De conversa fácil, conhecedor da coisas da vida da agricultura como poucos, passei algumas tardes a conversar com o meu amigo JOAQUIM ANTÓNIO BOTAS, o patrão Botas, para os amigos. Na tarde 23 de Fevereiro de 2006, a nossa conversa descambou para a poesia e ele disse-me:
- Olhe que ainda me lembro de umas décimas que fiz uma vez quando tinha aí os meus dezassete anos.
Disse-mas e eu escrevi-as. Com os votos de boas melhoras para o meu amigo patrão Botas, aqui as deixo à vossa consideração servindo simultaneamente para homenagear um homem com quem dava gosto falar. Hoje, infelizmente, devido à sua adiantada idade as coisas já se passam de maneira diferente.
Mote:
Não chores mais desgraçada
Que o teu chorar nada vale,
Essas lágrimas que choras
Não dão remédio a teu mal!
De há muito, podes saber,
Que te lastimas em vão,
Aos que pedes protecção
Riem-se do teu sofrer;
Não lhe dês a conhecer
Que vives apaixonada
Com isso não lucras nada
Para teus horríveis tormentos
São baldados os teus lamentos
Não chores mais desgraçada!
De que te serve o verter
O pranto em quantidade
Não compras á sociedade
O que ela te fez perder
Escarnecem por te ver
Envolta no lodaçal
A gargalhada é geral
Não encontras um amigo
Por esta razão te digo
O teu chorar nada vale!
Tu estás amaldiçoada
Por teu pai e tua mãe
Por os tratares com desdém
Serás sempre mal tratada;
Tua sorte mal fadada
Nunca mais acha melhoras
Antes, cada vez pioras
Tua triste situação
Pois não tem aceitação
Essas lágrimas que choras!
A graça e a formosura
Que te deu a natureza
Podes tu ter a certeza
Que foi a tua “desvantura”;
Julgavas-te ó criatura
Neste mundo sem igual
Pensavas não ter rival
A ti mesma te enganaste
Os homens a quem amaste
Não dão remédio ao teu mal!
Autor: Joaquim António Botas- nascido em 15-10-1911 no Maranhão ( Monte da Covada)
Disse-mas e eu escrevi-as. Com os votos de boas melhoras para o meu amigo patrão Botas, aqui as deixo à vossa consideração servindo simultaneamente para homenagear um homem com quem dava gosto falar. Hoje, infelizmente, devido à sua adiantada idade as coisas já se passam de maneira diferente.
Mote:
Não chores mais desgraçada
Que o teu chorar nada vale,
Essas lágrimas que choras
Não dão remédio a teu mal!
De há muito, podes saber,
Que te lastimas em vão,
Aos que pedes protecção
Riem-se do teu sofrer;
Não lhe dês a conhecer
Que vives apaixonada
Com isso não lucras nada
Para teus horríveis tormentos
São baldados os teus lamentos
Não chores mais desgraçada!
De que te serve o verter
O pranto em quantidade
Não compras á sociedade
O que ela te fez perder
Escarnecem por te ver
Envolta no lodaçal
A gargalhada é geral
Não encontras um amigo
Por esta razão te digo
O teu chorar nada vale!
Tu estás amaldiçoada
Por teu pai e tua mãe
Por os tratares com desdém
Serás sempre mal tratada;
Tua sorte mal fadada
Nunca mais acha melhoras
Antes, cada vez pioras
Tua triste situação
Pois não tem aceitação
Essas lágrimas que choras!
A graça e a formosura
Que te deu a natureza
Podes tu ter a certeza
Que foi a tua “desvantura”;
Julgavas-te ó criatura
Neste mundo sem igual
Pensavas não ter rival
A ti mesma te enganaste
Os homens a quem amaste
Não dão remédio ao teu mal!
Autor: Joaquim António Botas- nascido em 15-10-1911 no Maranhão ( Monte da Covada)


















