Na semana em que a Amigos do Concelho de Avis realizou o último Café com Letras de 2011, dedicado à profissão de alfaiate (você que não foi, não aprendeu que a cava do braço direito do casaco era diferente da do esquerdo por causa da dança ou que o feitio das calças dos homens, entre pernas, era moldado de acordo com o lado para o qual o “pirilau” permanecia mais tempo em repouso…); na semana em que amanhã, Luís Jordão, poeta, autarca e radialista vem lançar às 17 horas na Junta de Freguesia de Avis o seu livro “Poemas da minha terra e da minha gente”;na semana em que amanhã, sábado, a partir da 11 na sua Sede, a Associação Humanitária de Apoio aos Diabéticos do Concelho de Avis, vai entregar mais uma cadeira de rodas eléctrica; na semana em ficámos a saber que 50% do nosso subsídio de Natal vai ser retirado para pagar uma crise para a qual a maioria de nós não contribuiu ( porque será que não se lembraram de mim quando chegaram milhões e milhões de euros a Portugal?); na semana em que dei comigo a pensar como é que um ex-primeiro-ministro tão badalado pelas piores razões há pouco tempo, de repente se hipnotiza e ninguém mais fala nele, como se não tivesse sido responsável pelo estado caótico deste país; na semana em que vários serviços da nossa Câmara Municipal mudaram de “poisos”; na semana em que fui acossado por uma pregucite aguda que não me deixou ir actualizando o blogue eis que chega então a nossa esperada Cesta de Poesia.
JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, de MARVÂO, surpreende-nos hoje com umas Décimas estilo”recado”.
Então esta semana é assim:
Se me olhas de atravesso
Triste ideia te assaltou:
Vês aquilo que eu pareço,
Não vês aquilo que sou!
Olhas p’ra mim de soslaio
Como que desconfiado,
Sem motivos te ter dado
Para o teu olhar lacaio;
Eu não sei bem porque raio
É que desdém te mereço,
Até porque nem conheço
O porquê do teu cuidado,
Que não te deixa informado
Se me olhas d eatravesso
Abre os olhos p’ra me ver
Enfrenta a minha figura!
Concluirás que ela é pura
Sem nada p’ra esconder;
Eu só quero percorrer
O bom caminho em que vou,
Porque a cara sempre dou
Nada receies de mim,
Se optaste em vir assim,
Triste ideia te assaltou!
Porque é que tu não descobres
Perante mim, cara a cara,
Essa atitude tão rara
Com que te ocultas e encobres?
A não ser que tu manobres
Tramóia que desconheço!
Não sou figura de gesso,
Nunca fui manipulado,
Ao espreitares de lado
Vês aquilo que eu pareço.
Transparência é qualidade
Digna de pessoa honrada;
Disfarce, não leva a nada
Que nos mostre a qualidade!
Para saberes de verdade
O que foi que te intrigou,
Vem ter comigo onde estou
Olha p’ra mim frontalmente,
Que se não me olhares de frente
Não vês aquilo que eu sou!