domingo, 25 de janeiro de 2009

À VOLTA DO PLÁTANO...

Foto 1 - "Este tempo de Inverno dá-lhe um aspecto fantasmagórico!"

Foto 2 - "...os suportes de ferro dão o ar de um ser inválido amparado por canadianas..."






O Plátano de Portalegre, está grande…mas está velho.
Com 170 anos feitos, possui uma copa de 38 metros de diâmetro, 111 de perímetro e o seu tronco tem 5,90 de perímetro e mais de 30 metros de altura, tendo sido considerada de interesse público em 1939. Possui a maior copa da Península Ibérica. Foi plantado em 1838 pelo botânico Dr. José Maria Grande. Este tempo de Inverno dá-lhe um aspecto fantasmagórico!
O Plátano do Rossio de Portalegre está enorme.
Cresceu muito nestes últimos 50 anos. Estive ao pé dele na passada sexta-feira e senti-me tão pequenino debaixo dele… Talvez tão pequenino como me sentia nos idos anos 60 do século passado quando, ele e eu éramos ambos mais pequenos. Eu ia a caminho do Liceu Nacional de Portalegre e por ali fazia um descanso. É que estando “hospedado” numa casa situada no então chamado Bairro dos Carteiros, lá para as bandas do Seminário, tinha que percorrer 4 vezes diariamente o trajecto entre a minha casa de hospedagem e o Liceu que ficava precisamente no outro extremo da cidade, lá já para os lados da Fábrica da Rolha, depois de subir toda a Rua do Comércio. A Fábrica da Rolha…era certo e sabido – fumo para a cidade era sinal de chuva por perto.
Quantas histórias terá aquele “monumento vivo” para contar… foi ali, debaixo do plátano, que foi fundada a primeira Sede do Sport Club Estrela. Uma placa colocada junto ao seu tronco relembra-no-lo. As rivalidades entre o Sport Clube Estrela e o Desportivo Portalegrense eram demasiado evidentes: o Estrela era dos “pés descalços” e o Desportivo era das elites. Tiveram ambos o mesmo destino desgraçado. Quantos encontros amorosos por ali se terão combinado, quantos negócios de gado, palhas, sei lá mais o quê!
Se ele, plátano, se lembrasse (mas a memória certamente que já o atraiçoa) recordar-se-ia de um rapazinho franzino que nos tais momentos em que por ali descansava, cansado da distância e do peso dos livros, ia reparando nas bonitas mini-saias e nas belas pernas que elas emolduravam. À altura ainda não tinha chegado a abominável moda das calças. Havia poucas e as que havia eram á boca de sino, que tinham a sua piada mas nada que se pudesse comparar a uma mini-saia bem “encorpada”… Esse rapaz franzino, além de olhar atentamente para as mini-saias também olhava com “inveja” para os colegas estudantes que se davam ao luxo de usar uma capa e batina para levarem para o Liceu. Eram a minoria e eu…pertencia à maioria. Mas sempre sonhara em um dia ter uma capa e batina. Fiquei-me pelos sonhos pois que apesar de nunca ter chumbado nos meus estudos – e de ter sido vários anos aluno de quadro de honra que dava direito a isenção do pagamento de propinas - estes não foram além do Liceu, por motivos económicos, e usar capa e batina num emprego, parece que não ligava lá muito bem. Se duvidarem disto, perguntem ao velho plátano.
Lá mais acima, onde se encontra actualmente o Café do Tarro havia uma cascata, linda de morrer! Mas, como diria um meu amigo de nome João Feio, o vil capitalismo, resolveu destruí-la para dar lugar a um vulgar café. Na cascata faziam-se altares pelo Santos Populares adornados por belos bailaricos. Recordação puxa recordação: e o Jardim da Corredoura? Bonito de se ver, com as suas enormes árvores que no Verão escondiam um ou outro namorico mais adiantado que se conseguia arranjar. Sim, porque nos anos 60 do Século passado, também em matéria de namoricos, as coisas não se passavam como agora. Duvidam? Perguntem ao velho plátano! E ele que vos diga se não é verdade que junto ao monumento evocativo dos Combatentes da Grande Guerra, ali mesmo junto dele, eu lá fui uns anos, em pleno Inverno, de calções e manga arregaçada, integrado num grupo da Mocidade Portuguesa a prestar homenagem àqueles que perderam a vida em defesa da Pátria.
Na passada sexta-feira quando me afastei dele tive pena, muita pena. Pena do seu estado de velhice a que os ferros de suporte dão o ar de um ser inválido amparado por canadianas e pena de eu já ser igualmente um velho que, embora sem canadianas, já não consegue ver as lindas mini-saias que se passeavam pelo Rossio ou que passavam a caminho de casa.
Ser velho é uma tristeza, quer se seja um plátano quer se seja um “cota”!

P.S.: É de toda a justiça que fique aqui registado o modo atencioso como fui atendido por dois funcionários da Loja da Robialac que, por coincidência se situa mesmo junto ao Plátano. Profissionalismo e competência ficam bem em todo o lado mas são cada vez mais uma raridade.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

CESTAS DE POESIA ( LII )

O tempo não pára.
Parece que foi ontem que se iniciaram as “Cestas de Poesia” e eis-nos chegados às “Cestas” nº 52. Trocado por miúdos: já fazem um ano. E sempre com a reprodução de Décimas que recolhemos junto dos seus autores, a maior parte deles anónimos poetas esquecidos.. Quando se iniciaram sabíamos que iriam durar algum tempo, não sabendo quanto, mas se calhar menos do que já duraram.
Agora, atingido este patamar, estamos em crer que se aguentarão pelo menos mais um ano. Por aqui passaram já nomes que apetece recordar: JOÃO JOAQUIM CARRILHO, JOAQUIM JOSÉ LOURENÇO, JOÃO ANTÓNIO GUILHERME, ANTÓNIO HENRIQUES, MANUEL DOMINGOS RODRIGUES, JOÃO MOREIRA e presentemente o nosso amigo LUIS PEDRO DUARTE.
Todos avisenses – por afinidades ou nascimentos - e felizmente ainda todos vivos. Para eles os parabéns “DO CASTELO”.
E feita que foi a referência mais que merecida àqueles que tornaram possível este primeiro ano de divulgação de poesia popular, coisa que parecia difícil – e mais difícil já que até agora sempre o foi em décimas, repetimos – vamos ao trabalho de hoje de autoria do já referenciado amigo LUIS PEDRO DUARTE em que nos relata algo que também parece difícil de acontecer…mas que acontece.


Mote:
HÁ DUAS COISAS NO MUNDO
CUSTOSAS DE ENTENDER;
É O PADRE IR PARA O INFERNO
E O CIRURGIÃO MORRER!

I
TEMOS MESMO QUE ACREDITAR
EM TUDO QUE DEUS MANDOU
PORQUE FOI ELE QUE FORMOU
TUDO QUE NOS FAZ PENSAR;
PARA DEPOIS MEDITAR
NUM SENTIMENTO PROFUNDO
NUMA HORA OU NUM SEGUNDO
HAJA AQUILO QUE HOUVER
PARA PODERMOS DIZER
HÁ DUAS COISAS NO MUNDO!

II
ACREDITAMOS QUE É VERDADE
E EM TUDO MAIS QUE SE VISSE
E QUE MAIS SE CONSEGUISSE
NO QUERER DA HUMANIDADE,
FAZER VER A SOCIEDADE
NA CERTEZA DO BEM QUERER
SE ASSIM PUDESSE SER
OU ATÉ SE ASSIM SERÁ
MUITAS MAIS COISAS HÁ
CUSTOSAS DE ENTENDER!

III
LÁ DIZ O VELHO DITADO
TUDO QUE EXISTE FAZ FALTA
ACREDITE OU NÃO A MALTA
TUDO NOS ESTÁ CONFIRMADO,
O EXEMPLO NOS ESTÁ DADO
PARA ASSIM LHE SER SINCERO
MESMO QUE NÃO SEJA ASSIM QUE QUERO
EU DIGO E TENHO RAZÃO
O QUE ME FAZ ADMIRAÇÃO
É O PADRE IR PARA O INFERNO!

IV
ESTÁ ASSIM FORMADA A VIDA
QUER A GENTE QUEIRA OU NÃO
TEMOS QUE ACREDITAR POIS ENTÃO
SEJA CURTA OU COMPRIDA,
POR MAIS QUE ELA SEJA QUERIDA
É AQUILO QUE PODE SER
TEMOS MESMO QUE QUERER
NÃO HÁ QUE COMPARAR
O QUE FAZ ADMIRAR
É O CIRURGIÃO MORRER!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A RESPOSTA DO DIA (de ontem...)

No dia de tomada de posse do 44º Presidente dos Estados Unidos da América, a SIC, no seu programa “Nós por cá”, que vai para o ar entre as 19 e as 20 horas, quis estabelecer paralelos entre a Casa Branca de Washington e a Casa Branca de Sousel, transmitindo desta última uma reportagem televisiva.
Em resposta à pergunta do jornalista, sobre qual o nome do novo Presidente dos Estados Unidos, um habitante de Casa Branca de Sousel, respondeu:
- É o BARRACA ABANA.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"CAFÉ COM LETRAS" É NA ACA

Quinta-feira, 22 de Janeiro, é dia de mais um Café com Letras, como é habitual às 18 horas na Sede dos Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural.
Como convidado estará o Eng.º Joaquim Pífano
que se vai sentir como “abelha no mel” já que o tema deste café será “CONVERSAS À VOLTA DO MEL” e como todos sabemos o Engenheiro é um especialista nesta matéria. Só por motivos de força maior deixarei de estar presente. A notícia aqui fica, para que conste e ninguém diga que não sabia.
Até a si, que nunca vai aos “Cafés com Letras”, aqui lhe deixo um rebuçadinho de puro mel que nos é oferecido pelo Maranhão.
Passe por lá clicando no dito!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

GOSTEI!


Não sou amante da neve ao ponto de me deslocar daqui à Serra da Estrela para a ver. No entanto quando “dou” com ela confesso que me impressiona. O monocromático do solo branco e o contraste do céu azul cria um ambiente convidativo à introspecção.
Foi o que me aconteceu no passado dia 10. Parece que todas as placas indicavam, não a direcção das localidades, mas todas as direcções em que havia neve.
Gostei!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CESTAS DE POESIA ( LI )

LUIS PEDRO DUARTE, sempre que pode, demonstra-nos o respeito que tem pelo SER superior que o domina, um Deus em quem acredita piamente.
Tal fica mais uma vez demonstrado nas seguintes décimas, feitas a partir de uma quadra arranjada à sua maneira:
Mote:
É TÃO BOM SER PEQUENINO
TER PAI TER MÃE TER AVÓS
E TER ESPERANÇA NO DESTINO
E TER QUEM GOSTE DE NÓS

I
APENAS QUE EU NASCI
E ABRI OS OLHOS P’RÓ MUNDO
NUM SENTIMENTO PROFUNDO
FOI ASSIM QUE EU CRESCI,
NUMA ESPERANÇA VIVI
ERA ASSIM O MEU DESTINO
AGRADECER AO DEUS MENINO
PARA O MUNDO CONHECER
PARA DEPOIS PODER DIZER
É TÃO BOM SER PEQUENINO!

II
POR MINHA MÃE FUI EMBALADO
CANTAVA-ME PARA DORMIR
DAVA-ME BEIJOS A SEGUIR
PARA QUE EU ESTIVESSE CALADO,
PARA DORMIR DESCANSADO
OS DOIS FICÁVAMOS SÓS
PARA OS CONTRAS E OS PRÓS
TALVEZ PARA TODA A GENTE
PARA DIZER-NOS CONTENTES
TER PAI TER MÃE TER AVÓS!

III
DEUS DEU-ME DEPOIS DE MAIOR
INTELIGÊNCIA PARA PENSAR
E ASSIM ME DESVIAR
DE TUDO QUE FÔR PIOR;
E PODER ESCOLHER O MELHOR
COM A AJUDA DO DIVINO
SER GRANDE OU SER PEQUENINO
DE DENTRO DO CORAÇÃO
TER UMA FORMA DE EXPRESSÃO
E TER ESPERANÇA NO DESTINO!

IV
PARA SE SABER AVALIAR
O DESTINO QUE NOS CABE
AO NASCER NUNCA SE SABE
O QUE PODEMOS PASSAR;
O SOFRER OU O GOZAR
É UM DESTINO ATROZ
E QUANDO VIVEMOS SÓS
SEM TERMOS QUEM NOS VIGIE
É BOM TERMOS QUEM NOS GUIE
E TER QUEM GOSTE DE NÓS!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

DUAS BOAS NOTÍCIAS

Foto 1: A placa das "cabeçadas" foi retirada.
Foto 2: O Jardim do Mestre já esta "aberto ao público"



Duas boas notícias são sempre duas boas notícias: primeira- a placa das “cabeçadas” foi retirada; segunda- o Jardim do Mestre já está ”aberto ao público”.
Quanto à primeira, é claro que se tratou da mais elementar questão de bom-senso. A placa estava ali mal, tal como estava uma que existiu na confluência da Rua do Outeiro da Saudade com a Rua Machado Santos. Mas faz falta! Há que colocá-la de modo que a informação continue a ser prestada. Ninguém pense no entanto que “DO CASTELO” se arvorará alguma vez a querer ser o responsável pelo facto da placa ter sido retirada. É claro que há coisas muito mais importantes para resolver no nosso concelho e mal (pior) iríamos nós se os nossos governantes locais perdessem tempo com observações casuais como era o caso.
Quanto ao Jardim gosto, se bem que me pareça que as grades lá ao fundo não podem dar muita folga de atenção a quem para ali vá com miúdos pequenos. Parecem-me com intervalos demasiados largos e um perigo eminente para as crianças.
Os primeiros comentários às obras do Jardim já os ouvi hoje. Uma anciã dizia alto e bom som para um adolescente que por ali se encontrava: "Oxalá agora vocêses não escavaquem tudo o que aqui se fez…”
Um poeta popular,
de inspiração repentista diz-me a sorrir:

O Jardim da Meia-Laranja
Está um pouco mal tratado,
Até dá para fazer canja
...Parece um frango depenado!

Quando as árvores cresceram e as folhas se multiplicarem, tudo vai ser diferente. Não consegui responder ao desafio do poeta repentista, mas porque gosto (para já... ) do Jardim tal como está, esforcei-me e eis a resposta que lhe dou:

Mas eu que gosto de canja,
Seja de arroz ou de massa,
Como-a no Meia-Laranja
E convido quem lá passa!

Mas muito mais se vai ouvir dizer. A favor e contra.
Então as pessoas não podem falar? Essa agora!


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

TUDO COMO DANTES...

FOTO: "Alguém ...resolveu escrever e colar numa das tais fiadas...PARTE CABEÇAS!


Reporta-se a 3 de Setembro de 2002, e ao Jornal Aponte, a seguinte notícia que reproduzimos na íntegra:

“Em Avis há que ter cuidado com as

Placas Assassinas

Ninguém duvidará da extrema utilidade que possuem as placas informativas dos pontos mais importantes de uma localidade. No entanto, pelo menos em Avis, as mesmas representam um perigo pelo motivo que passamos a expor.

Algumas delas encontram-se no meio dos passeios e colocadas a uma altura um pouco inferior à cabeça duma pessoa de estatura média, e assim passível de inadvertidamente se embater nelas, como se poderá verificar na foto acima. Pensamos que esta situação se resolveria colocando as placas encostadas às paredes ou retirando aquelas fiadas inferiores que por enquanto nada indicam, ou então, com a colocação de dois suportes de apoio em vez de um. Assim, efectivamente, só lá bateria quem quisesse passar por baixo delas.
A quem de direito deixamos o nosso reparo e insatisfação.”
Uma foto ilustrava esta informação com a presença de uma senhora junto á placa que se encontra nas imediações da Caixa Geral de Depósitos, com a seguinte legenda: Nesta placa já bateram duas pessoas que tiveram que ser suturadas no Centro de Saúde de Avis” – fim de citação

Ora bem, decorridos seis anos a situação mantém-se. Eu próprio já lá bati e só não parti os óculos que foram parar no chão, porque à boa maneira portuguesa, ainda tive sorte. No passado dia 9 deste mês a “maldita” placa fez mais uma vítima, tal como acontecera na semana anterior. A senhora do dia 9 lastimou-se num loja das proximidades, mostrando o hematoma na testa. Quantos haverão que nem se “queixam”?

Alguém com espírito apurado de observação e de crítica assertiva resolveu escrever e colar numa das tais fiadas que lá estão a mais: PARTE CABEÇAS. Efectivamente aquelas fiadas daqui a uns anos poderão servir para indicar, por exemplo, ZONA DESABITADA ou CONJUNTO DE PRÉDIOS DEGRADADOS,lá para as bandas de cima, mas por enquanto também nós concordamos que não se justifica a sua existência. Um papel branco colocado no suporte vertical será para ir assinalando o número de vítimas desta placa?
Será que daria muito trabalho colocá-la noutro local onde se tornasse igualmente eficaz em termos de sinalização mas nada perigosa para os transeuntes?
Resta-nos uma consolação: naqueles dias em que nos encontramos tão deprimidos, mas tão deprimidos, que até nos apetece bater com a cabeça numa parede, olhe não o façamos pois que poderemos estragar a parede… batamos antes com a cabeça na placa!
Vai lá, vai!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

CESTAS DE POESIA ( L )

Já vos tinha chamado a atenção para os sentimentos religiosos que norteam o amigo LUIS PEDRO DUARTE.
Com formação católica e praticante, tal reflete-se em muita da sua poesia, como acontece nas décimas que hoje aqui vos trago:
Mote:
OBRIGADO MEU JESUS
PELO VOSSO GRANDE AMOR
PERDOAI-ME SE FIZ MAL
E AJUDAI-ME A SER MELHOR!

I
SÓ TENHO A AGRADECER
A JESUS SACRAMENTADO
BENDITO SEJA LOUVADO
POR NESTE MUNDO VIVER;
ACREDITO E TENHO QUERER
UMA ESTRELA ME CONDUZ
VOU CUMPRIR A MINHA CRUZ
SEMPRE ATÉ MORRER
PARA ASSIM PODER DIZER
OBRIGADO MEU JESUS!

II
É O DEVER DE UM CRISTÃO
É EM DEUS ACREDITAR
PARA SE CHEGAR AO ALTAR
E RECEBER A COMUNHÃO;
REZAR COM DEVOÇÃO
CONFESSANDO-SE AO PRIOR
QUE REPRESENTA O REDENTOR
REZAR NUNCA É DEMAIS
AGRADECERMOS SEMPRE MAIS
PELO NOSSO GRANDE AMOR!

III
QUANDO O MUNDO SE CRIOU
NO TEMPO DE EVA E ADÃO
FOI DEUS QUE LHE DEU O CONDÃO
E QUE TUDO SE GEROU;
E TUDO MAIS SE PASSOU
DEIXOU DE EXISTIR O MAL
REINAR O BEM ESPIRITUAL
E PERDOAR NOSSOS PECADOS
SE NÃO CUMPRIR ESSES DADOS
PERDOAI-ME SE FIZ MAL!

IV
NO TEMPO DO ANTIGAMENTE
HAVIA MAIS SINCERIDADE
HAVIA ATÉ MAIS BONDADE
NO VIVER DE TODA A GENTE;
HAVIA MAIS HOMEM CRENTE
POIS HAVIA SIM SENHOR
O MUNDO NÃO ERA PIOR
HAVIA MAIS COMPREENSÃO
SE EU NÃO FÔR BOM CRISTÃO
AJUDAI-ME A SER MELHOR!

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

AMIGOS DE AVIS: UM RECOMEÇO DE ACTIVIDADES À ALTURA DOS SEUS PERGAMINHOS

Café com Letras: 08 de Janeiro - RUTE REIMÃO
22 de Janeiro - JOAQUIM PÍFANO

Após um “demasiado longo” período de hibernação, eis que os Amigos do Concelho de Avis – Associação Cultural, recomeçam a sua actividade habitual. Para já, retomarão amanhã, dia 8 de Janeiro, aquela que é uma actividade que já vai no quinto ano consecutivo e que se realiza quinzenalmente, entre Janeiro e Junho: o seu CAFÉ COM LETRAS.
Querendo marcar esta reabertura em força, convidaram nada mais, nada menos, que um “peso pesado” da arte de desenhar na nossa terra: RUTE REIMÃO. A D. Rute dispensa apresentações. O título do tema de conversa também não poderia ser mais expressivo: "DESENHO DE AFECTOS”.
Quem conhece a D. Rute sabe o amor, a dedicação, o afecto que dedica aos seus desenhos. Estão, pois, assim reunidos os ingredientes para que este Café com Letras seja um êxito semelhante a tantos dos anteriores 69 que já realizaram.
Pediu-me a Direcção da ACA para avisar que o frio não se fará sentir na sua Sede a partir das 18 horas de amanhã, pois que além do calor humano haverá aquecedores suficientes para tornar o ambiente ameno.
Ah! As entradas são livres, para sócios e não sócios, e pode sempre beber-se um cafezinho ou um chá bem quente.
De que está à espera para aparecer? Aquela rapaziada da ACA merece ser ajudada, e a sua presença é a ajuda de que eles necessitam para continuar com esta iniciativa e “descobrirem” ainda mais e novas iniciativas de interesse.
(Nota final: o cartaz divulgador do evento será algo parecido com o aqui exibido...mas para melhor. Muito melhor!)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

PIADINHA DE MAU GOSTO...




Novo patrocínio dá vinte milhões de euros por ano ao glorioso.
O SL Benfica anunciou no seu site oficial que irá mudar o seu emblema. Assim, mudará a velhinha águia, pelo elefante do Jumbo.
Desta forma, mostrará a grandeza do clube, as orelhas do presidente e as trombas dos 6 milhões de benfiquistas à segunda-feira.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

CESTAS DE POESIA ( XLIX)

Foto: LUÍS PEDRO DUARTE: "Olhe, é aqui nesta mezinha que à noite faço os meus versos"


Durante o ano de 2009 vamos tentar manter estas “Cestas de Poesia” por quanto tempo conseguirmos e esperemos que seja por muitas mais semanas.
Para poeta dos meses de Janeiro e Fevereiro já nos desenrascámos. O nome do nosso convidado é LUIS PEDRO DUARTE.
LUÍS PEDRO DUARTE,
nasceu em Aldeia Velha de Santa Margarida, concelho de Avis, a 30 de Julho de 1929. Sempre foi trabalhador agrícola por conta de outrem, sendo que o patrão que teve durante os 64 anos em que trabalhou foi sempre o mesmo: o Sr. Joaquim Botas. Só no Monte de Rui Vaz trabalhou durante quarenta anos seguidos. É obra!
Possui a 4ª classe que conseguiu já em adulto, com 25 anos de idade. Desde a mocidade que sente inclinação para a poesia. Na altura começou nas tabernas e bailaricos com cantigas à desgarrada e só mais tarde se dedicou à “arte” de fazer décimas. “Olhe é aqui nesta mesinha que à noite faço os meus versos”, diz-nos enquanto lê um escrito recente. Crente convicto e cristão católico praticante, o Sr. LUIS PEDRO DUARTE dedica grande parte da sua obra a homenagear o Ser Superior que o (nos) rege. No entanto não deixa igualmente de fazer décimas a criticar situações que lhe pareçam menos bem e fá-lo sempre que para isso tenha tema pois que inspiração não lhe falta.
Ora é precisamente por aí que vamos começar, pela crítica.
Depois terão tempo de comprovar o cariz religioso da maioria da sua obra.


Mote:

FAZ-TE CIGANO E VEM
PARA ESTA TERRA MORAR
TENS AQUI AS ENTIDADES
PARA SEMPRE TE APOIAR


I
EM POUCAS TERRAS DEVE HAVER
ONDE HAJA DEMOCRACIA
O QUE SE VÊ TODO O DIA
NÃO DÁ PARA ENTENDER;
NÃO PODEMOS PERCEBER
NEM QUE SE PERGUNTE A QUEM
TODOS DIZEM COM DESDÉM
ACONTECE A UM QUALQUER
SEJA HOMEM OU MULHER
FAZ-TE CIGANO E VEM!


II
ERA MUITO BOM QUE HOUVESSE
NESTA TERRA IGUALDADE
QUE HOUVESSE MENOS FALSIDADE
É O QUE O POVO MERECE
E SEMPRE RAZÃO SE DESSE
O POVO A RECLAMAR
UNS E OUTROS A OLHAR
SEM DAR VONTADE DE RIR
SE ÉS CIGANO PODES VIR
PARA ESTA TERRA MORAR!


III
EU TENHO ANDADO A PENSAR
E COM TRISTEZA E MÁGOA
O CIGANO NÃO PAGA A ÁGUA
E EU TENHO QUE A PAGAR;
AO QUE HAVÍAMOS DE CHEGAR
COM TANTAS DESIGUALDADES
COM TANTAS FACILIDADES
MESMO QUE SEJA MARGINAL
TUDO QUE FAZES NÃO FAZ MAL
TENS AQUI AS ENTIDADES!


IV
ÉS CIGANO OU MARGINAL
NESTA TERRA ÉS RECOLHIDO
TALVEZ ATÉ SEJAS QUERIDO
PORQUE NÃO TE TRATAM MAL;
ODEIA-TE A TI O PESSOAL
QUE TE QUEREM EXPULSAR
QUEREM-TE VER ABALAR
NÃO GOSTAM DE TI, NÃO
MAS ALGUÉM TE DÁ RAZÃO
PARA SEMPRE TE APOIAR

AUTOR: LUÍS PEDRO DUARTE/AVIS

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

PURO MASOQUISMO!

Nunca me apercebi de algo que tenha alterado para melhor com a mudança do ano: termino um a comer passas e inicio o outro a fazer o mesmo. Este ritual repete-se há “n” anos e não passa disto. Este ano teve uma novidade: a minha mulher “descobriu” que dá sorte passar o ano a mexer em dinheiro e, afinal, quem ganhou com a inovação foi a minha miúda que acabou por ficar com mais três notas (das pequenas, claro) para o seu mealheiro.
Mas vamos lá ver se eu consigo explanar de uma maneira minimamente perceptível aquilo que pretendo. Despedimos-nos sempre de um ano com uma louca alegria, igualzinha à alegria com que abrimos os braços a um novo ano. Foi assim na passagem de 2007/2008 e se recuarmos no tempo, sempre assim tem sido. Mas há coisas que eu não compreendo: então se o ano que aí vem, (refiro-me a 2009) sabemos todos de antemão que vai ser pior do que o que passou, porquê recebê-lo com tantas mordomias? Então não vão aumentar as portagens, a electricidade, o pão, os medicamentos, e um rol infinito de bens essenciais? Então 2009 não vai ser um ano em que as mentiras politico/partidárias em busca de um tacho para certos figurões e seus amigos nos vão entupir os ouvidos vezes sem fim? E isso é bom? Não estamos todos fartos de mentiras? Até parece que não. E têm dúvidas que em 2009 vão morrer pessoas que nos estão próximas (porquê não nós próprios?) e outros nossos amigos vão aparecer com novas e preocupantes doenças? Não vamos faltar às velhas promessas de que a partir do ano novo vamos fazer uma vida mais saudável e equilibrada?
E os tiros à meia-noite? Ah! Essa só mesmo para nos fazer lembrar que há muitos caçadores falhados que não conseguindo matar caça, tentam pela passagem do ano matar algum morcego ensonado. Os tiros de pistola que por aí se ouvem, às vezes até parecem que soam a ilegais...
A mim, esta cena, entristece-me sempre pois trazem-me à memória alguns locais onde, àquela precisa hora, se dispara a sério para matar seres humanos. Onde se mata e se é morto.
“Resumindo e concluindo” como costuma dizer um grande meu amigalhaço quando vê que a conversa já está comprida e ainda tem muito para dizer mas necessita de prender o ouvinte: que nos tenhamos despedido de 2008 com um certo alívio ainda se tolera, mas apenas por mero masoquismo se pode celebrar a chegada de um ano que, como o de 2009, se avizinha tão carregado de energias negativas.
Enfim, cada um sabe de si.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E JÁ LÁ VÃO DEZ ANOS!!!!


Faz hoje precisamente dez anos que gozei o meu primeiro dia de Reformado. Lembro-me bem que, imbuído da “parvoíce” que sempre me caracterizou ainda fui ajudar os meus colegas que ficaram, a fazer o fecho do fim de ano. Quem burro nasce…
Queria ter saído do meu emprego de outro modo. Saí de cara erguida e mãos limpas, pela porta principal, com a consciência de quem tudo fez para bem duma Instituição que me pagava o ordenado ao fim do mês. A honestidade foi coisa que me acompanhou durante todos os anos em que trabalhei. Ninguém pode, de boa fé, dizer o contrário. Isso é certo, mas ainda poderia ter dado muito a uma profissão que abracei com gosto e deixei com algum pesar. Não me canso de dizer que o que perdi em dinheiro, o ganhei em saúde: eu já não podia ir para o emprego sem ser a “toque” de comprimidos. Mas porquê? dirão vocês. E eu respondo: pelo mau ambiente que lá se vivia à altura, um misto de inquisição e ditadura onde as pessoas eram espezinhadas sem que se pudesse reagir. Não saí só eu nessa altura: fomos três de uma assentada, o que pode ser, e certamente é, bastante sintomático do mau ambiente de trabalho que reinava.
Curioso este desfazer de contas do meu rosário: os meus superiores hierárquicos directos diziam – as palavras são textuais e são deles - que era preciso “injectar sangue novo”. Atendendo à quantidade de porcaria que fizeram depois da nossa saída, (porcaria é um termo muito leve para o que se passou) das duas uma: ou o sangue injectado não era de qualidade, quiçá fosse daquele que a então ministra da Saúde Leonor Beleza tinha importado já contaminado, ou o sangue velho que ficou conspurcou o bom sangue novo recebido.
Não deixa de ser também curioso certo analogias com o que se passa por cá actualmente em instituições onde o mau ambiente de trabalho leva a uma debandada de elementos ainda muito válidos para defenderem as profissões que escolheram e continuarem a desempenhar com denodo as suas funções. Cuidado com o sangue novo…
Não tem nada a ver com o assunto, mas soube ontem que a D. Ana Rosa, a partir de amanhã se encontra desligada dos Serviços do Centro de Saúde de Avis. Para ela os meus parabéns e votos de que possa desfrutar a Reforma com muita saúde.
E para quase todos vós, reformados ou não, que 2009 seja um Bom Ano e que vos traga muita Saúde e aquilo que mais ambicionarem!
Para o ano a gente fala!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

HÁ COISAS COM QUE EU "ENGALINHO"

Foto: Quando eu "engalinho" é quando... dou de caras com a proibição de ocupar três locais de estacionamento, há várias semanas...



O estacionamento no Largo Sérgio de Castro está por norma preenchido. Vindo do lado da Câmara Municipal, lá vou indo eu devagarinho para ver se descubro um lugar para “me meter”. Nada. Está tudo preenchido o que aceito pacificamente. Quando eu “engalinho” é quando chego ao fundo do referido Largo e dou de caras com a proibição de ocupar três locais de estacionamento, há várias semanas (meses???), conforme a foto acima documenta. Por coincidência – só pode ser por coincidência – nunca vi ali ninguém a trabalhar naquele local. Das duas uma: ou andamos desfasados, o que é mais que certo, ou o serviço é ali feito esporadicamente, não se justificando a permanente proibição de lá se estacionar.
Qualquer dia ainda o Fiat Panda que ali encontrou abrigo, recebe ordem de despejo.
Na esperança de encontrar um lugar na Praça Serpa Pinto, lá continuo devagar, olho para a esquerda vejo tudo cheio e olho para a direita e vejo duas coisas: uma boa e outra péssima. Vou começar pela boa: a escassos vinte metros, há muitos lugares de estacionamento junto da Igreja Matriz. A péssima: um sinal de trânsito proibitivo, autêntica aberração – e não é por estar colocado do lado esquerdo da via…- impede-me que para lá vá em linha recta.
Que não se descesse a Rua de S. Roque ainda vá que não vá, mas cortar o acesso à Igreja Matriz num troço de rua com visibilidade mais que suficiente, dá azo a que eu “engalinhe” de novo.
Você tem razão amigo(a): para a próxima vou a pé, pois se calhar até foi esse o espírito do legislador...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

CESTAS DE POESIA ( XLVIII)

Com a última sexta-feira do ano de 2008 termina o "reinado" do poeta JOÃO MOREIRA que de há três meses a esta parte tem preenchido este espaço dedicado à poesia popular.
As décimas que hoje aqui vos deixo, reproduzem bem o estado de alma de quem as escreveu. A vida por vezes é muito dura para nós e leva-nos antecipadamente pessoas de que muito gostamos. A forma de demonstramos a nosssa dor, a nossa tristeza, pode passar perfeitamente pela feitura de umas décimas.
A obra de JOÃO MOREIRA não fica esgotada, simplesmente queremos é dar voz a outros poetas "esquecidos" do nosso concelho.
Eis pois as décimas a que me referi:
Mote:
ESTÁ FRIO MEU CORAÇÃO
PARA AMAR ELE MORREU
AO AMOR JÁ DIZ QUE NÃO
ESTÁ FAZENDO COMO EU


I
JÁ É UMA CIRCUNSTÂNCIA
JÁ SE ENCONTRA SOZINHO
JÁ NÃO ACEITA CARINHO
JÁ NÃO LIGA IMPORTÂNCIA
JÁ VIVE NA IGNORÂNCIA
JÁ ESQUECEU A AMBIÇÃO
JÁ A MIM ME PEDE PERDÃO
JÁ POR MIM FOI PERDOADO
JÁ O SINTO MUI CANSADO
ESTÁ FRIO MEU CORAÇÃO

II
FOI SEMPRE UM BOM LUTADOR
FOI TRANSIGENTE NA VIDA
FOI DE RELAÇÃO UNIDA
FOI SOLIDÁRIO NO AMOR
FOI UM IMPUNE CUMPRIDOR
FOI ESPERANÇA QUE CEDEU
FOI A OFERTA QUE ME DEU
FOI DOÇURA RECEBIDA
FOI RÁPIDA DESPEDIDA
PARA AMAR ELE MORREU

III
É LÓGICO O SENTIDO
É GRAVE O SEU ESTADO
É POR JÁ NÃO SER AMADO
É AGORA ESQUECIDO
É ASSIM DESILUDIDO
É POR ESTA SITUAÇÃO
É QUE FICA SEM RAZÃO
É ESTA REALIDADE
É AUSÊNCIA DE VONTADE
AO AMOR JÁ DIZ QUE NÃO

IV
SE FOI PELA NATUREZA
SE O QUE DE BOM ABALOU
SE TUDO JÁ SE ACABOU
SE É QUE HÁ A CERTEZA
SE ACEITA A TRISTEZA
SE NADA MAIS TEM DE SEU
SE DE TUDO QUE ERA MEU
SE NÃO TEM ALGO PARA DAR
SE É BOM NÃO MAIS ACORDAR
ESTÁ FAZENDO COMO EU

AUTOR: JOÃO MOREIRA DOS SANTOS/AVIS (2000)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O MEU ÚLTIMO PRESENTE DESTE NATAL

Pensara não deixar por aqui mais nenhuma mensagem, já que o essencial eram os votos de boas festas. Mas, a pensar naqueles que acham que o Pai Natal nunca mais chega e como um modo de passarem melhor e mais depressa o tempo, deixo-vos aqui, como prenda de Natal, este jogo deveras interessante.
É só ir tentado acertar e controlando o tempo. Ora vamos lá, toca a "clicar", primeiro no site abaixo indicado e depois no sapato do jornalista. E...boa pontaria:
http://bushbash.flashgressive.de/

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

OS DESEJOS "DO CASTELO"

A minha certeza.

Se o Natal traz esperança
Num mundo com igualdade,
O Natal é da criança
Sem ter limite de idade!

Os meus desejos:


Paz, amor, fraternidade
É mesmo assim que eu o vejo:
Meus amigos de verdade,
Bom Natal eu vos desejo!


A minha oferta:


http://www.youtube.com/watch?v=NF7IOlIjgBY

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

CESTAS DE POESIA ( XLVII)

JOÃO MOREIRA tem dias em que se sente mais deprimido. Por vezes pressente até coisas que não são assim tão evidentes, como aconteceu em 2006.
Ora leiam por favor:

Mote:
A FINAL ESTÁ CHEGANDO
SEM A TER RERQUESITADO
POR ELA ESTOU ESPERANDO
MAS NÃO É DO MEU AGRADO


I
UMA VIAGEM SEM MARCAÇÃO
QUALQUER DIA DÁ CHEGADA
NÃO SERÁ ANUNCIADA
VEM EM QUALQUER OCASIÃO
NUMA ENORME COMPAIXÃO
FICAM OS NOSSOS CHORANDO
ETERNAMENTE REZANDO
POR ALMA DE QUEM VAI PARTIR
QUEM PARTE NÃO VOLTA A VIR
A FINAL ESTÁ CHEGANDO!

II
QUANDO A VIDA DÁ O FIM
MESMO SEM SER DESEJADO
É UM ACTO CONSUMADO
DOLOROSO, MAS É ASSIM
TANTO FAZ SER BOM OU RUIM
SEJA BEM OU MAL FORMADO
QUANDO É JÁ UM FINADO
VAI PARA DEBAIXO DO CHÃO
A MORADA É SOLIDÃO
SEM A TER REQUESITADO

III
NUMA TRISTE EVIDÊNCIA
A MALDITA APARECE
DE NINGUÉM ELA ESQUECE
ATACA COM VIOLÊNCIA,
EMBORA COM ASSISTÊNCIA
QUE A GENTE VÁ LUTANDO
ELA SEMPRE SAI GANHANDO
LEVA-NOS SEM PASSAPORTE
ESSA HORROROSA MORTE
POR ELA ESTOU ESPERANDO

IV
NINGUÉM DEVE AFIANÇAR
QUE A VIDA É SEGURA
QUANTO TEMPO ELA DURA
DE QUE MODO VAI TERMINAR
A MUITA GENTE VAI CALHAR
O RUMO AO MESMO LADO
SE NATURAL OU FORÇADO
TODOS VIVENTES TÊM UM FIM
O MESMO SERÁ PARA MIM
MAS NÃO É DO MEU AGRADO!

AUTOR: JOÃO MOREIRA DOS SANTOS/AVIS (2006)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

TIREM-ME DESTE FILME!

Já o ano passado por aqui deixei expresso o quanto me aborrece esta época de Natal, feito de tanto fingimento e de tanto consumismo. O meu Natal é/foi outro em que as pessoas e os sentimentos eram muito mais puros, em que o Natal não se resumia a uma época de compra de prendas. Confesso que às vezes até me “doem” os ouvidos ao ouvir dizer a pessoas que sei não “entrarem muito na minha carruagem” : Tenha um Feliz Natal e um Bom Ano Novo...
Mas em relação ao consumismo passo a transcrever-vos uma pequena brincadeira que fiz com o Comércio Local. Se me esqueci de mencionar algum lugar onde se possam fazer compras natalícias, das duas uma: ou foi porque me esqueci, ou foi por desconhecimento, ou foi porque…já não aguentei mais!
TIREM-ME DESTE FILME!

Estas compras de Natal,
Este enorme frenesim,
Ainda me acabam mal
Pois vão dar cabo de mim

Detesto esta correria
Deste tempo de Natal,
Vejam que fiz num só dia
Cá no COMÉRCIO LOCAL

Comecei na LOJA GI
Por comprar uns rebuçados
Na FARMÁCIA, logo ali,
Remédio p’ra constipados

Época de consumismo
Redobra-nos o trabalho
Na LOJA DE NATURISMO
Comprei as pílulas de alho

Digo mal à minha vida
E entro em louca correria
Aproveito e vou à GUIDA
E ainda à SAPATARIA

INFORMATICAVISENSE
Um GPS vou comprar:
Não quero que alguém pense
Que os quero discriminar…

O que é que mais aqui fica?
Tento-me eu orientar
Corro à CASA DO BENFICA:
Um cachecol lá fui buscar

Já exausto, que aflição,
Sentindo-me todo roto
Na BITA compro um fogão
Depois meto o TOTOLOTO

Espirro milhões de vezes
Protesto e digo: Irra!
Vou à LOJA DOS CHINESES
E depois entro na BIRRA

Por ficar ali à mão
E ter pouco que esperar,
Lá na LOJA DO JOÃO
Uma bóia vou comprar

Quem é que a mim me diria
Que p’los meus próprios meios
Iria à OURIVESARIA
Logo depois aos CORREIOS?

Não tenho coração que preste
O que eu sou e o que fui:
Fui á loja da CELESTE
E depois à do SENHOR RUI!


Já não anda nem desanda
Este meu corpo mortiço,
Vou à LOJA DA FERNANDA
Mas eu já nem dou por isso!

Ao entrar na Serpa Pinto
Ponho-me a olhar e sismo:
Hei-de fazer o que sinto:
Vou ao POSTO DE TURISMO

Pareço desfalecer
P’ra arranjar algum fulgor,
Bebo uma bica a correr
No CAFÉ DA LEONOR

Agora é só prosseguir
…Descida vertiginosa:
MAR DE IDEIAS a seguir
Depois… MARIA VAIDOSA

Na TERESA DA NOÉMIA
Compro e saio de fugida,
Se não ando na boémia…
SABORES DE AVIS de seguida!

Tenho tanto que fazer
Que nem por sonhos preguiço;
Entro e saio a correr
Na loja da MARI’RIÇO

Sempre a correr pois então
Um maluco eu pareço:
Depois de ir à AVISPÃO
Corro para o MINI-PREÇO!


MINI MERCADO TRAQUINAS
Tenho já que lá passar
Compro prendas p’rás meninas
E depois toca a andar

Já na Zona Industrial
A boca a saber-me a fel,
Maldizendo este Natal
Vou à LOJA DO CHAMBEL

Pareço uma menina,
Até me tremem os dentes,
Na LOJA DA MARCELINA
Compro um limpador de lentes

Foi lá no JORGE TRAQUINAS
Que comprei neste Natal,
Umas das prendas mais finas:
A moldura digital!

Coxeando já dum pé
Vou abalando de vez
Passo na loja que é
Da BÁRBARA GARCEZ

Agora dói-me um joelho,
Que não faz nada o meu jeito,
Na ANABELA COELHO
Comprei um blusão perfeito

Volto p’ra vila enfim
Pensando ir descansar,
Na loja do ZÉ JOAQUIM
Acabo por me sentar

Embora seja demais
Quero cumprir meu fadário:
Na LOJA DOS ANIMAIS
Hei-de comprar um canário!

Vem-me à ideia e …zás!
Abalo de novo a fugir:
SAPATARIA LILÁS
É onde eu tenho que ir

Para fazer mais comprinhas
Já me estava esquecendo
Da dona ANA GARRINHAS
É p’ra lá que vou correndo

Não sendo aquilo que quis,
Pois meu sonho era bombeiro,
Vou à EXTINTOR AVIS
E compro um fato porreiro

Mesmo ao virar da esquina
Compro azevias quentinhas
Na LOJA DA JOAQUINA
Onde são muito tenrinhas

Sinto-me pior da gripe
Mas agora tanto faz
Vou à do PEDRO FILIPE
P’ra comprar um camping gaz

- Rapaz, tu és um dos duros!
Profiro assim, pois então:
Ali na Rua dos Muros
Vou à MARIA JOÃO

Depois cheira-me tão bem
Que procuro com ardor,
E vou onde o cheiro vem:
À Loja da AVIS FLÔR

Mas os presentes são tantos
Que a coisa já não encaixa:
Falta-me visitar os BANCOS
A que também chamam CAIXA

Com frio nos “interiores”
Fui a correr à SAUDADE
Comprar um ramo de flores
Para morrer á vontade

- Agora me lembro, c’o a breca!
Esqueci-me d’ir a um lado:
Faltou-me a BIBLIOTECA
Vou fugir mais um bocado!

Entrando na “desportiva”
P’ra que coma e aproveite,
Entrei na COOPERATIVA
Levei uns litros de azeite

E sempre, sempre a correr
Chego a casa tão cansado
Ansioso por fazer
Um repouso descansado!

Minha mulher não sabendo
Destes meus preparativos
“Malandreca”, vai dizendo:
- Trouxeste os preservativos?

Se correr mais não aguento
Quanto mais ir copular…
- Mulher, dá-me o mantimento
E deixa-me ir já deitar!

Mas ela por não saber
Como eu detesto o Natal
Acaba por me dizer
Mais uma ordem final:

- Vens com cara de fuinha
Para baixares o cabelo,
Vai-te meter na carrinha
Para irmos ao MODELO…


*********************************
Devo de ter desmaiado
E enquanto isto não mude,
Quero ficar internado
Lá no
CENTRO DE SAÚDE!

domingo, 14 de dezembro de 2008

AMIGOS DE AVIZ ORGANIZAM JANTAR DE NATAL

Realiza-se no próximo Sábado, dia 20 de Dezembro, o Jantar de Natal da Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural, no Salão da Junta de Freguesia de Ervedal, a partir das 20 horas. Os interessados ainda estão a tempo de se inscreverem junto de qualquer responsável da ACA ou através do mail: acavis@sapo.pt, segundo informação que foi facultada a “DO CASTELO”
Não deixa de ser interessante como é que uma Associação de cariz cultural, consegue juntar num são convívio, alguns dos seus associados e respectivos familiares directos – consta-se que já há mais de 60 inscrições - num jantar de Natal, a pagar, quando há cá na terra Instituições em que os “trabalhadores/colegas”, sendo poucos e a cumprimentarem-se (?) diariamente, não conseguem transpor o espírito natalício para actos concretos como seja um jantar de Natal.
Às vezes até parece que quanto mais se bate com a mão no peito a fazer o sinal da cruz ou o “mea culpa” do Acto de Contrição, mais perto se está do demónio, e mais se consegue “infernizar” a vida dos outros.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Concurso de Fotografia: "BARRAGEM DO MARANHÃO - UMA PAISAGEM, UM POVO"

Foto 1 - "PASTOREANDO" - 1º PRÉMIO
Foto 2 - PAINEL DAS FOTOS DISTINGUIDAS



Realizou-se ontem, cerca das 18 horas, no Museu Municipal de Avis, com a presença do Sr. Presidente da Câmara, do Sr. Vereador do Pelouro da Cultura e alguns dos participantes, a divulgação das fotografias concorrentes ao concurso respeitante aos 50 anos da Barragem do Maranhão cujo tema era: “BARRAGEM DO MARANHÃO – UMA PAISAGEM, UM POVO”, iniciativa do Município local. Os dezoito concorrentes participantes (amadores e profissionais) conseguiram obter uma quantidade de fotografias impressionantes de belezas e oportunidades. Não deve ter sido tarefa fácil para o júri escolher entre tanta qualidade, aquelas que consideraram merecedoras de distinção.
Para que conste fica a lista do nome dos premiados:

PRÉMIOS:

1º - FERNANDO MÁXIMO
2º - ANA MARTINS
3º - DINIS MUACHO

MENÇÕES HONROSAS:

ANA GRILO
ANTÓNIO CALHAU
LUÍS TEIXEIRA
FERNANDO BATISTA
FRANCISCO MARTINS
SÉRGIO PEREIRA


Se gosta de fotografia passe pelo museu e aprecie as belezas da nossa Barragem vistas por objectivas diferentes da sua.
Como referi deve ter sido difícil escolher qual a melhor foto. Por mim, acho que havia fotos muito mais agradáveis à vista do que a vencedora. Mas, é bom não esquecer que havia um tema base para este concurso e passo a chamar a atenção para pormenores da foto vencedora (à qual tive acesso) que decerto influenciaram a decisão do júri.
Reparemos:
Desde logo um Povo (Pastor) que retira algum proveito da Barragem, pois é ali nas margens da Barragem do Maranhão que à altura havia pastagens para a suas ovelhas. Lá ao fundo o que foi a Fábrica do Tomate – SULEI – que laborava 24 horas por dia, em épocas de campanha, na transformação do tomate plantado, crescido e regado nas margens da Barragem e com água desta, dando trabalho a muito “povo” do nosso concelho. Mais perto o que resta do Restaurante o Retiro da Ponte – por ali passaram milhares de visitantes para satisfazerem os estômagos, depois de se terem extasiado com as belezas da nossa Barragem, deixando aqui alguma riqueza. A ponte: paisagem alterada por força da existência das águas da Barragem. À direita (vê-se por baixo da ponte) a casa do Sr. Borges, com vista privilegiada sobre a vila, local paradisíaco sobranceiro à Barragem, que pesou certamente na sua construção naquele local. Aqui mais perto a existência de uma bomba de água que retira ainda o precioso líquido para regar o olival que não se vendo na foto, existe e por certo ali foi plantado por força da existência da Barragem e da sua água que está tão perto. Por fim, tudo “misturado” traduz-nos aquilo o que é a “BARRAGEM DO MARANHÃO – UMA PAISAGEM, UM POVO”.
Estas são as razões que me levam a pensar que o Júri optou por esta e não por qualquer das outras magníficas fotos submetidas a concurso.
“DO CASTELO” dirige parabéns a todos os concorrentes e à Edilidade, por esta iniciativa.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

CESTAS DE POESIA (XLVI)

De convicções políticas bem definidas, JOÃO MOREIRA escreveu em 2005 as décimas que hoje preenchem esta "Cesta de Poesia".



Mote:
VASCO GONÇALVES MORREU
E TAMBÉM ÁLVARO CUNHAL
ESSE DUO QUE MUITO DEU
PARA LIBERTAR PORTUGAL


I
PARTIRAM NA MESMA ALTURA
LEVARAM CONSIGO A GLÓRIA
DEIXARAM CÁ UMA VITÓRIA
A DERROTA DA DITADURA
ACABARAM COM A CENSURA
MUITO DE BOM ACONTECEU
FOI ABRIL QUE NOS OFERECEU
MERECIDA DEMOCRACIA
MAS AGORA CHEGOU O DIA
VASCO GONÇALVES MORREU

II
CUNHAL GRANDE ESTADISTA
EM CAXIAS PRISIONEIRO
SEM ARMAS FOI GUERREIRO
UM GRANDE ATI-FACHISTA
NA PINTURA FOI ARTISTA
FOI ESCRITOR MONUMENTAL
UM GRANDE INTELECTUAL
COMO ELE MUITOS FICARAM
MAS ALGUNS JÁ NOS DEIXARAM
E TAMBÉM ÁLVARO CUNHAL

III
SOARES REFERENCIADO
TAMBÉM ELE GRANDE LUTADOR
NO ESTRANGEIRO PROFESSOR
EM CONDIÇÃO DE EXILADO
LUTOU CONTRA O NOVO ESTADO
ESSA LUTA TAMBÉM VENCEU
A ESPERANÇA APARECEU
QUE SE VEIO A CONCRETIZAR
É NOSSO DEVER ELOGIAR
ESSE DUO QUE MUITO DEU

IV
GENERAL HUMBERTO DELGADO
EM ESPANHA O MATARAM
OS PIDES O ASSASSINARAM
FOI HOMICIDIO CONSUMADO
NÃO FICOU ASSIM TERMINADO
O REPRESSOR ERA ESTATAL
MAS FOI REPRIMIDO AFINAL
COM A AJUDA DOS CAPITÃES
IMPUSERAM DETERMINAÕES
PARA LIBERTAR PORTUGAL

AUTOR: JOÃO MOREIRA DOS SANTOS/AVIS (2005)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

AVIS EM ALTA!

O Alentejo Popular é um jornal on-line que pode ler aqui: http://www.alentejopopular.pt/
Na sua página de “Vozes” aparece um cartoon subscrito por alguém que se intitula de “AvizRara”. Não sei quem é mas não é muito difícil depreender pelo nome com que se subscreve que se trata de alguém ligado a Avis moderno ou a Aviz antigo.
Seja quem for, para ele(a) os parabéns "DO CASTELO" pela imaginação e sentido crítico demonstrado e creia que continuarei a apreciá-lo(a) em: http://www.alentejopopular.pt/vozes.asp

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A BIBLIOTECA MUNICIPAL DE AVIS TEM...

Foto: "...a Biblioteca Municipal de Avis tem...a prenda ideal para oferecer neste Natal - um LIVRO..."




É isso mesmo: a Biblioteca Municipal de Avis tem aquilo que você tanto tem procurado: a prenda ideal para oferecer neste Natal – um LIVRO ao seu gosto e a preços de feira. Alguns têm descontos de 10% em relação ao preço de capa. Poderá ser pura técnica de venda, mas as senhoras da Biblioteca asseguram-me que os preços são iguais ou inferiores aos do Modelo. A mim convenceram-me!
Numa iniciativa que irá decorrer até dia 29 do corrente mês de Dezembro, ali poderá encontrar autores com estilos de escrita tão diferentes como os conhecidos José Saramago, Agustina Bessa Luís, José Luís Peixoto ou menos conhecidos como Catarina Pereira Araújo e temas tão diversos como a vida de Tony Carreira ou de Fidel Castro, romances variados, muitos livros infantis, etc. etc. etc. (Acho que o que você procura se insere nestes do etc. etc. etc….)
“DO CASTELO” regista com agrado este acontecimento e endereça parabéns à D. Helena, à D. Dulcínia e à D. Vitória Maria
(boas melhoras para si, D. Vitória) pelo apego que estão a dedicar a esta iniciativa, como é aliás apanágio em todas as actividades que à “sua/nossa” biblioteca digam respeito.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O JARDIM DO MESTRE: POIS É!

Foto: "Na passada sexta-feira, as obras ficaram como a foto documenta."

Pois é: continuo convencido que o nosso Jardim do Mestre vai ficar muito a ganhar com as obras de remodelação.
Na passada sexta-feira, as obras ficaram como a foto documenta.

sábado, 6 de dezembro de 2008

AVIS EM ALTA!


Estas coisas acontecem.
Recebi um mail vindo da Bélgica que me falava nesta exposição de Orlando Junça. Nós (pelo menos eu) por cá, desconhecíamo-la. Mas quem é Orlando Junça? Pois Orlando Junca é nem mais nem menos que o Presidente da Assembleia-geral da Amigos do Concelho de Avis – Associação Cultural.
Possuiu até há pouco tempo uma casa de habitação na parte histórica de Avis, mais precisamente na Rua dos Calados e é Comendador da Ordem Militar de Avis.
Dado que não consegui colocar o anúncio/convite da exposição com possibilidade de se ampliar e se poder ler, passo a transcrevê-lo:
“ Convite do Director do Espaço Restelo, para a inauguração da exposição de aguarelas DE ONTEM E DE HOJE… de Orlando Junca, nas suas instalações na Rua Dom Francisco de Almeida, Nº 8, ao Restelo, que terá lugar no próximo dia 4 de Dezembro de 2008, quinta-feira, entre as 18 e as 19,30horas.
Esta exposição pode ser visitada até dia 31 de Janeiro de 2009, nos dias úteis, das 10.00 ás 18.00 horas.”
Para o amigo Orlando Junca, “DO CASTELO” endereça sinceros parabéns por mais esta exposição e a si, se tiver oportunidade, peço-lhe que faça o favor de a visitar.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CESTAS DE POESIA (XLV)

O convidado das "Cestas de Poesia" do mês de Dezembro vai ser ainda o nosso amigo JOÃO MOREIRA. A sua obra é imensa e por isso merece que lhe dediquemos mais um mês.
Um poeta canta amores e desamores, pois então o amigo João diz-nos o seguinte numas décimas que fez - imagine-se! - em ... 1952:
Mote
PARABÉNS E SENTIMENTOS
TUDO JUNTO TE VOU DAR
PARABÉNS EM TEUS LAMENTOS
E SENTIMENTOS DE CASAR

I
ESQUECESTE O PASSADO
COM CERTA INGRATIDÃO
MUDASTE DE OPINIÃO
JÁ TENS OUTRO A TEU LADO
QUERES MUDAR DE ESTADO
DERAM-ME CONHECIMENTOS
OS TEUS FRACOS PENSAMENTOS
SERÃO CONHECIDOS NO FIM
E SÃO ENVIADOS POR MIM
PARABÉNS E SENTIMENTOS

II
DE CERTO ESTÁS LEMBRADA
DESSES TEMPOS QUE JÁ LÁ VÃO
EM TODA A OCASIÃO
POR MIM ESRAS DESEJADA
COMO SENDOS UMA FADA
QUE PRETENDIA ADORAR
HOJE RESTA-ME O PENSAR
NO QUE FORAM ESPERANÇAS
FELIZ SORTE E LEMBRANÇAS
TUDO JUNTO TE VOU DAR

III
POR LONGE ESTAR VIVENDO
NÃO QUERIA CAREDITAR
NO QUE SE ESTÁ A PASSAR
MAS DE MAL NADA PRETENDO
ESTOU DAQUI ESCREVENDO
SEM TER ARREPENDIMENTOS
ESSE TÃO DOCES MOMENTOS
EM QUE SENTIMOS CALORES
NÃO TE QUERO DAR LOUVORES
PARABÉNS DE TEUS LAMENTOS

IV
POR TI SEREI ESQUECIDO
MAS SE FORES MULHER LEAL
DEVES TU CONTAR AFINAL
O PASSADO AO MARIDO
COM TODO O BOM SENTIDO
E EM CERTO PARTICULAR
QUAL O PRIMEIRO A CHEGAR
ONDE TU SABES E EU SEI
É POR ISSO QUE TE DIREI
E SENTIMENTOS DE CASAR

AUTOR: JOÃO MOREIRA DOS SANTOS/AVIS (1 952)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

AVIS EM ALTA!


O Jornal “Correio da Manhã” já o tinha publicitado na página 11 da sua secção de anúncios na edição de domingo, dia 23 de Novembro: nos 19ºs Jogos Florais da Freguesia da Ameixoeira, em Lisboa, um avisense foi distinguido com uma Menção Honrosa na modalidade de Conto, sendo que não foi atribuído o 1º Prémio que, a acontecer, teria “atirado” o nosso conterrâneo para o pódio. O tema proposto pela organização dos Jogos Florais foi: “O OUTONO" e a distribuição de prémios ocorreu no passado sábado, tendo mais uma vez sido dito alto e bom som o nome de Avis.
“DO CASTELO” teve acesso ao conto e deixa-o aqui reproduzido, para o partilhar com quem goste de ler.
Façam favor de se servir.

TITULO: OUTONO

O Dr. Gonçalves observa Amélia em princípios de Outubro e a conversa do médico é sempre a mesma coisa:

- Temos que ter cuidado com o Outono. É uma altura terrível…as defesas estão mais frágeis…ficamos todos mais vulneráveis…
Amélia já sabe esta conversa de cor. Também já sabe que tem de reforçar a dose de Cipralex, ou não vivesse ela com esta depressão desde a morte de seu pai.
Atrás das janelas do monte, Amélia desvia com cuidado a cortina rendada feita por sua avó. Espreita para o exterior e vê como as folhas já estão amarelecidas nos enormes plátanos que ladeiam o caminho de terra batida que se estende lá desde o fundo, junto à estrada de alcatrão, até ao monte. Este tinha um nome de que gostava particularmente: “O meu sonho”. Foi-lhe posto pelo avô. Ali naquele rincão de terra quase extrema entre um Alentejo que se estende por enormes pradarias e a Beira que já por ali deixa antever as suas enormes serranias, o avô Tomás construíra o seu sonho, que agora Amélia desfrutava, relembrando, da janela do seu quarto. Via lá ao fundo do lado esquerdo a mancha de castanheiros frondosos que estendendo-se encosta acima, abasteciam de castanhas não só a sua casa como dava para oferecer uns magustos àqueles que lhes pedissem. Na zona mais baixa do terreno, ficava a horta onde se criava de tudo um pouco: couves, abóboras e mogangos que agora já estavam colocadas em cima das paredes para apanharem o sol fugidio do dia e o frio das noites para “encascarem”, como lhe ensinaram. A horta dava milheirais enormes, que nesta altura do ano deviam de serem colhidos antes que as mengengras debicassem as maçarocas para comerem os bagos com os seus fortes bicos pontiagudos. A horta, regada pelo Ribeiro Galego que corria ao cimo, era um paraíso.
Amélia estava triste, já não gostava de nada e não gostava particularmente do Outono. Já vimos porquê: por causa das depressões que teimosamente a torturavam e que se tornavam mais penosas de suportar à medida que relembrava, uma e outra vez o passado. Parecia masoquismo. Aquela era mais uma tarde de tortura e sofrimento. Poderia pensar-se que gostava de se martirizar, mas era da própria doença. Olhando os campos ressequidos por uma seca que este ano teimava em prolongar-se, Amélia via como a terra estava gretada pelo vento frio. Mais gretada que a sua pele, mais que a sua alma. Antigamente não era assim: começava a chover por alturas do S. Mateus e a bendita água só deixava de cair lá para os princípios de Fevereiro. Sempre a chover, sempre! Mas tudo mudou. Dizem que foi por culpa do Homem. Não por culpa dela, Amélia, que nada fizera para que isto acontecesse. Sorri vagamente ao recordar que quando vinham as primeiras águas, o irmão mais novo, o José, ia logo à horta ver de bichinhos que retirava do interior das canas dos milhos para armar as esparrelas onde os piscos, por fome ou curiosidade, acabavam por ficar presos. Quando já não havia bichos, então recorria a azeitonas pretas, como isco. Até tordos apanhava. Ela não gostava que o mano fizesse mal aos pássaros, mas enfim, ele era rapaz e ela desculpava-o. Um dia haveria de mudar. E efectivamente mudou. Pois se tudo muda…Lembra-se de repente, num assalto de recordações mais ou menos tumultuosas, que também era pelo Outono que, depois de caírem as primeiras chuvadas, quando as terras ficavam prenhes de água e sempre que a seguir aparecia um solinho quente, as formigas de asa saíam dos seus buraquinhos e se punham a voar. Cansadas, muitas delas acabavam por ir cair nos ribeiros e nessas alturas era certo e sabido que o pai, com uma cana da Índia onde atara um fio de coco com um anzol e um isco, apanhava peixe com fartura ali no Ribeiro Galego, que nessa época ainda levava alguma água e estava cheio de pegos fundos. Depois a Mãe, que Deus a tenha lá em descanso, fazia uma sopa de peixe deliciosa, com muito poejo, que ela nunca mais comeu depois que essa santa desapareceu. Não compreendia porque é que as formigas de asa depois do primeiro voo, cortavam as asas com as suas próprias mandíbulas. Matavam-se a elas próprias. Seria por ser Outono? Não tinha resposta para essa dúvida.
Amélia repara agora nas enormes romãzeiras que ficam ali mesmo junto à casa. Estão carregadas. Também já são muito velhas. Se calhar tão velhas como ela. Mesmo assim cumprem perfeitamente a sua função: dão grandes e sumarentas romãs, tal como os marmeleiros que rodeiam a horta dão enormes marmelos. As folhas destes já lhe caíram, mas os marmelos, amarelinhos lá estão à espera que alguém os colha e faça umas taças de marmelada ou simplesmente os cozam e comam com um pouco de açúcar. Igualmente sem folhas mas carregadinhos, estão os dois diospireiros que, não desfazendo, davam os melhores diospiros que havia nas redondezas: não travavam nada a boca. Logo à tarde iria pedir ao marido que lhe colhesse umas romãs e uns marmelos para ela provar. Se tivesse vontade haveria até de comer um diospiro…
Amélia sente sono. Efeitos dos antidepressivos. Mas hoje, não sabe porquê, não quer adormecer. Hoje vai ser mais forte que os comprimidos. Quer mais que nunca reviver uma vida que foi sua mas que o tempo tão rapidamente gastou. Fixa a mancha amarela-
-encarniçada dos castanheiros e prossegue na sua saga de recordações e de martírio…
….No Outono as castanhas caíam dos castanheiros, mas muitas delas não saíam dos ouriços. Para as apanhar, havia que arranjar um pequeno pau em forma de martelo para com ele bater nos ouriços e assim as castanhas saírem e depois serem juntas dentro das cestas de vime que o Ti Zé da Lola fazia e vendia. Uma vez cheias, as cestas eram despejadas para sacas, que depois de atadas eram transportadas pelos dois burros que o pai tinha. Por cima da albarda, uma saca de cada lado, atadas com duas cordas cruzadas e ainda mais uma saca em cima. E os burritos lá seguiam carregados, por um carreiro mau de andar, a caminho de casa. Ali, as castanhas eram descarregadas e colocadas a secar numa dependência própria da casa, denominada de “secadeiro”. Amélia abre a boca num bocejo sonolento mas reage e não dorme, não pode dormir: lembra-se tão bem…por baixo das telhas do secadeiro, havia um segundo tecto formado por ripas, separadas entre si por uma distância suficientemente curta para que as castanhas não caíssem de ali abaixo, pois era para lá que o seu avô, o seu pai e sabe lá já a Amélia mais quem, as transportavam de seguida carregadas às costas e subindo uma escada de acesso bastante aprumada. No chão era feito um lume que ficava a arder todo o dia e que de noite se mantinha aceso até se acabar a lenha. O lume mudava de local no lajeado, correndo os quatro cantos da casa e o meio, sendo que todos os dias as castanhas eram mexidas lá em cima com uma grande pá de madeira. Assim, a pouco e pouco, elas iam secando lentamente e transformavam-se nas deliciosas castanhas secas ou piladas. Mas uma vez secas, havia que as descascar. Amélia sabe como era. Amélia sabe e recorda com emoção esses momentos. É por isso que não pode dormir…quer viver. Relembra que, por ser muito arrapazada em gaiata, ainda pisou castanhas – uma só vez. Para descascar as castanhas, a coisa passava-se assim: um pau grosso era colocado horizontalmente em cima de dois apoios que mais não eram que dois troncos colocados em forma de xis. O pau horizontal situava-se a uma altura um pouco superior à altura da cintura. Era aí que se iriam apoiar como garras, as mãos calejadas de outras lides agora viradas para a descasca da castanha. Estas, vindas do secadeiro já devidamente secas, eram colocadas dentro de uns cestos feitos de vergas de cana em que, a uma boca larga se seguia uma zona mais bojuda, arredondada. Os homens entravam então para dentro dos cestos e com as botas cardadas, iam saltando em cima das castanhas, servindo-se, para se impulsionar, do apoio que faziam com as mãos no tal barrote colocado horizontalmente à altura da cintura. Pisavam e repisavam sentindo que a cada salto, debaixo das suas botas, havia castanhas que iam perdendo a casca. De tanto pisada, a casca transformava-se em “moinha”. Havia que separá-la das castanhas. Então era pegar nos cestos pelas asas e abaná-los em semicírculos, ora para a esquerda ora para a direita, de modo que a “moinha” fosse caindo para o chão pelas frestas das vergas da cana, ficando algumas castanhas já completamente descascadas. Mas não todas. Por isso repetia-se a operação uma e outra vez, tantas até as castanhas ficarem todas limpas. Manel Galapito, que Deus tenha, fora um dos melhores e mais rijos pisadores de castanhas. Tinha força até mais não. Certa vez a gaiata Amélia-Maria-Rapaz quis experimentar e ele fez-lhe a vontade. As pernas delgadinhas dentro de umas botas de borracha demasiado largas para elas, foram largadas para dentro de um cesto. Amélia lembra-se bem: mal chegava ao pau de apoio, pulou duas ou três vezes, cansou-se e depois disse para o Manuel Galapito: - Ó ti Manel, isto é um trabalho muito duro…
Manuel Galapito que era mais de trabalho do que de falas, apesar de tudo sorriu, segurou-a por baixo dos braços, tirou-a de dentro do cesto e respondeu-lhe enquanto a colocava no chão:
- É para que saibas…
Ti Manel Galapito suicidou-se no Outono do ano seguinte a este episódio. Vá lá saber-se porquê…talvez por ser Outono e por nesta altura as pessoas dizerem que a queda da folha é uma época difícil de atravessar. Ti Manel não a conseguiu atravessar.
O fraco sol outonal, entretanto rodara mais um pouco e a sala ficou mais aquecida. Amélia sentiu uma sonolência mais forte e ia começar a dormir quando a sua filha Joana, que morava ali perto a veio despertar desse adormecimento.
- Mãe, trago-lhe aqui uma coisa de que gosta muito…
- Já não gosto de nada, filha. É Outono e parece que nesta altura ainda me sinto pior, mais agarrada a um passado que sei não poder voltar a viver, mas que teimosamente me massacra. Estou doente minha filha. O Outono só tem coisas más…
- Calma mãe. Não é assim. Não é que eu não goste de a ouvir contar as suas experiências do campo vividas por esta altura do ano, mas a mãe já mas contou tantas vezes que hoje quero ser eu a falar consigo. Está bem?
- Mas o que é que aí me trazes?
-Calma mãe, vamos falar um pouco. Melhor, vai-me escutar um pouco, está bem?
-Fala,
disse Amélia um pouco incomodada mas simultaneamente curiosa por saber o que a filha lhe ia dizer.
- A mãe martiriza-se com as suas recordações, os seus medos, os seus fantasmas que cada Outono lhe traz. Vou-lhe dar dois ou três exemplos de situações de que se a mãe se lembrasse, veria que o Outono não é assim tão cinzento como a mãe o pinta. Então diga-me lá uma coisa: a mãe sabe quando é que nasceu o seu primeiro neto? Foi no Outono, a 25 de Novembro. E se bem me lembro, a mãe disse-me certa vez que o nascimento do seu primeiro neto lhe tinha dado quase tanta alegria como o meu próprio nascimento. Lembra-se? Sim, então porque o esquece? E os magustos do S. Martinho? A casa a abarrotar de gente, o enorme magusto que ainda hoje fazemos no antigo secadeiro com todos os empregados do monte, porque é que a mãe se refugia aqui e é preciso eu vir buscá-la à força para descer até junto de nós? Depois de lá estar já gosta. Mas depois esquece… E o dia de Santos, com toda essa “canalha” pequena a vir pedir os Santinhos? Há lá festa mais bonita do que recebermos na nossa casa toda essa criançada que ainda agora nos vai aparecendo a querer umas castanhas, umas romãs ou uns caramelos que a mãe tanto gosta de ofertar. Mas depois esquece. E …
- Olha filha: se calhar tens razão e se me desses mais atenção eu viveria melhor. Mas…já agora passa-me aí a caixa do Cipralex e um copo de água…

Pseudónimo: Amélia

"DO CASTELO" endereça parabéns ao autor que pediu anonimato






segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A VINGANÇA SERVE-SE FRIA!

Foto: Bandeira Nacional Portuguesa (adulterada) - Oiça aqui o Hino da Restauração pelos nossos "compadres" de Elvas: http://www.youtube.com/watch?v=CX2roSxua3k





Em 1 de Dezembro de 1640 foi reconquistada a independência Portuguesa, colocando-se assim fim à dinastia dos “Filipes” e tomando conta das rédeas do Reino de Portugal a Casa de Bragança com a ascensão de D. João IV a Rei de Portugal. Estivemos debaixo do jugo espanhol durante 60 anos.
Não deixa de ser curioso que foram as “ Alterações de Évora” ocorridas em Agosto de 1637 que deram azo à revolta de 1640. Não menos curioso o facto de localidades como Crato e Sousel terem de imediato aderido ao desrespeito pelos fidalgos espanhóis e ao arcebispo.
Mas a vingança serve-se fria. Passados todos estes anos, eis que os espanhóis, assim como quem não quer a coisa vão a pouco e pouco tomando conta do nosso Portugal. Os médicos e os enfermeiros invadem os nossos Centros de Saúde. As melhores terras do Alentejo são já pertença dos espanhóis, os porcos que por aí engordam nas grandes herdades portuguesas são dos espanhóis, os grandes olivais que por aí se avistam são pertença dos espanhóis. E a verdade é que para eles, espanhóis, de pouco lhe interessa que o olival tenha uma média de vida de doze anos, que depois durante mais “x” vezes esse olival seja arrancado e replantado até à exaustão dos solos que por falta de descanso (poisio) acabarão por já nem oliveiras suportarem. Para eles isso é…tinto! Os contratos de arrendamento são quase sempre na ordem dos 30 anos...
Por Avis esta regra confirma-se: há terrenos da Fundação Abreu Calado alugados para implantação de aliviais, onde trabalham/trabalharam muitos espanhóis, a Herdade do Painho está igualmente a ser “invadido” e aqui bem perto das nossas muralhas, o caso mais curioso: em 1640 acabou-se o “negócio” dos Filipes espanhóis e agora, os espanhóis chegam cá e fazem negócio com os “Filipes” portugueses de Avis, e ainda por cima, pasme-se meus senhores, nas Terras do Rei plantaram um olival …espanhol!

Nota : relembre aqui factos sobre a "Restauração da Independência"


domingo, 30 de novembro de 2008

HERÓI POR UMA TARDE!


Tive a felicidade de fazer parte das vinte mil pessoas que, voluntária e gratuitamente, contribuiram para a recolha de produtos para o Banco Alimentar contra a Fome. Coube-me “trabalhar” no sábado da parte da tarde e nem a chuva nem o frio arrefeceram o entusiasmo que eu e a minha colega de turno depositámos neste serviço humanitário.
Devo dizer que apenas umas quatro pessoas se recusaram a contribuir. Umas porque também elas necessitadas, outras nem tanto, talvez pensando que este Banco nunca lhe irá fazer falta, o que, nos dias que correm, me parece demasiado optimista.
Não posso deixar de aqui registar o modo como um avisense (?) reagiu ao pedido feito pela minha colega: “NÃO!” proferiu o tal “burgesso” mais parecendo aquele “não” o ladrar de um cão raivoso. Como se aquele modo agressivo contra quem apenas ali estava em missão de ajuda, não bastasse, ainda acrescentou: “O que tenho a dizer digo logo, não tenho papas na língua”. Eu que estava na altura um pouco mais distante ainda lhe respondi que “podia ficar com as papas que o Banco Alimentar não recebia papas”. Penso que o que eu disse não foi por ele ouvido o que poderá ter sido bom para ambos.
Ainda não sei quantas e quantas toneladas de alimentos foram recebidas. Como estes alimentos são recolhidos nós sabemos. Pelo menos eu agora já sei. Quanto à sua distribuição, aí a coisa já chia mais fino. Nem é preciso sairmos de Avis para nos questionarmos sobre o modo como as coisas são feitas. Mas se calhar o mal não é de quem distribui, mas sim de quem as recebe. Há pessoas em Avis que vão diariamente tomar o pequeno-almoço ao café, há outras pessoas em Avis que se passeiam diariamente de automóvel pelas nossas ruas quando o podiam fazer a pé, há pessoas em Avis que se vêm constantemente agarradas ao telemóvel ou ao cigarro e que, apesar de todos esses “desperdícios” de dinheiro, se socorrem da ajuda alimentar que lhe é distribuída aqui em Avis. Isto não é nenhuma novidade, é do domínio público, mas este sistema está instalado e é assim que funciona.
Se não forem as próprias pessoas a consciencializarem-se de que assim não pode ser, que não está correcto, que é imoral, às instituições é difícil discernir os que realmente têm necessidades daqueles que usurpam o que a outros faz falta.
Apesar de tudo, para o ano, se necessitarem de mim e eu estiver no pleno gozo das minhas faculdades físicas e psíquicas, podem contar comigo!

ÚLTIMA HORA: o total de alimentos recolhidos para esta causa em Avis foi de 760 Kg.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

CESTAS DE POESIA (XLIV)

JOÃO MOREIRA tem fortes convicções políticas mas está descontente com os políticos. Ora vejam se não é verdade:
Mote:
JÁ PERDI A ESPERANÇA
NO PENSAMENTO HUMANO
PROFESSANDO CONFIANÇA
IMPRIME MAIS UM ENGANO


I
EU ESCUTEI COM ATENÇÃO
MAIS UM OUTRO ENGANOSO
DIZ UM FUTURO DITOSO
TRAS ESTA NOSSA LIGAÇÃO
CREIO SER MAIS UMA ILUSÃO
ESSA NOVA ALIANÇA
QUE AFIRMA COM PUJANÇA
SER BOA PARA O POVO
MAS NÃO TRAZ NADA DE NOVO
JÁ PERDI A ESPERANÇA

II
AS PROMESSAS SÃO MAIS DE MIL
PARA MELHORAR A VIDA
MAS NENHUMA É CUMPRIDA
SÃO SIM ADVERSAS A ABRIL
SÃO ESTUDADAS NO COVIL
ASSINADAS POR TIRANO
SÁ PARA NOS CAUSAR DANO
PELO QUE FICA ESCRITO
JÁ NEM SEQUER ACREDITO
NO PENSAMENTO HUMANO

III
NÓS VIVEMOS ILUDIDOS
SOMOS POBRES MAS HONRADOS
QUEREMOS SER RESPEITADOS
SEMPRE FOMOS IMPEDIDOS
E NUNCA FOMOS OUVIDOS
É O RICO QUEM ALCANÇA
COM TODA A SEGURANÇA
O QUE O GOVERNO LHE DÁ
E POR ISSO ELE ESTÁ
PROFESSANDO CONFIANÇA

IV
A SITUAÇÃO QUE TEMOS
É PURA DESIGUALDADE
O QUE VEMOS NA VERDADE
NÃO É ISTO QUE QUEREMOS
E POR ISSO NÓS DIZEMOS
APAREÇA OUTRO PLANO
ESTE É MUITO INSANO
SÓ GARANTE PIORIA
COM TODA A FANTASIA
IMPRIME MAIS UM ENGANO

AUTOR: JOÃO MOREIRA DOS SANTOS/AVIS (2002)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

AVIS EM ALTA

Foto 1: "...folheto...em bilingue(Português e Inglês)
Foto 2: "...circulo de amizades e familiares do Francisco Alexandre"


O artesanato de luxo avisense está patente desde hoje, dia 27, até dia 16 de Dezembro no Hotel D. Fernando em Évora, através de uma exposição do escultor FRANCISCO ALEXANDRE, intitulada “ÁFRICA/ALENTEJO: A ALMA REPARTIDA”.
Composta por 20 peças, esta exposição realizada num cenário excelente, reúne todas as condições para, sendo um êxito, ser igualmente mais uma forma de elevar o nome de Avis através das obras daqueles que de cá são oriundos ou por cá residem, fazendo assim que Avis esteja em alta.
Registamos um pequeno (grande) senão: o grupo Fernando Barata não agiu da melhor maneira para com o seu convidado. Desde logo não endereçando os convites que constavam de uma lista de nomes entregue pelo expositor à organização. Dado que os convites para Avis não chegaram ao seu destino, presume-se que os mesmos não tenham seguido para ninguém, daí a total ausência de pessoas na inauguração da exposição, alheias ao círculo de amizades e familiares do Francisco Alexandre. Lamenta-se este facto enquanto nos congratulamos com o folheto explicativo das peças da exposição e do historial do escultor feito em bilingue (Português e Inglês).
Porque por vezes o que começa mal acaba bem, “DO CASTELO” deseja as maiores felicidades traduzidas em vendas a este excepcional artista que escolheu Avis como sua terra de eleição e que tanto a tem honrado.
(A propósito de começar mal: dado que não pude ver mais que os primeiros 3 minutos do jogo do Benfica, alguém me poderá informar como acabou? Agradecido.)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

FIXE ESTE NÚMERO : 808 250 143


Recolhi junto da farmácia de Avis um folheto que, pela sua importância, passo a transcrever na sua maioria. Como a transcrição não é total, aconselho a que o obtenham – é grátis – e o leiam com muita atenção.

HISTÓRIAS DE ACORDAR

“O Principezinho e o Xarope”

Intoxicações em crianças

Todos os dias, dezenas de crianças intoxicam-se com comprimidos para dormir esquecidos mas mesas-de-cabeceira ou com xaropes que, por serem doces, são uma tentação. As crianças são muito ágeis e fazem muito mais do que imaginamos; chegar até à bancada da cozinha ou abrir um armário, é um pequeno passo. Bastam apenas alguns segundos para subir para uma cadeira, abrir uma gaveta, retirar uma tampa, cheirar e provar.

Temos que estar preparados

Por mais vigilantes que sejamos, as crianças podem escapar por segundos á atenção de qualquer adulto. É preciso preparar a casa para reduzir o risco de terem acesso a produtos potencialmente tóxicos. Se tal acontecer, e em caso de intoxicação, antes de fazer seja o que for à criança, deve ligar de imediato para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV). Em muitos casos, provocar o vómito e dar leite ou água, pode ser prejudicial e agravar as consequências.

Como evitar intoxicações com medicamentos

. Guarde os medicamentos logo após a sua utilização, nas suas embalagens originais, bem fechadas com o folheto informativo.
. não tome nem dê medicamentos sem indicação médica.

. Evite tomar medicamentos em frente das crianças porque elas gostam de imitar os adultos. As crianças mais novas confundem medicamentos com rebuçados, gomas e outros doces.

. Ao dar xarope ou outro medicamento á criança, não a incentive a tomar com o argumento de ser bom e doce. A criança, quando estiver sozinha poderá não perceber a diferença entre um medicamento e uma bebida.

. Certifique-se de que mantém todos os medicamentos e produtos tóxicos bem fechados e sem verter.

. Tenha o número do Centro de Informação Antivenenos (CIAV) perto do telefone em casa e grave-o no seu telemóvel

O que fazer em caso de intoxicação

. Mantenha a calma. Não se precipite, mas não perca tempo. Se puder pegue na embalagem do produto suspeito para ter informação à mão.

. Não faça nada! Vale mais nada fazer à criança do que fazer errado. Provocar o vómito ou dar água ou leite, pode ser prejudicial.

. Ligue de imediato para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV) – 8º8 250 143 – e responda a todas as perguntas do médico, com calma e objectividade.

. Se não conseguir ligar para o Centro de Informação Antivenenos,(CIAV) ligue 112 ou dirija-se ao hospital mais próximo.

Sabia que?

. Em 2007, o CIAV registou 10.673 casos de intoxicação de crianças.

. Mais de 65% dos casos referem-se a crianças entre os 1 e os 4 anos de iddae?

. Os medicamentos estiveram na origem de cerca de 54% das intoxicações, registadas dos 1 aos 4 anos.

. A maioria das intoxicações em crianças ocorre em casa!

O CONTO:

Num mundo longe do nosso
Onde a imaginação é o tecto
Vivia um pequeno menino
Que nunca parava quieto

Que encontrou, enquanto brincava
Um frasco que parecia brilhar
Cheio de formas e cores
- Era só pegar e levar.

Altura em que este mundo
Nos vai deixar de encantar
Porque o menino encontrou um xarope
E infelizmente, decidiu provar

Às vezes é preciso ouvir uma história de acordar. As intoxicações podem matar. Não deixe produtos tóxicos ou medicamentos ao alcance das crianças.

Visite: http://www.apsi.org.pt

E: http://www.inem.pt


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

AVIS EM ALTA!

No passado sábado, dois avisenses foram distinguidos na cerimónia de distribuição de prémios dos XVI Jogos Florais de Outono, no vizinho concelho de Monforte.
MARIA ALBERTINA DORDIO MARTINS, de Ervedal, foi galardoada com uma Menção Honrosa na modalidade de poesia obrigada a mote, com o seguinte trabalho:

Mote:
É um povo de sossego
Deixa muito a desejar
Todo o mundo quer emprego
Mas ninguém quer trabalhar

(Autor do mote: José Duro/Monforte)

I
Já foi herói arrojado!:
- Afonso, o Conquistador,
Um Gama – descobridor
De terras, mar ignorado,
Deixando o nome gravado
Em padrões, cujo despego
Era mostrar, com alego
Portugal que ali reinava…
Hoje, essa raça tão brava,
É um povo de sossego.

Sendo assim acomodado,
Às condições do momento,
Que terá no pensamento,
Que o faz tão desgraçado?
Nem lembrará o passado?
Onde se pode ocultar
Essa coragem, sem par,
Do português de antanho?
Hoje, de pouco tamanho,
Deixa muito a desejar!

A culpa talvez não seja
Sua, mas da conjuntura,
Que não ajuda e tortura
A alma que lhe fraqueja…
Já a vida o não bafeja!
Depressivo, anda cego
À procura de um apego
Que o incite a lutar…
E, para não soçobrar
Todo o mundo quer emprego.

Nesta tal baralhação
Da actual sociedade,
Vive-se em calamidade,
Perde-se o gosto, a razão,
Que os valores de um povo são
Muito difíceis de honrar…
E, ao jeito de imitar,
Os “mandantes”…do lazer,
Quer o povo emprego ter,
Mas ninguém quer trabalhar!

Pseudónimo : Zé Povinho



Foi ainda distinguido um outro patrício nosso que apesar de não querer aqui ser identificado, me facultou os trabalhos que passo a reproduzir:

Menção Honrosa na modalidade de Poesia Alegórica a Monforte:


Querendo mudar a sorte
Vim viver para Monforte
E sinto-me aqui tão bem…
Tenho tudo o que preciso,
Descobri o paraíso,
Sou feliz como ninguém!

Pseudónimo: Sortudo

3º PRÉMIO na modalidade de QUADRA:


Quem tiver felicidade
A cantar no coração,
Por favor, tenha a bondade
De espalhar essa canção

Pseudónimo: Feliz

Quatro menções honrosas, nesta mesma categoria, a saber:


Quando um aperto de mão
Tinha a força dum contrato,
Podia-se crer então
Até num simples gaiato!

Pseudónimo: Honesto


Sempre que em sonhos destapo
Os meus brinquedos de infância
É à boneca de trapo
Que dou maior importância!

Pseudónimo: Sonhador


Aquele que nunca intruja
Vive de pequenos nadas;
Pode ter a cara suja
Mas as mãos sempre lavadas!

Pseudónimo: Pobrezinho


Neste mundo sem vergonha
Já vai sendo raridade,
Encontrar quem não se oponha
A uma pura amizade!

Pseudónimo: É mesmo verdade

Aos premiados, "DO CASTELO" apresenta parabéns e agradecimentos, por autorizarem a que aqui sejam publicados os seus trabalhos distinguidos.