FERNANDO JOSÉ DE DEUS, foi nado e criado em Valongo, onde ainda reside aos 90 anos de idade. Apesar de ser analfabeto, sabe poesias que diz ter feito em tempos. Feitas ou de cór, sabe e o saber é que é importante. Eis o que o Sr. Fernando me disse que sabia:
O POBRE TRABALHADOR
O pobre trabalhador
Vive muito apoquentado,
Se tem bom fato é impostor
Se não o tem é relaxado!
Tive um dia precisão
De entrar numa botica
Onde havia gente rica
Tudo na mesma ocupação,
Parecia um figurão
Aquele homem cavador
Traz um fato de linda cor
E meia, melhor sapato
É como o coelho no mato
O pobre trabalhador!
Entre toda a “viciolada”
Não falando no vestuário
Dizendo que o nosso salário
Nunca chega a ser nada
Não é ganho da enxada
Que nos trás tão asseado
É a “aceifa” e o salgado
E o que o corpo se “assujeita”
P’ra trazer a vida direita
Vive muito apoquentado!
Sempre há que dizer
Do pobre trabalhador
Tem uma arte superior
Que ao homem dá de comer,
Sempre se tem que jazer
Ninguém lhe dá o valor
Anda á chuva, ao vento e calor
Correndo o suor pela testa
Mas se vem um dia de festa
Se tem bom fato é impostor!
A vida de um homem pobre
É pior que a dum ladrão
Se trabalha muito é bruto
Não faz nada é mandrião
Fala muito é aldrabão
Fala pouco é amuado
É de todos desprezado
Ao pobre nada vai bem
Se tem bom fato é porque o tem
Se não o tem é relaxado!
Autor : Fernando José de Deus/Valongo (analfabeto)











