sexta-feira, 20 de maio de 2011

CESTAS DE POESIA (CLXX)

Em véspera da sessão de encerramento dos IX Jogos Florais de Avis, a ocorrer amanhã, sábado dia 21 de Maio, a partir das 14,30h no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, com a presença da ORQUESTRA DE HARMÓNICAS DE PONTE DE SÔR; na semana em que o Futebol Clube do Porto ganhou mais uma taça internacional e se prepara para ganhar mais uma taça de Portugal em futebol; numa semana em que como já se viu o mau tempo fez graves estragos no concelho de Avis; na semana em que a Fundação Maria da Piedade Varela Dias, tornou pública a sua vontade de “Conceber, organizar e desenvolver uma Universidade Sénior” em Avis eis que chega mais uma Cesta de Poesia.
Vejamos a facilidade com que o poeta JOSÉ DA SILVA MÁXIMO brinca com as palavras para fazer autênticas obras de arte em Décimas, apenas atingível por muito poucos:

Quis um dia ser poeta
Fazer versos e rimá-los;
Era por fim minha meta
Depois de feitos, juntá-los

Sem saber o que fazia
Fiz uns versos sem saber
Tão só para me entreter
Dar largas à fantasia!
Pensei de noite e de dia
Numa azáfama completa,
Corri que nem um atleta
Na minha imaginação
E assim do pé p’rá mão
Quis um dia ser poeta.

Uma ideia genial
Que me passou p’la cabeça,
Por estranho que pareça
Eu nunca tive outra igual!
Fui rimando bem ou mal,
Fiz erros a intervalos,
Mas fui tentando emendá-los
Com mais ou menos canseira
Porque é uma trabalheira
Fazer versos e rimá-los.

Eu queria a todo o custo
Fazer uns versos bonitos
E depois de os ter escritos
Dar por terminado o susto!
Que o seu valor fosse justo
Numa avaliação concreta,
Ser a forma mais correcta
Em harmonia perfeita,
Ter uma quadra bem feita
Era por fim minha meta.

Ao fim de um trabalho intenso
Fui ver o que tinha feito
Com mais ou com menos jeito
Escrever é o que eu penso!
Já sinto um prazer imenso
Vão meus dedos dando estalos,
Vou ler bem e agrupá-los
Que eram esses meus cuidados,
Fazer uns versos rimados
Depois de feitos, juntá-los.

Maio de 2008
















quinta-feira, 19 de maio de 2011

O TEMPORAL ASSOLOU O CONCELHO DE AVIS

Os fortes ventos e chuvadas de trovoada que nos últimos dias assolaram o concelho de Avis, deixaram marcas em vários sítios.
Em Avis, uma cerejeira de porte considerável foi derrubada pela força do vento num quintal adjacente às Ruas Antiga E. N. 243 e R. Dr. Francisco Salgado Zenha, tendo sido arrancada pela raiz.
No entanto foi em Alcórrego que mais se fizeram sentir os efeitos das águas descontroladas. Ao que apurámos a água inundou umas três casas sendo que a se situa na R. 1º de Maio foi a mais afectada. Aqui a água chegou aos 60cm de altura. marcados na porta do lado do quintal, sendo que do lado oposto, do lado da entrada principal, não deveria ter andado muito longe dessa altura e pior seria se não tivesse rebentado um muro que esvaziou o "lago" artificial, levando pedras e água em cadadupa. Armários, camas, electrodomésticos, tudo ficou inundado. Um carro que se encontrava estacionado nas imediações foi deslocado pelas águas, bem aí uns dez metros.
Os donos da moradia inundada receiam por situações semelhantes e  reclamam por medidas que evitem a repetição destes cataclismos, medidas essas que em seu entender, dizem existirem.


Foto 1 : "Em Avis, uma cerejeira de porte considerável foi derrubada pela força do vento..."
Foto 2 : "No entanto foi em Alcórrego que mais se fizeram sentir os efeitos das águas...armários...tudo ficou inundado..."

Foto 3: " Um carro que se encontrava estacionado nas imediações foi deslocado pelas águas, bem aí uns dez metros."

Foto 4: "... e pior seria se não tivesse rebentado um muro que esvaziou o "lago" artificial..."

Foto 5: "...levando pedras e água em cadadupa..."
Foto 6: "... a água chegou aos 60cm de altura. marcados na porta do lado do quintal..."

quarta-feira, 18 de maio de 2011

AMANHÃ, QUINTA-FEIRA, HÁ CAFÉ COM LETRAS

Amanhã realizar-se-á o antepenúltimo Café com Letras de 2011, segundo informação recolhida junto da Direcção da ACA, promotora destas tertúlias.
Como convidado e para nos falar sobre “ A VINHA E O VINHO”, estará presente o Engenheiro JOÃO RATO, há vários anos ligado a estas temáticas.
Porque o tema mete vinho, nunca se sabe se não haverá por lá uma prova, tanto mais que o Engenheiro João Rato acaba de lançar no mercado mais uma marca com a sua chancela: o “RAMOS RATO”.
“ALCORREGVS” já tem presença assídua em muitos dos lares portugueses e o “RAMOS RATO” para lá caminha…
Pelo sim pelo não apareça amanhã, pelas 18 horas na sede da ACA. Não se via arrepender.

domingo, 15 de maio de 2011

HOJE AINDA PODE (E DEVE) VIR À FEIRA MEDIEVAL DE AVIS

Se não pôde vir ontem, ainda o poderá fazer hoje. Venha à Feira Medieval de Avis.
Não se esqueça que até ao "Auto de encerramento da Feira e lavagem dos cestos e almotolias" haverá Feira e isso só irá acontecer lá para as 21 horas.
Ontem, por exemplo, foi assim...e muito mais:

Foto 1 : Animação q.b.

Foto 2 : Muita Gente gira


Foto 3: Gente muito Gira...


Foto 4: Ambiente medievalesco


Foto 5 : Autênticos "mestres" dos seus mesteres...

Foto 6 : Muita azáfama na zona dos trabalhos, aviando "feijoada de bacorinho"...

Foto 7: "DO CASTELO" registou o exacto momento em que um bem disfarçado mouro sarraceno dos tempos modernos, tentou assassinar o velho Conde de "MONTANELAS", em pleno palco da Feira e com a própria espada do Senhor Conde de "MONTANELAS"...

sábado, 14 de maio de 2011

VENHA À FEIRA MEDIEVAL

Se você consegue imaginar como serão os espaços abaixo retratados, cheios de gente trajados á moda medieval, é feliz por isso. Mas se você vier até Avis (hoje ou amanhã) e vir, efectivamente com os seus próprios olhos, estes espaços cheios de vida medieval, então aí você não será feliz, mas sim MUITO FELIZ!

Venha à Feira e visite a exposição de fotografia na Casa de Cultura de Avis. Vai gostar!


FOTO: PATOS À MODA ANTIGA

FOTO: FOLIAS

FOTO : ALEGRIAS

FOTO: COMERES

   FOTO: MERCADORES

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CESTAS DE POESIA (CLXIX)

Na semana em queOs Homens da Luta” obtiveram a esperada eliminação do mundo das canções eurofestivaleiras (só o Benfica 2010/2011 poderia fazer pior…); no dia em que os treinadores, actuais ou futuros, do Sporting e Porto esfregam as mãos de contentes pelo facto do loirinho Jesus afirmar que continua a contar com o guarda-redes Roberto nas balizas do Benfica para a próxima época; no dia em que começou mais uma Feira Medieval em Avis; no dia em que apareceram os cartazes que anunciam a realização da sessão de encerramento dos IX Jogos Florais de Avis, organizados pelos Amigos de Aviz, com a presença de premiados e da Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sôr, chega a nova cesta de Poesia.
Numa altura em continua a aumentar o úmero de pobres em Portugal, JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, matutou sobre o assunto e escreveu esta coisinha bonita. Leiam com olhos de ler:

Ao rico tudo lhe basta,
Ao pobre nada sobeja;
O rico nunca se arrasta,
O pobre tanto rasteja!

Neste mundo em que vivemos
Houve sempre e há-de haver
Várias formas de viver
Que a custo compreendemos;
Consoante aquilo que temos
Ninguém do rumo se afasta,
Enquanto o pobre se agasta
Sem saber o que é fartura,
Ao rico tudo perdura,
Ao rico tudo lhe basta

Quem nasceu para ser pobre
Não tem outra alternativa;
Por muitos anos que viva
Não vai juntar nem um cobre!
Sempre a miséria descobre
Por mais poupado que seja!
No trabalho a mão caleja
E vê-se sempre empenhado,
Ao invés do abastado
Ao pobre nada sobeja.

A quem tem muito de seu
Nunca a miséria assaltou!
Trabalhar não precisou
Porque já rico nasceu!
Tudo de bom Deus lhe deu
A sorte não foi madrasta,
Ele nem sabe o que gasta
Porque tem sempre de sobra,
Enquanto o pobre se dobra
O rico nunca se arrasta.

A desejada igualdade
Será de todo impossível,
Embora pareça crível
Não vejo possibilidade!
Há dif’renças de vontade,
Quem queira ver e não veja,
Que enquanto o pobre peleja
Sem saber se ávida é boa,
O rico tão alto voa,
O pobre tanto rasteja

Nota: não sei como, "sumuiu-se" o posto que ontem coloquei e que anunciava a Feira Medieval em Avis.
 Mistérios...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

EM AVIS JÁ "CHEIRA" A FEIRA MEDIEVAL

Hoje a vila acordou calma como sempre. O silêncio do novo amanhecer apenas era cortado pelo uivar de algum cão mais inquieto.
São sete horas da manhã e já se respira a Feira Medieval. Pelas frestas das tasquinhas já se vislumbra uma tenda, nas janelas já se vêem bandeiras dos tempos de antanho. A Feira Medieval é não só um chamariz que traz até nós muita gente de outras terras como faz regressar às origens, por uns dias, muita da diáspora avisense.
Em baixo fica um pouco do amanhecer que eu encontrei neste dia de 12 de Maio, em Avis.
Passei há coisa de um quarto de hora pelos mesmos sítios desta manhã e agora está tudo bem mais adiantado, diferente.
Quer um conselho de amigo? Passe por Avis este fim-de-semana e venha ver como era nos temos de antigamente. Não se vai arrepender.
Curioso seria fazer um dia, além da já tradicional recriação das feiras antigas, a projecção de uma feira, por exemplo, daqui a cem anos.
Se calhar, com tanta crise em cima de crise, as coisas nessa altura já não se diferenciação muito das feiras medievais.
Digo eu…

Foto 1 - "São sete horas da manhã e já se respira a Feira Medieval."

Foto 2 -" Pelas frestas das tasquinhas já se vislumbra uma tenda,..."
Foto 3 - "...nas janelas já se vêem bandeiras dos tempos de antanho."

Foto 4 - "Quer um conselho de amigo? Passe por Avis este fim-de-semana..."

terça-feira, 10 de maio de 2011

PARECE QUE ANDA TUDO ENVINAGRADO...

Parece que anda tudo cada vez mais chateado nesta vida. Fui dar a minha voltinha costumeira pela vila e ouvi, quase em tempo recorde, uma série de queixumes. Querem ver? (ler, ouvir…)

1 – Parece impossível! Pediram-nos para tirarmos as antenas das nossas televisões para dar outro aspecto a esta vila e agora há oito dias que não temos televisão queixou-se um meu amigo
- Mas eu tenho, retorqui…
- Você tem porque tem antena exterior, se fosse por cabo estava bem lixado, como eu. Você já viu o que é a minha sogra, coitadinha, estar este tempo todo sem ver as novelas? Com a idade que ela já tem, nunca mais apanha o fio à meada…
- É pá, é assim, aquilo depressa se apanha a história outra vez…às vezes pouco adianta…
- Isso diz você, que tem televisão…
Perante o ar “ouriçado” do meu interlocutor e com medo que a conversa azedasse, fui-me embora tratar de mais um recado daqueles que os reformados são mestres em fazer: meter o Euromilhões…

2 – …É sabido que quanto mais à rasca uma pessoa anda, mais tenta dar a volta à situação, por vezes gastando ainda mais do que devia e ficando mais empobrecido com a ganância de ganhar. O novo sorteio do euromilhões, agora também à terça-feira, aparece com uma miragem. Como uma nova oportunidade, uma nova tábua salvadora para os nossos problemas económicos.
Chegado ao local de registo em Avis, dei com o nariz na porta. Uma indicação informava que, por ser terça-feira, abriria ao público só da parte da tarde e acho que lá por volta das 16 horas. Um sujeito que já estava á porta quando eu cheguei, interroga-me, como se eu fosse o responsável por aquele horário:
- Então hoje há um sorteio novo do Euromilhões e isto abre á mesma só à tarde?
- Olhe, de acordo com o que ali está escrito, é isso. Temos que cá vir mais logo…
- Pois é, mas é que eu vim do Ervedal, aqui de propósito para registar o euromilhões. Se cá venho outra vez, … “vai-te ganho que me dás perda…” Não chega nunca me sair nada senão gastar mais em gasolina…Isto assim está mal feito…
Eu é que não lhe podia fazer nada nem tinha culpa nenhuma das coisas estarem neste pé. Encolhi-lhe os ombros e rumei em direcção à Sede do Agrupamento Vertical de Escolas de Avis onde tinha outro recado para fazer.

3 – As árvores do Jardim junto à Escola de Avis cresceram – curiosamente algumas são sobreiros - e convidam, dado o calor que hoje já se faz sentir, a um descanso nos bancos que o alindam. E lá estava sentado um habitual “habitante” daquele espaço. Após conversa fútil, disse-me, assim quase à queima-roupa:
- Isto é uma vergonha. Já viu aqui o quiosque? Está fechado já há bastante tempo. No entanto os letreiros virados para fora dizem que há sandes, e outras coisas de comer com indicação dos próprios preços. Há dias perguntou-me um “camone” a que horas é que aquilo abria. Vi-me e desejei-me para lhe responder mas lá lhe disse que estava fechado e ele foi-se embora. Diga-me lá, não acha que aquilo está ali mal?
- Quer dizer, é assim…
- Pois claro que está mal, homem! Não tenha medo em dizê-lo…não se esteja a encolher de dizer as verdades...
Desgostou-me o modo como aquele cidadão me quis impor uma opinião, sem deixar sequer que eu expressasse a minha.
Agarrei em mim, fui fazer o que tinha que fazer na Escola, voltei e meti-me em casa.
Por mor das coisas, hoje já daqui não saio…sabendo no entanto que corro o risco de não chegar a saber se as Televisões por Cabo já trabalham em Avis, se a casa do Euromilhões já tem novo horário e até se o Quisque do Jardim já abriu... com nova gerência...
É preferível assim...digo eu.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLXVIII )

Na semana em que José Sócrates, esse democrata exemplar, fez ajoelhar a seus pés os homens fortes e duros do FMI que não tiveram mais remédio do que aprovar o PEC IV como nos explicou pelo chamado discurso do “não” (não o viram e ouviram na TV a dizer que as pensões abaixo de 1500 euros não vão ser diminuídas – tal como previa o PEC IV-, que não há mexida no 13º mês nem no subsídio de férias – tal como previa o PEC IV – que não haverá privatização da CGD – tal como previa o PEC IV); na semana em que me chego a convencer que este engenheiro é capaz de ir longe; na semana em que Eduardo Catroga, outro cérebro da nossa praça política, vem dizer que só concordaram com o FMI porque o fizeram amochar às suas exigências (se não fosse já tão velho, tenho impressão de que este também iria longe….); na semana em Paulo Portas já vai dando uns beijinhos às peixeiras e não só, em busca de votos; na semana em que mais logo, daqui sensivelmente a uma hora, o Presidente da República vai falar aos Portugueses, (mas que eu nem estou disposto a esperar que ele fale para depois publicar estas Cestas de Poesia) – o discurso também já é conhecido…-; na semana em que continuo sem perceber como é com políticos deste jaez o nosso país chegou ao que chegou; na semana em reitero a minha falta de confiança nos políticos portugueses – atenção: estes e os outros todos - ; na semana em que uma avisense teve que rumar a Macau para poder ganhar a vida honradamente – beijinhos Fátinha e tudo de bom para si -; na semana em que amanhã, sábado, se vai realizar por cá mais um baile promovido pelo “Grupo de Baile de Avis” – o nome é invenção minha -; na semana em que o Benfica disse adeus a mais uma taça, contrariamente às promessas do seu treinador, de nome Jesus – e a verdade é que já nem em Jesus podemos acreditar… - ; na semana em que já se fazem notar os efeitos “benéficos” do herbicida nas ervas que enxameavam a nossa vila; na semana em que chegou até nós mais um exemplar da Folha Informativa Águia dos Amigos de Avis, eis que chega também mais uma Cesta de Poesia.
Também é por falta de campos cultivados que Portugal se encontra na situação económica difícil em que se encontra. JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, observador atento, passou os seus pensamentos para o papel e daí resultou esta pequenina pérola poética, ainda e sempre, em Décimas:

Se as silvas dessem madeira
As giestas nos dessem pão,
Todo o mundo à nossa beira
Nos dava consolação

Estando o campo esquecido,
Ninguém trabalhando a terra,
O país assim se enterra
O terreno embravecido;
Com o seu valor perdido
Como está desta maneira,
Eu sinto que o fim se abeira
Só, mais dia menos dia,
Que rico o país seria
Se as silvas dessem madeira!

Se é que o terreno inculto
Algo de bom produzisse,
Mas ninguém há que já visse
Assim, dar coisa de vulto;
Eu lhe dava o meu indulto,
Estendia a minha mão,
Se visse brotar o grão,
E os tojos fossem sustento,
As estevas alimento,
As giestas nos dessem pão!

Eu qu’ria ver os terrenos
Como eram vistos outrora:
Todos limpos hora a hora
Até mesmo os mais pequenos;
Dando colheitas e fenos
Com mais ou menos canseira;
O trigo aparecer na eira
Plantas daninhas desfeitas,
E ver a dar-nos colheitas
Todo o mundo à nossa beira.

Era bom ver ressurgir
A terra dar-nos sustento,
Poder a qualquer momento
A terra nos acudir;
Era bom poder sentir
O milagre, a salvação,
Quão grato seria então
Ver que a mãe Natureza
Ao socorrer a pobreza
Nos dava consolação

07.09.2009

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AMANHÃ HÁ CAFÉ COM LETRAS

Amanhã, quinta-feira, na Sede da ACA vai haver mais uma sessão de Café com Letras. O tema promete: MEZINHAS CASEIRAS. Quem é que nunca fez um chá de casca de cebola para apaziguar uma tosse insuportável? Quem não ouviu falar que antigamente se engoliam bolinhas de manteiga com açúcar para afastar as dores de garganta? E quem é que nunca ouviu falar que antigamente se punha um papel pardo embebido em azeite sobre o peito e a garganta para tratar os resfriados? E umas rodelas de batatas sobre as frontes para afastar as dores de cabeça?
Pois bem, o convidado de amanhã do Café com Letras é JOSÉ VIZINHA um estudioso de plantas que nos proporcionam óptimos chás para curas de diversas maleitas.
Apareça por lá ás 18 horas, participe que depois ainda vai muito a horas de assistir ao jogo do Benfica.
Quem sabe não virá de lá com algumas dicas para fazer um chazinho contra algumas más disposições futebolísticas…

terça-feira, 3 de maio de 2011

IX JOGOS FLORAIS DE AVIS - NOVO SUCESSO DA ACA

Os IX Jogos Florais de Avis, uma iniciativa da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural, saldaram-se por um enorme êxito, a fazer fé nas informações que "DO CASTELO" conseguiu apurar. De destacar que foram apresentados a concurso 677 trabalhos de 250 concorrentes, sendo de destacar a participação de 47 concorrentes do Brasil2 da Suiça. Concorreram pela primeira vez a estes Jogos Florais, 106 pessoas, o que deixa antever um futuro de sucesso para este evento. Foram 86 as localidades portuguesas, abrangentes de todo o território nacional, onde residem participantes a estes Jogos Florais além das localidades brasileiras e suiças.
Os IX Jogos Florais de Avis tiveram este ano, para lá dos habiituais patrocínios da Junta de Freguesia de Avis e do Municipio de Avis, a "ajuda" do Herdade da Cortesia Hotel que oferece a um dos participantes, uma noite para duas pessoas no seu hotel.
Conforme previa o Reulamento, ontem, dia 2, foram tornadas públicas as classificações que o júri atribuiu.
Se tiver curiosidade em saber quais foram essas classificações, consulte o site da ACA em www.aca.com.sapo.pt  procure em concursos/resultados e depois em IX jogos Florais de Avis  2011 - resultados.
Parabéns à ACA!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

COMO O FMI CHEGOU A MINHA CASA

A temperatura baixou significativamente nos últimos dias. A chuva, aborrecida, teima em estragar esta Páscoa que vai passando. Já amanhã é segunda -feira…
Mas retrocedamos um pouco. Cheguemos ao sábado passado, ontem portanto. Como não tenho condições financeiras para abandonar a nossa vila e ir a caminho dos Algarves ou outros quejandos, quedei-me por cá, pelas Terras do Mestre com vistas largas para o Maranhão. Mas por ser Sábado de Aleluia, resolvi fazer um repasto melhorado para o jantar. Ao fim e ao cabo é Páscoa. Ao fim e ao cabo joga o Benfica.
Sopa de hortaliças variadas, pão fatiado do Cano, queijo da Monforqueijo, borrego assado no forno e costeletas do mesmo animal grelhadas no carvão, pudim Flan que faz parte do meu imaginário, duas gelatinas, e uns camarões de Moçambique (supõe-se) grelhados. Vinho. Uma garrafa D. Cosme, que mão amiga me ofereceu pelo Natal. Sim que a minha bolsa não chega para comprar estas extravagâncias. Café da Delta Cafés, uísque e uma boa aguardente velha de que muito gosto e de nome Antíqua. Ao fim e ao cabo sempre me sairia mais barato do que ir jantar fora e quiçá com menos qualidade. Os dotes culinários da minha mulher já os conheço bem e por isso quando me sentei na mesa senti-me um “lorde” que estivesse convidado para a boda do príncipe Williams…
Na mesa uma linda toalha de linho que fora da avó da minha mulher, talheres de prata, oferta que tivera no meu casamento, pratos de sopa, segundo e doce. Guardanapos de papel especial para a época. Nada, pensava eu, poderia estragar este belo jantar de sábado de Aleluia. Nem mesmo um mau resultado do Benfica. Abanquei pois com vontade de dar ao dente.

….////….

Batem à porta. Um bater suave, como se quem o estivesse a fazer desejasse tudo menos que não lhe abrissem a porta. Por estar do lado de fora da mesa, fui eu que me levantei e fui abrir a porta. Deparei-me com um homem alto, de óculos escuros, fato completo com gravata, cabelo grisalho penteado para trás. Embora me parecesse ser conhecido, não queria acreditar. Perante mim, à minha porta e a querer entrar, estava precisamente Poul Thomsen, o homem forte do FMI em Portugal.
Cumprimentei-o, num aperto de mão franco como só os Alentejanos sabem fazer quando cumprimentam desconhecidos.
- Faça favor de entrar. Maria: põe aí mais uns pratos que temos visitas….gritei para a minha esposa
E que visitas!...
Por causa da chuva a que já me referi, e porque a minha mulher é muito “comichosa” com o sujar do chão, à minha porta temos dois tapetes para limpar os sapatos/botas. Poul, olhou para o chão e depois para mim, de sobrolho carregado,disse-me:
- Não acha um desperdício dois tapetes? Um não faria o mesmo serviço? O quê? Ainda mais um aqui dentro? Como é que vocês, não hão-de estar como estão? Três tapetes, quando só têm dois pés? Desperdício de dinheiro é o que eu começo já a ver…
Encolhi-me, e dirigi-me à sala de jantar enquanto Mr. Poul me seguia. A mesa já tinha sido reforçada com mais uns pratos e talheres completos. A cadeira da visita também já estava colocada em sítio estratégico, bem virado para a Televisão, para que nada faltasse a tão distinto quanto inesperado hóspede.
Antes de se sentar, Mr. Poul deu um relance pelas paredes da casa, depois “sobrevoou” a mesa e tudo quanto nela estava, de cima dos seus quase dois metros de altura. Sentou-se e quase gritou:
- O quê? De braseira eléctrica ligada, em Abril? Mas que desperdício é este? Mas que povo é este? Meus amigos, vocês ainda não ouviram falar em crise? Desculpe, desligue imediatamente a braseira e se for caso disso, enrolem uns trapos aos pés e às pernas. Gastar electricidade por causa do frio isso é que nunca…
Comecei a sentir um certo desconforto. Então a gente está na nossa casa e vem um gajo qualquer de fora administrar o que é nosso? Vem lançar postas de pescada para o nosso lar?
- Portugueses gastadores. Este queijo é de onde?
- É de Monforte Mr.Poul…
- De Monforte? Então não há queijo aqui de mais perto e mais barato? Não se deve comprar nada que diste mais que um concelho do nosso. Se não tem queijo fabricado em Avis podem comprar no Cano que há lá muito…
- Pois Mr. Poul nós tínhamos a Fábrica do Leite que fazia queijos mas já não temos, fechou…
- Fechou, está fechada. Que quer fazer? Ir atrás dela? Já sabe, comprar só no concelho…ou no mais próximo possível.
Cada vez mais acabrunhado, tentei meter uma cunha em minha defesa:
- Pois, olhe…o vinho é cá do Concelho. É da Fundação Abreu Callado, de Benavila…
- D. Cosme? Mas você tem uma família com ministros ou quê? D. Cosme? Mas isso é um vinho caríssimo. Como pode você ter dinheiro para fazer face á crise a beber D. Cosme?
- Sabe, Mr. Poul, uma pessoa amiga deu-me essa garrafa pelo Natal…
- Corrupto! Você é mais um dos corruptos que enxameiam este Portugal. Esse seu amigo deu-lhe a garrafa a troco de quê? De que favores? O que é que lhe facilitou?
Senti-me tremer por dentro e por fora. Uma baga de suor frio desceu-me da testa. Mas tive medo de reagir. Calei-me mais uma vez, como fizera em tantas vezes da minha vida em que deveria ter falado, ter dado um murro na mesa, ter dito basta! Aquele era o novo dono de Portugal…
- Espere aí…estarei a ver bem? Então vocês têm três pratos na mesa para cada um? E dois tipos de doces? Mas que desperdício é este? Não podem comer a sopa, o segundo e o doce no mesmo prato? Já viram a quantidade de detergente que vão gastar para lavar tanta loiça? Mesmo que seja Fary! A crise “exige” que se coma só num prato. E não esquecer, a partir de agora não há doces para ninguém. Bebam água que é mais barata e ao fim e ao cabo faz o mesmo efeito.
- Mas nós costumamos…
- Costumamos, não. Costumavam! A partir de agora é só um prato. E que isto fique bem entendido porque agora quem manda sou eu. Não se esqueçam que sou o Presidente do FMI em Portugal e eu é que manado aqui! E para que isto fique bem claro, esses talheres de prata que vocês aí têm, vou levá-los e entregar ao Sr Sócrates para ele poder permutar aquando das negociações com o Fundo. Percebido?
- Sim Senhor Poul…quere que eu mude de canal, quer ver a CNN?
- Não! Quero é que desligue a Televisão. E de todo, não quero ver o sinal encarnado ligado que está sempre a gastar energia. Era o que faltava estar-se a jantar e a ver televisão. Outra coisa que tem de acabar, é estas bebidas caras.
Uísques e Antíguas? É isto que levou Portugal para onde está. Viver acima das posses é no que dá sempre! Eu nem acredito, então uns pelintras como vocês dão-se ao luxo de comer camarão de Moçambique? Que seja a última vez. Minhocas, minhocas é que vocês devem passar a comer. Entenderam?
Nisto a minha mulher tenta pôr água na fervura:
- Olhe senhor… hoje também temos uma mesa mais farta porque já vivemos o espírito do 25 de Abril que é já na segunda feira…daí o borreguinho em dose dupla…
- Qual 25 de Abril qual quê? Por causa do 25 de Abril é que vocês estão neste estado. Mal governados. Mal governados e desorientados é que os Portugueses são.
A minha Maria, defensora acérrima do 25 de Abril e todas as suas conquistas, começou a mudar de côr. O bem disfarçado buço, começou a crescer, vi os olhos a querem sair das órbitas, vi como as unhas se transformavam em garras afiadíssimas, vi ali mesmo num ápice transformar-se numa espécie de Gigante Adamastor e vi como ela, feita monstro, se lançou, qual abutre sedento de sangue e vingança, sobre o pescoço do Sr. FMI. Este jazia agora no chão, prostrado, morto e bem morto.
Apressado, agarrei na garrafa de vinho D. Cosme e corri para o escritório do advogado mais famoso da terra, no sentido de lhe oferecer aquela garrafa do melhor vinho da Fundação Abreu Callado. Iria tentar comprá-lo, corrompe-lo, em troca duma defesa acérrima da inocência da minha mulher.
Não cheguei a saber como as coisas acabaram, porque no preciso momento em coloquei o dedo em cima da campainha da porta do Dr. Defesas, o que ouvi não foi a campainha a tocar mas foi o despertador do meu quarto que resolveu cumprir a sua missão: despertar-me. Estava suado.

Sinceramente não sei onde é que a gente vai arranjar sonhos destes…mas que existem, existem até em noites de Domingo de Páscoa


sexta-feira, 29 de abril de 2011

CESTAS DE POESIA (CLXVII)

No dia em que a nova princesa beijou o príncipe por duas vezes, em público, quebrando o protocolo e mesmo assim este não se transformou em sapo (só Deus e eu sabe o quanto isso foi importante para mim, para a minha família e até para os elementos do FMI que estão em Portugal…); na véspera desse dia memorável que vai ser o do almoço de Sportinguistas no Clube Náutico (só eu sei porque fico em casa…); em vésperas de mais uma actuação no Auditório Municipal Ary dos Santos, com apresentação em estreia de nova peça de teatro pelo GRUPO FAZIGUAL (que "DO CASTELO" recomenda vivamente) ; numa altura em que já há  pessoal “formado” e devidamente habilitado na área da liquidação herbácea nas nossas ruas, por via líquida, pois aí está mais uma dose de Cestas de Poesia.

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO nutre um carinho muito especial pela sua terra Natal, pelo seu concelho. Daí ter feito estas décimas dedicadas à "sua" Marvão.

É lindo à noite, Marvão,
Quando está iluminado!
Ao longe chama a atenção,
Ao Céu parece ligado!

As luzes a cintilar,
Como adoro à noite, vê-las!
Se são luzes ou estrelas
Quase custa a destrinçar!
Não deixo de apreciar
Se é que tenho ocasião,
Alegra-me o coração
Esse espectáculo tão belo,
Iluminando o Castelo
É lindo à noite, Marvão!

Marvão é ditoso encanto,
Preciosa maravilha!
Beleza que se partilha
E que se adora tanto!
Até de Inverno o seu manto
De nuvens, todo tapado,
O nevoeiro cerrado
Dá um não sei quê proibido,
Com o Céu é confundido
Quando está iluminado.

Quem se vem aproximando
De Marvão, em noite calma,
Algo lhe invade a alma
E que o vai fascinando!
Aos poucos vai reparando
Que esta vila é excepção,
E assim, do pé p’rá mão
‘inda não vê as casinhas
Já vai contando as luzinhas
Ao longe chama atenção.

Sentinela da Nação
Foi durante muitos anos
Cobiça dos Castelhanos
Naqueles tempos de então;
Resistindo qual dragão
Nunca se deu derrotado,
Marvão tão bem situado,
Suas casas tão seguras,
As luzes lá nas alturas
Ao Céu parece ligado

15.09.2009














sexta-feira, 22 de abril de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLXVII )

Nesta sexta-feira e numa altura em que se ultimam os preparativos para mais um Rally-paper da Casa do Glorioso, perdão, da Casa do Benfica em Avis; numa altura em que se tenta arranjar meia dúzia de Sportinguistas para “encherem” o hangar do Clube Náutico para, num lauto almoço, comemorarem não se sabe bem o quê ( será o 4º lugar no Campeonato?....); numa altura em que o FMI vai traçando o caminho para nos lixar um pouco mais; numa altura em que vivemos uma Páscoa super-molhada, lá chega mais uma Cesta de Poesia.

Páscoa, molhada ou não, é tempo de Borreguinhos no forno, borreguinhos assados, borreguinhos fritos, borreguinhos grelhados. E quem trata dos nossos borreguinhos? Isso mesmo: o pastor. Pois bem JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, poeta de Santo António das Areias, traz-nos hoje uma poesia dedicada precisamente aos pastores e à sua vida.

Vamos a isto:

A VIDA SOLITÁRIA DO PASTOR

Não conhece os feriados
Tão pouco um fim-de-semana;
Conhece os cheiros dos gados
Tão certo que não se engana!

Ao romper da madrugada,
Ao alvor da nobre aurora,
Salta da cama p’ra fora
Cama à qual chama malhada!
Já deixa preparada
Com os lençóis desdobrados
Porque a vida e seus cuidados
No seu dever se empolga,
Não tem um dia de folga
Não conhece os feriados!

Solta o gado do curral
Com todo o empenhamento,
É seu entretenimento
Sua profissão real;
Profissão nobre, afinal
De que um bom pastor se ufana
Com seu rebanho se irmana
Meses, anos sem parar,
Não sabe o que é descansar
Tão pouco um fim-de-semana.

Do leite faz a ordenha
Para o queijo saboroso,
Precisa de ser jeitoso
P’ra que o leite à mão lhe venha!
A sua perícia empenha
Em seus dedos amestrados,
Do jogo conhece os dados
E sabe da sua arte,
É mestre em qualquer parte
Conhece os cheiros dos gados.

Quando nasce um cordeirinho
Que ainda não sabe andar,
Ele lhe vai dispensar
Muito cuidado e carinho;
Como se fosse um filhinho
Que ainda está na cabana,
Com quanta vontade e gana
O leva à mãe p’ra mamar,
Sem receio de o trocar
Tão certo que não se engana.

17 de Março de 2009

quarta-feira, 20 de abril de 2011

AMANHÃ HÁ CAFÉ COM LETRAS E HOJE HOUVE SORTEIO...

Amanhã é dia de Café com Letras. Mais um. O Nº 101! Como convidado vai estar entre nós um Açoriano residente no Parque Natural de S. Mamede e que por isso mesmo se chama de “Alençoriano”, ou seja o produto de uma mistura entre Açores e Alentejo. DANIEL CASADO é o seu nome.

Irá falar-nos de turismo e das suas experiências desde as Furnas até á Serra de S. Mamede (Portalegre). Apaixonado pela fotografia, certamente que irá ilustrar as suas ideias com belas imagens captadas por este país fora.

A não perder, amanhã a partir das 18 horas na Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.

Última hora: realizou-se há pouco mais de uma hora, em cerimónia pública na Sede, a extracção do boletim premiado com um cabaz de Páscoa, levado a efeito pela Associação Humanitária de Apoio aos Diabéticos do Concelho de Avis. O feliz premiado foi o Sr. José Miguel, do Pego (Abrantes).

Na foto abaixo reproduz-se o preciso momento em que a D. Maria Nobre Farinha procedia á extracção do  talão premiado, perante a presença da Sra Enfermeira Nídia, Presidente da Associação bem como do Sr. Carmo, Vice-Presidente da referida Associação de Diabéticos de Avis.

Foto: Maria Nobre Farinha procede à extracção do talão premiado

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CONVERSAS DE CAFÉ

Não sou muito dado a andar em cafés. Acho que a vida pode e deve ser repartida por actividades que exijam mais movimento, mais acção. Daí que quando há dias entrei num café da nossa vila quase me tivessem feito uma festa. Por lá, os rostos do costume.
- É pá, finalmente apareceste, pensava que já tinhas morrido. Senta-te aqui ao pé de nós, disse o Manel, enquanto me ajeitava uma cadeira para eu me sentar.
- O que é que queres beber? Uma cervejola ou uma "survia", como dizem em Bena?
- Não, quero antes um descafeinado… disse e sentei-me.
Sem mais demoras, o João dispara quase á queima-roupa:
- Então o que me dizes á novidade que corre aí pela vila?
Desconhecedor de qualquer “novidade” digna de nota, mostrei o meu desconhecimento em matéria de novidades sonantes, e como normalmente as conversas de café andam quase sempre pelos mesmos temas, atirei quase a querer adivinhar:
-…temos “putices”, Maria Alice…
- Estás enganado pá! A gente a coisas dessas já nem liga…Então ainda não ouviste dizer que se está a preparar uma “invasão” à nossa vila, de ciganos, vindos lá dos lados de Almada…
Porque efectivamente não sabia nada, fiquei até um pouco perplexo e lá disse:
- Não, por acaso não tinha ouvido dizer nada. Mas olha que não me parece que seja assim. E para que é que nós haveríamos de querer mais ciganos no nosso concelho? Só se fosse para que a estação dos Correios não fechasse, dado o grande movimento que lhe dão no dia de receberem os subsídios…
- Brinca, brinca…disse o João, enquanto o Manel retomou a palavra:
- Tu não acreditas mas olha que a coisa parece que é à séria. Disseram-me que até já tinham pedido a inscrição dos gaiatos cá na Escola e que não tinham já aceite a inscrição para que acabem o ano lá em Almada e depois comecem de novo no próximo ano lectivo, já aqui em Avis...
- Não me levem a mal, mas continuo a não acreditar. Se fosse gente produtiva, gente que quisesse investir com trabalho no nosso concelho acreditava, agora assim…deixarem vir para cá ainda mais ciganos dos que já cá há….ponho as minhas reservas…
- Ainda te digo mais: parece que o Tonho é o responsável pela comunidade cigana de Avis na Escola, e ele já disse que se vierem para cá os “outros” que já não quer mais ser responsável por eles…concluiu agora o João, enquanto “emborcava” mais uma mini.
 - É assim. Se vocês o dizem e porque não há fogo sem fumo, se calhar alguma coisa se passa. As notícias não caem assim do céu…No entanto eu continuo a creditar no bom senso dos nossos dirigentes locais. Não me parece que recebam assim de mão beijada comunidades que os outros não querem.
Depois de beber o tal descafeinado e porque já me sentia ali a mais, despedi-me e saí enquanto o “venenoso” do Manel me disse em ares de despedimento:
- È verdade, então ainda és do Benfica?
Encolhi os ombros, respondi-lhe: “Que hei-de fazer? Não há melhor” e saí caminhando a cismar no que ouvira. Por certo aquilo não era mais que uma das muitas conversas de café. Percorridos alguns metros pela Rua Machado dos Santos acima, cruzo-me com a Maria que me diz:
- Então você já sabe da grande novidade?
- Não me diga que me vem falar dos ciganos que vêm de Almada?
- Não, por acaso era dos que vêm do Crato…
Retrocedi caminho e fui meter-me em casa, não sem antes ter reparado como as ervas e as folhas secas das laranjeiras continuam a amontoar-se nas nossas ruas, prenúncio talvez de falta de umas boas vassouradas e de umas boas regas...
Prevê-se chuva para esta semana.
Oxalá!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

CESTAS D EPOESIA (CLXVI)

Numa semana em que “DO CASTELO” entrou numa letargia acentuada ( vá lá saber-se porquê) para desespero dos seus leitores; numa semana em que Clara Guerra inaugurou uma exposição de pintura na Fundação Pais Teles, em Ervedal, que convido vivamente a que vá visitar; numa semana em que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, vai realizar no próximo Domingo o seu “5º Passeio Pedestre - Pelas Margens do Maranhão”; numa semana em que no próximo dia 17 se vai realizar em Avis, a tradicional Procissão do Senhor dos Passos; numa semana em que três equipais Portuguesas se qualificaram para as meias-finais de uma competição europeia; numa semana em que consta que vão ser necessárias mais de duas mesas das pequenas para albergar os Sportinguistas Avisenses que no dia 30 de Abril se vão reunir em almoço de confraternização e de carpir de mágoas no Clube Náutico em Avis, eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

E como não há duas sem três, o poeta JOSE DA SILVA MÁXIMO, de Santo António das Areias mas com grandes e fortes raízes em Avis, brinda-nos com mais uma poesia dedicada à cama. Ora vamos lá ler o que temos hoje:

A CAMA

A cama onde dormimos
Mais pobre ou mais opulenta
Quando forças não sentimos
É ela que nos aguenta!

Em casa ou maternidade
É na cama que nascemos,
É onde primeiro vemos
O dia, luz, claridade;
Depois mesmo c’oa idade
Ao descanso não fugimos;
Jamais nós prescindimos
Nem podemos dispensar,
Um lugar p’ra descansar:
A cama onde dormimos.

Os indigentes sem pão
Fazem a cama na rua
Mesmo assim chamam-lhe sua
Umas caixas e cartão!
A cama estendem no chão
Mesmo que haja tormenta,
Se o corpo se não aguenta
E o seu descanso reclama,
É necessário uma cama
Mais pobre ou mais opulenta.

Quando o corpo está deitado
Assim na horizontal,
Há um relaxe total
Sem que este seja obrigado;
Se é por estar fatigado
O descanso a Deus pedimos,
Mas se doentes caímos
E a saúde for perdida,
Logo a cama nos convida
Quando forças não sentimos.

É na cama que morremos
Quando a morte é natural;
No Lar ou no Hospital
À cama nos acolhemos;
É ma cama que nós vemos
Como a “negra” se apresenta;
Ali a morte se enfrenta
Sem forças p’ra resistir,
Se não podemos fugir,
É ela que nos aguenta!

Agosto de 2002

segunda-feira, 11 de abril de 2011