Tal como “DO CASTELO” anunciou começou hoje em Avis a recolha de alimentos para o “Banco Alimentar contra a Fome”; tal como “DO CASTELO” PREVIA ninguém se disponibilizou voluntariamente para abraçar esta causa em função do pedido aqui feito, já esta semana; tal como “DO CASTELO” já ouvira dizer começou hoje a baixar drasticamente a temperatura ambiente em Portugal; tal como “DO CASTELO” sabe que você sabe, hoje é dia de “Cestas de Poesia”
Até agora (se não me falha a memória) só por aqui passaram poesias em Décimas e pertencentes, ou por terem sido feitas ou por serem conhecidas de cór, a poetas e poetisas de Avis ou com forte ligações a Avis. Trago-vos hoje ao conhecimento um poeta que não sendo natural nem residente em Avis, tem fortes laços de sangue que o prendem a esta terra há mais de quarenta anos. O seu nome é JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, natural do Concelho de Marvão e que é pai do nosso amigo e conhecido Fernando Máximo. Autor de dois livros de poesia, é vasta a sua obra, sendo que certamente terá matéria para editar mais três ou quatro livros com mais de cem páginas cada um.
Para futuras “cestas” deixaremos mais considerações acerca deste nosso convidado que apesar dos seus 85 anos feitos, continua a escrever muito e bem.
Penso que há dois anos, na Feira Franca de Avis e no Pavilhão da Câmara Municipal estavam expostas, em tamanho ampliado, umas décimas deste autor dedicadas ao desastre ambiental que ocorreu aquando do arranjo de uma válvula de fundo da nossa barragem. Nessa altura morreram centenas de toneladas de peixes, nomeadamente carpas.
Para os que ainda não conhecem, deixo à vossa consideração o trabalho referido, que está datado de 1 991:
Abriram o Maranhão
P’r’arranjar uma comporta
Até corta o coração
De ver tanta carpa morta
Um belo fim-de-semana
À barragem fui parar,
Ia disposto a pescar
Com o fio, anzóis e cana.
Mas como a gente se engana
Às vezes do pé p’rá mão!
Já em Benavila então
Como ali água não visse,
Perguntei e alguém me disse:
- Abriram o Maranhão!
Tudo ficou de sequeiro
Sem tabaco ou girassol,
Também já fugiu do rol
Plantação de tomateiro;
Ficou pobre o seareiro
O hortelão sem ter horta,
- Mas porquê, é que importa!
Como pode acontecer?
- Dizem que tinha de ser…
P’r’arranjar uma comporta!
O turismo está ausente,
A barragem só tem lodo,
Descobre-se o leito todo
Como era antigamente.
Anda o Povo descontente
E dou-lhe toda a razão
Se não há compreensão
Numa situação tão séria,
Olhar p’ra esta miséria
Até corta o coração!
Fábricas que vinham dando
Alguns postos de trabalho,
Estão agora no falho
Co’a falta de água lutando.
O pescador não pescando
Vê a sua vida torta,
Chega de manhã à porta
Não vê o “lago” ondulando,
Fica-se até revoltando
De ver tanta carpa morta.







