, quentinhas, acabadas de fazer e acompanhadas por vinho branco, tinto, água ou sumos diversos. Para rebater um café, com cheirinho.
Hora da partida. Calhou-me em sorte o Sr. Marques como guia e lá fomos nós a caminho da porta Nº 7. O meu colega caçador (não esquecer que eu fui na qualidade de mochileiro) lamenta o facto da porta não estar mais afastada da mancha. Saberá mais tarde que no local onde ele queria a porta já é pertença da Reserva de Camões. Na altura não sabia.
São onze horas e já estamos instalados. Agora há que esperar até a malta dos cães chegarem. É aberto o banco de tripé e aguarda-se pacientemente. Onze e um quarto e soam os primeiros gritos dos batedores acompanhados dos ferozes latidos dos cães famintos.
- Os cães vêm com fome para serem mais agressivos, diz-me o Manuel Dias, meu companheiro de jornada. Eu que desconhecia, registo.
São cerca das onze e vinte e cinco da manhã. Um melro voa assustado e o Manuel, homem habituado a estas andanças sentencia:
- O melro assustou-se anda aí bicho...
Às onze e meia ouve-se um barulho violento a partir estevas. Um javali corre com quanta força tem para se ver livre da matilha que lá longe o persegue. O Manuel empunha a arma e espera que o animal passe no caminho. A besta aproxima-se. O barulho aumenta. Aparece. O Manuel treme-lhe a mão mas não tira o dedo do gatilho. Um tiro. Erra. Outro tiro. Emendou a trajectória e deu-lhe. O porco ficou ali bem perto a espernear. Um cão chega atrasado, mas chega. O porco já está exangue.
- Eu tinha cá um fezada, diz feliz e orgulhoso o Manuel que soma mais um javali à sua numerosa conta de espécimes abatidas. Já nem sabe quantos exemplares matou.
O cão afasta-se e os batedores soam cada vez mais longe…mais longe.
-Agora só se for algum que vier ao contrário, diz o meu colega caçador da porta sete.
Onze e cinquenta minutos. Ouve-se um partir de estevas secas. Nem eu nem o Manuel dizemos nada mas sabemos que vem ali mais um bicho. Ouvimo-lo aproximar. Está já muito cerca. Espingarda em mira, os braços cansam. O bicho não aparece. O barulho está cada vez mais perceptivo. Os braços aguentam ainda o peso da espingarda. Aí vem ele. Salta para o caminho a cem à hora (ou mais) leva um, dois tiros e afasta-se em louca correria. Depois pára lá em baixo no vale. Pensa-se que está morto. A espingarda é carregada com mais duas balas. Ei-lo que aparece na barreira em frente a fugir mas combalido, lá para duzentos metros de distância ou mais. O animal vai ferido mas não pára. O Manuel da porta sete atira-lhe mais três “balásios”. Vêem-se bater-lhe ao lado. Levantam pó aquelas balas tal como levantam pó as balas que o caçador da porta seis igualmente lhe desfere. O “porta seis” diz que lhe deu, o Manuel diz que foi ele que o fez ir abaixo pois com o declive do terreno nunca poderia “o porta seis” lhe dar. Fica a dúvida. Os cães deram com o porco lá muito longe do lugar “do crime” e os matilheiros apanharam-no. À tarde ainda “o porta seis” dizia que tinha sido ele que lhe partiu a pata esquerda dianteira e o Manuel lhe explicava que não podia ser.
À uma e meia já os cães tinham recolhido às camionetas e já tínhamos perdido o rasto a dois javalis que passaram despercebidos entre as portas cinco e um e se escaparam por aqueles campos fora acompanhados pelas nossas vistas enquanto puderam ser seguidos por elas.
Um telefonema via telemóvel para o Presidente Luís:
- Amigo Luís na porta sete há um javali para recolher…
Regressamos à sede da Associação. Caras de desânimo dos que não atiraram ou não mataram, cruzavam-se com sete caras de prazer: é que dos cerca de setenta tiros que foram disparados apenas se mataram sete porcos. Mais tarde os matilheiros chegaram com o tal que o Manuel ferira e os cães apanharam. Ao todo a batida rendeu oito animais.
Hora do almoço: quinze e um quarto. Quem se poderia negar a uma boa sopa de grão com massa, verdura e carne de porco? E o que dizer da boa pinga da Fundação Abreu Callado? Cinco estrelas que vão direitinhas para as cozinheiras: a Teodora, A Luzia e a outra senhora que não sei o nome.
A tarde avança. A temperatura está amena. Esteve um belo dia de batida.
Há que leiloar os porcos abatidos. Mas antes um ritual. O Domingos Cortes abateu pela primeira vez na sua vida um javali. Tem que ir a julgamento e depois ser baptizado. Sobe o acusado a tribunal sob a jurisdição do Juiz Ferreira. Ladeado à direita pelo advogado de defesa José Bicha, e à esquerda pelo advogado de acusação Joaquim Peixe o julgamento não foi pacífico. No final a pena é decretada pelo juiz Ferreira:
-Que lhe seja feita a cruz na testa com sangue do animal, que seja colocada na cabeça do réu a cabeça do animal e finalmente que se lhe dê um banho de tripas.
O povo ficou contente com a sentença. Aplaudiu batendo palmas entre risos de alegria.
Por fim o leilão. As licitações começaram sempre por 25 euros mas animais houve cuja licitação chegou aos 45 euros.
No final todos ficaram contentes e com vontade que haja uma próxima batida tão breve quanto possível.
A chuva que começou a cair em grossas bátegas, levou ao abandono da Sede da Associação de Caçadores, Apicultores e Pescadores dos Covões mais cedo do que alguns quereriam.
Só para terminar: ouvi por lá dizer que a convite dos Amigos do Concelho de Aviz se iria realizar uma parceria entre estas duas associações para se fazer uma matança do porco à moda antiga, aqui nos Covões lá para os princípios de Março. Com tojos e tudo.
Se assim fôr lá estarei…
Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010
CESTAS DE POESIA (CVI)
ANTES DAS CESTAS:
BATER COM O NARIZ NA PORTA
No sábado passado apanhei uma grande arrelia. Tal como tinha aqui feito referência era minha intenção ir ver a Banda das Galveias que actuava no passado sábado no Auditório Municipal. Por razões que se prendem com o facto de me encontrar numa reunião cívica a verdade é quando me despachei já tinha passado a hora do concerto. Eu bem olhava para o relógio mas a reunião nunca mais acabava, e eu fulo! Tenho uma amiga que não perde por nada deste mundo um concerto pela Banda das Galveias. São fracos que as pessoas têm.
Hoje encontrei-a na Loja do "Manel Jaquim" e atirei-lhe logo:
- Amiga como foi o concerto da Banda?
- Não me diga nada, bati com o nariz na porta…
Resumindo: não houve concerto e às pessoas que por ali esperavam à hora marcada ninguém apareceu a dar uma explicação. Merecida, penso eu.
Mesmo em maré de Carnaval parece-me um pouco despropositado.
Não confirmei ainda, mas disseram-me que no outro mês se passou uma situação semelhante com uma banda militar que era suposto actuar igualmente no Auditório e acabou por não actuar.
AGORA AS CESTAS DE POESIA
Continuando a falar de AJIME VELEZ, O MANTA BRANCA, Passo a transcrever mais um trecho do Livro Poetas Populares, 3º Volume, de Fernando Cardoso:
“ …Efectivamente um dia, o nosso poeta foi parar à cadeia de Avis por ter sido apanhado a pescar em época de defeso e, em vez de lamentar tal sorte, chegou a regozijar-se por estar preso: Não há vida mais bonita/ Que é a vida da cadeia/ Sabe a gente onde transita/ Sol e chuva não receia/ Nunca fui tão bem guardado/ Nem tive tanta visita/ Há quem a ache esquisita/ Mas eu gostei de lá estar/ Comer e não Trabalhar/ Não há vida mais bonita.”
Posto isto vamos a mais umas décimas:
Quis o fado abandonar
Mas vi que não podia ser
Agora penso em cantar
Até à hora de morrer
Eu sei que não sou culpado
Por isso não me apoquento
Quando foi meu nascimento
Já tinha o destino marcado
Tanto que eu tenho penado
E o que estarei para penar
Tenho que me conformar
Com esta sorte ruim
Eu já pensei para mim
Quis o fado abandonar
Na cantoria do fado
Já não posso ser quem era
Estou igual à primavera
Apenas o verão chegado
Tanto que tenho pensado
Não sei o que hei-de fazer
O meu remédio é sofrer
Os desgostos que tenho tido
Quis emendar o perdido
Mas vi que não podia ser.
Seja homem ou mulher
Cada qual no seu artigo
Mas lá diz o ditado antigo
Ninguém é ruim porque quer
Seja o que Deus quiser
Isto um dia há-de acabar
Não vale a pena chorar
Porque a vida é um instante
Eu quis-me deixar do cante
Agora penso em cantar
Quando morre mãe ou pai
Ou manos ou algum parente
O coração penas sente
Mas o cantar também distrai
Quem para sepultura vai
Nunca mais se torna a ver
Todos lá iremos ter
Em a morte nos chegando
É por isso que eu vou cantando
Até à hora de morrer
Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010
O PROJECTO LIMPAR PORTUGAL MEXE CADA VEZ MAIS!
É com satisfação que tomamos conhecimento que o Projecto Limpar Portugal continua em alta. Depois de ontem termos ouvido na Rádio Portalegre o Vereador do pelouro do ambiente da Câmara de Marvão referir-se à iniciativa, agora é a vez do Jornal Fonte Nova se referir a ele e concretamente ao Município de Avis, nos termos que poderá conferir clicando aqui:
O GRUPO DE AVIS, continua igualmente em crescendo contado actualmente com cerca de sessenta elementos.
Muitos mais irão ser.
Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010
ELIAS, UM SEM ABRIGO, MAS COM A LINGUA MUITO AFIADA E CERTEIRA...
Todos os passos da cultura em Avis se dirigem, durante este mês de Fevereiro e até dia 7 de Março para o Auditório Municipal Ary dos Santos.
Aníbal Fernandes e Rute Reimão têm um amigo em comum: chama-se ELIAS e tem por anexim “O SEM ABRIGO”.
O ELIAS não é mais que um cartoon saído da fértil imaginação daqueles dois amigos meus e de Avis, e que, com poder de observação super-afinado vai comentando tudo aquilo que lhe parece digno de ser comentado. Assim,…bem, como não conseguiria arranjar adjectivos que qualificasse todas as capacidades do Elias, isto é, dos seus autores, o melhor é eu passar-vos a reproduzir o mail que recebi, onde já consta basta informação sobre este acontecimento. Mas o que vale mesmo a pena, é ir ao Auditório. Palavra “DO CASTELO”,
Antes de passar ao mail, permitam-me que renda as minhas homenagens a estes dois já “avisenses” pelo que têm feito pela cultura da nossa terra.
Poderá haver quem julgue que estou a exagerar nos elogios mas estou a falar com conhecimento de causa.
…finalmente o mail:
“Exposição de Cartoons em Avis
Elias, o sem abrigo comenta 2009
Está desde dia 1 patente ao público, no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, uma exposição de cartoons de R. Reimão e Aníbal F. intitulada «Elias, 2009 visto por um sem abrigo».
Trata-se de uma selecção de meia centena de cartoons publicados durante o ano passado no Jornal de Notícias, onde este «boneco» comenta a actualidade, diariamente, desde 2004. Os trabalhos estão agrupados em temas que versam as questões da Justiça, Democracia, Saúde, Crise e um mais alargado intitulado Etc.
A mostra, promovida pelo município local, que pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 09:00 às 12:30 horas e das 14:00 às 17:30 e, aos sábados, à noite, no horário do cinema, ficará no local até ao dia 7 de Março.
O boneco é um ser próximo de um indigente que deu em comentador da actualidade política, económica e social. Segundo um dos seus autores «ele manda bitaites acerca de tudo e todos, porque não deve nada a ninguém». O personagem chegou às páginas do JN em 2004, após de ter nascido e crescido num blogue um ano antes.
…………………………………….
Alémtudo, comunicação e design, lda
R. S. Roque, 9 – 7480-132 Avis
Aníbal Fernandes
965044142"
Domingo, Janeiro 31, 2010
CHEGOU A ÁGUIA!
Já chegou a alguns lares de destino o Nº 34 da Folha Informativa "Águia" da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural. Era suposto terem sido todas entregues na passada Sexta-feira, mas por impedimento de um dos habituais distribuidores, só metade da vila é que ficou com este serviço da ACA assegurado. Amanhã, segunda-feira, já todos ficarão a saber porque é que o Sr. João Guilherme, de Ervedal, teve um Encontro com alguém que nem sequer viu; porque é que o amigo Joaquim Pífano reencontrou um Messershmitt alemão que na altura em que deixou de ser seu encontro frequente estava ao serviço dos Aliados; saiba porque é que o melhor encontro do Ricardo Nunes foi o seu maninho; saiba o que aconteceu a duas pessoas que se encontraram por acaso no aeroporto, lendo o que sobre isto escreveu Maria Fátima Valente e saiba muitas outras coisas de Encontros e desencontros pois que de ENCONTROS trata o tema de capa desta Águia.
Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
CESTAS DE POESIA (CV)
Antes das “Cestas” duas chamadas de atenção para dois acontecimentos a acontecerem amanhã:
Às 15 horas, na Sede da Amigos do Concelho de Aviz -Associação Cultural, reunião do Grupo de Avis do Projecto Limpar Portugal. É muito importante estar presente
Às 17,30 horas actuação da Banda Filarmónica Galveense, em concerto no Auditório Municipal Ary dos Santos. È um espectáculo digno de ser visto!
Posto isto, vamos então à sessão número cento e cinco das nossas “Cestas de Poesia”.
Rebusquemos ainda do já referido Livro ”Poetas Populares - 3º Volume” da autoria de Fernando Cardoso o seguinte:
Conta-se que certa vez, Jaime Velez, o Manta Branca foi de abalada até á vila de Sousel para ali, na feira de S. Miguel, comprar um casacão que o agasalhasse do frio. Como voltou à Herdade da Macarra sem o dito casacão e indagado sobre o que lhe acontecera, respondeu de improviso:
“O meu casaco velhinho
Eu com ele me governo,
Gastei o dinheiro no vinho
Não me lembrei do Inverno."
Era assim o Manta Branca, com resposta sempre na ponta da língua e quase sempre em verso,
E agora as décimas que constam na página 75/76 do livro acima mencionado:
P’rás modernas quebraduras (1)
Já não chegam os doutores
Saram depressa as costuras
Outros que sofram as dores
Novos ricos emigrados
Estão-se vendo a toda a hora
Põem-se a cavar p’ra fora
Dizendo que estão quebrados.
P’ra outros serem curados
É preciso haver costuras
Subiam grandes alturas
Nem só um quebrar se via
Hoje é preciso cirurgia
P’rás modernas quebraduras (1)
Viam-se ricos “estadões” (2)
Viam-se grandes riquezas
Hoje não chegam as marquesas
P’ra fazer as operações,
Fogem para outras nações
Os que então eram senhores
Mostravam os seus valores
Noutros tempos atrasados
Hoje querem ser operados
Já não chegam os doutores.
Muitos se deram felizes
Antes da época baixar,
Uns quebram com falta d’ar
Não se vêm as cicatrizes,
Lá julgam noutros países
Haver cirurgias mais puras
P’ra se livrarem às censuras
Fogem p’ra nações estrangeiras
Com o remédio nas algibeiras
Saram depressa as costuras
Já não chega a medicina
Para mal dos migalheiros
P’ra fazerem barrigueiros (3)
Não chegam as oficinas
Sofrem imensas ruínas
Sendo delas causadores
E fazem os seus clamores
Se a quebradura os atrasa
Uns que vão batendo a asa
Outros que sofram as dores.
1 – qubraduras – falências
2 – ricos estadões – faustos
3 – barrigueiros - barrigudos













