O “BOA MEMÓRIA” avisou-me de que já se encontravam na Biblioteca Municipal três exemplares do livro “Barbatanar” do autor do mês. E hoje mesmo lá fui eu ver se apanhava algum exemplar para matar a minha curiosidade. Em vez de um estavam lá os três! Não é novidade para ninguém que as bibliotecas no seu sistema tradicional estão a cair cada vez mais em desuso. Até o próprio livro impresso, com folhas palpáveis cada vez irá tendo menos aceitação sendo que num futuro mais ou menos próximo ninguém já “lamberá” a ponta dos dedos para mudar a página. A Net ou outro qualquer sistema encarregar-se-á de no-lo fazer por nós. Mas voltemos ao “Barbatanar”.
Fui informado que o nosso “compadre” Carlos Canhoto deu uma volta por aqui “DO CASTELO” o que muito me orgulha e que foi por ele que soube não existirem, à data, livros seus na Biblioteca, apesar de terem tido o apoio do Município de Avis para a sua feitura. Hoje trouxe pois um exemplar e claro que o li de seguida. Pensava que iria encontrar um romance e deparei com um livro que nem sei bem classificar. Para infantil acho-o demasiado grande e com uma liguagem algo rebuscada para a sua compreensão pelo que o classificarei numa camada etária um pouco mais velha, talvez “Juvenil/adulta”. Gostei do modo como o autor expõe as suas ideias, talvez com algumas situações vividas de perto, algo realistas. De tal modo que imaginei passar a ponte de Pavia, no sentido Avis-Pavia e ver a brincar a Flu do lado direito da ponte mais a meia-dúzia de centenas de irmãozinhos! Mas logo conclui que não, pois ali não há tainhas…
Depois fez-me recordar a mim também tempos passados em que contribuí para a extinção dos saramugos, comendo alguns fritos, numa altura em que eles ainda abundavam no Guadiana e seus afluentes. De tal modo eles, os saramugos, estão ligados à minha infância que guardo a página Nº 96 da Revista Visão de 6 de Abril de 2000, em que sob o título “ O fóssil-vivo – após 36 milhões de anos, o saramugo, um pequeno peixe prateado, corre perigo de vida e pode desaparecer do Guadiana” se afirma entre outras coisas, e passo a citar: “ Fóssil-vivo, o saramugo (Anaecypris hispanica) habita o planeta há 36 milhões de anos, desde muito antes do aparecimento do Homem…….Cabe a Portugal lutar pela sobrevivência do saramugo, um peixe raro cuja distribuição mundial se confina à bacia do Guadiana”. Amigo Carlos Canhoto, se me ler de novo, compreenderá que se outros motivos não houvessem, mas há evidentemente, só por isso (pelos nossos comuns amigos saramugos) já tinha sido importante ler o seu livro.
Não deixa de ser curioso que sem saber que os seu peixes “barbatanavam” também eu quis “barbatanar…”
Fiquei triste por o pai-peixe não ter respondido à pergunta da Flu: - E o que são os amores? (pág. 18)
Parabéns para si que escreveu o livro e a si que não escreveu este livro (ou outro) recomendo-lhe que passe pela nossa Biblioteca e leve este livro aqui mencionado ou outro.
Pois se eu sei que ás vezes até anda chateado sem saber o que fazer, porque não ir até à Biblioteca?
Vá lá! Apareça que não se vai arrepender.
27 DEZEMBRO 2006











