domingo, 20 de fevereiro de 2011

ONTEM, NOS COVÕES, HOUVE "MONTEIROS" E "POSTORES"

Foto Nº 1:  Os parabéns às senhoras cozinheiras


Foto Nº 2 :Hora do sorteio

Foto Nº 3: ...os trabalhos do costume e os “trabalhadores” do costume...

Foto Nº4:  O monteiro ensaia como irá matar o primeiro javali que se lhe atravessar à frente.

Foto 5: "...nestas coisas aparecem autênticos ases da faca..."

Foto Nº6: "...mais pareciam três soldados resgatados de uma qualquer operação militar ..."

Foto Nº7:"...Só não tinham ainda ar de gaseados…"


Foto Nº8: Há gente assim: nunca “desestem"!



Acordo dumas seis horas mal dormidas, às seis horas da manhã. Corro à janela para ver como está o tempo. Nublado. Mas não chove. Levanto-me, faço a minha higiene pessoal, passo os dedos por entre os cabelos e maldigo o facto de ter tantos cabelos brancos.
-Velho, estou velho. Só cabelos brancos!
Reconsidero e consolo-me:
- Bom, vale mais serem brancos do que estar careca.
Tomo o pequeno-almoço. Duas torradas com manteiga e mel. Foi o meu amigo Joaquim Pifano que me disse para comer mel. E eu como.
Vou à praça. É cedo. A D. Cesaltina vende-me um molho de agrião, outro de espinafres, mais um de grelos e um de coentros. São 6,10€. Não tem troco de 20. Nem de 10. Vou à padaria. Compro três bocados de boleima, duas broas de manteiga. Arrajo troco, pago à D. cesaltina e regresso a casa.
São já quase oito horas da manhã. Estou atrasado. Apanho as botas de borracha, fato de água e guarda-chuva. Despeço-me da mulher e da miúda e vou, apressado, a caminho dos Covões. Faço-me à estrada.
Hoje há montaria. Já por lá há alguns caçadores, melhor alguns “monteiros”. Na cozinha a azáfama do costume. Fazem-se fatias de ovos, e frita-se toucinho, baixinho. Bem frito.
Olho para o céu com medo que comece a chover. Um, amigo com aspecto de ser perito em meteorologia, tranquiliza-me:
- Não chove. O vento está dali, não chove, dizia enquanto estendia o braço em determinada direcção.
Cá fora os trabalhos do costume e os “trabalhadores” do costume: O Zé Ferreira a coordenar os trabalhos, o Domingos a receber o dinheiro das inscrições e outro tipo a preencher papéis que iriam servir par o sorteio das portas. Os postorers estão por ali também. Atentos. Do outro lado, no Bar, o Luís e o Carmo não têm mãos a medir. Um gajo pede dois cafés, quer pagar com uma nota de 5€ e logo o Carmo o avisa que não há troco e que mais tarde receberá o troco. Não sei se o recebeu ou não. Mas bebeu o café.
O tempo passa. A esta hora já chove e a bom chover. Das duas, uma: ou o tal amigo com aspecto de meteorologista, de meteorologista não tinha nada, ou então o vento já tinha mudado. As inscrições começam a bom ritmo. Carta de caçador para um lado, dinheiro para outro.
Um, saca de 40€ para pagar e logo o Domingos o corrige:
- Bota!Bota! Compõe: são 60€
- 50€ já ele era caro…
- Compõe que a ti também não te custa a ganhar…
O outro compôs. A pouco e pouco todos compuseram. Vieram os gajos que tinham as portas das matilhas, mais os atrasados. Tudo se compôs.
Pequeno-almoço. Já sabemos mas eu repito: fatias com ovos, toucinho baixinho frito, pão, vinho, Coca-Cola, sumos. Ah! E uns bolinhos redondinhos. Doces. Bons.
Hora do sorteio. A chuva viera com autorização para ficar. E ficou. A chamada é feita por ordem de inscrição e cada um tira o seu folheto que além de ter o número da porta e a zona, tem ainda farta informação sobre medidas de segurança não só durante a batida, como nos acessos às portas e regresso às carrinhas. Bem feito.
O Domingos ajuda:
- Vai com o Carlos! Tu com o Simões! Tocou-lhe o Sr. Marques! Tu com o Ferreira! Tu com o Luís! Você vai com o João! É este aqui. Olhe bem para a cara dele! Bela porta, pá! Essa fica virada para a mancha…
Quem ouve, naquela confusão, nem percebe que todas as portas ficam viradas para a mancha e acha que até já começou a ter sorte.
Hora da partida. Nem por isso a chuva tem dó.
- A primeira brigada a partir é a do Marques. Podem juntar os carros ali à frente, grita o Zé Ferreira.
Eu, bem, eu vou com o Carlos. Este avisa:
- Podem levar qualquer carro que vai-se no alcatrão até ao ponto de saída. E podemos ir já!
E vamos. Trezentos metros á frente o Carlos pára. Falta um gajo ao seu grupo. Telefonemas e mais telefonemas. Onde andará o gajo?
- Se calhar o tipo fez como uns fizeram há bocado. Meteram-se na minha carrinha mesmo depois de lhes ter dito se tinha avisado o seu postor. Quando lhes perguntei de que zonas eram nenhum era da minha e lá saíram. Aqueles o que queriam era andar de carrinha…diz o monteiro da porta 7A
- Ó pá, vamos mas é embora que já está tudo a passar por nós. Se o gajo se perdeu, não se perdesse. Ele há-de lá ir ter.
E foi assim mesmo que aconteceu. Chegou um pouco mais tarde mas ainda muito a tempo de apanhar com toda aquela maldita chuva que caiu.
Chegamos à porta por vota das 11h40m. O meu companheiro, sabido nestas andanças das batidas sentenciou:
- Não vamos começar antes da uma da tarde.
A chuva, essa já começara há muito. Choveu todo o santo dia de caça. Debaixo do guarda-chuva o barulho da água é ensurdecedor quando se quer ouvir o que soa lá fora. Nada, não soa nada. À uma e meia da tarde, finalmente ouvem-se os cães a latir, lá muito longe. Começara a largada dos cães. Agora era só esperar. O pessoal da zona A está expectante. Às 13,50h ouve-se o primeiro tiro. Um só. Sinal de que o bicho ficou. Se não tinha levado outro balázio…
O tempo passa lento na zona A. O monteiro ensaia como irá matar o primeiro javali que se lhe atravessar à frente. O Carlos foi lá para a frente com os diversos monteiros sendo que por cada porta que passava ia “perdendo” um companheiro. Os batedores com os búzios e os cães, esses começam a soar mais perto e depois afastam-se de novo. De javalis, nem sinal. Nem muitos nem poucos. Nada!
Na porta sete da zona A, comentava-se, melhor desejava-se:
- Eles agora foram para cima pelo lado de lá e depois quando regressarem para as carrinhas vêm por este lado e de certeza que aqui tiram uns porcos. Se o tempo estivesse bom, isso já havia por aí porcos por todo o lado. Assim só sai algum se os cães forem dar mesmo com eles...
Pura ilusão. Os matilheiros não bateram convenientemente a mancha. Pelo menos a zona A. Esta zona não foi batida. Depois da montaria, na Sede, ouvi comentários de quem se queixava de que noutras zonas se tinha passado o mesmo. Perante o desespero de quem tinha “composto” 60€ e não tinha dado nem um tiro lá regressámos à carrinha, às 15,30h. O desespero não era pelo facto de não se ter dado tiros ou matado, mas pelo facto de haver a convicção de que se a batida tivesse sido mais bem orientada em termos de batedores, sendo as matilhas mais abrangentes na área da mancha, teria aparecido muito mais caça.
- Vá lá que ainda vimos dois patos bravos e um tordo…consolo o meu desconsolado companheiro
E com esta consolação chegámos à Sede onde uma reconfortante sopinha e uma “Jardineira” nos fizeram sentir bem mais reconfortados. Os parabéns às senhoras cozinheiras. O vinho bebia-se, e os sumos e a Cola não sei, porque não os provei. As azeitonas estavam salgadas. As maçãs eram boas e as tangeras também.
Cá fora e depois de termos enchido a “mula”, enquanto eu e o meu companheiro esperávamos o regresso do postor que traria os outros nossos dois companheiros, iam-se esfolando uns porcos. E nestas coisas aparecem autênticos ases da faca. Em cima do rebordo do poço, afia-se a faca e esfolam-se os bichos. Outro é esventrado no chão. Ao lado alguém cochicha:
- Estes gajos, há tantos anos que já aqui estão, bem já podiam ter aqui construído duas ou três mesas com tampos em cimento para esfolar a bicharada…
Começa a entardecer e finalmente chega o postor que era suposto trazer os amigos em falta. Traz caça morta mas não traz os nossos amigos. Faltavam-nos dois. regressou sem eles, mas não teve culpa nenhuma: alguém o informou que se poderia vir embora pois que para traz não havia já ninguém. Mas afinal havia. E não eram só dois mas sim três.  Voltou para trás.
Chegaram por volta das 18,30h. Foram recebidos como heróis e, perdoem-me a comparação, mas mais pareciam três soldados resgatados de uma qualquer operação militar do exército português nas ex-colónias ultramarinas. Só não tinham ainda ar de gaseados…
Comeram, beberam e voltaram as suas casas muito contentes por regressarem bem e por terem vindo. Não contaram com a sua pontaria para as seis peças de caça abatidas hoje, mas prometeram voltar.
Há gente assim : nunca “desestem"!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CESTAS DE POESIA (CLIX)

No dia em que o Primeiro-Ministro de Portugal “deu início” a mais uma barragem para produção de energia eléctrica, esquecendo-se que a nossa Barragem do Maranhão, já construída, não a produz; no dia em que o Grupo Jerónimo Martins afiança que vai aumentar os salários a todos os seus trabalhadores; no dia em que o Banco de Portugal diz que Portugal está cada vez mais próximo da recessão; no dia em que o Tribunal Constitucional diz que Cavaco Silva venceu com 2 209 227 votos, mas o Ministério da Justiça refere 2 231 603 como se estas fossem as primeiras eleições em democracia; na véspera de mais uma batida aos javalis na Associação de Caçadores dos Covões, duas coisas acontecem em Avis:

1 – Estão a realizar-se em Avis, em segredo, pela calada da noite e à porta (portão?) fechada (o?) reuniões de mulheres com vista a um ataque cerrado aos compadres que se comemoram no próximo dia 23, quarta-feira. A azáfama tem sido muito intensa e segundo “DO CASTELO” conseguiu ouvir da boca de uma das mais activas intervenientes neste processo, ontem mesmo terá havido uma das tais reuniões clandestinas, em segredo, pela calada da noite e de portão fechado.
COMPADRES”! Ponhamo-nos a pau! As comadres vão atacar na próxima quarta-feira. Para que a vingança seja terrível, não se esqueçam, todos os compadres interessados, de passarem pela barbearia do Mestre Orlando para, de acordo com o aviso que lá se encontra colocado, se inscreverem para chocalharmos as comadres no próximo dia 2 de Março. ELAS MERECEM!!!!!

2 – Chegam as “CESTAS DE POESIA”.
Aproveitando ainda o ar amoroso que permanece do dia dos namorados, deixamos hoje à vossa apreciação estas décimas de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, o nosso convidado activo.

Quando o amor se alimenta
Da seiva do coração,
Vai muito além dos oitenta,
Não tem aposentação!

O amor quando aparece
Não se pode repelir
Porque ele sabe insistir
Junto de quem o merece;
Não se olvida, não se esquece
Nem o coração comenta,
Quem o amor aguenta
Bem sabe a cada momento
Que não há retraimento
Quando o amor se alimenta.

O amor é delicado,
Às intrigas insensível,
Mas é sempre imprevisível
Ao sentir-se ameaçado;
Sabe ser bem comportado
Conforme a ocasião,
Responde a uma traição
Com sua sinceridade,
Vai vivendo em amizade,
Da seiva do coração.

O amor é um bichinho
Que rói a alma da gente,
Não se cansa, vai em frente
Não retrocede o caminho;
Anda a par com o carinho
A amizade sustenta,
Tudo suporta e aguenta
Quando tem qualidade,
Não tem limite de idade
Vai muito além dos oitenta.

O amor quando se entende
É mais puro e mais gostoso
E no amor dum idoso
Toda a doçura se estende;
Não se compra nem se vende
Como artigo de leilão,
Não é dó nem compaixão
É um sentimento vivo
Que está sempre no activo
Não tem aposentação!

5 de Maio de 2008

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"AMOR E AMIZADE" NO CENTRO DE CONVÍVIO E APOIO SOCIAL ENGº JOÃO ANTUNES TROPA, EM BENAVILA

Foto 1 : "...poesia dita ou ouvida por cerca de trinta utentes do Centro de Convívio e Apoio Social Engº João Antunes Tropa..."

Foto 2 : "...o romântico José Coutinho Calhau, ofereceu rosas..."

Foto 3 : "...a Dr.ª Paula que foi rabiscar coisas de um seu diário já quase esquecido..."

Foto 4: "...o cante a despique entre a Francisca Moedas e o José Coutinho..."

O amor e a amizade foram os temas escolhidos pela Dra. Paula Rasquete para serem analisados em poesia dita ou ouvida por cerca de trinta utentes do Centro de Convívio e Apoio Social Engº João Antunes Tropa, em, Benavila, aproveitando a proximidade do celebrado dia dos namorados. É um regalo ouvir quadras dos tempos em que a Net não existia e que em cartas mal escritas, por pouca instrução dos seus escrevedores, se “desenhavam” com amor: Da minha janela à tua/Vai o salto de uma cobra/Quem me dera chamar já/ À tua mãe minha sogra.

O amor esteve sempre presente e foi delicioso ver como o romântico José Coutinho Calhau, ofereceu rosas, acompanhadas de uma canção dedicada a sua esposa. E aqueloutro que com medo de se emocionar não quis ler e pediu que lhe lesseM umas quadras que fez e que retratavam a sua vida de pequeno em que tivera falta de amor; ou aquela idosa de oitenta e dois anos que sempre faz questão de salientar que em nova fez teatro, foi actriz e que dá pelo nome de Felizarda garcia. E porque não referir a Dr.ª Paula que foi rabiscar coisas de um seu diário já quase esquecido? E porque não referir o cante a despique entre a Francisca Moedas e o José Coutinho?

Para todos que intervieram neste interessante evento, “DO CASTELO” endereça os parabéns “embrulhados” num grande abraço de amizade.

Até á próxima  com muiito amor...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A CONVERSAR É QUE A GENTE SE ENTENDE...

Há dias, antes de terem chegado (ou voltado) estes dias chatos, cinzentões e fartos de água, fui dar uma voltita pela nossa terra. Não longe da minha casa vi um senhor junto de um Oleão e bendisse mentalmente o facto de aqueles receptáculos existirem.
 Fui-me aproximando – por ficar em caminho e não por cusquice – e reparei que o referido senhor entornava o óleo para dentro do Óleão, vertendo-o de dentro de uns depósitos de plástico em que o transportava, indo depois, e muito bem, deitar os referidos depósitos no contentor do plástico. Ciente que qualquer coisa não me estava a soar bem naquela operação de transbordo, aproximei-me e, assim como quem não quer a coisa, cumprimentei-o e li de soslaio o que está escrito na tampa do Óleão. Então, já consciente disse-lhe apontando para a inscrição:
Ó amigo! Olhe que eles dizem aqui para deixar cá os óleos mas acondicionados dentro de garrafas e não a granel…
- Áh!, é? Não sabia…respondeu-me ao mesmo tempo que me fazia um movimento de encolhimento de ombros.
Mais para manter conversação do que por outra razão qualquer, até porque tinha toda a manhã para passear, disse-lhe:
- Isto foi uma coisa boa que eles inventaram. Até aqui, a gente nem sabia para onde deitar os óleos usados…
Respondeu-me o meu interlocutor:
- Lá isso é verdade… o meu rapaz costuma mudar sempre o óleo do carro na garagem e agora já lá tinha uma porrada de embalagens com óleo velho…
Tremi de dúvidas, outra vez. Antes de dizer qualquer coisa, deitei de novo o olho para a tampa do Óleão e lá estavam escarrapachadas as palavras “óleos alimentares”…de novo sem dúvidas e com muitas certezas corrigi-o:
- Mas olhe que diz aqui que isto é só para os óleos alimentares. São aqueles óleos que por exemplo serviram para fritar batatas e agora já não prestam…
- Ah sim? Não sabia. Deixe, agora também já lá não tenho mais óleo do carro…
E cada um seguiu o seu caminho…

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

19ª JORNADA

OLHANENSE 2 – SPORTING 2
(Primeira volta 0-0)


Casa onde não há pão
Todos ralham sem razão,
Temos o caldo entornado!
Paulo Sérgio afirmou
Que desta vez não ganhou
Por “ver” o campo inclinado…


BENFICA 3 – GUIMARÃES 0
(Primeira volta 2-1)


Analisando a estatística
Dou vinte em nota artística
E o Benfica não pressiona?
Em abono da verdade
Eis a pura realidade:
Este Benfica... IMPRESSIONA!!!!!!!!


BRAGA 0 – PORTO 2
(Primeira volta 3-2)

Com defesas a marcar
O Porto insiste em ganhar
Em cada jornada que passa;
E eu vou estando convencido
Que mesmo que seja vencido
Já ninguém o ultrapassa…

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"PONTOS DE VISTA" FOTOGRAFIAS DE RICARDO CALHAU EM EXPOSIÇÃO

 PUBLICIDADE NÃO ENGANOSA


Nunca o provérbio popular de que “Filho de peixe sabe nadar” se aplicou tão bem como neste caso. RICARDO CALHAU é filho de António Calhau, conhecido amante da arte da fotografia e diversas vezes premiado em concursos. Pois bem, o filho, RICARDO, seguiu as pegadas do pai e aos inúmeros prémios que já ganhou, juntou-lhe uma exposição que depois de ter passado por terras como Portalegre, Évora, Beja e Ervedal, se encontra patente ao público no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, até dia 6 de Março e que pode ser visitada todos os dias úteis no horário das 9,30h/12,30h e das 14h/17,30h, bem como nos serões em que haja cinema.

Distribuídas por diversos painéis, a exposição é composta por 26 fotos a preto e branco de uma qualidade superior.

“DO CASTELO” recomenda uma visita à espectacular exposição deste jovem fotógrafo Benavilense.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLVIII)

No dia em que após 18 dias de protestos, com centenas de milhares de egípcios nas ruas, o presidente Hosni Mubarak abandonou o poder; na semana em que Costinha com carradas de razão acabou por falar quando deveria ter ficado calado; no dia em que a maldita antena da Rua Infante D. Henrique já cá mora outra vez, acontece a Cesta de Poesia.
Porque não temos razão para mudar de poeta, deliciemo-nos com mais um trabalho de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO que lá por Santo António das Areias vai compondo os seus lindos trabalhos poéticos em Décimas, que como já aqui referimos, são uma das mais difíceis modalidades poéticas.
Hoje fala-nos da sua vida nos seguintes termos:

Sou filho de gente pobre
Não tenho onde cair morto;
Por mais que reme e manobre
Sou um navio sem porto!

Da sorte desprotegido,
Da fortuna desprezado,
Sou um triste abandonado
E sempre assim tenho sido!
Vivo num mundo perdido
Onde a miséria me cobre,
Não tenho nada que sobre,
Não faço mais que poupar,
Ninguém me pode ajudar
Sou filho de gente pobre.

Sou um escravo na vida
Porque a vida me escraviza;
Se mostra sempre indecisa
E não se dá decidida;
É tristonha e mal vivida,
Desprovida de conforto,
Labutar é meu desporto,
Foi sina que Deus me deu,
Não tenho nada de meu,
Não tenho onde cair morto.

Passo a vida a trabalhar
Para dar aos filhos pão,
Não tenho outra solução
Que o trabalho abraçar;
Terei de continuar
Porque sei que não sou nobre,
Só a pobreza me encobre
Mesmo a trabalhar no duro,
Não tenho porto seguro
Por mais que reme e manobre.

Mas ainda tenho esp’rança
De viver melhor um dia,
De sentir mais alegria,
Na vida ter confiança;
Se que tem Fé sempre alcança
E o meu caminho é tão torto,
Em meu pensamento absorto
À espera que venha o Bem,
Mas enquanto este não vem
Sou um navio sem porto

9 de Julho de 2010

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CHEGOU A ÁGUIA Nº 37

ÁGUIA Nº 37 - tema de capa : AZEITE

Chegou hoje, à hora do Café com Letras. Os sócios que a ele assistiram já a puderam levar para casa. Amanhã já chegará à grande maioria dos sócios residentes em Avis. Aos outros chegará para a semana, via CTT.

Procure arranjar uma (vendem-se, por exemplo, no Posto de Turismo de Avis) e saiba qual a diferença da “dita” para a Marta Alexandre e para o Manuel Machadinha; saiba quem tinha uma oliveira no Monte dos Covões ou quem arrancou 3 000 pés de vinha para plantar olival; saiba quem se lembra das “tibornas”; teste os seus conhecimentos de “galego” lendo o texto assinado pela galega Asun Estevez (com direito a foto e tudo) e saiba muitas outras coisas neste número 37 da Folha informativa Águia da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.

Compre antes que esgote.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

AMANHÃ HÁ CAFÉ COM LETRAS


Amanhã, dia 10 de Fevereiro, às 18 horas e na Sede da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural terá lugar mais uma tertúlia de Café com Letras.

Vai-se falar de fotografia e a convidada é MARIA VITÓRIA CARRILHO que durante tantos e tantos anos nos tirou o"retrato". Daí o sugestivo título para esta sessão : "MEMÓRIA FOTOGRÁFICA".

As entradas são livres e há sempre um cafézinho ou um chá com bolos para amenizar a conversa.

Vamos lá?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SETUBAL 0 - BENFICA 2 ( EM IMAGENS )

O MUITO ANTES:

Foto 1 - Um lauto repasto
Foto 2 - "Os bilhetes já cá cantam", diz o mais velho do grupo

O  ANTES:
Foto 3 - Pernas para que vos quero...

O IMEDIATAMENTE ANTES:

Foto 4 -  Todos amigos
Foto 5 - Vamos a isto!

DURANTE A 1ª PARTE

Foto Nº 6 -  Refrescando os ânimos...
Foto Nº 7 - Mais uma tentativa de ataque dos "Encarnados"
Foto Nº8 - Com jogo a "descair" momentaneamente para o lado esquerdo
Foto Nº 9 - Foi golo do BENFICA!

AO INTERVALO

Foto Nº 10 - Jesus "segura" Luisão...
Foto Nº 11 - Uma factura de jantar difícil de digerir...
Foto Nº 12 - A chegada dos "reforços de Inverno"...

2º PARTE

Foto Nº 13 - Rapaziada : vamos ver do segundo golo!
Foto Nº 14 - Uma das três ambulâncias que tiveram que socorrer adeptos sadinos...

Foto Nº 15 - "Porrada" mesmo à minha beira...(até a fotografia abana!)
Foto Nº16 - O preciso momento em que ROBERTO nega o empate ao Vitória de Setúbal
Foto Nº 17 - O golo invalidado

Foto Nº 17 - A caminho do segundo...

O DEPOIS

Foto Nº 18 - Um descanso no regresso ao carro...
Foto Nº 19 - No final apenas o Encarnado brilhou...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

18ª JORNADA

SPORTING 3 – NAVAL 3
(1ª volta: 1-3)

Foi a conta que Deus fez:
Marcaram três … paparam três
E assim muito de mansinho
Vaiaram o treinador
Abafando a sua dor
No adeus ao Levezinho…

PORTO 1 – RIO AVE 0
(Primeira volta : 0-2)

A equipa dos tripeiros
Lá continuam primeiros
Depois de muito sofrer;
Vai perdendo o seu fulgor
E esta equipa inferior
Vai acabar por perder

SETUBAL 0 – BENFICA 2
(Primeira volta : 3-0)

Na terra do “carrapau”
Foi um jogo nada mau
Que ali se desenrolou;
Puxando dos seus galões
Como veros campeões
O Benfica bem ganhou!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

CESTAS DE POESIA (CLVII)

Passadas que são pouco mais de quarenta e oito horas sobre o jogo em que a “Águia” deu duas saborosas picadas no “Dragão”; numa semana em que Hosni Mubarak teima em não abandonar o país e o poder; no dia em que se perfazem cinquenta anos sobre o início da horrrivel gerra do Ultramar; no dia em que o Levezinho salvou pela última vez o Sporting de mais uma derrota neste campeonato, eis que a Cesta de Poesia Nº 157 chega até nós.
Hoje JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, vem falar-nos de uma estranha maneira de viver em liberdade. Eis pois:

Maneira livre de viver a vida


Sou maltês de pau e manta
Não tenho ordens a cumprir;
Quando é que o sol se levanta
Fico na cama a dormir!


Vivo a vida independente
Sem preconceitos nem peias,
Se algumas tive, quebrei-as,
Vivo feliz e contente;
Dou-me bem com toda a gente,
Uma regra que me encanta,
Nem sei quando o galo canta,
Sou livre do meu pensar,
Não tenho contas a dar,
Sou maltês de pau e manta!


Sei que sou pobre, é verdade,
Não tenho qualquer riqueza;
Sou filho da Natureza
Mas gozo de Liberdade;
Pode não ter qualidade
A vida não me sorrir,
Mas a sina vou cumprir
Com o mau ou bom que tem,
Não sou servo de ninguém,
Não tenho ordens a cumprir.


Vou vivendo como posso
Não quero o que não é meu,
Só quero o que Deus me deu,
Se algo me comer, eu coço;
O que é amargo eu adoço
Quando o humor se agiganta,
Sinto tanta força, tanta,
Por ver que ninguém me chama,
Dou uma volta na cama
Quando é que o sol se levanta!


Eu faço o indispensável
Pr’à minha sobrevivência
Com alguma inteligência
Sem conduta reprovável;
Num ambiente agradável
Não me assusta o sol subir,
Sem pensar no que há-de vir
Com calma e serenidade,
Num mar de tranquilidade
Fico na cama a dormir!

RODRIGO LEÃO, ANTES DAS CESTAS DE POESIA

 RODRIGO LEÃO, que já tem uma costela Avisense (digo eu) dará amanhã um Concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a partir das 21h30m.
Porque Rodrigo Leão é mesmo muito bom, deixo-vos este rebuçadinho e até já!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

JÁ LÁ NÃO ESTÁ!

Foto - ...o Renault 5 que “acampou” por vários meses na Praça Serpa Pinto...já “zarpou"...

Como se pode observar na foto acima, obtida há três horas atrás, o Renault 5 que “acampou” por vários meses na Praça Serpa Pinto, ocupando permanentemente um lugar naquele reduzido parque de estacionamento, já “zarpou”, permitindo assim que o espaço por si ocupado possa agora ser partilhado por outros.

Receamos no entanto, que tenha deixado descendência, já que um pouco mais acima, num parque próximo, se encontra outro carro  há alguns dias, sinistrado e…com um pneu furado.

Vamos ver…

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

COISAS DO ASSOCIATIVISMO

Foto 1 - ...o campo...passou a ser um local onde...a erva cresce...
Foto 2 - ...o campo...passou a ser um local onde... os bancos de suplentes apodrecem...
Foto 3 - ...o campo...passou a ser um local onde... as balizas permanecem abandonadas...
Foto 4 -o campo...passou a ser um local onde... as torres de iluminação nos fazem lembrar que só ali foi investido um “balúrdio”
Foto 5 -o campo...passou a ser um local onde ... teimosamente, o símbolo do clube vai resistindo às intempéries mas cada vez mais debotado

O jornal aponte, dobrado sobre a secretária lembra-me: “Dirigentes de “Os Avisenses” assumem dívida de 52 mil euros”.

Torno a pegar no jornal e torno a ler a reportagem. Tal como da primeira vez, fico com a sensação que existem por ali meias verdades a que obviamente correspondem outras tantas meias mentiras. Uma coisa parece ser certa: a dívida existe e alguém está a pagar por isso. O Associativismo também tem disto. Estar no Associativismo requer uma entrega tal que por vezes nos leva a tomar atitudes menos ponderadas, no pressuposto da defesa da associação que representamos e de que tudo irá correr bem. No entanto, acontece amiudadas vezes que não é bem assim e depois surgem as consequências, demasiado gravosas, como aconteceu a estes dirigentes de um clube que chegou a ser um embaixador da nossa vila por esse Portugal fora e motivo de orgulho de todos os Avisenses. Hoje, por certo que apenas aqueles que estão “entalados” com a dívida se lembram diariamente dele.

Estar no Associativismo também cansa. Tenho dois amigos que me dizem que de associativismo, de “andar a trabalhar para os outros, já chega!”. Um deles esteve dez anos dedicado à causa cultural em Avis e outro esteve penso que ligado ao Desporto em casa Branca, lá para os lados de Sousel. Ao que me consta não lhe aconteceu nada parecido com esta situação de “Os Avisenses”.

Recordo, com saudade, os vários jogos que fui ver ao Estádio Municipal de Avis. Nem sempre se juntava muita gente mas era interessante ver não só os jogos em si como assistir aos comentários dos treinadores de bancada, aos “insultos” que eram dirigidos aos árbitros por certas mulheres da nossa terra, sempre “assanhadas” na defesa das nossas cores; aos despiques mais acalorados com equipas geograficamente mais perto de nós; às dificuldades que certos árbitros por vezes tinham em abandonar o campo em segurança. Lembro o “Chino” primeiro com um balde e um pincel a marcar o campo e mais tarde já com um carrinho. Em tempo de chuva tinha que ser remarcado ao intervalo. A venda de bilhetes. Recordo muita coisa.

Tenho umas fotos de uns jogos aqui realizados mas não sei onde as tenho arquivadas. Nessa altura ainda não havia (pelo menos para mim) o digital e por isso sei que as tenho mas não sei onde. Se as achar ainda aqui as reproduzirei.

Levado por essa “nostalgia” ontem mesmo fui ver como estava o Campo Municipal de Avis. Senti tristeza; o campo, por abandonado, passou a ser um local onde quando em vez alguém vai fazer uns peões com o carro, onde a erva cresce, os bancos de suplentes apodrecem, as balizas permanecem abandonadas, as torres de iluminação nos fazem lembrar que só ali foi investido um “balúrdio” e, teimosamente, o símbolo do clube vai resistindo às intempéries mas cada vez mais debotado.

Coisas do Associativismo…

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLVI)

Tenho tanto frio, mas tanto frio – devo estar a “chocar” alguma constipação - que hoje deixo-vos apenas com as décimas de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, sem fazer aquelas considerações habituais aos factos mais relevantes do dia.
Leiam e apreciem: o que é

O pensamento

Levo os dias a pensar
No quanto tenho penado;
Se o pensamento falhar
Foi um pensamento errado!

Eu penso constantemente
Com insistência e rigor
Na fraqueza e no vigor,
No passado e no presente,
Se o coração for carente,
Pedir para o ajudar,
Eu penso logo em lhe dar
Aquilo que me pedir
Mas como o irei conseguir
Levo os dias a pensar.

Será apenas bom senso
Este meu procedimento,
Insistir no cumprimento
De tudo aquilo que penso;
Com alegria compenso
Um pensamento gorado,
E não fico obcecado
Por pensar a toda a hora
Naquilo que penso agora
No quanto tenho pensado.

A pensar no que pensei
Eu gasto o meu pensamento
Pensando a cada momento
Que pensamento terei;
O que é que então farei
Se penso que vou errar,
Nada terei a ganhar
E compreenderei então
Que é apenas ilusão
Se o pensamento falhar.

Um dia pensei que tinha
Minha vida orientada
Então não pensei mais nada
Do que ao pensamento me vinha;
Só desilusões continha
Um dia mal inspirado,
Como um sonho dourado
Pensei que rico seria,
Mas o pensar desse dia
Foi um pensamento errado.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AMANHÃ, QUINTA-FEIRA, HÁ CAFÉ COM LETRAS

Realiza-se amanhã, quinta-feira, a segunda sessão do presente ano do Café com Letras, tertúlia que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural promove pelo sexto ano consecutivo. Para nos falar “DO LAGAR TRADICIONAL À PRODUÇÃO CONTÍNUA” estará o especialista na matéria, FRANCISCO ANTÓNIO CORREIA, que virá de Figueira e Barros.

Com início aprazado para as 18 horas na Sede da ACA, espera-se que esta sessão tenha o mesmo impacto que teve a primeira, realizada há quinze dias, em que quarenta pessoas se reuniram para ouvir e falar sobre o “AZEITE” numa conversa conduzida pelo Engenheiro MACHADINHA.

As entradas são livres e abertas a toda a população.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

NA PRAÇA SERPA PINTO, EM AVIS

Foto1 : A Praça Serpa Pinto está actualmente restringida a oito lugares de estacionamento

Foto 2 : A viatura matrícula JL-84-81 encontra-se ali abandonada há vários meses...

Como sabemos a Praça Serpa Pinto, com as últimas alterações efectuadas, restringiu o estacionamento automóvel a oito lugares que devido a esse reduzido número se encontra quase permanentemente lotado. Nos dias úteis preferencialmente por pessoal dos serviços camarários e até aos Sábados e Domingos se encontra totalmente preenchido como o demonstra a foto 1, obtida este Domingo de eleições. Não raras vezes se vêem até carros estacionados em cima dos passeios dada a exiguidade dos lugares marcados.

No entanto, há vários meses que ali permanece um carro abandonado, da Marca Renault, modelo 5 GTL, matrícula JL-84-81, como se pode verificar na foto 2.

Aquele carro, que até já tem um pneu furado, ocupa em permanência um lugar que poderia ser ocupado por várias pessoas que dele necessitassem temporariamente.

Não sabemos por quanto mais tempo aquele carro ali permanecerá, por isso daqui lançamos um alerta não sabemos a quem (ao Sr. Vereador da Câmara responsável pelo trânsito local? Ao Sr. Comandante da GNR de Avis? Ao dono da viatura em causa?) no sentido de que aquele lugar seja libertado de modo a poder ser usufruído por mais que um automobilista.

Fica o alerta.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

17ª JORNADA

BEIRA-MAR 0F. C. PORTO 1
(1ªvolta: 3-0)

Metendo os rivais no saco
Villas Boas joga à Cavaco:
Com medo da reviravolta
Vai a jogo confiante
E este “miúdo” brilhante
Ganha à primeira volta…

BENFICA 4NACIONAL 2
(1ª volta: 2-1)

Se bateu no Luís Alberto
O Jesus é pouco esperto
E não sou eu que o gabo:
Pois com essa atitude
É um Jesus sem virtude
É um Jesus …do Diabo!

MARITIMO 0SPORTING 3
(1ª volta: 1-0)

O Betencurt a sair
E o Patrício a ressair;
O Zapater a marcar
E o Paulo Sérgio a crer;
O grupo a corresponder
E o árbitro a ajudar…

EXPLIQUEM-ME LÁ, POR FAVOR

Benfiquista confuso pergunta: mas haveria necessidade disto?