Hoje o dia até não amanheceu convidativo. Às sete da manhã o céu estava muito nublado e havia algum vento. Estava aquilo que se pode dizer uma manhã a apelar à cama, ao levantar tarde, principalmente para aqueles que têm a dura tarefa de se levantar cedo todos os dias, por obrigações profissionais.
O Grupo Concelhio de Avis do Projecto Limpar Portugal, tinha agendada uma visita ás lixeiras ilegais, melhor, a algumas lixeiras ilegais do nosso concelho, e às 9 horas, lá se foi juntando o grupo de voluntários, vencendo sonos e cansaços.
Nestas coisas os atrasos do costume: um que só pode ir depois do pão chegar, outro que, com a pressa, se esqueceu do copo de leite dentro do microondas e teve que ir beber qualquer coisa quente à “Pastelaria Laranjeira”.
Às 9 e 25 ala que se faz tarde! À estrada! Sob a mão de volante do eco-amigo Ângelo Rosado rumou-se em direcção a Aldeia Velha. Local de paragem, junto ao campo de futebol. Chegámos: a primeira lixeira estava ali à nossa frente e à frente de todos quantos moram em Aldeia Velha: plásticos variados, pneus, madeiras, vidros, cimento, esferovite, ferro. Há por ali de tudo e em quantidade q.b.. Dizem-nos que muito do lixo que ali existiu foi soterrado, quer dizer, está lá mas não se vê. Feito o levantamento deste local, o próximo destino foi Benavila, ali bem junto à margem esquerda da barragem e igualmente do lado esquerdo mas da ponte que dá acesso a Valongo, no sentido Benavila -Valongo. Um caos! Além de toda a espécie de lixos da lixeira de Aldeia, juntemos-lhe garrafas de vidro, muitas garrafas de vidro, mais entulho, mais sapatos, casacos de cabedal, cartuxos de caça e muitos plásticos que inicialmente se pensou poderem ter sido radiografias. Uma análise mais cuidada levou-nos a concluir que se trata de dezenas e dezenas de plásticos brancos que em tempos protegeram dos dentes das lebres os tenros troncos das jovens oliveiras plantadas nas imediações. Não havia melhor destino do que deitá-los ali para junto da barragem. O vento encarregou-se de espalhar muito deste lixo para dentro da dita barragem. Um autêntico crime ecológico sem punição. Mais um!
Após meia-hora de análise deste local, atravessamos Benavila e vemos como o lixo se amontoa junto dos contentores, à entrada junto das instalações de um antiga Cooperativa e depois à saída na estrada que nos levará à Figueira. Por detrás dum acampamento benavilense corre um regato onde, apesar da chuva, se vêem melhor os plásticos soltos do que a água a correr.
Rumemos pois a Figueira e Barros não sem antes pararmos já nas imediações do Monte do Chafariz onde existiu em tempos uma lixeira pública, legalizada. Dizem-nos que com a chegada da Valnor aquela lixeira acabou mas o seu encerramento não foi um exemplo. Os lixos foram soterrados e a pouca distância da extinta lixeira está uma mini-barragem e corre uma linha de água.
Figueira e Barros - junto ao campo de futebol. Mais do mesmo. Mais e muito: por íngremes barreiras amontoam-se centenas e centenas de quilos de lixo: plásticos, entulho, de tudo. Limpar esta lixeira é de dificuldade elevada dado o difícil acesso ao lixo lançado barreiras abaixo.
Deixemos a Figueira e rumemos ao Ervedal com vários “pontos de interesse” pelo meio. Antes mesmo da ponte da Figueira, do lado direito da mesma lá se vê o efeito pernicioso da mão criminosa do homem mal formado. Ribeira de Sousel: O CÙMULO! Mesmo antes da ponte e do lado direito da estrada imagine-se, contaram-se 12 (doze) ovelhas mortas, a apodrecer, rés-vés com a barragem…e com a estrada nacional O cheiro é nauseabundo apesar das baixas temperaturas. Além das ovelhas mortas tudo o que já referenciámos nos outros locais de depósito ilegal de lixo. Ah! Acrescentaremos colchões, muitos, mas mesmo muitos, cartuxos de caça.
A propósito do detectado nesta lixeira contou o Sr. António Henriques, o elemento mais velho desta equipa de boa vontade, que, no seu tempo não se escondiam as ovelhas mortas nos barrancos. Deixavam-se no campo bem à mostra para que se fizesse a “Justiça do Maranhão”. E o que era a “Justiça do Maranhão”? Pois bem, os animais mortos atraíam os abutres que os dizimavam só deixando os ossos. Ao tempo, aos abutres chamavam-lhes avestruzes, mas isso pouco importa. Talvez que a Justiça fosse do Maranhão por ser de lá, das suas fragas, que vinham provavelmente os tais abutres. Agora que há tantos meios legais para se verem livres destas situações, escondem-nos bem junto ( quem sabe se também dentro) da barragem do Maranhão.
Falta-nos só visitar uma das lixeiras previamente referenciadas pelo Grupo de GPS do Núcleo de Avis do Projecto Limpar Portugal. Ponte da Ribeira da Caniceira e inflictamos à esquerda (vindo da Figueira e Barros, via Estrada Nacional Nº 244). Saibreira. A maior. Dada a sua enormidade faz-me lembrar a lixeira que existiu em tempos nas proximidades da actual ETAR. Tanto lixo, mas tanto…e a Ribeira da Caniceira ali tão perto! Vigas de cimento, plásticos (sempre os malditos plásticos!), pneus de todos os tamanhos e feitios, mobiliários, madeiras dispersas…lixo, muito lixo.
Acabada esta visita de estudo, como alguém muito bem lhe chamou, foi hora de voltar a Avis. Chegámos às 13 horas.
Estas lixeiras estão referenciadas, vistas e agora há que tomar medidas. Quais? Não sabemos. Bom seria que todos aqueles que lerem estas linhas se juntassem a esta causa, ao Grupo de Avis do Projecto Limpar Portugal.
Não concordando com o pensamento de certa gente que acha que “quem suja que limpe”, continuamos dispostos a lutar por esta causa, a título inteiramente gratuito, repito e sublinho, a título inteiramente gratuito, no pressuposto de que se todos pensássemos do mesmo modo, se calhar só os padeiros é que comeriam pão, por serem eles que o fazem.
Para terminar, que esta “reportagem” já vai longa, lembrei-me de que agora há por aí a mania de se comentarem fotografias do facebook em quadras. E mais estando aí os VIII Jogos Florais de Avis, a que nos referiremos oportunamente, e dos quais consta a bonita quadra de Aníbal Fernandes:
QUEM SÓ VIVE DO PASSADO
E SE VÊ TÃO INSEGURO,
DÁ PRESENTE ENVENENADO
AOS QUE OLHAM O FUTURO
Lembrei-me de, apesar da falta de jeito, também fazer uma quadra que acabou por sair mal e porcamente:
Quem só vive do passado
Á espera daquilo que herda,
Também fica bem lixado
Que de cá só leva merda ...
Tenho dito.
P.S.: Por razões que desconheço (por enquanto), não consegui legendar as fotografias. Assim temos, por ordem decrescente de posicionamento: em primeiro lugar a Lixeira de Aldeia Velha, depois Benavila, segue-se a da Figueira e Barros, depois a da Ribeira de Sousel e finalmente a da Saibreira (Ribeira da Caniceira-Ervedal).
Para uma melhor percepção, aconselhamos a ampliar as fotografias.
Para uma melhor percepção, aconselhamos a ampliar as fotografias.
















+21+NOVEMBRO9+2009+001.jpg)
+21+NOVEMBRO9+2009+110.jpg)
+21+NOVEMBRO9+2009+114.jpg)
+21+NOVEMBRO9+2009+128.jpg)








