sexta-feira, 21 de setembro de 2012

CESTAS DE POESIA (CCXXVII)


Palavras à Lua: Marta Alexandre recriando a lenda da Moura do Poço da Fradina...ou seria a do Lobisomem Benjamim, residente que foi em Avis ainda não há muitas décadas?...



Na semana em que

voltou hoje mesmo ao Jardim Público de Avis, com a presença de Marta Alexandre, o único elemento dos três convidados que estiveram presentes, - João Moreira e Francisca Almeida não compareceram - mais uma sessão de “Palavras à Lua”, uma iniciativa do Município de Avis que organizou um serão diferente ouvindo contos ao luar;

FOTO DA SEMANA

na semana em que

Não me causou mossa nenhuma o facto de ter sido interceptado pela mega-operação Stop que a GNR hoje montou em Avis, aplaudindo estas iniciativas com a mesma sinceridade com repudio as máquinas de caçar multas por excessos de velocidades - por ser à traição...;

na semana em que

a água consumida nas freguesias de Avis, Benavila e Alcórrego passou a ser da captada no nosso concelho, devido ao facto da fornecida pela Águas do Norte Alentejano não garantir a necessária qualidade;

na semana em que

se despede mais um Verão, já que amanhã mesmo se iniciará o Outono que, segundo se prevê, irá trazer alguma precipitação já no próximo Domingo;

Eis que chega mais uma Cesta de Poesia:

Dado que, como se disse amanhã mesmo irá iniciar-se o Outono, então nada melhor do que deixar-vos hoje umas Décimas que falam precisamente de Outono, ainda da Autoria desse grande poeta popular que se chama JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, natural de Ponte Velha, Marvão e residente em Santo António das Areias:

 

OUTONO


Cai a folha da figueira

Num bailado estranho e lindo

Também eu em que não queira

Pouco a puco vou caindo

 

Quando o Outono aparece

Com uma capa de bom,

Os campos mudam de tom

O que é verde amarelece;

É sempre assim que acontece

Nem será de outra maneira,

Com o Inverno à sua beira

Dá-se a mudança de clima

O frio vem lá de cima

Cai a folha da figueira.

 

Basta uma simples aragem

Embalar o ramo esguio

Horas e dias a fio

Para deslocar a folhagem;

É de tristeza a imagem

A que vamos assistindo,

Vendo as folhas ir caindo

Uma a uma, lentamente,

Ir p’ró chão suavemente

Num bailado estranho e lindo.

 

É no Reino vegetal

Que o fenómeno é repetido,

Todo o vigor é perdido

E recuperado afinal;

É benesse sem igual

Ano a ano, a vida inteira

Mas na hora derradeira

Já não será bem assim,

Tudo o que nasce tem fim

Também eu em que não queria!

 

É o chão que tudo cria

O chão onde tudo cai;

É p’ro chão que tudo vai

Se a vida acabar um dia;

Em contraste e ironia

Do chão se vai subsistindo,

Vamos aos poucos subindo

Até o cume atingir,

Eu, sem poder mais subir

Pouco a pouco vou caindo!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

...E NO DOMINGO NO ALCÓRREGO...


Se no sábado passado houve muita poesia declamada na Figueira e Barros, pois sempre lhes digo que no passado Domingo houve muita poesia cantada em Alcórrego
 
A Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Alcórrego organizou o I Encontro de Grupos de Cantares, que contou com a presença do Grupo anfitrião, do Grupo Coral e Instrumental “Moinhos de Maré”, de Corroios, do Grupo de Cantares de Vendas Novas e do Grupo de Cantares Alentejanos, de Brotas.

Numa noite amena foram vários amantes da boa música portuguesa que assistiram a este espectáculo.
 

Abriu a sessão o Grupo da Casa que cantou o seu cartão-de-visita - a “Marcha de Alcórrego”. Sempre muito aplaudido, não deixa de ser curioso o facto de ser precisamente no Domingo que festejavam o seu segundo aniversário.

 

Seguidamente subiu ao palco o Grupo Coral Instrumental “Moinhos de Maré”, que nos apresentou um reportório bastante variado com cobertura a nível nacional e que tem entre os seus componentes o elemento mais jovem de todos quantos pisaram o palco de Alcórrego.

 
O Grupo de Cantares de Vendas Novas, actuou em terceiro lugar e fez questão de sublinhar que o principal autor das letras era o seu acordeonista, o Ti Xico, apesar dos seus oitenta e dois anos.
 
Para fechar este I Encontro de Grupos de Cantares, actuou o Grupo de Cantares Alentejanos de Brotas. Debaixo da “batuta” do professor Sertório – tocador de acordeão, ensaísta, recolhedor de modas, recolhedor de trajes dos finais do século XIX princípios do século XX - salienta-se aquele que é considerado o “menino” do Grupo: o Sr. Manuel que apesar dos seus noventa e dois anos (não me enganei, repito: noventa e dois anos) continua a ter uma ctividade de fazer inveja a muitos mais novos. Foram várias as saias cantadas e cuja recolha foi efectuada na nossa vizinha Freguesia de Casa Branca (Sousel).

 

Porque uma foto vale mais que mil palavras, então substituamos uns milhares de palavras pelas seguintes fotos, não sem antes deixar um grande abraço de parabéns, na pessoa do Sr. Matono, a todos quantos conseguiram por de pé um evento desta grandeza.

 

Bem-hajam!
 
 
 
 
 
 
 
 
Foto 1 - O retemperar das forças...
 
 
Foto 2 - João Milheiras, o profissional...
 
 
Foto 3 - No melhor pano cai a nódoa...
 
 
Foto 4 - As "meninas" da quermesse...
 
 
Foto 5 - Sr. Matono, o anfitrião

 
 Foto 6 - A caminho do palco...
 
 
 
Foto 7 - Panorâmica geral
 
 
 Foto 8 - ALEGRIA foi a palvra de ordem...

 
Foto 9 - Apaludindo colegas...
 
 
 
Foto 10 - "Moinhos de Maré" : à direita o elemento mais novo de todos os Grupos
 
 
Foto 11 - O Grupo de Vendas Novas com o Ti Xico (à direita) de 82 anos, no acordeão

 
 Foto 12 - O Grupo de Brotas, que encerrou a sessão
 
 
Foto 13 - Aos 92 anos, o Sr. Manuel é o "menino" do Grupo de Brotas. Parabéns, para ele!
 
 
 
 

 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

NO SÁBADO NA FIGUEIRA...


No passado sábado, dia 15, tal como estava anunciado, houve poesia declamada em Figueira e Barros. E houve muita amizade partilhada. O evento intitulou-se “HÁ POETAS NA FIGUEIRA” e foi uma iniciativa da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural (ACA) que em parceria com o Centro Cultual de Figueira e Barros, contou com o apoio da Junta de Freguesia da Figueira e com o sempre imprescindível apoio do Município de Avis.
Na Junta de Freguesia juntaram-se os trinta poetas e poetisas que acudiram ao convite, sendo que uns rumaram primeiro à Sede da ACA e outros directamente a Figueira e Barros. Depois do almoço, superiormente confeccionado pela D. Maria José Silveira, foi altura de ouvirmos poesia popular variada, que passou desde os elogios à terra que os acolheu a acérrimas críticas ao governo e à actual situação económica em que nos encontramos. O poeta Adísio dos Santos, homem da casa iniciou as “Hostelidades”…e o poeta Maurício, igualmente de Figueira e Barros, quase que as encerrou…

No final era convicção unânime de todos que assistiram a este espectáculo de que efectivamente foi uma tarde bem passada, tendo mesmo sido afirmado por alguém que foi a primeira vez que esteve em Figueira e Barros, que esperava bem não ser a última.
Para a posteridade ficam algumas imagens, sendo que várias fotos e alguns vídeos podem ser vistos no facebook, bastando para tal consultarem Aca Aviz (http://www.facebook.com/#!/aca.aviz )


Foto 1 - O lauto almoço...(com os pratos momentaneamente vazios...)
 
 
Foto 2 - Uma casa bem composta de público...
 
 
Foto 3 - Feliz Martins - o anfitrião e ao fundo a representante da Rádio Telefonia de Évora, Crisália Toscano...
 
 
Foto 4 - Dinis Subtil, de Aldeia Velha, o Benjamim...


Foto 5 - A população da Figueira disse: presente!
 

Foto 6 - À procura do melhor ângulo...
 
 
Foto 7 - Quase 500 KM para estar presente: Aleixo dos Santos, O Poeta Destemido!
 

Foto 8 - Inácio Roque - gente de Paz...
 
 
Foto 9 - Matando o maldito vício...
 
 
Foto 10 - Apenas um pormenor...
 
 
Foto 11 - João Guilherme, de Ervedal, um versejador nato...
 
 
Foto 12 - Joaquim Martinho, da Aldeia, fala à Rádio Portalegre...
 
 
Foto 13 - Por causa da P.D.I....
 

Foto 14 - Um brinde aos poetas...
 

Foto 15 - O Patacho, do Alandroal, um aniversariante que já vai dando umas notas certas...
 
 
Foto 16 - O poeta Maurício, um poeta da terra...
 

Foto 17 - Mano-a-mano: Florentino Abelha versus Perdigoto...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

CESTAS DE POESIA ( CCXXVI)

 
FOTO DA SEMANA
 
 
 
Na semana em que
mais uma vez constatei que algum comércio tradicional por vezes é vítima das suas próprias “asneiras” não sabendo de todo cativar os (poucos) clientes, já que o facto se estar atrás de um balcão e se usar uma bata branca não imune  os seus usuários a que o imaculado da sua côr não seja manchada por nela cair uma nódoa ( no melhor pano cai a nódoa, certo?) ;
na semana em que
fiquei um pouco baralhado ao ler em dois cartazes distintos que amanhã, sábado, se vão realizar em Avis duas garraiadas, á mesma hora mas em locais diferentes:
FOTO DA SEMANA
na semana em que
cheguei a pensar que esta situação se devia ao facto de se pretender despistar alguma manifestação de cidadãos anti touradas, levando-os a pensar que a garraiada é no Largo da Feira, quando EFECTIVAMENTE É NO LARGO DO CONVENTO;
na semana em que,
como já aqui largamente difundimos, se realizará amanhã, dia 15, a partir das 14 horas, no Salão da Junta de Freguesia de Figueira e Barros o VI Encontro de Poetas Populares no concelho de Avis, com entradas à borla;
na semana em que,
Alcórrego vai receber no Domingo, dia 16, o I Encontro de Grupos de cantares;
na semana em que
 
amanhã, na Rádio Portalegre (frequências 100.5 e 104.5 ou net: http://www.radioportalegre.pt/ ) entre as sete e as nove da manhã, passará uma entrevista de duas horas ao nosso convidado das Cestas de Poesia, Sr. JOSÉ DA SILVA MÁXIMO,
Eis que chega mais uma Cesta de Poesia:
Nem a propósito, já que temos 2 – duas – 2 garraiadas anunciadas para amanhã, JOSÉ DA SILVA MÁXIMO fala-nos assim das vacas que têm bravura:
 
A VACA BRAVA
Uma vaca com bravura
Tem de ser aproveitada
Quando chega a sua altura
De ser corrida e pegada
 
Uma vaca muito brava
Que na manada existia
Era tão rija e bravia
Que até no dono marrava!
Como ninguém respeitava
Sua enorme cornadura,
Era de raça tão pura
E tinha tanto valor,
Que ela era sem favor
Uma vaca com bravura.
 
Mas o seu dia chegou
Quando ela foi escolhida
P’ra ir a uma corrida
Que o seu dono lhe aprazou;
Tudo por quanto passou
Vai contar para a manada
Para que seja explicada
O que é ser vaca de lida
Porque a experiência vivida
Tem de ser aproveitada.
 
Fui com um laço apanhada
À traição, com mil cuidados,
Com os cornos embolados
Num camião fui levada;
Fui num curro despejada
Mas foi sol de pouca dura,
Abriram a fechadura
E saí cumprindo a sina
Da nossa raça bovina
Quando chega a sua altura.
 
Provocaram-me, citando,
Numa praça improvisada,
Apalpei muita „cuada“
Sempre que os ia apanhando;
Mas o pior veio quando
À força fui agarrada:
Puxaram-me p’la rabada,
Andei com eles no ar,
Não consegui evitar
De ser corrida e pegada!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SÁBADO: VI ENCONTRO DE POETAS POPULARES NO CONCELHO DE AVIS

O CARTAZ



A Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural (ACA) vai organizar, pela sexta vez, o evento de Encontro de Poetas Populares no Concelho de Avis.
Desta vez a freguesia escolhida foi Figueira e Barros. Inicialmente estes encontros foram efectuadaos em parceria directa com as respectivas Juntas de Freguesia. Depois, com o agravar da crise, houve necessidade de estender essas parcerias a outras associações. E foi assim que,
em parceria com o Centro Cultural de Figueira e Barros, no próximo sábado, dia 15, se irá realizar o VI Encontro de Poetas Populares no Concelho de Avis. O evento decorrerá no salão da Junta de Freguesia a partir das 14 horas e nele vão participar mais de três dezenas de poetas e poetisas, que vêm de pontos tão díspares como Ervidel, no Baixo Alentejo, a Portalegre ou Campo Maior, Galveias  ou Évora mais os poetas do nosso concelho.

Se gostar de poesia popular apareça. Se não gostar mas souber de alguém que goste, olhe…diga-lhe para ir. Ah! E as entradas são de graça – não paga nada.

A organização conta com a sua presença.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

CESTAS DE POESIA (CCXXV)

 
Foto da semana - TOURATECH em Avis
 
 

Na semana em que

Tive conhecimento da passagem à situação de Reforma do Chico a que já mais de uma vez aqui fiz referência como sendo o melhor varredor de ruas do nosso município, ficando assim mais pobres as nossas tão mal limpas ruas;
na semana em que

desta vez foi o Supermercado Salvaterra a receber a visita indesejada dos larápios, que se apoderaram de uma mala contendo dinheiro, chaves e documentos de índole pessoal;

na semana em que

se continuaram a verificar distúrbios num café da nossa vila

na semana em que
 
 o Travel Event ( TOURATECH) – encontro nacional de de motociclistas - volta a marcar presença no Parque de Campismo da Albufeira do Maranhão, em Avis, com a presença de centenas de amantes do Mototurismo, já a partir de hoje e até Domingo;

(Foto da semana)
na semana em que

O Centro Cultural de Figueira e Barros e a Freguesia de Figueira e Barros vão  realizar, de hoje até ao dia 9 de Setembro, o seu acampamento jovem que, como habitualmente, irá decorrer no recinto dos tanques de aprendizagem de natação de Figueira e Barros, numa iniciativa que conta com o apoio do Município de Avis e que juntará ali cerca de trinta jovens de Figueira e Barros;

na semana em que

se realizará amanhã e Domingo mais uma festa em Honra de Nossa senhora da Arrabaça, em Aldeia velha;
na semana em que

se anuncia para o próximo dia 12, quarta-feira, o Seminário IDEA "Metas, Mitos e Desafios - As metas curriculares na perspetiva do projeto IDEA", entre as 9h30 e as 17h00, no Auditório Municipal “Ary dos Santos;

na semana em que

A Direção-Geral da Saúde (DGS) considera que actual crise financeira vai ter impactos "muito significativos" na saúde mental, estimando um aumento de algumas doenças mentais e da taxa do suicídio em alguns sectores da população;

eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

Com estes dias de estio tão quentes, trago-vos hoje umas décimas de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, de Santo António das Areias, que nos falam precisamente da seca e da falta de água. Apesar de feitas em 1995 mantêm a actualidade.

São assim:

A SECA

Não chove no Alentejo

Vai mal a população;

Bem contra o que é seu desejo

A terra não lhe dá pão!


Vários anos sem chover

Vão o Alentejo matando;

A flora se vai secando,

A fauna está a morrer!

Já deixaram de correr

As ribeiras que não vejo,

Já nem sequer há poejo

Nos vales onde crescia,

Se já tanto mês, tanto dia

Não chove no Alentejo!


Já não se vê a seara

Ondulando na planura;

Aonde havia frescura

Humidade é coisa rara!

Custa-me os olhos da cara,

Arrasa-me o coração

Ter doze meses de Verão

Anos e anos a eito

E julgo que deste jeito

Vai mal à população!


Estão secas as barragens,

Morrem peixes aos milhares,

Há hectares e hectares

De terras sem ter pastagens;

Assim, sem haver forragens,

O gado não tem ensejo

De comer o que não vejo

Só porque o Inverno falha,

O pobre já não trabalha

Bem contra o que é seu desejo!


O alentejano mostrava

A terra como um tesouro!

Mais valiosa do que o ouro

Era quem tudo lhe dava!

Da terra que trabalhava

Tirava montes de grão!

Agora, é mais pobre o chão,

Não há trigo nem há uva

E até que não venha chuva

A terra não lhe dá pão!


3 de Outubro de 1995