terça-feira, 10 de maio de 2011

PARECE QUE ANDA TUDO ENVINAGRADO...

Parece que anda tudo cada vez mais chateado nesta vida. Fui dar a minha voltinha costumeira pela vila e ouvi, quase em tempo recorde, uma série de queixumes. Querem ver? (ler, ouvir…)

1 – Parece impossível! Pediram-nos para tirarmos as antenas das nossas televisões para dar outro aspecto a esta vila e agora há oito dias que não temos televisão queixou-se um meu amigo
- Mas eu tenho, retorqui…
- Você tem porque tem antena exterior, se fosse por cabo estava bem lixado, como eu. Você já viu o que é a minha sogra, coitadinha, estar este tempo todo sem ver as novelas? Com a idade que ela já tem, nunca mais apanha o fio à meada…
- É pá, é assim, aquilo depressa se apanha a história outra vez…às vezes pouco adianta…
- Isso diz você, que tem televisão…
Perante o ar “ouriçado” do meu interlocutor e com medo que a conversa azedasse, fui-me embora tratar de mais um recado daqueles que os reformados são mestres em fazer: meter o Euromilhões…

2 – …É sabido que quanto mais à rasca uma pessoa anda, mais tenta dar a volta à situação, por vezes gastando ainda mais do que devia e ficando mais empobrecido com a ganância de ganhar. O novo sorteio do euromilhões, agora também à terça-feira, aparece com uma miragem. Como uma nova oportunidade, uma nova tábua salvadora para os nossos problemas económicos.
Chegado ao local de registo em Avis, dei com o nariz na porta. Uma indicação informava que, por ser terça-feira, abriria ao público só da parte da tarde e acho que lá por volta das 16 horas. Um sujeito que já estava á porta quando eu cheguei, interroga-me, como se eu fosse o responsável por aquele horário:
- Então hoje há um sorteio novo do Euromilhões e isto abre á mesma só à tarde?
- Olhe, de acordo com o que ali está escrito, é isso. Temos que cá vir mais logo…
- Pois é, mas é que eu vim do Ervedal, aqui de propósito para registar o euromilhões. Se cá venho outra vez, … “vai-te ganho que me dás perda…” Não chega nunca me sair nada senão gastar mais em gasolina…Isto assim está mal feito…
Eu é que não lhe podia fazer nada nem tinha culpa nenhuma das coisas estarem neste pé. Encolhi-lhe os ombros e rumei em direcção à Sede do Agrupamento Vertical de Escolas de Avis onde tinha outro recado para fazer.

3 – As árvores do Jardim junto à Escola de Avis cresceram – curiosamente algumas são sobreiros - e convidam, dado o calor que hoje já se faz sentir, a um descanso nos bancos que o alindam. E lá estava sentado um habitual “habitante” daquele espaço. Após conversa fútil, disse-me, assim quase à queima-roupa:
- Isto é uma vergonha. Já viu aqui o quiosque? Está fechado já há bastante tempo. No entanto os letreiros virados para fora dizem que há sandes, e outras coisas de comer com indicação dos próprios preços. Há dias perguntou-me um “camone” a que horas é que aquilo abria. Vi-me e desejei-me para lhe responder mas lá lhe disse que estava fechado e ele foi-se embora. Diga-me lá, não acha que aquilo está ali mal?
- Quer dizer, é assim…
- Pois claro que está mal, homem! Não tenha medo em dizê-lo…não se esteja a encolher de dizer as verdades...
Desgostou-me o modo como aquele cidadão me quis impor uma opinião, sem deixar sequer que eu expressasse a minha.
Agarrei em mim, fui fazer o que tinha que fazer na Escola, voltei e meti-me em casa.
Por mor das coisas, hoje já daqui não saio…sabendo no entanto que corro o risco de não chegar a saber se as Televisões por Cabo já trabalham em Avis, se a casa do Euromilhões já tem novo horário e até se o Quisque do Jardim já abriu... com nova gerência...
É preferível assim...digo eu.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLXVIII )

Na semana em que José Sócrates, esse democrata exemplar, fez ajoelhar a seus pés os homens fortes e duros do FMI que não tiveram mais remédio do que aprovar o PEC IV como nos explicou pelo chamado discurso do “não” (não o viram e ouviram na TV a dizer que as pensões abaixo de 1500 euros não vão ser diminuídas – tal como previa o PEC IV-, que não há mexida no 13º mês nem no subsídio de férias – tal como previa o PEC IV – que não haverá privatização da CGD – tal como previa o PEC IV); na semana em que me chego a convencer que este engenheiro é capaz de ir longe; na semana em que Eduardo Catroga, outro cérebro da nossa praça política, vem dizer que só concordaram com o FMI porque o fizeram amochar às suas exigências (se não fosse já tão velho, tenho impressão de que este também iria longe….); na semana em Paulo Portas já vai dando uns beijinhos às peixeiras e não só, em busca de votos; na semana em que mais logo, daqui sensivelmente a uma hora, o Presidente da República vai falar aos Portugueses, (mas que eu nem estou disposto a esperar que ele fale para depois publicar estas Cestas de Poesia) – o discurso também já é conhecido…-; na semana em que continuo sem perceber como é com políticos deste jaez o nosso país chegou ao que chegou; na semana em reitero a minha falta de confiança nos políticos portugueses – atenção: estes e os outros todos - ; na semana em que uma avisense teve que rumar a Macau para poder ganhar a vida honradamente – beijinhos Fátinha e tudo de bom para si -; na semana em que amanhã, sábado, se vai realizar por cá mais um baile promovido pelo “Grupo de Baile de Avis” – o nome é invenção minha -; na semana em que o Benfica disse adeus a mais uma taça, contrariamente às promessas do seu treinador, de nome Jesus – e a verdade é que já nem em Jesus podemos acreditar… - ; na semana em que já se fazem notar os efeitos “benéficos” do herbicida nas ervas que enxameavam a nossa vila; na semana em que chegou até nós mais um exemplar da Folha Informativa Águia dos Amigos de Avis, eis que chega também mais uma Cesta de Poesia.
Também é por falta de campos cultivados que Portugal se encontra na situação económica difícil em que se encontra. JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, observador atento, passou os seus pensamentos para o papel e daí resultou esta pequenina pérola poética, ainda e sempre, em Décimas:

Se as silvas dessem madeira
As giestas nos dessem pão,
Todo o mundo à nossa beira
Nos dava consolação

Estando o campo esquecido,
Ninguém trabalhando a terra,
O país assim se enterra
O terreno embravecido;
Com o seu valor perdido
Como está desta maneira,
Eu sinto que o fim se abeira
Só, mais dia menos dia,
Que rico o país seria
Se as silvas dessem madeira!

Se é que o terreno inculto
Algo de bom produzisse,
Mas ninguém há que já visse
Assim, dar coisa de vulto;
Eu lhe dava o meu indulto,
Estendia a minha mão,
Se visse brotar o grão,
E os tojos fossem sustento,
As estevas alimento,
As giestas nos dessem pão!

Eu qu’ria ver os terrenos
Como eram vistos outrora:
Todos limpos hora a hora
Até mesmo os mais pequenos;
Dando colheitas e fenos
Com mais ou menos canseira;
O trigo aparecer na eira
Plantas daninhas desfeitas,
E ver a dar-nos colheitas
Todo o mundo à nossa beira.

Era bom ver ressurgir
A terra dar-nos sustento,
Poder a qualquer momento
A terra nos acudir;
Era bom poder sentir
O milagre, a salvação,
Quão grato seria então
Ver que a mãe Natureza
Ao socorrer a pobreza
Nos dava consolação

07.09.2009

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AMANHÃ HÁ CAFÉ COM LETRAS

Amanhã, quinta-feira, na Sede da ACA vai haver mais uma sessão de Café com Letras. O tema promete: MEZINHAS CASEIRAS. Quem é que nunca fez um chá de casca de cebola para apaziguar uma tosse insuportável? Quem não ouviu falar que antigamente se engoliam bolinhas de manteiga com açúcar para afastar as dores de garganta? E quem é que nunca ouviu falar que antigamente se punha um papel pardo embebido em azeite sobre o peito e a garganta para tratar os resfriados? E umas rodelas de batatas sobre as frontes para afastar as dores de cabeça?
Pois bem, o convidado de amanhã do Café com Letras é JOSÉ VIZINHA um estudioso de plantas que nos proporcionam óptimos chás para curas de diversas maleitas.
Apareça por lá ás 18 horas, participe que depois ainda vai muito a horas de assistir ao jogo do Benfica.
Quem sabe não virá de lá com algumas dicas para fazer um chazinho contra algumas más disposições futebolísticas…

terça-feira, 3 de maio de 2011

IX JOGOS FLORAIS DE AVIS - NOVO SUCESSO DA ACA

Os IX Jogos Florais de Avis, uma iniciativa da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural, saldaram-se por um enorme êxito, a fazer fé nas informações que "DO CASTELO" conseguiu apurar. De destacar que foram apresentados a concurso 677 trabalhos de 250 concorrentes, sendo de destacar a participação de 47 concorrentes do Brasil2 da Suiça. Concorreram pela primeira vez a estes Jogos Florais, 106 pessoas, o que deixa antever um futuro de sucesso para este evento. Foram 86 as localidades portuguesas, abrangentes de todo o território nacional, onde residem participantes a estes Jogos Florais além das localidades brasileiras e suiças.
Os IX Jogos Florais de Avis tiveram este ano, para lá dos habiituais patrocínios da Junta de Freguesia de Avis e do Municipio de Avis, a "ajuda" do Herdade da Cortesia Hotel que oferece a um dos participantes, uma noite para duas pessoas no seu hotel.
Conforme previa o Reulamento, ontem, dia 2, foram tornadas públicas as classificações que o júri atribuiu.
Se tiver curiosidade em saber quais foram essas classificações, consulte o site da ACA em www.aca.com.sapo.pt  procure em concursos/resultados e depois em IX jogos Florais de Avis  2011 - resultados.
Parabéns à ACA!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

COMO O FMI CHEGOU A MINHA CASA

A temperatura baixou significativamente nos últimos dias. A chuva, aborrecida, teima em estragar esta Páscoa que vai passando. Já amanhã é segunda -feira…
Mas retrocedamos um pouco. Cheguemos ao sábado passado, ontem portanto. Como não tenho condições financeiras para abandonar a nossa vila e ir a caminho dos Algarves ou outros quejandos, quedei-me por cá, pelas Terras do Mestre com vistas largas para o Maranhão. Mas por ser Sábado de Aleluia, resolvi fazer um repasto melhorado para o jantar. Ao fim e ao cabo é Páscoa. Ao fim e ao cabo joga o Benfica.
Sopa de hortaliças variadas, pão fatiado do Cano, queijo da Monforqueijo, borrego assado no forno e costeletas do mesmo animal grelhadas no carvão, pudim Flan que faz parte do meu imaginário, duas gelatinas, e uns camarões de Moçambique (supõe-se) grelhados. Vinho. Uma garrafa D. Cosme, que mão amiga me ofereceu pelo Natal. Sim que a minha bolsa não chega para comprar estas extravagâncias. Café da Delta Cafés, uísque e uma boa aguardente velha de que muito gosto e de nome Antíqua. Ao fim e ao cabo sempre me sairia mais barato do que ir jantar fora e quiçá com menos qualidade. Os dotes culinários da minha mulher já os conheço bem e por isso quando me sentei na mesa senti-me um “lorde” que estivesse convidado para a boda do príncipe Williams…
Na mesa uma linda toalha de linho que fora da avó da minha mulher, talheres de prata, oferta que tivera no meu casamento, pratos de sopa, segundo e doce. Guardanapos de papel especial para a época. Nada, pensava eu, poderia estragar este belo jantar de sábado de Aleluia. Nem mesmo um mau resultado do Benfica. Abanquei pois com vontade de dar ao dente.

….////….

Batem à porta. Um bater suave, como se quem o estivesse a fazer desejasse tudo menos que não lhe abrissem a porta. Por estar do lado de fora da mesa, fui eu que me levantei e fui abrir a porta. Deparei-me com um homem alto, de óculos escuros, fato completo com gravata, cabelo grisalho penteado para trás. Embora me parecesse ser conhecido, não queria acreditar. Perante mim, à minha porta e a querer entrar, estava precisamente Poul Thomsen, o homem forte do FMI em Portugal.
Cumprimentei-o, num aperto de mão franco como só os Alentejanos sabem fazer quando cumprimentam desconhecidos.
- Faça favor de entrar. Maria: põe aí mais uns pratos que temos visitas….gritei para a minha esposa
E que visitas!...
Por causa da chuva a que já me referi, e porque a minha mulher é muito “comichosa” com o sujar do chão, à minha porta temos dois tapetes para limpar os sapatos/botas. Poul, olhou para o chão e depois para mim, de sobrolho carregado,disse-me:
- Não acha um desperdício dois tapetes? Um não faria o mesmo serviço? O quê? Ainda mais um aqui dentro? Como é que vocês, não hão-de estar como estão? Três tapetes, quando só têm dois pés? Desperdício de dinheiro é o que eu começo já a ver…
Encolhi-me, e dirigi-me à sala de jantar enquanto Mr. Poul me seguia. A mesa já tinha sido reforçada com mais uns pratos e talheres completos. A cadeira da visita também já estava colocada em sítio estratégico, bem virado para a Televisão, para que nada faltasse a tão distinto quanto inesperado hóspede.
Antes de se sentar, Mr. Poul deu um relance pelas paredes da casa, depois “sobrevoou” a mesa e tudo quanto nela estava, de cima dos seus quase dois metros de altura. Sentou-se e quase gritou:
- O quê? De braseira eléctrica ligada, em Abril? Mas que desperdício é este? Mas que povo é este? Meus amigos, vocês ainda não ouviram falar em crise? Desculpe, desligue imediatamente a braseira e se for caso disso, enrolem uns trapos aos pés e às pernas. Gastar electricidade por causa do frio isso é que nunca…
Comecei a sentir um certo desconforto. Então a gente está na nossa casa e vem um gajo qualquer de fora administrar o que é nosso? Vem lançar postas de pescada para o nosso lar?
- Portugueses gastadores. Este queijo é de onde?
- É de Monforte Mr.Poul…
- De Monforte? Então não há queijo aqui de mais perto e mais barato? Não se deve comprar nada que diste mais que um concelho do nosso. Se não tem queijo fabricado em Avis podem comprar no Cano que há lá muito…
- Pois Mr. Poul nós tínhamos a Fábrica do Leite que fazia queijos mas já não temos, fechou…
- Fechou, está fechada. Que quer fazer? Ir atrás dela? Já sabe, comprar só no concelho…ou no mais próximo possível.
Cada vez mais acabrunhado, tentei meter uma cunha em minha defesa:
- Pois, olhe…o vinho é cá do Concelho. É da Fundação Abreu Callado, de Benavila…
- D. Cosme? Mas você tem uma família com ministros ou quê? D. Cosme? Mas isso é um vinho caríssimo. Como pode você ter dinheiro para fazer face á crise a beber D. Cosme?
- Sabe, Mr. Poul, uma pessoa amiga deu-me essa garrafa pelo Natal…
- Corrupto! Você é mais um dos corruptos que enxameiam este Portugal. Esse seu amigo deu-lhe a garrafa a troco de quê? De que favores? O que é que lhe facilitou?
Senti-me tremer por dentro e por fora. Uma baga de suor frio desceu-me da testa. Mas tive medo de reagir. Calei-me mais uma vez, como fizera em tantas vezes da minha vida em que deveria ter falado, ter dado um murro na mesa, ter dito basta! Aquele era o novo dono de Portugal…
- Espere aí…estarei a ver bem? Então vocês têm três pratos na mesa para cada um? E dois tipos de doces? Mas que desperdício é este? Não podem comer a sopa, o segundo e o doce no mesmo prato? Já viram a quantidade de detergente que vão gastar para lavar tanta loiça? Mesmo que seja Fary! A crise “exige” que se coma só num prato. E não esquecer, a partir de agora não há doces para ninguém. Bebam água que é mais barata e ao fim e ao cabo faz o mesmo efeito.
- Mas nós costumamos…
- Costumamos, não. Costumavam! A partir de agora é só um prato. E que isto fique bem entendido porque agora quem manda sou eu. Não se esqueçam que sou o Presidente do FMI em Portugal e eu é que manado aqui! E para que isto fique bem claro, esses talheres de prata que vocês aí têm, vou levá-los e entregar ao Sr Sócrates para ele poder permutar aquando das negociações com o Fundo. Percebido?
- Sim Senhor Poul…quere que eu mude de canal, quer ver a CNN?
- Não! Quero é que desligue a Televisão. E de todo, não quero ver o sinal encarnado ligado que está sempre a gastar energia. Era o que faltava estar-se a jantar e a ver televisão. Outra coisa que tem de acabar, é estas bebidas caras.
Uísques e Antíguas? É isto que levou Portugal para onde está. Viver acima das posses é no que dá sempre! Eu nem acredito, então uns pelintras como vocês dão-se ao luxo de comer camarão de Moçambique? Que seja a última vez. Minhocas, minhocas é que vocês devem passar a comer. Entenderam?
Nisto a minha mulher tenta pôr água na fervura:
- Olhe senhor… hoje também temos uma mesa mais farta porque já vivemos o espírito do 25 de Abril que é já na segunda feira…daí o borreguinho em dose dupla…
- Qual 25 de Abril qual quê? Por causa do 25 de Abril é que vocês estão neste estado. Mal governados. Mal governados e desorientados é que os Portugueses são.
A minha Maria, defensora acérrima do 25 de Abril e todas as suas conquistas, começou a mudar de côr. O bem disfarçado buço, começou a crescer, vi os olhos a querem sair das órbitas, vi como as unhas se transformavam em garras afiadíssimas, vi ali mesmo num ápice transformar-se numa espécie de Gigante Adamastor e vi como ela, feita monstro, se lançou, qual abutre sedento de sangue e vingança, sobre o pescoço do Sr. FMI. Este jazia agora no chão, prostrado, morto e bem morto.
Apressado, agarrei na garrafa de vinho D. Cosme e corri para o escritório do advogado mais famoso da terra, no sentido de lhe oferecer aquela garrafa do melhor vinho da Fundação Abreu Callado. Iria tentar comprá-lo, corrompe-lo, em troca duma defesa acérrima da inocência da minha mulher.
Não cheguei a saber como as coisas acabaram, porque no preciso momento em coloquei o dedo em cima da campainha da porta do Dr. Defesas, o que ouvi não foi a campainha a tocar mas foi o despertador do meu quarto que resolveu cumprir a sua missão: despertar-me. Estava suado.

Sinceramente não sei onde é que a gente vai arranjar sonhos destes…mas que existem, existem até em noites de Domingo de Páscoa


sexta-feira, 29 de abril de 2011

CESTAS DE POESIA (CLXVII)

No dia em que a nova princesa beijou o príncipe por duas vezes, em público, quebrando o protocolo e mesmo assim este não se transformou em sapo (só Deus e eu sabe o quanto isso foi importante para mim, para a minha família e até para os elementos do FMI que estão em Portugal…); na véspera desse dia memorável que vai ser o do almoço de Sportinguistas no Clube Náutico (só eu sei porque fico em casa…); em vésperas de mais uma actuação no Auditório Municipal Ary dos Santos, com apresentação em estreia de nova peça de teatro pelo GRUPO FAZIGUAL (que "DO CASTELO" recomenda vivamente) ; numa altura em que já há  pessoal “formado” e devidamente habilitado na área da liquidação herbácea nas nossas ruas, por via líquida, pois aí está mais uma dose de Cestas de Poesia.

JOSÉ DA SILVA MÁXIMO nutre um carinho muito especial pela sua terra Natal, pelo seu concelho. Daí ter feito estas décimas dedicadas à "sua" Marvão.

É lindo à noite, Marvão,
Quando está iluminado!
Ao longe chama a atenção,
Ao Céu parece ligado!

As luzes a cintilar,
Como adoro à noite, vê-las!
Se são luzes ou estrelas
Quase custa a destrinçar!
Não deixo de apreciar
Se é que tenho ocasião,
Alegra-me o coração
Esse espectáculo tão belo,
Iluminando o Castelo
É lindo à noite, Marvão!

Marvão é ditoso encanto,
Preciosa maravilha!
Beleza que se partilha
E que se adora tanto!
Até de Inverno o seu manto
De nuvens, todo tapado,
O nevoeiro cerrado
Dá um não sei quê proibido,
Com o Céu é confundido
Quando está iluminado.

Quem se vem aproximando
De Marvão, em noite calma,
Algo lhe invade a alma
E que o vai fascinando!
Aos poucos vai reparando
Que esta vila é excepção,
E assim, do pé p’rá mão
‘inda não vê as casinhas
Já vai contando as luzinhas
Ao longe chama atenção.

Sentinela da Nação
Foi durante muitos anos
Cobiça dos Castelhanos
Naqueles tempos de então;
Resistindo qual dragão
Nunca se deu derrotado,
Marvão tão bem situado,
Suas casas tão seguras,
As luzes lá nas alturas
Ao Céu parece ligado

15.09.2009














sexta-feira, 22 de abril de 2011

CESTAS DE POESIA ( CLXVII )

Nesta sexta-feira e numa altura em que se ultimam os preparativos para mais um Rally-paper da Casa do Glorioso, perdão, da Casa do Benfica em Avis; numa altura em que se tenta arranjar meia dúzia de Sportinguistas para “encherem” o hangar do Clube Náutico para, num lauto almoço, comemorarem não se sabe bem o quê ( será o 4º lugar no Campeonato?....); numa altura em que o FMI vai traçando o caminho para nos lixar um pouco mais; numa altura em que vivemos uma Páscoa super-molhada, lá chega mais uma Cesta de Poesia.

Páscoa, molhada ou não, é tempo de Borreguinhos no forno, borreguinhos assados, borreguinhos fritos, borreguinhos grelhados. E quem trata dos nossos borreguinhos? Isso mesmo: o pastor. Pois bem JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, poeta de Santo António das Areias, traz-nos hoje uma poesia dedicada precisamente aos pastores e à sua vida.

Vamos a isto:

A VIDA SOLITÁRIA DO PASTOR

Não conhece os feriados
Tão pouco um fim-de-semana;
Conhece os cheiros dos gados
Tão certo que não se engana!

Ao romper da madrugada,
Ao alvor da nobre aurora,
Salta da cama p’ra fora
Cama à qual chama malhada!
Já deixa preparada
Com os lençóis desdobrados
Porque a vida e seus cuidados
No seu dever se empolga,
Não tem um dia de folga
Não conhece os feriados!

Solta o gado do curral
Com todo o empenhamento,
É seu entretenimento
Sua profissão real;
Profissão nobre, afinal
De que um bom pastor se ufana
Com seu rebanho se irmana
Meses, anos sem parar,
Não sabe o que é descansar
Tão pouco um fim-de-semana.

Do leite faz a ordenha
Para o queijo saboroso,
Precisa de ser jeitoso
P’ra que o leite à mão lhe venha!
A sua perícia empenha
Em seus dedos amestrados,
Do jogo conhece os dados
E sabe da sua arte,
É mestre em qualquer parte
Conhece os cheiros dos gados.

Quando nasce um cordeirinho
Que ainda não sabe andar,
Ele lhe vai dispensar
Muito cuidado e carinho;
Como se fosse um filhinho
Que ainda está na cabana,
Com quanta vontade e gana
O leva à mãe p’ra mamar,
Sem receio de o trocar
Tão certo que não se engana.

17 de Março de 2009

quarta-feira, 20 de abril de 2011

AMANHÃ HÁ CAFÉ COM LETRAS E HOJE HOUVE SORTEIO...

Amanhã é dia de Café com Letras. Mais um. O Nº 101! Como convidado vai estar entre nós um Açoriano residente no Parque Natural de S. Mamede e que por isso mesmo se chama de “Alençoriano”, ou seja o produto de uma mistura entre Açores e Alentejo. DANIEL CASADO é o seu nome.

Irá falar-nos de turismo e das suas experiências desde as Furnas até á Serra de S. Mamede (Portalegre). Apaixonado pela fotografia, certamente que irá ilustrar as suas ideias com belas imagens captadas por este país fora.

A não perder, amanhã a partir das 18 horas na Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.

Última hora: realizou-se há pouco mais de uma hora, em cerimónia pública na Sede, a extracção do boletim premiado com um cabaz de Páscoa, levado a efeito pela Associação Humanitária de Apoio aos Diabéticos do Concelho de Avis. O feliz premiado foi o Sr. José Miguel, do Pego (Abrantes).

Na foto abaixo reproduz-se o preciso momento em que a D. Maria Nobre Farinha procedia á extracção do  talão premiado, perante a presença da Sra Enfermeira Nídia, Presidente da Associação bem como do Sr. Carmo, Vice-Presidente da referida Associação de Diabéticos de Avis.

Foto: Maria Nobre Farinha procede à extracção do talão premiado

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CONVERSAS DE CAFÉ

Não sou muito dado a andar em cafés. Acho que a vida pode e deve ser repartida por actividades que exijam mais movimento, mais acção. Daí que quando há dias entrei num café da nossa vila quase me tivessem feito uma festa. Por lá, os rostos do costume.
- É pá, finalmente apareceste, pensava que já tinhas morrido. Senta-te aqui ao pé de nós, disse o Manel, enquanto me ajeitava uma cadeira para eu me sentar.
- O que é que queres beber? Uma cervejola ou uma "survia", como dizem em Bena?
- Não, quero antes um descafeinado… disse e sentei-me.
Sem mais demoras, o João dispara quase á queima-roupa:
- Então o que me dizes á novidade que corre aí pela vila?
Desconhecedor de qualquer “novidade” digna de nota, mostrei o meu desconhecimento em matéria de novidades sonantes, e como normalmente as conversas de café andam quase sempre pelos mesmos temas, atirei quase a querer adivinhar:
-…temos “putices”, Maria Alice…
- Estás enganado pá! A gente a coisas dessas já nem liga…Então ainda não ouviste dizer que se está a preparar uma “invasão” à nossa vila, de ciganos, vindos lá dos lados de Almada…
Porque efectivamente não sabia nada, fiquei até um pouco perplexo e lá disse:
- Não, por acaso não tinha ouvido dizer nada. Mas olha que não me parece que seja assim. E para que é que nós haveríamos de querer mais ciganos no nosso concelho? Só se fosse para que a estação dos Correios não fechasse, dado o grande movimento que lhe dão no dia de receberem os subsídios…
- Brinca, brinca…disse o João, enquanto o Manel retomou a palavra:
- Tu não acreditas mas olha que a coisa parece que é à séria. Disseram-me que até já tinham pedido a inscrição dos gaiatos cá na Escola e que não tinham já aceite a inscrição para que acabem o ano lá em Almada e depois comecem de novo no próximo ano lectivo, já aqui em Avis...
- Não me levem a mal, mas continuo a não acreditar. Se fosse gente produtiva, gente que quisesse investir com trabalho no nosso concelho acreditava, agora assim…deixarem vir para cá ainda mais ciganos dos que já cá há….ponho as minhas reservas…
- Ainda te digo mais: parece que o Tonho é o responsável pela comunidade cigana de Avis na Escola, e ele já disse que se vierem para cá os “outros” que já não quer mais ser responsável por eles…concluiu agora o João, enquanto “emborcava” mais uma mini.
 - É assim. Se vocês o dizem e porque não há fogo sem fumo, se calhar alguma coisa se passa. As notícias não caem assim do céu…No entanto eu continuo a creditar no bom senso dos nossos dirigentes locais. Não me parece que recebam assim de mão beijada comunidades que os outros não querem.
Depois de beber o tal descafeinado e porque já me sentia ali a mais, despedi-me e saí enquanto o “venenoso” do Manel me disse em ares de despedimento:
- È verdade, então ainda és do Benfica?
Encolhi os ombros, respondi-lhe: “Que hei-de fazer? Não há melhor” e saí caminhando a cismar no que ouvira. Por certo aquilo não era mais que uma das muitas conversas de café. Percorridos alguns metros pela Rua Machado dos Santos acima, cruzo-me com a Maria que me diz:
- Então você já sabe da grande novidade?
- Não me diga que me vem falar dos ciganos que vêm de Almada?
- Não, por acaso era dos que vêm do Crato…
Retrocedi caminho e fui meter-me em casa, não sem antes ter reparado como as ervas e as folhas secas das laranjeiras continuam a amontoar-se nas nossas ruas, prenúncio talvez de falta de umas boas vassouradas e de umas boas regas...
Prevê-se chuva para esta semana.
Oxalá!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

CESTAS D EPOESIA (CLXVI)

Numa semana em que “DO CASTELO” entrou numa letargia acentuada ( vá lá saber-se porquê) para desespero dos seus leitores; numa semana em que Clara Guerra inaugurou uma exposição de pintura na Fundação Pais Teles, em Ervedal, que convido vivamente a que vá visitar; numa semana em que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, vai realizar no próximo Domingo o seu “5º Passeio Pedestre - Pelas Margens do Maranhão”; numa semana em que no próximo dia 17 se vai realizar em Avis, a tradicional Procissão do Senhor dos Passos; numa semana em que três equipais Portuguesas se qualificaram para as meias-finais de uma competição europeia; numa semana em que consta que vão ser necessárias mais de duas mesas das pequenas para albergar os Sportinguistas Avisenses que no dia 30 de Abril se vão reunir em almoço de confraternização e de carpir de mágoas no Clube Náutico em Avis, eis que chega mais uma Cesta de Poesia.

E como não há duas sem três, o poeta JOSE DA SILVA MÁXIMO, de Santo António das Areias mas com grandes e fortes raízes em Avis, brinda-nos com mais uma poesia dedicada à cama. Ora vamos lá ler o que temos hoje:

A CAMA

A cama onde dormimos
Mais pobre ou mais opulenta
Quando forças não sentimos
É ela que nos aguenta!

Em casa ou maternidade
É na cama que nascemos,
É onde primeiro vemos
O dia, luz, claridade;
Depois mesmo c’oa idade
Ao descanso não fugimos;
Jamais nós prescindimos
Nem podemos dispensar,
Um lugar p’ra descansar:
A cama onde dormimos.

Os indigentes sem pão
Fazem a cama na rua
Mesmo assim chamam-lhe sua
Umas caixas e cartão!
A cama estendem no chão
Mesmo que haja tormenta,
Se o corpo se não aguenta
E o seu descanso reclama,
É necessário uma cama
Mais pobre ou mais opulenta.

Quando o corpo está deitado
Assim na horizontal,
Há um relaxe total
Sem que este seja obrigado;
Se é por estar fatigado
O descanso a Deus pedimos,
Mas se doentes caímos
E a saúde for perdida,
Logo a cama nos convida
Quando forças não sentimos.

É na cama que morremos
Quando a morte é natural;
No Lar ou no Hospital
À cama nos acolhemos;
É ma cama que nós vemos
Como a “negra” se apresenta;
Ali a morte se enfrenta
Sem forças p’ra resistir,
Se não podemos fugir,
É ela que nos aguenta!

Agosto de 2002

segunda-feira, 11 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

26ª JORNADA

SPORTING 2 – ACADÉMICA 1

(Primeira volta 1-2)

O Djaló lá resolveu
Mas o leão não convenceu.
Por ser mui ruim de bola,
Senão aprendem a jogar
Arriscam, se bem calhar,
Que o Godinho lhe dê na tola…


PORTIMONENSE 2 – PORTO 3

(Primeira volta 2 -0)

Este Porto campeão
Jogando assim de rompão
Com vontade de vencer,
Tem um sonho que alimenta
Numa vontade sedenta
De terminar sem perder

NAVAL 2 – BENFICA -1

(Primeira volta 4 -0)

Quem é que jogou mais mal,
O Benfica ou a Naval?
Se a Naval é que ganhou
É muito fácil de ver
Que o Benfica ao perder
Foi ele que mais se afundou…

sexta-feira, 8 de abril de 2011

CESTAS D EPOESIA (CLXV )

Na semana em que o 1º Ministro mais teimoso de Portugal dos últimos 100 anos (pelo menos…) se resolveu a pedir ajuda externa; em vésperas da Casa de Cultura de Avis organizar mais uma mini maratona digital de fotografia; em vésperas da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural receber, através dos seus Intercâmbios Culturais, a Universidade Sénior de Faro, eis que nos chega mais uma Cesta de Poesia.

Se bem se lembram, na última Cesta, JOSÉ DA SILVA MÁXIMO fazia referência à sua cama e como era gostoso dormir nela belas sestas. Pois bem, talvez insatisfeito com o “trabalho” final, fez nova quadra que lhe serviu de mote para desenvolver em Décimas do modo que agora aqui vos deixo à vossa superior consideração:

A MINHA CAMA E EU

Tenho uma cama macia
Que raramente abandono;
Durmo três sestas por dia
E levo as noites dum sono!

Não me chamem dorminhoco
Por eu três sestas dormir,
É só por me distrair
Porque eu até durmo pouco!
Se às vezes acordo rouco
É porque a cama se esfria
Nela o corpo alivia
P’ra minha comodidade,
E para estar à vontade
Tenho uma cama macia

Deitado ou a escrever
O meu tempo é preenchido,
Tão somente interrompido
Para comer ou beber!
Nada me faz demover
Nem o buraco do ozono,
Desde o Inverno ao Outono
Num ritmo cadenciado,
Eu sigo um rumo traçado
Que raramente abandono.

Durmo a seta da manhã,
Se me descuido um bocado,
Vejo que fiquei pegado
À outra que é sua irmã!
A cama é meu talismã,
Meu objecto de magia,
Dela nada me alivia
Por nela sentir conforto,
Se dormir é meu desporto
Durmo três sestas por dia!

Não me custa adormecer
No quentinho do lençol,
Vou p’rà cama ao pôr-do-sol
E o sono vai aparecer;
Na cama me fui meter
Porque dela sou o dono,
Às vezes até ressono
Mas se me deitar de lado,
Durmo como um condenado
E levo as noites de um sono!

14 de Junho de 2009

quarta-feira, 6 de abril de 2011

AMANHÃ HÁ CAFÉ COM LETRAS: 18 HORAS NA SEDE DA CA

A Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural dedicou a temática das duas sessões do Café com Letras do mês de Abril ao Turismo. E para abrir, já amanhã, vai estar entre nós um “peso pesado” com vasta experiência e conhecimentos nessa área: Trata-se do radialista RUI DIAS JOSÉ, que, além de ser Jornalista, foi realizador da Antena 1 (1984 a Novembro de 2010), integrou a equipa do “Passeio das Virtudes”, realizou o “Chão da Festa” e durante mais de 10 anos o programa “Feira Franca” Poderá visita-lo em http://www.cafeportugal.pt/


Para terem noção da projecção que este primeiro Café com Letras de Abril, subordinado ao tema: “A oportunidade do Turismo no desenvolvimento local” está a ter, por favor cliquem abaixo:

http://www.cafeportugal.net/pages/noticias_artigo.aspx?id=3350

Posto isto, pouco mais nos resta do que desejar que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, consiga ter em público presente aquilo que tem em boa vontade,  ambição cultural e desejo de divulgação do nosso concelho.

terça-feira, 5 de abril de 2011

25ª JORNADA

GUIMARÃES 1 – SPORTING 1
(Primeira volta 2-3)

Só conseguindo empatar
O “terceiro” foi ao ar
Por fazer tão mau joguinho.
P’ró ano como vai ser?
Pergunte para saber
Ao Presidente Godinho…

BENFICA 1PORTO 2
(Primeira volta: 5-0)

De mil faixas desfraldadas
(Menos azuis que encarnadas),
Compôs-se o Estádio Luz,
E numa gritante maldade
Julgaram que a electricidade
Foi extinta por Jesus…

Mais uma vez foi vencida
E a Águia acabou comida
P’lo imbatível Dragão;
O terror de toda a gente
Pode dizer finalmente
Que ele é que é o campeão!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

AVIS VIRA VILA VERDE

Foto 1 - "Ainda é mais notório o crescimento das ervas por baixo dos carros que estão muito tempo sem sairem do mesmo local..."

Foto2 - "As ruas vestem-se diária e apressadamente de verde proveniente das imensas ervas de Primavera,"

Foto 3 - "Há que afirme que também já por aí apareceu um leporídeo ou outro ..."


Foto 4 - "Já se vêem papoilas nas nossas ruas..."

É verdade, Avis vira verde mas nada tem a ver com cores clubistas. Então acham que hoje estou em condições de ouvir sequer falar em clubes? Também não se trata de mudança de nome da nossa santa terrinha.

Retomemos o assunto. Por entre o branco do casario da nossa vila as ruas vestem-se diária e apressadamente de verde proveniente das imensas ervas de Primavera que infestam as ditas ruas. Poucas são as que escapam a esta situação. As fotos acima foram tiradas ao acaso. Mostram estas ruas como poderiam mostar outras quaisquer. Nos outros anos por esta altura já a “cura” lhe tem sido aplicada pelo que não se tem chegado a este ponto. Ainda é mais notório o crescimento das ervas por baixo dos carros que estão muito tempo sem sairem do mesmo local, como acontece no Largo Sérgio de Castro ou em diversos pontos da Rua António José de Almeida, por exemplo.

Já se vêem papoilas nas nossas ruas. Há que afirme que também já por aí apareceu um leporídeo ou outro, mas eu lá nisso não acredito. Só vendo.

É claro que quando lhe for aplicado um BASTAS, um RONAGRO, um TOUCHDOWN ou outro qualquer produto semelhante, elas, as ervas, depressa entregam a alma ao Criador.

E palpita-me que não vai demorar muito.
Vai uma aposta?

sábado, 2 de abril de 2011

POIS É...

Foto 1 - ..."a montante..."

Foto 2 - "....a jusante..."

Ontem foi dia 1 de Abril, o tal dia em que é permitido mentir a “DO CASTELO”. Já por aqui deixei escrito que, salvo nos dias 1º de Abril, tudo o que se for por cá escrevendo é verdade, à excepção é claro, de artigos de opinião, que representam tão-somente a opinião de quem os escreve e nada mais do que isso.

Felizmente que a nossa querida Albufeira do Maranhão não tem desastres ecológicos e que a notícia de ontem não era mais do que a mentira que "DO CASTELO" escolheu para o dia 1 de Abril. Quem lá longe está sempre à espera de notícia das sua terra, que me desculpe por ter pensado ser verdade.

Minha querida amiga A.C., acredite que mentiras aqui só lá para daqui a um ano. Certo?

Ora vejam como à hora a que se reportava aquela “maldita” notícia a nossa Barragem estava bonita e despoluída tanto a montante como a jusante do ponto fatal….

sexta-feira, 1 de abril de 2011

MÃO CRIMINOSA PROVOCA GRAVE DESASTRE ECOLÓGICO NA ALBUFEIRA DO MARANHÃO!

Quando nada o fazia prever, eis que uma catástrofe ecológica se abateu esta madrugada sobre a Barragem do Maranhão. Junto à ponte, nas imediações do local onde em tempos idos funcionou a Fábrica do Leite, apareceram esta manhã milhares e milhares de peixes mortos a boiar à superfície das águas.

Muitos de nós temos ainda presente o impacte que provocou há alguns anos, a reparação de umas válvulas de segurança junto ao paredão da Barragem e que foi responsável igualmente pela morte de muitas toneladas de peixe. Mas se nessa altura a acção foi consertada, já agora a situação é de todo inesperada já que não há fábricas a laborar a montante da área sinistrada e nem sequer a jusante.

No local encontram-se já as autoridades civis e militares, nomeadamente elementos da protecção civil, elementos das forças de segurança e elementos da autarquia local. Há cerca de meia hora “DO CASTELO” visitou o local e, dado que a notícia depressa se espalhou por todo o concelho, verificou que já são muitos os “mirones” que ali se encontram, notando-se inclusivamente a presença até de gente das freguesias a jusante da área afectada, nomeadamente de Alcórrego e Maranhão, com receio de que, dada a ainda forte corrente existente, a tragédia se estenda para as águas daquelas freguesias.

Vistas de cima da ponte, as águas apresentam uma cor amarelo/azulada que noutras zonas parece mais azul/amarelada e os peixes, nomeadamente carpas e barbos – alguns de grande porte – apresentam o abdómen demasiado inchado e os olhos vermelhos e como que a querem sair das órbitas. Por enquanto ainda não cheira mal.

“DO CASTELO” tentou entrar em contacto e falar com Nuno Sequeira, o novel Presidente da QUERCUS, mas na impossibilidade de o fazer, chegou à fala com Francisco Ferreira, daquela organização. Informou que assim que teve conhecimento do sucedido se meteu no seu carro e se encontra a caminho de Avis, encontrando-se à altura da nossa conversa, precisamente a atravessar a Ponte Vasco da Gama em direcção a sul.

Por sua vez, o Sr. Presidente da Câmara local, lamentando o sucedido, exige que “a verdade seja averiguada e que os infractores sejam exemplarmente punido, se for caso disso” e informou ainda que estavam a ser “repescados” antigos pescadores, como o Anselminho e o Parafuso de Avis, ou o Valério Martins de Figueira e Barros, para se virem juntar ao Tonhico de Benavila na apanha do peixe morto que depois será transportado em camiões da autarquia e enterrado numa enorme vala, sob a superior direcção do SPNA da GNR. Lamentou igualmente os graves prejuízos económicos que esta situação acarreta à Autarquia, numa altura em que são cada vez mais reduzidas as verbas que os Governos Centrais para cá nos canalizam.

Também por ali se encontrava, àquela hora, e demonstrando grande consternação e abatimento pelo sucedido, um dos directores do Herdade da Cortesia Hotel que disse a “DO CASTELO” sentir uma enorme mágoa pelo sucedido, numa altura em que tanta publicidade tem feito quanto às capacidades de navegabilidade e bem-estar ambiental que a Albufeira do Maranhão oferece para a prática do remo e numa altura em que a sua unidade hoteleira regista uma muito significativa taxa de ocupação. Não podemos garantir, mas pareceu-nos ver uma lágrima de raiva a bailar nos olhos deste industrial da hotelaria avisense.

Há hora em que abandonámos o local para vir fazer esta crónica e dar-vos a conhecer o que de tão grave se passa no nosso concelho, corria a hipótese, não confirmada, de que este desastre ecológico poderia ter sido provocado por uma descarga de “cura” das oliveiras provocado por alguém que lhe tenha sobrado produto e se tenha criminosamente aliviado dele na Albufeira ou por lavagem de tanques de produto nas águas do Maranhão. Curiosamente, ninguém atribuía as culpas aos espanhóis, donos da maior área de olival da nossa terra.

É natural que a curiosidade o leve a si a ir até à ponte da Fábrica do Leite, mas se o fizer, cumpra rigorosamente as instruções que as autoridades militares lhe transmitirem, e, se possível, retire a carro da estrada para descongestionar o trânsito evitando assim ainda males maiores.

“DO CASTELO” vai estar atento à evolução desta situação trágica que se abateu sobre a nossa barragem, um dos mais belos espelhos de água de Portugal que se vê assim, da noite para o dia, poluída e alvo das atenções por uma razão menos desejável, e sempre que se justificar voltará aqui para dar notícias mais actualizadas do evoluir desta situação anómala que tanto nos preocupa.

Nota: por motivo deste gravíssimo desastre ecológico, e para podermos dar uma informação mais detalhada e actualizada, hoje não serão publicadas as “Cestas de Poesia”. Aos habituais leitores desta rubrica as nossas desculpas embora pensemos que entenderão perfeitamente as razões desta nossa opção, por demais pertinente e oportuna.