terça-feira, 18 de setembro de 2007

UMA NO CRAVO E MUITAS NA FERRADURA

O nosso “Primeiro Engenhêro" vai-me surpreendendo quase todos os dias. Uma vez a dar no cravo outras (muitas) na ferradura. Vamos a dois casos concretos:

NO CRAVO (mesmo em cheio!) – O pessoal da saúde vai começar a ter que “picar o ponto”. Já não era sem tempo de acabar com a “rebaldaria” de certos senhores (as) de bata branca para quem o horário de entrada é desconhecido (eu sei que por vezes o horário de saída também o é, quando calha…mas se entrassem a horas…)
O meu aplauso!

NA FERRADURA (e na parte que não tem ferro, no casco, onde dói mais): Apesar da euforia do Ministário da Educação, na abertura do novo ano lectivo, a verdade é que no Curso de Educação e Formação de INFORMÁTICA do Agrupamento Vertical de Escolas de Avis, pasme-se!... ainda NÃO HÁ PROFESSOR DE INFORMÁTICA!
A minha pateada!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

PONTO FINAL NA FEIRA FRANCA DE 2007

Foto 1 : Agradou-me, sobramaneira, o pavilhão da Câmara Municipal
Foto 2 : Gostei do André Sardet

foto 3 : ...com o rimbombar do último foguete...


Praticamente com o ribombar do último foguete encerrou mais uma feira franca. Digo praticamente porque ainda houve quem por lá ficasse até lhe dar na real gana ou até a segurança os porem fora do recinto da feira, e porque amanhã ainda muito boa gente terá que por lá passar para recolher o material que há que recolher.
A feira franca é uma referência. Uns anos melhores outros nem tanto mas é uma referência. Parece que para o ano irá aparecer no mesmo local mas com novo formato de modo a agradar melhor a quem a utiliza, de modo a não se dizer : “Por aí já não dá à conta ir que não há nada”, quando afinal há. Agradou-me sobremaneira o pavilhão da Câmara Municipal. Não sei quem foi o autor do projecto mas quem o conhecer enderece-lhe os parabéns de um admirador anónimo. Agradou-me igualmente o facto de saber (pobre ignorante que eu sou) que a Fundação Abreu Calado embala amêndoas de casca. Confesso que não sabia.
Gostei igualmente do modo como uma vez mais a D. Angélica soube desempenhar as suas funções com um “savoir faire” cada vez mais bem conseguido e que os anos de feira lhe vão dando. Parabéns também para ela e boas melhoras ao “escaldão”!
Gostei de ver gente nova na Feira
, e lembro-me de repente, da Informaticavisense, dos Sabores de Avis, da Remax e da Associação de Pais (consta-se que esta Associação possui um “comercial” que em meia hora vendeu mais bonequinhos que duas colegas toda a tarde. Consta-se…)
Gostei do André Sardet .
- Este gajo agradou-lhe tudo, dirá o meu caro(a) leitor(a). Mas não é bem assim.
É claro que quando recebemos visitas na nossa casa temos que os receber da melhor maneira, dando-lhe o melhor lugar na mesa, cedendo-lhe a melhor cadeira da casa. Mas também não podemos dar menos atenção à nossa família, não podemos pôr os nossos filhos a comer no quintal só para que as visitas fiquem melhor instalados. Mas que grande confusão arranjei que até eu já quase me perdi. E vem isto a propósito de quê? É fácil de explicar: nos melhores lugares da mesa (entenda-se, da feira) lá estavam as famílias convidadas de Castelo Branco, Vialonga, Caldas da Rainha, Castelo de Vide, etc., etc. etc. e lá no quintal (entenda-se lá para o fundo da feira, quase no Ervedal, apesar da I Feira do Livro do Alentejo já ter sido há algum tempo) aqueles rapazinhos que se esforçam em defesa da cultura, tentado pôr as pessoas a ler livros que vendem a preços quase irreais. Coitados dos rapazes que, sendo filhos da terra, não deveriam ser postos no quintal. Mas mesmo assim, e apesar de tudo, pareciam satisfeitos pelo desempenho da sua missão, desinteressada e não remunerada. Parece-me serem gente que não desiste…
Ouvi
alguns “feirantes” perguntar se este ano não levavam o diploma de participação para casa. Se calhar precisavam dele para se justificarem do sítio por onde tinham andado durante o fim-de-semana. Digo eu…
Alguns a indignarem-se pelo facto de outros colegas fecharem antes da meia-noite; outros a reclamar pelo facto de não os deixarem entrarem com os carros para dentro do recinto da feira quando outros, igualmente participantes em stands, o faziam. Enfim é o costume mas a gente já nem faz caso.
Confesso: de tudo, mas de tudo que vi na feira, do que mais gostei foi do golo do Rui Costa, contra a equipa da Naval.

Com toda a certeza, depois foi do pavilhão do nosso Município.




quinta-feira, 13 de setembro de 2007

AINDA HAVEMOS DE TER UMA SELECÇÃO DE FUTEBOL À SEMELHANÇA DO SEU TREINADOR!

Foi preciso o treinador da selecção nacional portuguesa de futebol passar das palavras aos actos para eu perceber o que ele queria dizer quando se referia que o jogo era um “MATA-MATA”. Quando a nossa selecção for constituída pelos actuais dois jogadores brasileiros mais os nove que Scolari espera se naturalizem rapidamente, tudo vai ser diferente. Ó se vai!
No entanto Scolari também terá que treinar muito, porque se ele erra um murro num “gajo” tão grande quanto o jogador da Sérvia que ontem tentou “deitar abaixo”, como é que quer “matar-matar?”

Mas isto é coisa de pouca monta. O importante é que amanhã começa a nossa Feira Franca e não se esqueça o que ontem aqui deixei expresso: HÁ LIVROS NA FEIRA!”.
Ler é uma forma de nos democratizarmos!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

HÁ LIVROS NA FEIRA - III EDIÇÃO

Pelo 3º ano consequtivo a Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural vai disponibilizar, em stand próprio, livros a preços simbólicos na Feira Franca de Avis.
Segundo DO CASTELO apurou, a partir das 20 horas do dia 14 (sexta-feira) e até à meia-noite de Domingo (dia 16) estarão à venda cerca de 350 exemplares de livros cujo preço varia entre os 0,50€ e os 8,00€, sendo de salientar que grande parte destes, além de serem novos, são já edições de 2007.
Eu por mim vou por lá passar. E você?

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

DESERTIFICAÇÃO!

FOTO: AVIS ANO 2050!

O Diário “Correio da Manhã” de sábado dia 8/9/2007, além de nos informar de que " azeitonas com sabor a café estão a ser comercializadas desde o início deste mês em Campo Maior” informa-nos igualmente do seguinte na sua página de Ciência e Tecnologia e Sob o título de “PORTUGAL SEM ÁGUA DENTRO DE UMA DÉCADA”:
“ Portugal é um dos três países europeus mais desertificados (os piores são a Itália e a Turquia), com 36% do território afectado e mais de metade do país a correr o risco de se tornar em solo árido se nada for feito para inverter a situação….”
...O Mediterrâneo Norte, onde se incluem o Alentejo e o Algarve, é em grande parte uma região semiárida. As florestas cobrem cinco por cento da superfície”.
(fim de citação)

"DO CASTELO" antecipa-se algumas décadas, e mostra-lhe uma imagem do que poderá ser Avis, enquanto parte integrante de um Alentejo desértico…

sábado, 8 de setembro de 2007

TOPONÍMIA

Por vezes dou comigo a pensar quem seria quem e o que teria feito certa pessoa para merecer constar na toponímia de uma determinada localidade. Avis não escapa à regra. José Diogo Paes, tem a placa toponímica lá bem no princípio da rua que começa na Machado dos Santos e termina no Outeiro da Saudade (nome curioso este…) e a sua terminologia soa a Avis. A placa tem aspeco de estar ali há bastantes anos. Quem seria?
Por mera casualidade veio-me parar à mão um “escrito” datado de 1933 e eis senão quando lá se me depara o nome de José Diogo Pais.
Pelo menos já sei quem foi e o que de importante o ligou a Avis.
Outros nomes que por aí há, se bem que mais recentes, a Avis não “cheiram” nada…

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

INDIOS? COW-BOYS? NÃO! SÃO OS DESCOBRIDORES DO SÉCULO XXI!!

FOTO 1 - "...UMA PINCELADA COLORIDA..."
FOTO 2 - "...ERA UM ESTILO DE VIDA"

FOTO 3 - VÍVERES (GALINÁCEOS)


FOTO 4 - VÍVERES ( UMA CABRA)

Ao vê-los à distância confesso que tremi. Tive medo. Estacionados na estrada Avis-Ervedal, nas imediações do desvio para a Horta das Rosas, eram uma pincelada colorida no desmaiado, amarelento e atípico campo alentejano. Índios? Cow-boys? O lembrar-me do que aquele senhor ministro disse sobre o facto de do “lado de cá do Tejo” sermos um deserto, ainda mais me amedrontou. Estacionei e aproximei-me com um sorriso nos lábios em sinal de paz o que de imediato transmitiu um grau de tranquilidade de parte a parte. Afinal nem eram índios nem cow-boys e se calhar do lado de cá do Tejo só existe deserto na mente conturbada do tal senhor ministro. Com um português fluente, foi fácil estabelecer conversação com estes “descobridores do Século XXI”. São da Holanda. Atravessaram a Alemanha, a França e a Espanha. Entraram em Portugal pelo Minho e voltavam agora de novo para Espanha, via Elvas/Badajoz. Talvez que inspirados nos marinheiros-aventureiros-descobridores Holandeses ou Portugueses, nas carroças transportavam os víveres: galináceos ( foto 3) e uma cabra( foto 4).
Perguntei-lhes se eram ricos. Disseram-me que não. Se não tinham medo de andar por aí, um jovem casal e um bebé, neste mundo tão conturbado. Disseram-me que não. Como alimentavam os muares? Fazendo o “acampamento” em locais onde o pasto abunde para assim poderem saciar a fome e poupar na palha. Ah! Tinham para vender umas ferraduras pintadas com cores muito garridas num artesanato primário. Instados a responderem a razão porque se aventuravam assim por esse mundo fora, disseram que era um “estilo de vida”. Aceitei a resposta. Aliás, aceitei todas as respostas que me deram durante quase um quarto de hora de conversação aberta e sincera. Autorizaram-me que os fotografasse mas com a condição das fotos não serem publicadas em nenhum jornal.
Lamentei não ter vinte e poucos anos, espírito aventureiro e uma carroça como a deles. Despedi-me e vim-me embora. Depois, voltei para trás e dei-lhe uma nota de cinco euros para comprarem um gelado para a criança. Agradeceram e queriam que eu trouxesse uma ferradura. Não aceitei. E foi só disso que me arrependi.
Onde estarão eles a estas horas?















I FEIRA DO LIVRO DO ALENTEJO (A identidade alentejana/livros e autores do Alentejo) ENCERROU COM SALDO ALTAMENTE POSITIVO!


A I Feira do Livro do Alentejo, em Ervedal, já foi. E foi um sucesso. E pretende-se que se repita. E pretende-se que seja outro sucesso!
“DO CASTELO” quer apresentar os parabéns a todos quantos tornaram possível este evento, nomeadamente:
Ao pai da iniciativa: esse grande amigo que se chama Aníbal Fernandes (eu sei D. Rute, eu sei: atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher…)
À mãe da iniciativa: a Fundação Arquivo Paes Teles
Ao padrinho da iniciativa
: O Município de Avis
À madrinha da iniciativa
: A Universidade de Évora
Às filhotas da iniciativa
(incansáveis trabalhadoras): Elisabete Pereira e Marta Pereira
Aos primos da iniciativa: Casa Fernando Pessoa e Casa dos Livros
Aos vizinhos colaborantes da iniciativa: Amigos do Concelho de Aviz -Associação Cultural e Clube (Grupo?) de Fotografia de Avis
A todos os “anónimos”
identificados por uma placa com indicação do nome e a palavra “Organização”.
Todos foram inexcedíveis! Todos merecem os meus parabéns


Talvez que se tenha apostado pouco no Norte Alentejano. Além do cartaz (Avis/Portalegre) e da presença de Rui Cardoso Martins pouco mais se ouviu falar em “Portalegrense”. Até o Hugo Teixeira da Rádio Portalegre não apareceu e nem foi dada nenhuma explicação justificando a sua ausência. Ficava bem. É certo que os diversos Municípios norte alentejanos estiveram representados com os livros dos seus melhores escritores, mas a presença física de autores norte alentejanos foi muito parca.
Um acontecimento cultural desta envergadura merecia até uma cobertura televisiva. (Mas, também aí, até o representante da Sul TV no debate sobre “A Comunicação Social no Alentejo” primou pela ausência.) Uma coisa boa, uma coisa positiva não “vende”. Depois fica lá no fim do mundo, no Alentejo profundo. Ah! Se fosse uma desgraça… Se tivesse caído a ponte do Ervedal quando um carro carregado de passageiros por lá passasse, cheirando a desgraça, então aí estariam cá todos os canais e quem sabe se não em directo e em horário nobre.

Talvez que tivesse sido interessante ter havido uma conversa com autores do concelho de Avis, que os há por cá com obra publicada. Lembro-me assim de repente do jovem Dinis Muacho de Aldeia Velha, da poetisa Ana Codeca de Valongo; do poeta José Afonso Milheiras, igualmente de Valongo; da consagrada Maria Albertina Dordio, de Ervedal e outros que me perdoem por não os mencionar mas não me ocorre mais nenhum de momento. Arranjar-se-ia por certo o número suficiente para uma conversa amiga, caseira, ainda que não tão mediática quanto as havidas.

Não digam a ninguém mas a autora de “Água Pródiga”, a Margarida Morgado, que lançou o seu livro na sexta-feira não é Alentejana. É Algarvia! Mas isso também demonstra o quanto bem nós sabemos receber quem nos visita.

Pois que venha a II Feira do Livro do Alentejo!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

TRÊS EM UM!

Três em Um e por ordem decrescente de interesse:

1 – O meu amigo dos Desabafos já o tinha anunciado há vários dias. Eu relembro que começa amanhã e que se prolonga até Domingo a I Feira do Livro do Alentejo, no Ervedal. Veja o programa em http://www.paesteles.org.pt/feiralivro.htm e depois passe por lá. Vai valer a pena!

2 – Hoje tive que sair de casa bastante cedo. Cerca das seis e um quarto da manhã, alguns funcionários da Câmara Municipal de Avis aguardavam pacientemente, nos seus posto de trabalho, que se fizesse de dia para começarem a trabalhar, pois que nesta altura do ano às seis da manhã ainda não se vê nada.

3 - Nesta foto mostra-se um ninho de “Águias” ( ou uma devoção “Camachiana”?) em Ponte de Sôr…

Foto: O Ninho da Àguia (Algures em Ponte de Sôr)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

SÓ DE CAPACETE!!!

Foto: Pinha do Jardim de Ponte de Sôr


Nunca digam que estão bem. Na passada quinta-feira estava eu muito bem sentado a gozar o agradável fresquinho que se fazia sentir num banco do jardim de Ponte de Sôr, quando oiço um “resmalhar” vindo lá bem do cimo de uma daquelas árvores altíssimas, estilo países nórdicos, que alindam o referido jardim. Com grande surpresa minha vi cair, ali a cerca de um metro do sítio onde me encontrava, a “simpática” pinha que a foto mostra. Seguramente que pesava para aí uns três quilos (se duvida amplie a foto e compare).
Curiosamente andava lá um jardineiro que me disse que da parte da manhã tinham caído três de uma outra árvore e que ele, sempre que se apercebia que as crianças brincavam na relva junto àquelas árvores, avisava os adultos seus responsáveis para o que lhes poderia acontecer.
Acaute-se. No jardim de Ponte de Sôr, só de capacete…





domingo, 26 de agosto de 2007

NOSSA SENHORA MÃE DOS HOMENS - PORQUE HOJE É O ÚLTIMO DOMINGO DE AGOSTO


Penso que já aqui fiz referência a que uma vez fui alertado para o facto de numa lixeira ali para os lados das Casas Altas se encontrarem muitos “escritos” abandonados. Porque na altura lá os fui buscar, ficando com um vastíssimo espólio documental, e com a devida vénia à memória do Sr. António Pais que fez o favor de ter sido meu amigo, passo a transcrever o que ele escreveu em 1981 acerca das festividades em honra de Nossa Senhora Mãe dos Homens e que eu recuperei nessa estrumeira. O texto é um pouco extenso mas vale a pena lê-lo.
Passo a transcrever:



"TUDO O TEMPO LEVOU

AVIS

NOSSA SENHORA MÃE DOS HOMENS

É remota a festa que se fazia a Nossa Senhora Mãe dos Homens cuja ermida fica situada no alto do monte denominado por Courela de S. Miguel. Fica a poucos quilómetros da vila de Avis. Em redor da velha igreja a flora era composta por velhas azinheiras e majestosos carvalheiros de tronco carcomido. Em baixo a velha fonte de três bicas corria em abundância o precioso líquido, água límpida e fresquinha. Junto da mesma um pequeno ribeiro com uma pequena corrente servia para regar as hortas ali existentes, onde a boa fruta não faltava em especial o pêssego belíssimo, fruto da região. As margens do ribeiro eram compostas por grandes silvados, freixos, choupos e alguns carvalheiros. Era frequente ouvir um melro cantar ou rouxinol que nos deliciava com as suas melodias. O dia de festa a Nossa Senhora era no último Domingo de Agosto. Não faltavam ali as gentes de Avis assim como dos seus arredores e até de longe aqui apareciam romeiros a quem a fé não faltava; vinham pagar as suas promessas. Deslocavam-se nos mais rudimentares meios de transporte, não se importavam com as maçadas que lhes dava. Tinham a sua fé como os seus bisavós, seus avós e seus pais, sentiam-se presos àquele lugar, não podiam faltar.
À sombra das velhas árvores abrigavam-se do calor escaldante do mês de Agosto, ali estavam com os seus carros que os tinham transportado presos aos mesmos animais que os puxavam. Comiam palha e também o perfumado feno, manjar preferido pelos animais e que era escolhido para aquele dia. Junto aos carros era frequente ver uma pequena cadeira ou mochos e até um saco com uma pouca de palha que também servia de assento. Um garrafão com vinho branco ou tinto conforme o paladar. Um cesto ou cestos transportavam os deliciosos manjares destinados para aquele dia. Ali não faltava o assado de borrego e as costeletas, o arroz tostado, almôndegas etc. Os mais variados manjares de Pantraguel. Às vezes também apareciam bolos e arroz-doce. Não faltavam também as deliciosas uvas, lavadas com a límpida e cristalina água da fonte de Nossa Senhora. Não esquecendo o bom melão, as deliciosas melancias de cor rubra que nos deliciavam com o seu sabor e frescura.
O romeiro geralmente era franco, pondo à disposição dos seus convidados e de bom agrado tudo o que tinha nos seus cestos. E até para os que em redor passavam se ouvia esta frase: É servido? E em troca desta franqueza havia um ou outro que aceitava e logo lhe era dado um naco de pão e uma roda de paio ou uma perna de galinha, não faltando o Deus Baco com o bom sumo do fruto da videira. Muitos bebiam um pouco mais, e era frequente às tantas da tarde ou da noite se ouvir cantar o fado, que quando não era acompanhado por um velho harmónio ou guitarra também se ouvia sem acompanhamento. No largo da Igreja havia um coreto onde eram executadas várias músicas pela banda que ia ás festas. À noite não faltava a quermesse geralmente cheia de prendas e até havia artísticas obras feitas e bordadas por gentis e simpáticas meninas que não faltavam à festa. Parece que estou ouvindo a voz dos festeiros: 50 escudos, quem dá mais? Dou-lhe uma, dou-lhe duas, etc. Era assim que se passava o serão enquanto a banda no coreto executava músicas do seu reportório. Recordo ainda que houve um ano em que a banda de Infantaria 16, de Évora, nos veio honrar com a sua presença. Estava ao tempo, na regência, o Senhor Capitão Joaquim Guilherme Boto da Piedade, natural de Avis. Aqui vive sua filha D. Dinah Guedes Boto da Piedade que como seu pai adora música. Assim a temos todos os domingos na missa tocando órgão. Mas voltando às festas de Nossa Senhora Mãe dos Homens que, durante o serão, de vez em quando subia ao ar um foguete que quando rebentava, um de lágrimas, digo que como a sua luz iluminava todo o recinto deixando algumas vezes ver coisas que muitos desejariam que não fossem vistas. Por fim as rodas de fogo, um balão que subia para cair sabe Deus onde. Recordo ainda que junto à igreja ainda existem moradias que ao tempo eram habitadas, sendo uma delas destinada ao ermitão. Na parte da manhã havia missa cantada com acompanhamento musical e coro; também havia sermão. Na parte da tarde a procissão junto à igreja. Existia na igreja uma velha balança onde algumas pessoas se pesavam. O seu peso era equilibrado com igual peso em trigo que era oferecido a Nossa senhora, para pagamento duma promessa, uma graça recebida da Mãe de Jesus à qual muitos recorriam nas horas de aflição. Também para distracção dos romeiros se fazia uma cerca onde eram lidadas vacas bravas, e quando não se podia fazer espectáculo desta natureza havia sim tiro aos pratos. Ali se batiam grandes atiradores, alguns de fama internacional.
Recordo que no recinto havia barracas de comes e bebes como vulgarmente se chamam, também de cafés e torrão. Pela noite fora alguns já aquecidos pelo álcool levavam a noite comendo e cantando, não deixando passar pelo sono aqueles que procuravam descansar um pouco em cima de um colchão colocado no leito de um carro ou mesmo o colchão no chão. Muitas vezes este silêncio era interrompido pelo relinchar dum cavalo ou muar, ou até pelo zurrar de um burro. Não faltava também a sua zaragata por os que bebiam demais, mas logo era sufocada e tudo continuava bem na esperança que Nossa Senhora lhes desse saúde para que no próximo ano pudessem voltar. Fruta havia sempre a vender e com fartura e vinho.
Enfim, quem não levasse farnel bastava levar dinheiro. Muitas meninas guardavam os vestidos novos para estrear no dia da festa não esquecendo, claro, muitos namoros que ali se ajeitavam, bem como aqueles que tendo já sua namorada ali se juntavam para mais uma vez terem o seu idílio naquele dia e serão que sempre deixava saudades.
De tudo isto resta apenas a saudade e algumas fotografias em estimação, chorando os que Deus já chamou e não mais vêm. Do resto tudo o tempo levou.

Avis, 3 de Novembro de 1981

ANTÓNIO PAIS "


sexta-feira, 24 de agosto de 2007

NOVA FOLHA INFORMATIVA DO CENTRO DE SAÚDE

Passado mais de um ano (a nº 8 referia-se aos meses de Abril/Maio/Junho de 2006) aí está um novo número da Folha Informativa do Centro de Saúde de Avis, referente a Agosto de 2007 e com o nº 9. Por pensar que é de extrema utilidade ao comum dos cidadãos é pena que tenha uma publicação tão irregular. Lê-se bem, é informativa embora me pareça que, atendendo aos subscritores dos artigos, haja por ali um pouco de auto-promoção.
Às vezes até posso estar enganado e isso nem sequer é uma razão minimamente aceitável para que a folha não seja publicada com mais regularidade.
Já agora os meus parabéns ao Fisioterapeuta João Pedro que, segundo lá consta, fará anos a 27 de Agosto.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

"ALCÓRREGO" INVADE O CONCELHO DE AVIS!

FOTO 1 - ...na aldeia...
FOTO 2 - ...no campo...


FOTO 3 - ...à beira de uma piscina...

FOTO 4 - ...nas fragas do Maranhão...

Conforme as fotos demonstram, assiste-se a uma autêntica invasão de garrafas de vinho da marca ALCÓRREGO”. Vão aparecendo por todo o lado...
Próprio para se saborear na aldeia, no campo, à beira de uma piscina ou nas fragas do Maranhão, aí está : “Em pleno século XXI, tem o privilégio de apreciar um vinho que é fruto do engenho, amor, sonho, e aventura de civilizações milenares. As castas Alfrocheiro, Aragonês, Tinto Cão e Touriga Nacional, são uma herança de povo para povo, apurada ao longo de gerações. Chegou a sua vez de tomar posse deste legado único: ALCÓRREGO” – assim reza o rótulo.
O sinal de STOP na foto nº 1 aparece-nos assim a modos que envergonhado, mas ele está ali para lembrar que se fôr conduzir beba com moderação: sabe melhor e não faz mal. Saiba fazer STOP atempadamente.
Comparando o binómio qualidade/preço deste vinho, garanto-vos que ambos são uma agradável surpresa – pelo menos para mim…

(Nota: "DO CASTELO" jura por sua honra que este "post" não foi encomendado e que não recebe nenhuma comissão na venda deste precioso néctar.)



segunda-feira, 20 de agosto de 2007

SALVÉ CÉSAR!


Foto: PONTE DE VILA FORMOSA


Paxaviz, aos 20 dias dos idos do mês Augustos de 2007 d.C.

Salvé César, um tribuno da Era Contemporânea te saúda!

Quem a ti se dirige é um tribuno da plebe, que a tal ousa tão somente pelo facto de estares tornado em pó há para aí dois mil anos e, como tal, já não me poderes mandar para o circo das feras em Roma ou em outro sítio qualquer. O que te vou dizer só o faço por isso: tu, nesta altura da era cristã, já nem pó serás! Mas sempre te digo, Públio Élio Traianus Hadrianus, de que a tua visão militar foi muito boa, mas quanto a construções deixaste muito a desejar. Vou-te avivar a memória:
Lembras-te de teres mandado fazer uma ponte entre Alterjuliachão e Vale deAçorpax? Não? Então se não foste tu foi um parecido contigo. Olha se tivesses outra visão, uma visão voltada muito p’ra frentex, deverias ter-te lembrado que com o decorrer do tempo muita coisa iria mudar. Bem sei que para os teus carros de tracção cavalar a ponte chegava e sobrava para toda a vida. Agora os cavalos são outros! Mas não tiveste aquela esperteza que deverias ter tido para a fazeres mais larga e ainda mais sólida - bem sei que na tua altura para ser Imperador ou para mandar fazer uma ponte não era preciso apresentar nenhum diploma de engenharia civil. Mas olha que nesse aspecto, as coisas mudaram pouco desde o teu tempo até agora. Anda por aí muita gente que ou não sabem do diploma e atingem o patamar mais alto da oligarquia, ou se sabem do diploma, não sabem o que lhe hão-de fazer, como é o caso mais recente do Engº Fernandus Santus. Mas voltando à ponte de Vila Formosa. Sabes o que está acontecer agora que a mesma está a completar para aí uns 1800 anos? Olha, está a dar o “abafa”. O Rector Provinciae Jovianusviturinus I, condicionou nela o trânsito. Os camiões já lá não passam e mandam-nos passar pelo território da província de Paxaviz, do Rector Provinciae Manuelmariaugustus, e a estrada que faz a ligação entre Sedajulia e Paxaviz está a ficar uma miséria e tudo por tua culpa. Entre Paxaviz e Benavijulia Augusta os buracos são tantos que mais parece que em vez de nos deslocarmos em carros (automóveis, não carros desses que tu desenvolveste), mais parece que vamos de galera tal é o balanço a que os mesmos estão sujeitos. Até já há quem ali enjoe. Com a chegada do próximo Inverno devemos ficar de novo com as estradas piores que as do teu tempo.
Bem Adriano, (desculpa a intimidade) o recado está dado e já sabes que és o culpado pelo mau estado das nossas estradas.
Mas, como sempre, és dos grandes e safas-te…


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

OS PETISCOS DO MONTINHO!


A chancela da ALEMTUDOEDIÇÕES seria só por si uma garantia de sucesso. Agora, se lhe acrescentarmos um prefácio espectacular escrito pelo “vermelho” António Bagão Félix e uma superior introdução feita por esse mestre da “pena” que dá pelo nome de Aníbal Fernandes, (e que aqui a usa com a mestria a que as suas crónicas já nos habituaram), diremos que “Os petiscos do Montinho” têm todos os condimentos para serem um prato preferido por todos quanto gostam de leitura e não só.
A Maria José e o Fava merecem este testemunho, este reconhecimento pelo modo como têm sabido honrar a tradição da gastronomia alentejana.
Mas ter as receitas não é tudo. Para mim é quase nada. Eu bem leio o que lá está escrito, bem tento, mas a “coisa” não me sai bem. Acaba por me cheirar sempre a esturro! Até já sei algumas receitas de cór, como é o caso da sopa de beldroegas com queijo da página 63 (…e o gajo a dar-lhe com as beldroegas!!!) mas uma coisa é a teoria, outra é a prática, é o saber fazer. Por isso, o melhor mesmo é fazer uma visita à “Tasca do Montinho” quanto mais depressa melhor, banquetear-me com uma qualquer das suas super-iguarias e perguntar como se podem adquirir “As receitas da Maria José”.
Já sinto água na boca…juro!



domingo, 12 de agosto de 2007

RECEITAS DA MINHA AVÓ





Título da foto : "BELDROEGÁRIO DE AVIS"

SOPA DE BELDROEGAS

Ingredientes:Para 4 pessoas

2 molhos de beldroegas ;
2 cebolas ;
500 g de batatas ;
1,5 dl de azeite ;
1 cabeça de alhos ;
500 g de pão caseiro ou de 2ª ;
4 ovos ;
2 queijinhos frescos

Confecção:

Preparam-se as beldroegas aproveitando apenas as folhas. Os molhos devem ser grandes. Cortam-se as cebolas ás rodelas e alouram-se com o azeite. Juntam-se as folhas de beldroegas lavadas e deixam-se refogar muito bem mexendo com uma colher de pau. Regam-se com cerca de 2 litros de água e deixa-se levantar fervura.Retiram-se as peles brancas à cabeça dos alhos, que se introduz inteira (sem retirar a pele roxa de cada dente de alho) na panela com o caldo a ferver. Juntam-se ainda as batatas cortadas às rodelas grossas. Tempera-se a sopa de sal e deixa-se cozer.Na altura de servir, introduzem-se no caldo os ovos um a um e deixam-se escalfar. Por fim metem-se na panela os queijinhos cortados aos quartos.Tem-se o pão (de preferência alentejano) cortado ás fatias numa terrina e rega-se com o caldo.À parte servem-se as batatas, os ovos, as beldroegas e os queijinhos.

Poderá acontecer, porém, que alguns de vós, ou porque chegaram agora a Avis, ou porque já de cá abalaram há muito tempo, não saibam o que são beldroegas. Então poderão ampliar a foto junto e verificarem do que se trata, ou visitarem ao vivo o “Beldroegário de Avis", que se situa nas imediações do cruzamento da Rua António José de Almeida com a Rua 1º de Maio.
Se pelo nome das ruas mesmo assim não chegarem lá, então sempre lhes direi que o “Beldroegário” é entre o edifício dos Correios, e a loja dos Chineses, com fortíssima implantação junto à Loja dos Trezentos.
( Daí talvez a placa fazer referência a que o que se trespassa ou aluga é somente a loja …)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

LEPORÍDEOS NO CEMITÉRIO!


No cemitério de Sousel existe uma praga de coelhos que deambulam por entre as campas, chegando mesmo a escavar em algumas, de terra rasa. Introduzindo-se pelo portão e pelas saídas das águas pluviais, os seus excrementos são visíveis por quase todo o lado. As ervas também crescem a bom ritmo nos espaços entre as campas, a Igreja e paredes necessitam de ser caiadas, sendo que o encarregado, Sr. Francisco, diz que só ele não consegue dar conta de tanto trabalho, situação que afirma já ter denunciado ao seu superior hierárquico. Este afirma-lhe que não tem pessoal para mandar para lá, o que afinal se nos afiguraria ser de fácil resolução dado o número de desempregados naquele concelho e quem sabe se nalguns serviços de igual categoria não haverá pessoal a mais. Uma coisa é certa: o aspecto geral daquele cemitério é de nota muito baixa, sem que toda a responsabilidade tenha que ser atribuída ao Sr. Francisco. Ele diz que faz o que pode…
Comparado com o nosso cemitério em Avis, diríamos que o nosso é um cemitério de cinco estrelas.
Aproveito a oportunidade para dar os meus parabéns ao José António
pelo modo exemplar como desempenha as suas funções não só como coveiro, mas como responsável directo, por este espaço da Junta de Freguesia de Avis.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A LISTA!!!

A ideia não é inédita nem sequer recente. No entanto chegou agora por cá. Um comerciante de Avis resolveu expor na sua loja, a partir do dia 3 do corrente mês, uma lista de devedores de longa data (um remonta mesmo a 1997…) e parece que com algum êxito pois já se notam nomes cortados e ilegíveis, prova evidente de que as dívidas “riscadas” foram finalmente saldadas. Esta atitude demonstra uma grande coragem do comerciante em causa, apesar daquela lista, de cerca de 30 devedores, valer mais de 5 000 euros, e embora me dê a impressão que a mesma não é exaustiva.
Dei comigo a pensar o que seria de “conversas nesta terra” se todos os nossos comerciantes, com dívidas acumuladas, resolvessem expor os seus “devedores de estimação”. Não me enganarei muito se concluir que muito do “Jet-set” da nossa terra, aquele que se houvesse uma revista cor-de-rosa por cá seria tema de capa ou das folhas principais na dita revista, andará por aí com o rabo entalado. É vê-los e vê-las, de nariz empinado, super emproados(as), fazendo uma vida muito acima das suas possibilidades. Como? Desconheço, mas imagino.
Já sei! Eu não tenho nada a ver com isso. Mas aposto que você, que está de cara limpa, também já pensou nisso…Verdade?

sábado, 4 de agosto de 2007

BRUXOS À SOLTA EM AVIS!!!

Fui hoje contactado pessoalmente para ir trabalhar para o SHAMANIK FESTIVAL, por um indivíduo que se exprimia muito mal em Português. Com o meu mau inglês conseguimos entender-nos. Não, não nos entendemos ao ponto de ir trabalhar para o Festival. Mas chegou para eu ficar confuso.
Chegado a casa indaguei e então o que acontece é que se vai realizar entre 11 e 15 de Agosto, o grande “FESTIVAL DOS FEITICEIROS”, em Avis.
Como penso que ficará tão curioso quanto eu e para desfazer essa sua curiosidade dê uma espreitadela em: www.shamanikfestival.com.
Então e que tal?
Disto é que nos faz falta. Bruxo!!!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

FOTO PREMIADA

TÍTULO: CALMARIA
"DO CASTELO" tinha prometido que iria solicitar a foto premiada com o 3º prémio nos 18ºs Jogos Florais da Ameixoeira/2007 ( Lisboa). Sob o tema VERÃO, a foto aqui fica reproduzida sendo de salientar que a mesma é da autoria de um dos elementos do GRUPO DE FOTOGRAFIA DE AVIS.