segunda-feira, 12 de julho de 2010

AINDA A HOMENAGEM A JOSÉ SARAMAGO!

Foto 1 - Francisco Alexandre iniciou a maratona às 14:00h...
Foto 2 - ...e Fernandino Lopes encerrou-a às 03:40h



Eram 13,30h e já a Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, estava aberta para ultimar os preparativos da homenagem que aquela Associação pretendia fazer ao Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, recentemente falecido. À hora aprazada, 14 horas, deu-se início ao evento. A sala, decorada de modo simples mas condigna, apresentava uma mesa redonda para leitura onde um ramo de flores dava um ar de graciosidade, enquanto três fotografias do cartaz promocional deste evento, ladeavam a bandeira da ACA.

Na ocasião usou da palavra Francisco Alexandre, Presidente da Direcção da ACA que apresentou a razão para esta homenagem: tratar-se do Prémio Nobel da Literatura Portuguesa e como tal, entendeu a ACA que a melhor forma de homenagear o português distinguido – José Saramago – é lê-lo. O livro escolhido para esta leitura integral e em voz alta – Levantado do Chão – por ser aquele que o lançou como escritor e por ser um retrato fidelíssimo do nosso Alentejo.

Depois foi a vez do Vice-Presidente, José Ramiro, referir o lado antropológico e histórico, - sem dúvida - dos livros de José Saramago, sendo este um, dos que melhor ilustra este facto.

Começou finalmente a maratona de leitura em voz alta do livro “LEVANTADO DO CHÃO”. Eram exactamente 14:50h.

Não é fácil ler José Saramago. A pontuação é suigeniris, os discursos directos que não têm parágrafos, os períodos que, por vezes, são enormes cortam a respiração, mas nem isso esmoreceu o entusiasmo daqueles que se propuseram levar a bom porto esta iniciativa. Os capítulos foram caindo uns atrás dos outros. Uns mais demorados que outros, por maiores. A tarde nem dá por se passar. Os ouvintes seguem atentamente o que os outros vão lendo. Cada qual tem os seus afazeres. Há quem vá ler e depois vá tratar da sua vida. E não volte. E há quem vá ler, vá tratar de outros assuntos, como por exemplo ir às Marchas ao Maranhão e depois volte. E voltam a ler com o mesmo entusiasmo. A meio da tarde chegam os primeiros voluntários de Portalegre: a Professora Maria Albertina e o marido. Vêm expectantes. E leram: primeiro ela, depois o António Martins. Os “da casa” ouvem e esperam a sua vez. Lá mais para o fim da tarde, mais gente que vem de Portalegre com o propósito de fazer uma homenagem a alguém que, se calhar, nunca tinham pensado poder fazer: a professora Deolinda Milhano chega acompanhada pelo marido e nota-se-lhe a ânsia de querer entrar rapidamente naquele “jogo”. Quer ler. E lê. Pausadamente, como convém, para que as palavras, as sílabas, os parágrafos, sejam apreendidos. Mas antes ainda me segreda: vem aí um amigo meu. Foi erradamente ter ao Auditório…deve estar quase a chegar. E chega. Entra na sala. Reconheço-o. Companheiro de outras lides literárias. É o Matos Serra, capitão de Abril residente em Cabeço de Vide. Não o oiço ler, com muita pena minha. São horas de ir jantar que estas coisas também não se podem fazer de barriga vazia.

Regresso por volta das 22 horas. Na sala já se respira “Saramago” há muito tempo. Na Igreja Matriz o relógio vai marcando, cadenciado o tempo. As badaladas por vezes nem se ouvem. Elas são dadas com força mas a sala está absorta na história. Por ali vagueia, já há muito, o António Mau-Tempo, o do livro, o de Monte Lavre, porque o nosso, o cá de Avis, esse está a fazer as malas para ir passar umas férias à Tunísia. Pois que faça boa viagem que nós ficamos por cá com o António Mau-Tempo e seu pai João Mau-Tempo, de Lavre, mais, o Sigismundo Canastro, mais o Guarda José Calmedo e o Cabo Tacabo (cujo nome tanta dificuldade tinha em ser lido, não era Ana?), mais a Gracinda Mau-Tempo, mais o Manuel Espada, mais o cão Constante e ainda mais toda aquela gente que, graças a Saramago, povoa os nossos sonhos nessa tarde/noite/madrugada.

Alguém abre a porta de mansinho. Assusto-me. Penso que poderá ser o Cabo Tacabo ou mesmo o padre Agamedes que, agastado com esta homenagem, nos venha lembrar que Deus não se compadecerá daquela nossa heresia. Rodo o pescoço devagar e descanso ao ver que afinal quem entra é o José Ramiro, que como a Leonor Xavier, fôra às Marchas ao Maranhão e já regressara. Descanso o medo e embrenho-me de novo na história. A luta pelas oito horas está quase ganha. Mas ainda não está.

…Um noctívago, (já estamos para lá das três da manhã), passa lá fora, na Serpa Pinto (praça ou rua? Que importa?). Os passos são cadenciados e aproximam-se. Soam-me a algo de sinistro e tenho medo de novo. Será alguém que vem fazer o funeral do João Mau-Tempo? Há sempre alguém que lhe cheire a morte. Talvez seja o Padre Agamedes para lembrar um homem bom…Desta vez já não olhei para a porta. Olhei para os meus colegas da sala. Os resistentes… Concentro-me no que a professora Maria Antónia Oliveira lê. E ainda tem folgo para tanto…

Nunca pensei que houvesse tanta gente a assistir ao final do livro. Falta só já um capítulo. Somos seis, os resistentes ao sono a às dores de costas e pescoços.

Tem a honra de encerrar esta maratona o Fernandino Lopes. São três e meia da manhã acabadinhas de dar no relógio da Matriz. Fernandino diz umas palavras de circunstância antes de começar a ler. Está emocionado. A coisa correu bem e sente-se gratificado com a resposta dada a esta iniciativa em que foi ele a dar o pontapé de saída. E ataca o último capítulo. E chega ao fim e batem-se palmas. Batem palmas o Francisco Alexandre, o Fernandino Lopes, o José Ramiro, a Leonor Xavier, a Maria Antónia Oliveira e o Fernando Máximo. Dos 15 leitores da maratona estavam ali 6 leitores àquela hora tardia. Uma boa percentagem de resistentes: 40%! Se nos lembrarmos que 4 dos leitores não residem em Avis a percentagem sobe para uns admiráveis 55%!

Eram 03:40h do dia 11 de Junho. Tinham passado exactamente treze horas e quarenta minutos desde o início desta maratona de leitura. Missão cumprida!

Recorda-se o modo entusiasta como a Ana Martins leu e a “admiração” que expressou ao ler no livro uma referência a Montargil; o modo como Leonor Xavier se emocionou ao ler um fragmento que “mexeu” demais com ela por demasiado próximo da realidade por si vivida; o entusiasmo da pequena Carolina Oliveira e o modo ritmado como sua mãe, Maria Antónia Oliveira leu, apesar de nunca até ali ter lido Saramago e recorda-se, por fim o nome e as horas daqueles que disseram SIM à solicitação da ACA:

Francisco Alexandre e José Ramiro – palavras de abertura – 14:00h



Leitura do livro:

- FRANCISCO ALEXANDRE – 14:50H

- LEONOR XAVIER – 15:10H

- MARIA ALBERTINA DORDIO – 15:45H

- JOÃO MARTINS – 16:15H

- ANA BALÃO – 16:40H

- ANA MARTINS – 17:45H

- SILVIA FELIZ – 18:10H

- JOSÉ RAMIRO – 18:40H

- LEONOR XAVIER – 19:30H

- DEOLINDA MILHANO – 20:35H

- MATOS SERRA – 21:15H

- CAROLINA OLIVEIRA – 22:15H

- MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA – 22:25H

- ANABELA CANELA – 22:45H

- ANA MARTINS – 00:20H

- MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA – 01:15H

- FERNANDO MÁXIMO – 02:00H

- ANA MARTINS – 02.20H

- LEONOR XAVIER – 02:50H

- MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA – 03:00H

- FERNANDINO LOPES – 03:30H



FINAL – 03,40H



Parabéns à ACA!

domingo, 11 de julho de 2010

JÁ ESTÁ!

Está terminada a maratona de homenagem ao Prémio Nobel José Saramago que a Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural lhe promoveu, através da leitura, em voz alta, do livro "Levantado do Chão".



Com início às 14 horas de ontem, dia 10, terminou esta homenagem às 03 horas e 40 minutos de hoje, dia 11. Assim, durante 13 horas e 40 minutos, ininterruptamente, 15 pessoas voluntariamente deram corpo a esta actividade. De salientar que se deslocaram até nós três leitores de Portalegre e um de Cabeço de Vide, o que não deixa de ser relevante da projecção desta iniciativa.



A ACA está, assim, mais uma vez de parabéns.

sábado, 10 de julho de 2010

DE CANDEIAS ÀS AVESSAS...

Por divergências internas a Direcção da Associação de Reformados anda de candeias às avessas. O então Presidente João Moreno bateu com a porta, pediu a demissão não só do cargo como de sócio. Pediram igualmente a demissão dos cargos o vice-presidente, Maximiano Salvaterra e o vogal João Narciso. Sendo a Direcção composta por cinco elementos efectivos e três suplentes, era natural que os suplentes assumissem os cargos vagos. Tal não pôde acontecer por os membros suplentes não saberem ler. Como medida de recurso, assumiu a presidência interinamente o Vice-presidente, assegurando assim o funcionamento daquele corpo social até que para o mês que vem haja eleições intercalares para aqueles três cargos.

A Associação de Reformados de Avis (ASRPICA) é demasiado importante para a nossa vila e para as nossas gentes. Por isso, desejamos que este impasse seja resolvido tão rapidamente quanto possível.

E vai ser, disso temos a certeza.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXVIII)

1 - A HOMENAGEM
É já amanhã, sábado, que a partir das 14 horas na Sede da ACA - Praça Serpa Pinto, 11- se iniciará a maratona de homenagem a José Saramago, com a leitura em voz alta do livro "Levantado do Châo". Mesmo não sendo um dos inscrito(a)s apareça e venha ler com o intuito único de homenagear o Prémio Nobel da Literatura. Ora atente no cartaz e apareça mesmo que seja lá por volta das onze da noite.
A "coisa" promete durar....





2 - AS CESTAS DE POESIA
Damos hoje a conhecer mais umas décimas do nosso amigo e poeta Sr. JOSÉ COUTINHO CALHAU, de Benavila,
Vamos ler o que o poeta escreveu sobre "O trabalho."

Eis pois:

No mundo de quem trabalha
Cria riqueza sem saber
O quanto a ele lhe calha
De tanto esforço fazer

É triste mas tem de ser
O mundo é mesmo assim
E nunca mais vai ter fim
Não se chega a compreender
Eu ando a espera de ver
O meu pensar nuca falha
E não chega para a mortalha
Nem vai dar para eu viver
É o que esta acontecer
No mundo de quem trabalha

Quando no trabalho entrei
Era ainda pequenino
Comecei era um menino
E até hoje não mais parei
Nunca na escola entrei
Para alguma coisa aprender
Coisa que pudesse valer
Falo disto com razão
E só pr’ó lucro do patrão
Criar riqueza sem saber

Fui crescendo e aprendendo
Tudo o que a vida me ensinava
O tal dia que tardava
Mas com a luta fui vencendo
Ainda hoje não entendo
Por que o meu plano falha
E dentro desta maralha
È difícil compreender
O que andamos cá sem saber
O quanto a ele lhe calha

Logo de muito novo
Eu comecei aprender
O que era difícil viver
No meio de este povo
Toda a vida é um jogo
Que é difícil de saber
O que andamos cá a fazer
Começo estar saturado
Estou já muito cansado
De tanto esforço fazer

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O "MAMARRACHO" ENTROU EM OBRAS...

Foto 1 - "Quem estiver no Jardim do Mestre pode espraiar a vista até muito para lá da Senhora Mãe dos Homens,..."

Foto 2 -"...ao tentar apreciar a paisagem para os lados do Ervedal, dá de caras com este mamarracho .."





É verdade: nunca gostei do edifício onde se situam actualmente as instalações do Banco Totta. Aquando da sua inauguração serviu para nele funcionar o então Crédito Predial Português, Banco que entretanto já não existe.

Quando digo que não gosto, refiro-me ao edifício em si. Numa terra marcadamente alentejana em que os edifícios raramente vão além do 2º piso, ficando-se a maioria das casas pelo rés-do-chão, não tinha nenhuma razão, no meu fraco entender, a autorização para construção dum monstro desta altura na nossa vila. Bem sei que à época era importante para os Bancos demonstrarem alguma magnificência, algum luxo. Depois acrescia o facto de poderem vender as moradias dos andares – o lucro era também a mira. E venderam e houve pessoas de cá que fizeram bons negócios. Por aí tudo bem, mas a mim o que me faz afinar é a altura do dito prédio. Quem estiver no Jardim do Mestre pode espraiar a vista até muito para lá da Senhora Mãe dos Homens, mas depois, ao tentar apreciar a paisagem para os lados do Ervedal, dá de caras com este mamarracho que, durante muitos anos, mais parecia um daqueles mapas antigos com as vias-férreas ou os rios desenhados, que nós tínhamos que decorar na 4ª classe, tal era a quantidade de rachas visíveis nas suas paredes.

Este edifício, penso ter sido o primeiro (?) a ter elevador de acesso aos vários andares. Funcionando já ali ao lado a então Escola Primária, não raras vezes a miudagem costumava ir “dar uma voltinha” no elevador, para grande angústia de um funcionário do Banco, que temia pela integridade física da miudagem que, aos quatro e cinco de cada vez, embarcavam naquela aventura de andar de elevador, o que era novidade para a terra.

No princípio a parte comercial, entenda-se a parte do Banco propriamente dita, até não era exageradamente grande para os funcionários que ali trabalhavam e que chegaram a ser uns quinze ou dezasseis. E deles, para aí uns catorze ou quinze tinham trabalho e só um ou dois é que tinham emprego. Por isso estava bem composto o espaço. Com a redução de pessoal que os bancos foram fazendo, muito por mor do avanço informático e da proliferação de novos bancos e novos balcões, o espaço agora era desmesuradamente enorme. Circunscritos actualmente a quatro elementos, por vezes quando entrávamos no banco e acontecia os funcionários estarem nas suas secretárias ou à caixa, atrás do alto balcão, dava a sensação que aquilo era um espaço vazio. Pois bem, para colmatar essa e outras pechas, o “mamarracho” entrou em obras. Ao que julgamos saber, a agência que agora funciona do lado de lá com porta por onde antigamente se encontrava o cofre nocturno, será, depois das obras deslocada de novo para o lado da entrada principal, com atendimento personalizado num espaço a condizer com os ideais dos tempos modernos. Àh! E voltará a Caixa Multibanco, entretanto retirada. O restante espaço será transformado em lojas, suponho que para venda.

Portanto, investidores da nossa terra, olho vivo que vem aí negócio a não perder.

Cá para mim, e não duvidando de que a parte comercial vai ficar muito mais apelativa e acolhedora, e com muito melhores condições de trabalho para quem ali labuta, como sou teimoso q.b. continuo a não gostar do mamarracho.

Mas não tenho outro remédio senão “gramá-lo”…

segunda-feira, 5 de julho de 2010

AVIS EM ALTA - HOMENAGEM A SARAMAGO E PREMIADOS EM JOGOS LITERÁRIOS

1 – HOMENAGEM A SARAMAGO - Não acreditamos que a homenagem ao Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural vai levar a efeito no próximo dia 10 de Julho a partir das 14 horas na sua Sede, não seja um êxito. Para já, segundo nos consta, apenas existem 10 inscrições para ler em voz alta o livro “Levantado do Chão”. Certamente que quando os cartazes, que aguardam oportunidade para serem impressos nos Serviços Socioculturais da Câmara Municipal de Avis, forem por aí afixados, o conhecimento desta iniciativa será mais abrangente e a adesão subirá significativamente.

2 – JOGOS LITERÁRIOS – PREMIADOS AVISENSES

No passado sábado, dia 3, o nome de Avis foi evocado em dois locais diferentes.



Em MONTARGIL:



- Foi feita a entrega de prémios relativos aos Jogos Literários de Montargil 2010, uma organização do Grupo de Promoção Sócio-Cultural de Montargil, por altura das comemorações do seu 40º aniversário.
O tema proposto para estes jogos foi “A nossa terra” e acontece que dois concorrentes da nossa vila foram ali distinguidos com os seguintes prémios:



Modalidade de Conto Curto (máximo de 2 páginas A4)



- FERNANDINO LOPESObteve o 3º prémio com o conto intitulado “A Fotografia”



- Fernando MáximoObteve o 1º lugar com o conto que teve por título “Saudades da nossa terra”.

Foi ainda distinguido com o prémio de melhor do Alentejo nesta modalidade





Modalidade de Poesia – Quadra



Fernando Máximofoi-lhe atribuído o 5º lugar com a seguinte quadra:



Passa lenta a Procissão
Em passos cadenciados,
Nossa terra em oração
Fica livre dos pecados…



Foi-lhe atribuído ainda o 9º lugar com a seguinte quadra:



Minha terra é povoado,
Na barroca, lá ao fundo,
Mas atesto em todo o lado
Que é a mais linda do mundo!



Este nosso amigo foi ainda distinguido com o prémio de melhor do Alentejo na modalidade de quadra.



Foto: Montargil: 1º Prémio - Conto Curto



Em FREAMUNDE:

Ainda dia 3 deste mês, teve lugar em Freamunde, Paços de Ferreira, a entrega de prémios do Concurso de Quadras alusivas às festas Sebastianas, padroeiras daquela localidade.
Ao nosso amigo Fernando Máximo foi atribuída uma menção honrosa com a seguinte quadra:



Sócrates, tu só me enganas,
Mas confia, que eu não minto:
Hei-de ir às Sebastianas
Alargando um pouco o cinto…



Aqui deixamos o registo e os parabéns aos premiados…






sexta-feira, 2 de julho de 2010

CESTAS DE POESIA - (CXXVII)

Continuam a receber-se inscrições para a homenagem que a AMIGOS DO CONCELHO DE AVIZ – ASSOCIAÇÃO CULTURAL, pretende fazer ao Prémio Nobel da Literatura, JOSÉ SARAMAGO, no próximo sábado, dia 10, na Sede da ACA a partir das 14 horas e que consistirá em ler em voz alta o livro “Levantado do Chão”.



Quanto às “Cestas de Poesia”

JOSÉ COUTINHO CALHAU acompanhará as nossas Cestas de Poesia por mais um mês. Por duas razões: porque tem matéria para tal e porque a sua poesia merece ser divulgada. Estivemos a fazer uma análise mais aprofundada às “Cestas” passadas e detectámos algumas anomalias que corrigimos, como seja a errada numeração que vínhamos atribuindo e que agora, supõe-se está correcta. Por outro lado, nas “Cestas de Poesia” nºs CXXII e CXXIII repetimos as poesias sobre Benavila. Sendo embora muito bonito aquilo que o nosso convidado escreveu sobre Benavila, não há necessidade de repetições pois que temos trabalhos suficientes para atribuirmos um a cada Cesta. Com os nossos pedidos de desculpas ao amigo JOSÉ COUTINHO CALHAU, hoje publicamos dois trabalhos de sua autoria:


Eis a primeira
Fui ver se encontrava
Alguma flor que me encantasse
Encontrei uma rosa branca
Pedi-me que a desfolhasse


Que linda rosa era um encanto
Que dava gosto afagar
Seu perfume para cheirar
E que eu adorava tanto
Sua formosura era um espanto
E era linda eu achava
E quando por ela passava
Podes te tu convencer
Que eu só queria saber
Fui ver se encontrava


Parei para contemplar
A flor que ia a passando
Fui sempre para ela olhando
E assim lhe quis eu provar
Chamei-a, fi-la parar
Talvez que eu encontrasse
Quando essa donzela passasse
A minha ideia continua
De encontrar na minha rua
Alguma flor que me encantasse


Quando a donzela passou
Fiquei feliz e radiante
Dei um passo mais adiante
E ela comigo falou
Tu não sabes quem eu sou
Mas para ti eu vou ser franca
Se ouviste a minha tamanca
Foi mesmo para te despertar
Que eu vinha aqui a passar
Encontrei uma rosa branca


Conversa puxa conversa
Perguntei-lhe para saber
O que andava ali a fazer
E se levava muita pressa
E fiz-lhe então uma promessa
Podia ser que aceitasse
E que comigo não se zangasse
Do que lhe estava a pedir
E ela disse-me a sorrir
Pediu-me que a desfolhasse




…e agora as segundas décimas:


Procurei por toda parte
Para ver se encontrava
Dentro do saber e da arte
O que a ciência nos ensinava


Perguntei a muita gente
Qual o máximo do saber
Neguem soube responder
Nem saber suficiente
E foi oportunamente
Que eu a pensar na arte
Mas não a quem me afaste
E falei com muito povo
Nada me disseram de novo
Procurei por toda parte


Se alguém me tem respondido
Foi sempre sem ter a certeza
Falavam da natureza
E daquilo que é conhecido
As vezes mal recebido
No entanto sempre tentava
E aquilo em que me inspirava
Eu nunca tinha a certeza
Foi sempre com delicadeza
Para ver se encontrava


É difícil de encontrar
Quem conheça os dois sentidos
São assuntos desconhecidos
E que andamos a procurar
Para sabermos deslindar
E dizermos por toda a parte
Não vá alguém querer julgar-te
E que toda agente procura
E quem pergunta com ternura
Dentro do saber e da arte


É de um saber avançado
Aqueles mais estudiosos
Estudam o passado dos povos
E tiram sempre resultado
Eu já tenho imaginado
Que o saber é coisa fina
Mas se alguém imagina
O que se queira convencer
Eu gostava de aprender
O que a ciência nos ensina

quarta-feira, 30 de junho de 2010

VELHO DO RESTELO ASSUMIDO E...CONSUMIDO

“Sou velho do Restelo” mas assumo. E cá estou eu a pedir desculpas por me ter enganado. Afinal a selecção luso-brasileira jogou mais do que os três jogos que eu previra.

O que eu não previra é que o Carlos Queiroz quisesse comer as folhinhas do relvado e folhinha a folhinha. Além de não ser ruminante é ridículo.

- Se valeu a pena jogar mais que os três jogos iniciais? Não tenho cabeça para responder. Perguntem ao Bartolomeu Dias…

segunda-feira, 28 de junho de 2010

AVIS DUPLAMENTE EM ALTA!


Foto 1 - À direita a foto premiada de ANTÓNIO JOSÉ CALHAU - "Dançar com ventre"


Foto 2 - ANTÓNIO JOSÉ CALHAU exibe o troféu que lhe foi entregue pela Sra. Presidente da Junta de Freguesia da Ameixoeira ( primeira à esquerda), correspondente ao seu prémio


Decorreu ontem a distribuição de prémios dos XXI Jogos Florais da Freguesia da Ameixoeira, uma das freguesias da cidade de Lisboa. O nome de Avis foi proferido na sede daquela Junta de Freguesia, por duas vezes, já que houve naquele certame dois concorrentes do nosso concelho que obtiveram prémios.
Este ano o tema dos Jogos Florais da Ameixoeira foi “A DANÇA”.

 Assim destacamos que:



1 - Na categoria de fotografia, ANTÓNIO CALHAU, de Benavila alcançou o 3º PRÉMIO, sendo que não foram atribuídos o 1º e o 2º prémio. O trabalho a concurso intitulou-se "Dançar com ventre”.



2 - Na modalidade de conto o assíduo leitor “DO CASTELO”, Fernando Máximo, foi distinguido com  menção honrosa num conto intitulado "As danças da vida”.



“DO CASTELO” divulga a notícia e apresenta parabéns aos premiados.

sábado, 26 de junho de 2010

Amigos de Aviz homenageiam o Prémio Nobel da Literatura Portuguesa

Com o intuito de homenagear aquele que foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, JOSÉ SARAMAGO, recentemente falecido, a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, promove-lhe uma homenagem a acontecer na sua Sede, sita na Praça Serpa Pinto, Nº 11, em Avis, no próximo dia 10, sábado, a partir das 14 horas.

A homenagem consiste em ler-se em voz alta, o seu livro "LEVANTADO DO CHÃO." Para o efeito, encontram-se abertas inscrições para todos quantos quiserem colaborar nesta iniciativa, podendo fazer as inscrições no site da ACA em acavis@sapo.pt , pelos telemóveis 969 015 106 (de Fernando Máximo) ou 938 183 155 (Fernandino Lopes) até dia 9 de Julho ou junto de qualquer outro membro da Direcção.

Consoante for o número de inscritos assim será o número de páginas que cada qual lerá.

Vamos homenagear este grande vulto da nossa literatura, participando nesta iniciativa.

Inscrevam-se e compareçam

sexta-feira, 25 de junho de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXVI)

JOSÉ COUTINHO CALHAU, gosta de lembrar os poetas da sua terra.
 E que bem que ele o faz!
Ora vejam lá se não tenho razão:

Venho aqui homenagear

E sem querer fugir ao tema
E também para confirmar
Benavila é um poema

Sei que o povo admira
Poetas que de cá são
Gavetas e Rodrigão
O Barreto e o Zé de Elvira
Se alguma lição se tira
O que é sempre de aproveitar
Para um dia recordar
Que saudade que paixão
Do fundo do coração
Venho aqui homenagear

Quero ainda relembrar
Joaquim Manuel Pina
Que fazia obra fina
E sem nunca se enganar
Estou-me ainda a lembrar
De tanto e lindo poema
A forma e até o esquema
Que tinha de os fazer
É o que venho aqui dizer
Sem querer fugir ao tema
De Jaime da Manta Branca
Que teve aqui sua criação
O Artur o Grilo e o Tonhão
Enxada que não empanca
Como se fosse alavanca
Ainda quero nomear
Por que gosto de falar
Dos que estão entre nós
Sei que não estamos sós
É também para confirmar

Eu que sou principiante
Sou mecânico, bato o malho
O Martins e o Carvalho
A Ana Vilela é semelhante
A Bragança e algum estudante
Que são filhotes de gema
O José, o António ou a Ema
E assim se pode verificar
E quem nisto reparar
Benavila é um poema

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ASSOCIAÇÃO DE DIABÉTICOS DE AVIS MOSTRA SERVIÇO!

Depois de ter fomentado no passado dia 18 um bem sucedido Rastreio da Obesidade, a Associação Humanitária de Apoio aos Diabéticos do Concelho de Avis, promove amanhã, quinta-feira, a partir das 18 horas na Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, situada na Praça Serpa Pinto Nº 11, em Avis, uma SESSÃO DE EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE a ser ministrada pela Dra. Marta Carrilho, nutricionista.

A sessão é aberta a toda a população, independentemente de ter comparecido ou não ao rastreio e é de todo o interesse estarmos presentes para aprendermos a ter uma alimentação saudável e equilibrada e também esclarecer dúvidas que possamos ter.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

POIS É...................

Apesar de toda a minha "desconfiança" em relação à selecção Luso-brasileira e dado que a selecção hoje foi nacional e ganhou sem brasileiros à mistura, deixo-vos uma prendinha. Quem não tiver vuvuzela, ora dê "gaz" ao som do seu PC e carregue aqui:


E que tal?

sábado, 19 de junho de 2010

19,30H DE HOJE, O PONTO ALTO DE TODA A FEIRA DO LIVRO DE AVIS, EDIÇÃO 2010

Foto 1 - “Figuras” presentes, as estritamente indispensáveis...

Foto 2 - "...sem grandes assistências a baterem palmas..."

Foto 3 - "...meu grande amigo João Guilherme, que mesmo assim não se escusou a autografar alguns dos seus livros."


Por vezes as cerimónias mais simples, sem grandes publicidades, sem grandes figuras presentes são aquelas que mais significado têm para quem as vive. O momento alto da Feira do Livro de Avis/2010, para mim, viveu-se hoje por volta das 19 horas e 30 minutos com a apresentação pública do livro de Décimas do Sr. João Guilherme. “Figuras” presentes, as estritamente indispensáveis: o autor, Sr. João Guilherme, a Sra. D. Margarida Luzia, Presidente da Junta de Freguesia de Ervedal que financiou a obra do poeta e a Professora D. Maria Albertina Dordio que compilou todos os trabalhos inseridos no livro. Houve emoção q.b. por parte destes três protagonistas: a Senhora Presidente feliz por ter dado azo a que o Sr. João Guilherme tivesse o “seu” livro, a Professora Maria Albertina, a grande responsável para que este livro fosse uma realidade e que se emociona até às lágrimas ainda e sempre que fala do seu Ervedal

Até o Sr. João também se sentiu emocionado quando ouviu a professora ler os seus poemas dizendo a dada altura: até parece que não fui eu que escrevi isso, mas fui!

Bonita esta cerimónia, sem alardes de grandes publicidades, sem grandes assistências a baterem palmas mas rica de significado, pela simplicidade da cerimónia do tamanho da simplicidade do coração do meu grande amigo João Guilherme, que mesmo assim não se escusou a autografar alguns dos seus livros.

Parabéns a todos quantos quiseram estar nesta festa.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

CESTAS DE POESIA - (CXXV)

No dia em que faleceu José Saramago; no dia em que o Jardim Público de Avis se anima para mais uma feira do Livro de Avis, eis que é de novo sexta-feira e, como tal, dia de mais uma Cesta de Poesia. Todos sabem que o convidado continua a ser ainda o “Sedense”, naturalizado Benavilense, JOSÉ COUTINHO CALHAU.



Para hoje escolhemos as seguintes décimas:



Sou pastor das serranias
E ao menino venho trazer
O leite das minhas ovelhas
Para ajuda-lo a crescer



É tão bom ser pequenino
E termos toda a atenção
E aquilo que anos nos dão
São desejos de menino
Realidades do destino
Presentes de cortesia
Desejos de ser um dia
Engenheiro ou doutor
Como não posso ter mais valor
Sou pastor das serranias



Ser menino como Deus
É uma bênção divina
E que na fé se imagina
Dos que são crentes ou ateus
Só pensamentos como os meus
E que na fé se vão desvanecer
Verdades que não posso dizer
Não me culpes por ser assim
E para ajuda-lo sempre assim
Ao menino venho trazer



Guardo ovelhas na serra
Meu rebanho é pequenino
Foi como quis o Deus menino
E as que cabem na minha terra
Quando alguma delas berra
E que sacode as orelhas
O que a elas se assemelhas
Eu começo logo a pensar
Como tenho que ir levar
O leite das minhas ovelhas

Levo a vida trabalhando
Nos matos da Serra da Estrela
Se olhar para o seu eu vou vê-la
E pelo caminho vou andando
E penso que estou trilhando
E que ate o estou a ver
Porque tem que a sim ser
E assim me vou deslocar
E não posso lá faltar
Para ajudá-lo a crescer



quinta-feira, 17 de junho de 2010

...PORQUE A OBESIDADE MATA!

Sabia que, depois do tabagismo, a obesidade é considerada como a segunda causa de morte passível de prevenção?
A obesidade é uma doença! Mais, é uma doença que constitui um importante factor de risco para o aparecimento, desenvolvimento e agravamento de outras doenças
Há tantas pessoas obesas a nível mundial que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou esta doença como a epidemia global do século XXI.


Preocupada com esta problemática, a Associação Humanitária de Apoio aos Diabéticos do Concelho de Avis, promove dia 18 de Junho, entre as 15 e as 18 horas no Salão da Junta de Freguesia de Avis, um Rastreio da Obesidade o qual será efectuado pela nutricionista, Dr.ª Marta Carrilho.

O rastreio é inteiramente gratuito e destina-se a todas as camadas da população.

Posteriormente e em complemento deste rastreio, organiza a Associação de Diabéticos, dia 24 de Junho, uma Sessão de Educação para a Saúde sobre Alimentação Saudável, a partir das 18 horas na Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, sita na Praça Serpa Pinto, Nº 11 em Avis, coordenada igualmente pela Doutora Marta Carrilho.

Olhe pela sua saúde, apareça e tire as dúvidas que tiver.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

"CAFÉ COM LETRAS" 2010 - A DESPEDIDA

Amanhã, quinta-feira dia 17, a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, encerra o ciclo de Cafés com Letras da época de 2010.
As convidadas serão as Drªs Ana Luísa Baptista e Paula Rasquete, do Centro de Convívio Social Engenheiro João Antunes Tropa, de Benavila, e a temática em debate será a de: ANIMAÇÃO DE IDOSOS: UM MODELO DE BOAS PRÁTICAS. A hora e o local serão os de sempre, 18 horas na Sede da ACA.

Com esta sessão atinge-se assim a 92ª destas tertúlias que desde Janeiro de 2005 se vem regularmente realizando na Praça Serpa Pinto, Nº 11 aqui em Avis.

“DO CASTELO” endereça os parabéns à associação que tem mantido este espaço de troca de ideias, de conhecimentos e que tanta e tanta gente tem trazido até nós para falar dos mais diferentes assuntos.

Oxalá que aos directores da ACA não lhes falte a coragem para continuarem para o ano com novo ciclo e novos convidados para outras sessões do seu “Café com Letras”.

terça-feira, 15 de junho de 2010

HAJA SAÚDE!

Foto 1 - "...novos preocupados com a saúde..."

Foto 2 - "...menos jovens preocupados com a saúde..."

Foto 3 - "...jovenzinhos mostrando que expandem saúde dançando..."

Foto 4 -"...locutoras lançando ao vento as suas belas e saudáveis vozes..."

Foto 5 - "...malabaristas com mais saúde que equilíbrio nas massas..."

Foto 6 - "...gente que saudavelmente tratava da saúde..."

Foto 7 -"...sem chegar a que a barriga lhes rebentasse..."

Foto 8 - "...muita gente abrigando-se à sombra por mor do Sol não lhes estragar a saúde ..."




Pois é! Não é da selecção que venho de novo falar.
Hoje o palco da Saúde em Avis chamou-se ESCOLA. Na Sede do Agrupamento Vertical das Escolas do Concelho de Avis foi celebrada a Saúde. É sempre assim: quando a escola escancara as suas portas à comunidade “civil” a escola ganha outra vida! Quando traz até à Sede todas as criancinhas do concelho ganha outra cor! Por ali se viu de tudo: novos preocupados com a saúde, menos jovens preocupados com a saúde, jovenzinhos mostrando que expandem saúde dançando, locutoras lançando ao vento as suas belas e saudáveis vozes, malabaristas com mais saúde que equilíbrio nas massas, gente que saudavelmente tratava da saúde sem chegar a que a barriga lhes rebentasse, muita gente abrigando-se à sombra por mor do Sol não lhes estragar a saúde e muitas mais coisas que nos permitem viver saudavelmente. Foi bom ir à Festa da Saúde!

Ah! Se tudo fosse tão genuinamente saudável como esta Festa da Saúde…

SOU UM "VELHO DO RESTELO"

Havendo “Navegadores Portugueses ” no campeonato do Mundo de Futebol, na África do Sul, é natural que por lá e por cá também haja “Velhos do Restelo”.
 Confesso: eu sou um deles.
 É verdade, não tenho “fézada” nenhuma na selecção luso-brasileira. A chama que tem invadido Portugal nas últimas situações semelhantes, este ano está apagada, pese embora o facto dos mails de apoio à selecção não serem visíveis como o foram as bandeiras nacionais colocadas por tudo quanto era sítio. Nota-se no entanto que o entusiasmo do “povão” é muito mais diminuto e a verdade é que a crise não pode pagar com as culpas todas, sabendo-se até que ao futebol são atribuídas qualidades de ser um bom antídoto para a crise. Não vou discutir as escolhas do seleccionador até porque não estou suficientemente habilitado para isso, mas a verdade é que o Prof. Carlos Queiroz não me inspira confiança, não lhe acho mística ganhadora, mantendo sempre um discurso monocórdico. Mantenho a minha opinião de que Portugal não passará destes primeiros três jogos. Oxalá me engane.

Eu, se fosse a si, e pelo sim pelo não, aproveitava para ver já estes jogos da nossa selecção.

No entanto, também é sabido que os “Velhos do Restelo”, os autênticos, vieram mais tarde a confirmar o quanto estavam enganados em relação aos navegadores de então.

A pensar assim, também eu quero ser um “Velho do Restelo”…e à séria.

sábado, 12 de junho de 2010

AVIS EM ALTA - DUPLAMENTE EM ALTA!


Foto 1 - "A Rua das Portas de Santo Antão apinhava de gente à porta da Casa do Alentejo devidamente engalanada."

Foto 2 -"...num edifício religioso lá estava um símbolo igualmente ligado a Avis - as obras de restauro daquele templo (ou parte) estão a cargo da MIU- Gabinete Técnico de Engenharia, Lda."
Foto 3 - "Curioso aquele artesanato todo ele dedicado ao Alentejo e aos Alentejanos."

Foto 4 - "...já nossas conhecidas “Mondadeiras” da Alma Alentejana, de Almada,"

Foto 5 -" ...Grupo de Cantares Alentejanos da Amadora..."

Foto 6 -"...Grupo que veio lá da Mina de S. Domingos..."

Foto 7 - À Esquerda a foto premiada com o 1º lugar e à direita o 2º lugar

Aproveitando a boleia oferecida pelo nosso amigo Fernando Máximo, a equipa ”DO CASTELO” rumou a Lisboa no passado dia 10 de Junho, quinta-feira e feriado, para ir assistir às comemorações do 87º aniversário da Casa do Alentejo. O dia estava chuvoso e por volta das nove e meia da manhã, à hora da partida, o tempo não estava nada convidativo a passeios, mas como os anfitriões se disponibilizaram a ir e a levar-nos, não hesitámos e lá fomos. Passados alguns quilómetros já se tornava enfadonha a voz monocórdica a lembrar que “ na próxima rotunda, mantenha-se à direita e saia na segunda saída”. Mas mais enfadonho é ainda ouvir dizer: “mantenha-se à direita e saia na saída”. Então havia de sair onde? Na entrada? Estas modernices que nos ensinam os caminhos são boas, mas às vezes enfadam. A viagem lá se fez, com o tempo a melhorar a olhos vistos e por vezes com uns ziguezagues para evitar atropelar algum coelhinho mais afoito e sempre ouvindo comentários ao modo como as cegonhas fazem os seus ninhos lá tão altos. Realmente é obra! As “cegonhitas” que não sabem voar aprendem necessariamente. Puxa!

Chegámos. A Rua das Portas de Santo Antão apinhava de gente à porta da Casa do Alentejo, devidamente engalanada. Alentejanos, muitos. Houvera animação de rua com grupos corais e com a Banda de Veiros. Ao meio-dia e meia lá se começou a entrar naquele imponente, bonito e rico edifício, deixando atrás de nós esse não menos imponente, bonito e rico emblema do clube que ali tão próximo teve a sua sede por muitos e bons anos: o Glorioso SLB. Ao lado esquerdo de quem está virado para a porta de entrada da Casa do Alentejo, num edifício religioso lá estava um símbolo igualmente ligado a Avis - as obras de restauro daquele templo (ou parte) estão a cargo da MIU- Gabinete Técnico de Engenharia, Lda., firma que tem um pavilhão – por acaso bem giro embora nunca o tenha visto aberto – na zona industrial de Avis. Penso que o Gerente, Sr. Eng. Artur Correia da Silva, terá uma forte ligação a Avis, talvez parental, tendo, ao que pensamos saber tido recuperado ainda não há muitos anos, a porta da Igreja do Convento de S. Bento em Avis.

Mas entremos que o nosso propósito é entrar e ir espreitar o que é que leva o Fernando Máximo a ir até lá. Ao cimo das imponentes escadarias um átrio árabe onde decorria uma feira do livro e de artesanato. Curioso aquele artesanato todo ele dedicado ao Alentejo e aos Alentejanos. Foi dada uma explicação do que se passava ali naquele átrio e depois fomos convidados a subir ao piso superior onde seria servido o almoço. Mais de centena e meia de pessoas encaminharam-se para as mesas previamente marcadas e sinalizadas com nomes dos trajes alentejanos: a nós coube-nos a mesa das “Botas”. Entradas à grande e à…alentejana. Leiam só: Azeitonas, torresmos, pimentos assados, salada de polvo, salada de ovas, favas com chouriço e costeletas de borrego panadas. "panito". Depois de provar de tudo, pouco espaço sobrou para o almoço, constituído por creme de ervilhas com coentros e carne de porco fatiada com cenoura e batata assada. A custo lá se deu conta da sobremesa composta por cericá com bola de gelado – uma delícia – fruta da época e bolo de aniversário. As bebidas, águas, sumos e o vinho Marquês de Borba estavam à altura do evento e os cafés e digestivos rematavam esta lauta refeição.

Mas a esta altura ainda não sabíamos ao que ali íamos…e já tínhamos a barriga cheia de entradas. Atentos, os repórteres “DO CASTELO” ouviram Fernando Máximo e a esposa entabular conversa com os companheiros que lhe tinham calhado em mesa. Uma senhora disse que ela e o marido vinham de Setúbal e um senhor disse que era de Benavila. Olá! Benavila, que coincidência, pensámos. Num ápice tudo se desvendou:

- A minha namorada, que se chama CATARINA FONSECA ganhou o 1º prémio no concurso de fotografia, modalidade de cores, sobre Fontanários do Alentejo. Ganhou com um fontanário do Ervedal, disse o JOSÉ ANTÓNIO LOPES, Benavilense dos quatro costados. Foi até o Prof. José Ramiro que no-lo indicou…concluiu.

Como bons repórteres, os elementos da equipa “DO CASTELO” ouviam e tomavam as devidas notas. O que ali nos levava ficou desde logo sabido quando a mulher do Fernando Máximo disse:

- E o meu marido ganhou o 2º Prémio na mesma modalidade…

- E eu ganhei o 3º prémio, mas foi na modalidade de preto e branco…disse o alentejano que morava em Setúbal embora fosse natural de Montemor-o-Novo…

Assim mesmo, tudo de repente e de mão beijada chegou ao conhecimento dos repórteres “DO CASTELO”. Estava tudo explicado.

Mais descansados, desfeito o “tabu” assistimos à actuação das já nossas conhecidas “Mondadeiras” da Alma Alentejana, de Almada, ao Grupo de Cantares Alentejanos da Amadora, do Grupo que veio lá da Mina de S. Domingos, cantar-nos e lembrar-nos em tom dorido e quase chorado o Hino dos Mineiros: “Nas minas de S. Domingos morreram muitos mineiros…vê lá, vê lá, companheiro…”

Seguiu-se a sessão solene com distinção a três Alentejanos (ou quase) de vulto: Rosa Coutinho que segundo o Dr. João Proença (Presidente da Direcção da Casa do Alentejo) era filho de uma alentejana da Vidigueira, logo emendado em voz baixa por alguém que sabia do que falava, dizendo: da Vidigueira não, da Vila de Frades… Foram ainda homenageados o Prof José Chitas que foi Presidente do Município de Mora e que, apesar de lhe ter “dado uma trombosesita” segundo as suas palavras, fez um discurso “inflamadíssimo” e o Sr. Dinis, que ao que apurámos é o fotografo oficial dos eventos da Casa do Alentejo e que igualmente se encontra doente. Foram ainda distinguidos os sócios com 50 e com 25 anos de Casa. Com os discursos a meio, ouvimos ainda o Sr. Presidente da Câmara de Estremoz que ali acompanhou a Banda de Veiros. Não esperámos pelo partir do bolo nem pela actuação dessa prestimosíssima banda filarmónica. Ao nosso amigo Jorge Passadinhas as nossas desculpas, por não ouvirmos a banda da sua terra, mas o caminho de regresso era longo, a tarde ia muito adiantada e o nosso anfitrião não gosta de conduzir de noite.

Resumindo. Avis esteve duplamente em alta neste evento:

O 1º Prémio é dum fontanário do Concelho, é da vila de Ervedal.
O 2º Prémio foi ganho por Fernando Máximo, de Avis, sendo que o 3º prémio não foi atribuído.

“DO CASTELO” apresenta parabéns a ambos e mostra-vos acima, entre outras, as duas fotos premiadas e apresenta igualmente parabéns a essa grande organização que é a Casa do Alentejo em Lisboa pela passagem do seu 87º aniversário e onde apenas detectámos uma presença minúscula alusiva ao Concelho de Avis, num pequeno azulejo. Por certo haverá por lá outros e maiores testemunhos da presença do nosso concelho, e fomos nós que não os achámos.
Também não podemos ver nem saber tudo.





sexta-feira, 11 de junho de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXIV)

Para aqueles que por aqui têm passado e já estão fartos de ver sempre o mesmo, as minhas desculpas. Mas é que o Banco Alimentar Contra a Fome é uma ideia a reter. É um projecto demasiado importante para nós não o fixarmos. Lá mais para Novembro voltamos ao assunto e contamos com a sua ajuda.
Continuando com a nossa senda de darmos a conhecer trabalhos inéditos do nosso amigo JOSÉ COUTINHO CALHAU, vamos hoje ler umas décimas que o poeta Benavilense por opção, escreveu acerca da Saudade.
Afinal quem é que nunca sentiu saudade de alguém ou por alguma coisa?

Ora leiamos:

Título: Saudade

Saudade é tudo aquilo
Do tempo que já passou
Tenho saudade do estilo
Quando a vida começou

Ter saudade é relembrar
Todo o tempo já passado
A vida é como um fado
Que nos fica a marcar
É bonito recordar
Esta forma este estilo
É como poder ouvi-lo
Este tempo já passado
E sem ficar magoado
Saudade é tudo aquilo

Dizem que a saudade mata
E que se deixa matar
É preciso é visitar
Ou receber uma carta
Quando a vida nos aparta
E que no lugar aonde estou
Mas eu sozinho não sou
Capaz de me relembrar
Mesmo que me ponha a pensar
Do tempo que já passou

Se algum dos nossos amigos
Parte para nunca mais
Sobre lamentos e ais
E suspiros e gemidos
E que ficamos convencidos
Que o fim que é aquilo
Mas gostaria ainda de ouvi-lo
E só para recordar
O tempo está a passar
Tenho saudades do estilo

Fica a saudade da vida
De quando éramos uma criança
Recordações na lembrança
E que disso ninguém duvida
É a saudade da partida
Sem saber para onde vou
Por enquanto ainda cá estou
E confesso a realidade
E tenho mesmo saudade
Quando a vida começou