domingo, 15 de janeiro de 2012

CESTAS DE POESIA CCIV

Foto da semana: Por mor do acidente de trabalho nas obras da futura Rotunda "Célia Patinho", a antena dobrada em V provocou o primeiro apagão analógico em Avis...

Numa semana em que excepcionalmente as “cestas” são publicadas ao Domingo; numa semana em que a sexta-feira treze, foi azarenta para as obras na futura “ROTUNDA CÉLIA PATINHO”, na Rua 1º de Maio, em Avis, com acidentes de trabalho que provocaram a queda de uma antena de televisão (foto da semana) e de um poste, bem assim um acidente rodoviário com internamento hospitalar de um motociclista; numa semana em que por via do tal acidente de trabalho foi inaugurado em Avis o apagão analógico da TV; numa semana em que tive conhecimento que o nº premiado com um fim de semana numa unidade hoteleira, no sorteio das compras de Natal no comércio local, promovido pela Junta de Freguesia de Avis, coube ao Nº3608 pertença do Sr. António Pimpista; numa semana em que tive conhecimento que a montra premiada com o primeiro lugar no Concurso de Montras de Natal, foi a “Papelavis” (parabéns Celeste!) tendo ainda sido atribuídas três menções honrosas a saber: “Casa Rodrigues”; “Maria Vaidosa” e o “Cantinho dos Cereais”; numa semana em que parece a chuva ter regressado à nossa terra para gáudio dos agricultores e desespero daqueles que residam em Avis e nas imediações dos locais onde se estão a realizar por cá obras (poucos se safam…lol…); chega pois esta Cesta de Poesia atrasada…

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, o nosso poeta de alguns meses a esta parte, foi entrevistado para o “Café Portugal”. Quem quiser saber algo mais sobre este grande poeta popular, que reside em Santo António das Areias, faça favor de clicar no sítio abaixo indicado.

As lembranças de um passado distante estão sempre presentes na memória de José da Silva Máximo. Eis aqui e agora porque houve

“Os sapatos recusados”

O meu pai fez-me uns sapatos
Com biqueira de verniz;
Se eu sei que tenho os pés chatos
Recusei-os, não os quis!

A vida naquela altura
Era triste e amargurada;
Não surdia quase nada
O soldo da criatura!
Era penosa e bem dura
Para todos os gaiatos,
Pisando cardos e cactos
Nunca dava um passo em falso,
Para não andar descalço
O meu pai fez-me uns sapatos.

A quem vivia abastado
Sempre a vida lhe sorria;
Vestia-se como qu’ria
Andava sempre calçado;
Era bem-aventurado
O meu priminho Luís,
Ele sim, era feliz
Com botas de cano alto,
De atanado e bom salto
Com biqueira de verniz!

Vou tentar aguentá-los
Para os conseguir usar
Mas o mais certo é ficar
Eternamente a olhá-los!
Tudo farei para usá-los
Pois não ficaram baratos,
Sem lhe dar outros formatos
O que será eu não sei,
Como é que os aguentarei
Se eu sei que tenho os pés chatos!

Uns sapatos tão bem feitos
Que meu pai me ofereceu,
Até a cor escolheu
Eram lindos e perfeitos!
Mas meus pés têm defeitos
Que só quem sente é que diz,
Muitos esforços eu fiz
E sacrifícios também,
Com eles não me dei bem,
Recusei-os não os quis!

 
14-02-2006

Nota: “atanado” = cabedal curtido

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"VAMOS À HORTA!..."

O Mercado Municipal de Avis assistiu esta tarde à segunda entrega de cabazes da iniciativa “VAMOS À HORTA!”, uma pareceria que engloba a ADERAVIS, o Município de Avis, a Junta de Freguesia de Avis e vários hortelões locais. Se na primeira entrega foram distribuídos 20,  hoje foram 14 os cabazes de produtos vendidos.

Sobre este projecto, falou-nos Joaquim Pífano, vice-presidente da ADERAVIS, hoje escalado para fazer a distribuição dos produtos hortícolas:

- Cada cabaz destes, custa aos consumidores a módica quantia de 10 euros. Quem estiver interessado em receber um destes cabazes deverá preencher um questionário onde nos vai indicar quais os produtos que nunca deseja receber. Depois a ADERAVIS perante a oferta dos hortelões compõe o cabaz de acordo com os desejos dos compradores. O comprador quando aqui chega não sabe o que vai levar. Apenas sabe que não vai levar os produtos que nos indicou como sendo de excluir do seu cabaz. Afinal leva entre dez e doze produtos da época, disponibilizados pelos hortelões e por si não excluídos.

A ADERAVIS detém para si uma insignificante percentagem das vendas, para despesas logísticas, e paga directamente aos hortelões que forneceram os produtos. As vantagens desta simbiose, entre produtores e compradores, são deveras importantes: por um lado quem compra sabe que compra produtos frescos da época, produzidos nas nossas terras e a um preço justo. Por outro lado, quem vende, tem assim a hipótese de escoar os seus produtos excedentários, a um preço superior àquele que conseguiria vender se o fizesse aos comerciantes locais ou às grandes superfícies.

A escolha da periodicidade da entrega de cabazes é feita por quem compra aquando do preenchimento da inscrição que poderá ser feita na ADERAVIS (telefone 242 412 719) ou no Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento Económico da Câmara Municipal de Avis.

Para finalizar, Joaquim Pífano transparecendo a sua felicidade ( ou não estivesse ele entre "Verdes") remata, enquanto faz o troco a uma compradora:

- Penso que esta é uma ideia interessante para estimular a economia local, na medida em que os hortelões vêem na venda de alguns produtos excedentes um complemento da economia familiar.

Nós também pensamos assim e damos os parabéns a esta iniciativa formulando votos para que continue por muito tempo, a bem de todos.
E para que você, caro(a) leitro(a) tenha uma ideia o que é isto de “Vamos à horta!” deixa-vos algumas fotos da tarde de hoje.

Foto 1 - Joaquim Pífano, um dos "cérebros" desta iniciativa, aguarda a chegada dos compradores previamente acordados para hoje...

Foto 2 - Cada cabaz pode conter qualquer produto da época, não rejeitado à priori...


Foto 3 - ...e tem entre 10 e 12 produtos variados...

Foto 4 - A bancada estava mais bem composta que em certos sábados de mercado semanal...


Foto 5 - Depois de alguma espera as primeiras clientes...e a foto para a posteridade...

Foto 6 - A alegria de quem recebe e o sorriso de quem paga...


Foto 7 - " - Ora vá lá então mais esta cabazinho para esta senhora...."

Foto 8 - Um intervalinho para as compras dá sempre jeito...

Foto 9 - " - Foto? Só se fôr de costas!..." e foi mesmo...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

PARECE QUE PARIU AQUI A GALEGA...


Parece que pariu aqui a Galega, ou melhor dizendo: parece que pariu aqui a galinha dos ovos de oiro...

Foto 1 - ...Ele é obras na envolvente ao Cemitério Velho...


Foto 2 - ...ele é obras na Rua António José de Almeida...


Foto 3 - ...ele é obras no Largo do Convento...


Foto 4 - ...ele é obras (reparações) na Avenida da Liberdade...


Foto 5 - ...ele é obras na Rua 1º de Maio...


Foto 6 - ...ele é obras no Pavilhão Gimnodesportivo...


Foto Nº 7 - ...ele é obras no antigo celeiro da EPAC...




Foto 8 - ...ele é obras mais nem sei onde...

Haja Deus!...


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

FAZ HOJE OITENTA ANOS - PARABÉNS!

Faz hoje oitenta anos O RATO MAIS FAMOSO DO MUNDO, O MICKEY.
Porque faz parte do meu imaginário deixo-vos esta preciosidade.
Cliquem abaixo e divirtam-se, sejam felizes, muito felizes:

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

CESTAS DE POESIA (CCIII)

Foto da Seamana: O V da vitória...

Numa semana em que a preguicite voltou a atacar-me; numa semana em que tomei conhecimento que “o museu” de Avis “vai estar na rua”, a partir de hoje no átrio do edifício da Câmara Municipal, com mostra de 12 peças – uma por mês – sendo que este mês estará em exposição uma peça de madeira alusiva à matança do porco, da autoria do artesão Valonguense António Bonito; na semana em que os pardais e outros pássaros e passarões continuaram a ser devidamente abastecidos de milho pelas ruas da nossa vila, fui informado de que o facto do milho ser colocado no chão em forma de V significa um V de "Vitória" ( foto da semana); numa semana em que não cheguei a perceber se a "Vitória" será dos pássaros e passarões sobre os homens comuns, eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

Numa altura em que a crise tanto nos apoquente, o nosso poeta JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, achou que tinha um modo fácil de contornar a situação casando com a “Riqueza”. E isto já ele queria nos idos de 2006. Ora leiam, por favor:

Titulo: RIQUEZA CASA COMIGO!

Sou tão pobre, nada tenho,
Sou autêntico mendigo;
Por isso rogando venho
Riqueza, casa comigo!

Não tenho nada de meu,
Sempre fui tão pobrezinho!
Não ter amor nem carinho
Foi sina que Deus me deu;
Ainda não apar’ceu
Quem mostrasse algum empenho
Ou que tivesse o desenho
Que algum alento me desse
Para que eu jamais dissesse
Sou tão pobre, nada tenho.

Vivo só, na escuridão,
Sem apoio de ninguém;
No bolso nem um vintém
P’ra me dar consolação!
Tudo tentei mas em vão,
Nada de bom eu consigo,
É com tristeza que digo
Como hei-de viver contente,
Se até de amor sou carente
Sou autêntico mendigo.

Não sei o que hei-de fazer
P’ra sair desta miséria;
Minha vida é coisa séria
Que me faz entristecer;
Passo os dias sem saber
Se a tristeza que detenho
Pode virar em engenho
P’ra me gerar alegria
Mudar de vida bem qu’ria
Por isso rogando venho.

Se a riqueza me quisesse,
Minha vida mudaria;
Decerto me ajudaria
Para que eu tudo tivesse;
Era tão bom que viesse
A riqueza, ao meu abrigo!
Para eu ser seu amigo
E seguir os seus conselhos
Lhe suplico de joelhos:
Riqueza casa comigo!

16 DE JUNHO DE 2006

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

REFLEXÕES CRÓNICAS - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

6 Violência doméstica na ordem do dia

O Manuel Vardasca foi meu colega de Liceu. Seguimos caminhos diferentes. Ele continuou a estudar, tirou um curso superior e é professor. Eu, por dificuldades económicas, não estudei e já estou reformado sem nunca ter chegado a doutor. No entanto ambos tivemos uma coisa em comum: casámos e cada um com sua mulher. Sim, que isto de agora dizermos que somos casados já não chega. Há que acautelar sempre a situação acrescentando-se se é casado(a) com um homem ou com uma mulher. Mas continuemos. O Manuel Vardasca na sua vida de Professor de Inglês foi esbarrar com os ossos a Freixo de Espada a Cinta e por lá se embeiçou por uma mulheraça de pelo na venta com quem veio a casar. Perdi-lhe o rasto durante alguns anos. Tinha o contacto dele mas não éramos próximos. Há uns tempos atrás, telefonou-me. Fiquei surpreso pela chamada. Após os cumprimentos imediatos perguntei-lhe pela mulher. Com tristeza na voz contou-me que nem tudo estava a correr bem e que se encontrava em processo de divórcio litigioso com a mulher. Tentei acalmar a sua angústia com frases feitas, do género “deixa lá que isso hoje é o pão nosso de cada dia” ; “hoje já ninguém estranha”; “casamentos como o meu é que já não se usam” e outras parecidas mas não senti da parte do meu amigo uma recepção muito grande. Não o senti mais confortado. Contou-me que embora vivendo na mesma casa dormiam em camas separadas, que quase não se falavam, que ela não contribuía para o pagamento da renda da casa que estava em nome dos dois e que queria a divisão da casa ou o seu valor, em partes iguais. Azucrinava-lhe a cabeça a toda a hora. Cada um tinha o seu advogado e as coisas estavam encomendadas á justiça.

A partir dessa primeira chamada quase todos os dias tenho falado com o meu velho amigo Vardasca.

Há coisa de um mês disse-me, depois de me relatar uma série de coisas que ela lhe fez e as quais eu só acredito por não conhecer a senhora:

- “Às vezes só me apetece dar-lhe um murro nas trombas e esborrrachá-la toda”.

Notei na voz do Manuel uma extrema saturação por aturar uma situação demais incómoda. Pedi-lhe por tudo que não o fizesse, que isso iria ser considerado violência doméstica e estando as coisas em tribunal, batendo-lhe, tudo poderia piorar consideravelmente para o seu lado. Quando, ao fim de três quartos de hora, desligou o telemóvel, parecia disposto a pôr essa ideia de parte. Fiquei mais tranquilo. Por ele, Manuel Vardasca.

Há três semanas  voltou a telefonar-me. Notei-lhe desde logo um nervosismo na voz, superior ao normal. Disse-me, seco, acabrunhado:

- “Amigo, ela bateu-me. Deu-me uma chapada nos ouvidos. Que faço?”.

Receoso que o pior tivesse acontecido perguntei-lhe de imediato:

- “E tu retorquiste-lhe na mesma moeda?”

- “Não”, respondeu-me.

- “Ainda bem”, respondi.

- “E agora?” Insistiu ele… depois de pensar um pouco falei-lhe mais ou menos assim:

- “Ainda bem que não lhe bateste. Mas também não podes ficar de braços cruzados senão, bateu-te hoje, e voltará a bater-te amanhã. Eu, se fosse a ti, ia apresentar queixa no posto da Guarda”.

- “Achas que sim?”

- “Acho,” respondi a pensar até que se um dia ele se passasse dos carretos e lhe desse um murro, aquele antecedente poderia jogar a seu favor.

- “Vai, vai ao posto da Guarda e depois conta-me o que se passou.”

Ao fim de cerca uma hora telefonou-me.

- “Olha, fui ao posto mas eles lá perguntaram-me se eu tinha testemunhas e como eu lhes disse que não, disseram-me que o melhor era eu não fazer nada, porque sem testemunhas até poderia ir a um juiz mas ele mandava arquivar o processo e pronto. Se fosse ao contrário, se fosse eu a bater-lhe já dormia hoje no posto e nem eram preciso testemunhas…”

Fiquei incrédulo. Depois de uns momentos insisti com ele:

- “Se fosse comigo, voltava lá e só de lá abalava com a queixa registada. Vai pá, pelo menos fica lá registado. Ah! E se tens a orelha vermelhe e te dói, vai ao Centro de Saúde para que te façam um relatório para juntar ao processo. Se o juiz o solicitar já o tens…”

O Vardasca foi. Foi ao Centro de Saúde onde efectivamente foi feito um relatório e voltou de novo ao posto. Telefonou-me ainda nessa noite depois de ter passado três horas em depoiementos. O elemento de serviço não dominava muito bem o computador e a legislação. Apesar de continuar a insistir que aquilo não levaria a nada, e reafirmando que se fosse ao contrário ele nessa noite dormiria logo no posto e mesmo sem haver testemunhas, a ocorrência ficou registada.

Tenho falado com ele quase todos os dias, depois destes incidentes. Disse-me que a ainda mulher já foi chamada ao posto para depor, tendo negado a agressão.

Ontem mesmo confirmou-me que a juíza mandou arquivar o processo por falta de provas. Os Guardas tinham razão quanto ao desfecho do processo. Só não tinham quanto ao facto de não se dever apresentar queixa.

No fim disto tudo, dá que pensar esta dualidade de critérios da e perante a lei: se um homem bate numa mulher é considerado de imediato violência doméstica com culpabilização directa do infractor mas se for uma mulher a bater num homem, só é crime, só é violência doméstica se houver testemunhas do acto. Não acredito que nenhuma mulher vá convidar alguém para ser testemunha de umas chapadas que vá dar no marido ou companheiro. Minimamente estranho quando se pretende que a lei seja isenta e imparcial perante os cidadãos independentemente do género, raça ou cor…

Parece que não dá a cota com a perdigota….

Ah! O Vardasca já tem a data da assinatura do divórcio marcada para o dia 25, do mês que vem.




















































domingo, 1 de janeiro de 2012

EM BUSCA DE LIXO

Foto 1 - " atrás do cemitério, junto a algumas flores de plástico que em vez de terem sido colocadas no respectivo receptáculo juncavam o chão, havia dois fogões a gás, um aquecedor e um microondas..."

Foto 2 - " Dou de frente com a nova sinalética na Avenida do Brasil ..."

Levantei-me ao “romper” das dez e meia da manhã, como convém num primeiro dia de um qualquer Ano Novo. Fui despejar o lixo e reciclei duas garrafas de vidro para o vidrão: uma de vinho tinto “D. Cosme” (Abreu Callado) e outra de vinho verde branco “Aveleda”. Para que não restem dúvidas, qualquer delas me foi oferecida e o camarão que acompanhou o “verdinho” foi comprado numa campanha de redução de preço de 50% numa superfície comercial local, pois que a “minha crise” não se pode dar ao luxo de comprar tais néctares ou crustáceos.

O facto de ter ido despejar o lixo, lembrou-me que no meu tempo de menino e moço, era tradição deitar fora na noite de passagem do ano, os trastes velhos que se tinham em casa: as loiças velhas iam janelas fora e algum mobiliário mais antigo seguia o mesmo caminho. Daí, meter-se-me na cabeça ir fazer uma “ronda” pelos contentores do lixo do nosso burgo, para ver se havia trastes deitados fora.

Desemboquei na Antiga E. N. 243 e verifiquei como estava devidamente varrida, sem lixo. Fiquei contente e segui na minha viagem pedonal. O Centro de Saúde, que em tempos foi considerado um Centro de Saúde de referência a nível distrital, não só pelas suas optimas instalações como pelos equipamento e essencialmente pelas equipas humanas de trabalho, estava deserto. Pensei que estava fechado e fui até à entrada das antigas Urgências onde um papel indicava o novo horário determinado pela ULSNA, que tanta gente pensou não fosse vingar e onde um outro papel dizia que não havia Urgências… Este Centro de Saúde de Avis arrisca-se a ser considerado lixo num ano não muito distante. A ver vamos…

Continuando pelo novo bairro adjacente ao referido Centro, verifiquei como a construção vai avançando, a passo lento, mas vai avançando. Um pai baboso fazia as macaquices próprias que os pais babosos e mães babosas fazem para fazer sorrir os filhos pequenotes. Sem jeito, mas fazem.  Encontrei por ali dois contentores do lixo (antigos Caixotes do lixo) mas nada que me convencesse daquela ideia maluca que tivera de que pelo Ano Novo deitamos trastes para a rua. Pensei que por se tratar de um bairro novíssimo e ainda inacabado, os seus habitantes não tivessem trastes, ainda tudo cheirasse a novo, incluído a mobília. Então resolvi prosseguir para outras paragens. E segui. Mas ainda por aqui, pelo Bairro do Centro de Saúde, alguém que gosta muito das suas flores, tapara uma delas com uma saca de papelão por mor da geada não a queimar. Mas hoje não houvera geada. As temperaturas subiram ligeiramente. Não está frio. Do lado do Monte Redondo, vinha o som de uma grande quantidade de tordos e rolas ditas domésticas, que por ali cantavam, nos olivais anexos. Como sempre faço, deitei uma espreitadela respeitosa para dentro do cemitério e seguia, quando tive que voltar atrás, pois que na retina pareceu-me ter visto os primeiros trastes velhos: atrás do cemitério, junto a algumas flores de plástico que em vez de terem sido colocadas no respectivo receptáculo juncavam o chão, havia dois fogões a gás, um aquecedor e um microondas. Mas, pensei e se calhar com razão, que aquela “mobília” já ali estava algum tempo e nada tinham a ver com a tradição, a não ser com a tradição de se deixar o lixo fora do sítio certo. Os “casões” da Câmara já não têm os cães que assinalavam a passagem de qualquer passeante, e o Sr. António, reformado, foi substituído pelos serviços de uma empresa de segurança. Menos um posto de trabalho, penso eu e prossigo.

O Largo da Feira é um grande largo e tem uma vista bonita sobre a nossa vila. O céu está plúmbeo e o Convento de Avis vê-se envolto num pouco de “mistério”…gosto! Os tordos e as rolas e mais uma série de passarada, parece que me acompanharam, parece que se mudaram do Monte Redondo e que vieram agora cantar aqui para as proximidades do Largo da Feira. Gosto. Abrando o passo em direcção ao Bairro do Serradão, e delicio-me com os seus cantes. Parece-me um bom concerto de Ano Novo. É o meu concerto de Ano Novo.

As escadas de acesso ao Bairro do Serradão, continuam lixo e ali mesmo um amigo que havia podado uma videira e colhido uma cesta de tangerinas, se vê desfalcado de uma que eu lhe “roubo”…com sua autorização.

O Bairro, apesar de já ser mais de meio-dia continua a dormir. E de trastes, nada. Percorro-o e dirijo-me agora para a Estrada 244, com o intuito de depois ir passar lá pelos Arrabaldes, zona mais antiga da vila, onde, quem sabe, a tradição ainda seja o que era. Os quintais contíguos à Estrada 244 estão arranjadinhos, semeados. Os alhos já ultrapassaram o “bico dum pardal”, as favas alastram as suas folhas e as ervilhas crescem a bom ritmo. Num deles uma coisa que me fazia falta: uma bela leira de coentros… Uma casa de ar senhorial, mas desabitada, dá guarida a vários regos feitos por uma enxada certeira, mas ainda não se vislumbra nada de nascido.

Da Estrada saio eu, cumprimento o “Grelha Douro” e vou até ao Jardim Público. O quiosque, lá continua fechado: não sei há quanto tempo, nem sei por quanto tempo mais. Lamento ainda não se ter acertado com os arrendatários correctos, pois que me parece estar muito bem situado. Utilizo os sanitários públicos, com portas partidas (já os vi piores) e prossigo. O lago rectangular continua azul, mas as luzes que o iluminam ainda estão todas acesas. É pena, pois que já é mais de meio-dia e é um desperdício de energia e de euros. Mais abaixo, naquela espécie de “coreto” só não estão as quatro luzes acesas porque uma está fundida…há males que vêm por bem…

Para que não perca muito mais tempo, inflicto à direita e sigo pelos limites do Ferragial das Amendoeiras. Tenho a boca seca. Está um pouco abafado. Umas laranjeiras bem carregadas de suculentas laranjas, fazem-me crescer água na boca. Tenho calor e sede. Uma laranja vinha mesmo a calhar. Tenho pena de não ser cigano. Como não o sou, prossigo com a minha sede e deixo as laranjeiras com as suas laranjas…

Dou de frente com a nova sinalética na Avenida do Brasil que proíbe o trânsito no sentido da R. 1º de Maio para a Rua do Plano de Urbanização.

Faço uma retrospectiva dos trastes que não encontrei. Paro um minuto a reflectir e encontro um amigo. Os planos são alterados, não chego a ir às ruas dos arrabaldes da minha vila e vou parar directamente à Serpa Pinto. Dali, voltei para casa, com meia missão cumprida. O encontro com um amigo vale bem mais que todos os trastes que se possam deitar fora, ou não, numa passagem de ano.

Até casa ainda passo pela nova “unidade comercial” chinesa, ali bem perto do novo centro nevrálgico da vila de Avis e nas antigas instalações da Agrimoz. Apesar de hoje ser dia de Ano Novo, apesar de hoje ser Domingo, estavam lá, a trabalhar, quatro chineses, que eu visse... E fiquei satisfeito. Sabem porquê? Porque quando a EDP determinar que a factura da electricidade se pode pagar em qualquer loja de chineses, tenho o meu novo posto de pagamento bem mais perto da minha casa.

Entro em casa um pouco desiludido com o fracasso da minha prospecção. Se calhar, esta coisa do “lixo” apenas existiu na minha cabeça.

Uma coisa é certa, para o ano, se eu existir, e se existir se puder, e se existir e se puder e se me lembrar, hei-de começar lá pelo outro lado da vila, pela Rua das Videiras, e se calhar tentar saber quantas pessoas vestiram cuecas azuis para terem sorte em 2013…isto apesar de eu gostar mais do vermelho...

Vamos esperar.

sábado, 31 de dezembro de 2011

DESPEÇO-ME DE 2011 COM ALEGRIA!

. Pretendo fechar este ano e 2011 com um post que nos fale de Alegria. Bem sei que as tristezas foram muitas, que o que se adivinha parece ainda ser pior, mas a esperança é coisa que não devemos abandonar nunca!

Apesar da crise que atravessamos, há Associações que mesmo assim não querem deixar de assinalar as quadras festivas e por isso reúnem os seus associados numa festa.

Foi o que aconteceu com o “Terreiro da Alegria - Associação de Idosos” que ofereceu na sua sede, no dia 14 do corrente mês, um lanche/convívio aos associados e aos seus convidados.

Para a história ficam as fotos que se seguem demonstrativas da tal alegria que é preciso mantermos sempre.

Para todos vós que têm a paciência e fazem o favor de me aturar desejo um ano de 2012 tão bom quanto possível.

Até para o ano!

Foto 1 - Ó pá! Enche-me mas é mais um copo...e cala-te...

Foto 2 - ...À nossa...e vai abaixo!


Foto 3 - Ás vezes até o comer é uma "cansêra"...


Foto 4 - Uma mesa bem recheada que era de se lhe tirar o chapéu...

Foto 5 - Toma lá mas é sumo, não "tembobedes"

Foto 6 - Ó amigo, isto é que é uma bela duma pinga!...


Foto Nº 7 - Mais um copito, antes do "abaladiço"...

Foto Nº 8 - Um pézinho de dança para esticar a perninha...


Foto Nº 9 - Então, vá lá mais uma gaitada...

Foto Nº 10 - Comer á fartazana...e muito bom!



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

CESTAS DE POESIA (CCII)

Foto da semana: Estrela na Torre da Rainha: aplaude-se a redução na iluminação de Natal


Na semana em que um amigo de caminhadas solitárias foi atacado por dois cães na Horta do Chão, tendo-lhe valido o facto de levar um pequeno bastão com que se defendeu das "feras"; na semana em que a Antiga E.N. 243 foi devidamente varrida, como qualquer outra artéria da vila de Avis; na semana em que se concluiu que não era necessária uma grande iluminação de Natal para o celebrar condignamente bastando apenas uma simples estrela colocada no cimo da Torre da Rainha, como a foto da semana atesta; na semana em que soube que o Cabaz de Natal da Associação Humanitária de Apoio aos Diabéticos do Concelho de Avis premiou o número 362 pertencente ao Sr. Eurico Barradas, de Benavila; na semana em que se prepara mais uma corrida de S. Silvestre em Avis, a realizar amanhã, dia 31; na semana em que nos vamos despedir do maldito 2011 com dois "raveillons", em Avis; na semana em que consta que os dois "reveillons" se encontram esgotados (afinal onde está a crise?); na semana em que vamos receber o mal fadado 2012, eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

É usual nas zonas raianas, dizer-se com certo picante, que se vai a Espanha buscar uma espanhola desmontada e que depois se monta cá. Falando de bonecas, obviamente. Pois o nosso poeta JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, tentou a sua sorte e teve algum trabalho para montar a dita (boneca) espanhola, como se pode antever, lendo as seguintes décimas, de sua autoria.

Fui uma espanhola buscar
Das que vêm desmontadas;
Não fui capaz de a montar
Deixei-lhe as pernas trocadas!

Foi um trabalho exaustivo
Por estranho que pareça,
P’ra colocar a cabeça
Meu principal objectivo!
Foi moroso e cansativo
Fartei-me de trabalhar,
Foi uma noite sem par
Aquela que então passei,
Pois como já vos contei
Fui uma espanhola buscar.

Por ter ouvido dizer
Que elas são excepcionais
Não são às outras iguais
E causam maior prazer!
Por isso é que eu quis saber
Se eram bem apetrechadas,
Dizem que são enfeitadas,
Para saber se era assim
Fui e trouxe uma p’ra mim
Das que vêm desmontadas.

Montei a parte do peito
Tudo correu menos mal,
Fui montando o animal
Peça a peça com preceito;
Despido de preconceito
Montei até me fartar,
Depois de muito tentar
É que percebi então
Tinha a matéria à mão
Não fui capaz de a montar!

Chego à parte mais soez
E ao meter os parafusos,
Vi que tinha havido abusos
Pois já lhe faltavam três!
Tentei de novo outra vez
Pôr-lhe as pernas ajeitadas,
Mesmo assim mal apertadas
Eu queria era montá-las,
Enganei-me ao apertá-las
Deixei-lhe as pernas trocadas!

12-10-2006


sábado, 24 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS

"DO CASTELO" deseja a todos os seus leitores e simpatizantes umas festas felizes.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CESTAS DE POESIA (CCI)


Foto da semana: A Antiga Estrada Nacional, em Avis sem varredor há mais de três semanas...




Numa semana em que estive ausente de Avis a maior parte da semana, não me conseguindo inteirar de nada digno de nota; numa semana em que de facto apenas confirmo de que há mais de três emanas que a Antiga Estrada Nacional 243, em Avis, não sabe o que é a existência de um varredor, como demonstra a foto da semana acima reproduzida, mesmo assim chegam as nossas amigas Cestas de Poesia.

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, está sempre atento a tudo quanto o rodeia. Nestes tempos de frio intenso, eis o que se lembrou de escrever;

Vai-te embora, frio danado!
Tu, que meu corpo enregelas;
Na rua fico gelado,
Ao lume, queimo as canelas!

Não suporto o tempo frio
Eu, o Inverno detesto;
É para mim indigesto
Dias e noites a fio!
É um constante arrepio
Vivo sempre revoltado,
Constantemente indignado
E é a causa porque digo:
Não simpatizo contigo,
Vai-te embora frio danado!

Já vesti três camisolas,
Já calcei três pares de meias,
Foi difícil mas calcei-as
E tu, mesmo assim me amolas!
Com tremeliques me enrolas
Apesar de ter cautelas,
Tu avanças e atropelas
Eu tremo sem ter desculpa
E sabes de quem tem a culpa?
Tu, que o meu corpo enregelas.

Tenho a água congelada
Na torneira da cozinha,
Não dá nem uma gotinha
Nem aberta nem fechada!
Logo após vem a chuvada,
Já vejo o céu bem nublado,
Vem água por todo o lado
Não me posso distrair
Se não me cuido ao sair
Na rua fico gelado.

É um tempo indesejável
Mas que sacrifício eu faço!
Até vir o mês de Março
É assim, insuportável;
Depois é mais agradável
Entra o sol pelas janelas,
Mas agora é que são elas
Não sei aonde hei-de estar
Lá fora, frio de rachar,
Ao lume, queimo as canelas!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

BERNARDINA PINTO LANÇA LIVRO: "SORRISOS DA MINHA POESIA"

No passado dia 10, teve lugar na sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, o lançamento do livro de poesia “SORRISOS DA MINHA POESIA” da autoria da poetisa BERNARDINA PINTO. A sala foi pequena demais, para acolher todos quantos quiseram testemunhar à autora o apreço que têm pelos seus poemas. E a Dina mereceu esta festa de amizade.

“DO CASTELO” endereça os parabéns à autora, e aconselha vivamente a que quem ainda não adquiriu um exemplar deste magnífico livro, o faça junto da autora que tem para vender ao módico preço de 9,00€.

Eis aqui uma sugestão para prendas de Natal…

Em baixo uma resenha fotográfica do evento.


Foto 1 - Ainda antes do lançamento já Dina dava autógrafos...

Foto 2 - A mesa que presidiu ao lançamento do livro


Foto 3 - A assistência inicial

Foto 4 - Dina lê um dos poemas do seu livro
Foto 5 - Dina dedicou um poema à sua amiga Telma ( Pág.47 do livro )


Foto Nº 6 - Dália Rasquete deu um toque de magia ao evento


Foto Nº 7 - Dina volta a ler enquanto Dália se esmera numa dança condizente com o poema


Foto 8 - Assistência final - sala cheia!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

CESTAS DE POESIA (CC)

A foto da semana - o estacionamento na Rua da Cantina, em AVIS


Na semana em que começaram a ser abertos os primeiros caixotes com as chamadas “Jóias da Índia;” na semana em que se calhar essas jóias já estão hipotecadas à senhora Merkel ou ao senhor Sarcozy; na semana em que, imagine-se só! Quanto mais tesos mais esquisitos - foram inauguradas em Portugal, duas máquinas multibanco que servem para levantar libras em ouro ou barras de ouro ou prata; na semana em que por cá se consta que um comerciante e investidor da Ásia Oriental comprou as antigas instalações da Agrimoz ( ou, se preferirem, as antigas oficinas do Zé Dias – quem se lembra? ) ; na semana em que confirmei aquilo que já suspeitava há algum tempo: que os lugares de estacionamento na Rua da Cantina e na Zona do Plano de Urbanização eram demasiado pequenos para se poder estacionar de acordo com as regras do código, como aliás se pode comprovar na foto acima; na sema em que, por isso mesmo, cada vez estou mais convencido de que o carro que serviu de bitola para as marcações do parque foi a viatura da senhora Presidente da Junta de Avis; na semana em que as obras adjacentes à futura rotunda continuaram paradas; na semana em que se começa já a cochichar em falta de verbas salariais para justificar a demorada paragem das obras, eis que chega a nossa Cesta de Poesia que, (PASME-SE!) é número DUZENTOS! (CC), o que quer dizer que estas "Cestas" existem há duzentas sextas-feiras (quase quatro anos)  e que aqui foram publicados duzentos poemas em décimas. É obra!

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, de Santo António das Areias, fala-nos hoje desse bem tão precioso que é a água. E fá-lo nos seguintes termos:

A água é fonte de vida
De incalculável valia;
Sem água em certa medida
O Mundo nada seria

A água corre p’ró mar
Mal acaba de nascer,
Começa logo a correr
Nem aprendeu a andar!
Ao oceano vai parar
Numa ambição desmedida,
Connosco fica retida
A água que nós bebemos,
Pois no Mundo em que vivemos
A água é fonte de vida.

Moveu azenhas, passou,
Tudo levou de vencida,
Num desvio, de fugida,
Muitos terrenos regou;
Essa água que ficou
Parou sua correria,
Não produziu energia
Mas p’ra todo o ser vivente,
A água é realmente
De incalculável valia.

A água, seja onde for
Lago, rio, fonte ou poço
Ou no mar, esse colosso
É dum enorme valor!
Inodora e incolor,
Nem sempre é bem recebida,
Essa agradável bebida
Para nós imprescindível,
Pois a vida era impossível
Sem água em certa medida.

Quando falta, é desejada;
Se é demais aborrecida
Mas quando vem bem chovida
É bem aceite e louvada!
Água do mar é salgada
Essa enorme bacia,
Mas é certo todavia
Que tem a sua importância,
E sem ela em abundância
O Mundo nada seria.