segunda-feira, 13 de abril de 2009

O RALLY PAPER DA CASA DO BENFICA E OUTROS CONSIDERANDOS

O Rally-Paper da Casa do Benfica em Avis, a par da Mini Maratona de Fotografia Digital da Casa de Cultura/Clube de Fotografia e as Provas de Orientação dos Amigos de Aviz (estas, poucas, digo eu), são actividades que se encontram bem enraizadas e que têm sempre uma participação bastante assinalável. Destaco estas pela sua originalidade, pois que já se tornaram saudavelmente habituais e muito participados os diversos passeios pedestres e as provas de BTT.
Na passada sexta-feira foi o 6º Raly Paper. Embora tenha perdido algum glamour com a falta do arco da partida, a instalação sonora para fóra das paredes da Casa, e a enorme bandeira a dar a partida às várias equipas (a propósito, onde anda o Luís Junça – filho – que este ano não apareceu?) a verdade é que o mesmo assegurou a participação de muitas pessoas e o são convívio que estes eventos sempre proporcionam.
Constou-se-me que o número de equipas este ano foi menor o que não é motivo para que os organizadores esmoreçam nem para que a ASSOCIÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DAS ESCOLAS DO CONCELHO DE AVIS, deixem de saborear a merecida vitória que alcançaram. Parafraseando a organização, realmente fizeram, e bem, os trabalhos de casa… PARABÉNS!
Para a “Dádinha”, rosto mais visível de uma equipa que se empenha para que tudo corra bem, os meus parabéns e...um reparo: por muito zangados que estejamos com a nossa equipa de futebol, por favor nunca mais dê aos concorrentes uma prova escrita a…verde!
E já agora, porque é que isto AQUI não funciona desde 4 de Abril de 2007?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

CESTAS DE POESIA (LXIII)

A poesia popular também tem o condão de nos deixar testemunho de coisas (costumes, monumentos, profissões, empresas) que com o tempo vão desaparecendo. As décimas que hoje aqui vos deixo, do nosso amigo JOAQUIM LOBATO, escritas em 2000 fazem alusão a uma série de situações que já deixaram de existir e outras que, pelo menos aparentemente para lá caminham.
Ora descubra-as lá, se fizer favor!
Avis linda vila
És bonita e não te iludes
Lá tens um grupo amigo
P’ra brilho da juventude!


Lá no cimo tens o Convento
Tens a Torre do Zé da Costa
Tens outra que está p’ra mostra
P´ra servirem de monumento
Lá tens a Câmara no centro
E a multidão que desfila
És concelho de Benavila
E de outras mais pertencentes
És o espelho de muita gente
Avis linda vila

Lá trabalham cambaristas
Canetas, lápis e martelo
Dos Bombeiros tens um quartel
Acodem a qualquer artista
Tens a Igreja Matriz à vista
E um Centro de Saúde
És terra de muita virtude
Quem foi a tua madrinha?
Do Alentejo és rainha
És bonita não te iludes!

Ela não está esquecida
Está nahistória de Portugal
É património mundial
A sua paisagem preferida
Ruas estreitas são antigas
Tem tudo no bom sentido
Tens um centro de convívio
E a fábrica das confecções
Lá tens boas razões
P’ra teres um grupo amigo

És vila, não és cidade
Consideras-te muito feliz
Tens por nome Mestre de Avis
E ninguém te tira a bondade
És velhinha na idade
Mas de nome nunca mudes
Tens torres de altitude
E as muralhas que são antigas
Tens o povo que assim o diga
P’ra brilho da juventude!

Autor: Joaquim Honório Oliveira Lobato, 2000

quarta-feira, 8 de abril de 2009

UM CÉREBRO À PROVA DOS NOVES

Pois é, devíamos efectivamente ter um cérebro à prova dos noves. Passo a explicar-me.
A maioria dos estabelecimentos comerciais, digamos que 99,90%, sejam supermercados, prontos a vestir, ou quaisquer outros, têm os seus produtos marcados por um número cuja parte decimal invariavelmente começa por 9 e muitas vezes termina por nove. Por exemplo, o artigo x custa 2,99€. Acontece que por qualquer motivo que não sei explicar, as pessoas fixam melhor a parte que está antes da vírgula, os euros. No exemplo acima o que se fixa é que o artigo custa dois euros e qualquer coisa, esquecendo-se que esse “qualquer coisa” é de tal modo elevado que o artigo em causa custa sim três euros menos qualquer coisa e não dois e qualquer coisa. Em artigos que se levem mais que uma unidade de preço, começa a pesar na carteira e de que modo!
É claro que os comerciantes utilizam esta técnica que para eles resulta muito bem, a julgar até pelos exemplos que tenho dentro da minha própria casa que, no entanto, a pouco e pouco já vão tomando atenção à parte decimal dos preços.
Se é daqueles que nunca reparou faça-o e verá se eu não tenho razão.
E já agora tenha um cérebro à prova dos noves!

domingo, 5 de abril de 2009

SOMBRAS PERDIDAS...OBRAS ESQUECIDAS

Foto 1 - Sombras "cruzadas"
Foto 2 - Sombras "carregadas


Foto 3 - Obra "rolante"

Foto 4 - Obra "fotogénica"

A Mini maratona Fotográfica Digital foi um êxito. Os participantes duplicaram, o que desde logo é indício de que tudo corre bem. Para já e antes que se me varra, os parabéns ao Francisco Cordeiro e ao Jorge Nunes pelo empenho posto nesta iniciativa.
Para os participantes, pelo menos para um que eu conheço. o drama acontece quando se têm que escolher apenas duas fotos para apresentar, quando se têm dezenas para escolher.
Acima reproduzem-se algumas das centenas que na totalidade dos participantes não chegaram à apreciação do juri.
Na foto 4, à boa maneira portuguesa, trabalham dois e um....diverte-se - não contando com o outro que tirou esta foto...


sexta-feira, 3 de abril de 2009

CESTAS DE POESIA (LXII)

Foto: "JOAQUIM LOBATO...à boa maneira fadista...de mãos nos bolsos e olhos fechados..."


JOAQUIM LOBATO, além de poeta também gosta de cantar o fado. E à boa maneira fadista, de mãos nos bolsos e olhos fechados, como manda a tradição, empolga quem o ouve puxar pela sua voz castiça. Na foto acima podemos recordá-lo em plena actuação, numa tarde Março, em Avis.

Mas voltando à poesia, dou hoje a conhecer mais uma "obra" deste poeta/fadista de Aldeia Velha:

Eu fui ganhão lá na serra
Na serra é que eu habito
Quando eu brado à fera
Légua e meia soa o grito


Fiz um ajuste com o patrão
Em ganhar uma grande soldada
Azeite era uma canada
E dez alqueires de pão
Sete litros de feijão
De forrança duas vitelas
Vermelhas eram elas
E um moio de trigo ensacado
Ganhava um grande ordenado
Quando eu fui ganhão lá na serra!

Na conta de uma ocharia
De cinquenta bois de corneira
Trabalhava à minha maneira
Do aclarar ao pôr do dia
Tinha lá bois de valentia
O Torrado e o Palmito
O Morgado e o Carpito
Quando eu mandava enregar
Tinha que aos chinelos dar
E lá na serra é que eu habito

Lá por essa madrugada
Quando eu tocava o buzino
Punha-se a ganharia a pino
Temos de ir ó rapaziada
Temos a sementeira atrasada
Porque o tempo não espera
Metam os arados à terra
Trazia tudo satisfeito
Todos me guardavam respeito
Quando eu bradava à fera

Não me podia descuidar
Com aquele encargo valente
Com a labuta que tinha pela frente
Tanta semente para espalhar
As contas tinha que dar
Não dar o dito por não dito
Para parar dava um apito
Era o dever de um ganhão
Eu tinha cá um pulmão
Que légua e meia soa o grito

Autor: Joaquim Honório Oliveira Lobato, 2005

A TRISTE REALIDADE: UTENTES DO CENTRO DE SAÚDE DE AVIS CADA VEZ MAIS ABANDONADOS

Ao que se me consta a saúde de Avis vai sofrer um novo e rude golpe com a saída de mais um médico dos quadros do Centro de Saúde local: o Dr. Barriga irá apresentar-se na próxima segunda-feira, em Borba. Começa a desenhar-se um cenário que ainda não há muitos anos pareceria quase impossível: o do funcionamento do Centro de Saúde de Avis com um horário ainda mais reduzido, quiçá a caminho do seu encerramento total. Custam a entenderem-se estas decisões por parte de quem as autoriza, não da parte daqueles que pretendem melhorar as suas condições de vida, diminuindo, como é o caso, a distância que medeia entre a sua casa e o local de trabalho. Mas quem as autoriza falo-à de ânimo leve? Que fizeram para que isto não acontecesse? Quem defende os interesses de uma população cada vez mais necessitada de cuidados médicos? Para onde vamos com este estado de coisas? As autoridades locais, responsáveis pelo normal funcionamento do concelho, souberam disto atempadamente ou só tiveram conhecimento à posteriori? Se o souberam antes porque não intercederam no sentido de que a saída deste médico só se verificasse aquando da sua substituição? E irá sequer haver substituição? E dois médicos chegam para um concelho com as características do nosso? É um puzzle demasiado complicado para ser perceptível á vista desarmada.
O papel do médico de família começa também a ser de difícil execução pois que não há sequer tempo para o médico conhecer o seu doente. Há quem fosse doente do Dr. Paula Campos e com a saída deste tivesse passado para o Dr. Mário e depois deste sair de Avis tivesse que ir parar a um novo médico de família, ao Dr. Barriga, e agora, após a sua ausência há que mudar de novo. E as escolhas começam a ser cada vez menores.
Que as coisas estão a ficar muito más em Avis, no que à saúde dizem respeito, lá isso estão.
De quem é a culpa? Se calhar é de todos nós, se bem que entre nós, haverá uns que têm muito mais culpas do que outros.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

POIS É... ERA MESMO SÓ O QUE NOS FALTAVA!

Foto: "...repare na foto acima - não está lá nada."

Pois é!
Realmente era só o que nos faltava era um parquímetro em Avis… Mantendo a tradição e para que esta não se perca de todo, “DO CASTELO” continua a mentir conscientemente no dia 1 de Abril e só no dia 1 de Abril. Fora disso, garanto que só por ignorância o fará.
Estejam pois todos descansados que se pode continuar a estacionar de graça na zona histórica e fora da dita. Àqueles que de soslaio olharam para o posto de Turismo para ver da maldita máquina, estejam tranquilos porque o que viram aqui no blogue foi tão-somente uma ilusão de óptica: repare na foto acima – não está lá nada. E os que de Beja até chegaram a comparar “parquimicamente” Avis a Beja, descansem igualmente…venham a Avis que o estacionamento é à “borliú”.
Dia das mentiras só para o ano. Até lá e espero que… com algo mais credível!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ERA SÓ JÁ O QUE NOS FALTAVA!

Foto:" No sentido de diminuir o trânsito na zona histórica de Avis... , foram colocados...parquímetros como a foto acima confirma, mostrando-nos o colocado na Praça Serpa Pinto( zona B), mesmo junto ao Posto de Turismo. "

Realmente era só o que nos faltava!
Não bastava já o mês de Abril ser o do pagamento da Contribuição Autárquica sobre a propriedade urbana, e eis que agora nos “cravam” com mais uma despesa. Passo a explicar:
No sentido de diminuir o trânsito na zona histórica de Avis e simultaneamente arrecadar alguns euros para a sua revalorização, foram colocados na referida zona histórica e a partir de hoje, parquímetros como a foto acima confirma, mostrando-nos o colocado na Praça Serpa Pinto, mesmo junto ao Posto de Turismo. Foram consideradas três zonas: a zona A correspondente ao Largo do Convento, a B correspondente à Praça Serpa Pinto e Largo da Igreja Matriz e a C abrangendo o Largo Sérgio de Castro. Resumindo: estacionar a partir de hoje naqueles locais custa-nos dinheiro.
Não pondo em causa a justeza desta decisão, não posso deixar de manifestar o meu desagrado por esta medida já que mais uma vez serão os automobilistas os sacrificados com novo desembolso a agravar-lhe o já tão paupérrimo orçamento mensal. Mais fácil seria proibirem pura e simplesmente o trânsito naqueles locais, mas o dinheiro fala, ainda e sempre, mais alto.
Oxalá quem de direito repense esta decisão para que tudo volte como estava.

Como diria o poeta: P’ra melhor está bem, está bem, p’ra pior já basta assim!

terça-feira, 31 de março de 2009

QUINTA-FEIRA HÁ CAFÉ COM LETRAS

As tertúlias de conversa e partilha de ideias, na Sede dos Amigos de Aviz - continua com a sua cadência quinzenal. Na próxima Quinta-feira há mais uma sessão de "Café com Letras". Eis o que os Amigos dizem sobre o tema desta semana:

Porque é importante a...REGIONALIZAÇÃO? (ou não é?...)
2 de Abril, 18 horas
É tema de conversa no Café com Letras






NOTA DE IMPRENSA

8 DE NOVEMBRO DE 1998, os portugueses disseram não à regionalização!
Os argumentos que pesaram para estes resultados – NÃO 64%, SIM 36 % e ABSTENÇÃO 51,7% - foram essencialmente 3: (mais) partilha de poder, surgimento de uma nova classe política e despesismo na gestão regional.

11 anos volvidos, o tema volta à ribalta política, anunciando-se como muito provável que na próxima legislatura se faça uma nova consulta popular, quando, tanto agora como em 1998, o conceito parece não estar bem definido, o que poderá, tal como há 11 anos, gerar diversas interpretações.
É por isso muito importante que, desde já, se inicie uma reflexão que ajude a perceber o que vai estar em discussão e pesar os prós e os contras desta iniciativa.

E é disso que se vai falar no próximo Café com Letras de 2 de Abril, a partir das 18 horas.
Esta iniciativa, que vai no quinto ano de existência, é um espaço de tertúlia, mas também de reflexão, análise e debate dos mais variados assuntos com interesse para os cidadãos, promovido pela Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.
Para falar sobre o “Porque é importante a... Regionalização?”, é convidado do Café com Letras o Professor Mendo Castro Henriques.


Avis, 29 de Março de 2009.
A Direcção da ACA-AC




domingo, 29 de março de 2009

O ASSEIO FICA BEM EM TODO O LADO

Foto 1- " Na Rua Dr. Francisco Salgado Zenha, um dos muros estava muito sujo mas agora está a ficar bonito..."
Foto 2 - "Nas imediações das bombas de gasolina onde param os Expressos ...o desleixo dá uma má imagem a quem por cá apenas passa..."

Reparem nas duas fotos acima e vejam como o asseio fica bem em todo o lado.
Na Rua Dr. Francisco Salgado Zenha, um dos muros estava muito sujo mas agora está a ficar bonito, caiadinho, graças à intervenção do(a)s dono(a)s. No entanto o facto de já haver alguns dias que as caianças não avançam, deixa-me receoso pois que aqueles desenhos que se vêm precisamente onde a parede continua suja, aquelas espécies de sóis, (por favor amplie a foto para ver bem) podem ter sido considerados como pinturas rupestres e então, adeus cainças. Por muita vontade que os donos do prédio tenham em alindar o muro, se os desenhos forem mesmo pinturas rupestres, não há nada a fazer: há é que preservar os gatafunhos dos nossos antepassados, como se fez em Foz Côa…Esperemos que não.
Que bonito também ficariam, caiadas, as paredes da Cooperativa Agrícola de Avis, ali mesmo ao lado…
Nas imediações das bombas de gasolina onde param os Expressos que fazem ligação por Avis para vários destinos, nomeadamente Lisboa, o cenário é completamente ao contrário: o desleixo dá uma má imagem a quem por cá apenas passa e leva a ideia de que Avis deve ser uma vila muito suja. Não saindo dos autocarros para verem outros locais, os passageiros ficam apenas com a imagem de um pedaço de terra cheio de erva seca, cheia de papéis e de imundices de cão. (amplie também esta fotografia e surpreenda-se com tanta sujidade) E é isso que lhes fica na memória em relação a Avis.
É pena, pois que ali ficaria muito bem um pedaço de jardim. Digo eu…

sexta-feira, 27 de março de 2009

CESTAS DE POESIA (LXI)

Embora seja agora que mais nos queixemos da crise, ela já vem de longe. Que o diga o nosso amigo JOAQUIM LOBATO, que já em 2005 escrevia assim:



Estamos num país de pobreza
Já produz pouco ou nada
Desde que entrou na CEE
A Nação ficou desgraçada


Foi a desgraça de muita gente
Só alguns beneficiaram
Se estavam bem, melhor ficaram
E os outros ficaram descontentes
Deu emprego a muita gente
Só lucrou a grandeza
Juntaram mais a riqueza
Com dinheiro a fundo perdido
Só os pobres estão esquecidos
Neste país de pobreza

Nunca estiveram tão bem
Estão sempre a embolsar
Ainda estão a reclamar
Será pelo bem que têm?
Tantas verbas que de lá vêm
Já vem toda destinada
Os pobres não têm direito a nada
Têm subsídios para culturas, árvores e gados
Para casas e montes abandonados
E já produzem pouco ou nada

Não vale a pena lutar
Porque sempre assim há-de ser
Nascem uns para sofrer
Nascem outros para gozar
Sempre assim há-de continuar
Neste país já não há fé
Desde o princípio que assim é
Há mais fábricas a fechar
Mais o desemprego a aumentar
Desde que entrou na CEE

Há muitos que nada têm
Outros têm aos montões
Compram jipes e jipões
Carros de luxo todos têm
Isto não pode funcionar bem
Esta lei está errada
Uns com tanto, outros sem nada
Não se vê nada a melhorar
Enquanto isto assim continuar
Está a Nação desgraçada!

Autor: Joaquim Honório Oliveira Lobato, 2005

quinta-feira, 26 de março de 2009

MAS É ESTE O PORTUGAL QUE TEMOS...

Desde o passado sábado que Portugal vive discutindo á volta do erro de uma pessoa que por acaso até é árbitro de futebol. Portugal só não parou ainda porque não calhou. Parece que desse penalti ficou pendente toda a vida de um povo. Como é possível que a marcação de uma grande penalidade, erradamente assinalada é certo, possa dar azo a tanta conversa despesista e levar aos extremos de haver ameaças de morte e outros insultos, vindo alguns até de pessoas que bem deveriam era apaziguar em vez de deitar achas para a fogueira? Mas este é o Portugal que temos e, se calhar, que merecemos.
Que importa que no passado mês de Fevereiro o desemprego tenha aumentado à média de 1000 novos desempregados por cada dia útil do mês? Nada! Que importa que no mês de Fevereiro o desemprego no Norte Alentejano tenha aumentado 6,2%? Nada! Que importa que a Qimonda Portugal vá fechar as portas e assim passem mais 1700 (mil e setecentas) pessoas a engrossar o número de desempregados? Nada! Que importa que dois milhões de portugueses (ou estarão já mais perto dos três milhões do que dos dois?) vivam abaixo do limiar da pobreza? Nada! O que importa é que não foi penalti e… mais nada.
Até parece que voltámos ao tempo do Ti Tonho em que o Futebol, a par do fado, dava de comer a meio Portugal.
Por este andar, onde é que iremos parar? A bom porto não será decerto!
Haja vergonha!

terça-feira, 24 de março de 2009

AVIS EM ALTA!

No passado sábado, dia 21, – Dia Mundial da Poesia – o nome de Avis foi proclamado em Almeirim, aquando da distribuição de Prémios dos Jogos Florais de Almeirim 2008/2009, uma organização da Associação de Defesa do Património Histórico e Cultural do Concelho de Almeirim.
“DO CASTELO” teve acesso à brochura dos trabalhos premiados e passa a reproduzir a Menção Honrosa que, na modalidade de poesia obrigada a mote, veio direitinha para Avis:


Compreender um ao outro
É um jogo complicado
Pois quem engana não sabe
Se não estava enganado
(Fernando Pessoa)

I
É difícil entender
Os sentimentos alheios
E sem ler nos entremeios
Mais custa compreender;
Diversas formas de ser
Tem este e tem aqueloutro
Sendo ingénuo ou douto
Pode ser simples até
Já que tolerante é
COMPREENDER UM AO OUTRO!

II
Às vezes tudo entendemos
Nada nos é escondido
Tudo é fácil, percebido
Assim mesmo como o vemos;
Noutras não compreendemos
Por estar tão disfarçado,
Qualquer um é enrolado
Se não temos atenção
Perdemos toda a noção
…É UM JOGO COMPLICADO!

III
E quem é pouco sensato
Quando tudo quer saber
Ouve e vai logo dizer
Mesmo que seja boato;
Compõe bem o seu relato
E por muito que se gabe
Sua verdade não cabe
No mundo que quer honrar;
Teremos que o desculpar
POIS QUEM ENGANA NÃO SABE

IV
Às vezes mais valeria
Ouvir e nada dizer
Pois quem não apreender
Onde a mentira existia
Mentirá mais que num dia;
Até se sentir cansado
Conta tudo em todo o lado,
Mas diz mal da sua vida
Quando ele próprio duvida
SE NÃO ESTAVA ENGANADO…


Pseudónimo: Pela verdade
De registar igualmente que Avis esteve representado, no mesmo dia, num encontro de poetas populares realizado em Casa Branca/Sousel através do poeta avisense MANUEL GAIATO.

sábado, 21 de março de 2009

CESTAS DE POESIA ( LX)

Acontece aos melhores, quanto mais a mim... Ontem esqueci-me que era sexta-feira e não publiquei as "Cestas de Poesia". Com o "mea-culpa", as desculpas ao meu homenageado e a todos aqueles que costumam acompanhar estes momentos de cultura popular.
Continuando com o amigo JOAQUIM MARTINHO, vejam como é possível correr o mundo voando na imaginação de um poeta.
Na Rússia fui orador
Na China fui cardeal
Presidente no Equador
E larápio em Portugal


Já fui Papa na Itália
Na França fui emigrante
Na Suiça viajante
Pára-quedista na Austrália
Fui barqueiro na Somália
No Iraque fui solicitador
Alfaiate em S. Salvador
E fuzileiro na Bélgica
Na Rússia fui orador !

Fui judoca no Japão
Na Alemanha fui guerreiro
No México fui toureiro
E veterinário no Irão
Fui pintor no Turquistão
E vaqueiro no Senegal
Na Dinamarca fui general
Motalgico na Finlândia
Pescador na Nova Zelândia
Na China fui cardeal !

Fui banqueiro na Hungria
Na Índia fui astrólogo
Na Grécia fui cronólogo
E caçador na Turquia
Fui arquitecto na Colômbia
No Egipto historiador
Na Guatemala fui pintor
Em Cuba fui estadista
Em Espanha contrabandista
Presidente no Equador!

Fui jardineiro na Suécia
E cabouqueiro no Brasil
Fui escultor no Chile
E fui barbeiro na Rodésia
Fui pastor na Indonésia
Na Inglaterra industrial
No Canadá fui marechal
E almirante em Luxemburgo
Em Sariel Dramaturgo
E larápio em Portugal!

Autor: Joaquim Honório Oliveira Lobato, 1970

quinta-feira, 19 de março de 2009

AVIS APRENDEU " MIL E UMA FORMAS DE CONTAR E ENCANTAR"

O Auditório Municipal de Avis encheu-se de histórias e de estórias no passado dia 18 de Março. De manhã e de tarde a sala estava composta muito pela presença dos alunos da Escola Profissional Abreu Callado que dão um jeitão para estes eventos. Retirassem-nos de lá e veriam como a sala se tornaria enormíssimamente vazia…
À noite gostei de ver a sala de espectáculos bem composta apesar da ausência dos referidos alunos contrabalançada com a presença dos pais, avós, tios, primos e amigos dos meninos e meninas que fizeram o teatro. Diga-se a propósito que merecem um enorme aplauso pelo trabalho apresentado. “Fazigual” haverá quem faça, mas melhor duvido muito. Parabéns!
É sempre um regalo para os sentidos ouvir contar “estórias” por quem sabe, quer sejam histórias sem espectáculo como defendeu o contador Miguel Horta ou com espectáculo como é o caso do Jorge Serafim, “Sarafim” para os amigos. Até aqueles quem têm menos “jeiteira” para estas coisas da comunicação pelo conto têm interesse em se ouvir, como foi o caso do Pedro André Martins Correia ou do Carlos Moreira (né isso aí meu irmão?). Entre estes homens todos, é sobremaneira agradável ouvir Ilda Oliveira que além de contadora possui o curso de actriz e faz um esforço por cantar bem.
No geral penso que os objectivos foram alcançados, estando de parabéns todos aqueles que se envolveram na feitura deste 5º Encontro de Contadores de Histórias, nomeadamente as funcionárias da Biblioteca Municipal de Avis, a quem “DO CASTELO” presta – mais uma vez – a sua homenagem pelo trabalho desenvolvido em defesa da cultura da e na nossa terra.
Uma palavra final ainda em relação aos contadores: com a presença do “Sarafim”, alentejano de gema, com sotaque altamente assumido, é difícil a qualquer outro contador sobressair, pese embora que o que estava em causa não era uma competição mas apenas a transmissão de mensagens através de uma forma de expressão que é o conto oral.
Pois sendo assim, com Sarafim ou sem Sarafim, que venha o 6º!

terça-feira, 17 de março de 2009

QUINTA-FEIRA: CAFÉ COM LETRAS COM DIREITO A NOTA DE IMPRENSA

Quinta-feira, dia 19, há Café com Letras. Mais um! E especialíssimo. Certamente por engano, foi-me endereçada uma nota de impressa emitida pelos Amigos do Concelho de Aviz. Digo por engano porque “DO CASTELO” não é nem tem intenções de ser um órgão de comunicação social. Mas já que cá chegou passo a divulgá-la:



À Comunicação Social

A incerteza quanto ao futuro imediato varre o Mundo de lés-a-lés, obrigando à tomada de medidas que invertam a derrocada que se abateu sobre os mercadores financeiros, alastrou às economias e ameaça, que ninguém se atreve a diagnosticar quanto, abalar as estruturas sociais.
A ganância e a desregulamentação parecem estar na origem do descalabro global que vivemos.
Habituados a ouvir falar em crescimento, económico nomeadamente, como se o mesmo fosse infindável, e a viver numa economia de mercado propensa aos exageros consumistas, eis que somos confrontados com uma travagem brusca, arriscando-nos a bater no fundo duma ravina de que se desconhece, por agora, a profundidade.
Perante este cenário, cinzento para uns, negro para outros, urge encontrar respostas alternativas ao consumo desenfreado que desbarata os recursos da Terra, esgotando-a e exaurindo-a, pondo em risco a sua própria sustentabilidade.
Precisamos de respostas! O Decrescimento pode ser uma! Mas
é antes de mais, uma filosofia de vida.
E é disso que se vai falar no próximo Café com Letras de 19 de Março, a partir das 18 horas.
Esta iniciativa, que vai no quinto ano de existência, é um espaço de tertúlia, mas também de reflexão, análise e debate dos mais variados assuntos com interesse para os cidadãos, promovido pela Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.
Para falar sobre o Decrescimento, é convidada do Café com Letras Ana Loichot, bióloga que desistiu de um doutoramento para optar por um modo de vida simples.

Avis, 10 de Março de 2009.
A Direcção da ACA-AC


sábado, 14 de março de 2009

AMÁLIA, A DESILUSÃO - BENFICA, O FILME!

Digamos que a tarde/noite de hoje foram assim a modos que como que um sábado 13, dia de bruxas.
O BENFICA brindou-me com mais um filme “dejá vu”. É sempre a mesma história, isto é o mesmo argumento: se temos treinador não temos jogadores e se temos jogadores não temos treinador. Até já chateia!
Para tentar remediar minimamente as coisas fui ver AMÁLIA e mais uma desilusão. O dito filme não correspondeu às minhas expectativas. Em pouco mais de uma hora fumar para aí perto de cem cigarros e dormir com quatro ou cinco homens não me parece razoável e até chateia, apesar de ser com cada um de sua vez…
Comparar o MAMMA MIA com AMÁLIA é quase o mesmo que comparar o Cristiano Ronaldo com o Pablo Aimar…
Para que as coisas se amenizem um pouco, olhem, oiçam algo de maravilhoso, carregando aqui:

sexta-feira, 13 de março de 2009

CESTAS DE POESIA (LIX)

Quem faz recolha de poesia popular ou qualquer outra recolha de tradição oral, não deve fazer mais nada do que isso mesmo: fazer a recolha tal e qual ela lhe é apresentada. Daí que pouco interessa que as décimas recolhidas junto dos seus autores tenham a métrica certinha, ou até que respeitem na sua plenitude as regras de fazer décimas. Vem isto a propósito, tão-somente, por causa de um comentário que me fizeram há dias perguntando-me se eu não via que tal décima apresentada tal dia até estava “furada” além de a métrica não estar certa. A mim resta-
me escrever aquilo que me dizem tal qual como o oiço. Não me pertence nem classificar ou corrigir, nem o devo fazer, mas sim recolher.
Posta esta introdução à laia de esclarecimento, passemos a mais um trabalho do nosso amigo JOAQUIM MARTINHO, de Aldeia velha que me parece vir a propósito pois que sendo hoje Sexta-feira, 13, a casa que ele aqui descreve até parece mesmo uma autêntica casa de bruxas…
Mote:
A minha casa é cães e gatos
É uma casa de bicharada,
É só rendilhas e farrapos
É uma casa de trapalhada

Mas que grande cheirete
Naquela casa existia
Só o que tem é bicharada
Não tem nada que se aproveite;
O esfregão serve de tapete
Faço a cama de sacos
É só ratazanas e ratos
Qual foi o meu espanto
Bichos, nunca vi tantos
Minha casa é cães e gatos!

Tantos bichos saltões
E pulgas a saltar
Piolhos a passear
E lêndeas aos montões;
Percevejos aos milhões
E melgas às picadas
Mosquitos às bandadas
É só o que ali existia
Mas que tanta porcaria
É uma casa de bicharada!

Como dentro de uma gamela
Onde comem os animais
Ainda lá comem muitos mais
Dentro daquela tigela
Come um cão e uma cadela
Comem salpeias e sapos
Comem cobras e lagartos
Ali não há diferença
Mas que coisa tão nojenta
É só rendilhas e farrapos!

Mas que grande enjorpilha
O penico serve de banheira
Mas que grande nojeira
Naquela casa havia
Tanto bicho que ali surgia
Daquela casa esburacada
Tudo o que tem não vale nada
O melhor prato é a maceira
É pior que uma estrumeira
É uma casa de trapalhada!

Autor: Joaquim Honório Oliveira Lobato, 2008



quinta-feira, 12 de março de 2009

TROCA-SE CANÁRIO POR CANÁRIA

FOTO: "Troca-se canário amarelo..."



Um leitor assíduo “DO CASTELO” enviou-me um mail solicitando que publicitasse o seguinte:

"Troca-se canário amarelo, em plena capacidade reprodutiva por canária de qualquer cor igualmente em idade reprodutiva. Contacto: 96 90 15 106"

Aqui fica o apelo.

terça-feira, 10 de março de 2009

A SEGUIR VOU EU!

Quando somos pequeninos vemos partir os mais velhos e até nos parece que a morte nunca terá nada a ver connosco.
Somos pequeninos, muito novos ainda.
Mas a verdade é que o tempo passa tão depressa…Primeiro vão os bisavós que carinhosamente são chamados de avós velhinhos; depois os avós e tios-avós; depois os tios, os pais…e mal nos descuidamos já estamos nós na calha. Já não há avós velhinhos, nem avós, nem pais nem tios. Estou quase nessa fase. Faleceu-me hoje uma tia e de seis irmãos que eram resta-me somente uma tia e o meu pai.
Não há mais, o que quer dizer que, em condições normais, a seguir a estes dois que restam … vou eu.

segunda-feira, 9 de março de 2009

QUEM SABE SABE E "O MARANHÃO" É QUE SABE!

Foto: "...já se pode transitar no sentido Praça Serpa Pinto - Largo da Igreja Matriz..."


Quem sabe, sabe e …O MARANHÃO é que sabe. Efectivamente, como o meu colega muito atempadamente comunicou e a foto documenta, a partir de dia 2 de Março já se pode transitar no sentido Praça Serpa Pinto – Largo da Igreja Matriz e a Rua dos Muros já se faz nos dois sentidos, coisa que aberrantemente não acontecia, de algum tempo até aquela data. Agora até já é, por exemplo, muito mais fácil fazer limpeza ao contentor do lixo que se situa junto à Torre de S. Roque. Digo eu…
Um blogue bem informado vale por dois, e o meu colega O MARANHÃO sabe-o bem, ou melhor: sabe-a toda e o negócio está-lhe a correr bem, pois que no passado sábado inaugurou a sua própria estação de televisão, a RTVM (Rádio Televisão do Maranhão) e não olhando a despesas eis que no dia seguinte dá baixa da RTVM e logo de imediato regista a WtvM (Web tv Maranhão). Confesso que as sessões experimentais são, não só de alto nível técnico, como também de alto nível programático. A mira técnica está em estudo e só espero é que nunca por lá apareça a seguinte legenda: “Pedimos desculpa por esta interrupção, as postagens seguem dentro de dias”.
Mas há uma coisa que o meu prezado colega me vai ter que desculpar por eu trazer aqui a lume, como reparo. O meu prezado colega escreveu assim, no passado dia 5 de Março: “ Já há missa no Convento”. Ora bem, fazendo jus ao estatuto de mui nobre e bom cristão que me prezo de ser, nem li a notícia toda atentamente como o fiz à posteriori. Anotei na agenda: Domingo ir à missa ao Convento. Chegado este (o Domingo) e mal os sinos “tocaram a reunir” por volta das dez e meia da manhã, repuxei do meu fato nº 1 que é para ocasiões especiais e que até tem uns sapatos especiais para fazerem toillete. A propósito disso: a gente às vezes faz grandes burrices por ir atrás das modas. Então não é que comprei uns sapatos que são quadrados à frente? Era moda ao tempo e toca a enfarpelar. Agora a moda passou e os sapatos continuam…quadrados, fora de moda e horríveis como, aliás, sempre foram. Nada destas "fezes" eu teria se tivesse comprado uns sapatos clássicos. Mas onde é que eu ia? Ah! Dizia ainda o meu prezado colega que “Espera-se que com mais respeito pelos vizinhos…” e o que é que eu deduzi erradamente? Que haveria missa cantada e que o coro não deveria cantar demasiado alto para não incomodar a vizinhança. Lá ensaiei um Pai-nosso cantado, mais umas Ave-Marias e ala que se faz tarde, a caminho da Igreja do Convento. Chegado lá… nada. Nada não, lá continua a já “rebitrivisitada” exposição sobre o Profano e o Sagrado ou vice-versa. Envergonhado, regresso a casa com a estranha sensação de que tinha sido enganado e que toda a gente olhava para os meus sapatos com as biqueiras quadradas… Colega, eu não merecia isto!
E você que se está a rir deste meu infortúnio não diga que foi bem-feito por eu às vezes ter a mania que sou espertinho, pois de certeza que você, meu caro leitor, também já caiu em publicidade enganosa e já comeu gato…por lebre!
Ai não, que não comeu!...

domingo, 8 de março de 2009

EM JEITO DE HOMENAGEM ÀS MULHERES


GLÓRIA MARREIROS é um nome grande da poesia em Portugal. Sou feliz por esta poetisa fazer o favor de me ter como seu amigo. Algarvia de gema, reside actualmente em Portimão. Com a devida vénia, permitam-me que enderece, como forma de homenagem a todas as mulheres portuguesas, o seguinte poema da autoria de Glória Marreiros e que rebusquei de um livro de sonetos que editou com o nome de “TERRA DE NINGUÉM” e que teve a amabilidade de me oferecer. Para todas vós:

FAMINTA

Eu sou como Florbela…a mal amada,
A mulher de ninguém…a mais sedenta.
Sou nuvem tenebrosa e pardacenta
Que o Sol deixou no céu, abandonada.

Na pompa do meu leito, desolada,
A noite é solidão que me atormenta!
O corpo desnudado, firme, ostenta
A calma de quem chega da jornada.

No caudal do prazer só há detritos
Bailando, em turbilhão, nos infinitos
Desejos desta vida…a minha cela.

A côdea tem bolor…amarga o vinho
Neste espaço vazio onde definho
Faminta, meu amor, como Florbela!...
E, como complemento, oiçam esta jóia preciosa, clicando aqui: http://www.youtube.com/watch?v=lrY-nC6QYwk

sábado, 7 de março de 2009

OS PROFISSIONAIS, OS AMADORES E OS VOLUNTÁRIOS

Foto -1 "FRANCISCO CORDEIRO E JORGE TRAQUINAS..."

Foto 2 - "...além da grande maioria ser de mulheres, apenas cinco são de gente sénior..."

Foto 3 - "...e tão poucas crianças..."


OS PROFISSIONAIS

FRANCISCO CORDEIRO e JORGE TRAQUINAS são profissionais da objectiva. Vai daí, resolveram presentear-nos com uma espectacular exposição colectiva de Retratos, no Auditório Municipal de Avis. Quem sou eu para analisar a grandiosidade do trabalho destes dois amigos? Atrevo-me, ainda assim, a referir que a exposição está virada para o futuro: dos quarenta e cinco trabalhos apresentados, além da grande maioria ser de mulheres, apenas cinco são de gente sénior, quer isto dizer que quarenta são rostos de gente que ainda tem muita vida para andar. De mencionar, penso eu, que tal se deve ao facto de ambos os fotógrafos serem jovens. Se um “cota” como eu fosse pedir a alguma das moçoilas por eles retratadas se lhe podia tirar uma retrato, calhando, o menos que me poderia acontecer era levar uma lamparina na cara e depois ainda ser acusado de assédio sexual…
Mas, assédios à parte, PARABÉNS meus bravos. Continuem!

OS AMADORES

A Escola Infantil de Folclore do Rancho Folclórico de Avis, fez doze anos. Por esse facto, havia que comemorar o evento, e nada melhor do que uma actuação, desse mesmo rancho. Estranhei ver tanto adulto e tão poucas crianças. A explicação foi dada pela D. Manuela Caçador, por estas ou outras palavras: “ As crianças crescem, depois entram nas escolas e depois deslocam-se para outras terras, e depois….e depois... Vamos recomeçar a recrutar jovens para revitalizar a nossa escola infantil”.
O facto desta comemoração não contar com a presença de outros ranchos, por certo que se deve a problemas monetários, relacionados com a crise. É que a maldita toca a todos.
Para o Rancho Folclórico de Avis os meus parabéns e um beijinho de muita força, muita coragem, para a D. Generosa que tanto fez para que fossem possíveis momentos tão bonitos como os vividos hoje no palco do Auditório Ary dos Santos.

OS VOLUNTÁRIOS

Seriam para aí 18 horas e 30 minutos quando a sirene dos Bombeiros Voluntários de Avis emitiu um grito de ajuda: precisavam de um condutor. Por volta das 18h e 38m já passava a ambulância para o Centro de Saúde e por volta das 18 e 45 minutos ia, sinalizada, a caminho de Portalegre. Não reconheci o condutor mas certamente era alguém que bem poderia estar em sua casa a descansar e que mal ouviu a chamada correu a dizer que estava presente. Na pessoa desse condutor anónimo, deposito um abraço de agradecimento para todos aqueles que compõem o Corpo dos Bombeiros Voluntários Avisenses, pela disponibilidade, solidariedade e prontidão com que respondem a todas as solicitações que lhe são dirigidas.
Bem hajam!

sexta-feira, 6 de março de 2009

CESTAS DE POESIA (LVIII)

Foto - "JOAQUIM HONÓRIO DE OLIVEIRA LOBATO, mais conhecido por JOAQUIM MARTINHO"

Quem procura sempre alcança. Estava-se quase a esgotar o meu reportório de poesia popular recolhida por esse concelho fóra, quando descubro mais um poeta com obra feita e nunca publicada. Passo a apresentar o homenageado das minhas próximas “Cestas de poesia”.
Nasceu em 14 de Agosto de 1937 na Freguesia de Maranhão. Fez a 4ª classe já em adulto, com cerca de trinta anos e tem dificuldade em escrever e em ler. Passou a vida atrás do gado ovino, desde bem cedo quando, com sete anos de idade, começou como ajuda de seu pai, pastor que trabalhava por conta de outrem. Quando maior continuou com a mesma vida tendo substituído o pai que faleceu cedo. Passou pela Cooperativa de Aldeia Velha, localidade onde reside. Apesar de reformado, de quando em vez ainda vai ajudar quem lhe pedir auxílio na arte de tratar de ovelhas. Tem mais de cinquenta décimas feitas e sabe de cor cerca de mais dez que ouviu e decorou de diversos autores. Desde cedo começou a ouvir décimas e desde cedo começou a fazê-las. Os temas são dos mais variados. Bem, com tantos detalhes, só falta mesmo é dizer o nome do meu homenageado. Aí vai: JOAQUIM HONÓRIO DE OLIVEIRA LOBATO, mais conhecido por JOAQUIM MARTINHO.
Para abrirmos a “sessão” nada mais a propósito do que transcrever aqui umas décimas que o amigo Joaquim fez aquando da tragédia de Entre-os-Rios e que agora perfez nove anos. Vamos, pois, a isso:
Mote:
No dia quatro de Março
Um grande desastre aconteceu,
Um autocarro se afundou
E toda a gente morreu

Organizaram uma excursão
Para irem passear
As amendoeiras foram visitar
E voltaram já de serão;
Traziam a recordação
P’ra família um grande abraço
Mas o caminho lhes foi falso
E a morte os atraiçoou
Foi quando a ponte desabou
No dia quatro de Março!

Foi na ponte de Entre-os-Rios
Concelho de Castelo de Paiva
Na Freguesia de Raiva
Morem pais, filhos e tios;
Foi uma noite de martírio
Onde a tragédia se deu
Ali tudo desapareceu
Onde o autocarro caiu p’ra baixo
E foi tudo por água abaixo
Um grande desastre aconteceu

Tanta gente a desmaiar
Quando a notícia chegou
Tudo ali se ajoelhou
De mãos posta s a rezar;
Com tanta lágrima a pingar
Por aqueles que Deus levou
A luz que ali se apagou
Para todos ao mesmo tempo
Qual foi aquele sofrimento
Quando o autocarro de afundou…

Quem morre não sofre mais
A família tem paixão
Com a dor no coração
Pela família e outros mais;
Ali havia gritos e ais
E ali pediam a Deus
Que lhe devolvesse os seus
E a todos desse coragem
P’ra última homenagem
Aquela gente que ali morreu

Autor: Joaquim Honório Oliveira Lobato, 2001

quarta-feira, 4 de março de 2009

AMANHÃ, QUINTA ( 5-3-2009) HÁ CAFÉ COM LETRAS

Realiza-se amanhã, quinta-feira, mais uma sessão do Café com Letras, uma iniciativa da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.
Desta vez, segundo o que os prospectos anunciam, irá ser declamada poesia intercalada com fados. Convidado para actuar é o Sr. JOAQUIM LOBATO, de Aldeia Velha de Santa Margarida e, segundo fonte da ACA, convidados para assistir e intervir estão todos aqueles que quiserem estar presentes.
O horário é a partir das 18 horas e o local é na Sede da Associação, na Praça Serpa Pinto, aqui em Avis.
Fica o registo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O TRABALHO FICOU BEM FEITINHO!


É verdade: o trabalho das obras do Jardim do Mestre, em Avis, ficou bem feitinho. Quando afirmo isto, estou a referir-me ao trabalho em si, à execução e não ao projecto, que esse já foi alvo de discussão pública, embora muita gente continue a dizer que “fazem tudo sem perguntar nada a ninguém”. Agora, pena é haver quem só sirva para destruir. Já de lá foram arrancadas flores, já foram roubadas algumas daquelas lâmpadas azuis e, imagine-se só: há quem faça peões de carro (!!!!!) dentro do espaço do jardim e quem pense que os bancos não se encontram no chão e se vá sentar lá em cima, na alpendorada. Mas isso são contas de outro rosário pois que hoje, agora e aqui, o que quero é prestar homenagem aos trabalhadores, da fita, do lápis atrás da orelha, do cimento, das pedras, do martelo, da electricidade, encarregados, jardineiros, condutores, todos que efectivamente foram responsáveis para que o trabalho executado tivesse ficado convenientemente feito. Por ser de homenagem aos trabalhadores camarários envolvidos neste projecto, não reproduzo aqui nenhuma fotografia pois que há nesse grupo quem não goste das fotos que eu publico, como tive ocasião de ouvir certo dia de obras em que por ali ia a passar e um comentário dito entre dentes, assim a modos que eu ouvisse, me deu a perceber o pouco apreço que, pelo menos um funcionário, tem pelas fotos por mim publicadas. Felizmente que um bloguista é como uma mulher honrada: não tem ouvidos…
Para todos eles, sem excepção, “ DO CASTELO” endereça os seus parabéns.

Nota: para satisfazer a curiosidade e matar saudades daqueles que lá longe da terra natal ganham o seu pão, prometo um dia destes publicar duas ou três fotos do jardim. Está prometido!

domingo, 1 de março de 2009

40 ANOS SÃO UMA VIDA!!!!

O tempo dilui-nos as imagens, as recordações, mas há coisas que não se esquecem apesar dos anos passarem: faz hoje precisamente quarenta anos – uma vida! – que cheguei a Avis. Lembro-me que toda a gente andava muito aterrorizada, com medo de possíveis réplicas do grande sismo que acontecera na madrugada do dia anterior, 28 de Fevereiro de 1969, por volta das três horas. Esse foi o último grande sismo no continente: atingiu uma amplitude a rondar os 7,5 na escala de Richter tendo-se feito sentir mais intensamente nas zonas a sul, chegando mesmo a provocar vários danos materiais. O sismo, passei-o ainda na minha terra: ouvi um enorme ruído, vi os armários a mexer, ouvi tilintar os pratos e fugi, como quase todos para a rua; a calmaria vim descobri-la aqui em Avis.
Como não sabia o que viria encontrar, cheguei pois a Avis num sábado, para procurar uma pensão de modo a que na segunda-feira, dia 3 de Março pudesse começar a trabalhar. E tal aconteceu.
Conhecer Avis e apaixonar-me foi assim coisa imediata, estilo amor à primeira vista: o modo como fui recebido, a maneira como me soube integrar nesta comunidade levou a que essa paixão se prolongasse para o resto da minha vida. Hoje, a esta distância, tenho ainda presente que as laranjeiras da Rua Machado dos Santos me impressionaram pela quantidade. Quanto ao tamanho eram, à altura e em altura, mais baixas do que eu.
Quantas coisas aconteceram nestes quarenta anos…amores, desamores, desenganos, trabalho, diversão, doenças, mortes de amigos e familiares, enfim tudo que faz parte de uma vida de quarenta anos.
Não me quero alongar em discrição de recordações e saudades mas tão-somente deixar o registo da minha chegada a Avis, agradecer a Avis, (entenda-se, às suas gentes), o modo afectuoso como quase todos me trataram e continuam a tratar. Sabemos que não há regra sem excepção mas eu sei que as excepções aqui são na verdadeira acepção da palavra.
Quarenta anos são uma vida, é certo, mas uma vida que passou demasiado depressa. Precisaria de outros quarenta anos para que pudesse desfrutar com outro “vagar” tudo o que Avis tem para desfrutar.
Obrigado Avis!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CESTAS DE POESIA( LVII)

Com o final do mês de Fevereiro termino a divulgação da poesia popular que foi "feita" pelo amigo LUIS PEDRO DUARTE. E para que não se diga que toda a sua poesia tem uma componente religiosa, pois vamos fechar com umas décimas de teor diferente:

Mote:
QUANDO PASSARES POR MIM NA RUA
OLHA-ME COM MAIS CARINHO,
NÃO ME TRATES COM DESDÉM
SÓ PORQUE HOJE SOU VELHINHO!


I
JÁ PERDI A MOCIDADE
DOS TEMPOS QUE JÁ LÁ VÃO
QUANDO FAZIA QUESTÃO
SER ALGUÉM NA SOCIEDADE;
ONDE TINHA VONTADE
MESMO QUE AINDA A POSSUA
A VERDADE NUA E CRUA
TEMOS QUE A COMPREENDER
PARA PODERMOS DIZER
QUANDO PASSARES POR MIM NA RUA!

II
PARA QUÊ ESMORECER
ENQUANTO NO MUNDO ANDAR?
É SÓ O QUE ME FAZ PENSAR
ASSIM ENQUANTO VIVER;
NÃO VOU PENSAR EM MORRER
SEI BEM QUE NÃO ESTOU SOZINHO
MAS SENDO POBREZINHO
TENHO UM TECTO PARA ME AGASALHAR
E PORQUE EU ESTOU NUM LAR
OLHA-ME COM MAIS CARINHO!

III
TENHO SEMPRE A AGRADECER
PARA QUEM PARA MIM OLHOU
AO LAR QUE ME AGASALHOU
SEMPRE, SEMPRE ATÉ MORRER;
E NÃO PODERIA SER
E SÓ ASSIM ESTARÁ BEM
BONS CORAÇÕES QUEM OS TEM
PARA OLHAR OS POBREZINHOS
A TI TE PEÇO CARINHOS
NÃO ME TRATES COM DESDÉM!

IV
AINDA BEM QUE ASSIM É
HÁ QUEM ESTIME AS PESSOAS
HÁ MUITAS PESSOAS BOAS
E TAMBÉM DE BOA FÉ;
É PRECISO HAVER RALÉ
HAVER UM BOM AMIGUINHO
PRECISAMOS DUM BEIJINHO
DURANTE A VIDA INTEIRA
OLHA-ME DOUTRA MANEIRA
SÓ PORQUE HOJE SOU VELHINHO!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

HÁ SPORTINGUISTAS AMIGOS!

No último post cometi um erro afirmando como verdade uma mentira dita com tal ênfase que até parecia mesmo verdade. Ora releia lá e veja se eu não escrevi assim: …. “Se é verdade que a figueira dá frutos sem ter flor…”
Ora isto é mentira e tal verificou e fez o favor de me corrigir o meu amigo J.P. que pese embora o “defeito” de ser Sportinguista, é amigo. Em mail e para que não restem dúvidas esclarece-me assim: “As Figueiras dão flores, sim senhor, milhões delas. O figo é como um saco de flores, uma inflorescência virada ao contrário. Imagine pegar numa flor de girassol pela base e dobrá-la de modo que a parte verde envolva a amarela (flor). Depois explico-lhe melhor”.
Fica a explicação e o agradecimento.
De salientar que daquela “parte verde” veio depois à baila uma conversa que metia um tal Sporting-Benfica que evito aqui reproduzir por não se enquadrar no tema.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

EMBAIXATRIZES PRIMAVERIS

Foto 1 - "...aí estão já floridas as árvores “urbanas” do Sr. Alfredo Covas e D. Elisa e a do Sr. José Navalhas e D. Gertrudes. "
Foto 2 - " As “rústicas” acácias...aparecem sempre carregadas de milhares de flores amarelas por alturas do Carnaval ..."





Indicadoras habituais da proximidade do tempo Primaveril, aí estão já floridas as árvores “urbanas” do Sr. Alfredo Covas e D. Elisa e a do Sr. José Navalhas e D. Gertrudes. Se é verdade que a figueira dá frutos sem ter flor não é menos certo que estas árvores, cujo nome desconheço, dão flores sem terem folhas. Para mim são de uma beleza magnânima.
As “rústicas” acácias, também conhecidas por mimosas, aparecem sempre carregadas de milhares de flores amarelas por alturas do Carnaval e este ano não são excepção. O perfume que exalam é um bálsamo para narizes como o meu que não sofrem de alergias.
Urbanas ou rústicas, as flores são sempre uma bênção para a vista. Digo eu…que gosto muito de flores.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CESTAS DE POESIA( LVI)

A Crença faz partre da poesia de LUIS PEDRO DUARTE, conforme se pode ainda e sempre confirmar.

Mote:
DE JOELHOS ESTOU A REZAR
A PEDIR A SALVAÇÃO,
PARA CURAR OS DOENTINHOS
NAS HORAS DE AFLIÇÃO!


I
ESTOU PEDINDO A DEUS
O QUE SÓ ELE PODE FAZER
PARA TODO O QUE MERECER
PERDOE OS PECADOS SEUS;
ATÉ MESMO AOS ATEUS
SE LHE PODER PERDOAR
EU SEMPRE A IMPLORAR
PARA QUE VENHAM MELHORES DIAS
E HAJA MAIS ALEGRIAS
DE JOELHOS ESTOU A REZAR!

II
PEÇO A DEUS PARA SALVAR
TODOS OS SERES DO UNIVERSO
PARA QUE TUDO FIQUE CERTO
E PARA O MAL ACABAR;
PARA SE PODER AFIRMAR
E DIZER-SE COM RAZÃO
E DE JOELHOS NO CHÃO
PARA QUE TODOS SE SALVASSEM
ERA BOM QUE TODOS REZASSEM
A PEDIR A SALVAÇÃO!

III
HÁ QUE HAVER MUITA FÉ
NO QUE DEUS NOS PROMETEU
TUDO O QUE APARECEU
SÓ PODE SER O QUE É;
JÁ QUE A VERDADE ASSIM É
COM DEUS NÃO ESTAMOS SOZINHOS
SOMOS AINDA POUQUINHOS
A REZAR COM ALEGRIA
A PEDIR DE NOITE E DIA
PARA CURAR OS DOENTINHOS!

IV
HAVIA DE HAVER MAIS CRENÇA
POR DEUS TER SALVADO O MUNDO
DEVIA SER MAIS PROFUNDO
O QUERER DA SUA PRESENÇA;
CADA UM SUA SENTENÇA
COM A SUA DEVOÇÃO
DEVIA HAVER MAIS RAZÃO
E COISA QUE MELHOR SE VISSE
E QUE TODA A GENTE PEDISSE
NAS HORAS DE AFLIÇÃO!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

AMANHÃ HÁ "CAFÉ COM LETRAS"

Recebi o seguinte convite, que passo a partilhar convosco porque ele é "universal"

CONVITE
"Porque é importante o... Sindicalismo?
Vivemos uma época de crise. Da crise financeira, num primeiro momento, para a crise económica foi lapso de tempo historicamente irrelevante. Assoma, agora, a crise social. Parece querer instalar-se.
E agora? Os despedimentos em massa distribuem-se à escala planetária, será que os sindicatos ainda teem alguma importância? Vale a pena acreditar no sindicalismo como uma mais-valia para a resolução da crise?"


É este o tema do “Café com Letras” no próximo dia 19 DE FEVEREIRO DE 2009 (quinta-feira).
Temos, pois, o grato prazer de o(a) convidar a assistir a esta conferência que se realiza na sede da ACA-AC, sita na Praça Serpa Pinto, n.º 11 em Avis, pelas 18 horas e que terá como conferencista Diogo Júlio Serra.

“Café com Letras” é uma iniciativa da
Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural
.

Avis, 16 de Fevereiro de 2009.
A Direcção da ACA-AC

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

ESTÁ O "BALHO" ARMADO!


Vivo apavorado com esta “coisa” da crise. Mesmo sem querer, dou comigo a pensar como tudo se pode complicar, ainda mais do que já está, de um momento parta o outro. Os noticiários parecem que têm uma secção de “despedimentos”. Não existe dia nenhum que não seja indicado o nome de mais uma fábrica, uma empresa, uma qualquer multinacional que em qualquer parte do mundo – obviamente no qual se inclui Portugal – vai despedir trabalhadores. Como todos sabemos, Portugal tem emigrantes a trabalhar por todas as partes do mudo. São milhões! Aquando dos despedimentos é óbvio que não vão despedir os naturais dos países das empresas “mães” e deixar a trabalhar os imigrantes. Sem emprego, é natural que muitos desses emigrantes rumem a casa, neste caso concreto a Portugal, tal como um filho pródigo regressa a casa de seus pais quando se vê necessitado. Este pensamento que poderá até estar enviesado, aplica-se igualmente a qualquer outro país sendo que o impacto do desemprego desenfreado será sempre o mesmo: aumento do desemprego, da delinquência, da criminalidade. É por tudo isto que vivo apavorado!
Há dias, em conversa com um amigo, este dizia-me que a actual situação poderá ser o partir para mais um conflito a nível mundial. Escusado será dizer que, perante este hipotético cenário que, confesso, a mim ainda não me tinha ocorrido, mais apavorado fiquei.
Penso que está o “balho” armado, só não sei é quando começa a contradança!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

ASSIM 'TÁ BEM!

Foto: "...só já vê dois sinais de trânsito harmónicos..."
Agora quem descer a Rua das Portas de Évora só já "vê" dois sinais de trânsito harmónicos : um que o obriga a cortar à direita e outro que o proibe de seguir em frente.
Afinal foi só dar um jeitinho...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

CESTAS DE POESIA (LV)

Mais uma vez LUIS PEDRO DUARTE demonstra a fé que o move e a admiração que tem ao seu Deus, nas décimas que passo a transcrever:

Mote:
DEUS É QUE NOS DESTINA
DEUS NOS DEVE DESTINAR,
TUDO AQUILO QUE DEUS FEZ
NINGUÉM PODE DESMANCHAR
!

I
FEZ O SOL E FEZ A LUA
FEZ A CHUVA E FEZ O VENTO
TUDO QUE FEZ, FOI COM TALENTO
FEZ A CASA E FEZ A RUA;
FEZ A VERDADE NUA E CRUA
FEZ A COISA MAIS PEQUENINA
FEZ O MENINO E A MENINA
FEZ O HOMEM E A MULHER
HAJA AQUILO QUE HOUVER
DEUS É QUE NOS DESTINA!

II
FEZ O BEM E FEZ O MAL
FEZ TUDO O QUE A GENTE VÊ
FEZ MESMO O QUE NÃO CRÊ
FEZ A DIFERENÇA E O IGUAL;
FEZ TUDO EM GERAL
FEZ A PESSOA PARA ANDAR
FEZ O MESTRE PARA ENSINAR
P’RÁ GENTE SE CONVENCER
ATÉ MESMO NO MORRER
DEUS NOS DEVE DESTINAR!

III
FEZ O MAIS E FEZ O MENOS
FEZ TUDO O QUE TEM VALOR
FEZ O ESTUDANTE E O DOUTOR
FEZ TUDO AQUILO QUE TEMOS;
FEZ AQUILO QUE SEREMOS
FEZ A SEMANA E O MÊS
FEZ TUDO AQUILO QUE FEZ
FEZ O CRENTE PARA CRER
FEZ A VIDA ATÉ MORRER
TUDO AQUILO QUE DEUS FEZ...

IV
TUDO QUE EXISTE NO MUNDO
FEZ DEUS COM PERFEIÇÃO
FEZ O GIGANTE E O ANÃO
FEZ O ALTO E O PROFUNDO;
FEZ O ASSEADO E O IMUNDO
FEZ O AMOR PARA AMAR
FEZ O PENSADOR PARA PENSAR
FEZ O ERRADO E O CERTO
ATÉ FEZ O UNIVERSO
NINGUÉM PODE DESMANCHAR!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

CARMEN - NASCIDA HÁ CEM ANOS


Fez ontem cem anos que nasceu, em Marco de Canavezes, aquela que seria um dos maiores talentos da música nacional portuguesa. Seu nome de registo: Maria do Carmo Miranda da Cunha. Pseudónimo CARMEN MIRANDA. Além de cantora foi actriz de destaque tendo desenvolvido a sua actividade entre as décadas de 30 e 50 do século passado, no Brasil e nos Estados Unidos da América, onde faleceu em 5 de Agosto de 1955. Trabalhou na Rádio, Teatro de revista, Cinema e Televisão. Poderá consultar muito da sua biografia clicando aqui:http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmen_Miranda
Por ser das canções que na minha modesta opinião mais a celebrizou, deixo aqui a reprodução de: "O que é que a Baiana tem". como prova da minha mais sincera admiração.
No entanto muitas outras poderiam ser indicadas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

CESTAS DE POESIA (LIV)

O amigo LUIS PEDRO DUARTE, nestes tempos de crise, pensou... pensou, e achou uma maneira fácil e eficaz de solucionar a dita crise.
Ora vejam lá se concordam:

Mote:
QUEM TEM MUITO BEM PODIA
REPARTIR COM QUEM NÃO TEM,
O RICO, RICO FICAVA
E O POBRE FICAVA BEM!

I
SE HOUVESSE COMPREENSÃO
EM TODA A HUMANIDADE
PODIA HAVER MAIS VONTADE
DE DENTRO DO CORAÇÃO;
VIVIA-SE POIS ENTÃO
COM MUITO MAIS ALEGRIA
O QUE TEM POUCO, MENOS SOFRIA
NESTA TERRA DO BEM QUERER
PARA SE PODER DIZER
QUEM TEM MUITO BEM PODIA!

II
DEVIA HAVER MAIS CORAÇÕES
SE HOUVESSE UM MUNDO MELHOR
PARA ACABAR COM O PIOR
NO MUNDO E NAS NAÇÕES;
E QUE SE DESSEM RAZÕES
PARA SE DIZER A QUEM
E ACABAR COM O DESDÉM
ERA SÓ PRECISO QUERER
OS QUE TÊM DE COMER
REPARTIR COM QUEM NÃO TEM!

III
ERA MUITO BOM QUE HOUVESSE
NO MUNDO MAIS IGUALDADE
E HOUVESSE MAIS LEALDADE
COM FOME NÃO SE MORRESSE;
E QUE ATÉ APARECESSE
E QUE NINGUÉM SE QUEIXAVA
O QUE SOBRASSE SE DAVA
AOS QUE A TRISTE SORTE CONSOME
MESMO DANDO A QUEM TEM FOME
O RICO, RICO FICAVA!

IV
FAZEM-SE TANTAS REUNIÕES
P’RA TANTA COISA COMBINAR
TAMBÉM PODIAM ACABAR
COM TANTAS DESILUSÕES;
SÓ QUE TODAS AS NAÇÕES
AO MUNDO QUISESSEM BEM
QUE ACABASSEM COM A FOME ALÉM
TANTA GENTE A LAMENTAR
O MAL PODIA ACABAR
E O POBRE FICAVA BEM!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

AMANHÃ, QUINTA ( 5-2-2009) HÁ CAFÉ COM LETRAS

Prosseguindo na sua senda de cumprir o Plano de Actividades para 2009, a Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural leva a efeito amahã mais uma sessão do seu “CAFÉ COM LETRAS”.
Para nos falar da importância da Leitura convidou um escritor Bejense,
residente em Baleizão – terra de Catarina Eufémia - que dá pelo nome de PAULO BARRIGA. Autor entre outros de livros como “Terra Vermelha”, um livro de reportagens sobre o Alentejo rural lançou recentemente um outro intitulado: “O HOMEM QUE MATOU SIDÓNIO PAES”. É pois com este senhor que decorrerá amanhã a conversa entre um café ou um chá, na Sede da ACA, a partir das 18 horas.
Se pretender saber algo mais sobre o autor, clique aqui: http://castromaisverde.blogs.sapo.pt/21716.html ou aqui: http://www.guerraepaz.net/?page=author&item=89




terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ESTOU PERDIDO!

Foto: "..sinalética colocada ao fundo da Rua de Évora, em Avis..."

À beira de ter que renovar a carta de condução, acredito que não o vou conseguir fazer. É que ando completamente baralhado com os sinais de trânsito. Por isso peço a vossa ajuda.
No exemplo dado na foto acima, de uma sinalética colocada ao fundo da Rua de Évora, em Avis, como é que devo fazer? Primeiro tomo atenção como lá está escrito e depois? Cumpro a seta da esquerda que me obriga a seguir em frente? Cumpro a proibição do sinal "redondo" que me diz que para a frente é trânsito proibido ou sigo a seta que me “obriga” a cortar à direita?
Estou completamente perdido.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

INTEMPÉRIE EM AVIS : A REALIDADE E A ILUSÃO

Foto 1 - REALIDADE: "As águas da Ribeira de Seda, tumultuosas e acastanhadas..."
Foto 2 - REALIDADE: "...uma árvore do nosso Jardim Público caiu..."

Foto 3 - ILUSÃO: "Quem passar junto à Igreja de Nossa Senhora de Entre Águas..."


A REALIDADE:

1) - As águas da Ribeira de Seda, tumultuosas e acastanhadas, vão invadindo as águas calmas da barragem do Maranhão. É perceptível não só o rumo das mesmas – pela dita cor acastanhada - como o barulho que fazem ao abrirem caminho em direcção ao interior do nosso “lago artificial”.

2) – Esta noite, uma árvore do nosso Jardim Público, de porte já apreciável, apesar de escorada não se aguentou e caiu indo ficar parte na via de rodagem da Avenida do Brasil. Por sorte não causou estragos materiais pois que nenhum carro por ali pernoitava ou passava na altura. Dizem que as árvores foram ali postas sem os necessários cuidados, atendendo a que o terreno ali existente era à altura muito duro e repisado, dado ali se realizarem, por exemplo, os mercados municipais, e não houve o cuidado de remexer muito bem o terreno antes de plantar as árvores. Quanto a isso não confirmo nem desminto.
Uma outra árvore, “vizinha” desta que se finou esta noite, só não lhe acontece(u) o mesmo porque além de escorada com paus está convenientemente atada. Até quando?
E que segurança haverá ao pass(e)ar por aquelas paragens?

A ILUSÃO

1) Quem passar junto às imediações da Igreja de Nossa Senhora de Entre Águas, em Benavila, pensará que todas aquelas oliveiras que jazem no chão foram consequência do mau tempo, quiçá alvo de um tornado de médias dimensões que por ali passou. A existência de uma máquina retro escavadora nas imediações contradiz esta hipótese.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

CESTAS DE POESIA ( LIII )

Com esta noite de chuva os campos preparam-se para as sementeiras. Daí talvez a razão do nosso amigo LUIS PEDRO DUARTE nos brindar com estas décimas que falam de "sementeiras"

Mote:
PEDI UM CONSELHO A DEUS
PARA TER MAIS ALEGRIA
DEUS MOSTROU-ME A TERRA E DISSE:
TRABALHA, SEMEIA E CRIA!


I
ESTANDO UM DIA ABORRECIDO
SEM SABER O QUE FAZER
SABENDO QUE PODIA SER
UM DIA SURPREENDIDO
SE SOUBESSE UM DIA TER TIDO
TODOS OS BONS SONHOS MEUS
IMPLORANDO AOS CÉUS
QUE ME DESSE SATISFAÇÃO
DE DENTRO DO CORAÇÃO
PEDI UM CONSELHO A DEUS!

II
JÁ COM MAIS ESPERANÇA NA VIDA
PUZ-ME UM DIA A PENSAR
COMO É QUE HEI-DE CHEGAR
A UMA IDÉIA FLORIDA;
QUE A SORTE SEJA SEGUIDA
SEM QUE HAJA FANTASIA
PARA VIVER SEM ARRELIA
SE EU ANTES O SOUBESSE
PEDI AO DIVINO MESTRE
PARA TER MAIS ALEGRIA!

III
ESTIVE A MEDITAR UM MOMENTO
QUE A VIDA NÃO SÃO SÓ ROSAS
TAMBÉM TEM HORAS PENOSAS
DE UMA DÚZIA A UM CENTO;
SUPORTAR-SE COM TALENTO
SE A VIDA SE CORRIGISSE
E NUNCA DESSE CHATICE
PARA MELHOR CONHECER
PARA NÃO ME ABORRECER
DEUS MOSTROU-ME A TERRA E DISSE!

IV
FUI PENSANDO ENTÃO CONTENTE
JULGANDO-ME MAIS FELIZ
A CONSCIÊNCIA ME DIZ
IR COM A VIDA PARA A FRENTE;
FAZER VER A TODA A GENTE
QUE SE PODE ALCANÇAR UM DIA
TENDO ALGUMA REGALIA
DAQUILO QUE POSSO FAZER
PORQUE ALGUÉM ME VEIO DIZER
TRABALHA, SEMEIA E CRIA!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

OS DINOSSAUROS DO SÉCULO XXI

Foto: "...um poste...que mais parece um dinossauro da época moderna."

Nas imediações da divisão entre os concelhos de Avis e de Fronteira, no sentido Avis-Fronteira e depois de um vale por onde a estrada serpenteia por umas curvas, aparece-nos do lado esquerdo, um outeiro bastante arredondado que por esta altura do ano já apresenta a cor verde que, por força das chuvas caídas ultimamente, lhe dá as ervas entretanto nascidas. Por vezes passava ali e uma manada de vacas apascentando-se pachorrentamente, dava-me sempre a ilusão de uma calma, um bem estar, que aquele morro se transformara num dos meus outeiros preferidos. Acima de tudo era agradável à vista. Passei lá recentemente e fiquei abismado, pois que toda a beleza da referida colina foi “assassinada” com a colocação de um poste enorme, direi mesmo enormíssimo, que mais parece um dinossauro da época moderna. Quem olhar mais para a esquerda verá que outros “dinossauros” aparecem em linha recta que, depois, se estendem para o lado direito da estrada, a perder de vista.
Agora, pensando melhor, já não sei se se assemelham a dinossauros se aos moinhos de D. Quixote de la Mancha. Só que com uma diferença: os moinhos eram irreais e estes, infelizmente, são bem reais.
Uma coisa sei eu: o meu outeiro perdeu toda a beleza que tinha, por força de um bicho que dá pelo nome de homem que tudo sacrifica em defesa por vezes nem ele sabe de quê.
Nota: o meu colega "TUDO E MAIS ALGUMA COISA EM...AVIS" já tinha pressagiado este facto em 29 de Dezembro de 2007 ( Aproveito para saudar o seu regresso e pedir-lhe que não esteja tanto tempo sem nos dar... tudo e mais alguma coisa, em Avis!)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

APAVORA-ME!


APAVORADO! É assim que me sinto perante a onda, direi, perante o autêntico Tsunami de despedimentos que assola Portugal. Sei que neste momento o fenómeno é a nível Mundial mas, como me costumava dizer uma vizinha minha, com o mal dos outros se dá a gente bem, embora pessoalmente não concorde totalmente com tal e saiba, por outro lado, que quanto mais perto de nós as coisas acontecem mais nos tocam: Apavora-me muito mais o facto do encerramento da Lactogal em Avis do que o encerramento de uma fábrica da Philips na Alemanha...
Apavora-me ouvir os noticiários, e aperceber-me de que todos os dias hajam fábricas a fechar, todos os dias hajam empresas a falir, todos os dias hajam contratos a não serem renovados, todos os dias hajam pessoas a engrossarem a lista de desempregados. Que aflição não terá um casal com encargos financeiros calculados na base dos seus rendimentos auferidos por trabalho por conta de outrem e, de repente, constatar que um dos elementos, e quantas vezes os dois elementos do casal, se vêem no desemprego. Que aflição não deve ser estar-se perante uma situação destas. Mas as empresas que fecham, que vão à falência, na maioria dos casos teem garantida a salvaguarda económica dos seus patrões.
Apavora-me o facto indesmentível de que a falta de emprego vai dar, irremediavelmente lugar a maior criminalidade.
Se por um lado me apavora o facto de ser velho, de estar cada vez mais próximo do meu fim, de ter medo até de “ser velho”, a verdade é que me dá o privilégio de poder afirmar que enquanto trabalhador por conta de outrem, tive um emprego estável e duradoiro, coisa que hoje ninguém pode garantir que lhes aconteça.
Numa palavra: APAVORA-ME o futuro de todos nós!

domingo, 25 de janeiro de 2009

À VOLTA DO PLÁTANO...

Foto 1 - "Este tempo de Inverno dá-lhe um aspecto fantasmagórico!"

Foto 2 - "...os suportes de ferro dão o ar de um ser inválido amparado por canadianas..."






O Plátano de Portalegre, está grande…mas está velho.
Com 170 anos feitos, possui uma copa de 38 metros de diâmetro, 111 de perímetro e o seu tronco tem 5,90 de perímetro e mais de 30 metros de altura, tendo sido considerada de interesse público em 1939. Possui a maior copa da Península Ibérica. Foi plantado em 1838 pelo botânico Dr. José Maria Grande. Este tempo de Inverno dá-lhe um aspecto fantasmagórico!
O Plátano do Rossio de Portalegre está enorme.
Cresceu muito nestes últimos 50 anos. Estive ao pé dele na passada sexta-feira e senti-me tão pequenino debaixo dele… Talvez tão pequenino como me sentia nos idos anos 60 do século passado quando, ele e eu éramos ambos mais pequenos. Eu ia a caminho do Liceu Nacional de Portalegre e por ali fazia um descanso. É que estando “hospedado” numa casa situada no então chamado Bairro dos Carteiros, lá para as bandas do Seminário, tinha que percorrer 4 vezes diariamente o trajecto entre a minha casa de hospedagem e o Liceu que ficava precisamente no outro extremo da cidade, lá já para os lados da Fábrica da Rolha, depois de subir toda a Rua do Comércio. A Fábrica da Rolha…era certo e sabido – fumo para a cidade era sinal de chuva por perto.
Quantas histórias terá aquele “monumento vivo” para contar… foi ali, debaixo do plátano, que foi fundada a primeira Sede do Sport Club Estrela. Uma placa colocada junto ao seu tronco relembra-no-lo. As rivalidades entre o Sport Clube Estrela e o Desportivo Portalegrense eram demasiado evidentes: o Estrela era dos “pés descalços” e o Desportivo era das elites. Tiveram ambos o mesmo destino desgraçado. Quantos encontros amorosos por ali se terão combinado, quantos negócios de gado, palhas, sei lá mais o quê!
Se ele, plátano, se lembrasse (mas a memória certamente que já o atraiçoa) recordar-se-ia de um rapazinho franzino que nos tais momentos em que por ali descansava, cansado da distância e do peso dos livros, ia reparando nas bonitas mini-saias e nas belas pernas que elas emolduravam. À altura ainda não tinha chegado a abominável moda das calças. Havia poucas e as que havia eram á boca de sino, que tinham a sua piada mas nada que se pudesse comparar a uma mini-saia bem “encorpada”… Esse rapaz franzino, além de olhar atentamente para as mini-saias também olhava com “inveja” para os colegas estudantes que se davam ao luxo de usar uma capa e batina para levarem para o Liceu. Eram a minoria e eu…pertencia à maioria. Mas sempre sonhara em um dia ter uma capa e batina. Fiquei-me pelos sonhos pois que apesar de nunca ter chumbado nos meus estudos – e de ter sido vários anos aluno de quadro de honra que dava direito a isenção do pagamento de propinas - estes não foram além do Liceu, por motivos económicos, e usar capa e batina num emprego, parece que não ligava lá muito bem. Se duvidarem disto, perguntem ao velho plátano.
Lá mais acima, onde se encontra actualmente o Café do Tarro havia uma cascata, linda de morrer! Mas, como diria um meu amigo de nome João Feio, o vil capitalismo, resolveu destruí-la para dar lugar a um vulgar café. Na cascata faziam-se altares pelo Santos Populares adornados por belos bailaricos. Recordação puxa recordação: e o Jardim da Corredoura? Bonito de se ver, com as suas enormes árvores que no Verão escondiam um ou outro namorico mais adiantado que se conseguia arranjar. Sim, porque nos anos 60 do Século passado, também em matéria de namoricos, as coisas não se passavam como agora. Duvidam? Perguntem ao velho plátano! E ele que vos diga se não é verdade que junto ao monumento evocativo dos Combatentes da Grande Guerra, ali mesmo junto dele, eu lá fui uns anos, em pleno Inverno, de calções e manga arregaçada, integrado num grupo da Mocidade Portuguesa a prestar homenagem àqueles que perderam a vida em defesa da Pátria.
Na passada sexta-feira quando me afastei dele tive pena, muita pena. Pena do seu estado de velhice a que os ferros de suporte dão o ar de um ser inválido amparado por canadianas e pena de eu já ser igualmente um velho que, embora sem canadianas, já não consegue ver as lindas mini-saias que se passeavam pelo Rossio ou que passavam a caminho de casa.
Ser velho é uma tristeza, quer se seja um plátano quer se seja um “cota”!

P.S.: É de toda a justiça que fique aqui registado o modo atencioso como fui atendido por dois funcionários da Loja da Robialac que, por coincidência se situa mesmo junto ao Plátano. Profissionalismo e competência ficam bem em todo o lado mas são cada vez mais uma raridade.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

CESTAS DE POESIA ( LII )

O tempo não pára.
Parece que foi ontem que se iniciaram as “Cestas de Poesia” e eis-nos chegados às “Cestas” nº 52. Trocado por miúdos: já fazem um ano. E sempre com a reprodução de Décimas que recolhemos junto dos seus autores, a maior parte deles anónimos poetas esquecidos.. Quando se iniciaram sabíamos que iriam durar algum tempo, não sabendo quanto, mas se calhar menos do que já duraram.
Agora, atingido este patamar, estamos em crer que se aguentarão pelo menos mais um ano. Por aqui passaram já nomes que apetece recordar: JOÃO JOAQUIM CARRILHO, JOAQUIM JOSÉ LOURENÇO, JOÃO ANTÓNIO GUILHERME, ANTÓNIO HENRIQUES, MANUEL DOMINGOS RODRIGUES, JOÃO MOREIRA e presentemente o nosso amigo LUIS PEDRO DUARTE.
Todos avisenses – por afinidades ou nascimentos - e felizmente ainda todos vivos. Para eles os parabéns “DO CASTELO”.
E feita que foi a referência mais que merecida àqueles que tornaram possível este primeiro ano de divulgação de poesia popular, coisa que parecia difícil – e mais difícil já que até agora sempre o foi em décimas, repetimos – vamos ao trabalho de hoje de autoria do já referenciado amigo LUIS PEDRO DUARTE em que nos relata algo que também parece difícil de acontecer…mas que acontece.


Mote:
HÁ DUAS COISAS NO MUNDO
CUSTOSAS DE ENTENDER;
É O PADRE IR PARA O INFERNO
E O CIRURGIÃO MORRER!

I
TEMOS MESMO QUE ACREDITAR
EM TUDO QUE DEUS MANDOU
PORQUE FOI ELE QUE FORMOU
TUDO QUE NOS FAZ PENSAR;
PARA DEPOIS MEDITAR
NUM SENTIMENTO PROFUNDO
NUMA HORA OU NUM SEGUNDO
HAJA AQUILO QUE HOUVER
PARA PODERMOS DIZER
HÁ DUAS COISAS NO MUNDO!

II
ACREDITAMOS QUE É VERDADE
E EM TUDO MAIS QUE SE VISSE
E QUE MAIS SE CONSEGUISSE
NO QUERER DA HUMANIDADE,
FAZER VER A SOCIEDADE
NA CERTEZA DO BEM QUERER
SE ASSIM PUDESSE SER
OU ATÉ SE ASSIM SERÁ
MUITAS MAIS COISAS HÁ
CUSTOSAS DE ENTENDER!

III
LÁ DIZ O VELHO DITADO
TUDO QUE EXISTE FAZ FALTA
ACREDITE OU NÃO A MALTA
TUDO NOS ESTÁ CONFIRMADO,
O EXEMPLO NOS ESTÁ DADO
PARA ASSIM LHE SER SINCERO
MESMO QUE NÃO SEJA ASSIM QUE QUERO
EU DIGO E TENHO RAZÃO
O QUE ME FAZ ADMIRAÇÃO
É O PADRE IR PARA O INFERNO!

IV
ESTÁ ASSIM FORMADA A VIDA
QUER A GENTE QUEIRA OU NÃO
TEMOS QUE ACREDITAR POIS ENTÃO
SEJA CURTA OU COMPRIDA,
POR MAIS QUE ELA SEJA QUERIDA
É AQUILO QUE PODE SER
TEMOS MESMO QUE QUERER
NÃO HÁ QUE COMPARAR
O QUE FAZ ADMIRAR
É O CIRURGIÃO MORRER!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A RESPOSTA DO DIA (de ontem...)

No dia de tomada de posse do 44º Presidente dos Estados Unidos da América, a SIC, no seu programa “Nós por cá”, que vai para o ar entre as 19 e as 20 horas, quis estabelecer paralelos entre a Casa Branca de Washington e a Casa Branca de Sousel, transmitindo desta última uma reportagem televisiva.
Em resposta à pergunta do jornalista, sobre qual o nome do novo Presidente dos Estados Unidos, um habitante de Casa Branca de Sousel, respondeu:
- É o BARRACA ABANA.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"CAFÉ COM LETRAS" É NA ACA

Quinta-feira, 22 de Janeiro, é dia de mais um Café com Letras, como é habitual às 18 horas na Sede dos Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.
Como convidado estará o Eng.º Joaquim Pífano
que se vai sentir como “abelha no mel” já que o tema deste café será “CONVERSAS À VOLTA DO MEL” e como todos sabemos o Engenheiro é um especialista nesta matéria. Só por motivos de força maior deixarei de estar presente. A notícia aqui fica, para que conste e ninguém diga que não sabia.
Até a si, que nunca vai aos “Cafés com Letras”, aqui lhe deixo um rebuçadinho de puro mel que nos é oferecido pelo Maranhão.
Passe por lá clicando no dito!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

GOSTEI!


Não sou amante da neve ao ponto de me deslocar daqui à Serra da Estrela para a ver. No entanto quando “dou” com ela confesso que me impressiona. O monocromático do solo branco e o contraste do céu azul cria um ambiente convidativo à introspecção.
Foi o que me aconteceu no passado dia 10. Parece que todas as placas indicavam, não a direcção das localidades, mas todas as direcções em que havia neve.
Gostei!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CESTAS DE POESIA ( LI )

LUIS PEDRO DUARTE, sempre que pode, demonstra-nos o respeito que tem pelo SER superior que o domina, um Deus em quem acredita piamente.
Tal fica mais uma vez demonstrado nas seguintes décimas, feitas a partir de uma quadra arranjada à sua maneira:
Mote:
É TÃO BOM SER PEQUENINO
TER PAI TER MÃE TER AVÓS
E TER ESPERANÇA NO DESTINO
E TER QUEM GOSTE DE NÓS

I
APENAS QUE EU NASCI
E ABRI OS OLHOS P’RÓ MUNDO
NUM SENTIMENTO PROFUNDO
FOI ASSIM QUE EU CRESCI,
NUMA ESPERANÇA VIVI
ERA ASSIM O MEU DESTINO
AGRADECER AO DEUS MENINO
PARA O MUNDO CONHECER
PARA DEPOIS PODER DIZER
É TÃO BOM SER PEQUENINO!

II
POR MINHA MÃE FUI EMBALADO
CANTAVA-ME PARA DORMIR
DAVA-ME BEIJOS A SEGUIR
PARA QUE EU ESTIVESSE CALADO,
PARA DORMIR DESCANSADO
OS DOIS FICÁVAMOS SÓS
PARA OS CONTRAS E OS PRÓS
TALVEZ PARA TODA A GENTE
PARA DIZER-NOS CONTENTES
TER PAI TER MÃE TER AVÓS!

III
DEUS DEU-ME DEPOIS DE MAIOR
INTELIGÊNCIA PARA PENSAR
E ASSIM ME DESVIAR
DE TUDO QUE FÔR PIOR;
E PODER ESCOLHER O MELHOR
COM A AJUDA DO DIVINO
SER GRANDE OU SER PEQUENINO
DE DENTRO DO CORAÇÃO
TER UMA FORMA DE EXPRESSÃO
E TER ESPERANÇA NO DESTINO!

IV
PARA SE SABER AVALIAR
O DESTINO QUE NOS CABE
AO NASCER NUNCA SE SABE
O QUE PODEMOS PASSAR;
O SOFRER OU O GOZAR
É UM DESTINO ATROZ
E QUANDO VIVEMOS SÓS
SEM TERMOS QUEM NOS VIGIE
É BOM TERMOS QUEM NOS GUIE
E TER QUEM GOSTE DE NÓS!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS