ANTÓNIO CARRILHO já faleceu há alguns anos. Consta que era um bom poeta popular. Era pai do meu amigo Manuel Carrilho e irmão, de João Joaquim Carrilho, igualmente amigo, que me deu as décimas que hoje publico nesta “Cestas de Poesia”. Pena que não haja muito mais obras registadas deste poeta.
Eis o que me deram:
Adeus fiel esposa querida
Eu vou fazer a operação,
Digo-te adeus para toda a vida
Não sei se volto se não!
Digo-te adeus a chorar
Tu pede a Deus que me ajude
Vou à Casa de Saúde
Para ver se a posso alcançar
Se eu nunca mais cá voltar
Faço a minha despedida
A minha viagem é comprida
Eu vou-me arriscar à morte
Voltar cá é uma sorte
Adeus fiel esposa querida!
Se em casa tenho ralhado
Muitas vezes sem razão
Desculpa e dá-me perdão
Que o mal é que era o culpado
De sofrer estou magoado
Nos músculos sinto a prisão
As forças faltando estão
Sinto o mal a bracejar
Para ver se me posso salvar
Eu vou fazer a operação!
Faz sempre por te animar
E anima os nossos filhinhos
Dá-lhe criação e carinhos
Que Deus é que te há-de pagar,
Quando eles em mim falar
Depois da minha partida
Diz-lhe que falta uma carta lida
Só o tempo a pode ler
Posso eu para lá morrer
Digo-te adeus para toda a vida!
Para mim era uma riqueza
Se ainda me visses curado
Não me importo ser colocado
Sobre uma fria marquesa
Falo-te esposa com franqueza
Com muita dor e paixão
Os dias passando vão
Eu sofro constantemente
Digo-te adeus para sempre
Que não sei se volto se não!
Autor: António Carrilho









