sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CESTAS DE POESIA - (CXXXVII)

No dia em que começa mais uma edição da Feira Franca de Avis, em que faz oito dias em que este escriba/adivinho assegurou aqui que no fim-de-semana passado começava a recuperação futebolística do Benfica – meu Deus como o gajo se enganou…- , em que Portugal  se endivida a um ritmo de 2,5 milhões de euros à hora (é obra!), temos então mais uma Cesta de Poesia, ainda por mais algum tempo com JOSÉ JOAQUIM CONTENTE, que residiu em Figueira e Barros.

Hoje trago-vos as seguintes décimas:

Nada serve o teu saber
Hoje neste lugar aqui
Estás-me tu a fazer ver
O que eu te faço ver a ti



Estás doente e estás perdido
Não faças mais clamor
Ao pé do teu superior
Canta e põe-te em sentido
Nunca sejas atrevido
Comigo te vires meter
Hás-de comigo aprender
A puxar obras que eu puxo
Eu, praça velha e tu galucho
Nada serve o teu saber

Eu digo e sempre direi
Nas cantorias do fado
Não ateimes que é escusado
Que nunca sabes o que eu sei
No estudo aonde eu estudei
Coisa igual ainda não vi
Já da tua boca ouvi
O fraco entender que mostras
Hás-de me pedir de mãos postas
Hoje neste lugar aqui

Tua ideia não conheceu
A ciência do meu dote
Eu dou-te o ponto do mote
Faz lá obras como eu
Ainda não me esqueceu
Nem me esquece até morrer
Tenho uma pasta em meu poder
Ninguém pode andar melhor
O que eu sabia de cor
Estás-me tu a fazer ver

O que me vem à recordação
Eu aqui te estou passando
P’ra te ficares de mim lembrando
Recebe esta lição
Cá na minha situação
Ainda nunca perdi
Ainda não descobri
Na volta do cantar
Está-me tu a ensinar
O que eu te faço ver a ti

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

PREPARATIVOS PARA A FEIRA FRANCA DE AVIS - ESTA MANHÃ

Foto 1 - Por aqui ficarão os "AMIGOS DO CONCELHO DE AVIZ - ASSOCIAÇÃO CULTURAL" - à entrada, p'ró lado esquerdo...

                                                     Foto 2 - Esta estrutura já está no ar...

                                                                    Foto 3 - Outro ângulo...

                                                         Foto 4 - Quase tudo a postos...

                                                   Foto 5 - Há quem trabalhe lá por cima...

          Foto 6 - ... e cá por baixo ...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A SENHORA MINISTRA DA SAÚDE

Hoje, a minha ida ao Hospital de S. João de Deus, em Montemor-o-Novo, nada mais seria que apenas mais uma viagem para consulta médica, se a Srª Ministra da Saúde não se encontrasse por lá de visita. À chegada, a minha entrada foi “barrada” por um simpático e delicado funcionário do Hospital que me disse que não poderia estacionar lá dentro mas que “podia ir deixar as senhoras e depois sair”. Assim fiz, entrei, atravessei o parque de estacionamento e saí para ir estacionar numa rua próxima. Até aqui não sabia o que se passava. Ao entrar a pé questionei o tal simpático funcionário da razão daquela restrição de estacionamento, pois se até havia, contrariamente ao que é habitual, vários espaços livres… Foi-me dito:

- Está cá a Ministra da Saúde em visita

Não sabia que era a Ministra mas que tinha de ser alguém “importante” já eu adivinhara dado os vários engravatados que se encontravam à entrada principal do Hospital, acompanhados de algumas damas cujos cabelos tinham passado há muito pouco tempo por mãos de cabeleireiras experientes.

Passada cerca de meia hora lá começou a sair aquele “pessoal” todo, mais os seus condutores, as sua máquinas acelerativas de últimos modelos e alguns sorrisos. Mas, curiosamente, aí um quarto de hora antes, uma senhora elegantíssima, estilo Barbie, saiu em cima de uns generosos saltos altos abanicando as suas excelsas glândulas mamárias ao compasso do seu bamboleante andar: troque…troque…troque.Fiquei na dúvida se o soutien não seria da "Molaflex"... Saiu, como dizia, e entrou só no carro a que o motorista, entretanto, tinha aberto a porta traseira direita. E lá foi, só e contente. (supõe-se). Um carro - uma viajante, maneira de poupar no erário público. Não cheguei a saber qual era o seu papel no meio daquilo tudo.

Mas voltemos aos “outros” que agora já estavam na rua. Depois de alguns beijinhos e abraços a caravana lá se desfez, sendo que a Senhora Ministra até abriu o vidro da sua viatura e fez um adeus com o braço, qual Rainha de Inglaterra (não confundir com o Pinto Monteiro). Nesta altura é que foram elas! Pois bem se se diz que “A voz do povo é a voz de Deus” oiçam uma pequeníssima súmula daquilo que estes meus macerados ouvidos escutaram antes, durante e depois  da passagem da Senhora Ministra, não necessariamente por esta ordem:

- Os carros destes gajos são iguais aos dos ciganos: tudo carros grandes!

- E eles não são ciganos? Alguns são ainda piores…

- Olha, lá andam eles com os nossos carros. Sim que nós é que pagamos os impostos para eles passearem à nossa custa!

- Ela devia era ter vindo visitar a parte velha do Hospital, A nova está em boas condições. Devia vir aqui a esta parte, ver as casas de banho…e o resto...

- Olha para isto, se fosse um de nós não podia aqui estacionar que impedia a entrada dos doentes. Estes gajos fazem tudo…

- Estes gajos fazem tudo o que querem e ainda lhes sobra muito tempo…

- E nós a pagar para isto tudo…

- Vocês sabem o que é que a Ministra cá veio fazer? Olhem:  veio “inaugurar” uma Unidade de Cuidados Continuados que já está a trabalhar há um ano…

- Nenhum desses gajos e gajas está a ganhar menos de 200 contos por mês…

- Aquele da gravata encarnada, calhando, está dando uma entrevista para algum jornal…

- O Salazar morreu na miséria e deixou os cofres da nação cheios de dinheiro, estes gajos estão lá quatro anos e saem de lá cheios e deixam os cofres cada vez mais vazios…

- Olha a Ministra a fazer adeus e a gente a rir-se para ela. Até parece que vivemos todos muito felizes…

Meus amigos isto foi o que eu ouvi e aquilo que consegui tirar apontamentos. Assim mesmo, sem tirar nem pôr. Mais comentários houve mas como compreenderão não os consegui passar para o papel e já se me varreram.

Para terminar só uma coisa: Ó Srª Ministra da Saúde, se souber que dizem estas coisas de si e dos seus muitos acompanhantes, não leve a mal. São coisas do povo. Sabe que mais? Se fosse eu o Ministro da Saúde em vez da Senhora, era precisamente a mesma coisa…

Valha-nos Deus com estas gentes!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

JÁ CHEIRA À "FÊRA"

Livro 1 - A 10,00€ durante a Feira Franca, no stand dos Amigos de Aviz

Livro 2 - A 15,00€ no mesmo local - (20,00€ o conjunto)

É verdade que começa a “cheirar” a Feira que se realiza no próximo fim-de-semana.. No recinto da dita já se vislumbram algumas movimentações, a “praça de touros” junto à rotunda da fonte já está em pé. Sinais evidentes que a nossa Fêra Franca se aproxima.

Ao que consta, a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural irá ter, de novo, o seu já habitual espaço “Há Livros na Feira” com algumas dezenas de livros a preços que vão desde os 0,20€ (leu bem, 0,20€ - vinte cêntimos).

De destacar a venda, naquele espaço, de dois livros da autoria de Maria Antónia Pires de Almeida. Esta doutorada em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE, embora nascida em Lisboa tem fortes laços que a ligam a Avis. Estudou profundamente a temática relacionada com a Reforma Agrária no Alentejo dando especial atenção ao que se passou no concelho de Avis.

Sobre este assunto lançou em 2006 o livro “A Revolução no Alentejo - Memória e Trauma da Reforma Agrária em Avis” onde “analisa as motivações dos autores do movimento da Reforma Agrária” e está a lançar neste preciso momento “Memórias Alentejanas do Sec. XX” onde “reúne uma série de entrevistas realizadas com o objectivo de estudar o processo da Reforma Agrária que se iniciou no Sul de Portugal no final de 1 974, nalguns casos, por duas décadas.”

Se no primeiro existem nomes explícitos que muitos de nós conhecemos, já no segundo os nomes não são apresentados mas, os mais “velhotes” facilmente identificam cenas ou pessoas que protagonizaram determinadas cenas, que me escuso de aqui referir porque lendo o livro tudo se torna muito mais claro.

Ao que “DO CASTELO” conseguiu apurar estes dois livros estarão à venda respectivamente por 10€ (Livro 1) e 15€ (Livro 2), sendo que quem comprar os dois os poderá levar pelo preço único de 20€ o conjunto.

Posto isto só há que esperar pela sexta-feira e dirigirem-se ao pavilhão dos Amigos de Aviz para verem e comprarem estes livros novos e outros um pouco já menos novos mas que não é por esse motivo que deixam de ser livros.

Boa Feira e bons negócios para todos.

sábado, 11 de setembro de 2010

4ª JORNADA

GUIMARÃES 2 – BENFICA 1


Um árbitro mal formado
Que se fartou de roubar,
Deixou o Benfica entalado
Não o deixando ganhar


Uma grande roubalheira
Foi aquilo que se viu
Árbitros desta craveira
Vão p’rá puta que os pariu…

Sporting 0 – Olhanense 0


O Leão está bem calado
Pois o árbitro André Gralha
“Viu” o Patrício empurrado
Apitando, assim, ao calha…

Porto 3 – Braga 2

Ganhou quem eu não queria
- Futebol Clube do Porto -
Um clube donde eu não seria
Nem mesmo depois de morto….

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXXVI)

Um dia passado sobre a muito tardia demissão de Carlos Queirós de seleccionador nacional; no dia em que o Benfica enceta a recuperação gloriosa que o levará a consagrar-se, pelo segundo ano consecutivo, campeão nacional; a faltar um dia para a comemoração de mais um 11 de Setembro de triste memória, eis que é de novo sexta-feira e como tal dia de “Cestas de Poesia”.

JOSÉ JOAQUIM CONTENTE , que residiu e faleceu em Figueira e Barros, continua a dar a sua prestação a esta rubrica por mais alguns tempos. Hoje reza assim a sua poesia fazendo alusão a um período menos bom do seu patrão, que mal dava de comer ao gado. Ora leiam com atenção esta acirrada crítica:

O gado do meu patrão
O gado do meu patrão
O gado do meu patrão
O gado do meu patrão

Já tirei um a experiência
Trazem uma fraqueza enorme
Anda tudo a cair com fome
Até é uma consciência
É preciso muita paciência
P’ra levar isto na direcção
Caem as parelhas para o chão
Ficam com a pele magoada
Trazem a boca vedada
O gado do meu patrão

Ovelhas e carneiros
Anda tudo a cair
Andam os porcos a grunhir
Atrás dos ganadeiros
Não tem nada nos celeiros
P’ra lhe dar de comer à mão
Todos se queixam com razão
Ele nenhum quer acreditar
Dá ao mundo que falar
O gado do meu patrão

Andam os bois cansados
Até os ganhões têm medo
Andam a cair no rego
Mas ele não lhe dá cuidados
Não quer saber dos gados
Isso é uma feia acção
Todos fazem mangação
De andar tudo a passar mal
Deixa fama em Portugal
O gado do meu patrão

Comem uma ração forte
Farelos com alfarrobas
A comer parecem lobas
P’ra ver se salvam a morte
Juro pela minha boa sorte
Faço uma relação
Sou português de nação
Digo e falo a verdade
Dá choque e piedade
O gado do meu patrão

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

REFLEXÕES CRÓNICAS

3 – A P.D.I.



Olho-me ao espelho e não gosto do que vejo. Retiro uma fotografia da carteira e observo-a. Depois, perplexo, olho de novo para o espelho. Penso não ser a mesma pessoa mas é. Sou eu. Não pode ser! Não sou! …mas sou. A foto exibe um moço imberbe onde a barba rala despontava com fraca intensidade. Esguio, de formas quase rectilíneas, ali estava eu então com vinte anos aquando da minha chegada a Avis. As laranjeiras da Machado Santos eram da minha altura e algumas mais baixas. As laranjeiras cresceram e eu decresci. Da foto e da imagem reflectida no espelho apenas reconheço a barba: continua rala embora branqueada. A exagerada proeminência abdominal faz-me fechar os olhos e retirar-lhe (à proeminência e ao meu todo) quarenta anos. De olhos fechados reconheço-me na foto como me reconheço de olhos abertos. No espelho não me reconheço. Sou eu mas não quero ser. Estou em crer que se os excessos gordurosos dos homens e das mulheres em vez de se concentrarem respectivamente na barriga e nas nádegas (ou ancas, se preferirem) se concentrassem nas pálpebras haveria mais cuidado para não se chegar a estes casos quase mórbidos de gordura. Não acham que tenho razão? Ora imaginem só.
Mas deixemos isso e voltemos ao espelho: as rugas não estavam no retrato. Não, não estavam. Mau!, se calhar já lá estavam mas eu não as via. Aos poucos, foram vincando a sua existência, de mansinho como se não fosse nada com elas. E agora aí estão a desfigurar umas feições que, ao tempo da fotografia até não eram nada de deitar fora, no dizer de certas meninas da e à época. Já há minutos que estou nesta luta entre o que fui e o que sou. Dói-me uma perna. A do lado direito. Ao tempo da foto, conseguiria estar uma hora em sentido, no tempo da tropa. Agora é tudo uma porcaria. Desgostoso tento descobrir algo que ainda me permita gostar de mim. O cabelo. É isso. Ainda tenho bastante cabelo, apesar da idade. Olho a foto: eram pretos. Olho o espelho: são brancos e menos. Mas são! Ah! Outra diferença: a marrafinha que era do lado esquerdo ao tempo da foto é agora do lado direito, ao tempo do espelho. Mudou de sítio por causa de um maldito “remoinho” que havia do lado esquerdo. Diziam que era por eu ser ruim. A mudança resultou: o remoinho desapareceu e eu fiquei melhor. Não sei. Se calhar fiquei. E o relógio também mudou para o braço direito. Mas isso é uma mariquice como outra qualquer. Coisas de velhos…


Não sei porque me assaltam todas estas dúvidas. Àh! Já sei: lembrei-me agora. Há dias passou uma “modelito” na rua e, mais em estilo de brincadeira do que qualquer outra coisa, atirei-lhe um piropo daqueles que se “atiravam” quando não havia Net em MSM. O meu colega de ocasião, olhou-me de soslaio e disse apenas:


- Ó pá, tu já estás mas é apanhado de todo. Isso deve ser da PDI


-É de quê?, indago sem perceber patavina


- Da PDI pá, da Porra Da Idade


E o pior é que o meu amigo tinha razão. Era mesmo da PDI.


A P.D.I. apenas tem uma vantagem: quem nos lê e acredita em nós diz que somos sábios, que sabemos muito. Quem nos lê e não gosta do que escrevemos, diz que somos parvos e que isto já é da idade…

Enfim, são simpáticos connosco...com a terceira idade...

08 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

VAMOS À PESCA




A pesca é um desporto relaxante e anti-stressante, até quando a linha se enrola formando um novelo dificílimo de desenlear ou o anzol prende onde não deve: quando estas situações se resolvem, só quem as não viveu não sabe o  alívio que se sente após a sua resolução... A contemplação das águas da Barragem do Maranhão, à espera que um peixe pique, é uma das sensações mais calmas que se podem ter. Pelo menos é essa sensação que eu guardo dos tempos em que fui pescador. Não grande pescador, mas fui. A carpa maior que consegui “sacar” tinha cinco quilos, possuo registos dela e garanto-vos que não sou mentiroso.

Um povo à beira-água plantado, como o é o povo de Avis, tem amiudadas vezes oportunidade de organizar concursos de pesca que mais não são que convívios de sã camaradagem. Cabe mais uma vez a iniciativa dum evento desta natureza ao Clube de Futebol “OS AVISENSES”, que levam a efeito no próximo dia 19 de Setembro o seu “3º Convívio Piscatório”, integrado no programa da Feira Franca de Avis e cujas condições de participação bem como os respectivos horários podem ser conferidos no cartaz acima (clique na imagem para aumentar).

Acerca da pesca, permitam-me que vos dê a conhecer uns versos da autoria de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, grande poeta popular residente em Santo António das Areias (Marvão) e inserido no seu livro “Os versos que eu fiz”, editado em 1 988. Também ele foi pescador, aqui no Maranhão e noutros tempos nas águas do Guadiana, apanhando barbos grandes e à mão entre as raízes dos salgueiros na zona de Juromenha.


AO PESCADOR

Em cima duma tripeça
Horas a fio sentado
À espera que apareça
Algum peixinho esfaimado!...

Gosto de pescar à cana
Sem que isso me aborreça
Ao menos ao fim-de-semana
Anseio que tal aconteça!...
Com calminha, sem ter pressa,
Dá para me divertir,
Passo o tempo sem sentir,
Em cima duma tripeça!...

Primeiro, preparo o engodo,
Previamente comprado,
Não lho posso deitar todo,
Para se não dar acabado!...
Lanço a cana com cuidado,
Fica a bóia a flutuar.
E sou capaz de aguentar,
Horas a fio sentado!...

Quando o peixe dá o toque,
Faz com que a bóia estremeça.
Logo com um esticão forte,
O anzol lhe prega a peça!...
Sempre que me aconteça,
De ver a bóia abalar,
Começo o fio a enrolar,
À espera que apareça!...

Sempre o carreto enrolando
E o fio bem esticado,
Se o peixe está puxando,
Eu fico todo esperançado!...
Se ele estiver bem ferrado,
E o anzol aguentando,
É natural que vá tirando
Algum peixinho esfaimado!...

José da Silva Máximo

Depois desta "pescaria poética", resta-me convidá-los a inscreverem-se no 3º Convívio Piscatório do Clube de Futebol “Os Avisenses” e, quem sabe, depois de uma boa jornada de pesca, também você, caro(a) leitor(a), tenha uns versos para me entregar…
Quem sabe….

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXXV)

Hoje, dia 3 de Setembro em que:

a) - Começou a 34ª Festa do Avante

b) – Portugal foi afastado do Campeonato da Europa em Futebol, categoria de sub-21

c) – Em que a selecção “A” empatou mal e porcamente com o Chipre no 1º jogo de apuramento para o campeonato europeu de 2012

d) – No dia em que fiquei agradavelmente surpreendido com a Justiça Portuguesa por ter considerado CULPADOS 6 dos 7 arguidos no Caso Casa Pia,

Chega até nós mais uma Cesta de Poesia, ainda com obra de JOSÉ JOAQUIM CONTENTE, o ZÉ CARAPINHA, de Figueira e Barros. O que reservei para vós é o seguinte (para descontrair):

O dez tem a mania
O vinte a impressão
O trinta não ouvia
O quarenta a dar lição

Número um canta comigo
Convida o dois também
O três não lhe convém
Quatro não está resolvido
O cinco muito atrevido
Diz p’ró seis que não sabia
O sete quer ser rufia
O oito está desgostoso
E o nove está teimoso
O dez tem a mania

Número onze não consente
O doze a cantar o fado
O treze já está zangado
E o catorze não está contente
O quinze fala lindamente
Para o dezasseis com atenção
O dezassete faz mangação
Do dezoito que está a cantar
E o dezanove quer ganhar
O vinte tem a impressão

O vinte e um quer vencer
O vinte e dois no combate
Vinte e três quer ter arte
E vinte e quatro não quer perder
Vinte e cinco se veio meter
Vinte e seis teve alegria
Vinte e sete com valentia
Do vinte e oito faz pouco
Vinte e nove chama parvo e mouco
Ao trinta que não ouvia

Trinta e um estava cantando
Trinta e dois toca guitarra
Trinta e três quer ser barra
Trinta e quatro estava escutando
Trinta e cinco detrás falando
Trinta e seis segue a direcção
Trinta e sete arma em revolução
Trinta e oito o mesmo diz
O trinta e nove aprendiz
O quarenta a dar lição

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

AVIS EM ALTA!


Foto: A capa do Livro



Por vezes vêm ter a Avis pessoas que são uma mais-valia para a nossa terra. Eu direi mesmo que a grande maioria das pessoas que para cá vêm são pessoas válidas e com grande facilidade de integração. Certamente tanta quantos aqueles que deixam Avis para exercerem profissões noutros locais. Mas deixemo-nos de blábláblás, de conversa mole e vamos ao que interessa. RUTE REIMÃO chegou a Avis há poucos anos mas tem com o seu dedicado trabalho de ilustradora levado o nome de Avis bem longe, pois que os seus trabalhos, sendo reconhecidos em muitos pontos, já se começam a ligar com o nome de Rute Reimão a Avis. Começa a haver uma afinidade entre os dois nomes. Agora surgiu uma “parceria” com outra grande mulher da escrita, de Montemor-o-Velho. O seu nome é LURDES BREDA, é uma amiga indiscutível de Avis (é inclusivamente sócia da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural) que quer aqui voltar sempre que lhe for possível. Da conjugação de esforços entre duas amigas resultou um livro que dá pelo nome de “O Alfabeto Trapalhão”, escrito pela Lurdes e ilustrado pela Rute.


Para ficarmos a saber um pouco do que trata este livro oiçamos (leiamos) a autora da ilustração e na primeira pessoa:


Caros amigos,


É com muito prazer que estendo um novo convite, após o lançamento do livro "Histórias do Barco da Velha", sai para as bancas um novo livro, desta vez editado pela GATAfunho, com texto de Lurdes Breda e ilustrado por mim.



"O Alfabeto Trapalhão" , é uma obra de poesia direccionada para crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico. Através de rimas cheias de nonsense, todas as letras do alfabeto se juntam, para formarem palavras, mostrando como isso pode ser estimulante e divertido. As histórias nascem assim, letra a letra, e a imaginação não tem limites... Por isso, pelas páginas deste “Alfabeto Trapalhão” podem descobrir-se: um B com duas barrigas, um dinossauro que cai, redondo, no chão, um hipopótamo sonolento, um I com os cabelos em pé, um palhaço trapalhão, um N que faz o pino, um pinguim pateta, um soldadinho a marchar, um S a assobiar, um cowboy que faz parapente, um Z a ziguezaguear e muitas outras personagens engraçadas, em ilustrações cheias de cor e fantasia. As mãos da Rute misturaram retalhos de cartas com comboios de sonhos, cartões e cartolinas com sorrisos de alegria, papéis velhos e novos com montanhas de ideias, tesoura e cola com muita brincadeira, e tintas e lápis coloridos com nuvens de magia…
--
Rute Reimão


Por sua vez Lurdes Breda diz-nos assim:

Convidamos V. Exa. Para o lançamento do livro “O Alfabeto Trapalhão”, escrito por Lurdes Breda e ilustrado por Rute Reimão, editado pela Editora GATAfunho, a ter lugar no dia 5 de Setembro, pelas 15.00 Horas, na Galeria Municipal de Montemor-o-Velho.

A apresentação da obra estará a cargo de Ana Cristina Jorge, Professora do 1º Ciclo do Ensino Básico e, actualmente, a exercer a função de directora no Agrupamento de Escolas de Arazede, Montemor-o-Velho.

A sessão contará com a intervenção do músico João Gentil e do Grupo Instrumental Orff da APPACDM – Unidade Funcional de Montemor-o-Velho, acompanhado pela Professora Lina Carregã.



Seguir-se-á uma sessão de autógrafos pelas autoras e um Porto de honra aos convidados.



Lurdes Breda

Posto isto, nada mais nos resta que endereçar os parabéns a estas duas amigas de Avis, desejando-lhes as maiores venturas nas suas “artes”.

Não digam nada a ninguém, mas parece que este livro vai ser lançado igualmente cá por Avis, num evento cultural elaborado pela Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural que terá o nome de “Escritos e Escritores 2010 – 2ª edição” a ocorrer entre os dias 16 e 18 de Outubro do presente ano.


Na impossibilidade de irmos a Montemor-o-Velho ficaremos atentos à ACA e à sua iniciativa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

3ª JORNADA

Benfica 3 – Vitória de Setúbal 0


Um Jesus menos loirinho,
Cabelo em tons de mel,
Lá ganhou este joguinho
Ao seu colega Manel

Rio Ave 0- Porto 2


Alumia duas vezes
Candeia que vai à frente
…À altura dos revezes,
Onde irá já esta gente?

Naval 1 - Sporting 3

Naval não soube jogar
E um Sporting esforçado,
Teve mesmo que ganhar
Um jogo mal arbitrado…

domingo, 29 de agosto de 2010

FUMO SOBRE AVIS

Como em anos anteriores, aí está o fumo vindo de terras distantes onde o fogo dita leis. Não sabemos donde. Abrantes? Sardoal? Vila de Rei? Portalegre? Mais perto? Mais longe? O ar torna-se quase irrespirável, entra pelas frestas das janelas, invade as nossas habitações, penetra nos nossos pulmões.. Sinal de destruição, de morte. Com ele vêm à memória as imagens televisivas de incêndios que diariamente devastam as nossas florestas ou aquelas dos incêndios que em 2003 destruíram parte do parque de S. Mamede, em Portalegre e a que assistimos e tentámos combater. É todos os anos assim. Pelo menos uma vez Avis é invadida por estes sinais de destruição. Lá longe. Valha-nos ao menos isso, sem no entanto nos servir de consolação.

Bom seria que nunca por cá chegassem, por nunca existirem.

Nesta hora em Avis respira fumo, um bem-haja muito grande a todos os Bombeiros deste Portugal que tanto têm lutado para combater uma guerra que lhes é, muitas das vezes, imposta por “terroristas” defensores da terra queimada e um bem-haja muito, mas muito grande, aos Bombeiros Voluntários de Avis, pelo que significam de dedicação, coragem e abnegação em prol do bem comum.

sábado, 28 de agosto de 2010

AVIS EM ALTA - GROOVE COMEMORAM 1º ANIVERSÁRIO

Foto: GROOVE


É verdade: parece que foi ontem que comecei a ter as minhas sestas invadidas por uns agradáveis sons musicais e já lá vai um ano, tanto quanto os “GROOVE” têm de existência. Para trás ficam muitas horas de ensaios, muitos concertos, muitas actuações e um honroso 2º lugar no Concurso de Bandas realizado já este Verão na vila de Cano (Sousel).



Hoje, dia 28 de Agosto é pois dia de aniversário para estes rapazes que de quatro passaram recentemente a cinco, pois que aos fundadores Tiago Garrinhas (dono da voz e da guitarra), Gonçalo Garrinhas (exímio baterista), Rui Oliveira (magnífico guitarrista) e Carlos Poeiras (soberbo no baixo) juntou-se agora mais um elemento: Nelson Feiteira (o senhor das teclas).



A festa vai ser de arromba e acontecerá no Campo Municipal de Futebol, em Avis, a partir das 21h30m. Como convidados os “GROOVE” trazem até nós os “FORA DA BOIA” (que festejam também o seu 3º aniversário) e os “BANG BANG ROSES” (banda de tributo oficial aos Guns n Roses). E mais: dois DJ – dois: GONGO e CHESTER.



Estão assim reunidas as condições para os Avisenses, e não só, terem uma noite de sábado diferente. Hoje à noite todos os caminhos (e ruas) vão dar ao Campo de Futebol em Avis. Os “GROOVE” merecem o nosso aplauso e a nossa presença por tudo quanto têm feito em defesa dos valores culturais de Avis.



“DO CASTELO” endereça os mais sinceros parabéns a estes jovens com votos de que para o ano cá estejamos todos para nos divertirmos em mais um dia de aniversário.



Força, “GROOVE”!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

CESTAS DE POESIA (CXXXIV)

Foto: Grupo que "nem deu pela tarde passar..."

Curiosamente, hoje que é dia das nossas “Cestas de Poesia” houve poesia a rodos no Centro de Convívio e Apoio Social Engº João Antunes Tropa, em Benavila. A Drª Paula Rasquete organizou este encontro/convívio e à mesma mesa sentou-se perto de uma vintena de utentes amantes da poesia para ouvirem poemas da autoria dos presentes, JOÃO VILELA, JOÃO CARVALHO, JOSÉ COUTINHO, FRANCISCA ALMEIDA, JOAQUIM CABRA (que bem sabe dizer poesia - parabéns!) e FELIZARDA GARCIA. Foi ainda feita a leitura de poemas em livro da autoria de JAIME VELEZ, JOSÉ DA SILVA MÁXIMO e MANUEL CARRAJOLA.

No final a satisfação era total havendo mesmo quem afirmasse que “nem se deu pela tarde passar.” Quando isto se diz é porque efectivamente a tarde foi bem passada.

Registado este apontamento voltemos ao nosso JOSÉ JOAQUIM CONTENTE, da Figueira e Barros, para conhecermos mais um dos seus vários trabalhos em décimas. Como já dissemos o Sr. José Contente explorou um café em Figueira e Barros. Acontece que no Ervedal, para aumentar as vendas, houve quem pusesse, noutro estabelecimento os cafés a um preço demasiado baixo. O Contente não gostou e vai daí escreveu assim:

Vou mandar para as outras nações
Do que se passa em Portugal
Cafés a cinco tostões
Só se vendem no Ervedal

Embora digam que não
A verdade assim se escreve
Até a pessoa que o bebe
É o próprio que faz mangação
Fizeram uma reunião
Para levantar uns tostões
Não serviram as combinações
Voltaram ao tempo antigo
Devia ser proibido
Vou mandar para as outras nações

Digo a todos os taberneiros
Deviam ser castigados
Há vinte anos atrasados
Já custavam o mesmo dinheiro
Dou volta ao mundo inteiro
Não encontro coisa igual
Vou mandar pôr no jornal
Este grande atraso de vida
Eu tenho a sentença lida
Do que se passa em Portugal

Estes são os meus palpites
Falados pela minha boca
De café é uma colher de sopa
Para uma cafeteira de cinco litros
Alguns que são mais esquisitos
Dispõem as suas razões
Lá dizem para os seus botões
Cada vez estamos pior
Não podemos servir melhor
Cafés a cinco tostões

Eu vou pedir por favor
Antes do café deitado
Queremos o preço mais elevado
Para a terra ter mais valor
Eu digo seja a quem for
Cumpro o meu dever legal
Digo a todo o pessoal
Temos que conservar esta mágoa
Vender cafés por preço de água
Só se vende no Ervedal

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

PEREGRINAÇÃO A NOSSA SENHORA MÃE DOS HOMENS







Recuemos, cá por Avis, até aos princípios dos anos 70 do século passado. Dito assim até parece que já foi há muito tempo. Mas não. Eu vivi-os e não sou nenhum dinossauro. Já aqui uma vez referi que o Externato Mestre de Avis, vulgo Colégio de Avis, gozava de uma merecida fama no que à qualidade de ensino dizia respeito. Professores como o Dr. Fernando Belo, sua esposa Drª Maria Rosa, o Professor Chitas ou mais tarde o Dr. Vidigal conseguiram, a par de outros que a minha memória já não alcança, dar bom nome a este estabelecimento de ensino. E essa fama ultrapassava em muito os limites do distrito de Portalegre, pois aqui rumavam alunos vindos, por exemplo de Mora, Portalegre, Ponte de Sôr ou do Couço.

Como pároco de Avis e leccionando igualmente no Colégio (Português e História?) o Padre Valdemar conseguia granjear uma simpatia acima do normal junto da juventude da nossa terra. Lembro-me perfeitamente de que à altura as missas eram celebradas na Igreja do Convento que não raras vezes enchia. E entre a assistência muitos e muitos jovens como eu. Talvez que até não fosse a fé que nos levasse ali mas outrossim a possibilidade de dar uma “olhadela” às moçoilas que igualmente lá iam, quem sabe se com o mesmo intuito de “lavar a vista”...é que os tempos eram outros! A irreverência da juventude desse tempo, ou não fosse juventude, levava a que por vezes o Padre Valdemar, antes do sermão dominical, endereçasse um ou outro “sermão” aos mais desinquietos, convidando-os mesmo a abandonar a Igreja do Convento. Na altura a palavra “respeito” tinha um significado diferente do que tem hoje e todos se aquietavam depois do raspanete, não sendo necessário sair.

O Padre Valdemar era uma pessoa dinâmica e defensora da cultura de Avis.

Era ele o Director de um jornal que teve certa implementação a nível local que dava pelo nome de “O AVISENSE” , que servia de ponte entre esta terra e os seus filhos espalhados por Portugal e que após a sua morte depressa deixou de circular. Sempre empenhado em resolver problemas relacionados com o nosso património, demandava com grande à-vontade os gabinetes ministeriais de Lisboa para resolução dos problemas que não conseguia resolver a nível local.. Não é difícil deduzir que era ele o grande impulsionador da Festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Lembro-me que éramos várias dezenas de pessoas, muitos jovens, que nos incorporávamos nessa caminhada que de Avis nos levava à Igreja, do outro lado da Barragem. A festa religiosa era o ponto alto das cerimónias. Depois o convívio: o piquenique, o baile, a actuação de uma banda filarmónica no coreto, que penso eu, ainda por lá terá uns restos até que o tempo (ou o homem) o destrua na totalidade.

A tradição mantém-se: um punhado de gente da nossa vila organiza, e no último Domingo de Agosto ainda há quem vá a pé até à Ermida de Nossa Senhora Mãe dos Homens, embora em muito menor número que então, e quiçá com muito menor fé. Mas disso, da falta de fé de cada um, ninguém é culpado. O cartaz acima diz tudo: dia 29 de Agosto 2010 (Domingo) – partida a pé às 06h00 junto do posto da GNR; 10 horas saída da Igreja Matriz, em cortejo automóvel, com a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens; 11h00 missa dominical seguida de procissão em redor da Capela; Almoço livre e tarde de convívio; 17h00 regresso até à Igreja Matriz.

Se o Padre Valdemar ainda estivesse entre nós por certo seria o primeiro a dizer “presente” nesta festa que lhe era tão querida.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

AVIS SOLIDÁRIA

Tudo começou por uma esperança, um sonho: poderem-se dar melhores condições de mobilidade ao VITOR ROSADO, de Alcórrego. A ideia era arranjar um número suficientemente grande de tampas de plástico que, uma vez entregues na Valnor, pudessem ser trocadas por uma cadeira de rodas mais moderna e que melhor pudesse corresponder às necessidades do Vítor. Foi posta mão à obra com a intervenção da Associação Humanitária de Apoio aos Diabéticos do Concelho de Avis a que logo se juntaram o Agrupamento Vertical de Escolas de Avis, os Serviços Socioculturais do Município de Avis e muitos particulares. E o sonho tornou-se realidade: amanhã, dia 24, pelas 10,30h no Salão da Junta de Freguesia de Avis, irá ser entregue a tão desejada cadeira. Pese embora o facto de não ter sido possível arranjar os cerca de 4 000 quilos de tampas, a SODREL, sediada em Ponte de Sôr, disponibilizou-se para colmatar essa falha avançando ela com a verba correspondente às tampas em falta.

O Victor fica para já remediado. Mas outros há que precisam da nossa ajuda e da nossa solidariedade. Por isso vamos todos continuar a guardar e a entregar as tampas de plástico para que possamos socorrer mais alguém, não se sabendo se esse alguém não será um de nós próprios.

domingo, 22 de agosto de 2010

2ª JORNADA

Nacional 2 – Benfica 1

O “franganeiro” aos ais
Sofre golos tantas vezes…
Mas donde são os centrais?
São da loja dos chineses?

Porto 3 – Beira Mar 0

Presidente arruaceiro
Que asneira até mais não,
Tem um treinador matreiro
E um “matador” que é Falcão…

Sporting 1 – Marítimo 0

Ao fim de tanto sofrer
Lá apareceu um golinho:
E o Paulo Sérgio a tremer
Com medo de ir de carrinho…

sábado, 21 de agosto de 2010

AVIS EM BAIXA

Foto1 : Ontem, sexta-feira de manhã...

Foto 2 : Hoje sábado...

A parte nascente da vila de Avis anda mal limpa de há muito tempo a esta parte: as ruas estão mal varridas, melhor não são varridas, embora por vezes, raras vezes, se veja por ali um indivíduo a passear um carrinho com uma vassoura dentro. Ruas sem árvores não são de todo apetecíveis para o varredor desta zona. As ervas vão crescendo pelos passeios, não são arrancadas. Antigamente os varredores possuíam um sachinho com o qual arrancavam essas ervas que por qualquer razão resistiam à “cura” que lhe era aplicada na Primavera. Os tempos mudaram e os varredores de rua, que talvez agora já sejam “ técnicos especializados em limpeza urbana” ou “técnicos ambientais” por certo viram alterado o conteúdo funcional da sua categoria profissional ao qual foi retirado a obrigatoriedade de arrancar as ervas dos passeios. E de varrer, digo eu…

Para não pensarem que estou a falar de cor, atentem nas fotos acima. Ontem, sexta-feira de manhã a papeleira receptora dos talões da caixa multibanco junto à Caixa Agrícola em Avis, apresentava o aspecto que acima se vê. Isto era sexta de manhã o que deixa perceber facilmente há quantos dias aquilo não é limpo. Ainda se fosse segunda de manhã poderia ser o resultado de um fim-de-semana em que os serviços daquela Multibanco tivessem sido muito utilizados. Hoje sábado, os papéis na papeleira não estão a transbordar porque alguém os comprimiu e outros já se encontram espalhados pelo chão. Isto dá um péssimo aspecto a uma vila que devia e deve fazer jus à sua condição de vila alentejana e como tal de vila limpa. Além dos papéis também se pode verificar que as folhas e o papelão há muito que não é varrido.

Por acaso já uma vez aqui nos referimos a uma situação idêntica e no mesmo local.

Felizmente que nem todos os varredores são deste quilate, pese embora o facto de outro(a)s passarem grande parte do tempo debaixo das laranjeiras a falar ao telemóvel. A parte superior da vila é aquela que melhor limpa tem andado, em relação à limpeza do chão. Já aqui o dissemos também mais que uma vez, graças ao brio do Chico. Para ele os parabéns renovados por fazer aquilo que os outros não fazem: cumprir com as suas obrigações de bom profissional e não andar por aí apenas para receberem o ordenado.

Para terminar só mais uma referência à zona da Multibanco acima referida: imaginemos que o Multibanco não era uma consequência do vil capitalismo e o camarada Jerónimo de Sousa, antes de ir para o Alcórrego, ia utilizar um qualquer serviço daquela máquina e deparava com todo aquele lixo. Não ia ficar contente connosco, pois não? É que não se pode continuar a confundir democracia com bandalheira. Enquanto esta “confusão” se mantiver continuaremos a assistir ao aumentar de lixo não só na nossa vila como em todo o nosso Portugal.

Como diria a rapaziada do “Limpar Portugal” – NÃO VOLTEM A LIXAR ESTE LOCAL