sexta-feira, 18 de abril de 2008

CESTAS DE POESIA ( XII)


Já vos tinha dito que o Sr. João António Guilherme escreve ( e bem) em qualquer papel que tenha por perto. Acima reproduzo a frente de publicidade feita à Feira do Livro de Avis de 1990. Do outro lado estão uma décimas que bem poderiam ser as que vos deixo hoje, mas por acaso não são.

Mote:

AQUI ESTÁS MISÉRIA CHORANDO
A TRISTEZA DO MEU LAR,
EU VIVO TRISTE PENSANDO
E CHORO EM TE VER CHORAR!


I
QUE GOLPE TÃO DOLORIDO
À FRENTE DOS OLHOS MEUS
TANTO QUE EU PEÇO A DEUS
AINDA NÃO FUI ATENDIDO,
TANTO QUE TENHO SOFRIDO
ASSIM ME VOU CONFORMANDO
O TEMPO SE VAI PASSANDO
MAIS NÃO POSSO FAZER
DESABAFO EM DIZER:
AQUI ESTÁS MISÉRIA CHORANDO!


II
NESTE MEU PEITO OPRIMIDO
TANTA PAIXÃO AQUI MORA
NÃO VEJO A LINDA AURORA
DE MIM ESTÁ ESQUECIDO
É UM MISTÉRIO ENVOLVIDO
NÃO CONSIGO DESVENDAR
E CONTINUO A ESPERAR
JÁ UM POUCO SATURADO
ÉS TU MEU FILHO ADORADO
A TRISTEZA DO MEU LAR!


III
QUANDO A PENSAR ME PONHO
NEM SEI O QUE PENSAR
ATÉ CHEGO A JULGAR
TUDO ISTO É UM SONHO
PENSO E NÃO ME OPONHO
MAS DIGO DE QUANDO EM QUANDO
SE EU ASSIM VOU SONHANDO
NÃO É SONHO É LAMENTO
PERANTE ESTE SOFRIMENTO
EU VIVO TRISTE PENSANDO!


IV
SE OLHAREM BEM O MEU ROSTO
VÊ-SE A AMARGA TRISTEZA
PELA FORÇA DA NATUREZA
VAI AUMENTANDO O DESGOSTO,
DESDE O NASCER AO SOL- POSTO
MELHOR NÃO POSSO ESPERAR
ASSIM IREI CONTINUAR
ATÉ QUANDO NÃO SEI
TANTAS VOLTAS QUE JÁ DEI
E CHORO EM TE VER CHORAR!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

AMANHÃ É DIA DE CAFÉ COM LETRAS

"DO CASTELO" recebeu o seguinte convite, que torna seu:

Café com Letras

CONVITE

Á nossa saúde
A saúde é um bem de incomensurável e incontestado valor, pelo que a sua defesa e promoção são causas que todos deveremos eleger como prioridades da e para a Vida!
A propósito do Dia Mundial da Saúde, que se comemorou no dia 7 de Abril,
É este o tema que será debatido no próximo dia 17 DE ABRIL (quinta-feira) no “Café com Letras” da Amigo do Concelho de Aviz – Associação Cultural.
Temos, pois, o grato prazer de o(a) convidar a assistir a esta conferência que se realiza na sede da ACA-AC, sita na Praça Serpa Pinto, n.º 11 em Avis, pelas 18 horas e que terá como conferencistas Eng. José Luís Bacharel e Luís José Junça.
Avis, 10 de Abril de 2008.

O Presidente da Direcção

Francisco Alexandre



DIA MUNDIAL DA SAÚDE
7 DE ABRIL

terça-feira, 15 de abril de 2008

JÁ NÃO ERA SEM TEMPO!!!

Foto: "...finalmente foi concluida a sinalização da nossa Rotunda..."



Regressei há pouco minutos a Avis, quase noite, mas deu para perceber que finalmente foi concluida a sinalização da nova Rotunda junto ao cemitério. Agora já se sabe qual o caminho a seguir, sem hesitações, pois que o traço contínuo branco que lá existiu durante tanto tempo, "atirava" com os condutores para a esquerda esquivando-se assim de circundarem a rotunda.
Fica o registo e o aplauso!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

PROVÉRBIOS ILUSTRADOS

Foto/Provérbio: "QUEM CORRE POR GOSTO NÃO CANSA" a)

a) Volta ao Alentejo em Bicicleta (passagem por Avis)


Foto/Provérbio: "BARCO PARADO NÃO ANDA!" a)



a) Foto obtida no Clube Náutico (Avis)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

CESTAS DE POESIA (XI)

Foto: "A casa onde o Sr. João António Guilherme vive não tem electricidade"


Prosseguimos hoje com a poesia de JOÃO ANTÓNIO GUILHERME.
Fui visitá-lo hoje, à noitinha, já era lusco-fusco. Estava a comer. A casa onde o Sr. João António Guilherme vive não tem electicidade. No Século XXI, no Ervedal, ainda há pessoas que vivem sem electricidade. O Sr. João Guilherme que dedicou uma vida à defesa da igualdade, não tem electricidade em casa...é diferente!
Fez no dia 1 de Março 80 anos. Como vos disse na semana passada o Sr. João escreve em tudo que seja papel onde se possa escrever. No dia 29 de Março, por ocasião do lançamento do Livro "Murmurar de Azenhas" ofereci-lhe um bloco de apontamentos para ele escrever. Pois hoje ficou satisfeito por me encontrar já que andava a ver de alguém por quem me pudesse mandar o referido bloco: é que já lá tinha escritas 60 quadras. Exacto. Leu bem: sessenta quadras devidamente identificadas através da aposição de numeração romana. O Sr. João Guilherme tirou a 4ª classe já em adulto.
Mas porque estas "Cestas" são de poesia, vou publicar mais uma obra deste poeta-artesão:
Mote:
SE TODOS TRABALHASSEM
UNIDOS SEM PRESUNÇÃO,
TALVEZ NÃO SE ENCONTRASSEM
TANTAS MISÉRIAS SEM PÃO!

I
TODOS UNIDOS A PRODUZIR
COM RELEVO E SINCERIDADE
ERA UMA IRMANDADE
A VIDA ERA A SORRIR,
ERA UMA FLOR A ABRIR
SE NINGUÉM A DESFOLHASSE
SE TODOS BEM OLHASSEM
NUM SORRISO FRATERNAL
ERA UM VIVER DIVINAL
SE TODOS TRABALHASSEM!

II
SE NÃO HOUVESSE VAIDADE
JUNTO AO LUXO E GRANDEZA
ERA UM JARDIM DE BELEZA
EM TODA A HUMANIDADE,
PAZ JUSTIÇA E HONESTIDADE
É SÍMBOLO DA RAZÃO
SERIA UM VIVER ENTÃO
COM APRUMADA ALEGRIA
NO TRABALHO DIA-A-DIA
UNIDOS SEM PRESUNÇÃO!

III
NÃO HAVIA CRIMINOSOS
NÃO HAVIA MALFEITORES
NÃO HAVIA USURPADORES
NÃO HAVIA AMBICIOSOS,
NÃO HAVIA FALTOSOS
NÃO HAVIA QUEM ROUBASSEM
NÃO HAVIA QUEM DUVIDASSEM
NÃO HAVIA MALDIÇÃO
TANTOS A SOFRER SEM RAZÃO
TALVEZ NÃO SE ENCONTRASSEM!

IV
A TERRA É TÃO GRANDE
TÃO PRECIOSA E RICA
NÃO SE JUSTIFICA
QUATRO OU CINCO NELA MANDEM,
QUE TODOS NELA ANDEM
COM A MESMA OBRIGAÇÃO
QUE NÃO HAJA EXCEPÇÃO
ASSIM REZA A LEI DE CRISTO
PARA QUE NÃO SEJA VISTO
TANTAS MISÉRIAS SEM PÃO!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

PROVÉRBIOS ILUSTRADOS

Foto/Provérbio: "ABRIL, ÁGUAS MIL" A)


A) Foto obtida ás 21 horas de hoje, em Avis.

terça-feira, 8 de abril de 2008

FEIRA É FEIRA!

Foto: "DO CASTELO" apresenta os parabéns a todos aqueles que colaboraram na realização deste evento.

Seja Feira dos Produtos, seja Feira da Saúde, Feira é Feira. E sendo da Saúde acaba por ser mais abrangente, já que os produtos vendidos na Feira dos produtos da Escola 1,2,3 Mestre de Avis, já contribuiam de maneira significativa para a manutenção de uma saúde melhorada.
Com novo figurino, espaços mais alargados, maior ocupação dos tempos, novos temas em destaque tornou-se assim mais apelativa a Feira da Saúde realizada ontem na Sede do Agrupamento Vertical de Escolas Mestre de Avis.
“DO CASTELO” apresenta, na pessoa da Coordenadora deste projecto, a Sr.ª Dr.ª Teresa Portela, os parabéns a todos aqueles que colaboraram na realização deste magnífico evento, momento alto da abertura da escola à população em geral.

( P.S.: por acaso alguém me pode dar notícias do meu primo? Qual? ESTE!)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

ÚLTIMA HORA!

Foto 1 : "Aquela árvore que fazia uma belíssima sombra aos nossos carros quando íamos ao Supermercado do Manel Jaquim...caíu" Foto 2 : "DO CASTELO" registou o momento....


Aquela árvore que fazia uma belíssima sombra aos nossos carros quando íamos ao Supermercado do "Manel Jaquim Salvaterra", não resistiu a uma rajada de vento mais forte e caiu. Por sorte não havia ali nenhum carro estacionado à hora deste acontecimento. A carrinha do Manel safou-se à justa!
"DO CASTELO" registou o momento em que a mesma era retirada do local pelos Bombeiros Voluntários e por funcionários da Câmara, supervisionados por uma patrulha da GNR.

domingo, 6 de abril de 2008

TAMBÉM JÁ POR CÁ TEMOS AS NOSSAS "OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA"

Foto: "... com a entrada do posto de turismo cheio de pedras soltas e de terra aos montes tornando pouco convitativa a sua procura..."




As obras de re(des)classificação na Praça Serpa Pinto, em Avis, estão paradas há vários dias (semanas!). Com a mesma celeridade com que começaram assim acabaram. Foi uma rapidez o modo como a calçada foi arrancada; foi uma rapidez o modo como os estacionamentos foram feitos ao alto e depois em zebra; foi uma rapidez como os separadores de mármore começaram a ficar cheios de vestígios dos pneus que os pisam; foi uma rapidez como se começaram ali a verificar congestionamentos de trânsito com carros a terem que esperar que uns desçam para outros subirem ou vice-versa; foi uma rapidez como as pessoas começaram a comentar negativamente quanto ao dito “embelezamento” daquela praça. Apesar de pessoalmente discordar com as alterações feitas, verdade seja dita que não ouvi ainda uma única pessoa concordar com as modificações numa praça que há anos mantém uma traça estabilizada. Confesso que também não perguntei a opinião aos mentores desta ideia. Os outros, os que não concordam chegaram a questionar-me se não fazíamos nada contra aquela situação. Lá lhe fui dizendo que em tempo oportuno aquelas obras tinham sido alvo de discussão pública e aí, nessa altura, é que teríamos obrigação de aparecer e demonstramos o nosso desacordo. Todos me disseram que desconheciam esse pormenor. Falta de informação deles.
Mas agora e com as obras paradas há tanto tempo, dando um aspecto de desleixo a uma praça pública que se pretendia mais bonita, com a entrada do posto de turismo – ponto preferencial para informar daquilo que temos de melhor para oferecer aos turistas – cheio de pedras soltas e terra aos montes, tornando pouco convitativa a sua procura, já de novo se ouve o Zé Povinho a murmurar: que não há dinheiro para acabar as obras, que não fazem a parte debaixo por falta de verba. E imagine-se só, ontem mesmo naquela praça, foi-me afiançado de que iria ser tudo desmanchado e voltar a ficar como estava. Não sei se acredite.
Mas numa coisa acredito: c
omo está é um péssimo cartão de visita para todos aqueles que por cá passam e, porque não, para aqueles que cá moram.
Faça-se o que se tenha que fazer, mas faça-se e depressa!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

CESTAS DE POESIA ( X )

Foto: JOÃO ANTÓNIO GUILHERME...ombreia com os melhores poetas de Ervedal e não só"


JOÃO ANTÓNIO GUILHERME é, quanto a mim o poeta com mais obra feita no concelho de Avis e não editada. Natural de Ervedal ombreia com os melhores poetas daquela localidade e não só.
Faz versos todos os dias e sobre qualquer tema. Tudo lhe serve para escrever: já me deu décimas escritas no verso de calendários, de comunicados do Partido Comunista ou da Cooperativa 1º de Maio. Assumidamente militante de esquerda, grande parte da sua obra retrata pedaços da sua vida vivida com dificuldades. Outras vezes consegue transformar situações imaginárias em algo de muito, muito engraçado. Ele vai ser o poeta do mês de Abril, já que este é mês de “Liberdade” e o Sr. João lutou pela “sua” liberdade ou pelo menos por uma liberdade ao seu modo. Por vezes, em conversas que tenho com ele, concluo que a referida liberdade ainda não foi por ele alcançada.
Serão de sua autoria todos os trabalhos aqui apresentados nas próximas cestas de poesia.
Eis pois o primeiro trabalho:


Mote:
NA HORTA DO TI PEXATA
NUMA SIMPLES CONFUSÃO,
ARMARAM UMA ZARAGATA
A CEBOLA E O FEIJÃO!

I
NUM RECANTO CRIADOR
AINDA HÁ POUCO EXISTIA
TÃO AMÁVEL HARMONIA
BELEZA PAZ E AMOR;
ERA UM AUTÊNTICO ESPLENDOR
NUMA FAMÍLIA SENSATA
MAS UMA ALFACE PIRATA
TUDO POR TUDO OFENDEU
TUDO ISTO ACONTECEU
NA HORTA DO TI PEXATA!

II
POR MOTIVO DE COBIÇA
ARMARAM A DISCUSSÃO
O TOMATE E O PIMENTÃO
OFENDERAM A NABIÇA
A COUVE ATIRADIÇA
OFENDIDA SEM RAZÃO
DESAFIA O AGRIÃO
E TUDO VAI COMEÇAR
É GRITAR E MAIS GRITAR
NUMA SIMPLES CONFUSÃO

III
SALTA O REPOLHO LOMBARDO
DESAFIA A BATATA DOCE
O PEPINO COM ELE TROUXE
P’RÓ DUELO SER TRAVADO
O MELÃO TODO ZANGADO
POR SER FAMÍLIA DA ALTA
DESAFIA A SIMPLES BATATA
PARA ENTRAR NO REBOLIÇO
JUNTO À MELANCIA E AO NABIÇO
ARMARAM UMA ZARAGATA!

IV
A CENOURA E A COUVE FLOR
A ERVILHA E O MORANGO
A BERINGELA E O MOGANGO
ERA UM ENORME TERROR,
ABÓBORA MENINA EM FLOR
A FAVA AINDA EM BOTÃO
FEIJÃO FRADE COM RAZÃO
GRITAVA EM VOZ ALTA
AOS CULPADOS DA ZARAGATA
A CEBOLA E O FEIJÃO!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

1 DE ABRIL É O "DIA DAS MENTIRAS"

Está provado que “DO CASTELO” não saem mentiras "credíveis".
Isto de ontem não teve piada nenhuma, pois não? Você acreditou que iriam arrancar as oliveiras? Claro que não. Apesar deste aumento de plantações olivícolas, há dias num canal de Televisão diziam que o preço do azeite poderia triplicar. Isso, se calhar já é verdade.
Pronto: prometo que até ao próximo dia um de Abril as mentiras que por aqui sejam vinculadas sê-lo-ão sem intenção de tal. Acidentes na recolha de informação poderão levar a isso. Só assim, pois que de outra maneira é tudo jogo limpo.
Para o ano vou ver se consigo ser mais criativo.
Entretanto deixo algumas dicas sobre o porquê do dia 1 de Abril ser o Dia das Mentiras ( se fosse só este...)

Dia da mentira
Origem: Wikipédia

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no Dia da Mentira ou Dia dos Bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.
Em
1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na
Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril".
No Brasil, o 1º de abril começou a ser difundido em
Pernambuco, onde circulou "A Mentira", um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. "A Mentira" saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O BOM SENSO IMPEROU!

fOTO: " ...restos de restolho à superfície da terra lavrada, esperando a chegada de nova sementeira."



O bom senso imperou.
Há dias tínhamos feito aqui referência como se acelerava a descaracterização da paisagem alentejana nas imediações do campo de futebol de Avis, nas Terras do Rei, com a plantação de oliveiras em regime intensivo, no local onde ainda o ano passado crescia uma bonita seara de espiga.
Pois bem: “ DO CASTELO” está em condições de informar os seus leitores de que fonte segura lhe garantiu que tudo vai voltar à estaca zero. Após muitas reclamações recebidas junto da entidade bancária que financia este projecto, a referida entidade resolveu suspende-lo sendo que o mesmo será reconvertido do seguinte modo:
- para já: arranque imediato de todas as oliveiras até agora plantadas;
- depois:
dado que este ano já não é possível semear seara de trigo será implantada uma seara de beterraba;
para o ano: será semeada uma enorme seara de trigo de modo a que a paisagem genuinamente alentejana não seja agredida por iniciativas espanholas.

Parafraseando um colaborador do mui digno jornal aponte que ainda não há muito tempo se referia, numa crónica por si assinada, de que “de Espanha nem bom vento nem bom casamento” aqui temos uma manifestação inequívoca de boa vontade de “nuestros hermanos” que nos demonstram que não há regra sem excepção.
Poderemos pois captar de novo fotos como a acima reproduzida, ainda com os restos de restolho à superfície da terra lavrada, esperando a chegada de nova sementeira.
“DO CASTELO” regozija-se por isso!

segunda-feira, 31 de março de 2008

ESTAS MODERNICES....

FOto 1: Mini-maratona- MÃOS/AVIS
Foto 2 : Mini-maratona - CORES

Foto 3: Susete Mota lança "Murmurar de Azenhas"





Estas modernices…mas que raio de vida!
Então é assim: desde sexta-feira à noite que não tenho telefone. Ligaram-no há menos de uma hora. Parece que foi uma questão de humidade na central de Avis e de que não terei sido caso único. Agora está operacional e prometeram que não volta a acontecer.
Mas o curioso é que quando ele (telefone) funciona eu às vezes quase que me passo, pelas grandes “secas” que a minha mulher leva e dá ao telefone, falando em voz tão alta que penso ser desnecessário o aparelho (telefone). E o pior é que as conversas mais demoradas (estou a falar em períodos de uma hora, mais coisa menos coisa) são quase sempre quando a mim menos me convêm, ou seja quando o Benfica está a jogar (eu sei; joga mal, mas joga!) ou quando estou a tentar ouvir os noticiários. É a minha sina.
Mas, curiosamente, agora desde sexta-feira é uma aflição por não ter linha telefónica. Mais do que por não ter telefone. É que esta faz-me falta para aceder à Net. Não é nada: a minha caixa de mail já está atacada com 156 mensagens para abrir; não pude em tempo útil subscrever as suas palavras e simultaneamente agradecer ao meu amigo do MARANHÃO o ter-me considerado da mesma família – sabe que esta casa, (este CASTELO) também é sua (seu); não pude referenciar a magnífica iniciativa que foi a Mini-maratona fotográfica digital com dois temas apelativos: Mãos/Avis e Cores que decorreu no sábado de manhã e endereçar os parabéns ao meu amigo Jorge Nunes; não pude referenciar o lançamento do Livro “Murmurar de Azenhas” da poetisa Ervedalense, Susete Varela Mota, ocorrido no passado sábado da parte da tarde; não pude…eu sei lá o que não pude!
Mas isso agora já passou. Quando a minha mulher estiver a falar ao telefone vou-me lembrar destes dias de silêncio, vou sorrateiramente esgueirar-me escadas acima e ala que se faz tarde: Net com ele!
Amanhã “DO CASTELO” vai voltar a ter conversa séria outra vez!

sexta-feira, 28 de março de 2008

CESTAS DE POESIA ( IX )

Foto: " Encontrei-o hoje mesmo no Jardim do Mestre a descansar,..."



Com esta “IX Cesta de Poesia” acaba o mês que dediquei ao meu amigo Joaquim José Lourenço a quem a mãe uma vez alcunhou de Ministro. Encontrei-o hoje mesmo no Jardim do Mestre a descansar, a meio caminho entre a Casa do Benfica e a sua própria casa. Eram quase horas de almoço. O Ti Zé Carlos tinha razão ao dizer-me: “o Ministro agora anda embeiçado com a Casa do Benfica”.
Todos os dias lá vai de manhã. Lê o jornal e dá umas lérias com o Cabo Malaquias ou com quem calha a estar por ali.
Vamos pois acabar este mês, mas em discurso directo. Oiçamos pois o que me disse o nosso poeta ancião:
- Olhe, uma vez, foi no Sábado Gordo do ano de 1933, vinha eu cansado de um baile onde tinha ido tocar lá para os Montes da Aravia. Eu tocava muito bem! Ao princípio tocava e as pessoas faziam um peditório, uns davam um tostão, outros dois e eu ganhava qualquer coisa. O meu pai soube disso, ralhou comigo e para o fim já tinha um pagamento certo por cada baile que fazia. Ganhava 20 ou 25 escudos conforme as ocasiões.
Voltando ao tal Sábado Gordo, ia eu a caminho de casa quando ouvi cantar ao despique numas casas dos montes do Almadafe. Aproximei-me e meti-me ao barulho com uma “tipa” que estava a dar porrada nos homens todos que lá havia. Então foi assim. Eu é que comecei e depois ela foi-me respondendo e eu a ela. Tome lá atenção:

(Eu)
Eu vinha por aqui passando
Sem nada disto saber
Mas ouvi-te andar cantando
Voltei para traz, vim-te ver!
(Ela)
Olha quem agora veio
Mais quem agora chegou
Estava para me ir embora
Mas assim já me não vou
(Eu)
Ó alegria do mundo
Aonde é que tens andado
Eu tenho corrido tudo
E não te tenho encontrado
(Ela)
Tu andas atrás de mim
Como a pêra atrás do ramo
Tu andas para me enganar
Mas contigo fica o engano
(Eu)
Anda o sol atrás da lua
A lua atrás do luar
Minha alma atrás da tua
Sem a poder encontrar
(Ela)
A ladeira do meu monte
É custosa de “assubir”
Se não queres lá ir não vás
Que eu não te mando lá ir
(Eu)
A ladeira do teu monte
A mim não me mete medo
Eu havia de ir mais tarde
Vou uma hora mais cedo
(Ela)
Eu fui ao jardim da nora
Arrancar o pé à “sucena”
Vês o que fazes agora
E depois não tenhas pena
(Eu)
Quando é quase sol-posto
É que eu gosto de cantar
És um amor ao meu gosto
Não tenho a quem me voltar
!

Nesta altura ela atirou-se a mim e fartou-se de me dar beijos e abraços de contente. Dali fomos pelos montes fora cantar todos em coro até de madrugada, uma cantiga que eu gostava muito de cantar e que era a Canção da Maria do Carmo. Cantávamos todos assim:

Maria do Carmo
Minha padroeira
Dá-me quatro figos
Olaré sim, sim,
Da tua figueira
Ai sim sim,
Há mais quem queira
Grou-grou
E o galo cantou!
O galo cantou
Deixá-lo cantar
Maria do Carmo
Olaré sim sim
Eu hei-de te amar
Ai sim sim
Eu hei-de te amar
Grou grou grou e o galo cantou!

Com este “galo a cantar” encerra esta Cesta de Poesia. É pena vocês não poderem ouvir o sentimento com que esta canção foi interpretada: a voz raiava a saudade!
Com tristeza ficamos por aqui, pois certamente que o amigo Joaquim José Lourenço ainda teria muito mais para nos ensinar.
Talvez que tenhamos uma segunda oportunidade de o ouvir.
Para o mês que vem novo poeta virá à liça.
Até lá!

quinta-feira, 27 de março de 2008

ÁGUA-DOCE, RETIRO DA PONTE....

Foto: O "Retiro da Ponte" encontra-se a cair aos bocados!



Na passada Sexta-feira Santa estive a extasiar-me mais uma vez com a deslumbrante paisagem que se desfruta do Clube Náutico. É local que não me farto de visitar.
Em cerca de uma hora que por lá estive, de certeza que mais de meia dúzia de carros com visitantes voltaram para trás ao constatar que o “Água-Doce” estava fechado. Nós por cá já o sabemos quase todos e sabemos igualmente que sendo chamado de Água-doce ou qualquer outro nome, é de imperiosa necessidade que aquele espaço abra no mais curto espaço de tempo. Se queremos apostar no turismo de qualidade como poderemos dar-nos ao luxo de não possuir ali um restaurante/bar aberto? Mas, a verdade é que não se sabe quando isso possa acontecer e não me importa aqui aquilatar de quem é a responsabilidade. Este assunto já foi aliás tratado por "Tudo e mais alguma coisa em...Avis” e parece que ninguém chegou a grandes conclusões.
Hoje tive necessidade de ir a Benavila e cortou-se-me o coração por ver como um outro local privilegiado de restauração em Avis se encontra já a cair aos bocados, até que, mais dia menos dia, venha completamente abaixo. Estou a referir-me ao “Retiro da Ponte”, como é óbvio. Sempre pensei, se calhar erradamente, que o Retiro da Ponte ainda tinha uma localização mais completa em relação ao Clube Náutico. Aquela encruzilhada de estradas, com passagem obrigatória para tantos viajantes/passeantes, por certo que o tornam num local de eleição para um restaurante. A sua sala de refeições com vista directa e quase a “planar” sobre a Albufeira do Maranhão, era um lugar paradisíaco. Mas o estado em que se encontra é bem visível na foto acima: abandono total. Dizem que já houve quem tentasse "pegar-lhe" mas que em termos de escrituras está num caos do qual muito dificilmente se desenleará. Ao que consta, certamente que primeiro reabrirá o “Agua-Doce” ou o novo Hotel da Cortesia do que o Retiro da Ponte.
É pena que situações destas aconteçam pois que Avis, em termos de grandes espaços de restauração, até nem está assim tão bem servido. Cheguem duas excursões de turistas com vontade de por cá comerem e onde se vão “albergar” 100 pessoas ao mesmo tempo?
Atenção que os que por cá há, servem com qualidade, mas que precisávamos de espaços maiores, lá isso precisávamos (aliás, precisamos!).

segunda-feira, 24 de março de 2008

A PAISAGEM RÚSTICA DE AVIS ESTÁ A MUDAR A UMA VELOCIDADE ALUCINANTE!

Foto 1 : "...os terrenos de seara estão a ser substituidos por mais um olival..."
Foto 2 - "...oliveiras que neste momento não ultrapassam os 20 centímetros acima do solo e plantadas a uma distância de 1,40m."





Ainda o ano passado tirei umas fotografias enquadradas com uma bela seara nas Terras do Rei, ali junto ao campo de futebol e agora as fotografias que obtive são as que acima se veem. Os “nuestros hermanos”, com pezinhos de lã, vão-se assenhoreando de Portugal que a pouco e pouco se vai transformando em mais uma província hispânica. Aqui já nem terão o problema da autonomia, pois estou convencido que, ao menos isso, eles vão deixar que continue a pertencer-nos.
Os terrenos de seara estão a ser substituídos por mais um olival com oliveiras que neste momento não ultrapassam os 20 centímetros acima do solo e plantadas a uma distância de 1,40m.
Já ouvi várias versões sobre estas plantações: que são um cultivo cuja produtividade é de curta duração, isto é daqui a poucos anos toca a arrancar e colocar novas oliveiras; que parte desta azeitona não é para azeite ou conserva mas para fabricação de bio-diesel; que lhe aplicam um produto na água da rega gota-a-gota para que as oliveiras cresçam em tempo recorde; que os bancos espanhóis subsidiam estes agricultores com taxas altamente favoráveis (mais favoráveis do que se fosse para investir em Espanha) e outras coisas que eu não posso confirmar por desconhecer a realidade.
Quanto às taxas favoráveis se lembrarmos que a maior parte do então Crédito Agrícola de Emergência nem sequer chegou a ser pago ao Estado por parte de quem então o recebeu, isto é, foi “entregue” aos nossos agricultores a custo zero, aí já não percebo porque é que para os espanhóis há agricultura rentável e para os portugueses não a há.
A realidade que eu conheço é que a paisagem rústica de Avis está a mudar a uma velocidade alucinante: Avis está rodeado de olivais espanhóis por todos os lados.
Oxalá que estas explorações agrícolas sirvam para dar trabalho a alguns portugueses (dos que preferem um trabalho a um emprego, claro está).



domingo, 23 de março de 2008

PARABÉNS À CASA DO BENFICA EM AVIS

Foto: " Pedro, diz aí ó Xico que eu nã acho o buraco pra meter esta brincadêra..."


O mínimo que se pode endereçar à Casa do Benfica em Avis, são parabéns pelo enorme êxito que mais uma vez se saldou o seu Rally Paper, que este ano atingiu a sua quinta edição. Além de ser uma noite diferente, é um evento que reune sempre um elevado número de participantes que entre o ansioso e o mais despreocupado lá vão cumprindo a sua prova e até agora sem acidentes o que também é digno de registo.
Longe vão os tempos em que o amigo Pedro Figueira tornava estes Rallys em autênticas charadas linguisticas de difícil decifração, em que se chegava a deitar fumo pelas orelhas. Agora muito mais simples, poderiam no entanto ser mais explicitos. Sabendo o trabalho que dá fazer uma prova com esta envergadura poder-se-ia, no entanto, ter um pouco mais de cuidado não colocando por exemplo perguntas com números de polícia que não se encontram inscritos nas respectivas portas. E se a seguir ao número 1 da Rua de S. Roque (?) em vez do nº 3 fosse o nº 1-A qual a resposta que serviria para a Organização? Então e se no Largo da Feira "há cinco iguais" como é que o somatório das escadas pode ser de 61?...uma não era igual ou era mais igual do que as outras!
Considerem isto como uma crítica construtiva ou, se assim o entenderem, nem sequer a considerem como crítica, mas como desabafo.
Reitero os meus parabéns à Organização e para o ano espero lá estar no VI Rally Paper.

sábado, 22 de março de 2008

RECORDAÇÕES ( hoje muito pouco saudosas) DE UM BENFIQUISTA

Frente do bilhete
Verso do bilhete

Pois é: desta feita "mamámosas"!
Acontecia, ao contrário de hoje em que é usual o Benfica levar nas lonas, de vez enquando o Benfica perder um joguito. Eu sei que os não Benfiquistas já tinham pensado: "este gajo só põe aqui os jogos em que o Benfica ganhava." Para verem que não é verdade aqui está o testemunho dos 4 a 1 que o Liverpool nos aplicou fez ontem 24 anos, num jogo a contar para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Agora é só imaginarem o "melão" com que uma pessoa, habituada a ver ganhar, regressava a Avis, às tantas da madrugada, depois de uma decepção destas. E com que vontade no outro dia íamos trabalhar e ter que ouvir as "bocas" do costume, em situações semelhantes. Como podem ver ( se não virem bem ampliem a fotografia) lá estava o actual treinador/maravilha do Glorioso.
O golo encarnado foi marcado por "um mariquinhas que nunca sujava os calções" e que dava pelo nome de Néné.

Nota: por vezes estes eventos não são indicados no próprio dia em que "fazem anos de terem sido", porque só gosto de avistar uma notícia por dia "DO CASTELO". Só em casos muito raros esta regra não acontecerá.Nada mais do que isso!

sexta-feira, 21 de março de 2008

CESTAS DE POESIA ( VIII )

Joaquim José Lourenço, O Ministro, continua a surpreender-nos com as suas poesias aprendidas quando tinha aí uns dezoito anos.
Ora aqui vão mais umas décimas:

Mote:
JÁ DORMI NA TUA CAMA
E JÁ TEUS ROSTOS BEIJEI;
JÁ LOGREI OS TEUS CARINHOS
E OUTRAS COISINHAS QUE EU SEI!


I
JÁ QUE EU CHORANDO NASCI
TINHA UM ANO GATINHAVA
E EU AOS DOIS JÁ ANDAVA
QUANDO AOS TRÊS ADOECI;
NÃO SEI COMO EU NÃO MORRI
QUE AINDA ERA DE MAMA
AOS QUATRO JÁ TINHA DAMA
E AOS CINCO ESTOU BEM LEMBRADO
E SEM PRECISAR ABANADO
JÁ DORMI NA TUA CAMA!

II
AOS SEIS ANOS FUI À MISSA
PELA MÃO DA MINHA MÃE
E AOS SETE ME LEMBRA BEM
QUE ERAS A MINHA DERRIÇA;
METIAS-ME TAL COBIÇA
QUANDO OS OITO COMPLETEI,
E AOS NOVE ENTÃO ATENTEI
SE TE HAVIA DE NAMORAR
E AOS DEZ ME POSSO GABAR
E JÁ OS TEUS ROSTOS BEIJEI!

III
QUANDO EU ONZE ANOS FIZ
JÁ SABIA O QUE ERA AMORES
AOS DOZE UNS CERTOS CALORES
QUE ME FIZERAM SER FELIZ;
AOS TREZE DEUS O QUIS
QUE NÓS FOSSEMOS AMIGUINHOS
AOS CATORZE DEI-TE UNS BEIJINHOS
QUE ERA ESSE O MEU INTENTO,
AOS QUINZE CHEGOU-SE O TEMPO
JÁ LOGREI OS TEUS CARINHOS!

IV
QUANDO EU DEZASSEIS ANOS TINHA
AINDA TE DISSE UMA VEZ
QUE AOS DEZASSETE TALVEZ
TU VIESSES A SER MINHA
AOS DEZOITO ME ENTRETINHA
COM O AMOR QUE EU ARRANJEI
AOS DEZANOVE APOSTEI
EM TE DAR TODA A ATENÇÃO
E AOS VINTE APERTEI-TE A MÃO
E OUTRAS COISINHAS QUE EU SEI!

AUTOR : DESCONHECIDO