quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CHOCALHARAM-SE AS COMADRES

Foto 1 - "FRANCISQUINHA" a estrela da companhia...
Foto 2 - MESTRE ORLANDO, "pai da chocalhada" e ANTÓNIO HENRIQUES "pai" da Francisquinha 
Foto 3 - Pela Rua do Convento


Foto 3 - O Repasto e o anfitrião

Tal como o meu colega “DESABAFOS” atempadamente noticiou, no passado dia 10, quarta-feira, chocalharam-se as comadres cá pela vila de Avis.
Comecemos pelo princípio.
Tudo começou com uma conversa de cadeira de barbearia quando o Mestre Orlando escanhoava a barba ao Mário:
- Ò Mário, era interessante chocalharmos as comadres como fazíamos antigamente…
- Ó Mestre, eu arranjo os chocalhos...
Estava armado o balho!
O Sr. António Henriques terá sido dos primeiros a ser contactado e disponibilizou-se de imediato para fazer a boneca: a Francisquinha. Foram feitos mais contactos através do Mestre Orlando e arranjou-se uma lista para inscrições que ficou exposta na barbearia: ao todo arranjaram-se 18 foliões.
Embora o dia das Comadres fosse só na quinta-feira, parece que a tradição de chocalhar as comadres, cá em Avis, era na quarta-feira imediatamente anterior. E foi o que aconteceu este ano: às sete da tarde, hora aprazada para a concentração, apenas duas pessoas na barbearia: o Mestre Orlando e o Sr. António Henriques. Melhor, três, pois que a radiosa Francisquinha também já lá estava.
- Sabe uma coisa? A última boneca que eu tinha feito ainda era solteiro, diz o Sr. António Henriques, radiante pela obra conseguida.
Riposto-lhe:
- Pelos vistos, isto de fazer bonecas é como andar de bicicleta, aprende-se uma vez na vida e nunca mais se esquece…
Às oito horas deu-se a partida. Os chocalhos já tinham sido atados, sendo também essa missão pertencido ao Ti Tonho Henriques.
O itinerário pré-estabelecido previa a passagem pelas ruas mais habitadas mas em breve se constatou a quantidade de casas devolutas que há por essa vila, nomeadamente na zona histórica. Aos poucos foram-se introduzindo as alterações que se acharam convenientes.
Na Rua do Convento os actores desta brincadeira, sentiram o calor dos flashes: duma das janelas alguém quis registar este momento único de há muitos anos a esta parte: uma fotografia para recordação. Não cheguei a saber era se tinha sido um Compadre bem-disposto ou uma Comadre incomodada.
Na Rua de S. Roque alguém vindo lá dos lados de Cascais e levada pela curiosidade, quis testemunhar o que se passava. Na Rua dos Muros houve quem espreitasse das águas-furtadas e na Rua das Cisternas duas idosas sorriram ao passar a “chocalhada”, talvez recordando outros tempos, outras histórias. Na parte poente da Rua António José de Almeida era bom de ver as moradoras do Cemitério Velho a espreitarem cá para baixo. A irreverência desta gente levou-os a interromperem uma aula de Inglês que decorria nas instalações da Junta de freguesia. Estupefactos uns, prevenidas outras, a aula terminou pouco depois não sem que antes a Maria Joana Moreno se vingasse da afronta despejando umas mãos cheias de farinha em alguns dos intrusos. Dali o cortejo seguiu tendo percorrido a Avenida da Liberdade, o Bairro Catarina Eufémia e o Ferragial das Amendoeiras, onde a Margarida Passadinhas defendeu a honra das Comadres enfarinhando mais um ou dois compadres. Seguiu-se a Combatentes do Ultramar. Nesta, uma pequena incursão para o Largo de S. Sebastião onde uma Comadre de nome Manuela Caçador, apareceu à janela e disse convicta:
- Se eu não estivesse doente como estou essa boneca já não estava aí não…
Fica a dúvida se estaria ou não.
Já na Rua António Alberto Ferreira Franco, na parte nascente da mesma, uma senhora comentava assomando-se à sua varanda:
- Eu disse para o meu Manel : vem aí um rebanho de ovelhas, e ele disse-me: não vês que não são ovelhas, são vacas…
E lá seguimos pensando como o Manel daquela senhora ia acertando nas vacas…só lhe faltou um bocadinho assim…
A Casa do Benfica estava atenta ao desenrolar do futebol quando aquela maralha irrompe por ali adentro. Alguns mostram cara de chateados pelo incómodo e inesperado da situação, enquanto outros sorriem, não sei se por gostarem da chocalhada se pelo facto de, à altura, o Porto ainda estar empatado…
Na casa do Mestre Orlando havia uma paragem obrigatória – tínhamos que beber ali um copo e um bolinho em festa organizada pela sua esposa. Entretanto já a Enfermeira Nídia, que esperava a caravana na sua casa com mesa posta e, em virtude do percurso ter sido alterado, trouxera a farinheira do marido (salvo seja!!!!) já frita, mais uns bocaditos de queijo e pão que a D. Alexandrina, vinda lá dos Luxemburgos, quisera adicionar ao lanche e à festa. Ali, na casa do mestre Orlando juntaram-se muitas comadres e a Francisquinha ficou bem guardada, a um canto da casa, pois que a todo o momento era previsto um ataque à mesma. Tal aconteceu já na rua, quando a comadre Deolinda fez uma incursão, Rua Machado dos Santos acima, correndo desalmadamente atrás do carro da dita Francisquinha. De imediato foi rodeada pelos capangas de serviço à guarda da Francisquinha, e depois de devidamente chocalhada, a comadre Deolinda regressou a casa com juras de que pró ano as coisas iriam ser diferentes.
Dali até à barbearia do Mestre Orlando não houve nada mais digno de registo, a não ser a cara de satisfação por dever cumprido dos cerca de 25 elementos que acabaram esta divertida forma de repor uma tradição que fazia parte dos Carnavais de antanho.
De registar o fair-play da comadre ANA que acompanhou todo o percurso, testemunhando fotograficamente a totalidade do “espectáculo”.
Esperamos sinceramente que as Comadres não esqueçam este “enxovalho” e que para o ano saiam elas à rua a chocalhar os compadres.
Se a vingança se deve servir fria, daqui até ao próximo Carnaval tem muito tempo de arrefecer. Não acham?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

NUMA CRÓNICA DE CARNAVAL NADA SE LEVA A MAL!

Foto 1 - Odaliscas de Alcórrego e Maranhão
Foto 2 - Tiroleses da Aldeia
Foto 3 - Chinesas de Valongo
Foto 4 - Os Cowboys eram de Avis
Foto 5 - Os faraós foram da Casa do Benfica
Foto 6 - Projecto Limpar Portugal - Um projecto á sua espera!
Foto 7- Lar da Santa Casa: Recordar os anos 60 mesmo aos 70...
Foto 8 - O Infantário da Santa Casa trouxe os seus pintainhos...
Foto 9 - Benavila teve Sevilhanas...
Foto 10 - Ervedal trouxe as mexidas camponesas...
Foto 11- A Figueira encerrou o desfile com os seus Piratas

…e ao terceiro dia acabou o Carnaval. Por causa do mau tempo, tudo recolheu ao Pavilhão da Escola de Avis. E foi bonito de se ver…

1 - O Alcórrego e Maranhão apresentaram-nos as suas odaliscas e macacos me mordam se não havia por lá já umas autênticas …odalascas...

2 - Aldeia Velha entrou com os Tiroleses e com alguns malteses à mistura e muitas mal tezas…

3 - Os de Valongo azucrinaram-me a cabeça com os Chineses. Se soubessem a fartadela que eu tenho de chineses e de lojas dos ditos, tinham-me poupado a esta prova de esforço suplementar…

4 - A Ludoteca de Avis trouxe-nos os seus Cowboys e as suas Cowgirls…confesso que até tive vontade de ser cavalo, mesmo sem sela…

5 - A Casa do Benfica disfarçou-se de Faraó talvez para ver se descobre o segredo que fazia deles (faraós) campeões, mas à séria…

6 - O Grupo Limpar Portugal marcou presença para chamar a atenção que é preciso limpar Portugal dia 20 de Março e em todos os outros dias do ano!

7 - O Lar da Santa Casa da Misericórdia de Avis trouxe até nós os anos 60 e, meu Deus quanto reumático acumulado! É certo que me fizeram pegar numa vassoura e fazer dela uma guitarra eléctrica e isso foi bom demais! O pior foi o torcicolo que apanhei com um passe de twist mal dado…

8 - O Infantário da Santa Casa veio para o desfile com os seus pintainhos. Muito devem ter suado certas galinhas de crista arrebitada que por lá andavam...

9 - Benavila trouxe as Sevilhanas, esguias, esbeltas (algumas) e confesso que nunca tinha ouvido umas sevilhanas com sotaque tão acentuadamente alentejano…

10 - Gostei sobremaneira das Camponesas de Ervedal. Agradável à vista, muito mexidas, embora demasiado vestidas para o evento…e não me venham com essa cantiga de que antigamente era assim…

11 - Fechou a Figueira e Barros, com os seus Piratas. Confesso que sabia que havia piratas na Figueira, mas assim tantos não sabia não…

Para finalizar, registo com agrado duas mensagens: a do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Avis que nos disse que nunca se é velho para viver e a do Grupo Limpar Portugal que foi o único que nos trouxe mensagens demasiado importantes, escritas em cartazes: é essencial a defesa do ambiente e o esforço de todos para que no dia 20 de Março nos empenhemos em deixar Portugal e nomeadamente o concelho de Avis mais limpo.
 Agora que acabou o Carnaval, junte-se ao Grupo de Avis do Projecto Limpar Portugal e vamos tratar a sério de um caso muito sério.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

NÚCLEO CONCELHIO DE AVIS DO PROJECTO LIMPAR PORTUGAL PROMOVE VISITA À VALNOR

Solicitou-me o Coordenador Concelhio de Avis do Projecto Limpar Portugal, que avisasse os possíveis interessados de que na próxima quarta-feira, dia 17, haverá uma deslocação às instalações da Valnor, com partida prevista para as 09h15m junto das instalações da Caixa Geral de Depósitos em Avis e com o intuito de sensibilizar para a necessidade da reciclagem dos lixos, sendo que ainda há alguns lugares vagos para total preenchimento dos 33 lugares do autocarro solicitado ao Município de Avis.
Mais nos solicitou ainda que informasse que quem quiser, poderá reservar o seu lugar pelo telemóvel Nº 969 015 106.
Fica o recado dado.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

AMO-TE BENFICA!

Foto 1 - Em busca da mesa perdida... é além!
Foto 2 - MÁRIO VELEZ, um Presidente à altura!
Foto 3 - Luis Filipe Vieira: um discurso fraquinho...
Foto 4 - É quase hora de almoço...
Foto 5 - NORBERTO OLIVEIRA recebe os parabéns de Luis Filipe Vieira
Foto 6 - Grupo de dança da Casa do Benfica em Avis
Foto 7 - ...uns passes de dança...
Foto 8 - Ataque ao bolo!
Foto 9 - Hora do lanche...
Foto 10 - Cardozo marca o Golo do nosso contentamento


O dia de ontem, sábado, esteve frio. Muito frio apesar do sol brilhar. Logo desde bastante cedo se começou a verificar um movimento anormal na pacatez da nossa vila. Algo de extraordinário se passava: só podia ser uma coisa bastante importante para levar a que várias pessoas da nossa praça, e não só, envergassem os seus fatos domingueiros que, diga-se de passagem, nem sempre assentavam  lá muito bem.
A razão era de todos conhecida e facilmente adivinhável pelo elevado número de “encarnados” que por aí abundavam: visitava Avis o Sr. Luís Filipe Vieira, Presidente do Sport Lisboa e Benfica, com intenção de inaugurar o novo visual da Casa do Benfica em Avis (ou será do Benfica de Avis?).
Com honras de outro qualquer Presidente, foi recebido ao mais alto nível nos Paços do Concelho local e de seguida visitou então as instalações da Casa em questão. Digamos que só a partir daqui é que acompanhei mais de perto esta rápida estadia entre nós de tão ilustre figura. (Se não é ilustre, pelo menos parecia…)
No pavilhão da Zona Industrial, que serve de apoio para as festanças dos benfiquistas da terra e seus convidados, aguardava-se com alguma ansiedade a chegada do Sr. Presidente do SLB. Os elementos da Comunicação Social local e regional – aquela que é a sério, que não é como essa coisa dos blogues – mostravam o seu desagrado pelo facto de todas as cerimónias terem sido antecipadas de meia hora sem que de tal tivessem sido avisados. Enfim, fizeram o que puderam.
Aos poucos, os trezentos convivas foram entrando no enorme salão primorosamente decorado, sendo que a entrada se tornou um pouco morosa pela dificuldade em se saber onde estava situada a mesa de quem procurava saber tal. Por fim tudo se compôs, sendo que a mesa do Sr. Presidente Vieira (sim, tem que se identificar o Presidente a que me refiro, porque havia por lá muitos outros ilustres presidentes: Presidentes de Juntas de Freguesias, de Câmara, de Assembleia Municipal, dos Amigos de Aviz etc.. Enfim, o que nunca faltam nestas coisas são Presidentes!), sendo que a mesa do Presidente Vieira, dizia eu, foi colocada ali mesmo no local onde um pneu de qualquer viatura de apoio deixou um enorme rasto no chão, talvez para lembrar que a origem deste agora homem todo poderoso do futebol nacional, começou nas negociatas de pneus.
Iniciaram-se os discursos com Mário Velez – aqui está outro Presidente que acima não mencionei – a dar o pontapé de saída. Com um discurso breve, sintetizou o Presidente da Casa do Benfica em (de?) Avis o que a Casa tem feito durante os últimos anos. O discurso pareceu-me equilibrado, sensato e curto q.b.. embora o nervosismo o tenha atraiçoado nas primeiras linhas. Depois tudo se recompôs e acabou com três vivas ao Benfica que empolgaram a assistência entusiasta. Seguiu-se o Sr. Presidente da Câmara – Presidente já referenciado – que foi apanhado de surpresa pois que o discurso que tinha preparado já o gastara nos Paços do Concelho. Mas de improviso acabou por sair airosamente, ou não fosse também ele um Benfiquista dos quatro costados. Finalmente o discurso do mais ilustre convidado presente, cuja categoria de Presidente também já foi aqui sublinhada. Confesso desde já que esperava mais. Considero que Luis Filipe Vieira fez um discurso fraquinho a que teria que dar uma nota não superior a onze valores numa escala de 0 a 20. Após os agradecimentos da praxe aos presentes, com especial ênfase para o fair-play do Sr. Vice-presidente da Câmara, Sportinguista assumido, que acompanhou esta visita benfiquista, quis o Sr. Vieira dar os parabéns à Casa do Benfica por tudo quanto tem feito em Avis, chegando mesmo a dizer que o esforço desta Casa deve servir de exemplo para as outras casas do Benfica. Referiu, e muito bem no meu modo de ver, que “ o futebol também é decência.”
Repito que este discurso me soube a pouco. Se fosse aqui pronunciado um discurso forte, hoje toda a comunicação social começaria as suas notícias por referir que “Luís Filipe Vieira afirmou ontem em Avis tal, tal, tal….” E Avis virava assim por algumas horas (dias?) como ponto central do benfiquismo nacional. Mas a explicação para este meu desencanto disse-o o Sr. Presidente do SLB mais adiante, ao afirmar no seu discurso, e passo a referir: “ se querem falar de nós que falem. Nós falamos de nós. Eles falam de nós porque reconhecem a nossa grandiosidade”. Acabou referindo-se ao lema do Benfica: “Um por todos e todos… pelo Benfica”.
Confesso que fiquei preocupado com um pequeno mas que pode ser um grande pormenor: o discurso do Presidente Vieira estava escrito em letras de tamanho para aí 18 ou 20 e a negrito. Os conselheiros do Sr, Presidente, talvez que o devessem aconselhar a visitar uma óptica o mais rapidamente possível. Ali há falta de vista. Fica aqui o alerta.
Seguiu-se o almoço. Também o achei fraquinho. Como o discurso do Presidente Vieira. Bem confeccionado e em quantidade bastante mas a ementa pareceu-me fraca para a grandiosidade da cerimónia e para tão ilustres convivas. Mesmo admitindo que o cação era da Barragem do Maranhão, como no tempo da D. Florípes lá do Retiro da Ponte, que Deus tenha. Com a barriguinha cheia – à excepção da minha amiga Teodora que não pode comer carnes de porco com espargos, por mor da tensão arterial – o pessoal começou a amolecer no seu Benfiquismo e nas suas cadeiras. Foi então que saltou para o palco alguém que resolveu acordar toda a gente daquela letargia: SLB, SLB, SLB foi o mote. Não lhe olhem para o corpo que os homens não se medem aos palmos. Depois de mais uns SLBs, os agradecimentos às freguesias do nosso concelho, sendo de salientar o agradecimento á Freguesia de “Alcorrêgo”. Estou em crer que não terá sido o primeiro nem o último que altera a acentuação a esta palavra. Mas que nos sou mal, soou. Melhor soou a esperança deste animador da tarde ao dizer que "o SLB irá atingir a curto prazo os 300 mil sócios…nem que para isso tenhamos que obrigar os nossos amigos e os amigos dos nossos amigos a associarem-se ao SLB." Aqui acho que o homem exagerou. Mas esteve bem ao leiloar uma camisola oficial com as assinaturas de todos os jogadores da equipa principal de futebol do SLB. A verba deste leilão reverteu inteirinha para a Casa do Benfica em (de) Avis e foi arrematada pela freguesia de Benavila por 225 euros, após acesa disputa com a Freguesia de Avis. Veio-se a saber depois que o “arrematador” não era de Bena mas de Alcochete e que sofria com o assédio Sportinguista daquela zona do país. Mas na altura estava a jogar pela Freguesia de Benavila.
Momento alto da festa foi aquele em que toda a assistência, de pé, cantou os parabéns ao amigo e Sr. Norberto Oliveira que faz anos hoje, dia 14. Desde sempre que este avisense defendeu com orgulho a sua condição de benfiquista. Foi merecido o aperto de mão que recebeu do Presidente Vieira. Visivelmente emocionado, embora bastante debilitado pela doença, agradeceu com um sorriso na boca e as lágrimas a escorrerem-lhe pela cara. Parabéns amigo Norberto!
Entretanto o Sr. Presidente pôs-se a milhas pois que às 17 horas jogava o glorioso na Luz. E nós ficámos. E assistimos às danças do Grupo de Danças da Casa do Benfica em Avis, ouvimos algumas cantigas alusivas ao evento e não só, pela voz sempre (ou cada vez mais?) agradável do Sr. Caldeira (da EPAC) que proporcionou uns passes de animada dança e por fim ouvimos alguns acordes do acordeão do jovem na idade mas já bastante maduro acordeonista Mário Boleto.
Aos poucos as pessoas iam abandonando o salão, ficando apenas os resistentes que queriam ver o SLB dar mais uma abada, tendo agora como alvo o Belenenses.
Antes do Jogo começar ainda se partiu o Bolo comemorativo destra festança. Um pouco tarde, digo eu, pois que muitos já tinham saído. O bolo estava bom – até era encarniçado e não deveria ter sido por acaso - e o champanhe escorregava bem pela garganta.
Começou o jogo e as coisas até que não se encaminhavam mal pois que aos dez minutos Cardozo marcou o primeiro de, pensava-se à altura, uma mão cheia de golos que afinal não apareceram. Quando aos 27 minutos de jogo, já com o Benfica a fraquejar, Fajardo falha perante Quim, um golo de baliza aberta, o meu companheiro de mesa diz com certa graça: “Este, temos que o mandar para o Hospital S. João de Deus em Montemor-o-Novo para lhe endireitarem os pés…”
Chegou o intervalo e com ele uma boa notícia dada pelo responsável da Cultura da Casa do Benfica em (de) Avis: "A mesa está posta, vamos lanchar." Lanchou-se e depois devido ao frio que se fazia sentir, abandonei a sala e fui ver o resto do jogo para um sítio onde pensava iria encontrar o calor de uma salamandra acesa, mas enganei-me, pois que a dita salamandra estava ainda apagada.
Valha-me ao menos que o Benfica ganhou…

 

Nota final:
“DO CASTELO” endereça os parabéns a todos quantos se empenharam na preparação desta festa. Numa apreciação final dar-lhes-ei uma nota positiva bastante alta e se não fosse isso não estaria aqui até para lá das duas da manhã para escrevinhar esta crónica…


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CESTAS DE POESIA (CVII)

Mais umas décimas do grande poeta popular e repentista que foi JAIME VELEZ, O MANTA BRANCA.
Hoje reproduzo aqui umas décimas bastante tristes e que acabam por demonstrar bem a grandeza de princípios e sentimentos desse afamado Benavilense.


Tristezas e amarguras
É o que a morte produz
Vejo a minha casa às escuras
Tinha-me faltado a luz

Minha mãe que me criou
Não lhe cheguei a ver o fim,
Talvez a pensar em mim
Até à hora que acabou.
Já a morte me a levou
Para onde mudam figuras
Onde há tantas criaturas
E eu também para lá irei
Recebi quando cheguei
Tristezas e amarguras

Aonde preso me via
Alcancei a liberdade
Já não matei a saudade
De quem tanto bem me queria
Na terra onde jazia
Apenas se vê uma cruz
Tudo em pó se reduz
Naquele lugar escuro
Levaram-me o amor mais puro
É o que a morte produz

Alma bondosa e tão querida
Nunca mais a torno a ver,
Disse-lhe adeus sem saber
Que era para o resto da vida
Para onde foi conduzida
Cofre das minhas doçuras
Transformaram-se em torturas
E no que o meu peito existe
Eu fiquei chorando triste
Vejo a minha casa às escuras
Levaram-me o melhor que eu tinha


E para mim triste mistério
Já estava no cemitério
A minha pobre mãezinha.
Se eu apaixonado vinha,
Ainda pior me pus
Só a morte me conduz
Lembranças daquela ermida
Na minha triste guarida
Tinha-me faltado a luz.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PROJECTO LIMPAR PORTUGAL VAI AO CAFÉ COM LETRAS

Desde a primeira hora que a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural (ACA) apoiou o Projecto Limpar Portugal: disponibilizando a sua sede para nela terem lugares as reuniões do Grupo Concelhio de Avis bem assim o equipamento necessário para que essas mesmas reuniões fossem ilustradas.



Como corolário dessa cooperação, amanhã, quinta-feira dia 11 pelas 18 horas, o Café com Letras daquela Associação versará o tema do Projecto Limpar Portugal, sendo oradores os membros da Coordenação Concelhia de Avis.


Eis pois mais uma oportunidade de, por um lado, se inteirar das actividades da ACA, e por outro ,melhor se identificar com o PLP.


Apareça.

Nota: este post foi redigido já com as normas do novo acordo ortográfico (entretenha-se a descobrir porquê…)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

AMANHÃ, QUARTA-FEIRA, VAMOS CHOCALHAR AS COMADRES

Há pessoas que parece a idade não passar por elas. No caso concreto estou a referir-me ao Mestre Orlando. Apesar da avançada idade ainda continua a trabalhar diariamente na sua barbearia e a ter idéias que não ocorreriam a qualquer um. Eis a última: VAMOS CHOCALHAR AS COMADRES NA QUARTA-FEIRA, DIA 10!
Passar da palavra à acção foi um ápice. O Sr. António Henriques ficou encarregado de fazer a boneca e de passa palavra em passa palavra, fez-se uma lista de inscrições e já há quase uma vintena de voluntários para recriar uma tradição que há muito se perdeu. Contam-me que duas das maiores "chocalhadas" eram as do Monte do Painho e a da Fonte Ferrreira, sendo que a Fonte Ferreira era a maior de todas.
Com partida prevista para as 19 horas ( mais coisa menos coisa) da barbearia do Mestre Orlando, as "comadres" vão ser chocalhadas sendo o percurso pelas ruas mais habitadas da nossa vila. Mesmo quem não se inscreveu pode amanhã, quarta-feira, aparecer pela barbearia à hora indicada que será muito bem vindo ao grupo.
Parabém MESTRE ORLANDO, pela lição de vida que dia a dia nos vai dando a todos.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

NOS COVÕES HOUVE BATIDA AOS JAVALIS

Foto 1 - Os cães

Foto 2 - O pequeno almoço

Foto Nº 3 - O sorteio
Foto Nº 4 - A espera
Foto Nº 5 - O abate
Foto Nº 6 - A caçada
Foto Nº 7 - O almoço
Foto Nº 8 - O julgamento
Foto Nº 9 - O leilão

O dia amanheceu de tons plúmbeos pelas sete da manhã. O dia de hoje foi escolhido pela Associação de Caçadores, Apicultores e Pescadores dos Covões para realizar uma montaria. Havia que estar cedo na Sede, instalada nas antigas instalações onde funcionou a Escola Primária dos Covões. Chego por volta das oito da manhã e ainda só por lá estão as cozinheiras de serviço e o Presidente da Associação. Pouco mais.
Calmamente vão chegando os interessados nesta montaria: caçadores ou simples amantes da boa cozinha alentejana, vão se juntando aos poucos. Por volta das nove horas começa a dança dos papéis: há que escriturar as presenças (sócios, não sócios, pessoal das montarias, comensais). Depois proceder à escolha dos guias que irão distribuir os caçadores pelas diversas portas: o Ferreira, o Carlos, o Marques e o Luís são os previamente escolhidos. Acabadas as inscrições, são os números das portas metidos conjuntamente com uma série de recomendações úteis, dentro de envelopes fechados. Segue-se o sorteio: cada qual tira seu envelope enquanto o Ferreira avisa que devem sobrar seis portas de sócios que se inscreveram mas não apareceram. Depois do sorteio e verificadas as portas sobrantes poder-se-à proceder à troca de alguma sorteada que pareça menos boa.
Entretanto chegaram as matilhas.
Acabado o sorteio, o primeiro grande momento do dia para quem, como eu, estou ali pelo convívio e pelas guloseimas da Teodora, da Luzia e da outra senhora cujo nome desconheço mas que igualmente preparou o lauto pequeno-almoço: toucinho frito, febras fritas, chouriço e muitas, mas muitas, fatias de ovos, quentinhas, acabadas de fazer e acompanhadas por vinho branco, tinto, água ou sumos diversos. Para rebater um café, com cheirinho.
Hora da partida. Calhou-me em sorte o Sr. Marques como guia e lá fomos nós a caminho da porta Nº 7. O meu colega caçador (não esquecer que eu fui na qualidade de mochileiro) lamenta o facto da porta não estar mais afastada da mancha. Saberá mais tarde que no local onde ele queria a porta já é pertença da Reserva de Camões. Na altura não sabia.
São onze horas e já estamos instalados. Agora há que esperar até a malta dos cães chegarem. É aberto o banco de tripé e aguarda-se pacientemente. Onze e um quarto e soam os primeiros gritos dos batedores acompanhados dos ferozes latidos dos cães famintos.
- Os cães vêm com fome para serem mais agressivos, diz-me o Manuel Dias, meu companheiro de jornada. Eu que desconhecia, registo.
São cerca das onze e vinte e cinco da manhã. Um melro voa assustado e o Manuel, homem habituado a estas andanças sentencia:
- O melro assustou-se anda aí bicho...
Às onze e meia ouve-se um barulho violento a partir estevas. Um javali corre com quanta força tem para se ver livre da matilha que lá longe o persegue. O Manuel empunha a arma e espera que o animal passe no caminho. A besta aproxima-se. O barulho aumenta. Aparece. O Manuel treme-lhe a mão mas não tira o dedo do gatilho. Um tiro. Erra. Outro tiro. Emendou a trajectória e deu-lhe. O porco ficou ali bem perto a espernear. Um cão chega atrasado, mas chega. O porco já está exangue.
- Eu tinha cá um fezada, diz feliz e orgulhoso o Manuel que soma mais um javali à sua numerosa conta de espécimes abatidas. Já nem sabe quantos exemplares matou.
O cão afasta-se e os batedores soam cada vez mais longe…mais longe.
-Agora só se for algum que vier ao contrário, diz o meu colega caçador da porta sete.
Onze e cinquenta minutos. Ouve-se um partir de estevas secas. Nem eu nem o Manuel dizemos nada mas sabemos que vem ali mais um bicho. Ouvimo-lo aproximar. Está já muito cerca. Espingarda em mira, os braços cansam. O bicho não aparece. O barulho está cada vez mais perceptivo. Os braços aguentam ainda o peso da espingarda. Aí vem ele. Salta para o caminho a cem à hora (ou mais) leva um, dois tiros e afasta-se em louca correria. Depois pára lá em baixo no vale. Pensa-se que está morto. A espingarda é carregada com mais duas balas. Ei-lo que aparece na barreira em frente a fugir mas combalido, lá para duzentos metros de distância ou mais. O animal vai ferido mas não pára. O Manuel da porta sete atira-lhe mais três “balásios”. Vêem-se bater-lhe ao lado. Levantam pó aquelas balas tal como levantam pó as balas que o caçador da porta seis igualmente lhe desfere. O “porta seis” diz que lhe deu, o Manuel diz que foi ele que o fez ir abaixo pois com o declive do terreno nunca poderia “o porta seis” lhe dar. Fica a dúvida. Os cães deram com o porco lá muito longe do lugar “do crime” e os matilheiros apanharam-no. À tarde ainda “o porta seis” dizia que tinha sido ele que lhe partiu a pata esquerda dianteira e o Manuel lhe explicava que não podia ser.
À uma e meia já os cães tinham recolhido às camionetas e já tínhamos perdido o rasto a dois javalis que passaram despercebidos entre as portas cinco e um e se escaparam por aqueles campos fora acompanhados pelas nossas vistas enquanto puderam ser seguidos por elas.
Um telefonema via telemóvel para o Presidente Luís:
- Amigo Luís na porta sete há um javali para recolher…
Regressamos à sede da Associação. Caras de desânimo dos que não atiraram ou não mataram, cruzavam-se com sete caras de prazer: é que dos cerca de setenta tiros que foram disparados apenas se mataram sete porcos. Mais tarde os matilheiros chegaram com o tal que o Manuel ferira e os cães apanharam. Ao todo a batida rendeu oito animais.
Hora do almoço: quinze e um quarto. Quem se poderia negar a uma boa sopa de grão com massa, verdura e carne de porco? E o que dizer da boa pinga da Fundação Abreu Callado? Cinco estrelas que vão direitinhas para as cozinheiras: a Teodora, A Luzia e a outra senhora que não sei o nome.
A tarde avança. A temperatura está amena. Esteve um belo dia de batida.
Há que leiloar os porcos abatidos. Mas antes um ritual. O Domingos Cortes abateu pela primeira vez na sua vida um javali. Tem que ir a julgamento e depois ser baptizado. Sobe o acusado a tribunal sob a jurisdição do Juiz Ferreira. Ladeado à direita pelo advogado de defesa José Bicha, e à esquerda pelo advogado de acusação Joaquim Peixe o julgamento não foi pacífico. No final a pena é decretada pelo juiz Ferreira:
-Que lhe seja feita a cruz na testa com sangue do animal, que seja colocada na cabeça do réu a cabeça do animal e finalmente que se lhe dê um banho de tripas.
O povo ficou contente com a sentença. Aplaudiu batendo palmas entre risos de alegria.
Por fim o leilão. As licitações começaram sempre por 25 euros mas animais houve cuja licitação chegou aos 45 euros.
No final todos ficaram contentes e com vontade que haja uma próxima batida tão breve quanto possível.
A chuva que começou a cair em grossas bátegas, levou ao abandono da Sede da Associação de Caçadores, Apicultores e Pescadores dos Covões mais cedo do que alguns quereriam.
Só para terminar: ouvi por lá dizer que a convite dos Amigos do Concelho de Aviz se iria realizar uma parceria entre estas duas associações para se fazer uma matança do porco à moda antiga, aqui nos Covões lá para os princípios de Março. Com tojos e tudo.
Se assim fôr lá estarei…

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CESTAS DE POESIA (CVI)

ANTES DAS CESTAS:

BATER COM O NARIZ NA PORTA

No sábado passado apanhei uma grande arrelia. Tal como tinha aqui feito referência era minha intenção ir ver a Banda das Galveias que actuava no passado sábado no Auditório Municipal. Por razões que se prendem com o facto de me encontrar numa reunião cívica a verdade é quando me despachei já tinha passado a hora do concerto. Eu bem olhava para o relógio mas a reunião nunca mais acabava, e eu fulo! Tenho uma amiga que não perde por nada deste mundo um concerto pela Banda das Galveias. São fracos que as pessoas têm.
Hoje encontrei-a na Loja do "Manel Jaquim" e atirei-lhe logo:
- Amiga como foi o concerto da Banda?
- Não me diga nada, bati com o nariz na porta…
Resumindo: não houve concerto e às pessoas que por ali esperavam à hora marcada ninguém apareceu a dar uma explicação. Merecida, penso eu.
Mesmo em maré de Carnaval parece-me um pouco despropositado.
Não confirmei ainda, mas disseram-me que no outro mês se passou uma situação semelhante com uma banda militar que era suposto actuar igualmente no Auditório e acabou por não actuar.







AGORA AS CESTAS DE POESIA

Continuando a falar de AJIME VELEZ, O MANTA BRANCA, Passo a transcrever mais um trecho do Livro Poetas Populares, 3º Volume, de Fernando Cardoso:                                                                                                                                                                                   
“ …Efectivamente um dia, o nosso poeta foi parar à cadeia de Avis por ter sido apanhado a pescar em época de defeso e, em vez de lamentar tal sorte, chegou a regozijar-se por estar preso: Não há vida mais bonita/ Que é a vida da cadeia/ Sabe a gente onde transita/ Sol e chuva não receia/ Nunca fui tão bem guardado/ Nem tive tanta visita/ Há quem a ache esquisita/ Mas eu gostei de lá estar/ Comer e não Trabalhar/ Não há vida mais bonita.”

Posto isto vamos a mais umas décimas:

Quis o fado abandonar
Mas vi que não podia ser
Agora penso em cantar
Até à hora de morrer

Eu sei que não sou culpado
Por isso não me apoquento
Quando foi meu nascimento
Já tinha o destino marcado
Tanto que eu tenho penado
E o que estarei para penar
Tenho que me conformar
Com esta sorte ruim
Eu já pensei para mim
Quis o fado abandonar

Na cantoria do fado
Já não posso ser quem era
Estou igual à primavera
Apenas o verão chegado
Tanto que tenho pensado
Não sei o que hei-de fazer
O meu remédio é sofrer
Os desgostos que tenho tido
Quis emendar o perdido
Mas vi que não podia ser.

Seja homem ou mulher
Cada qual no seu artigo
Mas lá diz o ditado antigo
Ninguém é ruim porque quer
Seja o que Deus quiser
Isto um dia há-de acabar
Não vale a pena chorar
Porque a vida é um instante
Eu quis-me deixar do cante
Agora penso em cantar

Quando morre mãe ou pai
Ou manos ou algum parente
O coração penas sente
Mas o cantar também distrai
Quem para sepultura vai
Nunca mais se torna a ver
Todos lá iremos ter
Em a morte nos chegando
É por isso que eu vou cantando
Até à hora de morrer

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O PROJECTO LIMPAR PORTUGAL MEXE CADA VEZ MAIS!

É com satisfação que tomamos conhecimento que o Projecto Limpar Portugal continua em alta. Depois de ontem termos ouvido na Rádio Portalegre o Vereador do pelouro do ambiente da Câmara de Marvão referir-se à iniciativa, agora é a vez do Jornal Fonte Nova se referir a ele e concretamente ao Município de Avis, nos termos que poderá conferir clicando aqui:


O GRUPO DE AVIS, continua igualmente em crescendo contado actualmente com cerca de sessenta elementos.

Muitos mais irão ser.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ELIAS, UM SEM ABRIGO, MAS COM A LINGUA MUITO AFIADA E CERTEIRA...




Todos os passos da cultura em Avis se dirigem, durante este mês de Fevereiro e até dia 7 de Março para o Auditório Municipal Ary dos Santos.
Aníbal Fernandes e Rute Reimão têm um amigo em comum: chama-se ELIAS e tem por anexim “O SEM ABRIGO”.
O ELIAS não é mais que um cartoon saído da fértil imaginação daqueles dois amigos meus e de Avis, e que, com poder de observação super-afinado vai comentando tudo aquilo que lhe parece digno de ser comentado. Assim,…bem, como não conseguiria arranjar adjectivos que qualificasse todas as capacidades do Elias, isto é, dos seus autores, o melhor é eu passar-vos a reproduzir o mail que recebi, onde já consta basta informação sobre este acontecimento. Mas o que vale mesmo a pena, é ir ao Auditório. Palavra “DO CASTELO”,
Antes de passar ao mail, permitam-me que renda as minhas homenagens a estes dois já “avisenses” pelo que têm feito pela cultura da nossa terra.
Poderá haver quem julgue que estou a exagerar nos elogios mas estou a falar com conhecimento de causa.
…finalmente o mail:

“Exposição de Cartoons em Avis

Elias, o sem abrigo comenta 2009

Está desde dia 1 patente ao público, no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, uma exposição de cartoons de R. Reimão e Aníbal F. intitulada «Elias, 2009 visto por um sem abrigo».
Trata-se de uma selecção de meia centena de cartoons publicados durante o ano passado no Jornal de Notícias, onde este «boneco» comenta a actualidade, diariamente, desde 2004. Os trabalhos estão agrupados em temas que versam as questões da Justiça, Democracia, Saúde, Crise e um mais alargado intitulado Etc.
A mostra, promovida pelo município local, que pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 09:00 às 12:30 horas e das 14:00 às 17:30 e, aos sábados, à noite, no horário do cinema, ficará no local até ao dia 7 de Março.
O boneco é um ser próximo de um indigente que deu em comentador da actualidade política, económica e social. Segundo um dos seus autores «ele manda bitaites acerca de tudo e todos, porque não deve nada a ninguém». O personagem chegou às páginas do JN em 2004, após de ter nascido e crescido num blogue um ano antes.
…………………………………….

Alémtudo, comunicação e design, lda
R. S. Roque, 9 – 7480-132 Avis
Aníbal Fernandes
965044142"






domingo, 31 de janeiro de 2010

CHEGOU A ÁGUIA!


Já chegou a alguns lares de destino o Nº 34 da Folha Informativa "Águia" da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural. Era suposto terem sido todas entregues na passada Sexta-feira, mas por impedimento de um dos habituais distribuidores, só metade da vila é que ficou com este serviço da ACA assegurado. Amanhã, segunda-feira, já todos ficarão a saber porque é que o Sr. João Guilherme, de Ervedal, teve um Encontro com alguém que nem sequer viu; porque é que o amigo Joaquim Pífano reencontrou um Messershmitt alemão que na altura em que deixou de ser seu encontro frequente estava ao serviço dos Aliados; saiba porque é que o melhor encontro do Ricardo Nunes foi o seu maninho; saiba o que aconteceu a duas pessoas que se encontraram por acaso no aeroporto, lendo o que sobre isto escreveu Maria Fátima Valente e saiba muitas outras coisas de Encontros e desencontros pois que de ENCONTROS  trata o tema de capa desta Águia.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CESTAS DE POESIA (CV)

Antes das “Cestas” duas chamadas de atenção para dois acontecimentos a acontecerem amanhã:

Às 15 horas, na Sede da Amigos do Concelho de Aviz -Associação Cultural, reunião do Grupo de Avis do Projecto Limpar Portugal. É muito importante estar presente

Às 17,30 horas actuação da Banda Filarmónica Galveense, em concerto no Auditório Municipal Ary dos Santos. È um espectáculo digno de ser visto!

Posto isto, vamos então à sessão número cento e cinco das nossas “Cestas de Poesia”.
Rebusquemos ainda do já referido Livro ”Poetas Populares - 3º Volume” da autoria de Fernando Cardoso o seguinte:
Conta-se que certa vez, Jaime Velez, o Manta Branca foi de abalada até á vila de Sousel para ali, na feira de S. Miguel, comprar um casacão que o agasalhasse do frio. Como voltou à Herdade da Macarra sem o dito casacão e indagado sobre o que lhe acontecera, respondeu de improviso:

“O meu casaco velhinho
Eu com ele me governo,
Gastei o dinheiro no vinho
Não me lembrei do Inverno."

Era assim o Manta Branca, com resposta sempre na ponta da língua e quase sempre em verso,
E agora as décimas que constam na página 75/76 do livro acima mencionado:

P’rás modernas quebraduras (1)
Já não chegam os doutores
Saram depressa as costuras
Outros que sofram as dores


Novos ricos emigrados
Estão-se vendo a toda a hora
Põem-se a cavar p’ra fora
Dizendo que estão quebrados.
P’ra outros serem curados
É preciso haver costuras
Subiam grandes alturas
Nem só um quebrar se via
Hoje é preciso cirurgia
P’rás modernas quebraduras (1)


Viam-se ricos “estadões” (2)
Viam-se grandes riquezas
Hoje não chegam as marquesas
P’ra fazer as operações,
Fogem para outras nações
Os que então eram senhores
Mostravam os seus valores
Noutros tempos atrasados
Hoje querem ser operados
Já não chegam os doutores.


Muitos se deram felizes
Antes da época baixar,
Uns quebram com falta d’ar
Não se vêm as cicatrizes,
Lá julgam noutros países
Haver cirurgias mais puras
P’ra se livrarem às censuras
Fogem p’ra nações estrangeiras
Com o remédio nas algibeiras
Saram depressa as costuras


Já não chega a medicina
Para mal dos migalheiros
P’ra fazerem barrigueiros (3)
Não chegam as oficinas
Sofrem imensas ruínas
Sendo delas causadores
E fazem os seus clamores
Se a quebradura os atrasa
Uns que vão batendo a asa
Outros que sofram as dores.

1 – qubraduras – falências
2 – ricos estadões – faustos
3 – barrigueiros - barrigudos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AMANHÃ, QUINTA-FEIRA, HÁ CAFÉ COM LETRAS

Amanhã, quinta-feira, há Café com Letras na Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural. Em debate vai estar um tema que apesar de nos ser muito querido, nem sempre é por nós praticado: Vai falar-se de SOLIDARIEDADE e o orador vai ser o Dr. NUNO VARELA, sociólogo no Instituto de Segurança Social em Portalegre.
A hora aprazada para este evento é as 18 horas. Se por acaso não puder estar presente, faça o favor de passar palavra a alguém que possa estar interessado em ir.
A ACA agradece.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

AVIS EM ALTA - HERDADE DA CORTESIA HOTEL FOI DISTINGUIDO

Titula o Jornal Fonte Nova, de Portalegre na sua edição 1718 de sábado, 23 de Janeiro do corrente mês, o seguinte que com a devida vénia passamos a transcrever:

"O Herdade da Cortesia Hotel foi distinguido

No âmbito da 5ª edição do Prémio Turismo de Portugal, a Herdade da Cortesia Hotel, localizada em Avis, nas margens da Albufeira do Maranhão, em pleno coração da região do Norte do Alentejo, obteve uma Menção Honrosa, na categoria de "Novo Projecto Privado".
A distinção atribuída a este empreendimento que, no ano de 2009, viu reconhecido o seu contributo para o desenvolvimento do sector do turismo nacional, uma afirmação evidenciada pela sua qualidade e inovação, foi entregue, no dia 13 de Janeiro, em cerimónia pública realizada aquando da abertura da 22ª edição da "Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) 2010".

A notícia pode ser verificada aqui:


“DO CASTELO” endereça os parabéns a todos quantos trabalham e colaboram neste empreendimento, pelo prémio alcançado.

sábado, 23 de janeiro de 2010

PROJECTO LIMPAR PORTUGAL - GRUPO DE AVIS NO TERRENO








Hoje o dia até não amanheceu convidativo. Às sete da manhã o céu estava muito nublado e havia algum vento. Estava aquilo que se pode dizer uma manhã a apelar à cama, ao levantar tarde, principalmente para aqueles que têm a dura tarefa de se levantar cedo todos os dias, por obrigações profissionais.
O Grupo Concelhio de Avis do Projecto Limpar Portugal, tinha agendada uma visita ás lixeiras ilegais, melhor, a algumas lixeiras ilegais do nosso concelho, e às 9 horas, lá se foi juntando o grupo de voluntários, vencendo sonos e cansaços.
Nestas coisas os atrasos do costume: um que só pode ir depois do pão chegar, outro que, com a pressa, se esqueceu do copo de leite dentro do microondas e teve que ir beber qualquer coisa quente à “Pastelaria Laranjeira”.
Às 9 e 25 ala que se faz tarde! À estrada! Sob a mão de volante do eco-amigo Ângelo Rosado rumou-se em direcção a Aldeia Velha. Local de paragem, junto ao campo de futebol. Chegámos: a primeira lixeira estava ali à nossa frente e à frente de todos quantos moram em Aldeia Velha: plásticos variados, pneus, madeiras, vidros, cimento, esferovite, ferro. Há por ali de tudo e em quantidade q.b.. Dizem-nos que muito do lixo que ali existiu foi soterrado, quer dizer, está lá mas não se vê. Feito o levantamento deste local, o próximo destino foi Benavila, ali bem junto à margem esquerda da barragem e igualmente do lado esquerdo mas da ponte que dá acesso a Valongo, no sentido Benavila -Valongo. Um caos! Além de toda a espécie de lixos da lixeira de Aldeia, juntemos-lhe garrafas de vidro, muitas garrafas de vidro, mais entulho, mais sapatos, casacos de cabedal, cartuxos de caça e muitos plásticos que inicialmente se pensou poderem ter sido radiografias. Uma análise mais cuidada levou-nos a concluir que se trata de dezenas e dezenas de plásticos brancos que em tempos protegeram dos dentes das lebres os tenros troncos das jovens oliveiras plantadas nas imediações. Não havia melhor destino do que deitá-los ali para junto da barragem. O vento encarregou-se de espalhar muito deste lixo para dentro da dita barragem. Um autêntico crime ecológico sem punição. Mais um!
Após meia-hora de análise deste local, atravessamos Benavila e vemos como o lixo se amontoa junto dos contentores, à entrada junto das instalações de um antiga Cooperativa e depois à saída na estrada que nos levará à Figueira. Por detrás dum acampamento benavilense corre um regato onde, apesar da chuva, se vêem melhor os plásticos soltos do que a água a correr.
Rumemos pois a Figueira e Barros não sem antes pararmos já nas imediações do Monte do Chafariz onde existiu em tempos uma lixeira pública, legalizada. Dizem-nos que com a chegada da Valnor aquela lixeira acabou mas o seu encerramento não foi um exemplo. Os lixos foram soterrados e a pouca distância da extinta lixeira está uma mini-barragem e corre uma linha de água.
Figueira e Barros - junto ao campo de futebol. Mais do mesmo. Mais e muito: por íngremes barreiras amontoam-se centenas e centenas de quilos de lixo: plásticos, entulho, de tudo. Limpar esta lixeira é de dificuldade elevada dado o difícil acesso ao lixo lançado barreiras abaixo.
Deixemos a Figueira e rumemos ao Ervedal com vários “pontos de interesse” pelo meio. Antes mesmo da ponte da Figueira, do lado direito da mesma lá se vê o efeito pernicioso da mão criminosa do homem mal formado. Ribeira de Sousel: O CÙMULO! Mesmo antes da ponte e do lado direito da estrada imagine-se, contaram-se 12 (doze) ovelhas mortas, a apodrecer, rés-vés com a barragem…e com a estrada nacional O cheiro é nauseabundo apesar das baixas temperaturas. Além das ovelhas mortas tudo o que já referenciámos nos outros locais de depósito ilegal de lixo. Ah! Acrescentaremos colchões, muitos, mas mesmo muitos, cartuxos de caça.
A propósito do detectado nesta lixeira contou o Sr. António Henriques, o elemento mais velho desta equipa de boa vontade, que, no seu tempo não se escondiam as ovelhas mortas nos barrancos. Deixavam-se no campo bem à mostra para que se fizesse a “Justiça do Maranhão”. E o que era a “Justiça do Maranhão”? Pois bem, os animais mortos atraíam os abutres que os dizimavam só deixando os ossos. Ao tempo, aos abutres chamavam-lhes avestruzes, mas isso pouco importa. Talvez que a Justiça fosse do Maranhão por ser de lá, das suas fragas, que vinham provavelmente os tais abutres. Agora que há tantos meios legais para se verem livres destas situações, escondem-nos bem junto ( quem sabe se também dentro) da barragem do Maranhão.
Falta-nos só visitar uma das lixeiras previamente referenciadas pelo Grupo de GPS do Núcleo de Avis do Projecto Limpar Portugal. Ponte da Ribeira da Caniceira e inflictamos à esquerda (vindo da Figueira e Barros, via Estrada Nacional Nº 244). Saibreira. A maior. Dada a sua enormidade faz-me lembrar a lixeira que existiu em tempos nas proximidades da actual ETAR. Tanto lixo, mas tanto…e a Ribeira da Caniceira ali tão perto! Vigas de cimento, plásticos (sempre os malditos plásticos!), pneus de todos os tamanhos e feitios, mobiliários, madeiras dispersas…lixo, muito lixo.
Acabada esta visita de estudo, como alguém muito bem lhe chamou, foi hora de voltar a Avis. Chegámos às 13 horas.
Estas lixeiras estão referenciadas, vistas e agora há que tomar medidas. Quais? Não sabemos. Bom seria que todos aqueles que lerem estas linhas se juntassem a esta causa, ao Grupo de Avis do Projecto Limpar Portugal.
Não concordando com o pensamento de certa gente que acha que “quem suja que limpe”, continuamos dispostos a lutar por esta causa, a título inteiramente gratuito, repito e sublinho, a título inteiramente gratuito, no pressuposto de que se todos pensássemos do mesmo modo, se calhar só os padeiros é que comeriam pão, por serem eles que o fazem.
Para terminar, que esta “reportagem” já vai longa, lembrei-me de que agora há por aí a mania de se comentarem fotografias do facebook em quadras. E mais estando aí os VIII Jogos Florais de Avis, a que nos referiremos oportunamente, e dos quais consta a bonita quadra de Aníbal Fernandes:

QUEM SÓ VIVE DO PASSADO
E SE VÊ TÃO INSEGURO,
DÁ PRESENTE ENVENENADO
AOS QUE OLHAM O FUTURO

Lembrei-me de, apesar da falta de jeito, também fazer uma quadra que acabou por sair mal e porcamente:

Quem só vive do passado
Á espera daquilo que herda,
Também fica bem lixado
Que de cá só leva merda ...

Tenho dito.

P.S.: Por razões que desconheço (por enquanto), não consegui legendar as fotografias. Assim temos, por ordem decrescente de posicionamento: em primeiro lugar a Lixeira de Aldeia Velha, depois Benavila, segue-se a da Figueira e Barros, depois a da Ribeira de Sousel e finalmente a da Saibreira (Ribeira da Caniceira-Ervedal).
Para uma melhor percepção, aconselhamos a ampliar as fotografias.