A crise manifesta-se de igual modo em todo o lado. Por vezes, ficando indignado com os despedimentos em fábricas com grande quantidade de trabalhadores, realçava o facto de a maioria dos empregados não conhecerem os donos da fábrica e estes ainda menos conhecerem os seus empregados pelo nome, pela “cara” ou pelas suas qualidades de trabalho. Daí o facto de os despedimentos serem feitos do género: amanhã não há trabalho e vocês ficam em casa no desemprego ou outro expediente parecido.
Afinal cá por Avis existem processos de despedimento parecidos (iguais) em locais de trabalho apenas com dois empregados e um patrão. Um amigo meu, de quem tenho ouvido as melhores referências no domínio da mecânica recebeu há dias, de chofre, a notícia de que, “devido à falta de trabalho, a partir de amanhã já não vens trabalhar.” Não foi ele trabalhar nem o colega de serviço. Que a falta de trabalho seja uma realidade, não duvido. Que os encargos com salários e segurança social fossem incomportáveis para a entidade patronal, também não duvido. O que eu duvido é que não houvesse outra maneira de dizer às pessoas que tinham de deixar de trabalhar naquele local e talvez até com algum tempo de antecedência que lhes permitisse irem pensando no futuro. É que aqui, o patrão conhecia bem os seus empregados pelo nome, pela “cara” e pelo desempenho das suas funções. E os empregados também conheciam (afinal, mal) o patrão pelo nome e pela “cara”.
Mas aconteceu assim e em termos de indemnizações não se sabe muito bem ainda como vai acontecer. Quem sabe não apareça por aí uma falência repentinamente...
Afinal a crise manifesta-se de igual modo (arrogante) em todo o lado…
Afinal a crise manifesta-se de igual modo (arrogante) em todo o lado…

