Na semana em que amanhã, Sábado, a partir das 10 horas da manhã, no Auditório Municipal Ary dos Santos em Avis, a Rádio Portalegre promove, com entradas livres, um encontro de poetas populares para festejar o 10º aniversário do seu programa “A Voz do Sôr” da responsabilidade de Américo Duarte; na semana em que morreu mais uma pessoa da minha geração (mais ano, menos ano), a Drª Maria José Nogueira Pinto, verificando assim que a “malvada” cada vez se encontra também mais perto de mim; na semana em que um “cérebro” mal iluminado, que dá pelo nome de Moody’s declarou a economia de Portugal de “lixo”; na semana em que vai ser “galardoada” com uma placa a árvore mais velha de Portugal, uma oliveira com dois mil oitocentos e cinquenta anos, situada em Santa Maria de Azóia, chega mais uma cesta de poesia. Conhecedor da terra que pisa, JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, de Marvão, dedicou um poema ao rio que nasce na Serra de S. Mamede: o Sever.
Leiam com atenção e sigam, em pensamento, o leito deste rio.
Na serra de S. Mamede
Entre estevas e rosmaninho
Nasce e logo se despede
Um pequeno regatinho
Quase no cimo da serra
Poucos metros mais abaixo,
Nasce um pequeno riacho
Que muita beleza encerra;
Vem das entranhas da terra
Por entre o mato se perde,
Um caudal que se não mede
Mas que tem o seu valor,
Descendo pelo pendor
Na serra de S. Mamede.
Não distante da nascente,
No sítio da Apartadura,
Se armazena a água apura
Na barragem imponente;
Já cheia, vai ela em frente
Descobrindo o seu caminho,
Torneando com carinho,
O que p’la frente apareceu,
Esquecendo que nasceu
Entre esteva e rosmaninho.
Até servir de fronteira
Teve do Povo o carinho;
Depois, se virou sozinho
Correndo à sua maneira;
Por entre rochas se esgueira,
Por entre rochas se esgueira,
Que o facilitem não pede,
Avança, não retrocede,
Não esbate o seu valor.
Como o fumo ou o vapor
Nasce e logo se despede.
Um vale fertilizou
Movendo azenhas, regando,
Pouco a pouco o foi deixando
E outra paisagem tomou;
Pelas rochas se coçou,
Pulou como um cavalinho,
As águas em torvelinho
É já um rio a valer,
No Tejo deixa de ser
Um pequeno regatinho!
0/06/1996