terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

CARTAS DE AMOR... PARA O DIA DOS NAMORADOS

Álvaro de Campos

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são

Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

domingo, 12 de fevereiro de 2006

OS EFEITOS COLATERAIS DOS RASTREIOS!

A Maria da Esquina andava ansiosa que chegasse o dia 9 de Fevereiro para ir ao Rastreio da Osteoporose. Já tinha combinado tudo com a vizinha Tonha do Poço: iam na camioneta da “Cambra” e depois, se houvesse por lá alguém com carro que regressasse mais tarde, vinham de boleia. Sempre metidas ali no monte, de onde só saiam para ir à loja comprar os haveres, não podiam perder esta oportunidade que se lhe deparava de irem até à vila. Mas o imponderável aconteceu, a Tonha do Poço, torceu um pé, não se sabe se por problemas de osteoporose, e a Maria da Esquina foi sózinha lá do monte. Mas gostou de ir e apercebi-me de parte do diálogo que no dia seguinte travou com a vizinha, e que resumidamente andará mais ou menos por isto:

- Então Maria como correu isso lá da “ porose”?
- Olhe vizinha nem sabe o bom bocadinho que lá passei. Afinal p´ra lá
fui com o padeiro e depois regressei só a noitinha
porque o nosso autocarro a última viagem que fazia era para cá e eu só regressei nele. Olhe vizinha, faziam falta mais coisas daquelas. A sala de espera do Centro de Saúde estava cheia. Vi chegar e abalar o pessoal das freguesias todas. E olhe que já tinha vontade de falar com algumas pessoas. Faz bem haver estes convívios, até parece que nos dão mais saúde. A vizinha já reparou que a última vez que as tinha visto foi quando fomos ao comício do “Jerólimo” de Sousa lá a Lisboa? Se não fosse assim como é que eu sabia que a filha daquela que tem um filho amaricado, agora varreu-se-me o nome, deixe... a vizinha sabe quem é, já largou o marido. Também, ele era um mastronso qualquer... Ai vizinha que até lá esteve a Televisão! E eu sempre a amanhar-me para ver se aparecia e nada. Então não viu aquelas lá de Benavila? Aquilo é que foi sorte, é que até falaram para o microfone. E eu nada, embora estivesse desertinha de falar. A vizinha havia de gostar de me ver. Mas há pessoas que não têm calma nenhuma, olhe que aí por volta das seis horas estava uma que eu não conheci, não sei se mora cá há pouco tempo, a dizer que estava ali desde as duas da tarde e ainda não tinha sido atendida. E depois a Enfermeira ...olhe não sei o nome dela, para mim são todas enfermeiras, mas olhe foi aquela que também falou p´ra Televisão, disse-lhe logo, e bem dito, que ela já lá estava desde as oito e meia da manhã. Bem respondido, que a gente quando vai para estas coisas tem que se dispôr. Também soube que o filho da Joana da Barragem Nova já entrou p’rá Cambra, só o meu Jaquim é que nada. Então diga lá vizinha, se não fosse isto como é que a gente sabia estas novidades? Ai, antes que me esqueça, vi lá a filha da Genoveva Mouca, e já está de barriga outra vez. Aquela ainda é pior que eu, valha-me o Santissimo Sacramento do Altar! Ai vizinha gostei tanto de ir. Só de lá vim às seis e dez e olhe que nestas coisas nem me lembro de comer...
A Tonha do Poço, já farta de ouvir tanto falar e porque tinha mais que fazer, para arrematar a conversa perguntou-lhe:
- E ficaste contente com o resultado do exame?
- Exame? Qual exame? Então aquilo não era só preciso a gente inscrever-se, por causa das estatística ou como é que eles dizem?
.......................................................................
...Ainda observei que a Tonha do Poço, lhe virou as costas e ao mesmo tempo que ia entrando em casa ia fazendo o sinal da cruz.... vá lá a gente saber porquê!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

...É QUE FICAVAM LÁ TÃO BONITAS....

Os Serviços Locais da Segurança Social em Avis, foram remodelados e alindados. As instalações ficaram mais bonitas mas não fôra os técnicos ( engenheiros) das obras se terem enganado a tirar as mediadas à sala para colocarem o estrado e a cadeira do funcionário que lá trabalha já não correria o risco de cair dele (estrado) para baixo. Ficaram mais bonitas mas as cores parecem que não dizem bem a cota com a perdigota: aquele verde e laranja, parece-me que não casa lá muito bem. Ficaram mais bonitas mas os cabos de ligação do computador ali à vista e ao molho, também não dão lá muito bom aspecto.
Bonitas as fotografias antigas de Avis que se encontram nas paredes, mas na sala do lado esquerdo de quem entra estão lá duas fotos-quadros de paisagens de uma qualquer montanha e de um qualquer porto do mundo. Aí, em sua substituição e para que as instalações dos Serviços Locais da Segurança Social em Avis ficassem efectivamente mais bonitas, deveriam ser colocadas duas fotografias da nossa linda vila de Avis, antigas ou modernas, pouco interessa. Ninguém tem dúvidas que Avis tem paisagens bem mais bonitas ( ...e conhecidas ) que aquelas.
É que ficavam lá tão bonitas....e não me digam que não tenho razão!!!!

sábado, 4 de fevereiro de 2006

ACONSELHO VIVAMENTE!

A solicitação da Associação Gente, a Universidade de Évora elaborou um estudo intituladoAS COMUNIDADES CIGANAS DO CONCELHO DE AVIS CONTRIBUTOS PARA A SUA INTEGRAÇÃO”.Chegou-me às mãos este estudo, datado de Novembro de 2005 e da autoria de Francisco Martins Ramos/Margarida Pedrosa e confesso que ao abri-lo ao calha, fui parar à folha nº 31 e li o seguinte: “Pelas nossas leis é proibido trabalhar” – Joana Aleixo. O primeiro sentimento que tive, imediato e impulsivo foi de pensar para mim mesmo: está tudo dito e não é necessário estar a gastar mais tempo! Mas a curiosidade em boa hora me levou a que me debruçasse um pouco mais sobre este estudo e agora, ao acabar de lê-lo, concluo que ele é de extrema importância, na medida em que não nos trazendo grande coisa de novo, nos vem confirmar tudo aquilo que nós já sabemos sobre esta comunidade.
Garanto-vos que se lê muito bem e é de extrema importância conhecê-lo, pelo que aconselho vivamente a todos que possam, a perder ( ganhar?) um pouco de tempo com ele, que o façam!

domingo, 29 de janeiro de 2006

NA SEXTA-FEIRA SAIU-ME O "EUROMILHÔES"...POR DUAS VEZES!

Saiu-me o “Euromilhões”, por duas vezes e no mesmo local. Uma da parte da manhã e outra da parte da tarde. Eu passo a explicar: na parte da manhã de sexta feira, já perto do meio dia, venho a descer a R. 1º de Maio, de carro, no sentido poente –nascente, quando junto à Caixa Geral de Depósitos vejo passar à minha frente um jipe que apressadamente descia a R. Machado dos Santos ignorando pura e simplesmente o sinal de STOP que ali se encontra. Penso que se eu fosse apenas cinco segundos mais adiantado nada me livraria de ser abalroado de maneira brutal, porque também não tenho dúvidas que o referido jipe circulava a mais de 50Km/hora. “Amandei-lhe” um buzinão e vi que junto do posto da GNR ainda o condutor infractor ia a fazer um gesto que eu interpretei como indicativo de eu ser maluco. Pois da parte da tarde, precisamente no mesmo local, uma carrinha branca fez o mesmo “espectáculo” com a única diferença de me parecer que esta ia a velocidade mais moderada que o jipe e o condutor não reagiu mal ao meu buzinão. Embora não acreditando em bruxas, mas no pressuposto de que não há duas sem três, durante o resto do dia de sexta feira evitei conduzir na R. 1º de Maio e muito menos no cruzamento com a Machado dos Santos. A verdade é que já ali aconteceram vários acidentes. Estou-me a lembrar que um dos últimos foi com o Sequeira. Não haverá nada que chame a atenção – além, claro, do sinal STOP que está lá bem escarrapachado!- a estes condutores de “fim de semana” que têm que ali parar? Talvez a colocação de uma banda sonora que obrigasse à paragem de quem desce a Machado dos Santos, fosse suficiente. Não sei. Aqui fica o alerta na certeza de que a mim de pouco ou nada me valia ter razão, depois de ficar com a carrinha esfarrapada e certamente com mazelas graves no corpo. O facto de me ter salvo destas situações é a razão que me leva a dizer que me saiu o “Euromilhões” duas vezes.

À parte: parabéns ao Sporting que apesar de só ter acertado três números enquanto o Benfica apenas acertou uma estrela, levou o prémio dos três pontos no “Euromilhôes” da segunda circular.
E bem que o Sporting podia ter acertado os cinco números, apesar do prémio ser o mesmo...

EM CIMA DA HORA:

São dez horas e quase dez minutos minutos da manhã e caem pequeninos flocos de neve em Avis. Por certo que não vão dar para branquear o solo, mas deixam-me antever uma Serra de S. Mamede com muita neve.
Vou esperar para ver o que se passa por cá.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

AINDA REFLEXOS DAS PRESIDENCIAIS

Para testar o estado físico do candidato Mário Soares aquando das últimas eleições presidenciais, este respondeu em junta médica que estava em forma e pediu, para o provar , que lhe trouxessem duas brasileiras. Um dos médicos presentes saiu da sala e trouxe-lhe...duas canadianas(!)

domingo, 22 de janeiro de 2006

SOMOS UM PAÍS DE CINZENTÕES!

Como bom Português, ontem foi um dia que dediquei à reflexão. Logo pela manhã reflecti sobre a vida e a morte. Sobre os mistérios de uma e de outra. Rumei ao cemitério e fui depositar um cravo no mausoléu do meu amigo e colega Tó Quim, que se fosse vivo completaria ontem 48 anos. Não sei se ele apreciaria o cravo, até penso que nem por isso, mas tinha apenas duas flores no meu quintal e eram dois cravos: levei-lhe um e fiquei com o outro. Senti ali no cemitério aquela paz que só nos cemitérios se sente. O silêncio apenas era interrompido pelo pouco barulho do aparentemente fraco mercado mensal.
Depois regressei a casa. Pelo caminho ouvi meia dúzia de pessoas queixarem-se das dores, mais da carestia de vida, mais do facto dos ciganos já “nascerem” reformados e que isso se devia a, imagine-se, Sá Carneiro! Outro queixava-se que o desemprego da filha o obrigava a ajudá-la, embora a sua reforma mal desse para ele. Fiquei perplexo e entrei no meu quintal. Os meus canários soltavam estridentes cânticos à mãe natureza que os prendava com um lindo dia de sol. Tinham comida e água que mais precisavam? Liberdade? Mas se os pusesse em liberdade iriam morrer à fome porque nunca ninguém os ensinou a procurar comida ou a precaverem-se dos gatos. Do que ouvira lá fóra fazia agora o meu juízo: todos tinham liberdade mas alguns não tinha comida. Só água e pouca! O que fazer para inverter essa situação? Hoje é dia de votos. Para se chegar a este dia constou-me que se gastaram 10 milhões de euros. 10 milhões! Para quê? O que foi que cada um de nós aprendeu com esta campanha, que ainda não soubesse? Em qual campanha, fosse ela para que cargo fosse, nunca ninguém prometeu coisas que desde logo sabemos, assim como quem promete, serem impossíveis de cumprir? Confesso, não aprendi nada. Amanhã vou votar, cumprindo uma obrigação cívica e um direito de cidadania que me assiste. Vou votar em quem sempre pensei votar. Para mim não era preciso ter havido campanha. Os tais 10 milhões poderiam ter servido para tanta coisa necessária... Talvez fosse uma ajuda para nos tirar da cauda da Europa; talvez fosse um empurrãozito para esbater o nosso pessimismo, consubstanciado num futuro sem futuro. Somos um país de “cinzentões” e eu sou um “cinzentão”.
Irei votar, em convicção mas sem convicção
de que algo mude, tudo continuará na mesma, a lamúria lusa continuará e eu continuarei a engrossar o enorme número de "cinzentões”, até que cheguem as próximas eleições com um chorrilho de promessas, com o seu dia de reflexão, e com o seu dia “after” e com uma mudança anunciada mas não cumprida!
Sou um cinzentão desencantado.
Só os meus canários me alegram...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

A FRASE DO DIA

- O País precisa da força da Democracia - Francisco Louçã

A FRASE DO DIA 17

- Não tenho dinheiro para alugar camionetas - Manuel Alegre referindo-se a "certos e enormes" comícios...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

A FRASE DO DIA

- Estamos a regressar ao 24 de Abril - Jerónimo de Sousa, referindo-se à necessidade de emigrar devido à falta de emprego.

domingo, 15 de janeiro de 2006

"DO CASTELO" VI UM "VELHO DO RESTELO"

Na semana passada, numa noite de luar gélido e límpido de Janeiro, estava eu a descansar numa ameia “DO CASTELO”, quando visionei sentado um pouco mais à frente noutra ameia, um ancião de longas barbas e semblante carregado. Por não o conhecer por estas bandas perguntei-lhe quem era e o que o desgostava assim tanto para estar tão sorumbático. Eis a resposta que obtive:
- Eu sou um “Velho do Restelo”, daqueles que custam a perceber o porquê de certas coisas que dia a dia se cruzam no nosso caminho. Ouve-me com atenção e não me interrompas. Fico perplexo quando um Governo de um país onde dois milhões de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza tem o arrojo de ir construir um novo aeroporto onde vai “enterrar” literalmente milhões e milhões de contos...desculpa, ainda não me habituei a esta modernice do euro... Não concordo com isso como é lógico. Repara lá, meu filho, eu que já vi tantas coisas, tantos avanços técnicos, desde o tempo em que o Infante D. Henrique iniciou as descobertas, porque é que daqui a dez ou quinze anos os aviões não poderão descolar e aterrar na vertical, assim como os helicópteros? E se tal acontecer para quê um aeroporto novo? Outro esbanjamento de dinheiro mal gasto vai ser essa coisa do TGV. Mas para quê essas velocidades loucas? Vocês aqui no Alentejo, desculpa-me a brincadeira, mas se se descuidam já ele tem passado pelo Caia e ainda vocês estão a olhar para Lisboa à espera que ele de lá parta...Desculpa lá a gracinha.
- Mas o Sr. “Velho do Restelo” acha que os descobrimentos de nada serviram para nós? Tudo foi em vão?
- Disse-te para não me interromperes. Lembra-te dos Descobrimentos mas lembra-te de quantas vidas por lá ficaram. Ah! E não te esqueças de acrescentar as vítimas do Ultramar, alguns até teus amigos aqui de Avis e outros teus familiares. Olha, meu filho chega aqui mais para junto da Torre da Rainha. Vês ali aquelas obras na antiga Escola Primária? Então pensa lá um bocadinho comigo: a Escola 2,3 mestre de Avis não tem condições para albergar os alunos que a frequentam – deficientes instalações, falta de material didáctico e no entanto estão lá os alunos todos da Freguesia de Avis. Ora se este dinheiro gasto na remodelação da “Primária” fosse empregue na melhoria da 2,3 Mestre de Avis, se calhar ficava a ganhar toda uma comunidade escolar e com condições muito melhores para todos. A integração dos mais pequenos seria feita mais cedo no seio da Escola Mãe e com qualidade bastante.
- Mas ó Sr. “Velho do Restelo”......Olhei mas já não vi nada e fiquei a pensar naquelas palavras de alguém que eu agora já não sabia se eram reais se tinham sido fruto da minha imaginação.
Mas uma coisa é certa: deixou-me a pensar sózinho e quem sabe eu dia por lá encontrarei um qualquer D. Sebastião!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

SABE O QUE É E PARA QUE SERVE A CPCJ DE AVIS?

A CPCJ de Avis, é a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Avis.
Ultimamente têm vindo a lume notícias menos abonatórias em relação a CPCJ de outras localidades. Daí a reflexão que achei por bem fazer sobre esta matéria.
Para quem não sabe devo começar por informar que a CPCJ de Avis é composta por pessoas que nada auferem pelo desempenho dessa missão. A sua função é "promover os direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações susceptíveis de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento”. A competência de uma CPCJ exerce-se na área do município onde tem a sua sede. Como população alvo estão todas as crianças e jovens em perigo, sendo de salientar que se considera criança ou jovem a pessoa com menos de 18 anos ou a pessoa com menos de 21 anos que solicite a continuação da intervenção iniciada antes de atingir os 18 anos. Quanto à sua constituição pouco para aqui interessa, parecendo-me mais relevante desde logo sublinhar a dificuldade que estas comissões têm no “terreno” onde vão actuar. Não é fácil tratar com famílias que maltratam crianças ou jovens. Por vezes a violência é a resposta encontrada por parte de quem tenta solucionar estes problemas. A intervenção deverá efectuar-se tão precocemente quanto possível, sendo-o de imediato quando qualquer caso fôr detectado.
A nós todos cabe-nos uma responsabilidade acrescida na denúncia de situações anómalas. E a palavra “denúncia” não tem aqui qualquer sentido negativo, antes pelo contrário o seu significado é altamente positivo: denunciar atempadamente uma situação de maus tratos a crianças e jovens é desde logo estar a contribuir para uma melhor resolução de um problema que tratado mais tarde poderá ser de muito mais difícil resolução, se não mesmo insolúvel.
Para terminar deixo aqui os contactos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Avis:

Câmara Municipal de Avis
Apartado 25
7480-999 Avis
Telef.: 242 412 207/ fax 242 410 209

Mail: cpcjavis@cm-avis.pt

Não exite : se tiver conhecimento ou desconfiar de alguma situação anómala, informe a CPCJ de Avis.
As primeiras pessoas a agradecer-lhe serão certamente as crianças e jovens em risco!

domingo, 8 de janeiro de 2006

ESTOU ENCAVACADO!

Começou hoje a campanha eleitoral para a Presidência da República.
A minha Pré-Candidata à Presidência da República não passou disso mesmo, de pré-candidata. O processo de candidatura não foi aceite e Manuela Magno ficou-se pelas intenções. Já aqui expliquei as razões que me levaram a apoiar explicitamente esta senhora: o desencanto dos políticos sejam eles profissionais ou semi-profissionais e a esperança em algo de diferente que a Senhora Doutora pudesse trazer. É que parafraseando um meu amigo “são sempre os mesmos”. Quantas vezes é que o Garcia Pereira já tentou a sua sorte? E o Louçã, e o Soares? O “Manel” mais o Cavaco são novos nestas andanças mas são conhecidos de outras. E agora em quem vou votar? Se calhar em quem disser menos mal dos adversários. Sempre fui assim: desconfio de quem só sabe apontar os defeitos dos outros, preocupando-se menos em apontar as suas virtudes. Quem sabe se por tais serem escassas...
Tenho a convicção de que tudo se irá resolver à primeira volta o que, a acontecer, pelo menos irá poupar uma “pipa de massa” ao erário público. Com a esquerda tão fraccionada, o mais certo é o Cavaco ganhar sem grandes dificuldades, logo à primeira.
Concluindo: estou eu, e vocês, enCAVACadOs!

sábado, 7 de janeiro de 2006

RECONHECIMENTO PÚBLICO!

Já uma vez afirmei aqui “DO CASTELO” que o que me dá mais gozo é poder dar os parabéns a alguém. E como primeira crónica deste ano de 2006, sinto imenso orgulho em endereçar os parabéns a quatro senhoras que constituem a equipa da ADI. Para quem não sabe, as iniciais ADI significam Apoio Domiciliário Integrado e é um serviço assegurado pelas Santas Casas das Misericórdias. No caso presente, e como é óbvio, refiro-me à ADI de Avis e as minhas felicitações vão direitinhas para as Donas ANA, GRACIOSA, LEOPOLDINA e ROSA, pela forma empenhada e competente como desempenham o seu trabalho, dignificando não só o seu nome como o da Instituição que lhe assegura o salário mensal.
Bem hajam e continuem a demonstrar que ainda é possível cumprir com dignidade a profissão que cada um tem de desempenhar!

sábado, 31 de dezembro de 2005

ATÉ P'RÓ ANO E... DESENRASQUEM-SE!

Termina hoje mais um ano. E termina hoje mais um período de frases feitas do género: Bom Natal para si e sua família e, hoje mais que ontem, se já não nos virmos, uma boa passagem de ano e bom ano novo, é o que eu lhe desejo.
Devo confessar que nunca fui muito neste tipo de palavreado e muito menos em relação a essa de desejar um melhor Ano para o que vem. Mas será possível, na actual conjuntura ou em conjunturas anteriores, eu ter um melhor ano? A situação económica vai desagravar e eu posso gerir melhor a minha vida, economicamente falando? É mentira. Não vou. Para o ano vou rejuvenescer e as minhas atrozes vão ser só recordações? É mentira, não vai ser assim. Vou estar menos preocupado com o modo como os políticos governam mal este meu país, por o passarem a fazer melhor? É mentira. Não vão. Vou seguir o rifão de que “ano novo, vida nova”?. É mentira, amanhã, ano novo, será tudo igual a hoje , ano velho. O mundo continuará a ser assaltado por uma onda de ódio transformada em morte e miséria; continuará a morrer gente inocente, incluindo muitas crianças, em guerras injustas e onde os principais responsáveis sairão sempre a salvo; a natureza irá impor a sua disciplina com novos tremores de terra, cheias, secas, devastação.
No próximo ano irá morrer, não sei quem. Mas por certo gente que eu muito amo e respeito. Tudo se repetirá. Tudo, tal como há um ano atrás. Tudo, menos uma coisa: é que eu neste ano já não vou desejar Bom Ano para ninguém. Quem quiser ser mais feliz, que seja, mas não em atenção a ser ano novo.
Desenrasquem-se!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

QUE É FEITO DO GRUPO DE CANTARES DA ASRPICA?

Que aconteceu ao Grupo de Cantares da Associação de Reformados Pensionistas e Idosos do Concelho de Avis? Assisti a várias actuações deste grupo e penso que para além de ser um modo de entretenimento das pessoas mais idosas, representava uma mais valia para o nosso concelho. Ultimamente não tenho tido conhecimento de actuações e soaram-me uns “zunz-zuns” de que algo de meio complicado por lá se passa, mas estou em crer que não será nada que não possa ser ultrapassado. Certamente que dentro de pouco tempo podermos deliciar-nos de novo com as vozes do grupo e seus instrumentistas, de que realço, a título de exemplo, o modo exemplar como o Gaiato toca as suas castanholas.
Um Grupo de cantadores tem que ser um grupo e não poderá jamais ser um cantador ou um casal de cantadores...
Força, que o Grupo da ASRPICA faz-nos falta !

sábado, 24 de dezembro de 2005

DEIXEM-ME SONHAR E SEJAM FELIZES!

A noite caiu sobre Avis com um frio que, em meu entender, não é muito agreste. Digamos que estando frio não o está tanto de molde a podermos dizer que está frio de Natal. Das chaminés vai saindo o fumo sinalizador de que algumas famílias já se encontram reunidas para a noite da consoada.
Mas deixem-me recuar no tempo. Tirem-me cinquenta anos e devolvam-me os pinheiros que revestiam as serras da freguesia de S. Julião em Portalegre e que os incêndios de 2003 destruíram. Restituam-me a minha mãe e deixem-me sonhar um pouco....
...o ano é o de 1957, ali mesmo na segunda metade do século passado. O lume, tal como os de hoje em Avis, faz fumo que sobe lentamente pelas chaminés, mas o cheiro que anda no ar é o de lenha de esteva acendida com giestas secas. O lume de 1957 tinha outro cheiro...e a consoada também. O bacalhau era menos mas certamente mais saboroso. A esta hora já as filhoses tinham sido amassadas e “tendidas” pelas mãos habilidosas da minha saudosa mãe. Sobre a trempe, a sertã fumegava com intensidade, sinal evidente que o azeite – não havia óleo nessa altura- estava quente. O meu pai ajudava no que podia e, apesar de perceber pouco do assunto, atrevia-se a comentar:
- A massa ficou muito grossa...
- É para se mastigar melhor..., argumentava a minha mãe, como
que desculpando-se por algo que não tinha corrido bem.
O serão não era muito grande pois que o Menino Jesus tinha que distribuir as prendas por todas as casas antes da meia-noite. Quando o azeite por vezes “espirrava” por qualquer motivo menos conhecido, diziam os mais velhos que era o Menino Jesus que estava a fazer chi-chi lá da chaminé. Esta tinha sido devidamente vasculhada, por mor do Menino não se sujar quando a descesse. Não havia árvore de Natal. O sapatinho, quantas vezes roto, era posto ali bem junto às brasas, pois era certo e sabido que o Menino, quando por ali passasse se iria aquecer um pouco. A noite era mal dormida. Bem cedo lá me levantava eu na esperança de que algo mudasse em termos de prendas. Mas invariavelmente elas eram sempre as mesmas: uma tablete de chocolate espanhola ( ou a fronteira não estivesse ali tão perto!), um lencinho de mão e um brinquedo confeccionado pelo meu pai. Talvez uma roda de arame com um guiador do mesmo material. E com que sofreguidão, meu Deus, eu me dirigia para a chaminé mal o dia 25 rompia: Mãe, gritava, o Menino Jesus já cá passou! E era sempre só a 25 de manhã que as prendas se abriam. E esse hábito ainda hoje se mantém em minha casa. Como eram bons esses tempos em que não havia “modas” para árvores de natal nem Pai Natal, mas havia o carinho de uns pais que delegavam noutro menino, o Jesus, a incumbência de distribuir as prendas.
Mas o sonho tem que terminar. Mãe, lá onde estiveres recebe o agradecimento de tudo aquilo que me deste e de tudo aquilo que querias e já não tiveste tempo de me dar. Estarás sempre no meu coração e não haverá Natal nenhum em que tu não estejas presente.

QUANTO A VÓS QUE ME IDES LENDO (obrigado por me terem dedicado esse vosso tempo) “DO CASTELO” ENVIA DESEJOS DE UMA SANTA E FELIZ NOITE DE NATAL, EM COMPANHIA DE QUEM MAIS DESEJAREM!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

POR ESTES DIAS...

Assisti ao último debate televisivo entre os prováveis finalistas à conquista da Presidência da República e vi como um candidato se esforçou por denegrir a imagem do outro candidato, continuando a chamar a atenção para os pontos negativos do adversário sem apontar os seus próprios pontos positivos. É no mínimo de uma deselegância sem limites tratar o opositor por “ele”... Com o devido respeito, ou eu me engano muito ou o Dr. Mário Soares está a postar no "cavalo" errado...

Apercebi-me como é difícil comprar no comércio tradicional local, quando o nosso comércio tradicional local cobra pelos mesmos artigos quase o dobro do que cobra o comércio tradicional local de Ponte de Sôr...E não estou a falar do comércio tradicional local chinês....

Vi como o Benfica
, com braços do Luisão ou sem braços do Nuno Gomes lá se foi sorrateiramente abeirando do 2º lugar da classificação geral. Já temos campeão de Inverno, mas o que conta é o campeão da Primavera...

Chamaram-me a atenção para o facto de que o nome das ruas e respectiva colocação de placas não foi de iniciativa da Junta de Freguesia mas sim da Câmara. Ao fim e ao cabo o que interessa é que estão devidamente identificadas. Há dias tive dificuldade em explicar a uma visita que tive, qual a contribuição directa do Dr. Francisco Salgado Zenha para o desenvolvimento da vila de Avis. Pensava ele, que dada a localização da Rua, tinha inaugurado o Centro de Saúde. Mas isso são contas de outro rosário.

Hoje mesmo tive conhecimento que a candidata por mim apoiada para a Presidência da República conseguiu angariar o número de votos suficientes para se candidatar. O descrédito em políticos profissionais ou semi-profissionais, levaram-me a apoiar explicitamente a Srª Drª MANUELA MAGNO, professora na Universidade de Évora.
Claro que não é para ganhar mas o exercício de cidadania é um direito que diz respeito a todos nós e há que exercê-lo...