ANTÓNIO ALEIXO é muito justamente considerado um dos melhores poetas populares portugueses. A sua obra ainda não se encontra toda compilada, sendo que está dispersa por diversos pontos do Algarve. Parte foi destruida após a sua morte pois que vários cadernos de poesias foram cremados como meio de defesa contra o vírus infeccioso da doença que o dizimou.
Era possuidor de grande espontaneidade e de um apurado sentido filosófico. Foi guardador de cabras, tecelão, guarda de polícia, servente de pedreiro que exerceu enquanto emigrado em França. De volta ao seu Algarve, radicaliza-se em Loulé, para se dedicar à venda de cautelas. Daí também ser conhecido como poeta cauteleiro.
São famosas as suas quadras de grande alcance crítico.
Como forma de homenagem, “DO CASTELO” deixa aqui seis quadras, propositadamente das menos conhecidas por serem igualmente merecedoras do nosso aplauso.
Fala quanto te apeteça
Mas desculpa que eu te diga
Que te falta na cabeça
O que sobra em barriga
Deixam-me sempre confuso
As tuas palavras boas,
Por não te ver fazer uso
Dessa moral que apregoas
P’ra que tentaste subir
Tão alto, mulher vaidosa?
Quem sobe assim vai cair
Na lama mais vergonhosa…
Foste por mim ofendido,
Desculpa se fiz tolice,
Que já estou arrependido
Das verdades que te disse.
Tu não me emprestas dinheiro
Porque não tenho vintém;
Mas se to pede um banqueiro
Quer vinte, ofereces-lhe cem.
Quantas sedas aí vão,
Quantos brancos colarinhos,
São pedacinhos de pão
Roubados aos pobrezinhos!
Quando começo a cantar – (1943);
Intencionais – (1945);
Auto da vida e da morte – (1948);
Auto do curandeiro – (1949);
Auto do Ti Jaquim - incompleto (1969);
Este livro que vos deixo – (1969) - reunião de toda a obra do poeta;
Inéditos – (1979).








