Vamos ainda hoje apresentar um trabalho em décimas do poeta de Figueira e Barros que dá pelo nome de ADÍSIO ENGRÁCIO DOS SANTOS:
Mote:
Vou falar com o padeiro
Vou falar com padeiro,
Vou falar com o padeiro
Vou falar com o padeiro!i
Mal empregado cão
Não ser mais pequenino
Fazia melhor jeitinho
Não comia tanto pão;
Aquilo era uma grande ração
Ainda me entra no “migalheiro”
Eu não vi no mundo inteiro
Ás vezes até me deixo rir
Enquanto trouxer o “Manda vir”
Vou falar com o padeiro!
Isto é mesmo do coração
Aos meus amigos vou contar
À “bucha” come-se um pão
Enrola-me dois ao jantar;
Levo os dias a cismar
Conto a qualquer cavalheiro
Era liberal e ligeiro
Era muito bem mandado
Mas não me chega o aviado
Vou falar com o padeiro!Eu já disse ao meu patrão
Que me levantasse o ordenado
Se não vou-lhe deixar o gado
Que eu não posso com a pensão
Não ajunto um tostão
Nem que ande um ano inteiro
Meu ditado é verdadeiro
Vivo no mundo sem alegria
Pois não me chega a “comedia”
Vou falar com o padeiro!
Há-de ser o que deus quiser
Vou-me aventurar para perder
Eu já não ganho p’ra comer
Nem p’rós filhos nem p’rá mulher;
Ele come tudo o que houver
Vou-me deixar de ganadeiro
Trabalhar sem juntar dinheiro
É só dar tombos na vida
Tenho uma estrada seguida:
Vou falar com o padeiro!
Autor : Adísio Engrácio dos Santos/Figueira e Barros/Avis