"AVIS 13 MAR.
21:00 ÀS 02:00
PAVILHÃO DA CASA DO BENFICA
(ZONA INDUSTRIAL)
ANIMAÇÃO MUSICAL:
TÓ
VILAS BOAS
HAVERÁ SERVIÇO DE BAR
BAILE CONVÍVIO
“Dançar e conviver fazem bem ao físico e à mente”
Sob este lema, um grupo de amigos, após várias conversas informais, decide avançar com o projecto de promover a realização de bailes-convívio em Avis, com alguma regularidade.
O principal objectivo desta iniciativa é a criação de um bom ambiente de convívio e amizade.
As entradas serão livres colaborando, cada um, com aquilo que entender adequado.
Composição gráfica_Rui Rodrigues_Município de Avis"
Está cá tudo escrito, agora é só o pessoal aparecer para dar uma perninha de dança.
Nos meus tempos juvenis era muito “batido” em bailes. Primeiro em casas grandes, iluminadas por petromaxes, denominados de “salões” onde durante toda a santa noite um acordeonista se esfarrapava a tocar até mais não. Nessa altura, era muito afamado nas zonas de Portalegre um tocador que se chamava Bicho. E então era certo e sabido que toda a gente queria ir ao baile quando tocava o Bicho…
Mais tarde, na cidade adoptiva de Régio, havia bailes de Verão. Lembro-me que certa vez, no Bairro da Boavista, consegui com o meu par, uma moçoila de Freixo de Espada à Cinta – porque haverá pormenores tão sem interesse que não se esquecem nunca? – conseguimos dançar uma série seguida sem sair de cima de uma tampa dos serviços municipalizados que dizia na parte exterior Câmara Municipal de Portalegre e na parte inferior: Serviço de Águas. Vejam o minúsculo tamanho da tampa e o “equilíbrio” para não se sair dali…não havia gripes Ás nem Bs e sabia tão bem sentir o “bafo” do nosso par a dar-nos ali mesmo nas ventas…
Mas antes disso houve os bailes lá pela Espanha adentro. Faziam-se quilómetros e quilómetros a pé, de noite, por veredas que se perdiam nos pinhais e que só os mais velhos conheciam. A canalha, como eu o era ao princípio, ia atrás. Lá na Espanha (LA Codosera, Los Pinos, Las Huertas, Albuquerque), os costumes eram algo diferentes: os espanhóis iam para o baile quase como chegavam do trabalho e nós, portugueses, que até levávamos uma gravatinha daquelas de elástico agarrado ao pescoço, tínhamos sempre outra saída. E olhem que isto não é bazófia. Era mesmo assim.
Quantas e quantas recordações não me trazem os bailes… o melhor é ficarmos por aqui.
Depois há as situações que parecem quase anedóticas. Esta deve ter acontecido no Baixo Alentejo pois que quem me contou foi um amigo meu que é de Almodôvar:
Havia uma moçoila que tinha a fama de dançar muito bem. Todos queriam dançar com ela. Um certo rapaz, ao que consta um pouco atrasado, tentava a sua sorte mas nunca conseguia tê-la por par. Certa vez, a rapariga, talvez para se ver livre dele lá lhe serviu de par. Às tantas, no meio da dança e entre dentes diz o rapazola:
-Balhas bem, balhas bem, arrastas as patas como às outras…
Outra que me veio agora à ideia e que se deve ter passado num ambiente algo mais requintado do que num espaço dançante de Almodôvar:
Outra que me veio agora à ideia e que se deve ter passado num ambiente algo mais requintado do que num espaço dançante de Almodôvar:
Um rapaz, espertalhoco, chega-se ao pé de uma rapariga já espigada e “arrefinfa-lhe”:
- A menina dança, tem par ou descansa?
A miúda, vendo que o tipo ainda era muito imberbe, ripostou-lhe:
- Eu não danço com crianças
E ele, dando meia-volta:
- Desculpe, não sabia que estava grávida.
Podíamos estar aqui uma eternidade a contar histórias de bailes. Talvez que quando houver outro baile-convívio vos conte mais algumas coisas mais.
Para já resta dar os parabéns a esta gente que tenta pôr em prática um salutar costume que se tem perdido com o constante abanar de capacete pelos bares e discotecas afora.
Porque é sempre bom recordar velhos tempos, sigam o meu conselho:
Vamos ao baile, porra!

























