Já o ano passado por aqui deixei expresso o quanto me aborrece esta época de Natal, feito de tanto fingimento e de tanto consumismo. O meu Natal é/foi outro em que as pessoas e os sentimentos eram muito mais puros, em que o Natal não se resumia a uma época de compra de prendas. Confesso que às vezes até me “doem” os ouvidos ao ouvir dizer a pessoas que sei não “entrarem muito na minha carruagem” : Tenha um Feliz Natal e um Bom Ano Novo...
Mas em relação ao consumismo passo a transcrever-vos uma pequena brincadeira que fiz com o Comércio Local. Se me esqueci de mencionar algum lugar onde se possam fazer compras natalícias, das duas uma: ou foi porque me esqueci, ou foi por desconhecimento, ou foi porque…já não aguentei mais!
TIREM-ME DESTE FILME!
Estas compras de Natal,
Este enorme frenesim,
Ainda me acabam mal
Pois vão dar cabo de mim
Detesto esta correria
Deste tempo de Natal,
Vejam que fiz num só dia
Cá no COMÉRCIO LOCAL
Comecei na LOJA GI
Por comprar uns rebuçados
Na FARMÁCIA, logo ali,
Remédio p’ra constipados
Época de consumismo
Redobra-nos o trabalho
Na LOJA DE NATURISMO
Comprei as pílulas de alho
Digo mal à minha vida
E entro em louca correria
Aproveito e vou à GUIDA
E ainda à SAPATARIA
INFORMATICAVISENSE
Um GPS vou comprar:
Não quero que alguém pense
Que os quero discriminar…
O que é que mais aqui fica?
Tento-me eu orientar
Corro à CASA DO BENFICA:
Um cachecol lá fui buscar
Já exausto, que aflição,
Sentindo-me todo roto
Na BITA compro um fogão
Depois meto o TOTOLOTO
Espirro milhões de vezes
Protesto e digo: Irra!
Vou à LOJA DOS CHINESES
E depois entro na BIRRA
Por ficar ali à mão
E ter pouco que esperar,
Lá na LOJA DO JOÃO
Uma bóia vou comprar
Quem é que a mim me diria
Que p’los meus próprios meios
Iria à OURIVESARIA
Logo depois aos CORREIOS?
Não tenho coração que preste
O que eu sou e o que fui:
Fui á loja da CELESTE
E depois à do SENHOR RUI!
Já não anda nem desanda
Este meu corpo mortiço,
Vou à LOJA DA FERNANDA
Mas eu já nem dou por isso!
Ao entrar na Serpa Pinto
Ponho-me a olhar e sismo:
Hei-de fazer o que sinto:
Vou ao POSTO DE TURISMO
Pareço desfalecer
P’ra arranjar algum fulgor,
Bebo uma bica a correr
No CAFÉ DA LEONOR
Agora é só prosseguir
…Descida vertiginosa:
MAR DE IDEIAS a seguir
Depois… MARIA VAIDOSA
Na TERESA DA NOÉMIA
Compro e saio de fugida,
Se não ando na boémia…
SABORES DE AVIS de seguida!
Tenho tanto que fazer
Que nem por sonhos preguiço;
Entro e saio a correr
Na loja da MARI’RIÇO
Sempre a correr pois então
Um maluco eu pareço:
Depois de ir à AVISPÃO
Corro para o MINI-PREÇO!
MINI MERCADO TRAQUINAS
Tenho já que lá passar
Compro prendas p’rás meninas
E depois toca a andar
Já na Zona Industrial
A boca a saber-me a fel,
Maldizendo este Natal
Vou à LOJA DO CHAMBEL
Pareço uma menina,
Até me tremem os dentes,
Na LOJA DA MARCELINA
Compro um limpador de lentes
Foi lá no JORGE TRAQUINAS
Que comprei neste Natal,
Umas das prendas mais finas:
A moldura digital!
Coxeando já dum pé
Vou abalando de vez
Passo na loja que é
Da BÁRBARA GARCEZ
Agora dói-me um joelho,
Que não faz nada o meu jeito,
Na ANABELA COELHO
Comprei um blusão perfeito
Volto p’ra vila enfim
Pensando ir descansar,
Na loja do ZÉ JOAQUIM
Acabo por me sentar
Embora seja demais
Quero cumprir meu fadário:
Na LOJA DOS ANIMAIS
Hei-de comprar um canário!
Vem-me à ideia e …zás!
Abalo de novo a fugir:
SAPATARIA LILÁS
É onde eu tenho que ir
Para fazer mais comprinhas
Já me estava esquecendo
Da dona ANA GARRINHAS
É p’ra lá que vou correndo
Não sendo aquilo que quis,
Pois meu sonho era bombeiro,
Vou à EXTINTOR AVIS
E compro um fato porreiro
Mesmo ao virar da esquina
Compro azevias quentinhas
Na LOJA DA JOAQUINA
Onde são muito tenrinhas
Sinto-me pior da gripe
Mas agora tanto faz
Vou à do PEDRO FILIPE
P’ra comprar um camping gaz
- Rapaz, tu és um dos duros!
Profiro assim, pois então:
Ali na Rua dos Muros
Vou à MARIA JOÃO
Depois cheira-me tão bem
Que procuro com ardor,
E vou onde o cheiro vem:
À Loja da AVIS FLÔR
Mas os presentes são tantos
Que a coisa já não encaixa:
Falta-me visitar os BANCOS
A que também chamam CAIXA
Com frio nos “interiores”
Fui a correr à SAUDADE
Comprar um ramo de flores
Para morrer á vontade
- Agora me lembro, c’o a breca!
Esqueci-me d’ir a um lado:
Faltou-me a BIBLIOTECA
Vou fugir mais um bocado!
Entrando na “desportiva”
P’ra que coma e aproveite,
Entrei na COOPERATIVA
Levei uns litros de azeite
E sempre, sempre a correr
Chego a casa tão cansado
Ansioso por fazer
Um repouso descansado!
Minha mulher não sabendo
Destes meus preparativos
“Malandreca”, vai dizendo:
- Trouxeste os preservativos?
Se correr mais não aguento
Quanto mais ir copular…
- Mulher, dá-me o mantimento
E deixa-me ir já deitar!
Mas ela por não saber
Como eu detesto o Natal
Acaba por me dizer
Mais uma ordem final:
- Vens com cara de fuinha
Para baixares o cabelo,
Vai-te meter na carrinha
Para irmos ao MODELO…
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Devo de ter desmaiado
E enquanto isto não mude,
Quero ficar internado
Lá no CENTRO DE SAÚDE!