sábado, 23 de outubro de 2010

ANTÓNIO VENTURA DÁ LIÇÃO DE HISTÓRIA EM AVIS

Foto Nº 1 : Na mesa de honra, o Professor Dr. António Ventura foi ladeado à sua esquerda por Francisco Alexandre, Presidente da ACA e à direita por José Ramiro Caldeira, vice-presidente da ACA e moderador desta conferência.


António Ventura é um “senhor”. Um “senhor” Professor e um “senhor” conversador que hoje, durante mais de duas horas prendeu a atenção dos vinte e cinco “alunos” que, no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, quiseram ouvir uma aula bem dada sobre a República, suas origens e consequências. Entre a assistência via-se Armado Varela, Presidente do Município de Sousel que teve a amabilidade de responder afirmativamente ao convite que lhe foi endereçado pela Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, organizadora de mais um evento cultural, agora como forma de assinalar condignamente em Avis, os 100 anos da implantação da República em Portugal.

Na mesa de honra, o Professor Dr. António Ventura foi ladeado à sua esquerda por Francisco Alexandre, Presidente da ACA e à direita por José Ramiro Caldeira, vice-presidente da ACA e moderador desta conferência. O Presidente, depois de agradecer a presença de todos que quiseram estar nesta cerimónia, passou a palavra ao moderador que após divulgar as razões porque o Senhor Governador Civil de Portalegre e o Sr. Vereador Nuno Silva, do Município de Avis, não puderam estar presentes, teceu elogiosas referências ao Professor António Ventura “ autor de mais de 300 trabalhos publicados, 60 dos quais em livro”. Destacou um livro em que António Ventura nos fala da Maçonaria no Distrito de Portalegre, com referência a figuras de Avis e Sousel. Depois passou a palavra ao ilustre orador que começou por dirigir algumas palavras simpáticas à ACA e ao papel que associações como esta desempenham no campo cultural, afirmando mesmo que “tudo o que se faça a favor da cultura nunca é demais”. Referiu-se depois ao facto de proliferarem este ano muitas iniciativas semelhantes àquela em que nos encontrávamos, destacando uma que teve lugar em Almodôvar e onde assistiu à “melhor exposição sobre a República”. Mencionou que em Vila Real de Santo António, nos dias 3,4 e 5 de Outubro foi publicado um jornal com notícias da época, que foram distribuídos por ardinas igualmente vestidos à época e a rigor. Da sua longa, eloquente e bem planeada apresentação rebuscámos algumas frases que nos ficaram no ouvido:
- Prefiro uma instabilidade democrática do que uma estabilidade ditadurial;
- Em 1910 havia 90% de analfabetos, havia a consciência de que não estavam bem, e estavam dispostos a aceitar uma mudança, ainda que pudesse ser para pior;
- No dia 4 de Outubro nada saiu como estava previsto: Miguel Bombarda é assassinado por um doente mental, Cândido dos Reis suicida-se, forma-se um enorme ajuntamento na Rotunda do Marquês onde muitos desmobilizam e é Machado dos Santos quem controla a situação depois de vários desaires;
- A Revolução só vingou porque a Monarquia não se defendeu;
- Dizia-se à época que os Republicanos apenas tinham influência urbana;
- A influência do Partido Republicano era bem maior do que o registado em votos. Os analfabetos não podiam votar bem como quem não pagasse determinados montantes em impostos. Por isso os simpatizantes eram bem mais do que os votos expressos;
- Há fotografias dessa época que mostram a praça de touros de Arronches em dia de comício com centenas e centenas de simpatizantes do Partido Republicano que, no entanto, só ali arrecadou 40 votos;
- O que me espanta é como a Revolução triunfou no meio de tanta confusão;
- Os Republicanos lutavam pelo sufrágio universal, mas uma vez no poder e depois da Revolução nunca o concretizaram: tiveram medo de perder nas urnas o que ganharam com a Revolução.
- Havia muitos partidos à altura. A queda da Monarquia foi a razão da desagregação do Partido Republicano. Até lá, mantivera-se unido apesar de muitas tendências. Após a Revolução fragmentou-se e enfraqueceu dando origem a vários partidos mais pequenos seguindo as várias correntes que o compunham:
- O período de 1910 a 1926 nada tem a ver com o tempo em que vivemos hoje.

Seguiu-se um tempo dedicado a perguntas e respostas tendo começado o diálogo, Inês Casimiro, aluna da Escola Profissional Abreu Callado que inquiriu o professor sobre o papel da Maçonaria na instalação da República.
Foi explicado que "a Maçonaria teve um papel importante na preparação, juntamente com a Carbonária e o Partido Republicano. Eram Maçónicos, por exemplo, Miguel Bombarda e Cândido dos Reis. Referiu ainda como pertencentes à Maçonaria nomes como António José de Almeida, Bernardino Machado e Sidónio Pais, tendo no entanto este exilado o Bernardino Machado apesar de ambos serem Maçons."

João Feio quis saber “até que ponto podemos considerar que aquilo que temos no país é um regime democrático?”

A resposta veio a seguir por estas ou outras palavras:
Vivemos num regime democrático, mais ou menos democrático porque não há uma bitola para medir o grau da democracia.
Quando vemos pessoas corruptas, que deveriam estar presas a governar municípios, isso revolta-nos. Pelo menos no outro regime isso não aconteceria…
Na 1ª República havia menos corrupção e havia mais sentido de Estado, Francisco Grandella, grande Republicano, chegou a pagar dívidas do Estado, desembolsando avultadas verbas do seu próprio bolso. Hoje quem, seria capaz de o fazer? Agora algum grande empresário nacional o faria?
Há coisa que não fazem sentido na nossa democracia. Por exemplo o cargo de 1ª dama. Ninguém elege a 1ª dama e no entanto esse cargo existe…a nossa história recente é uma história complicada…

Marta Alexandre quis saber “qual o papel das mulheres na Revolução Republicana e quais os nomes que a tornaram possível; se fosse possível mudarmos de regime, para um regime intermédio, com um Rei e um Governo, como no caso de Espanha e Inglaterra, se isso seria benéfico dado o enorme descrédito nos actuais governantes; quais os símbolos da República? Moeda? Hino? Bandeira? Há dificuldade em exprimir a realidade dos acontecimentos”

A resposta estava como as outras na ponta da língua, e o Professor respondeu:
Houve algumas mulheres que se destacaram na implantação da República: Ana Castro Osório, Vitória Madeira ou Carolina Ângelo, a título de exemplo. Estavam de acordo com os ideais republicanos mas por vezes não com o papel da mulher na República. Os Republicanos tinham medo do voto feminino que podiam ser influenciadas pelos conservadores. No Distrito de Portalegre ficou célebre pela sua participação activa na propagação dos ideais da Republica, Maria José Pires Santos.
Em relação à segunda questão: cada país tem a sua história. Admito perfeitamente a situação na Espanha, em que verdadeiramente, a Monarquia é uma República que por acaso tem um chefe de Estado que é um Rei. O Rei não governa. Monarquia que é Monarquia tem de ser Monarquia absoluta. Na Inglaterra, por exemplo, a Rainha é uma figura decorativa; é uma peça viva de museu. Inverter as coisas em Portugal? Acho perfeitamente absurdo.
Quanto à proliferação de cerimónias evocativas do centenário da República é uma realidade, há muitas e nem sempre feitas por profissionais competentes, o que leva a que sejam feitas muitas asneiras e alguns perfeitos disparates.

João Feio voltou à carga afirmando que a “República esteve em estado de coma durante 48 anos e agora tem-se assistido a um Fandango Ribatejano em que um dança e o outro acompanha: ora dança o PS e acompanha o PSD, ora dança o PSD e acompanha o PS. Que futuro?”

A resposta chegou célere:
Bem ou mal, os eleitores é que elegem. Se não vão votar é porque não querem votar e o sentido de voto é expresso livremente. A mundialização existe: há fábricas que vão abandonar a curto prazo o território nacional aquando da subida das taxas. Não há dúvida nenhuma que vão procurar países com mão-de-obra mais barata. O que aí vem é péssimo e ninguém é responsabilizado por isso!
Na Islândia vai ser julgado um ex-primero-ministro. Cá não há responsáveis. Quem paga o Estado Social? Não sei nem encontro solução. Os grandes empresários vão-se embora. Alguém devia ser responsabilizado. Os governantes são inimputáveis: saem de ministros vão para gestores e depois saem de gestores vão para ministros…
A partir de Janeiro os funcionários públicos vão sentir aumentar a crise no bolso e nas próximas eleições vão mudar o sentido de voto para quem possa ser alternativa…

Com estas palavras de pouca esperança numa República florescente terminou esta conferência pelo professor Dr. António Ventura que tentámos aqui sintetizar em meia dúzia de palavras.
Valeu a pena estar presente e ouvir falar termos compreensíveis ao comum dos mortais por quem sabe tanto sobre a história da República em Portugal…
Parabéns ao Professor e parabéns à ACA!




















sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CESTAS DE POESIA (CXLII)


Neste mês que passa acelerado, semana atrás de semana há um facto interessante: este mês de Outubro tem 5 sextas-feiras, 5 sábados e 5 domingos, o que só acontece uma vez em cada 823 anos. Quer isto dizer que “você” já cá não estará da próxima vez que tal se verifique e já não poderá ler as minhas Cestas de Poesia nem ler o Livro "VERSEJANDO – Antologia de Poesia Popular do Concelho de Avis", numa edição da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural. Por isso mesmo vá aproveitando e veja hoje, no dia que é véspera da Conferência do Dr. António Ventura sobre os 100 anos da implantação da República, em Portugal, a ter lugar amanhã pelas 15 horas no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, veja hoje, dizia eu, o que o amigo JOAQUIM FRANCISCO CABRA, de BENAvila tem para nos contar e atente nestas palavras sábias:

Menina que vais passando
Faz favor de não se rir
Até no mais fino pano
A nódoa pode cair

Deus dá juízo a quem quer
E querendo nos faz iguais
Não se vá rindo dos demais
Você também é mulher
Do mau passo que outra der
Não se esteja gloriando
Ponha o pé escorregando
Que ninguém faz boa praça
Veja bem ao que acha graça
Menina que vais passando

Vir para o lugar onde eu estou
Veja bem não lhe aconteça
Que lhe pode dar na cabeça
Ser pior do que eu sou
Quem p’rá desgraça se criou
A ela não pode fugir
Adivinha o que há-de vir
Pois a senhora não jura
Da minha pouca ventura
Faz favor de não se rir

Eu já vi mulheres felizes
Morgadas, outras princesas
Abandonarem riquezas
Tornarem-se meretrizes
Lidando com petizes
Vem o preto, vem o cigano
Vem o índio e o africano
Tudo da mulher se escarnece
E o pó também se conhece
Até no mais fino pano

É o defeito da mulher rica
Quando tem algum descuido
A fazenda encobre tudo
Mas a mancha sempre fica
Não há remédio na botica
Que esse mal possa retrair
Não queira p’ró ar cuspir
Que lhe pode causar desgosto
Mesmo em cima do seu rosto
A nódoa pode cair

terça-feira, 19 de outubro de 2010

AVIS COMEMORA O 1º CENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA REÚBLICA PORTUGUESA

Imparável, e ainda mal refeita do esforço que representou a organização de “Escritos e Escritores – Avis 2010- 2ª Edição”, ocorrido no passado fim-de-semana e que mereceu os maiores elogios da crítica da especialidade, como se pode verificar em vários sites, eis que a AMIGOS DO CONCELHO DE AVIZ – ASSOCIAÇÃO CULTURAL, salta de novo para a ribalta no próximo sábado, dia 23, comemorando o primeiro Centenário de implantação da República em Portugal, com uma conferência proferida pelo Professor Doutor ANTÓNIO VENTURA, a levar a cabo pelas 15 horas no Auditório Municipal Ary dos Santos em Avis. António Ventura será certamente quem mais sabe sobre “República Portuguesa” a nível nacional. Têm sido dezenas e dezenas de conferências que este professor Portalegrense tem efectuado por todo o Portugal e comunidades portuguesas no estrangeiro, acerca deste tema. Avis orgulha-se de o ter entre nós.

Rebuscámos de António Ventura o seguinte:

Os campos que têm sido objecto de interesse e de investigação são variados, quase todos centrados na Época Contemporânea, embora com algumas incursões em épocas anteriores. Foi autor de estudos pioneiros sobre a história do movimento operário durante a I República e sobre as organizações sindicais portuguesas até à década de trinta do século XX, publicou trabalhos sobre a Seara Nova, a maçonaria e a carbonária, o Partido Comunista, os movimentos de oposição ao Estado Novo. Mas também se interessou pelo século XIX, cultivando a história política, cultural e militar. Nesse contexto se situam os trabalhos e investigações sobre as relações entre Portugal e a Espanha durante a Revolução Francesa, a Campanha de 1801, sobre o período liberal e sobre as Guerras Liberais, sobre o republicanismo, o socialismo e o anarquismo. Dedicou uma atenção especial às relações entre Portugal e Espanha, em especial o processo de implantação do liberalismo em ambos países e, após 1910, as relações entre Portugal, a Galiza e a Catalunha, bem como os contactos entre o Alentejo e a Extremadura. Deu a conhecer em primeira-mão importantes fontes de arquivos espanhóis.

Dentro da História da Cultura situam-se os trabalhos sobre iconologia, sobre Nicolau Tolentino, José Duro, o conflito entre a Presença e o Neo-Realismo, sobre José Régio, Teófilo Júnior e os ilustradores da Seara Nova. Considerando que a publicação de fontes é indispensável para aprofundar e esclarecer o conhecimento do passado, tem privilegiado a fontes epistolares, com maior relevo para a correspondência de António Sardinha, José Régio e de António Sérgio. Não se limitou à edição anotada desses acervos, estudando também a epistolografia enquanto género literário e fonte histórica. Nos últimos anos tem dedicado uma atenção particular à literatura autobiográfica como fonte da História, assegurando uma secção mensal na revista História, sobre esse tema.

Uma parte significativa dos seus estudos tem igualmente uma incidência regional, não só referente ao Distrito de Portalegre mas também ao Alentejo em geral, dentro do princípio de que um melhor conhecimento da história das regiões possibilitará um conhecimento mais aprofundado e correcto da História de Portugal. É autor, por isso, de diversos estudos regionais em múltiplas vertentes, da história religiosa à imprensa, da
biografia à história política e à divulgação de fontes.

É este “cérebro” que vamos receber em Avis no próximo sábado, dia 23
.Oxalá as gentes de Avis saibam responder afirmativamente, comparecendo a esta conferência que qualquer grande cidade gostaria de poder registar entre os seus eventos culturais.
Apareça e venha aprender, porque o”saber não ocupa lugar”!



domingo, 17 de outubro de 2010

ESCRITOS E ESCRITORES : UM ÊXITO AQUI RETRATADO EM DOZE FOTOS...

Mesa de abertura: Anabela Canela(Pres. Junta Freguesia de Avis), Nuno Silva (Vereador Câmara M. Avis), Francisco Alexandre(Presidente ACA),  Bento Paulino (Presidente Conselho Fiscal ACA) e Fernandino Lopes(Moderador-ACA)

Mesa Nº 1: Águeda Agudo (Agrupamento Escolas Avis), Bruno Matos (Escritor), José Ramiro Moderador (ACA), Bruno Soares (Escritor) e António Sebastião (Escola Profissional Abreu Callado- Benavila)

Inauguração da Exposição de Fotografia da Estação-Imagem, de Mora, na Casa do Povo em Avis - "Lugares Alentejanos na Literatura Portuguesa"
Mesa Nº 2 : Rute Reimão (Ilustradora), Lurdes Breda (Escritora) e Ana Amaro ( Moderadora) - Lançamento do Livro "O Alfabeto Trapalhão"
Aspecto da assistência que foi sempre numerosa em todos os painéis

Os participantes do Atellier - A leitura em voz alta - da Biblioteca Municipal de Avis marcaram presença brilhante

Mesa Nº 3 : António Carrapato (Fotógrafo), José Ramiro (Moderador) e Maria Antónia Pires de Almeida (Escritora) - Apresentação do Livro "Lugares Alentejanos na Literatura Portuguesa e Lançamento do livro "Memórias Alentejanas do século XX"

Mesa Nº 4 - Ana Vidal (Escritora), Fernandino Lopes (Moderador) e António Manuel Venda (Escritor)

Mesa Nº 5 : Jacinto Lucas Pires (Escritor), Fernandino Lopes (Moderador), Asun Estevez (Escitora Galega) e Lurdes Breda (Moderadora)
O FAZIGUAL- Grupo de Teatro do Agrupamento Vertical de Escolas de Avis, empolgou os 200 espectadores que no Auditório Municipal assitiram ao lançamento do Livro "VERSEJANDO- ANTOLOGIA DE POESIA POPULAR DO CONCELHO DE AVIS" uma edição da ACA
Os heróis da noite: alguns dos 40 poetas e poetisas que contribuiram para "VERSEJANDO - ANTOLOGIA DE POESIA POPULAR DO CONCELHO DE AVIS", estiveram presentes no Auditório Ary dos Santos

 Asun Estevez - Esta simpática Galega inscreveu o seu nome como sendo "a primeira estrangeira a pisar os palcos do "Escritos e Escritores"

sábado, 16 de outubro de 2010

SE VOCÊ

SE VOCÊ:

...NÃO FOI UMA DAS NOVENTA PESSOAS QUE...
...ontem assistiram à actuação do "GRUPO DE CANTARES DE ÉVORA"...

Vá hoje, a partir das 21 horas, ao Auditório Municipal assistir ao lançamento do livro acima...não se vai arrepender!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CESTAS DE POESIA (CXLI)

No dia em que se iniciou em Avis o “Escritos e Escritores – Avis 2010 – 2ª Edição” e ao que consta com duas sessões bem conseguidas, uma na Escola Profissional Abreu Callado, em Benavila, e outra na Sede do Agrupamento de Escolas de Avis e no dia em que, integrado no mesmo evento, logo à noite, a partir das 21 horas no Auditório Municipal Ary dos Santos actua o "GRUPO DE CANTARES DE ÉVORA", com entradas livres, é dia de mais uma “CESTA DE POESIA”. Ainda com JOAQUIM FRANCISCO CABRA, de Benavila que hoje nos traz o seguinte trabalho:

Eu não sei onde estão
Os miseráveis da vida
Não sei bem quem eles são
Nesta luta confundida

Eu vejo o pobre escavando
De mãos grossas e gretadas
As faces toscas e mirradas
De farrapos as carnes tapando
Vejo mais outros trabalhando
Sem jaqueta nem gabão
Descalços, os pés pelo chão
E os cabelos assovelados
Desta miséria os culpados
Eu não sei onde estão

Vejo tanta gente carpindo
Ninguém se julga feliz
Tudo da sua sorte maldiz
Mais felicidades pedindo
Parece um mal infindo
Doença crónica e sentida
Esta monótona carpida
Toda os aflitos exploram
Não sei se são os que choram
Os miseráveis da vida

Vejo o rico cavalgando
Numa ânsia, tudo e todos
A quererem por todos os modos
Que isto se vá ajeitando
São miseráveis julgando
Que nos dão friada ambição
Exercem a exploração
De onde sai o maior mal,
Os miseráveis afinal
Não sei bem quem eles são

Miserável será a natureza
De tudo o que são senhores
Talvez os únicos autores
De toda a nossa baixeza
Será a própria natureza
Que é assim desentendida
Humanidade confrangida
Que anda neste vale de enganos
Provocando todos os danos
Nesta luta confundida












quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ESCRITOS E ESCRITORES - FALTA 1 DIA - É JÁ AMNHÃ!

No dia em que, alta madrugada em Portugal, era resgatado o último dos trinta e três mineiros que se encontravam presos numa mina do Chile, há mais de sessenta dias, vamos então falar do “Escritos e Escritores – Avis 2010 – 2ª Edição”, a decorrer como sabemos entre os dias 15 e 17 - ATENÇÃO: COMEÇA JÁ AMANHÃ

O Domingo será quase para a equipa organizadora deste evento, descansar de tanta azáfama (constou-nos que só a montagem da exposição de fotografia a decorrer na Casa do Povo levou a que cinco elementos da ACA ali trabalhassem por dois dias até à uma da manhã).

Vai ser oferecido aos “resistentes” que ainda por cá se encontrem, uma visita guiada à zona histórica de Avis, à envolvência das muralhas, arrabaldes e Igreja do Convento. Pelo menos é o que nos diz o programa como se pode ver abaixo:

17de Outubro (Domingo)
10:30 – Avis Inspira
Visita guiada ao Centro Histórico de Avis

Terminada esta jornada seguir-se-á um período de reflexão por parte dos Directores da ACA para ajuizarem se para o ano iremos ter a 3ª Edição dos Escritos e Escritores. Para isso também muito contará a sua opinião. Faça-a chegar junto daquela associação, através, por exemplo, do mail: acavis@sapo.pt

Até lá vamos esperar para ver.



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ESCRITOS E ESCRITORES - FALTAM 2 DIAS!

Antes de entrarmos nos Escritos e Escritores oiçam Rui Veloso, aqui mesmo:

http://sic.aeiou.pt/online/video/programas/gatofedorento/2009/1/oprometidoedevidosrengenheiro.htm






Foto 1 - VERSEJANDO - O Livro que os poetas populares do concelho de Avis esperavam


Sábado, talvez por ser o dia do meio, é assim a modos que o dia mais forte do “Escritos e Escritores – Avis 2010 – 2ª Edição”. Ora atentemos no programa:

16 de Outubro (Sábado)

10:00 – Sessão de Abertura – Sede da Amigos do Concelho de Aviz
Representantes dos Órgãos Sociais da ACA-AC
Patrocinadores
Convidados

10:30 – Mesa 1
Bruno Matos e Bruno Martins Soares
Apresentação/moderação – Anabela Canela
Presenças de Professora Águeda Agudo e Professor António Sebastião

12: 00 – Inauguração da Exposição de Fotografia


15:00 – Mesa 2
Lurdes Breda e Rute Reimão
Apresentação/moderação – Ana Paula Amaro
Lançamento do livro “ALFABETO TRAPALHÃO”

16:00 – Mesa 3
Maria Antónia Pires Almeida e António Carrapato
Apresentação/moderação – José Ramiro Caldeira
LANÇAMENTO DO LIVRO “MEMÓRIAS ALENTEJANAS DO SÉCULO XX”
APRESENTAÇÃO DO LIVRO “LUGARES ALENTEJANOS NA LITERATURA PORTUGUESA”

17:00 – Mesa 4
Ana Vidal e António Manuel Venda
Apresentação/moderação – Fernandino Lopes


18:00 – Mesa 5
Jacinto Lucas Pires e Asun Estévez
Apresentação/moderação – Fernandino Lopes e Lurdes Breda

21:00 horas – Mesa 6

LANÇAMENTO DO LIVRO VERSEJANDO- Antologia de Poesia Popular do Concelho de Avis – Prefácio de Rui Cardoso Martins

Comemorativo do 10º Aniversário da Águia

Auditório Municipal Ary dos Santos

Apresentação/moderação – Fernando Máximo, Fernandino Lopes, Anabela Canela.

DECLAMAÇÃO DE POESIA
Grupo de Teatro FAZIGUAL
Asun Estévez

Após as apresentações e saudações da praxe, na Sede da ACA sita na Praça Serpa Pinto Nº 11 em AVIS, teremos a abrir, por volta das 10,30h, na mesa 1, os dois Brunos de que já lhes falei ontem. Lembram-se por certo. Se por um lado o BRUNO SOARES é a primeira vez que nos visita, o BRUNO MATOS já cá esteve o ano passado e foi “SÓ” o escritor que mais livro vendeu. Por certo que da conversa a haver se falará da experiência de sexta-feira nas escolas, que poderá ser testemunhada pela Professora Águeda da Escola de Avis e o Professor Sebastião, da Escola de Benavila.
Ao meio-dia será inaugurada, no Salão da Casa do Povo, em Avis, uma monumental exposição de fotografia com trinta e cinco fotos ilustrativas de textos sobre o Alentejo, escritos por autores portugueses, como Saramago ou Manuel da Fonseca, ou Fernando Namora, ou Fialho de Almeida ou Florbela Espanaca, entre muitos outros. A exposição, que ficará patente ao público até ao próximo dia 23 de Outubro merece bem a sua visita e é baseada no livro: LUGARES ALENTEJANOS NA LITERATURA PORTUGUESA, e é da Estação Imagem, de Mora.
Depois de se retemperarem forças com o almoço servido no Restaurante Clube Náutico (um dos patrocinadores deste evento, a par da Caixa Agrícola Moravis e do Município de Avis), temos a abrir a tarde, o 1º de três lançamentos de livros previstos para este evento cultural. “O ALFABETO TRAPALHÃO”, escrito por LURDES BREDA e ilustrado por RUTE REIMÃO, vai ter honras de atenção redobrada. Para sua apresentação e como moderadora, teremos na mesa 2, a Professora e escritora ANA PAULA AMARO, que vem de Coimbra.
Por volta das 16 horas, novo lançamento: JOSÉ RAMIRO CALDEIRA, vice-presidente da ACA, lançará e falar-nos-á sobre “MEMÓRIAS ALENTEJANS DO SÉCULO XX”, de MARIA ANTÓNIA PIRES DE ALMEIDA e de seguida apresentará o livro “LUGARES ALENTEJANOS NA LITERATURA PORTUGUESA”, que deu azo à exposição a inaugurar sexta-feira na Casa do Povo, em Avis, como aliás já referi.
Às 17 horas ANA VIDAL e ANTÓNIO MANUEL VENDA constituirão a mesa Nº 4, falarão das suas obras e esta mesa contará com a apresentação e moderação de FERNANDINO LOPES da Direcção da ACA.
Por fim teremos a mesa nº 5 com a presença de JACINTO LUCAS PIRES, quiçá o escritor mais credenciado do naipe dos que nos visitam este ano, e ASUN ESTEVEZ, poetisa Galega, tendo como apresentadores/moderadores o FERNANDINO LOPES da ACA, e a escritora LURDES BREDA que vem de Montemor-o-Velho.
Depois haverá um intervalo para “respirar”, jantar e arranjar forças para às 21 horas estarmos todos, no Auditório Municipal Ary dos Santos para assistirmos ao lançamento do livro: “VERSEJANDO – ANTOLOGIA DE POESIA POPULAR DO CONCELHO DE AVIS”, que constitui assim a 6ª e última mesa deste evento. Como moderadores estarão ANABELA CANELA, FERNANDINO LOPES E FERNANDO MÁXIMO, todos da ACA. O prefácio desta Antologia tem a assinatura desse grande vulto da literatura Norte Alentejana que é RUI CARDOSO MARTINS, natural de Portalegre, que, ao que tudo indica poderá estar presente entre nós.
Este livro, que celebra o 10º aniversário da Folha Informativa “ÀGUIA”, é o resultado de uma recolha efectuada durante alguns anos junto de vários poetas, alguns “esquecidos”, do nosso concelho. Outros nem tanto. A ACA achou por bem compilar nesta antologia muita da “sabedoria” popular que possuem estes versejadores nascidos ou residentes nas freguesias do nosso concelho, a saber e por ordem alfabética:

1 - ADISIO ENGRÁCIO DOS SANTOS - FIGUEIRA E BARROS
2 – AGOSTINHO JOSÉ DE MATOS - VALONGO
3 – AMÉRICO MENDES CLAUDIMO - ERVEDAL
4 – ANA CODECA - VALONGO
5 – ANNA RITTA VILLELA - ERVEDAL
6 – ANTONIA JOAQUINA SILVEIRA - ERVEDAL
7 – ANTÓNIO FRANCISCO BONITO - AVIS
8 – ANTÓNIO HENRIQUES - AVIS
9 – BERNARDINA PINTO - ALCÓRREGO
10- CASIMIRO NEVES ALMEIDA (falecido) - ERVEDAL
11 - DINIS SUTIL MUACHO – ALDEIA VELHA
12 – FERNANDO JOSÉ DE DEUS - VALONGO
13 – FERNANDO MÁXIMO - AVIS
14 – FRANCISCA ROSA DIAS GUEDES - ERVEDAL
15 – JAIME VELEZ – (falecido) - BENAVILA
16 – JOÃO ANTÓNIO GUILHERME - ERVEDAL
17 – JOÃO JOAQUIM CARRILHO - AVIS
18 – JOÃO MARTINS VILELA - BENAVILA
19 – JOÃO MOREIRA DOS SANTOS - AVIS
20 – JOÃO PEREIRA MARTINS - VALONGO
21 – JOAQUIM HONÓRIO OLIVEIRA LOBATO – ALDEIA VELHA
22 – JOAQUIM JOSÉ LOURENÇO - AVIS
23 – JOSÉ AFONSO MILHEIRAS - VALONGO
24 – JOSÉ COUTINHO CALHAU - BENAVILA
25 – JOSÉ JOAQUIM CONTENTE (falecido) – FIGUEIRA E BARROS
26 – JOSÉ PITEIRA - AVIS
27 – LUIS PEDRO DUARTE - AVIS
28 – MANUEL DOMINGOS RODRIGUES - AVIS
29 – MANUEL NARCISO SEBASTIÃO - AVIS
30 – MARGARIDA LUZIA CENTEIO COSTA ESTEVINHA - ERVEDAL
31 – MARGARIDA MADEIRA - ERVEDAL
32 – MARIA ALBERTINA DORDIO - ERVEDAL
33 – MARIA ANA BRAGANÇA - VALONGO
34 – MARIA MARCELINA GARCIA - AVIS
35 – MARIA SALOMÉ ANTUNES - ERVEDAL
36 – MAURÍCIO GOMES DA SILVA – FIGUEIRA E BARROS
37 – RITA MARGARIDA TELES GRILO - ERVEDAL
38 – ROBERTO SOEIRO - MARANHÃO
39 – SINDA VELEZ - ERVEDAL
40 – SUSETE BARRADAS - ERVEDAL

Além do lançamento do livro haverá um sarau de poesia com a actuação do Grupo de teatro “FAZIGIUAL” das nossas escolas, que já tem pergaminhos firmados nestas andanças, com a declamação de poesia pela Galega ASUN ESTEVEZ e por todos os escritores que colaboraram nesta antologia, que estejam presentes e que queiram participar.
Pensamos que será um remate de dia feliz e se você divulgar esta iniciativa junto de um amigo e se depois for com ele ao Auditório, ainda melhor.
É este o dia “cheinho” de cultura que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, lhes – nos - reserva para o próximo sábado, dia 16 de Outubro.
Mas Domingo ainda haverá mais.
Amanhã vamos falar nisso.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ESCRITOS E ESCRITORES - FALTAM 3 DIAS!



Vamo-nos hoje debruçar um pouco mais sobre o programa agendado para Sexta-feira, dia 15, por parte da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural
. Este é o dia do arranque do “Escritos e Escritores – Avis 2010 – 2ª Edição”. O programa proposto para dia 15 é então o seguinte:

ESCRITOS E ESCRITORES NA ESCOLA
Agrupamento de Escolas de Avis
14:00 - Bruno Matos – Literatura Fantástica (alunos 7º, 8º e 9º anos)

Escola Profissional Abreu Callado
14:00 – Bruno Martins Soares - – Literatura Fantástica (10º, 11º e 12º anos)

Auditório Municipal Ary dos Santos
21:00 – Espectáculo de Música Popular – Grupo de Cantares de Évora


Desde logo, destaca-se como de primordial importância, a presença dos escritores nas escolas. Dali, das escolas, possivelmente sairão dentro de alguns anos, novos escritores. O contacto com aqueles que escrevem, por parte dos que o poderão vir a fazer um dia, é de especial importância. Importante é igualmente este intercâmbio, esta partilha entre a Escola e a sociedade não estudantil. Sabe-se que os livros dos autores têm estado a ser trabalhados pelos alunos para que o diálogo entre todos os intervenientes (alunos e autores) se torne mais acessível. Parece-nos que esta é uma boa maneira de dar o pontapé de saída para esta iniciativa, mas talvez que não fosse de todo despropositado aproveitarem, os convidados da ACA, para irem almoçar à Escola e deliciarem-se com as apetitosas sopas que a Escola Básica 2,3 Mestre de Avis tem para nos oferecer na sua “FEIRA DA SOPA”, para comemorar o dia Mundial da Alimentação que, curiosamente se celebra dia 15.
Para a noite há espectáculo! Diz-me quem já viu que o “GRUPO DE CANTARES DE ÉVORA” é mesmo um espectáculo. Ouvir cantar música popular portuguesa alegra a alma e faz bem ao ego. Digo eu. E diz você. Por isso nada melhor do que aparecer no Auditório Municipal Ary dos Santos em Avis, a partir das 21 horas e deliciar-se com o “Grupo de Cantares de Évora”.
Apareça, que também foi por si que a ACA os convidou para actuarem em Avis, na nossa terra.
Amanhã vamos "tratar" do programa para sábado.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

VEM AÍ UM FIM-DE-SEMANA CULTURALMENTE ALUCINANTE!

Há Associações que parece que têm pilhas das tais que duram, duram, duram. A Amigos do Concelho de Avis – Associação Cultural, é uma delas. Apesar de também ela ter sido apanhada na rede do “aperta o cinto”, com um decréscimo significativo nos subsídios atribuídos pelo Município, com uma quebra de menos 37,5% em relação ao que foi subsidiada o ano passado, não me parece que tenha deixado de fazer aquilo que os seus directores planearam ou a Assembleia Geral lhes exigiu que cumprissem. Assim, no próximo fim-de-semana vai ter lugar a 2ª Edição da iniciativa “Escritos e Escritores” que o ano passado teve a sua primeira edição. Este ano o evento aventura-se por três dias, sendo que na próxima 6ª feira, dia 15 será dado o pontapé de saída com a presença de dois escritores da literatura do  fantástico na Sede do Agrupamento Vertical de Escolas de Avis e na Escola Profissional Abreu Callado, de Benavila. Por lá vão estar á conversa e a responder a perguntas dois Brunos: o Bruno Matos e o Bruno Martins Soares, respectivamente em Avis e Benavila. À noite, a partir das 21 horas, no Auditório Municipal Ary dos Santos haverá a actuação do "GRUPO DE CANTARES DE ÉVORA", que nos deliciará com as suas modas e cantigas. Um espectáculo a não perder.

No sábado, a partir das 10 horas da manhã e agora na sede da ACA, recomeçarão os trabalhos destes “Escritos e Escritores – Avis 2010”, a que nos referiremos mais em pormenor em futuras intervenções neste blogue. Pelo meio-dia haverá a inauguração de uma exposição no salão da Casa do Povo de Avis À noite, a partir das 21 horas, haverá o lançamento de um livro de Poesia intitulado “VERSEJANDO – ANTOLOGIA DE POESIA POPULAR DO CONCELHO DE AVIS”, o qual inclui trabalhos de 40 poetas naturais ou residentes no nosso concelho. Após o lançamento do livro haverá no Auditório poesia a rodos declamada pelo Grupo de Teatro das nossas escolas o “FAZIGUAL” e ainda poesia dita pela Galega Asun Estevez que virá até nós e pelos poetas populares presentes que quiserem dar a conhecer alguma das suas obras.

No Domingo, haverá uma visita guiada a Avis, oferecida a todos aqueles que nos visitaram e que ainda por cá se encontrem no intuito de se poderem inspirar e virem a escrever um livro sobre Avis e daí esse dia ser o de "Avis Inspira".

Prometo voltar a falar deste evento já amanhã.

Entretanto na Biblioteca Municipal – que raio de coincidência de datas – haverá no sábado um Atellier – A LEITURA EM VOZ ALTA, que decorrerá entre as 10 e as 17 horas.

Por outro lado quem quiser, ainda pode ver a exposição de fotografia de RICARDO CALHAU, intitulada “PONTOS DE VISTA” que se encontra patente ao público na Fundação Arquivo Paes Teles em Ervedal até dia 29 do corrente (peço pública desculpa ao Ricardo por erradamente ter aqui informado que era até 29 de Setembro). Ainda há pois muito tempo para ser vista.

Ora então não tenho razão para dizer que vamos ter um fim-de-semana culturalmente alucinante?

Vamos é aproveitá-lo!














domingo, 10 de outubro de 2010

AVIS DUPLAMENTE EM ALTA!

Foto 1 - o Dr. Tiago Antunes (de Ervedal) e a Drª Leontina presidiram à sessão de entrega de prémios

A Fundação INATEL lançou um concurso de poesia popular subordinado ao tema: “Cantos e Encantos da minha terra”. Ontem, nas instalações da INATEL, em Castelo de Vide, em cerimónia simples mas de elevado significado cultural, foram anunciados os vencedores e distribuídos os prémios, sendo de destacar que dos três premiados, dois deles são do nosso concelho. Em primeiro lugar ficou o Jovem DINIS MUACHO, de Aldeia Velha e em segundo lugar classificou-se o veterano Fernando Máximo, de Avis. Para Elvas foi o 3º prémio. Dinis Muacho irá representar o Distrito de Portalegre em compita com os distritos de Évora e Faro.

DO CASTELO” obteve autorização do autor e passa a reproduzir o trabalho premiado em 1º lugar, sendo que o autor do 2º prémio não nos autorizou a divulgar a sua poesia premiada, remetendo-nos antes para o livro “VERSEJANDO- ANTOLOGIA DE POESIA POPULAR DO CONCELHO DE AVIS”, edição dos Amigos de Avis, a ser lançado no próximo sábado, dia 16, a partir das 21 horas no Auditório Municipal Ary dos Santos em Avis, no qual consta o poema em causa. Teremos que esperar para aí ler o seu trabalho.
Há feitios muito lixados…
Eis então a poesia do nosso amigo Dinis Muacho a quem "DO CASTELO"  endereça os mais sinceros parabéns.

A minha terra é d’Homens feita
Branca viela de moça tricana
Planície donde a espiga espreita
No puro sangue d’alma Alentejana

És minha terra, meu berço qu’rido
Ecoando nos vales choros de meninas
As escalas antigas das concertinas
Pedras da ribeira em toque sentido
Alegrando chotiças d’um tempo perdido
De balharadas sãs em plena colheita
Os lenços garridos que a seara enfeita
Arrancando ao solo hercúleo a esperança
Com a charrua e as bestas em aliança

A minha terra é d’Homens feita
Um carneiro enfeitado p’lo Entrudo
Fato domingueiro é honradez anual
Queimam-se comadres em vivo arraial
Ateiam-se compadres, enterra-se tudo
Na azáfama dos Cantos, oh povo miúdo
Atabuas são foguetes de verde cana
Pedradas ao galo, ritualidade profana
Tradição antiga, hoje já morta!
Pedir os Santinhos em cada porta

Branca viela de moça tricana
Anda o relicário de casa em monte
Pois é Páscoa, a carne é pecado
Mas pagar a bula é ser perdoado
Com a purga límpida das águas da fonte
Onde as contradanças, há quem o conte
Tão vivas, de chitas e bilros que enfeita
Cavalheiros e madamas de forma perfeita
Correndo os vales, cabeços e freguesias
Sempre a pé em alegres folgarias

Planície donde a espiga espreita
Pelos Santos Populares a tradição
É cantar ao despique até à madrugada
Marcham c’os arcos enfeitados a cachopada
Ao som do vermelho e velho acordeão
Fogueira de rosmaninho em pleno S. João
São Encantos desta minha aldeia plana
Quimeras de desejos, assim tão ufana
São recantos da memória, é a Cultura
Renascendo em versos de sentida ternura
No puro sangue d’alma alentejana



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CESTAS DE POESIA (CXL)

Foto 1 - JOAQUIM FRANCISCO CABRA, numa tarde de poesia no Centro de Convívio Engenheiro João Antunes Tropa, em Benavila ou "Um homem entre as mulheres"


No dia em que o novo Treinador Nacional de Futebol levou de vencida a Dinamarca por 3-1 na tentativa de recuperação para a classificação para o Euro 2012; no dia em que se anuncia para a próxima semana a saída dos mineiros chilenos há dois meses presos numa mina; no dia em que Durão Barroso diz que “situação do país pode passar de má a péssima” ; no dia em que o grupo de teatro FAZIGUAL fez o seu primeiro ensaio no Auditório Municipal com vista à pública apresentação do próximo sábado, dia 16, eu sou um homem feliz! Passo a explicar porquê: não ganhei o Euromilhões ( que a acontecer seria uma tremenda dor de cabeça) mas tinha as minhas “reservas” de poesias inéditas de poetas do nosso concelho quase esgotadas, melhor, mesmo esgotadas e eis que descobri um novo filão para as minhas “CESTAS DE POESIA”, que hoje atingem o bonito número de 140. Há cento e quarenta semanas que por aqui existe este espaço. Todas as sextas-feiras sem parar. Por aqui passaram 140 Décimas. É obra!
 O concelho de Avis é um enormíssimo filão de boas poesias. O meu novo amigo poeta chama-se JOAQUIM FRANCISCO CABRA, reside em Benavila, onde nasceu em 11 de Fevereiro de 1 933. Foi trabalhador agrícola e tem a 4ª classe. Nunca fez poesia mas tudo quanto aprendeu desde pequeno guarda na sua cabeça. Bastava-lhe ouvir uma vez as poesias que outros diziam para logo as fixar. JOAQUIM FRANCISCO CABRA tem uma maneira superior de dizer poesia, o que muito me satisfaz. Já lho disse pessoalmente e daqui lhe envio de novo os meus parabéns.

Serão dele, as próximas “Cestas de Poesia” e o trabalho que aqui deixamos e que ele sabe na ponta da língua, mostra-nos como os poetas se preocupam com a morte, essa misteriosa morte que nada poupa.

Morrem as aves voando
Morre o cantor a cantar
Morrem os ricos gozando
Morre o pobre a trabalhar

Morrem as plantas viventes
Morre tudo quanto é nascido
À morte nada é esquecido
Morrem fracos e valentes
Morrem homens semeando
Quando os seus dias findando
A morte quando chegando
Morrem sábios e doutores
À frente dos caçadores
Morrem as aves voando

Na guerra morre o guerreiro
Nos prados morrem pastores
No jardim morrem as flores
Também morre o jardineiro
Na moagem morre o moleiro
Morre o padre no altar
Morre o marinheiro no mar
Nas suas embarcações
E para distrair paixões
Morre o cantor a cantar

Na mina morre o mineiro
A descobrir minerais
Morrem primos irmãos e pais
Morre todo o cavalheiro
Na loja morre o caixeiro
E morre o pintor pintando
Morre o chaufer guiando
No seu carro de corrida
No automóvel, na avenida
Morrem os ricos gozando

Na tropa morre o soldado
No trabalho morre o artista
O mais fino guitarrista
Morre à guitarra abraçado
Morre o rico encostado
E morre o escravo a cavar
Morre o aviador no ar
E acabam-se estas grandezas
Cheio de misérias e tristezas
Morre o pobre a trabalhar





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ARTUR JOSÉ AZEDO: - 10/06/1915-05/10/2010

Foto 1 - Na capa do seu livro, "vejo" Mestre Artur Azedo numa viagem, "SEM FIM..."




O Sr. Azedo foi meu amigo. Não poucas vezes me mandava recados a dizer que “quando puder passe lá pela oficina”. E eu ia, ciente que viria de lá sempre mais esclarecido, mais sabedor. Curiosamente, apesar de ser um comunista assumido, nunca falámos em temas de política partidária. Recebia-me com a sua bata de um azulão forte e da sua oficina relembro muitos móveis antigos recuperados ou em recuperação, um enorme gramofone e muitos livros manuscritos, todos a lápis e papéis a montes. Não me lembro de ter visto algo escrito em esferográfica, não fosse o lápis um dos seus principais utensílios de trabalho. Tinha enorme orgulho no pai a quem se refeira com entusiasmo e não raras vezes me mostrou um enorme livro com dezenas de desenhos, penso que feitos a tinta-da-china, por seu pai. Este livro foi alvo de várias exposições a nível nacional e, se não estou em erro, também por cá em exposição promovida pelo Município local.
Mestre Artur Azedo tinha quatro terras como referência: Galveias, onde nasceu, Évora onde estudou na Escola Comercial e Industrial, Portalegre, onde estudou e trabalhou e finalmente Avis, onde fixou residência.
Os conhecimentos adquiridos nas Escolas Comerciais e Industriais de Évora e Portalegre, levaram a que se tornasse um sabedor da arte de marcenaria e desenho de móveis. Esses ensinamentos, transmitiu-os ele aos seus alunos, no Internato de Santo António, em Portalegre, onde leccionou, conquistando a amizade e admiração de alunos e colegas professores. A Câmara Municipal de Portalegre, perante as qualidades de Mestre Artur Azedo, encarregou-o do restauro de todos os móveis existentes no museu municipal bem como da criação de novos que ainda hoje o decoram. Portalegre, reconhecida resolveu atribuir a Mestre Artur Azedo o nome de um enorme largo na Zona Industrial de Portalegre, perpetuando assim, o nome deste grande homem de espírito altruísta.
Diz-se que da parte do pai (José António Azedo) herdou a veia artística e que da parte da mãe (Ludovina Rosa Galopim) herdou a veia poética. E era muitas vezes para me mostrar os seus últimos trabalhos em poesia que ele me chamava à sua oficina. Queria me mostrar, queria que eu lhe dissesse o “que achava daquilo”. Ao falar, tinha o modo peculiar de me ir dando pancadinhas no ombro, como se essa aproximação, aumentasse a intimidade da nossa amizade. Mas que lhe podia eu dizer sobre os seus versos se ele era também aí um Mestre?
Tenho em meu poder quatro livros de versos do Sr. Artur Azedo. O primeiro ofereceu-mo ele e está autografado e com dedicatória. A lápis, como não podia deixar de ser.
Os seus livros, qual colectânea, chamam-se “SEM FIM…” e curiosamente escreveu centenas de quadras, transcritas nos livros acima indicados, a começarem pela palavra “SEM”. Como que para explicar esta sua opção de escrita, disse-nos: "Com a palavrinha sem/se podem fazer mil versos/sobre variados casos/e os temas mais diversos."

Como uma minha modesta homenagem, reproduzo aqui a poesia que consta da pág. 112 do seu primeiro livro. A poesia chama-se Caminhos que percorri – Galveias, tenho saudades de ti.

Galveias, tu és tão querida
E admirada por tantos!...
Só tu tens o privilégio
De seres guardada por santos.

Tens S. João e S. Pedro
E também S. Saturninho
E, um pouco mais abaixo,
Santo António, num cantinho.

És de todas a mais querida
Ó minha terra natal,
E para vós, galveenses,
Não há no mundo outra igual.

Quem for ao cimo da serra
Descobrir tuas paisagens,
Verá que não há outras
Tão lindas nestas paragens.

Se a vir das Pedras do Ambrósio
E se ficar muito quedo,
Outra coisa mais parece
Que um cobiçado brinquedo.

E assim, digo convicto
Tudo o que o meu peito encerra;
Saudades dos meus amores!...
Saudades da minha terra!

Se a vires do Alto da Serra
E num dia bem alegre,
Tu verás, decerto, ao longe,
As terras de Portalegre.

E mais podia contar-te
Da minha terra tão querida
Se não tivesse esta idade
Que já pesa em minha vida

E além de tudo isto
E, mesmo que assim não fosses,
Ti tens a bênção de Cristo
E as laranjas mais doces

E no teu S. Saturninho
Já houve papas p’ra dar
A putos e passarinhos
Benzidos no altar.

Nós íamos tão contentes
Com um prato e uma colher
Para lá, alegremente
Essas tais papas comer.

E íamos também à fonte
Ver sua bicas amigas
E os rapazes, à tarde,
Namorar as raparigas

O HOMEM que escreveu estes versos foi ontem sepultado no cemitério de Galveias, sua terra natal.
Mestre Artur Azedo: obrigado pelos momentos agradáveis de cavaqueira que me proporcionou.
Espero que goste desta simples homenagem que lhe faço.
Até um dia destes!