Com o salão da junta de Freguesia de Ervedal bem composto de amigos, procedeu-se hoje ao lançamento do Livro de poesia de JOÃO GUILHERME, intitulado “AS DÉCIMAS DE JOÃO GUILHERME”. Em vez de lhe chamarem “lançamento de livro” chamaram-lhe, e a meu ver muito bem, de “homenagem ao Sr. João Guilherme”. A mesa de honra foi composta pelo autor, pela Senhora D. Margarida Luzia, Presidente da Junta de Freguesia local, pelo Vereador da Câmara Municipal de Avis Sr. António Luís e pela Professora Maria Albertina que fez a apresentação do livro.
Margarida Luzia abriu a cerimónia afirmando em dada altura do seu curto mas conciso discurso: “Estou muito feliz por estar aqui!”
Por sua vez o Vereador António Luís disse “não estar preparado para o discurso mas que também não fazia mal pois que não gostava de ler, antes gostava mais de falar de improviso.”
A Professora Maria Albertina, tal como os antecessores oradores, elogiou as qualidades pessoais e poéticas do homenageado afirmando em dois trechos do seu discurso:
-Este livro era o sonho do Sr. João Guilherme” e
- Apesar de iletrado, ele é um homem culto”
De seguida e depois de ler a biografia do autor e a Introdução por ela mesma assinada, não resistiu a ler três poesias do livro agora lançado. Porque também gostamos, damos a conhecer a primeira das décimas lidas correspondente ao Mote nº 2:
Um mouco ouve a notícia
Um cego lê o jornal
Um coxo foge à polícia
Um mudo orador principal
O maneta joga ao boxe
Dá murros ao desmazelo
O careca corta o cabelo
O cadáver espirra e tosse
O direitinho não se torce
Encara que é delícia
O coxo foge à polícia
Com receio da prisão
O cego vê a televisão
Um mouco ouve a notícia
O milionário é um pedinte
O ministro é um ganhão
O vagabundo é um patrão
E cem é mais do que vinte
Não há ninguém que não pinte
Pinte bem ou pinte mal
Espanha não é Portugal
Piolho não é percevejo
Agora sim que eu vejo
Um cego lê o jornal
O mouco escuta e transmite
Diz ao mudo o que se passa
A fala deste mete graça
Mas graça não admite
Só ao cego permite
Brincadeira de perícia
O cego cheio de malícia
Diz ao mudo orador
Mas que grande corredor
Um coxo foge à polícia
Se começa de princípio
Lá está o mouco a ouvir
O mudo quer intervir
Então começa o comício
O cego assina o armistício
Com essa visão global
É um barulho infernal
Todos querem intervir
Toda a gente a aplaudir
Um mudo orador principal
Para finalizar, Maria Albertina desejou muitos anos de vida ao Sr. João Guilherme, com votos de que ainda escreva muito mais para, quem sabe, um dia ver outro livro seu publicado.
Suzete Barradas Mota leu uma poesia dedicada ao homenageado, houve sessão de autógrafos e por fim um momento de salutar convívio num lanche servido pela Junta de Freguesia local.
De novo “DO CASTELO” endereça os parabéns a todos os intervenientes com especial ênfase para a Junta de Freguesia de Ervedal que foi o pilar base desta iniciativa.
Àh! Não se esqueçam que amanhã, segunda-feira de Páscoa, há festa à moda antiga na Horta das Rosas, ali na Freguesia de Ervedal.
P.S. Solicito a quem fez o “favor” de entregar à D. Margarida Luzia uma cópia do que aqui foi escrito no dia 04 de Março que agora faça o favor de entregar também (se ainda não fez, é claro) o que aqui ficou registado nos dias 07 de Março, dia 29 de Março e hoje, obviamente.
“DO CASTELO” agradece.











