A Maria da Esquina andava ansiosa que chegasse o dia 9 de Fevereiro para ir ao
Rastreio da Osteoporose. Já tinha combinado tudo com a vizinha Tonha do Poço: iam na camioneta da “Cambra” e depois, se houvesse por lá alguém com carro que regressasse mais tarde, vinham de boleia. Sempre metidas ali no monte, de onde só saiam para ir à loja comprar os haveres, não podiam perder esta oportunidade que se lhe deparava de irem até à vila. Mas o imponderável aconteceu,
a Tonha do Poço, torceu um pé, não se sabe se por problemas de osteoporose,
e a Maria da Esquina foi sózinha lá do monte. Mas gostou de ir e apercebi-me de parte do diálogo que no dia seguinte travou com a vizinha, e que resumidamente andará mais ou menos por isto:
- Então Maria como correu isso lá da “ porose”?
- Olhe vizinha nem sabe o bom bocadinho que lá passei. Afinal
p´ra lá
fui com o padeiro e depois regressei só a noitinha porque o nosso autocarro a última viagem que fazia era para cá e eu só regressei nele. Olhe vizinha,
faziam falta mais coisas daquelas. A sala de espera do Centro de Saúde estava cheia. Vi chegar e abalar o pessoal das freguesias todas. E olhe que já tinha vontade de falar com algumas pessoas.
Faz bem haver estes convívios, até parece que nos dão mais saúde.
A vizinha já reparou que a última vez que as tinha visto foi quando fomos ao comício do “Jerólimo” de Sousa lá a Lisboa? Se não fosse assim como é que eu sabia que a filha daquela que tem um filho amaricado, agora varreu-se-me o nome, deixe... a vizinha sabe quem é, já largou o marido. Também, ele era um mastronso qualquer... Ai vizinha que até lá esteve a Televisão! E eu sempre a amanhar-me para ver se aparecia e nada.
Então não viu aquelas lá de Benavila? Aquilo é que foi sorte, é que até falaram para o microfone. E eu nada, embora estivesse desertinha de falar. A vizinha havia de gostar de me ver.
Mas há pessoas que não têm calma nenhuma, olhe que aí por volta das seis horas estava uma que eu não conheci, não sei se mora cá há pouco tempo, a dizer que estava ali desde as duas da tarde e ainda não tinha sido atendida. E depois a Enfermeira ...olhe não sei o nome dela, para mim são todas enfermeiras, mas olhe foi aquela que também falou p´ra Televisão, disse-lhe logo, e bem dito, que ela já lá estava desde as oito e meia da manhã. Bem respondido, que a gente quando vai para estas coisas tem que se dispôr. Também soube que
o filho da Joana da Barragem Nova já entrou p’rá Cambra, só o meu Jaquim é que nada. Então diga lá vizinha, se não fosse isto como é que a gente sabia estas novidades? Ai, antes que me esqueça, vi lá
a filha da Genoveva Mouca, e já está de barriga outra vez. Aquela ainda é pior que eu, valha-me o Santissimo Sacramento do Altar! Ai vizinha gostei tanto de ir. Só de lá vim às seis e dez e olhe que
nestas coisas nem me lembro de comer...
A Tonha do Poço, já farta de ouvir tanto falar e porque tinha mais que fazer, para arrematar a conversa perguntou-lhe:
-
E ficaste contente com o resultado do exame?
- Exame? Qual exame?
Então aquilo não era só preciso a gente inscrever-se, por causa das estatística ou como é que eles dizem
? .......................................................................
...Ainda observei que
a Tonha do Poço, lhe
virou as costas e ao mesmo tempo que ia entrando em casa ia fazendo o sinal da cruz.... vá lá a gente saber porquê!