A pesca é um desporto relaxante e anti-stressante, até quando a linha se enrola formando um novelo dificílimo de desenlear ou o anzol prende onde não deve: quando estas situações se resolvem, só quem as não viveu não sabe o alívio que se sente após a sua resolução... A contemplação das águas da Barragem do Maranhão, à espera que um peixe pique, é uma das sensações mais calmas que se podem ter. Pelo menos é essa sensação que eu guardo dos tempos em que fui pescador. Não grande pescador, mas fui. A carpa maior que consegui “sacar” tinha cinco quilos, possuo registos dela e garanto-vos que não sou mentiroso.
Um povo à beira-água plantado, como o é o povo de Avis, tem amiudadas vezes oportunidade de organizar concursos de pesca que mais não são que convívios de sã camaradagem. Cabe mais uma vez a iniciativa dum evento desta natureza ao Clube de Futebol “OS AVISENSES”, que levam a efeito no próximo dia 19 de Setembro o seu “3º Convívio Piscatório”, integrado no programa da Feira Franca de Avis e cujas condições de participação bem como os respectivos horários podem ser conferidos no cartaz acima (clique na imagem para aumentar).
Acerca da pesca, permitam-me que vos dê a conhecer uns versos da autoria de JOSÉ DA SILVA MÁXIMO, grande poeta popular residente em Santo António das Areias (Marvão) e inserido no seu livro “Os versos que eu fiz”, editado em 1 988. Também ele foi pescador, aqui no Maranhão e noutros tempos nas águas do Guadiana, apanhando barbos grandes e à mão entre as raízes dos salgueiros na zona de Juromenha.
AO PESCADOR
Em cima duma tripeça
Horas a fio sentado
À espera que apareça
Algum peixinho esfaimado!...
Gosto de pescar à cana
Sem que isso me aborreça
Ao menos ao fim-de-semana
Anseio que tal aconteça!...
Com calminha, sem ter pressa,
Dá para me divertir,
Passo o tempo sem sentir,
Em cima duma tripeça!...
Primeiro, preparo o engodo,
Previamente comprado,
Não lho posso deitar todo,
Para se não dar acabado!...
Lanço a cana com cuidado,
Fica a bóia a flutuar.
E sou capaz de aguentar,
Horas a fio sentado!...
Quando o peixe dá o toque,
Faz com que a bóia estremeça.
Logo com um esticão forte,
O anzol lhe prega a peça!...
Sempre que me aconteça,
De ver a bóia abalar,
Começo o fio a enrolar,
À espera que apareça!...
Sempre o carreto enrolando
E o fio bem esticado,
Se o peixe está puxando,
Eu fico todo esperançado!...
Se ele estiver bem ferrado,
E o anzol aguentando,
É natural que vá tirando
Algum peixinho esfaimado!...
José da Silva Máximo
Depois desta "pescaria poética", resta-me convidá-los a inscreverem-se no 3º Convívio Piscatório do Clube de Futebol “Os Avisenses” e, quem sabe, depois de uma boa jornada de pesca, também você, caro(a) leitor(a), tenha uns versos para me entregar…
Quem sabe….








