sexta-feira, 30 de setembro de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLXXXIX)

Na semana em que chegamos ao último dia do mês de Setembro; na semana em que os ânimos andam quentinhos cá por Avis por mor da construção de uma rotunda nas imediações do Mini Mercado Pires e Salvaterra; na semana em que a Câmara deu público conhecimento daquilo que há muito era de esperar: a água que abastecia a vila, vinda lá da Barragem de Póvoa e Meadas não tem qualidade, chegando mesmo barrenta às nossas torneiras; na semana em que se realiza (já amanhã) um grande espectáculo de dança no casão da Casa do Benfica em Avis, na Zona Industrial desta vila; na semana em que uma juíza teve a “infeliz” ideia de mandar cumprir uma pena de prisão ao Transmontano Isaltino Morais, que a deve; na semana em que segundo li hoje na Net/Sapo, Isaltino poderia continuar à frente dos destinos da Câmara de Oeiras, apesar de preso – mas que país é este?; na semana em que a estas horas também já soltaram o cidadão Isaltino Morais, eis que chega a nossa Cesta de Poesia.
Ainda JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, que hoje nos oferece umas Décimas que “rezam” assim:

Foi Deus que criou o Mundo
É Deus que a vida desfaz;
Vai-se a vida num segundo
Deixando a saudade atrás.

O nascer e o morrer
Nunca depende de nós;
Tanto os pais como os avós
Nada nos podem fazer;
Temos de compreender
Que um simples “vagabundo”,
Não faz mais que ir ao fundo
Nas ambições que ele encerra,
Não é dele o Céu e a Terra!
Foi Deus que criou o Mundo.

Se a nossa sorte é madrasta
Não nos dá felicidade,
Seja no campo ou na cidade
O tempo tudo desgasta;
Somos “ministros” sem pasta
Enganos que a vida traz,
Nem sequer somos capaz
De saber quando acabamos,
Pois quando menos pensamos
É Deus que a vida desfaz.

Tudo o que há no Universo
Se fez por obra de Deus:
Feito por caprichos seus
Tão romântico como um verso!
Tudo perfeito e diverso
Da Providência oriundo,
Extasiado me confundo
E obrigo-me a comentar:
Custamos tanto a criar
Vai-se a vida num segundo.

Leva-se a vida a fazer
Preces pelo nosso bem,
Pedindo àquele que tem
Sobre nós o seu Poder;
Ele vai sem nos dizer
Dando aquilo que é capaz,
Horas boas, horas más,
Com muita esp’rança iludida,
E um dia acaba-se a vida
Deixando a saudade atrás.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

DARDICO: um exemplo de sucesso no sector agro-alimentar nacional

Com a devida vénia reproduzimos do AgroNotícias, de hoje o seguinte texto:

DARDICO: um exemplo de sucesso no sector agro-alimentar nacional

A DARDICO, S.A. é uma agro-indústria que tem como actividade o processamento, conservação e acondicionamento de produtos alimentares congelados, tendo por base a produção horto-industrial nacional. A DARDICO, S.A. trabalha com pimento, brócolos, courgette, tomate e ervilha.
A DARDICO, S.A. está localizada no parque industrial de Avis. no distrito de Portalegre, sendo a maior empregadora privada do concelho de Avis, com 110 postos de trabalho directos permanentes, que chegam aos 300 em período de pico de campanha.
A empresa faz contratos de exclusividade com os agricultores, garantindo assim o escoamento total das suas produções com um preço garantido. A empresa garante o necessário apoio técnico de acompanhamento das culturas e, em muitos casos, financia alguns custos de instalação da cultura (ex: plantas, plásticos, fundo de maneio) aos agricultores.
O volume de negócios da empresa foi, em 2010, de 20 Milhões de Euros, sendo a totalidade da produção destinada à exportação. Em 2010 foram laborados 25.000 ton de horto-industriais nacionais, produzidas em mais de 1.850 ha por mais de 170 agricultores, dando emprego indirecto a mais de 1200 trabalhadores agrícolas.
Nos últimos anos, a empresa realizou investimentos muito significativos com vista a reforçar a sua posição no mercado e a intensidade da parceira estabelecida com os produtores nacionais. Desses investimentos salientam-se: 1) a instalação de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de última geração - num investimento total próximo de 1 milhão de euros - que permite aumentar a racionalização do gasto de água e 2) a criação de uma sala de embalamento de vegetais que permite responder às exigências dos clientes, e que representou um investimento superior a 5 milhões de euros.
Nesta fase, e fruto do crescimento do negócio e do aumento previsto do processamento de matéria-prima, a DARDICO, S.A. está a investir mais de 7 milhões de euros no aumento da capacidade de congelação e na construção de uma nova câmara de congelados. Com estes investimentos, a empresa poderá processar cerca de mais 50% de produto e ficará dotada de uma área de armazenagem de aproximadamente 10.000 m2. Prevê-se que este investimento seja financiado pelo PRODER, apesar de ainda não estar aprovado.
Todo este dinamismo demonstrado por uma empresa no meio do Alentejo demonstra que se a produção agrícola e a agro-indústria estiverem de mãos dadas é possível melhorar, de forma rápida e duradoura, a criação de valor de produtos nacionais.
É com exemplos como o da DARDICO que se demonstra inequivocamente que a Agricultura nacional tem bons exemplos e que tem futuro!

Fonte: Dardico
 

domingo, 25 de setembro de 2011

AVIS EM ALTA

Num concurso organizado por Alentejanos no Facebook, foi distinguido com um prémio (3º?), na modalidade de pintura,  a "Avisense" NÍDIA MÁXIMO.
Então, cliquem abaixo para verem como é que Avis ficou em alta...

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1996977525566&set=a.1089693484032.2014593.1277332411&type=1&theater

sábado, 24 de setembro de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLXXXVIII)

Na semana em que a vila de Avis continuou insegura; na semana em que tive conhecimento que a casa do Sr. Ambrósio Rosado foi assaltada tendo-lhe sido furtada uma televisão e uma terrina Limoges, caindo as suspeitas sobre a “suspeita” do costume; na semana em foi assaltada a antiga Espingardaria Manata de onde, a fazer fé na comunicação social terão sido roubadas, “ouro, moedas e armas antigas”; na semana em que se vai realizar em Avis, no Domingo o BTT do Norte Alentejano; na semana em que vai ser inaugurado no próximo sábado o Centro de Arqueologia de Avis; na semana em que os Motards D’Aviz celebram o seu 10º aniversário; na semana em que pela primeira vez na sua história, as Cestas de Poesia são publicadas a um sábado (serão efeitos da crise?) eis que chega então atrasada a nossa Cesta de Poesia.
Hoje trazemos ao conhecimento de quem nos lê mais umas Décimas interessantes de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO.
Ora leia e digam se gostam e tenham um muito bom fim-de-semana:

Dizer adeus a alguém
Nunca me deu alegria
Mesmo sem saber a quem
Prefiro dizer Bom Dia!

A saudação a quem passa
É prova de educação,
Não terá bom coração
Quem a saudação não faça;
Até tem a sua graça
É bonito e fica bem.
O despedir é também
Forma de cumprimentar,
Mas é sempre um separar
Dizer adeus a alguém.

Salve-o Deus! Nós dizemos
Ou: Bom Dia! Como está?
Quando alguém se vai p’ra lá
Adeus, Adeus! Nós fazemos.
Ficamos sós, não podemos
Ir em sua companhia;
Direi que antes queria
Não assistir à partida,
Que p’ra mim a despedida
Nunca me deu alegria.

Seja um lenço a acenar,
Seja um adeus com a mão,
Faz-me sempre compaixão
Ver a pessoa abalar!
E se ao longe se voltar
E nos acenar também,
Fico pior que ninguém,
Por isso posso afirmar:
Gosto mais de saudar
Mesmo sem saber a quem!

É tão triste a despedida!
Deixa tanta saudade
Que a partida de verdade
Faz marcas na nossa vida;
Uma alegria sentida
Quanto depois se esvazia!
Eis porque sempre diria:
P’ra ver alguém afastar,
Quero antes vê-la chegar!
Prefiro dizer Bom Dia!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

ESPECTACULAR!

É demais!...


BANDA MILITAR DA NORUEGA ...IMPERDÍVEL......ESPETACULAR!

Vejam lá o que é que o frio pode fazer! SIMPLESMENTE SENSACIONAL !!!

Nunca foi visto nada assim, nem em super produções de Hollywood, nem em nada que tenha sido visto!
Olhem a apresentação da Guarda Real Norueguesa! É de uma precisão indescritível! Imperdível!
Apresentação, do meio em diante, da magistral música de Enio Morricone "The Good, the Bad and the Ugly" (filme de farwest estreado por Clint Eastwood, Lee van Cliff, nos anos 60).

Vale a pena ver em ecrâ inteiro.

Cliquem no link abaixo e assistam :









sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CESTAS DE POESIA (CLXXXVII)

Na semana em que finalmente alguém disse que “O Rei da Madeira, Alberto João, vai nú!; na semana em que se começa a dar mais projecção ao Projecto "Vamos à Horta", promovido pela Associação para o Desenvolvimento Rural e Produtos Tradicionais do Concelho de Avis (ADERAVIS); na semana em que se realiza (hoje a partir das 21 horas) no Jardim Público de Avis, a partir das 21 horas o serão será de “Lua com Palavras”, uma iniciativa da Biblioteca local; na semana em que no sábado, a partir das 15 horas a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural se reúne na sua sede com outras associações do concelho para trocarem impressões acerca do futuro do associativismo na nossa terra; na semana em que mais uma vez se notou uma certa letargia por parte dos editores deste blogue, eis que chega mais uma Cesta de Poesia.
JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, será o nosso convidado ainda por mais algumas semanas. Pelo menos enquanto tivermos Décimas com a superior categoria das que hoje vos apresentamos:

Plantei a árvore do Bem
Reguei-a, vi-a crescer;
Estou à espera que alguém
Venha seus frutos colher

Um dia na minha mente
Surgiu a feliz ideia
De trazer á minha aldeia
Algo que fosse dif’rente;
Vivia-se um ambiente
De aversão e desdém
Não se entendia ninguém
Um pandemónio infernal!
Para combater o Mal
Plantei a árvore do Bem.

Foi difícil descobrir
A planta tão desejada;
Era por mim cobiçada
Queria vê-la florir!
Acabei por conseguir
Após esforços fazer
A bela planta trazer;
Plantei-a perto de mim,
Durante dias sem fim
Reguei-a, vi-a crescer.

O meu quintal pobrezinho
Aumentou o seu valor
Logo que a primeira flor
Desabrochou de mansinho!
Eu lhe dou o meu carinho
Por ter o que outro não tem,
Agora, são mais de cem
Os frutos belos que ostenta,
Vir comê-los ninguém tenta
Estou á espera de alguém.

Este fruto tão gostoso
Que com o tempo amadura,
É p’ra quem tem a alma pura
E um coração bondoso!
Por ser tão delicioso
Todos deviam comer,
Não a seu belo prazer
Por isso não lhe ser dado,
Mas se for predestinado
Venha seus frutos colher.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLXXXVI)

Na semana em que o Sr. António Henriques, (um Souselense que há muitos anos adoptara Avis como sua terra) resolveu pôr termo à sua vida por enforcamento; na semana em que hoje começa O Forum Permanente de Teatro de Avis que vai decorrer até dia 11; na semana em que se anuncia para o próximo dia 16 mais uma edição do “Lua com Palavras” a acontecer no Jardim Público de Avis; na semana em que já amanhã vai decorrer o V Encontro de Poetas Populares no Concelho de Avis (a partir das 14 horas no Salão da Junta de Freguesia de Alcórrego, com entradas livres), eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

ANTÓNIO HENRIQUES foi o poeta eleito das Cestas de Poesia durante os meses de Junho e Julho do ano de 2008. No dia da sua morte, pela amizade sincera que lhe devotava e que sei ele me devotava, e em sentida homenagem, passo a transcrever umas décimas que recolhi junto dele em Fevereiro de 2004. De autor desconhecido. Rezam assim (algo de sinistro, de fantasmagórico…):

Com mais poder e mais forte
Eu queria que houvesse alguém,
Que ordenasse morte à morte
P’rá morte morrer também!

Não é possível haver
Em todo o mundo rigor
Uma força superior
Que a faça surpreender
Tudo nasce para morrer
Tenha bom ou ruim porte
Nem há cutelo que corte
Uma força que se não vê
Nem se pode impor uma lei
Com mais poder e mais forte!

É tão triste a escuridão
Quando a morte nos condena
Silenciosa e serena
Mata mesmo sem razão
Deixa desgosto e paixão
Entra onde lhe convém
Goza da força que tem
Sem ninguém a impedir
Para a morte destruir
Eu queria que houvesse alguém!

Tristeza desgosto e pranto
Produz a morte discreta
É como arma secreta
Que a todos tira o encanto
Mesmo Cristo com o seu manto
Também teve a mesma sorte
Com medo do mesmo golpe
Diz o juiz na tribuna
Nunca houve lei nenhuma
Que ordenasse morte à morte!

A morte tão liberal
Que gira por todo o mundo
Até no lugar mais fundo
Ela vai fazer o mal
Mata tudo em geral
E não respeita ninguém
Pelo destino que tem
Ela não se deixa ver
E não há nada a fazer
P’rá morte morrer também!

P.S.: Paz à sua alma!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

V ENCONTRO DE POETAS POPULARES NO CONCELHO DE AVIS

É já no próximo sábado, dia 10, que Alcórrego vai receber o V ENCONTRO DE POETAS POPULARES NO CONCELHO DE AVIS. Estes eventos são uma iniciativa da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural e conta este ano com uma parceria realizada com a Associação de Solidariedade de Reformados Pensionistas e Idosos de Alcórrego. Apoiam esta jornada poética, o Município de Avis e a Junta de Freguesia de Alcórrego.
Nesta festa da poesia irão estar presentes mais de duas dezenas e meia de poetas e poetisas vindos de lugares tão diversos como Évora, Alter do Chão, Campo Maior, Galveias, Castelo de Vide além de várias freguesias do nosso Concelho.
O evento terá lugar no Salão da Junta de Freguesia de Alcórrego, a partir das 14 horas, com entradas livres.
Estão criadas as condições para que, quem aprecia a poesia popular nas suas diversas modalidades (décimas, quadras, sextilhas…) possa ter aqui uma tarde de pura diversão.
Compareça. Defenda a cultura popular portuguesa! Venha descobrir porque é que o "ALCÓRREGO TEM MAGIA!"

terça-feira, 6 de setembro de 2011

AVIS TRIPLAMENTE EM ALTA

No passado sábado, dia 3, teve lugar em Montargil a distribuição de prémios dos Jogos Literários de Montargil 2011, que este ano tiveram como tema “A HONESTIDADE”. Avis esteve em alta nestes Jogos Literários já que foram três os Avisenses distinguidos. Assim, temos que MARIA ALBERTINA DORDIO, de Ervedal, foi distinguida com o 7º lugar na modalidade de Conto Curto. A FERNANDINO LOPES, de Avis, foi atribuído o 9º lugar igualmente em Conto Curto e a FERNANDO MÁXIMO, de Avis, foi atribuído o 6º prémio na modalidades de Conto Curto e ainda os 3º e 5º lugar na modalidade de Quadra. Este nosso amigo ganhou ainda o prémio de 1º do Alentejo nesta modalidade poética.
DO CASTELO teve acesso ás quadras premiadas do amigo Fernando Máximo e passa a divulgá-las:

3º Lugar:

Quando um aperto de mão
Tinha a força dum contrato,
Podia-se crer então
Até num simples gaiato…

5º lugar:

Nesta vil sociedade
O que mais me custa ver,
É falta de honestidade
Em quem mais devia ter

Para a posteridade, deixamos algumas fotos do evento cultural que contou com a presença do Grupo de Dança Impacto, de Seixal a que se juntaram alguns alunos das Escolas de Montargil, nomeadamente o jovem Ruben Montes que participou no programa televisivo “Uma canção para ti” que poderá recordar clicando aqui: http://www.youtube.com/watch?v=981NPS-dBPc


Foto 1: Maria Albertina Dordio


Foto 2: Fernandino Lopes


Foto 3: Fernando Máximo


Foto 4: O Grupo de dança


Foto 5: Ruben Montes

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CESTAS D EPOESIA (CLXXXV)

Na semana em que, aproveitando “o escuro de Agosto” semeei os meus coentros e salsa; na semana em que Ricardo Carvalho (ao que consta) dando numa de vedeta abandonou a Selecção Nacional de Futebol sem honra nem glória; na semana em que me apercebi que os blogues estão a perder terreno em relação a outras “brincadeiras” como sejam os Facebook ou outros quejandos (veja-se a miséria a que está a chegar “DO CASTELO”…) na semana em que começa mais uma Festa do Avante; na semana em que o Verão fez questão de se mostrar atípico como o fez várias vezes este ano, com chuvas fora de tempo, eis que chega mais uma Cesta de Poesia. Hoje JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, o nosso poeta de eleição, traz-nos umas décimas a partir de um trocadilho acerca da vida.
Eu gosto. E você?


Eu tudo da vida espero
Confiando na vida venho;
Não tenho aquilo que quero
Mas quero aquilo que tenho

A vida duma pessoa
Sendo uma carta selada,
Já a levo violada
Sem saber se é má ou boa!
Não porque a vivesse à toa
Pois fui sensato e austero;
Comecei a vida do zero
Sofri muitos trambolhões,
Mas, mantenho as ilusões
Eu tudo da vida espero.

A vida não nos dá tudo
Sem que nós colaboremos!
É conforme o que fazemos,
Certo disso, não me iludo;
Se eu aos outros acudo,
A eles eu não me atenho!
Muito na vida me empenho
Mas longe de ser hipócrita,
Se a vida é uma incógnita
Confiando na vida venho.

A vida, grande parece
A quem tem dificuldade
Porque na realidade
De comprimento carece;
Ela não se compadece
Quando o destino é severo,
Para mim, que sou sincero
Com todos “erres” e “esses”,
Se tenho algumas benesses
Não tenho aquilo que quero!

Por quanto já percebi
Ao longo do meu viver,
Não chego a compreender
Ou é que compreendi?
Eu ouso dizer aqui
Que senhor do meu engenho,
Se na vida me entretenho
Sem recorrer a magias,
Não invejo pedrarias
Mas quero aquilo que tenho.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CESTAS DE POESIA (CLXXXIV)

Numa semana em que César Prata se prepara para nos trazer na sexta-feira, dia 26, pelas 21,30h, no Complexo do Clube Náutico em Avis, as suas Cantigas de cordel; na semana em que se realizará, no próximo sábado, a tradicional Peregrinação a Nossa Senhora Mãe dos Homens; na semana em que o Futebol Clube do Porto se prepara para perder mais uma final da Supertaça Europeia em futebol; numa semana em que na quinta-feira a caixa de multibanco colocada na Junta de Freguesia de Aldeia Velha/Avis foi assaltada com recurso a um maçarico, tendo os assaltantes levado o dinheiro que aquela caixa guardava; na semana em que a GNR anunciou a recuperação de cerca de 1000 metros de fio de cobre roubados dum Pt da Portugal Telecom, em Avis, eis que chega mais uma Cesta de Poesia.
Só os jovens não têm saudades da mocidade. JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, não foge à regra. Eis como ele encara este “fenómeno tão”natural" mas tão difícil de aceitar:

É tão linda a mocidade
Mundo verde de ilusão;
Eu morro de saudade
Por esses tempos de então

Brilha o Sol nos corações
Da juventude tão bela!
Só que os pensamentos dela
São como frágeis balões!
Tudo rosas e botões
Na sua tenra idade,
Longe da realidade
Seu coração não tem lida,
Com tanta alegria e vida
É tão linda a mocidade!

Corpos cheios de genica
Olhos meigos de encantar,
Lábios prontos para beijar,
Quanto amor nisso se implica!
Não raro se sacrifica
O querer duma paixão,
Mas em muita ocasião
É um oásis perdido,
Um mundo apetecido
Mundo verde de ilusão.

É pena que o seu vigor
Que Deus lhe quis ofertar
Não venha frutificar
Em obras de mais valor;
Porque só fazer amor,
Desfrutar a liberdade
Sem ter responsabilidade,
Mais tarde são desenganos!
Mas por esses verdes anos
Eu morro de saudade.

No vigor da juventude
Nada se pensa direito;
Não se faz coisa de jeito
Por uma influência rude!
A gente nova se ilude
Sem ter quem lhe dê a mão,
Só depois repara então
Que o tempo passa p’la gente,
E vê como era dif’rente
Por esses tempos de então!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O PROFESSOR DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

Recebi da minha amiga Francisca Graça este mail que não resisto a partilhar convosco. Pena que não esteja assinado. mas para o caso pouco interessa:

Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal



Barreiro, 4 de Outubro de 1967 (Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.
Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear

Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.
Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia.
Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.

Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.

 Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar.
Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.
Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei. Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.
Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?
Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.

Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CESTAS DE POESIA (CLXXXIII)

Numa semana em que me apetece falar de futebol…vou falar de futebol. Numa semana em que o árbitro João Ferreira pediu escusa para arbitrar um jogo do Sporting Clube de Portugal (e se todos os árbitros se solidarizassem com este colega e pedissem igualmente escusa? Sereia a única maneira do Sporting ser Campeão, pois que nunca perderia…); na semana em que vi e ouvi uma coisa que não gostei na Casa do Benfica em Avis ( passo a explicar: a Casa do Benfica é o local onde os benfiquistas se juntam para em conjunto viverem as glórias e as derrotas do seu clube. Pode não se gostar do modo como o Benfica joga, pode até discordar-se do modo como o treinador Jorge Jesus gere o plantel dos encarnados, mas não se pode de modo nenhum é chegar ao ponto de se insultarem os jogadores com um rotundo “Filho da Puta” dito alto e bom som como ouvi esta semana na Casa do Benfica em Avis); numa semana em que a selecção nacional de futebol sub-21 está na final e com fortes hipóteses de se sagrar campeã mundial da modalidade (falta ultrapassar o Brasil, o que acontecerá - ou não - amanhã) eis que chega mais uma Cesta de Poesia.
Com a maestria que já nos habituou, JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, vai enchendo de perfume poético as sextas-feiras “DO CASTELO”.
Quem é que ainda não sentiu, ao menos uma vez, faltarem-lhe as forças? Eis aqui como tudo acontece, pela pena do nosso poeta convidado:

De um para outro momento
Perde o homem o seu vigor;
Falta-lhe a força, o alento
P’ra fazer seja o que for.

Será que o homem é valente
Cada vez que necessita
E sempre que solicita
As forças que ainda sente?
Não será suficiente
A força do seu talento!
Se não está a cem por cento
Há sempre o inesperado,
Fica impossibilitado
De um para outro momento.

Passam anos, passam dias
Quase não se vai notando
Que o corpo se vai vergando
E vai perdendo energias;
São menos as alegrias,
E menor o seu valor,
O prazer se vira em dor
Com o avançar da idade,
P’ra trás fica a mocidade
Perde o homem o seu vigor.

Já teve uma vida sã,
Já foi forte e destemido,
Se hoje não está deprimido
Nunca se sabe amanhã;
Se a esperança não é vã,
Se tudo vem de contento,
A falta de deprimento
São forças que ainda tem,
Mas p’ra chegar mais além
Falta-lhe a força, o alento.

Sempre que isso lhe acontece
Ao perder sua energia
Fica de dia p’ra dia
Mais lento do que parece;
Tenta esquecer mas não esquece
Não sente o mesmo calor,
Até mesmo no amor
Nada há que o conforme,
Desenvolve o esforço enorme
P’ra fazer seja o que for!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

FUI A SANTANA ( DE PORTEL)

Sábado. Dia 13 de Agosto de 2011.
Se gosta do Alentejo venha comigo. Se não quiser ou não possa vir, peça a alguém que lhe leia estas linhas e feche os olhos. Depois de ouvir, abra-os e veja se as fotos coincidem com a descrição que ouviu.
 Tomamos a estrada que de Évora nos conduz a Sul. Reguengos? S. Mansos? Monte de Trigo? Portel? Vidigueira? Beja? Ná! Nada disso. Cortamos à direita para a Torre de Coelheiros. Deixamo-nos perder a vista pelos campos sem fim e por uma estrada em recta que mais parece não ter final. Passamos por Torre de Coelheiros pela rama. Só de passagem, parece que as terras ainda são mais pequenas do que na realidade são. Mais uns quilómetros. Avançamos não sem antes travar para ver mais de perto uma bela novilhada “ desmamada e pronta para a cobrição” no dizer do meu colega de viagem. a paisagem é soberba para quem gosta do Alentejo. É o nosso caso.  À frente um toiro bravo mostra a sua altivez. Põe-se em pose. Fotogénico. Lá ficou e nós lá fomos. Proximidades de Oriola e da Barragem do Alvito. Aí cortamos à esquerda e depois á direita para Santana. De Portel. Santana de Portel. Ao chegarmos uma placa indica-nos Portel para a esquerda e a Junta de Freguesia e os Correios e o Cemitério para a direita. Desço. Não sei, talvez por causa do cemitério, vou para a esquerda. Sozinho. O meu companheiro de viagem foi trabalhar.
Ninguém sabe ou imagina sequer como me é agradável passear, sem tempo controlado pelo relógio, à descoberta destes pequenos povoados alentejanos. Pouco passa das cinco da tarde e o tempo está abafado. Custa a respirar. Pouca gente a mexer. Ainda é hora de sesta. Junto a um parque/café lá está a água, tão bem-vinda neste tempo de canícula. Mais à frente duas preciosidades: um lavadouro público com a indicação expressa de que “ Lavagem de mantas e cobertores só às terças e quartas feiras”. Um portento! Mais á frente uma enorme placa anunciando as saudades que deixaram as festas em honra de Santa Ana, realizadas em Julho de 2009…
A aldeia acaba ali para aquele lado. Mas há outro lado. Sempre tenho que ir em direcção ao cemitério. E vou. As ruas lá estão tipicamente alentejanas : casas térreas “debruadas” a amarelo, azul ou até verde…um mimo! Um ou outro idoso já se começa a aventurar a vir até algum banco à sombra. Não há jovens. Não se veem jovens. Cumprimento e pergunto para que lado é a Igreja. Indicam-me e sigo subindo a Rua da Estação. Chegado ao topo não vejo restos ou sinais de qualquer estação. Perscruto no horizonte e nada. Mas o nome está lá: Rua da Estação. Descubro a Igreja, imponente na sua traça. Está fechada e o relógio tem os ponteiros parados nas seis e trinta e cinco. Mas trabalha que o bater das seis datarde foi dado com grande sonoridade nos altifalantes colocados no cimo da ermida.
Por aqui, por Santana (de Portel) há quem deixe as suas impressões pessoais à porta: uma renda bonita numa porta antiga deixa antever umas mãos de fada (talvez também antigas); uma caixa de correio com a inscrição “BRIEFKASTEN”, deixa antever a existência de algum emigrante; uma bilha de barro lá bem no alto de um telhado, poderá ser sinal de promessa para que a água nunca falte neste Alentejo ressequido; uma placa não identificada cheira a que ali mora uma família cujo apelido está escondido com o rabo de fora…; uma caveira num quintal, poderá ser sinónimo de desesperança por parte de quem já muito lutou pela vida…e nã vê melhorias.
De novo a Rua da Estação. Ao fundo da subida. Dois idosos, meus colegas, tentam refrescar-se com uma leve brisa que começa a soprar. Saúdo.
- Boa tarde, amigos. Tá quentinho…
- Santas Tardes! Pois tá, mas ontem teve mais esbrasiado…hoje há um ventinho…
- Digam-me lá: esta é a Rua da Estação. Houve aqui alguma estação? …dos caminhos de ferro?
- Ná. Nã senhori. Aqui nunca houve acomboio..
- Mas tendo o nome de Rua da Estação…, insisto.
- Nã sê. Aqui desde que me conheço que chamam aqui a isto a estação e essa é a Rua da Estação. Vossemecê pergunta muito bem mas não sabe a quem, como se acostuma dizeri… diz o meu novo amigo, entre uma risada e uma cuspidela com restos de tabaco mastigado sem querer, sinal evidente dum cigarro mal feito.
-Boa tarde Zé. Então e o tu pai? Tá melhori?..
- Olhe lá está na horizontal…
- Tá melhori?
- Tá no Hospital de Beja. Tem uma pedra no rim e agora descobriram outra na bílis…se calhar era por isso que ele tinha aquelas avomitações…
Este, o filho do pai que está no Hospital de Beja, tem sotaque de emigra. Quem sabe será o dono da tal casa que tem a tal caixa de correio…
- Já hoje estive. Vim de lá há bocado. Fiz-lhe a barba que há lá um barbeiro mas eu que lha fiz…deixe-lhe um bigote…
O filho do pai que está no hospital de Beja afasta-se ao fim de algum tempo de conversa. . Um dos ficantes diz:
- Coitado” o pai deste também nasceu para sofrer…só para sofrer..
Responde o outro ficante:
- É assim, há quem passe uma vida e parece que tudo lhe core bem, outros…
E o primeiro ficante que falara, volta-se para mim e dispara à queima-roupa, como se receasse a presença deste intruso em terras de Santana:
- Vossemecê anda a tirar fotografias, é para alguma reportagem?
Expliquei-lhe o que tinha a explicar e disse-lhe que era de Avis, perguntando de imediato se ele, ficante, conhecia Avis.
- Conheci, sim senhor. Andei lá a trabalhar nuns fornos de carvão…
- No tempo da Cooperativa?, tento adivinhar…
- Nã senhori. Muito antes do 25 de Abril…
Agora que a conversa prometia, eis que chega o meu companheiro e minha boleia nesta investida por terras de Portel, por terras de Santana.
Quem sabe um dia não hei-de voltar…nem que seja para rever aos locais que deram lugar às fotos que abaixo vos deixo...



Foto 1: " Deixamo-nos perder a vista pelos campos sem fim ..."
Foto 2: "... uma bela novilhada “ desmamada e pronta para a cobrição”...

Foto 3: "À frente um toiro bravo mostra a sua altivez."


Foto 4: " Junto a um parque/café lá está a água,..."

Foto 5: "  Lavagem de mantas e cobertores só às terças e quartas feiras”.
Foto 6: " uma enorme placa anunciando as saudades que deixaram as festas em honra de Santa Ana..."


Foto7: " As ruas lá estão tipicamente alentejanas ..."
Foto 8: " Descubro a Igreja, imponente na sua traça."

Foto 9: "   uma renda bonita numa porta antiga ..."

Foto 10: "...uma caixa de correio com a inscrição “BRIEFKASTEN”,..."

Foto 11: "...uma bilha de barro lá bem no alto de um telhado..."

Foto 12: " uma família cujo apelido está escondido com o rabo de fora..."
Foto 13: "   uma caveira num quintal, poderá ser sinónimo de desesperança ..."