a) Foto obtida nos "Arrabaldes" de Avis - para lá do fundo da Rua dos Mercadores
a) Foto obtida nos "Arrabaldes" de Avis - para lá do fundo da Rua dos Mercadores
Com o início de Fevereiro, “DO CASTELO” enceta aqui uma nova rubrica dedicada aos poetas e à poesia, com incidência particular nos chamados poetas populares, cuja poesia raramente é dada a conhecer. A rubrica intitulada de “CESTAS DE POESIA”, terá uma edição irregular (tal como os Provérbios Ilustrados…) mas, quando sair será sempre às sextas (-feiras), para fazer jus ao nome...
Começamos com um Jovem nascido em 11 de Agosto de 1914 e que ainda há menos de uma hora me disse umas quadras sobre o dia dos namorados que já por aí se avizinha. Com esta interessante idade(93 anos feitos), JOÃO JOAQUIM CARRILHO, é uma daquelas pessoas com quem dá gosto falar, pois que se está permanentemente a aprender. Possuidor de uma memória cobiçável (de fazer inveja a qualquer um(a) que leia este Blogue, juro!) sabe de cor dezenas de versos que memorizou em novo. Não sabe fazer poesia mas sabe “montes” de poemas aprendidos na escola da vida dura do campo.
Como homenagem e agradecimento por tudo que me tem ensinado, é pois com JOÃO JOAQUIM CARRILHO que se inicia esta primeira “CESTA DE POESIA”, com umas décimas aprendidas e guardadas na sua memória desde gaiato.
Leiam com atenção, algo que tem mais de oitenta anos.
Título - ENTROU O POBRE E PEDIU
Mote:
ENTROU O POBRE E PEDIU
ONDE ESTAVA O CIDADÃO,
UMA ESMOLINHA A CHORAR
COM O SEU CHAPÉU NA MÃO!
I
EM MÍSERO ESTADO ME VEJO
UMA ESMOLA A PEDIR ANDO
QUEIRA-ME DAR “BEM” JANTANDO
ALGUNS DOS VOSSOS SOBEJOS;
O RICO POR NÃO TER PEJO
FEZ QUE O POBRE NÃO OUVIU
MAS ELE LHE REPETIU:
TENHA DE MIM PIEDADE
UMA ESMOLA POR CARIDADE
ENTROU O POBRE E PEDIU!
II
RESPONDE-LHE O RICO AVARENTO:
PONHA-SE JÁ DAQUI PARA FORA
QUE EU NÃO TENHO TROCO AGORA
NEM QUE LHE DAR DE SUSTENTO
DIZENDO-LHE AO MESMO TEMPO:
VÁ LÁ PARA GUARDA PORTÃO
CHAMANDO-LHE QUASE QUE LADRÃO
A UM POBRE ALEIJADINHO
POR ELE PEDIR COITADINHO
ONDE ESTAVA O CIDADÃO!
III
O POBRE FEZ-SE ABALADO
DA PORTA DO MAL FEITOR
E ENCONTRA UM TRABALHADOR
QUE NA CASA ERA CRIADO:
ANDA CÁ POBRE COITADO
QUERO-TE A FOME MATAR
SENTA-TE AQUI A MEU PAR
EU POBRE ERA E POBRE FICO
NUNCA MAIS PEÇAS AO RICO
UMA ESMOLINHA A CHORAR!
IV
FORAM-SE À MESA SENTAR
DANDO AO POBRE QUE COMER
E O RICO POR RICO SER
UMA ESMOLA LHE QUIS NEGAR;
PENSOU DEUS EM O CASTIGAR
SENHOR DO CONDE BARÃO
SÓ POR TER A PRESUNÇÃO
EM DIZER QUE NÃO PRECISA
CHEGOU A ANDAR SEM CAMISA
COM O SEU CHAPÉU NA MÃO!
Foto: Águia Nº 25 (VALONGO) edição da ACA
Foto: "...aí os máximos já podem ir aos 50Km/hora..."
Foto: "...e já Avis ostenta... a tal medida"
FOTO 1 - "A nostalgia de um rebanho de ovelhas..."
FOTO 2 -"...e um por do sol que...não terá sido o...mais bonito...em 2007..."