domingo, 7 de fevereiro de 2010

NOS COVÕES HOUVE BATIDA AOS JAVALIS

Foto 1 - Os cães

Foto 2 - O pequeno almoço

Foto Nº 3 - O sorteio
Foto Nº 4 - A espera
Foto Nº 5 - O abate
Foto Nº 6 - A caçada
Foto Nº 7 - O almoço
Foto Nº 8 - O julgamento
Foto Nº 9 - O leilão

O dia amanheceu de tons plúmbeos pelas sete da manhã. O dia de hoje foi escolhido pela Associação de Caçadores, Apicultores e Pescadores dos Covões para realizar uma montaria. Havia que estar cedo na Sede, instalada nas antigas instalações onde funcionou a Escola Primária dos Covões. Chego por volta das oito da manhã e ainda só por lá estão as cozinheiras de serviço e o Presidente da Associação. Pouco mais.
Calmamente vão chegando os interessados nesta montaria: caçadores ou simples amantes da boa cozinha alentejana, vão se juntando aos poucos. Por volta das nove horas começa a dança dos papéis: há que escriturar as presenças (sócios, não sócios, pessoal das montarias, comensais). Depois proceder à escolha dos guias que irão distribuir os caçadores pelas diversas portas: o Ferreira, o Carlos, o Marques e o Luís são os previamente escolhidos. Acabadas as inscrições, são os números das portas metidos conjuntamente com uma série de recomendações úteis, dentro de envelopes fechados. Segue-se o sorteio: cada qual tira seu envelope enquanto o Ferreira avisa que devem sobrar seis portas de sócios que se inscreveram mas não apareceram. Depois do sorteio e verificadas as portas sobrantes poder-se-à proceder à troca de alguma sorteada que pareça menos boa.
Entretanto chegaram as matilhas.
Acabado o sorteio, o primeiro grande momento do dia para quem, como eu, estou ali pelo convívio e pelas guloseimas da Teodora, da Luzia e da outra senhora cujo nome desconheço mas que igualmente preparou o lauto pequeno-almoço: toucinho frito, febras fritas, chouriço e muitas, mas muitas, fatias de ovos, quentinhas, acabadas de fazer e acompanhadas por vinho branco, tinto, água ou sumos diversos. Para rebater um café, com cheirinho.
Hora da partida. Calhou-me em sorte o Sr. Marques como guia e lá fomos nós a caminho da porta Nº 7. O meu colega caçador (não esquecer que eu fui na qualidade de mochileiro) lamenta o facto da porta não estar mais afastada da mancha. Saberá mais tarde que no local onde ele queria a porta já é pertença da Reserva de Camões. Na altura não sabia.
São onze horas e já estamos instalados. Agora há que esperar até a malta dos cães chegarem. É aberto o banco de tripé e aguarda-se pacientemente. Onze e um quarto e soam os primeiros gritos dos batedores acompanhados dos ferozes latidos dos cães famintos.
- Os cães vêm com fome para serem mais agressivos, diz-me o Manuel Dias, meu companheiro de jornada. Eu que desconhecia, registo.
São cerca das onze e vinte e cinco da manhã. Um melro voa assustado e o Manuel, homem habituado a estas andanças sentencia:
- O melro assustou-se anda aí bicho...
Às onze e meia ouve-se um barulho violento a partir estevas. Um javali corre com quanta força tem para se ver livre da matilha que lá longe o persegue. O Manuel empunha a arma e espera que o animal passe no caminho. A besta aproxima-se. O barulho aumenta. Aparece. O Manuel treme-lhe a mão mas não tira o dedo do gatilho. Um tiro. Erra. Outro tiro. Emendou a trajectória e deu-lhe. O porco ficou ali bem perto a espernear. Um cão chega atrasado, mas chega. O porco já está exangue.
- Eu tinha cá um fezada, diz feliz e orgulhoso o Manuel que soma mais um javali à sua numerosa conta de espécimes abatidas. Já nem sabe quantos exemplares matou.
O cão afasta-se e os batedores soam cada vez mais longe…mais longe.
-Agora só se for algum que vier ao contrário, diz o meu colega caçador da porta sete.
Onze e cinquenta minutos. Ouve-se um partir de estevas secas. Nem eu nem o Manuel dizemos nada mas sabemos que vem ali mais um bicho. Ouvimo-lo aproximar. Está já muito cerca. Espingarda em mira, os braços cansam. O bicho não aparece. O barulho está cada vez mais perceptivo. Os braços aguentam ainda o peso da espingarda. Aí vem ele. Salta para o caminho a cem à hora (ou mais) leva um, dois tiros e afasta-se em louca correria. Depois pára lá em baixo no vale. Pensa-se que está morto. A espingarda é carregada com mais duas balas. Ei-lo que aparece na barreira em frente a fugir mas combalido, lá para duzentos metros de distância ou mais. O animal vai ferido mas não pára. O Manuel da porta sete atira-lhe mais três “balásios”. Vêem-se bater-lhe ao lado. Levantam pó aquelas balas tal como levantam pó as balas que o caçador da porta seis igualmente lhe desfere. O “porta seis” diz que lhe deu, o Manuel diz que foi ele que o fez ir abaixo pois com o declive do terreno nunca poderia “o porta seis” lhe dar. Fica a dúvida. Os cães deram com o porco lá muito longe do lugar “do crime” e os matilheiros apanharam-no. À tarde ainda “o porta seis” dizia que tinha sido ele que lhe partiu a pata esquerda dianteira e o Manuel lhe explicava que não podia ser.
À uma e meia já os cães tinham recolhido às camionetas e já tínhamos perdido o rasto a dois javalis que passaram despercebidos entre as portas cinco e um e se escaparam por aqueles campos fora acompanhados pelas nossas vistas enquanto puderam ser seguidos por elas.
Um telefonema via telemóvel para o Presidente Luís:
- Amigo Luís na porta sete há um javali para recolher…
Regressamos à sede da Associação. Caras de desânimo dos que não atiraram ou não mataram, cruzavam-se com sete caras de prazer: é que dos cerca de setenta tiros que foram disparados apenas se mataram sete porcos. Mais tarde os matilheiros chegaram com o tal que o Manuel ferira e os cães apanharam. Ao todo a batida rendeu oito animais.
Hora do almoço: quinze e um quarto. Quem se poderia negar a uma boa sopa de grão com massa, verdura e carne de porco? E o que dizer da boa pinga da Fundação Abreu Callado? Cinco estrelas que vão direitinhas para as cozinheiras: a Teodora, A Luzia e a outra senhora que não sei o nome.
A tarde avança. A temperatura está amena. Esteve um belo dia de batida.
Há que leiloar os porcos abatidos. Mas antes um ritual. O Domingos Cortes abateu pela primeira vez na sua vida um javali. Tem que ir a julgamento e depois ser baptizado. Sobe o acusado a tribunal sob a jurisdição do Juiz Ferreira. Ladeado à direita pelo advogado de defesa José Bicha, e à esquerda pelo advogado de acusação Joaquim Peixe o julgamento não foi pacífico. No final a pena é decretada pelo juiz Ferreira:
-Que lhe seja feita a cruz na testa com sangue do animal, que seja colocada na cabeça do réu a cabeça do animal e finalmente que se lhe dê um banho de tripas.
O povo ficou contente com a sentença. Aplaudiu batendo palmas entre risos de alegria.
Por fim o leilão. As licitações começaram sempre por 25 euros mas animais houve cuja licitação chegou aos 45 euros.
No final todos ficaram contentes e com vontade que haja uma próxima batida tão breve quanto possível.
A chuva que começou a cair em grossas bátegas, levou ao abandono da Sede da Associação de Caçadores, Apicultores e Pescadores dos Covões mais cedo do que alguns quereriam.
Só para terminar: ouvi por lá dizer que a convite dos Amigos do Concelho de Aviz se iria realizar uma parceria entre estas duas associações para se fazer uma matança do porco à moda antiga, aqui nos Covões lá para os princípios de Março. Com tojos e tudo.
Se assim fôr lá estarei…

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CESTAS DE POESIA (CVI)

ANTES DAS CESTAS:

BATER COM O NARIZ NA PORTA

No sábado passado apanhei uma grande arrelia. Tal como tinha aqui feito referência era minha intenção ir ver a Banda das Galveias que actuava no passado sábado no Auditório Municipal. Por razões que se prendem com o facto de me encontrar numa reunião cívica a verdade é quando me despachei já tinha passado a hora do concerto. Eu bem olhava para o relógio mas a reunião nunca mais acabava, e eu fulo! Tenho uma amiga que não perde por nada deste mundo um concerto pela Banda das Galveias. São fracos que as pessoas têm.
Hoje encontrei-a na Loja do "Manel Jaquim" e atirei-lhe logo:
- Amiga como foi o concerto da Banda?
- Não me diga nada, bati com o nariz na porta…
Resumindo: não houve concerto e às pessoas que por ali esperavam à hora marcada ninguém apareceu a dar uma explicação. Merecida, penso eu.
Mesmo em maré de Carnaval parece-me um pouco despropositado.
Não confirmei ainda, mas disseram-me que no outro mês se passou uma situação semelhante com uma banda militar que era suposto actuar igualmente no Auditório e acabou por não actuar.







AGORA AS CESTAS DE POESIA

Continuando a falar de AJIME VELEZ, O MANTA BRANCA, Passo a transcrever mais um trecho do Livro Poetas Populares, 3º Volume, de Fernando Cardoso:                                                                                                                                                                                   
“ …Efectivamente um dia, o nosso poeta foi parar à cadeia de Avis por ter sido apanhado a pescar em época de defeso e, em vez de lamentar tal sorte, chegou a regozijar-se por estar preso: Não há vida mais bonita/ Que é a vida da cadeia/ Sabe a gente onde transita/ Sol e chuva não receia/ Nunca fui tão bem guardado/ Nem tive tanta visita/ Há quem a ache esquisita/ Mas eu gostei de lá estar/ Comer e não Trabalhar/ Não há vida mais bonita.”

Posto isto vamos a mais umas décimas:

Quis o fado abandonar
Mas vi que não podia ser
Agora penso em cantar
Até à hora de morrer

Eu sei que não sou culpado
Por isso não me apoquento
Quando foi meu nascimento
Já tinha o destino marcado
Tanto que eu tenho penado
E o que estarei para penar
Tenho que me conformar
Com esta sorte ruim
Eu já pensei para mim
Quis o fado abandonar

Na cantoria do fado
Já não posso ser quem era
Estou igual à primavera
Apenas o verão chegado
Tanto que tenho pensado
Não sei o que hei-de fazer
O meu remédio é sofrer
Os desgostos que tenho tido
Quis emendar o perdido
Mas vi que não podia ser.

Seja homem ou mulher
Cada qual no seu artigo
Mas lá diz o ditado antigo
Ninguém é ruim porque quer
Seja o que Deus quiser
Isto um dia há-de acabar
Não vale a pena chorar
Porque a vida é um instante
Eu quis-me deixar do cante
Agora penso em cantar

Quando morre mãe ou pai
Ou manos ou algum parente
O coração penas sente
Mas o cantar também distrai
Quem para sepultura vai
Nunca mais se torna a ver
Todos lá iremos ter
Em a morte nos chegando
É por isso que eu vou cantando
Até à hora de morrer

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O PROJECTO LIMPAR PORTUGAL MEXE CADA VEZ MAIS!

É com satisfação que tomamos conhecimento que o Projecto Limpar Portugal continua em alta. Depois de ontem termos ouvido na Rádio Portalegre o Vereador do pelouro do ambiente da Câmara de Marvão referir-se à iniciativa, agora é a vez do Jornal Fonte Nova se referir a ele e concretamente ao Município de Avis, nos termos que poderá conferir clicando aqui:


O GRUPO DE AVIS, continua igualmente em crescendo contado actualmente com cerca de sessenta elementos.

Muitos mais irão ser.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ELIAS, UM SEM ABRIGO, MAS COM A LINGUA MUITO AFIADA E CERTEIRA...




Todos os passos da cultura em Avis se dirigem, durante este mês de Fevereiro e até dia 7 de Março para o Auditório Municipal Ary dos Santos.
Aníbal Fernandes e Rute Reimão têm um amigo em comum: chama-se ELIAS e tem por anexim “O SEM ABRIGO”.
O ELIAS não é mais que um cartoon saído da fértil imaginação daqueles dois amigos meus e de Avis, e que, com poder de observação super-afinado vai comentando tudo aquilo que lhe parece digno de ser comentado. Assim,…bem, como não conseguiria arranjar adjectivos que qualificasse todas as capacidades do Elias, isto é, dos seus autores, o melhor é eu passar-vos a reproduzir o mail que recebi, onde já consta basta informação sobre este acontecimento. Mas o que vale mesmo a pena, é ir ao Auditório. Palavra “DO CASTELO”,
Antes de passar ao mail, permitam-me que renda as minhas homenagens a estes dois já “avisenses” pelo que têm feito pela cultura da nossa terra.
Poderá haver quem julgue que estou a exagerar nos elogios mas estou a falar com conhecimento de causa.
…finalmente o mail:

“Exposição de Cartoons em Avis

Elias, o sem abrigo comenta 2009

Está desde dia 1 patente ao público, no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis, uma exposição de cartoons de R. Reimão e Aníbal F. intitulada «Elias, 2009 visto por um sem abrigo».
Trata-se de uma selecção de meia centena de cartoons publicados durante o ano passado no Jornal de Notícias, onde este «boneco» comenta a actualidade, diariamente, desde 2004. Os trabalhos estão agrupados em temas que versam as questões da Justiça, Democracia, Saúde, Crise e um mais alargado intitulado Etc.
A mostra, promovida pelo município local, que pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 09:00 às 12:30 horas e das 14:00 às 17:30 e, aos sábados, à noite, no horário do cinema, ficará no local até ao dia 7 de Março.
O boneco é um ser próximo de um indigente que deu em comentador da actualidade política, económica e social. Segundo um dos seus autores «ele manda bitaites acerca de tudo e todos, porque não deve nada a ninguém». O personagem chegou às páginas do JN em 2004, após de ter nascido e crescido num blogue um ano antes.
…………………………………….

Alémtudo, comunicação e design, lda
R. S. Roque, 9 – 7480-132 Avis
Aníbal Fernandes
965044142"






domingo, 31 de janeiro de 2010

CHEGOU A ÁGUIA!


Já chegou a alguns lares de destino o Nº 34 da Folha Informativa "Águia" da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural. Era suposto terem sido todas entregues na passada Sexta-feira, mas por impedimento de um dos habituais distribuidores, só metade da vila é que ficou com este serviço da ACA assegurado. Amanhã, segunda-feira, já todos ficarão a saber porque é que o Sr. João Guilherme, de Ervedal, teve um Encontro com alguém que nem sequer viu; porque é que o amigo Joaquim Pífano reencontrou um Messershmitt alemão que na altura em que deixou de ser seu encontro frequente estava ao serviço dos Aliados; saiba porque é que o melhor encontro do Ricardo Nunes foi o seu maninho; saiba o que aconteceu a duas pessoas que se encontraram por acaso no aeroporto, lendo o que sobre isto escreveu Maria Fátima Valente e saiba muitas outras coisas de Encontros e desencontros pois que de ENCONTROS  trata o tema de capa desta Águia.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CESTAS DE POESIA (CV)

Antes das “Cestas” duas chamadas de atenção para dois acontecimentos a acontecerem amanhã:

Às 15 horas, na Sede da Amigos do Concelho de Aviz -Associação Cultural, reunião do Grupo de Avis do Projecto Limpar Portugal. É muito importante estar presente

Às 17,30 horas actuação da Banda Filarmónica Galveense, em concerto no Auditório Municipal Ary dos Santos. È um espectáculo digno de ser visto!

Posto isto, vamos então à sessão número cento e cinco das nossas “Cestas de Poesia”.
Rebusquemos ainda do já referido Livro ”Poetas Populares - 3º Volume” da autoria de Fernando Cardoso o seguinte:
Conta-se que certa vez, Jaime Velez, o Manta Branca foi de abalada até á vila de Sousel para ali, na feira de S. Miguel, comprar um casacão que o agasalhasse do frio. Como voltou à Herdade da Macarra sem o dito casacão e indagado sobre o que lhe acontecera, respondeu de improviso:

“O meu casaco velhinho
Eu com ele me governo,
Gastei o dinheiro no vinho
Não me lembrei do Inverno."

Era assim o Manta Branca, com resposta sempre na ponta da língua e quase sempre em verso,
E agora as décimas que constam na página 75/76 do livro acima mencionado:

P’rás modernas quebraduras (1)
Já não chegam os doutores
Saram depressa as costuras
Outros que sofram as dores


Novos ricos emigrados
Estão-se vendo a toda a hora
Põem-se a cavar p’ra fora
Dizendo que estão quebrados.
P’ra outros serem curados
É preciso haver costuras
Subiam grandes alturas
Nem só um quebrar se via
Hoje é preciso cirurgia
P’rás modernas quebraduras (1)


Viam-se ricos “estadões” (2)
Viam-se grandes riquezas
Hoje não chegam as marquesas
P’ra fazer as operações,
Fogem para outras nações
Os que então eram senhores
Mostravam os seus valores
Noutros tempos atrasados
Hoje querem ser operados
Já não chegam os doutores.


Muitos se deram felizes
Antes da época baixar,
Uns quebram com falta d’ar
Não se vêm as cicatrizes,
Lá julgam noutros países
Haver cirurgias mais puras
P’ra se livrarem às censuras
Fogem p’ra nações estrangeiras
Com o remédio nas algibeiras
Saram depressa as costuras


Já não chega a medicina
Para mal dos migalheiros
P’ra fazerem barrigueiros (3)
Não chegam as oficinas
Sofrem imensas ruínas
Sendo delas causadores
E fazem os seus clamores
Se a quebradura os atrasa
Uns que vão batendo a asa
Outros que sofram as dores.

1 – qubraduras – falências
2 – ricos estadões – faustos
3 – barrigueiros - barrigudos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AMANHÃ, QUINTA-FEIRA, HÁ CAFÉ COM LETRAS

Amanhã, quinta-feira, há Café com Letras na Sede da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural. Em debate vai estar um tema que apesar de nos ser muito querido, nem sempre é por nós praticado: Vai falar-se de SOLIDARIEDADE e o orador vai ser o Dr. NUNO VARELA, sociólogo no Instituto de Segurança Social em Portalegre.
A hora aprazada para este evento é as 18 horas. Se por acaso não puder estar presente, faça o favor de passar palavra a alguém que possa estar interessado em ir.
A ACA agradece.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

AVIS EM ALTA - HERDADE DA CORTESIA HOTEL FOI DISTINGUIDO

Titula o Jornal Fonte Nova, de Portalegre na sua edição 1718 de sábado, 23 de Janeiro do corrente mês, o seguinte que com a devida vénia passamos a transcrever:

"O Herdade da Cortesia Hotel foi distinguido

No âmbito da 5ª edição do Prémio Turismo de Portugal, a Herdade da Cortesia Hotel, localizada em Avis, nas margens da Albufeira do Maranhão, em pleno coração da região do Norte do Alentejo, obteve uma Menção Honrosa, na categoria de "Novo Projecto Privado".
A distinção atribuída a este empreendimento que, no ano de 2009, viu reconhecido o seu contributo para o desenvolvimento do sector do turismo nacional, uma afirmação evidenciada pela sua qualidade e inovação, foi entregue, no dia 13 de Janeiro, em cerimónia pública realizada aquando da abertura da 22ª edição da "Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) 2010".

A notícia pode ser verificada aqui:


“DO CASTELO” endereça os parabéns a todos quantos trabalham e colaboram neste empreendimento, pelo prémio alcançado.

sábado, 23 de janeiro de 2010

PROJECTO LIMPAR PORTUGAL - GRUPO DE AVIS NO TERRENO








Hoje o dia até não amanheceu convidativo. Às sete da manhã o céu estava muito nublado e havia algum vento. Estava aquilo que se pode dizer uma manhã a apelar à cama, ao levantar tarde, principalmente para aqueles que têm a dura tarefa de se levantar cedo todos os dias, por obrigações profissionais.
O Grupo Concelhio de Avis do Projecto Limpar Portugal, tinha agendada uma visita ás lixeiras ilegais, melhor, a algumas lixeiras ilegais do nosso concelho, e às 9 horas, lá se foi juntando o grupo de voluntários, vencendo sonos e cansaços.
Nestas coisas os atrasos do costume: um que só pode ir depois do pão chegar, outro que, com a pressa, se esqueceu do copo de leite dentro do microondas e teve que ir beber qualquer coisa quente à “Pastelaria Laranjeira”.
Às 9 e 25 ala que se faz tarde! À estrada! Sob a mão de volante do eco-amigo Ângelo Rosado rumou-se em direcção a Aldeia Velha. Local de paragem, junto ao campo de futebol. Chegámos: a primeira lixeira estava ali à nossa frente e à frente de todos quantos moram em Aldeia Velha: plásticos variados, pneus, madeiras, vidros, cimento, esferovite, ferro. Há por ali de tudo e em quantidade q.b.. Dizem-nos que muito do lixo que ali existiu foi soterrado, quer dizer, está lá mas não se vê. Feito o levantamento deste local, o próximo destino foi Benavila, ali bem junto à margem esquerda da barragem e igualmente do lado esquerdo mas da ponte que dá acesso a Valongo, no sentido Benavila -Valongo. Um caos! Além de toda a espécie de lixos da lixeira de Aldeia, juntemos-lhe garrafas de vidro, muitas garrafas de vidro, mais entulho, mais sapatos, casacos de cabedal, cartuxos de caça e muitos plásticos que inicialmente se pensou poderem ter sido radiografias. Uma análise mais cuidada levou-nos a concluir que se trata de dezenas e dezenas de plásticos brancos que em tempos protegeram dos dentes das lebres os tenros troncos das jovens oliveiras plantadas nas imediações. Não havia melhor destino do que deitá-los ali para junto da barragem. O vento encarregou-se de espalhar muito deste lixo para dentro da dita barragem. Um autêntico crime ecológico sem punição. Mais um!
Após meia-hora de análise deste local, atravessamos Benavila e vemos como o lixo se amontoa junto dos contentores, à entrada junto das instalações de um antiga Cooperativa e depois à saída na estrada que nos levará à Figueira. Por detrás dum acampamento benavilense corre um regato onde, apesar da chuva, se vêem melhor os plásticos soltos do que a água a correr.
Rumemos pois a Figueira e Barros não sem antes pararmos já nas imediações do Monte do Chafariz onde existiu em tempos uma lixeira pública, legalizada. Dizem-nos que com a chegada da Valnor aquela lixeira acabou mas o seu encerramento não foi um exemplo. Os lixos foram soterrados e a pouca distância da extinta lixeira está uma mini-barragem e corre uma linha de água.
Figueira e Barros - junto ao campo de futebol. Mais do mesmo. Mais e muito: por íngremes barreiras amontoam-se centenas e centenas de quilos de lixo: plásticos, entulho, de tudo. Limpar esta lixeira é de dificuldade elevada dado o difícil acesso ao lixo lançado barreiras abaixo.
Deixemos a Figueira e rumemos ao Ervedal com vários “pontos de interesse” pelo meio. Antes mesmo da ponte da Figueira, do lado direito da mesma lá se vê o efeito pernicioso da mão criminosa do homem mal formado. Ribeira de Sousel: O CÙMULO! Mesmo antes da ponte e do lado direito da estrada imagine-se, contaram-se 12 (doze) ovelhas mortas, a apodrecer, rés-vés com a barragem…e com a estrada nacional O cheiro é nauseabundo apesar das baixas temperaturas. Além das ovelhas mortas tudo o que já referenciámos nos outros locais de depósito ilegal de lixo. Ah! Acrescentaremos colchões, muitos, mas mesmo muitos, cartuxos de caça.
A propósito do detectado nesta lixeira contou o Sr. António Henriques, o elemento mais velho desta equipa de boa vontade, que, no seu tempo não se escondiam as ovelhas mortas nos barrancos. Deixavam-se no campo bem à mostra para que se fizesse a “Justiça do Maranhão”. E o que era a “Justiça do Maranhão”? Pois bem, os animais mortos atraíam os abutres que os dizimavam só deixando os ossos. Ao tempo, aos abutres chamavam-lhes avestruzes, mas isso pouco importa. Talvez que a Justiça fosse do Maranhão por ser de lá, das suas fragas, que vinham provavelmente os tais abutres. Agora que há tantos meios legais para se verem livres destas situações, escondem-nos bem junto ( quem sabe se também dentro) da barragem do Maranhão.
Falta-nos só visitar uma das lixeiras previamente referenciadas pelo Grupo de GPS do Núcleo de Avis do Projecto Limpar Portugal. Ponte da Ribeira da Caniceira e inflictamos à esquerda (vindo da Figueira e Barros, via Estrada Nacional Nº 244). Saibreira. A maior. Dada a sua enormidade faz-me lembrar a lixeira que existiu em tempos nas proximidades da actual ETAR. Tanto lixo, mas tanto…e a Ribeira da Caniceira ali tão perto! Vigas de cimento, plásticos (sempre os malditos plásticos!), pneus de todos os tamanhos e feitios, mobiliários, madeiras dispersas…lixo, muito lixo.
Acabada esta visita de estudo, como alguém muito bem lhe chamou, foi hora de voltar a Avis. Chegámos às 13 horas.
Estas lixeiras estão referenciadas, vistas e agora há que tomar medidas. Quais? Não sabemos. Bom seria que todos aqueles que lerem estas linhas se juntassem a esta causa, ao Grupo de Avis do Projecto Limpar Portugal.
Não concordando com o pensamento de certa gente que acha que “quem suja que limpe”, continuamos dispostos a lutar por esta causa, a título inteiramente gratuito, repito e sublinho, a título inteiramente gratuito, no pressuposto de que se todos pensássemos do mesmo modo, se calhar só os padeiros é que comeriam pão, por serem eles que o fazem.
Para terminar, que esta “reportagem” já vai longa, lembrei-me de que agora há por aí a mania de se comentarem fotografias do facebook em quadras. E mais estando aí os VIII Jogos Florais de Avis, a que nos referiremos oportunamente, e dos quais consta a bonita quadra de Aníbal Fernandes:

QUEM SÓ VIVE DO PASSADO
E SE VÊ TÃO INSEGURO,
DÁ PRESENTE ENVENENADO
AOS QUE OLHAM O FUTURO

Lembrei-me de, apesar da falta de jeito, também fazer uma quadra que acabou por sair mal e porcamente:

Quem só vive do passado
Á espera daquilo que herda,
Também fica bem lixado
Que de cá só leva merda ...

Tenho dito.

P.S.: Por razões que desconheço (por enquanto), não consegui legendar as fotografias. Assim temos, por ordem decrescente de posicionamento: em primeiro lugar a Lixeira de Aldeia Velha, depois Benavila, segue-se a da Figueira e Barros, depois a da Ribeira de Sousel e finalmente a da Saibreira (Ribeira da Caniceira-Ervedal).
Para uma melhor percepção, aconselhamos a ampliar as fotografias.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CESTAS DE POESIA (CIV)

As “Cestas de Poesia” alcançaram hoje a sua publicação nº 104.
Sabendo-se que o ano tem 52 semanas, quer isto dizer que há dois anos que, sem falhar uma semana, por aqui passaram 104 poesias de poetas da nossa terra, e sempre em décimas. Nem eu próprio acreditava na longevidade desta iniciativa.
Digamos que para comemorar este “acontecimento” vou contar-vos aquilo que o meu amigo António Henriques me contou acerca do meu actual homenageado, JAIME VELEZ, O MANTA BRANCA. António Henriques confessa-me orgulhoso:
- Acompanhei muitas vezes o Jaime aí nas feiras. Tinha eu para aí os meus dezanove, vinte anos e era certo e sabido que quando eu não andava com as cachopas, estava a ouvi-lo cantar ao desafio nas feiras que por ai havia…Conta-se que certo dia o Jaime fazia-se acompanhar por um sobrinho, que como ele era ganhão na Herdade do Lameirão. Em determinada altura uma cotovia saltou do chão ali quase debaixo dos seus pés e começou a dar pequenos voos não abandonando o local, tal como fazem quando estão a chocar os ovos. Então o tio lançou um desafio ao sobrinho:
- Vamos fazer uma quadra à cotovia. Eu faço os dois primeiros versos e tu acabas. Pode ser?
Então disse o Jaime Velez:

Está aqui uma cotovia
A chocar uns poucos de ovos…

Ao que o sobrinho rematou:

O sol quando é ao meio-dia
É quando alumia mais povos

Então o Jaime disse-lhe:
- Não está mal de todo. Mas tu fugiste “à consoante”. Começaste na cotovia e acabaste no sol. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não faz lá grande sentido. Ora vê lá se assim não ficava melhor:



Está aqui uma cotovia
A chocar uns poucos de ovos…
Deve tirar qualquer dia
Um bando de pássaros novos.

Não achas que está melhor?



Por esta passagem conclui-se que o Jaime Velez não só gostava de versejar como até “dava aulas de poesia”.

Posto isto voltemos ao livro “Poetas Populares – 3º volume” de Fernando Cardoso para nos deliciarmos com mais umas décimas do Manta Branca.

O arado que o mestre fez
Para lavrar com dois bois pretos
Lavra bem só de uma vez
Até os regos ficam mais “dirêtos”

Lavram a toda a fundura
Todo ele está bem “fêto
É mesmo assim ao meu “jêto”
Está em muito boa altura
Para lavrar em terra dura
É tão firme como o fez
É uma obra cortês
Ver-se lavrar é um gosto
Tudo nele está bem posto
O arado que o mestre fez.

Estou “satisfêto” e contente
Com as peças que lhe vejo
Está bem “fêto” o rabanejo
E bem empalmado no dente
Lavra fundo e lavra assente
Não lhe posso pôr “defêto”
Toda a arte tem “precêto”
Para quem bem os compreenda
Ofereceram-me esta prenda
Para lavrar com dois bois pretos.

Colocados no natural
As aivecas ambas as duas
Já tenho visto charruas
Lavrarem muito mais mal
É uma obra principal
Gabada pelo Velez
Furos naturais tem seis
E dente, teiró e mexilhos
E mesmo atrás de dois novilhos
Lavra bem só de uma vez.

A têmpera nunca falha
A ponte baixa e levanta
Tem um furo na garganta
Aonde a teiró trabalha
Ampara o pescaz quando encalha
Dispenso alguns “sujêtos”
Os que não prestam “rejetos”
Não os gabo nem lá perto
Neste lugar puxa certo
Até os regos ficam mais “dirêtos”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

MAIS UM MIMINHO "DO CASTELO"

Os melhores leitores merecem sempre os melhores prémios. Assim, “DO CASTELO” tem o grato prazer de oferecer a todos os seus leitores  e leitoras aquele que considera ser O PORTAL DOS PORTAIS.


Ora clique aí em baixo  e veja lá se não encontra de tudo ou quase tudo…como em algumas farmácias.
Eu acrescentaria: encontra é muito mais.
Vamos experimentar?





sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

CESTAS DE POESIA ( CIII )

Antes das cestas : AMANHÃ, ÀS 14,30H, NA SUA SEDE, A AMIGOS DO CONCELHO DE AVIZ - ASSOCIAÇÃO CULTURAL, REALIZA A ASSEMBLEIA ORDINÁRIA: SE FOR SÓCIO COMPAREÇA.

Continuemos na senda desse "enorme" poeta popular que foi Jaime Velez, O MANTA BRANCA, socorrendo-nos ainda do livro de Fernando Cardoso, "Poetas Populares" - 3º volume, 5ª edição.
Reproduzimos pois, hoje, mais umas décimas deste Benavilense.

Mote:

Deus me deu de natureza
A sorte que me abraçou
Miséria mal e tristeza
Ainda nunca me faltou

Que ofensa a Deus faria
Para ser tão castigado
Paixões rodeado
Sofro penas sem quantia
Alegre nem só um dia
Aiunda nunca conheci beleza
Herdei do mal a vileza
Na hora em que nasci
Triste cena possuí
Deus me deu de natureza

Para eu ser tão infeliz
Não devia ter nascido
Fui pela desgraça protegido
E o bem desprezar me quis
O mal criou raiz
Nunca mais me abandonou
Alegria se me ausentou
A ventura me fugiu
Tudo quanto é mal adquiriu
A sorte que me abraçou

Tenho que a cruz abraçar
Neste espinhoso caminho
Oiço mal e poucochinho
A vista está me a faltar
Para eu arrastado andar
Bastava a minha pobreza
Ainda para mais baixeza
Tenho em tudo sofrimento
Cada vez com mais aumento
Miséria mal e tristeza

Esta eterna paixão
Sempre minha companheira
Não posso ainda que eu queira
Tirar-me da escuridão
Em tão triste situação
Eu sempre penando estou
Um triste vivente sou
Vivo sempre em amargura
Sofrimento e desventura
Ainda nunca me faltou

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ONDE PÁRA A MINHA AGENDA?

Estou sempre ansioso que chegue a Agenda Municipal para dar uma vista de olhos e marcar algum acontecimento que me desperte interesse. Por questões que secalhar nem serão muito pertinentes, a Agenda costuma chegar sempre um pouco atrasada no tempo: uns diazinhos de atraso, somente.
Hoje, assim que senti o carteiro mexer na minha caixa de correio logo para lá corri, mas...desilusão: a Agenda ainda lá não estava. Sendo que amanhã já é meio do mês, não acredito que as mesmas ainda estejam por enviar para os CTT para posterior distribuição por aqueles serviços. A mim não me restam dúvidas nenhumas de que a minha Agenda - paga com parte do valor dos meus impostos - se "perdeu" no percurso entre a Câmara Municipal e a minha casa, pois que eu até já vi uma nas mãos de uma pessoa. Desencaminhou-se. Onde é que eu não sei nem faço idéia. Alguém me poderá dar uma ajudinha?
Daí a minha pergunta: onde pára a minha agenda?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O CAFÉ COM LETRAS ESTÁ DE VOLTA QUANDO O SR. MANUEL ROSA NOS DEIXOU


Ponto 1 -
Recomeçam amanhã as tertúlias que a Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural realiza entre Janeiro e Junho, quinzenalmente às quintas-feiras e sempre às 18 horas na sua Sede. Estas tertúlias chamam-se de "Café com Letras" e a sessão de amanhã, segundo "DO CASTELO" conseguiu apurar, será a sessão nº 83. É muito "Café"...
O tema escolhido para a 1ª sessão desta nova série é o debate acerca da GRIPE A, sendo convidada uma técnica que poderá responder a todas as dúvidas que ainda nos assaltam sobre esta pandemia que afinal nem o chegou a ser. Ou terá chegado? Amanhã a Srª Enfermeira GENOVEVA SADIO, profissional no Centro de Saúde de Avis, estará á disposição de todos quantos quiserem beber um cafézinho quente ou um chá enquanto se esclarecem sobre esta matéria.
Ponto 2 -
Curiosamente, ou não, precisamente no dia em que faço referência ao "novo" Café com Letras tenho a obrigação de referir o desaparecimento de alguém que foi um grande assíduo destas tertúlias. Foi hoje a enterrar o meu amigo Manuel Rosa, para sempre o Sr. Manuel. Enquanto as forças lho permitiram o Sr. Manuel não falhou mais que dois Cafés que eu me lembre. Pontualíssimo, por vezes quando a porta da Sede da ACA era aberta assim já muito rés-vés das 18 horas logo o Sr. Manuel comentava que "pensava que vinha enganado, que hoje não havia..." A sua assiduidade era de tal modo marcanate nestes encontros que, lembro-me, uma vez ele não apareceu e eu fui na sexta-feira seguinte indagar o que se passava não estivesse o meu amigo Manuel doente. Tinha-se esquecido e estava deveras incomodado com isso. Sabedor que eu era amante de comer a fruta da árvore logo ali me disponibilizou as suas laranjeiras e tanjerineiras para me saciar.
Era um falador nato. Quantas vezes, nos meus passeios de Domingo passava pela Rua dos Arrabaldes e, no seu quintal, o Sr. Manuel já na casa dos 90 anos, lá continuava a cavar, a arrancar ervas, a regar. Convidava-me sempre a entrar para eu ver o seu trabalho. E eu entrava e conversávamos muito. Sobre tudo. Mas muito sobre os tempos passados. As histórias à volta da Travessa da Rua do Forno, onde há muitos anos atrás funcionava uma casa de banho pública a céu aberto o que incomodava sobremaneira a mulher do Presidente da Câmara de então que morava para aqueles lados. Sobre a vida de trabalho, sobre política, sobre mulheres, pois então!
Um dia falámos de vida e de morte. Depois de filosofarmos à volta desta tema ele, parece que o estou a ver, figura franzina, delgado envergando uma botas de borracha, disse-me:
- Olhe amigo, a gente não sabe quem vai primeiro e para que a gente não tenha muita pena um do outro fazemos assim: você não vai ao meu funeral e eu não vou ao seu. Pode ser?
Achei a proposta esquisita mas aceitei o desafio.
Eu hoje cumpri a minha parte.
Sei que o meu amigo Manuel Rosa também cumprirá a sua.
A toda a família enlutada, "DO CASTELO" apresenta sentidas condolências.
Depois desta sentida homenagem desejo sinceramente que descanse em paz.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

PROJECTO LIMPAR PORTUGAL - NÚCLEO DE AVIS

Reune amanhã, terça-feira, pelas 18 horas na sede da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural o Núcleo de Avis do projecto Limpar Portugal. Esta 3ª reunião tem como objectivos continuar a traçar directrizes de modo a que no dia 20 de Março consigamos remover a maior quantidade de lixo ilegalmente depositado pelo Concelho de Avis.
A sua presença é importante.
Compareça.

domingo, 10 de janeiro de 2010

SERRA DE S. MAMEDE (PORTALEGRE) - 16H45M DE HOJE: -1,5º CENTRIGADOS

Foto 1 : "Serra de S. Mamede ( Portalegre)"
Foto 2: "16h45m de hoje"

Foto 3: "-1,5º Centígrados"



Foto 4: " ...lado oeste da Serra..."


Foto 5: " ... momentos antes do trânsito ter sido interditado..."



Por volta das 09h50m nevava levemente em Avis. A neve, embora não desse para fotografar dado o facto de se liquefazer de imediato, era no entanto visível no limpa para-brisas do carro.
Em Portalegre, na serra de S. Mamede a coisa chiou mais fino. As imagens que ilustram esta crónica foram tiradas do lado oeste da serra e momentos antes do trânsito para o cimo da mesma ter sido interditado, o que ocorreu por volta das 17h15m. Ao que "Do Castelo" apurou, do lado nascente da Serra nevou muito mais, chegando, em certos sítios da Freguesia de S. Julião, a ter a altura de um palmo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

CESTAS DE POESIA (CII)

Continuando a falar sobre JAIME VELEZ, " JAIME DA MANTA BRANCA", irei servir-me agora de um livro da autoria de Fernando Cardoso, intitulado Poetas Populares, que no seu 3º volume, já em 5ª edição, se refere demoradamente a este Benavilense.
Ali se refere que jaime Velez foi muito novo. com cerca de sete ou oito anos, viver para o Cano, onde acabou por falecer, ainda novo, " a 2 de Maio de 1955...no palheiro onde dormia, no Rossio, ...queimado ( a certidão o confirma) e muito provavelmente embriagado, o poeta-ganhão que tragava copos de vinho para esquecer o trago amargo da vida..."
Posto isto, vou reproduzir mais umas décimas extraídas do livro acima referido:

Mote:
Lá dentro do cemitério
Ouvi um melro cantando,
Na rama dos aciprestes
Que estava os mortos velando.

Com toda a força e rijeza
O seu cante retinia
Cantava com alegria
Aonde só há tristeza
Todo o luxo e grandeza
Finda no campo funéreo
Não há mais triste mistério
Nem pena que tanto agrave
Ouvir cantar uma ave
Lá dentro do cemitério.

Fiquei triste e a pensar
Ainda hoje no mesmo penso
Aonde há tanto silêncio
Ouvir um melro a cantar
Com vontade de chorar
Parei e estive escutando
De certo que veio voando
P'ra aquele lugar tão triste
Aonde só tristeza existe
Ouvi um melro cantado.

Alegre cada vez mais
Aonde ninguém é vivente
Ele cantava alegremente
Ao pé dos tristes mortais.
Aonde só há funerais
É que tu cantar "viestes"
Vai p'ra onde manifestes
Tua alegria sem par
Dá pena ouvir teu cantar
Na rama dos acipestres.

Foi-se pôr de cantoria
Dentro da terra sagrada
Aonde ninguém lhe diz nada
Dormem de noite e de dia.
Aonde ninguém o ouvia
Estão em paz descansando
Ele sempre continuando
Com o seu cantar animado
Por entre a rama poisado
Que estava os mortos velando.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

JÁ BRIU A CASA CLAUDINO!


Foto: Claudino Cartas, o novo empresário avisense

Caludino Cartas trabalhou durante 24 anos na Cooperativa Agricola de Avis. Com o encerramento do armazém por parte daquela Cooperativa, Claudino Cartas resolveu instalar-se por conta própria num ramo que já conhece bem: o comércio a retalho. Situada na Antiga Estrada Nacional, em Avis (242 412 218 - 936 044 164), mesmo junto à bomba de combustivel da Cooperativa, na Casa Claudino encontra-se de quase tudo, de segunda a sábdo, das 08h00 às 12h00 e das 14h00 às 19h00. Lembro-me de por lá ter visto, botas de borracha, redes para vedação, carvão, rações para gado ( câes, gatos, aves), luvas de trabalho, barrricas de plástico, cadeados, ansaimos para cães, óleos Castrol. Vende agora alguns pprodutos que a Cooperativa não tinha, como é o caso da areia para gatos. O melhor mesmo é você passar por lá para ver com os seus próprio olhos.
A curto prazo passará a casa Claudino a explorar também o posto de combustível que por ora é pertença da Cooperativa Agricola de Avis.
Lamenta-se o amigo Claudino que não tenha encontrado ninguém - em nenhum Ministério - que lhe desse as indicações necessárias para ficar apetrechado e autorizado a vender herbicidas, pesticidas e fungicidas.
Será que alguém poderá ajudá-lo com umas dicas?
"DO CASTELO" endereça os votos de maiores venturas a este novo empresário avisense.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A PRENDA "DO CASTELO"

No primeiro dia útil de 2010 é de toda a justeza que "DO CASTELO" ofereça um docinho muito sumarento aos seus leitores e leitoras.
Esta coisa dos mails é assim: recebem-se aqueles que nem se chegam a abrir dada a sua extensão ( normalmente idenfificados com formato XXXLLL), abrem-se alguns que não valia a pena estarmos a perder tempo, e chegam alguns que são deveras interessantes. O meu amigo Pedro - olá Pedro, como vai? um abraço! - enviou-me uma pequena preciosidade que quero partilhar convosco.
Clicando abaixo terá acesso a uma enormidade de terras do nosso país. Depois, clicando na terra escolhida terá acesso a uma galeria de fotos e clicando nas fotos saberá um pouco mais acerca dessas terras.
Mate saudades, reveja o antigo Jardim do Mestre, em Avis, comente e leia o que o "sombranegra" escreveu sobre o mesmo. Seja curioso!
Divirta-se e tenham todos, sem excepção, um bom ano.
O sítio é este e vale a pena roubar uns minutos ao patrão, para o visitar.

http://www.flickr.com/photos/vitor107/sets/

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CESTAS DE POESIA ( CI )

Tal como tinha anunciado, "esgotou-se-me" o stock de recolhas feitas junto dos poetas do nosso concelho. Sei que ainda por aí há mais para recolher. Irei fazê-lo mas não sei quando. Assim, irei agora falar de alguns poetas, igualmente "nossos", mas já com obra editada.
Para começar falarei daquele que para mim terá sido o maior poeta popular, repentista, nascido no concelho de Avis: JAIME VELEZ, "O MANTA BRANCA".
Para nos situarmos no espaço e no tempo, vou servir-me do Livro "Cosme de Campos Callado - O Homem e a Obra - 1948-2008", com edição da Fundação Abreu Callado, em Dezembro de 2008. Na página 36 e sob a responsabilidade de Fernando Máximo, escreve-se:
" ...Jaime Velez, por alcunha "O Manta Branca", nascido em Benavila a 30 de Julho de 1894. Jaime Velez foi ganhão e era analfabeto. No entanto, tinha uma veia poética e repentista que lhe permitia em qualquer situação responder a um desafio, versejando sempre...... São diversos os episódios conhecidos que fazem parte da sua longa história de vida. Um dos mais repetidos e que merece ser mencionado, prende-se com o facto de em certa ocasião, na casa do seu patrão se ter feito uma grande festa e estando inclusivamente entre os convidados um ministro. Jaime foi instado a que dissesse uns versos para animar a festa. Resistiu quanto pôde, mas achando ali mais uma oportunidade de poder defender os trabalhadores e zurzir no poder instalado, acabou por aceder depois do patrão lhe ter assegurado que nenhum mal lhe adviria. E disse então a seguinte quadra:
Não vejo senão canalha
De banquete para banquete,
Quem produz e quem trabalha
Come açordas sem "azête"
Depois, de modo repentista, vieram os restantes versos que compunham as décimas:

Ainda o que mais me admira
E penso vezes a miúdo:
Dizem que o sol nasce para tudo
Mas eu digo que é mentira.
Se o pobrezinho conspira
O burguês com ele ralha,
Até diz que o põe à calha
Nem à porta o pode ver.
A não trabalhar e só comer
Não vejo senão canalha!

Quem passa a vida arrastado
Por se ver alegre um dia
Logo diz a burguesia
Que é muito mal governado,
Que é um grande relaxado,
Que anda só no bote e "dête".
Antes que o pobrezinho "respête"
Tratam-no sempre ao desdém
E vê-se andar, quem muito tem,
De banquete para banquete.

É um viver tão diferente
Só o rico tem valor.
E o pobre trabalhador
Vai morrendo lentamente.
A fraqueza o põe doente
E a miséria o atrapalha;
Leva no peito a medalha
Que ganhou à chuva e ao vento
E morre à falta de alimento
Quem produz e quem trabalha

Feliz de quem é patrão
E pobre de quem é criado
Que até dão por mal empregado
O poucochinho que lhe dão.
Quem semeia e colhe o pão
Não tem aonde se "dête",
Só tem quem o "assujête"
Para que toda a vida chore,
E em paga do seu suor
Come açordas sem "azête" "

Será pois com poesia deste quilate que irei preencher as próximas "Cestas de Poesia".
Penso que não poderia haver melhor maneira de começar, poeticamente falando, o ano de 2010.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BOM ANO 2010!!!!

Embora atrasados ( há muito tempo que é Ano Novo noutras paragens do globo) "DO CASTELO" endereça os votos de Bom Ano de 2010 a todos os seus leitores e aos seus colegas que, por Terras do Mestre, teimam em manter viva "esta coisa" da Blogosfera: O Maranhão, Desabafos, Alcorregus, Coisas do Passado, Boa Memória, Tudo e Mais alguma coisa em Avis, Minhoca, Reimão, Blogoscola são alguns dos nomes que de momento me lembro. Se 2010 lhes (nos) der inspiração teremos uma escrita blogosférica deveras interessante de seguir; referências não nos faltam.
Cá por Avis, a Casa do Benfica continua a chamar a si as honras da festa de fim de ano e por isso mesmo a merecer o nosso aplauso pelo esforço dispendido. Nos panfletos, por aí profusamente distribuidos, é chamada a atenção para o facto de que : Sócios - 35 Águias (cotas em dia). Por motivos que não interessa aqui esmiuçar ( os outros é que esmiuçam, e bem, diga-se de passagem) não vou ao reveillon do Benfica. Mas fica-me uma dúvida: quanto é que eu pagaria? É que é assim: hoje em dia eu sou um cota. Por outro lado tenho as quotas em dia, ou seja estou duplamente em dia com cotas e quotas.
Mas que grande confusão que me arranjaram para fim de ano...
Quero lá saber...VIVA 2010!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

POR PORTALEGRE, CIDADE...

Foto 1 : "Meto-me por uma rua estreita cujo nome não fixei."
Foto 2 :" Cresceu muito a "nossa" palmeira."

Foto 3 : "Paredes meias está a Fábrica da Cortiça, a Robison."



Chego a Portalegre por volta das dez da manhã. Sei que tenho cerca de duas horas para "gastar" na minha cidade. Estaciono na Corredoura, ali mesmo junto ao Cinema Crisfal onde por tantos anos vi na década de sessenta: Jean Paul Belmondo, Sofia Loren, Joselito, Cantiflas...
O dia está de nevoeiro, não há vento e de quando em vez caem umas pingas de chuva. A temperatura a rondar os dezassete graus está demasiado alta para a época. Parto á deriva.
Desço a Corredoura e corto à esquerda para a Rua da Casa de Saúde onde agora estão instaladas as Águas do Norte Alentejano. Ultrapasso a Rua dos Canastreiros, a da Mouraria e dirijo-me com intenções de ir ao antigo largo dos Correios. Na Benvindo Ceia noto que há uma nova "saída" para a esquerda devidamente arranjada. Vou por aí e percorro as muralhas, pelo lado de fora, reparando que mesmo arrumadas à muralha e do outro lado, existem várias casas com estreitas portas pintadas de cores garridas. Ao fim deste novo percurso (pelo menos para mim) uma placa que diz por estas ou outras palavras: "A Barbacã foi reconstruida através do projecto Polis". Corto à direita e passo pela Igreja de Santiago onde a presença de vários militares da GNR me faz supor de que o funeral que ali se vela será de algum elemento daquelas forças. Passo pelas antigas instalações do Banco de Portugal, pelo largo onde outrora existiu uma sociedade cujo nome já se me varreu e chego à Rua do Comércio. Betine Estúdio, afinal o meu destino final. Saio deste espaço, desço cerca de trinta metros e inflito à direita. Subo a Rua do Pirão e revejo com agrado que ainda por ali se mantêm as antigas carvoarias. Pelo menos duas. E descubro que lá existe o Beco da Pobresa. Assim mesmo com "s" porque, se calhar, com "z" sairia a placa mais cara. Subo, subo, subo, e depois continuo junto às muralhas. Meto-me por uma rua estreitinha cujo nome não fixei. De tão estreita é difícil entrar naquelas portas, quanto mais sair dali, por exemplo, um caixão. Desço-a e vou cair na Praça da República. Polícia de Segurança Pública, Escola Superior de Educação. Exito em entrar nesta. Mas tenho que entrar. E entro. Onde se situa hoje a Escola Superior de Educação existiu em tempos o Liceu Nacional de Portalegre onde durante cinco anos me "perdi" entre livros e trabalhos escolares. Entro e vou até ao pátio. Ali resta a palmeira. Era baixa no meu tempo e dela comíamos belas tâmaras. Cresceu muito a "nossa" palmeira. Cresceu na mesma proporcionalidade em que eu envelheci. Sinto-me mais pequeno do que quando, miudo, por aqui andava. À direita da palmeira a sala onde, certo dia, numa aula de Geografia, a professora pediu ao Sr. Antão, contínuo do Liceu, que lhe trouxesse a planta. Para admiração de todos e alguns risos abafados o Sr. Antão trouxe uma planta num vaso. Talvez a planta que servia de exemplo em aulas de Botânica. Subo a enorme escadaria rumo ao primeiro andar. Já me custam a subir as escadas. As mesmas salas? Não. Há divisórias novas. E uma exposição da Quercus sobre "Natureza em Risco". Achei-a interessante e já contactei aquele organismo no sentido de que a referida exposição passe por Avis. Vamos aguardar. Desço as referidas escadas e saio com uma lágrima - como é habitual - ao canto do olho. Não tenho culpa de ser assim. Penso como é diminuta, para não dizer nula, a segurança neste estabelecimento de Ensino. Entrei onde quiz e ninguém me inquiriu. Ah! Esta vem-me sempre à lembrança. Ali à porta parece-me rever ainda o Sr. Reitor, o Dr. Chichorro Marcão, numa certa manhã de Primavera em que eu e mais dois colegas de turma resolvemos trocar o abafado da sala de aulas por um passeio pelo campo, indo até lá bem para baixo junto à Praça de Touros. Mal sabíamos nós que à chegada teríamos a inesperada presença do Sr. Reitor, possuidor de umas enormes mãos que não exitava em atirar à cara dos alunos sempre que tal se justificasse. Por razões que ainda hoje ignoro, daquela vez, ficou-se pelo "discurso". Já na Praça da República vislumbro, aproximando-se por entre o expesso nevoeiro, o funeral que há pouco estava na Igreja de Sntiago. Ladeando o carro fúnebre, quatro elementos da GNR. Perante um silêncio absoluto vejo como inflete para a direita em direcção ao cemitério da cidade. Atravesso a Praça e ao fundo lá está ainda a velhinha fonte e mais as escadas aprumadas e estreitas. O que antigamente fazia em corrida e a duas e duas faço-o agora a custo e a uma e uma. Ao cimo olho para trás num olhar de despedida não sem antes recordar que ali de cima, caiu uma vez o então meu colega Rui que comigo tentava vislumbrar a nossa colega Carolina, por quem andávamos os dois de "olhos trocados". Diziam as más línguas no Liceu de que tinha sido eu que empurrara o Rui. A esta distância dos factos posso vos asssegurar que o Rui se desiquilibrou sozinho. O pé torcido foi consequência do destino. Os dois últimos anos de Liceu foram passados no então chamado "Anexo do Liceu". É para lá que me dirijo, ali a quarenta metros. Desses tempos apenas resta a placa na entrada a dizer "Património do Estado". No enorme largo está agora um Parque de Estacionamento. Pago. Portalegre está "armadilhado" de parques de estacionamento pagos. Há parques pagos por tudo quanto é sítio. Tenham cuidado não vos aconteça como a mim que em Setembro, por distração, por cera de dez minutos de estacionaento paguei a quantia de 30 euros por falta de ticket. Melhor, por nem ter visto a máquina. Voltemos ao largo do antigo anexo: ali estão agora sediados a CERCIS Portalegre e a Liga dos Antigos Combatentes. Paredes meias está a Fábrica da Cortiça, a Robison. Está inativa e a enorme chaminé, envolta no espesso nevoeiro já não deita o fumo escuro de há quarenta anos atrás. Era certo e sabido: se o fumo vinha para a cidade chovia, se "voava" para fora da cidade não chovia. Tudo acaba! Do outro lado da Estrada da Serra descubro uma rua que desconhecia. Dá pelo nome de Rua da Cooperativa Operária. Estreita, inclinada, lá tem a meio a dita Cooperativa em cuja fachada está inscrita a data de fundação: 29-4-1898. Desemboca na Rua do Pirão. Preparo-me para subir esta quando, mesmo junto à antiga Farmácia Chambel recebo um telefonema a dizer que está na hora de regressar a Avis. Faço-o por gosto, mas com vontade de qualquer dia voltar a perder-me pelas ruas desta cidade onde gastei alguns dos melhores anos da minha mocidade.
Junto à minha viatura um polícia municipal verifica o pagamento dos estacionamentos. Desta vez estou à vontade. São 11 e 50 e tenho parque pago até as 12 horas. Pergunto-lhe se sabe quem morreu e reponde-me que foi um Sargento Ajudante da GNR. No activo. Morreu de doença prolongada.
Em 28 de Dezembro de 2009.

domingo, 27 de dezembro de 2009

LIMPAR PORTUGAL: COORDENAÇÃO CONCELHIA DE AVIS REUNE AMANHÃ

O projecto Limpar Portugal (http://limparportugal.ning.com/) é uma iniciativa de um grupo de cidadãos nacionais, sendo um movimento cívico independente. O que se pretende é repetir em Portugal a experiência verificada na Estónia em Março de 2008 e que consiste agora na limpeza dos lixos ilegalmente despejados em Portugal.
A estrutura do movimento assenta na divisão das tarefas, cabendo a cada concelho a organização de uma Coordenação Concelhia ou Local.
A Coordenação Concelhia de Avis já se encontra devidamente organizada, a trabalhar, e é dela e dos seus projectos que "DO CASTELO" lhe vem dar conhecimento.
Actualmente possui cerca de cinquenta elementos inscritos (via Net ou por ficha de inscrição em suporte de papel) e o "sítio" pode ser visitado em http://limparportugal.ning.com/group/avis .
O dia aprazado para a limpeza é o de 20 de Março de 2010.
Está a ser feito o levantamento de várias lixeiras ilegais no nosso concelho e...como a matéria é deveras complexa, gostaríamos de o(a) convidar a estar presente, amanhã dia 28 de Dezembro, numa reunião a ter lugar na sede da Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural, sita na Praça Serpa Pinto nº 11, em Avis, a partir das 19 horas onde irão ser debatidos os problemas mais prementes para o bom funcionamento desta Cordenação Concelhia. A sua opinião é deveras importante.
A Comissão Concelhia pode contar consigo?
Então até amanhã, às 19 horas na sede da ACA.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

CESTAS DE POESIA (C)

Quando iniciámos estas "CESTAS DE POESIA" estávamos bem longe de pensar que elas poderiam chegar tão longe. Hoje mesmo, com a última sexta-feira do ano, atingimos a edição número CEM desta rubrica. Há cem sextas-feiras seguidas, cem semanas que ineterruptamente temos dado a conhecer poesia popular inédita. Sempre em décimas. Nunca estes poetas tinham tido poesia sua escrita e dada a conhecer. Porque de momento se nos esgotou o "stock" de inéditos iremos continuar com as "Cestas de Poesia" transcrevendo poetas já com obra publicada. Sempre que tenhamos novas recolhas reproduzi-las-emos tendo o cuidado de assinalar o facto de serem inéditos. JOÃO MARTINS VILELA, de Benavila, fecha assim este ciclo da primeira centena de poemas que já dariam para editar um livro.
Porque estamos em maré de Natal pensamos vir a propósito as seguintes décimas deste autor Benavilense:
Mote.
O nosso Deus é o mar
E a terra a Virgem Maria
Com o sol a acompanhar
E a lua sempre vigia
Estou consciente
Que a palavra é mal dada
Trás tanta gente enganada
Que já se torna impertinente
Onde está o inteligente
Que nos venha explicar
Todo o mundo há-de acabar
Este grande atrasamento
A natureza faz o tempo
E o nosso Deus é o ar
Pelo meu pensamento
Aonde está o cientista
Ele nunca se arrisca
A este temperamento
Quem é que faz o vento?
Não é a fantasia
Vamos todos em harmonia
Dar a nossa mão
Eu digo e tenho razão
A terra é a Virgem Maria
É a nossa mãe amada
E de toda a geração
Que nos dá a alimentação
E nunca está cansada
Faz tudo e desfaz em nada
É combro do mar
Que muito lhe vai dar
A sua firmeza
A esta grande beleza
Tem o sol a acompanhar
É o crescente e o minguante
Que leva a água à areia
Mas quando é maré cheia
Enche no confrangemante
Abastece o regante
Quando trás a ventania
É de noite e de dia
Por esse mundo sem fim
Que rega todo o jarrdim
E a lua sempre vigia
AUTOR: JOÃO MARTINS VILELA/BENAVILA

MAIS UM NATAL...

Mais um Natal.
Pela primeira vez na minha vida tentei mudar a sorte, tentei alterar o quase impossível, tentei ludibriar o Pai Natal (ou seria o Menino Jesus?). Quiz, sem sucesso fazer com que as prendas não fossem o óbvio. Para isso, este ano resolvi abrir as prendas logo ao bater da meia-noite, em vez de como é hábito em minha casa desde que me conheço, o fazer hoje pela manhã.
Não consegui: lá tive as anualmente repetidas peúgas, as "boxers" aos pares, (que é mais barato), o after-shave ( que se repete para aí desde os meus dezasseis anos!), os Ferrero (para quando um Ferrari?), as garrafitas, enfim, o habitual. Nada que me surpreendesse.
Afinal onde é que eu me portei mal durante este ano para não merecer umas prendas melhores? Vou fazer uma análise profunda e séria e, se chegar a alguma conclusão depois digo-vos onde é que eu "pequei"...
Só mais uma nota: verdadeiramente interessante, pelo inesperado, foi a prenda que recebi dos meus simpáticos vizinhos Susana e Rui: um Pai Natal de chocolate. Parece que se lhes constou que eu era a modos que muito guloso. Agora fiquei com um dilema: como-o ou guardo-o como recordação deste Natal 2009?
Não digam a ninguém, mas o mais certo é comê-lo...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL


Porque foi esta a razão que me ensinaram a celebrar o Natal, é assim que o irei celebrar.
...QUE SEJA UM BOM NATAL PARA TODOS VÓS! são os votos da equipa "DO CASTELO".

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

CESTAS DE POESIA (XCIX)

O Mestre José Bragança foi correeiro na Fundação Abreu Calado em Benavila. JOÃO MARTINS VILELA recorda uma passagem que lhe aconteceu com o seu grande amigo José Bragança, entretanto já falecido.

Amigo José Bragança
Tens sangue dos teus avós
Até que s efaça a mudança
Isto fica entre nós

És um bom rapazinho
Foste criado no Vale do Barro
Encontrei-te com o teu carro
Embarrancado no caminho
Eu fui devagarinho
Encostei-lhe a minha pança
Mandei-te meter a mudança
Agora desta é que vai
Porque és filho do teu pai
Amigo José Bragança

Por seres bom companheiro
Voltámos as costas ao vento
Explicaste-me o teu talento
Que tinhas no teu ficheiro
Mas foste tu o primeiro
A puxar pela tua voz
Eu tinha vindo de Badajoz
Contigo fiquei admirado
És por todos aclamado
Tens sangue dos teus avós

Dei-te muita atenção
Vou-te dar um louvor
Vá lá para onde eu for
Tenho-te sempre de recordação
Dos poemas tens paixão
Já te ficou de herança
Quem corre sempre alcança
Este grande talento
Perdoa-me o velho tempo
Até que se faça a mudança

Estou-me a alembrar
E agora por bem to digo
Mas quando eu falei contigo
Vieste-me logo a palpitar
Onde quer que eu chegar
Vou-te dar o meu retrós
Para meteres na tua moz
Este grande segredo
Mas de mim não tenhas medo
Isto fica entre nós

Autor: JOÃO MARTINS VILELA/BENAVILA