sexta-feira, 9 de março de 2012

CESTAS DE POESIA (CCIX)



Foto da semana: o Jardim do Mestre, em Avis, está entregue "aos bichos"

Na semana em que chega finalmente, amanhã, o dia da palestra acerca do Cancro no Feminino, a decorrer no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, pelas 15 horas e com entradas grátis; na semana em que os cheiros nauseabundos de produtos hortícolas se fizeram sentir muito significativamente na nossa vila; numa semana em que BENAVILA saltou para os tablóides nacionais e a muito curto prazo saltará para as nossas televisões; na semana em que verifiquei mais uma vez o estado lastimável de abandono a que foi votado o Jardim do Mestre, situado num sítio privilegiado da nossa vila mas onde a erva cresce ao Deus dará (ver foto da semana); na semana em que concluí que o problema daquele jardim não é o poupar de água, pois que os outros jardins e rotundas de Avis estão verdinhos e devidamente aparados; na semana em que me constou que a ausência de chuva se deve ao facto de uma pessoa que não gosta da Rotunda Célia Patinho ter rogado uma praga do género: “ enquanto não acabarem a rotunda, não há-de chover!”; na semana em que as mulheres se preparam para o seu jantar a acontecer amanhã, a partir das 21 horas no Casão da Casa do Benfica em Avis (parece que haverá à entrada um esmeril para afiar as línguas eh!eh!eh”); na semana em que as máquinas a operar na Rotunda Célia Patinho continuam a danificar estruturas montadas como foi o caso dos cabos do telefone que deixaram habitações sem comunicações por algumas – muitas – horas; eis que chega mais uma Cesta de Poesia.
Foram hoje conhecidos os resultados dos Jogos Florais de Almeirim 2011/2012. O poeta  JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, de Santo António das Areias, nosso convidado há longas semanas, concorreu com 5 (CINCO) trabalhos em poesia (Quadra, Soneto e Décimas) e conseguiu ser distinguido com 5 (CINCO) prémios. Além dos parabéns que endereço ao premiado pelo pleno de Almeirim, a si deixo-lhe mais este trabalho em Décimas, da autoria do nosso poeta campeão, com votos de bom fim-de-semana.


PROFISSÕES


Quem faz casas é pedreiro
Quem dá aulas, professor;
Faz portas o carpinteiro,
Quem faz teatro é actor


Quem escreve é escritor,
Quem canta o fado é fadista,
Quem faz flores é florista,
Quem tem “canudo” é doutor;
O que canta é cantador,
Faz funis o funileiro,
Faz botas o sapateiro,
O que acredita é um crente,
Mentiroso é o que mente,
Quem faz casas é pedreiro.


Faz tonéis o tanoeiro,
Cava a terra o cavador,
O que rema é remador,
Quem arma tenda é tendeiro;
Ser pobre é não ter dinheiro,
O que lavra é lavrador,
Quem compra é comprador,
Quem estuda é estudante,
Quem navega é navegante,
Quem dá aulas, professor.


Quem tece é um tecelão,
O que joga é jogador,
O que caça é caçador,
Crer em Cristo é ser cristão;
Quem não cresceu é anão,
Quem faz covas é coveiro,
Faz carvão o carvoeiro,
Quem viaja é viajante,
Vende em feiras o feirante,
Faz portas o carpinteiro.


Quem vende peixe é peixeiro,
Quem despacha é despachante,
Quem fabrica é fabricante,
Quem tem moinho é moleiro;
Quem faz livros é livreiro,
Quem discursa é orador,
Quem faz pintura é pintor,
Quem canta em coro é corista,
Que tem uma arte é artista,
Quem faz teatro é actor.

29-05-2005



quinta-feira, 8 de março de 2012

CANCRO NO FEMININO - O PORQUÊ DESTA PALESTRA


O Cartaz

 

Antes de mais, os meus parabéns a todas as mulheres do Mundo no seu dia Internacional, com um enfoque muito especial nas mulheres da minha vida.

A palestra que esta semana aqui tenho divulgado, por achar de extrema importância, afinal porque nasceu? Resumidamente é assim: uma aluna do 3º ano do Curso de Organização de Eventos, da EPRAL em Évora, de seu nome Madalena, veio fazer um estágio profissional para o Município de Avis. Tendo que desenvolver um projecto para aplicação prática dos conhecimentos adquiridos na Escola, pensou que uma das maneiras possíveis seria arranjar um modo de comemorar condignamente o Dia Internacional da Mulher. Como este dia recai a uma quinta-feira, o evento realizar-se-á no Sábado. Feito o esboço do projecto e apresentado  ao Município, do mesmo foi aprovada a Palestra. O projecto era mais vasto e digamos de que das três partes que constava foi aprovado um terço, sendo que os outros dois terços foram dispensados por motivos de ordem económica, perfeitamente compreensíveis, e outros.

Sempre foi intenção da Madalena conseguir igualmente angariar alguns fundos para oferecer à Liga Portuguesa Contra o Cancro. Cerceadas as partes do projecto que poderiam de algum modo dar receitas para a Liga, surgiu a ideia de apelar á generosidade da Enfermeira Nídia, no sentido desta disponibilizar gratuitamente um dos seus quadros de pintura a óleo sobre tela, para que, através da venda de rifas, o mesmo pudesse ser sorteado e para que o valor integral da venda das rifas revertesse a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro. O desafio foi aceite pela Enfermeira Nídia e o quadro será entregue a quem tiver o talão correspondente ao canhoto sorteado no sábado, no final da palestra, como consta, aliás, no programa da mesma, e que acima se reproduz.

Explicado o porquê do aparecimento desta palestra e tendo a certeza de que todos já se inteiraram da importância da mesma, a “DO CASTELO” restam duas coisas:

1º - Solicitar-lhe que esteja presente no sábado na palestra e que divulgue este evento junto de todos os seus amigos e amigas. Não se esqueça que o Cancro mata mas que em muitas situações é curável, desde que detectado a tempo. E é disso que se vai falar!

2º - Dar os parabéns à jovem Madalena pela generosidade em organizar um evento desta natureza e desta finalidade. Endereçar igualmente ao Município de Avis, na pessoa da Drª Marta Alexandre, Tutora do estágio, os parabéns pelo facto de terem aprovado o desafio de uma jovem que acaba por demonstrar que afinal aquilo que os “cotas” dizem nem sempre corresponde à verdade: afinal a juventude é solidária, generosa e ainda há jovens que prestam!

BEM-HAJAM TODOS…e até Sábado, no Auditório Municipal Ary dos Santos às 15 horas!
Sem falta!

quarta-feira, 7 de março de 2012

IGNORAR O CANCRO DA MAMA É IGNORAR AQUELES DE QUEM GOSTA

Em Portugal, morrem por ano 1 500 mulheres com cancro da mama. Faça a mamografia ou compareça ao rastreio.

O cancro da mama é uma doença que não afecta apenas a vida de uma mulher, mas a de todos os que a rodeiam. Pense em si, mas também neles, e siga estas 12 sugestões para uma prevenção eficaz.

1 – Desconhecem-se as causas do cancro da mama. Se tem familiares directos que tenham tido cancro da mama consulte o seu médico.

2 – Tenha uma alimentação saudável. Utilize frutas e vegetais

3 – Evite as bebidas alcoólicas.

4 – Controle o seu peso. Evite a obesidade.

5 – Faça exercício físico com regularidade.

6 – Preferencialmente tenha o primeiro filho antes dos 35 anos

7 – A cirurgia estética da mama não provoca cancro. Só deverá ser realizada após exames clínicos e imagiológicos.

8 – As mamografias e as próteses mamárias não provocam cancro.

9 – Os traumatismos da mama não são responsáveis pelo cancro.

10 – A ausência de dor na mama não significa ausência de cancro. A presença de dor também não significa a presença do cancro.

11 – Se palpar um nódulo na mama consulte o seu médico. Este poderá aconselhar a realização de mamografia e/ou ecografia mamária.

12 – Quando convocada compareça ao rastreio do cancro da mama.

As palavras acima são da Liga Portuguesa Contra o Cancro, escritas em folheto e acerca desta doença responsável por 1500 mortes anuais.
Se quiser saber mais acerca desta doença, esteja presente no próximo sábado, a partir das 15 horas, no Auditório Municipal Ary dos Santos, onde além das explicações do Dr. Rui Dinis, e do Psicólogo Clínico no Hospital de Évora, Dr. Paulo Simões, falarão das suas experiências e darão o seu testemunho duas senhoras do Movimento “Vencer e Viver” de Ponte de Sôr.

Dada a sua pertinência, amanhã voltaremos ao tema.

terça-feira, 6 de março de 2012

O CANCRO DO COLO DO ÚTERO NÃO ESCOLHE IDADES. A PREVENÇÃO TAMBÉM NÃO.

10 RAZÕES PARA PREVENIR O CANCRO DO COLO DO ÚTERO

(Antes que seja tarde)

1 – O cancro do colo do útero é a segunda causa de morte por cancro em mulheres jovens, depois do cancro da mama.

2 – o cancro do colo do útero habitualmente não provoca sintomas e pode demorar até 15 anos a desenvolver-se a partir de lesões genitais pré-cancerosas.

3 – O cancro do colo do útero não é hereditário; é causado pelo papilomavírus humano (HPV), que se transmite por contacto sexual.

4 – 8 em cada 10 mulheres poderão ser infectadas pelo papilomavírus humano (HPV) ao longo da vida

5 – O uso de preservativo protege das infecções sexualmente transmitidas, ainda que não assegure uma protecção completa no caso do HPV, uma vez que o contacto genital pele-pele pode ser suficiente para ocorrer transmissão do vírus

6 – O teste de Papanicolaou ajuda a detectar lesões pré-cancerosas no colo do útero e a vacinação ajuda a preveni-las

7 – Após o início da actividade sexual, deve realizar-se um exame ginecológico e, pelo menos a partir dos 25 anos, deve ser feito o rastreio do cancro do colo do útero

8 – A vacinação protege contra vírus que são responsáveis por cerca de 75% de todos os casos de cancro do colo do útero

9 – A vacinação contra o HPV demonstra benefícios mesmo depois de iniciada a vida sexual

10 – A associação da vacinação com o rastreio ajuda a maximizar a eficácia da prevenção do cancro do colo do útero ao longo da vida

Este excerto de um panfleto da Liga Portuguesa Contra o Cancro alerta da necessidade de prevenir o Cancro do Colo do Útero. Isto é um excerto, mas para falar detalhadamente sobre este assunto estará no próximo sábado, a partir das 15 horas, no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, o Dr. Rui Dinis, médico oncologista nos Hospitais de Évora e Portalegre, convidado na qualidade de orador, na palestra que ali decorrerá e intitulada “CANCRO NO FEMININO”.

Amanhã, voltaremos ao tema.

segunda-feira, 5 de março de 2012

LIGA PORTUGUESA CONTRA O CANCRO

É este o quadro da autoria da Enfermeira Nídia, a sortear na próximo sábado, na Palestra a ter lugar no Auditório Ary dos Santos, sendo que o produto da venda das rifas reverte integralmente a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro


A LIGA PORTUGUESA CONTRA O CANCRO, Instituição de SOLIDARIEDADE, sem fins lucrativos, reconhecida de Utilidade Pública, nasceu em 1941 para:

- Lutar contra o cancro
- Apoiar a pessoa com Cancro e sua família
- Contribuir para a Investigação Científica

Desenvolve a sua acção através de 5 Núcleos: Açores, Centro, Madeira, Norte e Sul, disponibilizando:

- Campanhas de esclarecimento da população
- Rastreio do Cancro da mama
- Movimentos de Apoio a Mulheres com Cancro da Mama (Vencer e Viver), Laringectomizados (MovAplar), e Ostomizados
- Voluntariado Hospitalar, que através de 13 Serviços, ajuda a lutar contra a solidão e     sofrimento numa mensagem de esperança
- Apoio Domiciliário
- Apoio a doentes carenciados, (ex: medicamentos e transportes)
- Unidade de Psico-Oncologia
- Apoio à Investigação Científica
- Apoio à Formação de Técnicos de saúde
- Um Dia pela Vida, interacção com a comunidade

O grau de actividade desenvolvida depende da sua colaboração

O NÚCLEO REGIONAL DO SUL CONTA CONSIGO

TODOS SOMOS POUCOS

NÚCLEO REGIONAL DO SUL
R, Prf Lima Basto
1099-023 Lisboa
Tel.: 217 264 099/ 217 271 241
Fax: 217 263 363

O que acabais de ler é a reprodução de um folheto distribuído á população em geral e redigido pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Fazendo fé nas duas últimas frases do folheto, que permitam recorde: O NÚCLEO REGIONAL DO SUL CONTA CONSIGO/TODOS SOMOS POUCOS, encontram-se a circular pelo concelho de Avis umas rifas para que se possa recolher uma verba a entregar àquela Liga. As rifas serão para sortear uma pintura a óleo, sobre tela, oferecida para o efeito, pela sua autora, a Enfermeira Nídia.
O sorteio será efectuado no próximo sábado, dia 10, na Palestra que irá ter lugar a partir das 15 horas no Auditório Municipal Ary dos Santos, a que nos referiremos num dos próximos posts.

sexta-feira, 2 de março de 2012

CESTAS DE POESIA (CCVIII)

Foto da semana


Na semana em que se anuncia para amanhã mais um Baile Organizado pelo Grupo de Baile de Avis (que pena eu ser tão pé de chumbo…); na semana em que se anuncia para o próximo dia 10 uma palestra a acontecer no Auditório Municipal de Avis, a partir das 15 horas acerca do cancro no feminino; na semana em que se anuncia para o próximo dia 10, no casão da Casa do Benfica, em Avis, o jantar das mulheres, assinalando o seu dia internacional; na semana em que, FINALMENTE, se começou a poder de novo jogar nos Jogos da Santa Casa, em Avis, bastando para tal dirigirmo-nos à PAPELAVIS; na semana em que o Benfica conseguiu perder mais três pontos, agora frente ao Porto; na semana em que descobri o quanto Avis vai à frente, ao termos já uma pista para os BUS ( ver foto da semana), eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, fala-nos hoje do dia em que nasceu. Fálo nos seguintes termos:

No dia que vim ao mundo
Minha mãe rejubilou!
Fui o seu filho segundo
Que no seu ventre gerou.


Outubro, segundo dia,
Foi o dia anunciado,
O momento desejado
Chegava com alegria;
Mais um filhote nascia
De seu ventre era oriundo,
Cumprindo um sonho profundo
Em sua casa modesta
E foi motivo de festa
No dia em que vim ao mundo.


Já uma menina havia
Que o seu lar muito alegrava
Mas achavam que faltava
Um rapaz p’ra companhia;
Como tudo se previa
O bebé por fim chegou;
Logo o casal se alegrou
Quando o menino nasceu,
O recém-vindo era eu
Minha mãe rejubilou!


Sem terem casa abastada
Mais um filho p’ra criar,
Uma boca a sustentar
Era tarefa pesada;
Mas a vontade mostrada
Era tanta que no fundo,
Em seu carinho me afundo
Acabado de nascer,
E assim, por Deus querer,
Fui o seu filho segundo.


Não ficaria porém
Sua prole por aqui,
Mais quatro irmãos conheci
E todos vindos por bem!
Entre nós houve também
Um amor que se avolumou,
O casal todos criou
Com afecto por igual,
Sendo “só” seis afinal
Que em seu ventre gerou!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

CESTAS DE POESIA (CCVII)

Foto da semana: disfraces a secar na Rua dos Muros, em Avis 



Na semana em que a Justiça Portuguesa, essa mãos largas, absolveu o acusado de ter raptado Rui Pedro, diminui em um ano a pena do Carlos Cruz, diminuiu em 4 (quatro) anos a pena do “Violador de Telheiras”; na semana em que se soube que por ordem do Conselho Superior da Magistratura o tribunal de Avis foi forçado a encerrar as portas ao público devido ao estado de degradação em que se encontra o edifício – dia 1 de Março já funcionará em Fronteira; na semana em que as obras da nova Rotunda Célia Patinho já começam a dar a entender como vai ficar o “boneco”; na semana em que apareceram os primeiros cartazes a anunciar o Jantar da Mulher para o próximo dia 10 de Março no Casão da Casa do Benfica; na semana em que recomeçará o projecto “Um concelho a caminhar” com uma caminhada a realizar no dia 26, no Maranhão; na semana em que os foliões de Avis acabaram, o Carnaval com a cerimónia do enterro do Entrudo; na semana em que alguns desses foliões resolveram pôr os disfarces a secar (ver Foto da semana), eis que chega, ao fim de uma ausência prolongada, mais uma Cesta de Poesia. Ainda trazendo até todos vós a poesia de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO. O tema de hoje é triste. Talvez que triste demais para uma reaparição. Mas infelizmente todos os dias deparamos com esta realidade. Hoje foi o a vez do Zé da Fraga…

O VELÓRIO

Na pedra fria descansa
Depois da missão cumprida
É o findar duma esp’rança
O terminar duma vida.

As pessoas vão chegando
Junto ao corpo inerte param;
Suas orações rezaram
Ao luto vão-se entregando:
Ouve-se de quando em quando
Um ai que em silêncio avança,
Como um grito de criança
Que já cresceu e viveu,
E agora que pereceu
Na pedra fria descansa

Um triste silêncio cai
Imbuído em comoção,
Chora a irmã e o irmão
Chora a mãe e chora o pai;
Qualquer um estranho vai
Nesta homenagem sentida,
Nesta infausta despedida
Que já ninguém trava agora,
Já fez adeus, vai-se embora
Depois da missão cumprida.

Há quem lhe traga um palmito
Ou uma c’roa de flores,
Das mais variadas cores
Para ficar mais bonito;
Eu até acho esquisito
P’ra quê tamanha abastança
Se a vida mais não alcança
Isso a ninguém aproveita,
Depois da jornada feita
É o findar duma esp’rança.

Deixou o mundo e eis que está
A mercê do Deus Divino
Sem saber qual o destino
Que sua alma levará;
No tempo em que andou por cá
Sua Lei levou vivida,
Hoje, chegada a partida
Dá seu corpo à sepultura,
É o fim da criatura
O terminar duma vida.

26 de Outubro de 2005

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A ACA FEZ 14 ANOS!

A ACA – Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural completou hoje 14 anos. Vários foram os amigos que endereçaram os parabéns a esta Associação Cultural, como se pode constatar pela sua página de facebook. Coincidiu a data do aniversário com mais uma sessão do seu Café com Letras,
Dedicada hoje á poesia. CRISTINA FIDALGO, professora em Avis e poetisa em qualquer lado do mundo, foi a convidada. “Sentando as palavras no colo” foi o título desta tertúlia que acabou há bocado. No início da sessão, Fernandino Lopes, Director e sócio fundador da ACA, fez a apresentação da convidada, não deixando de fazer referência ao facto de a "sua" ACA ser aniversariante.
A professora Cristina Fidalgo, que se confessou Aveirense por nascimento e Avisense por paixão, sentiu-se como peixe na água debitando a sua poesia para mais de vinte pessoas que quiseram estar presentes no 108º Café com Letras, ocorrido esta tarde.
Para gáudio dos presentes, a  Direcção reservou para o final uma surpresa com a oferta de um beberete a todos os presentes. É sabido que as dificuldades económicas corroem todas as associações, e a ACA não é excepção. Daí que tudo o que fez parte deste lanche foi comprado pelos diversos membros dos órgãos sociais da ACA e alguns amigos, a suas expensas, não acarretando o mesmo quaisquer encargos para os cofres da ACA.
Para a posteridade ficam algumas fotos do evento, sendo que amanhã poderão ser igualmente vistas no facebook em ACA AVIZ, algumas fotos e um vídeo deste Café com Letras de hoje.
À ACA, “DO CASTELO” deseja as maiores venturas em defesa do património cultural avisense.
Eis então algumas fotos:


Foto 1 - Fernandino Lopes, um director de parabéns pelo aniversário da "sua" ACA


Foto 2 -A poetisa CRISTINA FIDALGO, Aveirense por nascimento e Avisense por paixão
 Foto 3 - A assistência atenta nem deu pelo tempo passar

Foto 4 - Uma festa de aniversário a custo zero para a ACA

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SENTANDO AS PALAVRAS NO COLO

Em nome da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, tenho a honra de convidar todos os Amigos da Poesia a estarem presentes na 107ª sessão do Café com Letras (quinzenalmente entre Janeiro e Junho) a ter lugar amanhã, quinta-feira, a partir das 18 horas na sua sede, sita na Praça Serpa Pinto, 11 em Avis. Amanhã iremos ter como convidada a poetisa e professora CRISTINA FIDALGO, que entendeu por bem dar a esta sessão do Café com Letras o nome de “SENTANDO AS PALAVARS NO COLO”.

Além da poesia, da troca de ideias e de são convívio poderemos sempre tomar um café ou um chazinho quente. Apareçam que não se vão arrepender!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

DESINTEGRAÇÃO...INTEGRAÇÃO...REINTEGRAÇÃO...

Podemos ser desintegrados de uma sociedade por vários motivos: doença que nos pode levar a internamento hospitalar ou tão-somente a ficar em casa, cumprimento de uma pena de prisão, ausência por motivo de férias, etc., etc.
Por uma das razões acima indicados e que não cabem no etc., etc., “DO CASTELO” esteve ausente durante mais de vinte dias. Agora, com as “ameias recuperadas” parece que vai voltar a integrar-se na sociedade de onde se viu forçado a ausentar.
Nem sempre é fácil essa reintegração. Muitas coisas entretanto se perderam. Tive conhecimento que nestes dias de ausência, faleceram algumas pessoas minhas conhecidas, que outras se encontram internadas em unidades hospitalares. Agora vai ser devagarinho…mas vai.
Tenho saudades de poder calcorrear as ruas da nossa vila, de máquina fotográfica preparada para eternizar um momento ocasional. Tenho saudades de poder conversar com os amigos, de ouvir e emitir pontos de vista sobre os mais diversos assuntos da actualidade e não só.
Amanhã, se tudo correr como penso, vou voltar a integrar-me na minha sociedade, que afinal também é sua.
 Com as “ameias” reconstruidas e até que um outro rombo apareça e precise de arranjo. 
Oxalá não seja na minha querida Torre de menagem.
Para que conste, quero deixar aqui savaguardado que a derrapagem (tanto em voga nas obras portuguesas) que se verificou nas obras das ameias "DO CASTELO" apenas tiveram efeitos temporais e não arrastaram aumento nos preços das obras programadas.
Pelo incómodo peço as minhas desculpas.
Até amanhã!

domingo, 29 de janeiro de 2012

FECHADO!

Por motivo de pequenas reparações nas ameias, "DO CASTELO" vai estar fechado durante um período que medeia entre os oito e os quinze dias.
Pedimos desculpa por esta interrupção.
Procuraremos ser breves.
Levantaremos a ponte levadiça tão rápido quanto possível.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

CESTAS DE POESIA (CCVI)

Foto da semana: Continuam em bom ritmo as obras da nova rotunda...


Numa semana em que já vi os primeiros cartazes da próxima “Festa do Avante” a realizar em Setembro (organização é organização); na semana em que vi alguns cartazes a anunciar o Próximo Limpar Portugal 2012 e em que fiquei com a nítida sensação de que algo diferente se está a passar em relação ao Limpar de 2010, que tão bem decorreu e em que a sociedade civil foi a protagonista do evento, usando todos os seus direitos de cidadania interventiva; na semana em que se anuncia para o próximo dia 1 de Fevereiro o apagão do sinal analógico da Televisão no concelho de Avis; na semana em que contactei alguns moradores da zona histórica de Avis e os mesmos me informaram que não pretendem gastar dinheiro para poder ver televisão; na semana em que se anuncia para dia 4 de Fevereiro, em Avis, mais um baile organizado por um grupo de amantes da dança; na semana em que me ia dando uma coisinha ruim ao constatar que no Corte Inglês em Lisboa há casacos de homem em saldo a 2 570 euros (dois mil quinhentos e setenta euros) e em que o preço sem saldo é de 3 595 euros; na semana em que me constou que um Centro de Saúde do nosso distrito, no passado sábado solicitou a presença de uma ambulância para transporte urgente de um doente para Portalegre e que dada a proximidade do fecho do referido Centro o doente foi deixado à porta dessa Instituição de saúde, local onde o Bombeiro de serviço o foi encontrar por volta das 13h 10m; na semana em que continuam em bom ritmo as obras na futura rotunda das imediações da Casa do Benfica, (foto da semana) eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, escreve sobre tudo o que quer e sobre tudo que lhe pedem. A sua passagem pela RTP foi um sucesso e ao que consta, até conseguiu pôr o João Baião a chorar. Talvez por aqui consiga reproduzir, um dia, a causa dessas lágrimas. Para hoje deixo-lhes estas Décimas dedicadas aos avôs e avós do nosso país:

O descanso do Avozinho

Na sala, á noite, ao serão,
A ver brincar a criança,
Sentado num cadeirão
O avozinho descansa.

A família reunida
Avô, avó, pai e mãe,
Com um netinho também
A partilhar sua vida!
Ele é a jóia mais qu’rida
Que enternece o coração,
A viver em comunhão
Quanto amor todos anima,
Esse amor vem ao de cima
Na sala, à noite, ao serão.

Foi um dia atarefado
Para os avós e os pais,
Um dia aos outros iguais
Que enfim, lá se deu passado!
Se o trabalho foi pesado
Bem lhes fica na lembrança,
O pôr-do-sol trouxe esp’rança
Que a noite é p’ra descansar,
A família vai ficar
A ver brincar a criança.

A ceia já foi comida
Para as forças recompor,
Com carinho e muito amor
Foi por todos dividida!
Depois da missão cumprida
Do avô e o pai em acção,
Contando os calos da mão
Após tanto trabalhar,
Pode agora descansar
Sentado num cadeirão.

Foram anos de labuta,
De bom porte e honradez,
Com respeito e altivez
Moldou a sua conduta!
Tem a certeza absoluta
E com plena confiança,
Com o Bem fez aliança
E p’ra ficar à vontade,
Depois duma certa idade
O Avozinho descansa.

15-03-2006

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

COLÓQUIO MÁRIO SAA

Através do Centro de Estudos de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, foi prestada homenagem a Mário Saa, sob a forma de colóquio denominado “ Mário Saa: Poeta e Pensador da Razão Matemática”. Os dias escolhidos foram 20 e 21 do corrente mês sendo que no dia 20, na Universidade Católica foram oradores (por ordem de intervenção) Nuno Júdice, João Rui de Sousa, André Carneiro, Elisabete Pereira e Filipe Themudo Barata, Joaquim Domingues, Américo Enes Monteiro, José Carlos Pereira, Pinharanda Gomes, António Braz Teixeira, Renato Epifânio e Manuel Cândido Pimentel.

No segundo dia o Colóquio descentralizou-se e trouxe até ao Ervedal, à Fundação Arquivo Paes Teles três experts em Mário Saa.

Joaquim João Lajeira, em representação do Conselho de Administração da Fundação, deu as boas vindas aos presentes e moderou o debate. Interveio primeiramente Manuel Cândido Pimentel, da Universidade Católica e grande responsável por este colóquio, que afirmou entre outras coisas:

-“ …a iniciativa estaria incompleta se não se viesse completar na casa de Mário Saa…”

- “…no primeiro dia arrancámos Mário Saa ao esquecimento…”

-“….fiz descobertas extraordinárias em relação a Mário Saa: ele tem uma estatura de gigante…”

- “…este homem, património desta freguesia e deste concelho, ultrapassou em muito os termos desta freguesia e deste concelho…”

Por sua vez, o Montargilense Manuel Patrício começou por endereçar um cumprimento especial ao seu amigo Ramiro Lopes, dos Amigos de Aviz, ali presente, pois que há muito se conhecem, desde os tempos do Liceu de Évora.

Manuel Patrício trazia o seu discurso esquematizado em diversas linhas força para poder comparar o pensamento de Mário Saa e de Nietzschhe. No entanto mais de metade do seu discurso ficou no papel por manifesta falta de tempo para se ler tudo.

Por fim, Filipe Themudo Barata fez uma abordagem de Mário Saa na óptica de um historiador, confessando que não conhecia muito bem a obra de Mário Saa, embora a partir de agora o ficasse a conhecer melhor. Afirmou ainda que “ é importante que homens como este não desapareçam do nosso Universo” e que “era aqui nesta sala a biblioteca de Mário Saa. Havia aqui estantes e estantes de livros e era interessante o modo como Mário Saa arrumava os seus livros.”

Seguiu-se um debate de perguntas e resposta tendo a determinada altura, Manuel Cândido Pimentel dito para o Professor Manuel Patrício:

- Somos capazes de ter visto dois Mários Saas diferentes…

Acabado o debate de ideias seguiu-se um pequeno lanche para retemperar forças.

Parece-nos que são de grande interesse estes debates, estes colóquios. Pena é que as pessoas se alheiem deles. Disseram-nos que o Colóquio em Lisboa teve como assistência os conferencistas convidados e no Ervedal pouco mais que isso. Aqui, tiremos-lhe os cinco elementos dos corpos sociais da Amigos do Concelho de Aviz - associação Cultural e ficava-se na mesma situação: conferencistas a falar para conferencistas ou membros ligados à organização.



Ainda não há muito tempo, eventos culturais no Ervedal eram sinónimos de “casa cheia”. Que é feito do bairrismo dos Ervedalenses? Será que morreu?

Para terminar uma palavra de apreço ao trabalho desenvolvido pela Elisabete Pereira e suas colaboradoras, na Fundação Arquivo Paes Teles. Continuem! Força! Bem-hajam!
Deixamos á vossa consideração alguns momentos do colóquio




Foto 1 - Joaquim João Lageira foi o anfitrião


Foto 2 - Manuel Cândido Pimentel da Universidade Católica introduziu o tema...
 
Foto 3 - Manuel Patrício, de Montagil, leu 1/10 do que trazia preparado...

Foto 4 - Filipe Themudo Barata, um homem da casa

Foto 5 - A assistência: tirem-lhe os elementos da ACA e vejam quem e quantos ficam...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CESTAS DE POESIA (CCV)

Por de tão atrasada a actualização desta Cesta de Poesia, apenas informo que na próxima segunda-feira, dia 23 e no programa da RTP1 “PORTUGAL NO CORAÇÃO”, com João Baião e Tânia Ribas de Oliveira, irá estar em directo o nosso poeta JOSÉ DA SILVA MÁXIMO.

Quem puder e quiser ver e ouvir mais alguma boa poesia, não perca esta oportunidade.

Quem não puder ou não quiser, delicie-se com mais este “rebuçado” que vos ofereço da autoria do nosso convidado, José da Silva Máximo:

O baile da Cooperativa

Eu quero ir à bailarada
Dançar com as raparigas;
Tentar uma namorada
Cantar lá duas cantigas!

Se a vida me correr bem
E a saúde o permitir,
A fim de me divertir
Irei ao baile também;
Já na semana que vem
Depressa se dá passada,
Mesmo que pague a entrada
Se o tempo for de feição,
Quinta-feira de Ascensão
Eu quero ir à bailarada.

O baile é na Cooperativa
Toda a gente comparece;
É lá que sempre acontece
Em qualquer data festiva;
Anda tudo em roda-viva,
Ali se olvidam fadigas,
Não há lugar a intrigas,
E eu levo no meu pensar
Passar a noite a folgar,
Dançar com as raparigas.

Vai ser uma noite em cheio,
Não hei-de ficar parado;
Quero que seja notado
O meu garbo, meu maneio!
Acima de tudo, anseio
Jogar a minha cartada
Sem que alguém a dê notada
Com tantas moças formosas
Entre aquelas mais jeitosas
Tentar uma namorada.

No auge da diversão,
Depois de um vira pulado,
A suar por todo o lado
Bate forte o coração!
É no meio da confusão
Que as moças puxam as ligas!
Para que a dançar prossigas
Quando o tocador descansa,
Vou, p’ra não parar a dança,
Cantar lá duas cantigas.

13-02-2006

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

COLÓQUIO SOBRE MÁRIO SAA

Do panfleto publicitário, que por razões que só o demo conhece não consegui scanar e colocar neste blogue, transcrevo o seguinte

 

"Sobre o Colóquio

 

O CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, através da sua linha de investigação Filosofia e Cultura Ibérica, em parceria com a Fundação Paes Teles (Ervedal-Avis), a que se associaram o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Fundação António Quadros, a Associação dos Amigos do Concelho de Aviz e a Câmara Municipal de Avis, concebeu este colóquio, “Mário Saa: Poeta e Pensador da Razão Matemática – nos 40 anos da sua morte”, a fim de reunir todas as pessoas que têm vindo a desenvolver estudos sobre o autor, contribuindo para a promoção de uma figura da cultura portuguesa.

A obra de Mário Saa (1893-1971) continua a desafiar pelo seu carácter controverso, para o qual contribuiu a natureza irreverente do homem, cujo percurso foi trilhado fora da convencionalidade do saber estatuído, o que acabaria por levar Mário Saa á procura do saber, por entre as suas formulações, nomeadamente a Filosofia, a Literatura, a Arqueologia e a Etnologia. O actual colóquio apresenta-se, assim, com características interdisciplinares, não esquecendo, ainda, a obra do Poeta ligado às questões políticas do seu tempo.

O evento realizar-se-á nos dias 20 e 21 de Janeiro de 2012, na Universidade Católica, em Lisboa, e na Fundação Arquivo Paes Teles, no Ervedal-Avis.

O CEFi e a Fundação Arquivo Paes Teles formulam o convite à participação neste Colóquio de todos os que se interessam pela cultura portuguesa, pois que o encontro trará, inequivocamente, novas abordagens e perspectivas sobre o autor, cujo nome está indelevelmente ligado ao modernismo português.

Visite: http: mariosaa.blogspot.com/"

Não deixa de ser interessante o facto de a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural em 2002 já ter prestado uma justa homenagem a este literato. Em Novembro de 2002 foi lançada uma edição especial da Folha Informativa “Águia” dedicada exclusivamente a Mário Saa. Muitos daqueles que colaboraram na sua feitura irão estar agora presentes neste colóquio, como João Rui de Sousa, Pinharanda Gomes ou António Braz Oliveira

Segundo informação recolhida junto de um Director da ACA, ainda existem alguns exemplares desta Folha Informativa que irão estar à venda no próximo dia 21, sábado, no Ervedal. No entanto, quem quiser adquirir algum exemplar, poderá igualmente entrar em contacto com qualquer elemento da Direcção daquela Associação.

Não se "mostra" a capa da referida "Águia" pelos mesmos motivos que não se mostra o cartaz do colóquio...

domingo, 15 de janeiro de 2012

CESTAS DE POESIA CCIV

Foto da semana: Por mor do acidente de trabalho nas obras da futura Rotunda "Célia Patinho", a antena dobrada em V provocou o primeiro apagão analógico em Avis...

Numa semana em que excepcionalmente as “cestas” são publicadas ao Domingo; numa semana em que a sexta-feira treze, foi azarenta para as obras na futura “ROTUNDA CÉLIA PATINHO”, na Rua 1º de Maio, em Avis, com acidentes de trabalho que provocaram a queda de uma antena de televisão (foto da semana) e de um poste, bem assim um acidente rodoviário com internamento hospitalar de um motociclista; numa semana em que por via do tal acidente de trabalho foi inaugurado em Avis o apagão analógico da TV; numa semana em que tive conhecimento que o nº premiado com um fim de semana numa unidade hoteleira, no sorteio das compras de Natal no comércio local, promovido pela Junta de Freguesia de Avis, coube ao Nº3608 pertença do Sr. António Pimpista; numa semana em que tive conhecimento que a montra premiada com o primeiro lugar no Concurso de Montras de Natal, foi a “Papelavis” (parabéns Celeste!) tendo ainda sido atribuídas três menções honrosas a saber: “Casa Rodrigues”; “Maria Vaidosa” e o “Cantinho dos Cereais”; numa semana em que parece a chuva ter regressado à nossa terra para gáudio dos agricultores e desespero daqueles que residam em Avis e nas imediações dos locais onde se estão a realizar por cá obras (poucos se safam…lol…); chega pois esta Cesta de Poesia atrasada…

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, o nosso poeta de alguns meses a esta parte, foi entrevistado para o “Café Portugal”. Quem quiser saber algo mais sobre este grande poeta popular, que reside em Santo António das Areias, faça favor de clicar no sítio abaixo indicado.

As lembranças de um passado distante estão sempre presentes na memória de José da Silva Máximo. Eis aqui e agora porque houve

“Os sapatos recusados”

O meu pai fez-me uns sapatos
Com biqueira de verniz;
Se eu sei que tenho os pés chatos
Recusei-os, não os quis!

A vida naquela altura
Era triste e amargurada;
Não surdia quase nada
O soldo da criatura!
Era penosa e bem dura
Para todos os gaiatos,
Pisando cardos e cactos
Nunca dava um passo em falso,
Para não andar descalço
O meu pai fez-me uns sapatos.

A quem vivia abastado
Sempre a vida lhe sorria;
Vestia-se como qu’ria
Andava sempre calçado;
Era bem-aventurado
O meu priminho Luís,
Ele sim, era feliz
Com botas de cano alto,
De atanado e bom salto
Com biqueira de verniz!

Vou tentar aguentá-los
Para os conseguir usar
Mas o mais certo é ficar
Eternamente a olhá-los!
Tudo farei para usá-los
Pois não ficaram baratos,
Sem lhe dar outros formatos
O que será eu não sei,
Como é que os aguentarei
Se eu sei que tenho os pés chatos!

Uns sapatos tão bem feitos
Que meu pai me ofereceu,
Até a cor escolheu
Eram lindos e perfeitos!
Mas meus pés têm defeitos
Que só quem sente é que diz,
Muitos esforços eu fiz
E sacrifícios também,
Com eles não me dei bem,
Recusei-os não os quis!

 
14-02-2006

Nota: “atanado” = cabedal curtido