sexta-feira, 17 de julho de 2009

CESTAS DE POESIA (LXXVII)


De conversa fácil, conhecedor da coisas da vida da agricultura como poucos, passei algumas tardes a conversar com o meu amigo JOAQUIM ANTÓNIO BOTAS, o patrão Botas, para os amigos. Na tarde 23 de Fevereiro de 2006, a nossa conversa descambou para a poesia e ele disse-me:
- Olhe que ainda me lembro de umas décimas que fiz uma vez quando tinha aí os meus dezassete anos.
Disse-mas e eu escrevi-as. Com os votos de boas melhoras para o meu amigo patrão Botas, aqui as deixo à vossa consideração servindo simultaneamente para homenagear um homem com quem dava gosto falar. Hoje, infelizmente, devido à sua adiantada idade as coisas já se passam de maneira diferente.

Mote:
Não chores mais desgraçada
Que o teu chorar nada vale,
Essas lágrimas que choras
Não dão remédio a teu mal!



De há muito, podes saber,
Que te lastimas em vão,
Aos que pedes protecção
Riem-se do teu sofrer;
Não lhe dês a conhecer
Que vives apaixonada
Com isso não lucras nada
Para teus horríveis tormentos
São baldados os teus lamentos
Não chores mais desgraçada!


De que te serve o verter
O pranto em quantidade
Não compras á sociedade
O que ela te fez perder
Escarnecem por te ver
Envolta no lodaçal
A gargalhada é geral
Não encontras um amigo
Por esta razão te digo
O teu chorar nada vale!


Tu estás amaldiçoada
Por teu pai e tua mãe
Por os tratares com desdém
Serás sempre mal tratada;
Tua sorte mal fadada
Nunca mais acha melhoras
Antes, cada vez pioras
Tua triste situação
Pois não tem aceitação
Essas lágrimas que choras!


A graça e a formosura
Que te deu a natureza
Podes tu ter a certeza
Que foi a tua “desvantura”;
Julgavas-te ó criatura
Neste mundo sem igual
Pensavas não ter rival
A ti mesma te enganaste
Os homens a quem amaste
Não dão remédio ao teu mal!

Autor: Joaquim António Botas- nascido em 15-10-1911 no Maranhão ( Monte da Covada)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

ASSIM, NÃO! ( I )

Foto: A Fonte Nova...tem tanto de bonita como de desprezada..."
Foto 2: " Agora serve de cemitério de pneus..."


A “FONTE NOVA”, apesar do nome, já foi construída no século XVIII, mais precisamente em 1787. Situada na encosta que dá acesso a Avis pelo topo Este, é uma fonte que tem tanto de bonita como de desprezada. Como as fotos demonstram, a parte dianteira da mesma encontra-se com difícil acesso dada a quantidade de erva que cresceu naquele local. Por sua vez, da parte de trás, encontra-se um tanque que serviu em tempos de lavadouro público. Agora serve de “cemitério” de pneus que um qualquer inimigo do ambiente resolveu lançar lá para dentro, encontrando-se a água putrefacta e imprópria para ser utilizada. É pena que um monumento com tantos anos de existência apresente o aspecto de desleixo que está à vista de todos.
Deixamos o registo e o grito de alerta no sentido de se fazer uma limpeza àquele local, o que, em nosso entender, até não será muito dispendioso nem moroso.


sexta-feira, 10 de julho de 2009

CESTAS DE POESIA ( LXXVI)

Vamos ainda hoje apresentar um trabalho em décimas do poeta de Figueira e Barros que dá pelo nome de ADÍSIO ENGRÁCIO DOS SANTOS:
Mote:
Vou falar com o padeiro
Vou falar com padeiro,
Vou falar com o padeiro
Vou falar com o padeiro!

i
Mal empregado cão
Não ser mais pequenino
Fazia melhor jeitinho
Não comia tanto pão;
Aquilo era uma grande ração
Ainda me entra no “migalheiro”
Eu não vi no mundo inteiro
Ás vezes até me deixo rir
Enquanto trouxer o “Manda vir”
Vou falar com o padeiro!

Isto é mesmo do coração
Aos meus amigos vou contar
À “bucha” come-se um pão
Enrola-me dois ao jantar;
Levo os dias a cismar
Conto a qualquer cavalheiro
Era liberal e ligeiro
Era muito bem mandado
Mas não me chega o aviado
Vou falar com o padeiro!

Eu já disse ao meu patrão
Que me levantasse o ordenado
Se não vou-lhe deixar o gado
Que eu não posso com a pensão
Não ajunto um tostão
Nem que ande um ano inteiro
Meu ditado é verdadeiro
Vivo no mundo sem alegria
Pois não me chega a “comedia”
Vou falar com o padeiro!

Há-de ser o que deus quiser
Vou-me aventurar para perder
Eu já não ganho p’ra comer
Nem p’rós filhos nem p’rá mulher;
Ele come tudo o que houver
Vou-me deixar de ganadeiro
Trabalhar sem juntar dinheiro
É só dar tombos na vida
Tenho uma estrada seguida:
Vou falar com o padeiro!

Autor : Adísio Engrácio dos Santos/Figueira e Barros/Avis

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MUDANÇAS NO COMANDO

Com a saída, por transferência para o posto de Fronteira, do Sr. Sargento Bravo, a guarnição do posto da GNR em Avis passou a ser comandado pelo Sr. Sargento Fanico.
Para ambos “ DO CASTELO” deseja as maiores felicidades quer a nível pessoal quer a nível profissional.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ASSIM, SIM! (II)

Foto: "A DARDICO tem novo visual publicitário..."


A DARDICO é sem sombra de dúvidas uma mais valia para o concelho de Avis: ela é só o maior empregador particular no nosso concelho. Muito a propósito, fazendo uso da perspicácia que lhe é peculiar, o jornalista JOÃO RUIVO desenvolve uma interessante reportagem sobre esta unidade fabril nas páginas 8 e 9 do Jornal aponte deste mês de Julho. Aconselho vivamente a lê-la.
A DARDICO tem novo visual publicitário assim a modos como os das grandes cidades.
Assim, sim!
Pena é não haver outras “dardicos” por estas bandas…

segunda-feira, 6 de julho de 2009

ASSIM, SIM!

Foto 1: " ...as ervas estão cortadas..."
Foto 2 : "...dois traços descontinuos já permitem a entrada directa no cemitério de Avis."

Há tempos assinalámos por aqui o facto das proximidades do local da paragem dos Expressos em Avis, se encontrar cheio de ervas e de dejectos caninos dando uma péssima imagem da nossa vila a todos os que por aqui passavam nas suas deslocações de autocarro. Referimos igualmente o “absurdo” que era ir dar a volta ao largo da feira para poder entrar no cemitério aquando dos funerais. Pois é com satisfação que referimos agora que ambas as situações estão ultrapassadas há já algum tempo: as ervas estão cortadas ( que bem que ali ficaria uma relva tratada...) e dois traços descontínuos já permitem a entrada directa no cemitério de Avis.
Regista-se.

domingo, 5 de julho de 2009

PORQUE A GRIPE A É UM PERIGO REAL...

Porque a GRIPE A é um perigo real, leia atentamente algumas informações sobre a referida Gripe, e o modo como a poderemos evitar, clicando aqui:
http://saude.sapo.pt/artigos/noticias_actualidade/ver.html?id=993033

sexta-feira, 3 de julho de 2009

CESTAS DE POESIA ( LXXV)

ADÍSIO ENGRÁCIO DOS SANTOS é demias conhecido em Figueira e Barros (Avis) graças à sua paixão pela poesia e pelo cante à desgarrada. De trato fácil, são dele as seguinte décimas que lhe recolhi em 2004 após um amena cavaqueira junto ao largo da Igreja de Figuira e Barros:
Mote:
Abalei da minha terra
Abalei da minha terra;
Abalei da minha terra
Abalei da minha terra!


Adeus Figueira malvada
Ao que havias de chegar
Um homem para trabalhar
Ter que ir p’ra borda d’água;
Minha ideia está fisgada
E direito que nem uma vela
Em ouvindo dizer àquela:
Não faz cá mais do que um ano
Pregaram-me um grande engano
Abalei da minha terra!

Depois do rebanho contado
E eu com muita opinião
Volto e digo p’ró patrão:
Para onde é que vai o gado?
Passe além aquele valado
E dê volta àquela serra,
Você não faça caso dela
Que ela é ruim de abocar...
E ao que eu havia de chegar
Abalei da minha terra!

Um dia por me descuidar
E deixar comer um repolho
Veio um gajo cego dum olho
Com um cajado a querer-me matar:
Tu deves te enganar
Vens meter teu peito em guerra
Pareces uma “escaravela”
Se te pego com uma mão
Dá-me um choque no coração
Abalei da minha terra!

Eu sozinho e mais ninguém
Nesta casinha a dormir
Pois formigas matei mil
E ratos contei cem;
Isto mesmo é que convém
Mas ai que vida tão bela
Fui-me ver dentro de uma tigela
Contei dezanove aranhões
Volto e digo para os meus botões
Abalei da minha terra!

Autor: Adísio Engrácio dos Santos/Figueira e Barros (Avis)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

PORTALEGRE ESTÁ MAIS PRÓXIMO

Foto: Portalegre está mais próximo



Com a abertura ao trânsito do troço do IC13 entre Alter do Chão e Portalegre, esta cidade passou a ficar mais perto de Avis cerca de onze quilómetros, o que numa viagem de ida e volta corresponde a uns preciosos 22 Km. O piso da nova estrada é magnífico, largo e sem curvas apertadas, sendo que se faz muito menos de uma hora até chegar à capital do distrito. Fica assim de lado a hipótese de utilizar o IP2 para ir a Portalegre. Só uma chamada de atenção: cuidado com a velocidade excessiva. O limite é de 90 Km mas a estrada convida a velocidades bem mais elevadas. Não se esqueçam que os “nossos amigos” das máquinas estão à espreita onde menos se esperam e não perdoam.
Como diria um insigne dirigente deste país: - A partir de agora, ir a Portalegre, via Monforte, “JÁMÉ”!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Faça-se justiça: PRENDAM-ME!

Foto: "A maioria daquele precioso néctar virou vinagre."
Foto: ..."fotografia aérea."





Vou confessar publicamente um crime que cometi, esperando que esta minha confissão sirva de atenuante na decisão final dos jurados. Passo a relatar os factos:
Possuo, ou melhor julgava que possuía, uma garrafeira invejável: devidamente acondicionadas nos seus “buracos” mais de 400 garrafas faziam as delícias de todos quantos para elas olhavam e não raras vezes me diziam: - Já não as consegues beber todas…
Pois bem. Ontem resolvi dar uma volta às minhas garrafinhas e cheguei à conclusão que assassinei nada mais nada menos que:
- 37 Garrafas de Abreu Callado (algumas de reserva) dos anos de 1976 a 1988
- 27 Garrafas de Reserva de Reguengos de Monsaraz dos anos de 1975/1976
- 3 Garrafas de Redondo
- 1 Garrafa Encostas do Enxoé
- 1 Garrafa Adega Cooperativa de Borba
- 2 – Garrafas de vinho verde
- Uma quantidade indeterminada de garrafas de vinho, por mim engarrafado, nos anos 80 e proveniente da Abreu Calado, altura em que era ali vendido vinho em garrafões.
Nas fotos acima a prova do meu crime: as garrafas encontram-se meias, pois que a outra metade ou se evaporou ou se entornou, apesar de rolhadas como se comprova pela fotografia “aérea”. A maioria daquele precioso néctar virou…vinagre.
Publicamente peço perdão ao José Ribeiro, dedicado adegueiro que tanto se tem esforçado na Adega da Fundação para que os vinhos ali produzidos sejam autênticos néctares dignos de deuses. Os rótulos das garrafas comprovam a autenticidade da antiguidade dos vinhos agora transformados em vinagre.
Peço a quem me julgar que me aplique uma pena leve, de serviços à comunidade, que poderão passar, por exemplo, por ter que beber, logo que possível, as restantes mais de trezentas e trinta garrafas que ainda repousam na minha garrafeira.
Mas será que este crime tem perdão?

domingo, 28 de junho de 2009

PELA NOSSA SAÚDE!


Recebi, via CTT, duas folhas dedicadas à saúde: a MESTR’EM SAÚDE de Junho de 2009 e o Nº 14 da FOLHA INFORMATIVA DO CENTRO DE SAÚDE DE AVIS, o que desde logo é digno de registo.
A primeira é um projecto da responsabilidade da Turma do 9ºA da E.B. Mestre de Avis, é distribuída como suplemento da segunda e congratulo-me com o facto de, apesar de o ano lectivo terminar, a folha ter continuidade, de acordo com os desejos expressos dos alunos que agora vão encarar novos desafios académicos. É de leitura fácil e bastante interessante. Parabéns a todos que nela participaram.
A segunda é da responsabilidade do Centro de Saúde de Avis e devo confessar que a leio sempre de fio a pavio. Como habitualmente vem recheada de ensinamentos em saúde, e é sempre agradável aprender sobre coisas que possam contribuir para um equilíbrio cada vez mais saudável.
Em relação a esta folha, não deixa de ser curioso o facto de nela se referirem as chegadas e as saídas para outros postos de trabalho dos profissionais de saúde que vão chegando e vão partindo e – admito que me tenha passado – não li uma só linha a referir o facto de no prazo de menos de uma ano terem saído por aposentação, nada mais nada menos que quatro elementos que durante muitos anos trabalharam no nosso Centro de Saúde. Estou-me a referir concretamente a duas Enfermeiras (uma delas com funções de chefia), uma chefe Administrativa, e uma Auxiliar de Acção Médica. Esta gente não mereceria uma menção na Folha ou será que a sua actuação profissional durante as várias décadas em que trabalharam no Centro de Saúde de Avis foi de tal modo negativa que não justificam essa referência? Possivelmente será essa a razão ou, como acima admito, fui eu que li mal ou não me apercebi da informação em anteriores folhas informativas. O futuro e o presente são essenciais, mas estes só são possíveis cimentados no passado.
Coitado, dizia o meu avô, (Deus lhe tenha a alma em descanso) que foi um homem que bebeu muito chá em pequenino, dizia ele que, se é importante e de boa educação darmos as boas vindas a quem chega a nossa casa, é igualmente importante quando alguém nos deixa despedirmo-nos quer seja com um “até um dia” quer seja com um “até sempre”…
Pois, que venham as próximas folhas!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

CESTAS DE POESIA (LXXIV)

Diz-me o Manel Gaiato que ouviu várias vezes estas décimas a esse grande poeta popular de Benavila, infelizmente já falecido, que ficou conhecido como RODRIGÃO. Tentei averiguar, inclusivamente junto de familiares, se efectivamente as décimas em causa eram da autoria de Rodrigão, mas a verdade é que não conhecem a obra do, neste caso, pai. Chamo a atenção para o facto do mote ser um só verso repetido quatro vezes. No Alentejo é frequente encontrarmos poetas a versejar assim.
Seja como for, vamos atribuir-lhe, embora sem certezas absolutas, a autoria das seguintes décimas:

Mote:
Essa mulher para mim morreu
Essa mulher para mim morreu
Essa mulher para mim morreu
Essa mulher para mim morreu


I
Não admito a ninguém
Conversas a esse fim
Que era mulher para mim
Já hoje valor não tem;
Para mim não me convém
Que sem razão me ofendeu
De mim não se compadeceu
Com uma dor tão sentida
Por isso direi toda a vida
Essa mulher para mim morreu!

II
Eu não posso mesmo a mangar
Que me falem em tal criatura
Para que não sirva de censura
Por onde quer que eu passar;
Isto tinha que acabar
Disto o culpado fui eu
Meu pobre coração sofreu
Uma paixão tão custosa
Não me falem mais na Rosa
Essa mulher para mim morreu!

III
A todos conheci vontade
Que eu amasse essa rosinha
Mas só ela é que não tinha
Nem de mim uma saudade;
Amava-a com lealdade
E o cravo dela era eu
De mim não se compadeceu
Da minha dor tão sentida
Direi para toda a vida
Essa mulher para mim morreu!

IV
Na primeira vez que a vi
Na verdade fiquei louco
Afinal durou pouco
Que eu depressa aborreci;
O amor que por ela senti
Foi coisa que não me prendeu
Tão depressa me esqueceu
São quase ânsias de morte
Juro pela minha boa sorte
Essa mulher para mim morreu!

Autor: Rodrigão – Benavila

terça-feira, 23 de junho de 2009

ESTÁ O "BALHO" ARMADO!



Foto: "São já bem visíveis as obras de requalificação no Largo do Convento..."

É verdade: o “balho” está armado!
São já bem visíveis as obras de requalificação do Largo do Convento, em Avis. Ainda não são audíveis os comentários de desaprovação das mesmas porque elas ainda não dão para entender como é que as coisas vão ficar. Mas esperem-lhe pela pancada.
A julgar pelo que ouvi e continuo a ouvir dizer em relação às modificações da Serpa Pinto, não tenho dúvidas de que se houvesse alguma hipótese credível do poder democraticamente cá instalado ser alterado, estas obras teriam sido adiadas por uns meses. Assim…vamos esperar para ver …ouvir...e depois contar.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

HÁ DIAS LIXADOS!

Foto 2 - "...ter que percorrer cerca de 1140 macieiras com um pulverizador de 16 litros ..."
Foto 2- " Os Abelterium encheram-me as medidas"



É verdade: há dias bons e há dias LIXADOS!
O passado sábado foi um desses dias (lixados).
Vejamos: já há tempos que andava ansioso que chegasse o dia 20 pois segundo o planeado iria ser um sábado em cheio: de manhã Auditório com ele para assistir ao colóquio sobre a sesta; depois, à tarde, Fundação Pais Teles no Ervedal para o lançamento da revista; às 19 horas lançamento do livro do meu Grande amigo, o Professor Ribeirinho Leal na Feira do Livro de Avis e à noite Feira do Livro. Estava pois tudo aparentemente programado ! Além do mais, com os calores que têm estado, a manhã seria climatizada no Auditório e à tarde na Pais Teles penso que também o clima seria amenizado por um qualquer ar condicionado. De referir que sou um defensor acérrimo da sesta, culto que pratico “religiosamente”, e grande admirador do Grupo de Cantares de Ervedal.
Mas este era o cenário previsto. O cenário real foi bem diferente:
Perante ordens entretanto recebidas, às cinco da manhã rumo ao trabalho agrícola. Vejam só: agora que sou velho, virei “jovem agricultor”. E o sábado de sonho virou sábado de pesadelo: ter que percorrer cerca de 1140 macieiras com um pulverizador de 16 litros de água às costas, barreiras acima, barreiras abaixo, sob uns bem medidos 37/38 graus às duas da tarde, garanto-vos que não é nada encorajador. De mais a mais para quem pensava ir para o fresquinho do Auditório…Mas a verdade é que os piolhos verdes tinham atacado e havia que exterminá-los. Não é por serem verdes, até podiam ser aranhiços vermelhos que tinham que levar o mesmo tratamento. A vida do campo é muito dura, óh se é…
Quase que apostava que ainda alguém me vai dizer que estou todo morenaço e que devo ter ido passar o fim-de-semana à praia. Vai uma aposta?
Como tudo que nasce torto acaba torto, terminei a noite a ouvir em directo e a cores (a preto e preto) os Buraka Som Sistema, "Os Buraka" para os amigos. Que mais me irá ainda acontecer???
Domingo a realidade amenizou com coisas boas: O meu amigo MANEL está a recuperar bem e em princípio terça-feira já cá está e isso é que é deveras importante. Os Abelterium encheram-me as medidas com aquela série de fados que cantaram no encerramento da Feira do livro de Avis.
Não há mal que sempre dure…


sexta-feira, 19 de junho de 2009

CESTAS DE POESIA ( LXXIII )


“Sei que você se interessa por estas coisas da poesia popular e eu há dias descobri umas décimas do meu pai. Veja lá se as quer…o meu pai quando as fez tinha já 84 anos.”
Quem me disse isto foi o Sr. Luís Borges Rosado em 27 de Agosto de 2004. Em boa hora eu as quis. O seu pai chamava-se JOÃO ROSADO SALVATERRA. O que escreveu e o seu filho me deu é o que eu deixo agora à vossa consideração:


Mote:
Vivo junto da saudade
Junto dela vou morrer,
A saudade é tão forte
Que eu não a posso vencer!


Diz-me linda saudade
O que vens aqui fazer
Eu desejava saber
Tu diz-me e fala a verdade
Não venhas com falsidade
Que é para eu te acreditar
Não penses em me enganar
Magoas-me o coração
Já não suporto a situação
Vivo junto da saudade!

Tenho no peito a saudade
De quem vou-lhes dizer
Meu pai e minha mãe quero ver
Mas não tenho essa liberdade
No desejo da amizade
Nunca pode acontecer
Não temos esse poder
Todos sabemos que não
Com a saudade na mão
Junto dela vou morrer!

Linda e velha saudade
Eu para ti vou falar
Tanta vez me anda a lembrar
Os risos da mocidade
Passam com facilidade
Tornar cá era uma sorte
Vamos indo até à morte
É este o meu entender
Mais uma vez te vou dizer
A saudade é tão forte!

Passa bem linda saudade
De ti me vou despedir
Quem te mandou aqui vir
Quem tem essa liberdade
Ouve cá linda saudade
Isto que te vou dizer
Tens em ti grande poder
Mas muitos dizem que não
Ficas no meu coração
Que eu não te posso vencer!

Autor: João Rosado Salvaterra/Avis (feito aos 84 anos - já falecido)

terça-feira, 16 de junho de 2009

AINDA PODE IR Á FESTA DA SAÚDE!!!

Foto 1 - REVISTA-SE DOS SEUS MELHORES SENTIMENTOS...
Foto 2 - VÁ OUVIR UMA HISTÓRIA DE ENCANTAR...

Foto 3 - DEPOIS BEBA UM REFRESCO...


Foto 4 - DIVIRTA-SE JOGANDO....


Foto 5 - ...OU DANÇANDO DE RODA




Foto 6 - DEPOIS...VÁ-SE EMBORA MAS FELIZ!






segunda-feira, 15 de junho de 2009

HAJA SAÚDE, HAJA FESTA, AMANHÃ E SEMPRE!


Por nos ter sido solicitado a sua divulgação, passamos a transcrever o seguinte:

FESTA DA SAÚDE 2009 / 16 DE JUNHO

OBJECTIVO: TRADUZIR O CONCEITO DE SAÚDE/DINAMISMO/PARTICIPAÇÃO ACTIVA

ORGANIZAÇÃO: AGRUPAMENTO VERTICAL DE ESCOLAS DE AVIS/GRUPO PES

LOCAL: ESCOLA BÁSICA 2, 3 MESTRE DE AVIS

ABERTURA : 10 HORAS



CORAÇÃO HUMANO A BATER AO RITMO DOS BOMBOS


. ACTIVIDADE FÍSICA E DANÇA
. AMBIENTE
. AFECTOS/EDUCAÇÃO SEXUAL E HIGIENE
. SEGURANÇA
. CULTURA E MÚSICA
. ALIMENTAÇÃO
. DANÇAS COLECTIVAS – LUDOTECA-NO PÁTIO

domingo, 14 de junho de 2009

VÂNDALOS EM AVIS - HÁ QUE ELIMINÁ-LOS!

Foto: "Para atestação fica a foto."

Continuando a sua troca de experiências culturais, a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural trouxe hoje até Avis uma “embaixada” de 43 elementos da Universidade Sénior de Beja. É sempre interesse da Associação mostrar o que de melhor temos para exibir.
Uma das vistas mais belas da nossa vila é a que se obtém do cimo da Torre da Rainha. Tentaram obter a chave para lá se deslocarem. O responsável pelo Posto de Turismo disse-lhes que não podia dar a chave e explicou-lhes o porquê da recusa, explicação que os dirigentes da ACA aceitaram plenamente.
“DO CASTELO” soube do insólito e quis testemunhar o que se passava. Para atestação fica a foto. Bom seria poder publicar aqui a foto da cara de quem fez estes serviços nas escadas de acesso á Torre, depois da dita cara ter sido bem esfregada na porcaria que ali fizeram.
Com vândalos assim, é muito difícil fazer o quer que seja para bem da nossa terra. Se o único remédio é eliminar este energúmenos, pois que se eliminem nem que para tal se tenham de usar meios violentos.
Avis e oa Avisenses merecem mais respeito.

sábado, 13 de junho de 2009

A NOITE DE SANTO ANTÓNIO FOI DE "OS AVISENSES"

Foto: "A noites de Santo António em Avis pertenceu inteiramente ao Clube de Futebol Os Avisenses"
Foto: "O nosso povo gosta destes eventos."


A noite de Santo António em Avis pertenceu inteiramente ao “Clube de Futebol os Avisenses” que organizaram os festejos no largo junto ao Pelourinho. Todos sabemos das dificuldades porque passam “Os Avisenses” mas a vontade indómita de três ou quatro pessoas tentam, a todo o custo, evitar o seu encerramento definitivo. A perseverança e força de vontade podem muito e estou em crer que estes lutadores conseguirão os seus intentos.
O nosso povo gosta destes eventos. E é ver como nestas alturas até se esquece a crise, se convive, se dança e se ri. As sardinhas assadas pedem umas imperiais que a noite além de quente é de festa. O Palhinhas Caldeira, como lhe é apanágio, não se faz rogado nos”toques” e os pares não se fazem rogados nas danças. A alegria no ar pude-a eu próprio constatar pessoalmente no local da festa. A todos aqueles que, voluntariamente, com sacrifício das suas próprias vidas pessoais (oh! Se eu sei o que isso é!!!!) se dedicaram à realização deste evento os meus parabéns. Todos merecem felicitações e como não sei o nome de todos, todos estão incluídos neste três nomes: António Pinto Silva, José Luís Garcia Nunes Leão e Jorge Manuel Pereira Palma.
Só mais uma coisa que testemunha o meu apreço pela organização desta noite de Santo António pelos “Os Avisenses”. Hoje de manhã passei pelo recinto das festas e estava tudo impecavelmente limpo: nada de copos no chão, nada de espinhas de sardinhas espalhadas, nada de guardanapos ao vento. Quem não soubesse o que acontecera, não concluiria de modo nenhum o que ali se passara na noite anterior. Até nisso a rapaziada de “Os Avisenses” foram grandes! Parabéns.
Descendo a António José de Almeida, na zona em frente da barbearia do Mestre Orlando o inverso:
dezenas de copos de plástico deitados lá de cima, das grades, devam um ar de desmazelo à vila e mostravam o grau de civismo de muitos dos nossos jovens da noite. Se isto era por baixo das grades, como seria por cima?
Quem duvidar que passe por lá ainda hoje e veja com os seus próprios olhos.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

CESTAS DE POESIA ( LXXII)


ANTÓNIO CARRILHO já faleceu há alguns anos. Consta que era um bom poeta popular. Era pai do meu amigo Manuel Carrilho e irmão, de João Joaquim Carrilho, igualmente amigo, que me deu as décimas que hoje publico nesta “Cestas de Poesia”. Pena que não haja muito mais obras registadas deste poeta.
Eis o que me deram:

Adeus fiel esposa querida
Eu vou fazer a operação,
Digo-te adeus para toda a vida
Não sei se volto se não!

Digo-te adeus a chorar
Tu pede a Deus que me ajude
Vou à Casa de Saúde
Para ver se a posso alcançar
Se eu nunca mais cá voltar
Faço a minha despedida
A minha viagem é comprida
Eu vou-me arriscar à morte
Voltar cá é uma sorte
Adeus fiel esposa querida!

Se em casa tenho ralhado
Muitas vezes sem razão
Desculpa e dá-me perdão
Que o mal é que era o culpado
De sofrer estou magoado
Nos músculos sinto a prisão
As forças faltando estão
Sinto o mal a bracejar
Para ver se me posso salvar
Eu vou fazer a operação!

Faz sempre por te animar
E anima os nossos filhinhos
Dá-lhe criação e carinhos
Que Deus é que te há-de pagar,
Quando eles em mim falar
Depois da minha partida
Diz-lhe que falta uma carta lida
Só o tempo a pode ler
Posso eu para lá morrer
Digo-te adeus para toda a vida!

Para mim era uma riqueza
Se ainda me visses curado
Não me importo ser colocado
Sobre uma fria marquesa
Falo-te esposa com franqueza
Com muita dor e paixão
Os dias passando vão
Eu sofro constantemente
Digo-te adeus para sempre
Que não sei se volto se não!

Autor: António Carrilho