Fptp: "O trabalho de artesanato feito pelo Sr. António Henriques enquanto declama as refridas décimas" a)Jaime Velez (O Manta Branca), como já aqui referi, foi seu “colega” em muitas feiras, tal como um certo Baubau, ali dos lados de Vila Viçosa. Ora acontece que o Jaime Velez fez umas décimas ao arado que o Mestre Sapo, da Casa Branca construiu e que ele, Jaime, como ganhão utilizou e que era puxado por dois bois pretos. Na foto acima, o trabalho de artesanato feito pelo Sr. António Henriques, enquanto declama as referidas décimas.
P’ra lavrar com dois bois pretos
Lavra bem só duma vez
E os regos ficam direitos
I
Lavra a toda a fundura
Tudo nele está bem feito
É mesmo assim ao meu jeito
Está em muito boa altura
P’ra lavrar em terra dura
É tão firme como o pez
É uma obra cortês
Ver-se lavrar é um gosto
Tudo nele está bem posto
O arado que o mestre fez!
II
Estou satisfeito e contente
Com as peças que lhe vejo
Está bem feito o rabanejo
E bem empalma o dente
Lavra e lavra assente
Não lhe posso por defeitos
Toda a arte tem preceitos
Para que bem a compreenda
Ofereceram-me esta prenda
P’ra lavrar com dois bois pretos
III
Colocadas no natural
As aivecas ambas as duas
Já tenho visto charruas
Lavrarem muito mais mal
É uma obra principal
Gabada pelo Velez
Furos naturais tem três
Dentro teiró e maxilhos
E mesmo atrás dos novilhos
Lavra bem só duma vez!
IV
A têmpera nunca falha
A ponta baixa e levanta
Tem um furo na garganta
Aonde a teiró tralha
Ampara o pescais quando encalha;
Dispenso alguns sujeitos
Os que não prestam rejeito-os
Não os gabo nem lá perto
Neste lugar puxam certo
E os regos ficam direitos!



































