domingo, 22 de janeiro de 2006

SOMOS UM PAÍS DE CINZENTÕES!

Como bom Português, ontem foi um dia que dediquei à reflexão. Logo pela manhã reflecti sobre a vida e a morte. Sobre os mistérios de uma e de outra. Rumei ao cemitério e fui depositar um cravo no mausoléu do meu amigo e colega Tó Quim, que se fosse vivo completaria ontem 48 anos. Não sei se ele apreciaria o cravo, até penso que nem por isso, mas tinha apenas duas flores no meu quintal e eram dois cravos: levei-lhe um e fiquei com o outro. Senti ali no cemitério aquela paz que só nos cemitérios se sente. O silêncio apenas era interrompido pelo pouco barulho do aparentemente fraco mercado mensal.
Depois regressei a casa. Pelo caminho ouvi meia dúzia de pessoas queixarem-se das dores, mais da carestia de vida, mais do facto dos ciganos já “nascerem” reformados e que isso se devia a, imagine-se, Sá Carneiro! Outro queixava-se que o desemprego da filha o obrigava a ajudá-la, embora a sua reforma mal desse para ele. Fiquei perplexo e entrei no meu quintal. Os meus canários soltavam estridentes cânticos à mãe natureza que os prendava com um lindo dia de sol. Tinham comida e água que mais precisavam? Liberdade? Mas se os pusesse em liberdade iriam morrer à fome porque nunca ninguém os ensinou a procurar comida ou a precaverem-se dos gatos. Do que ouvira lá fóra fazia agora o meu juízo: todos tinham liberdade mas alguns não tinha comida. Só água e pouca! O que fazer para inverter essa situação? Hoje é dia de votos. Para se chegar a este dia constou-me que se gastaram 10 milhões de euros. 10 milhões! Para quê? O que foi que cada um de nós aprendeu com esta campanha, que ainda não soubesse? Em qual campanha, fosse ela para que cargo fosse, nunca ninguém prometeu coisas que desde logo sabemos, assim como quem promete, serem impossíveis de cumprir? Confesso, não aprendi nada. Amanhã vou votar, cumprindo uma obrigação cívica e um direito de cidadania que me assiste. Vou votar em quem sempre pensei votar. Para mim não era preciso ter havido campanha. Os tais 10 milhões poderiam ter servido para tanta coisa necessária... Talvez fosse uma ajuda para nos tirar da cauda da Europa; talvez fosse um empurrãozito para esbater o nosso pessimismo, consubstanciado num futuro sem futuro. Somos um país de “cinzentões” e eu sou um “cinzentão”.
Irei votar, em convicção mas sem convicção
de que algo mude, tudo continuará na mesma, a lamúria lusa continuará e eu continuarei a engrossar o enorme número de "cinzentões”, até que cheguem as próximas eleições com um chorrilho de promessas, com o seu dia de reflexão, e com o seu dia “after” e com uma mudança anunciada mas não cumprida!
Sou um cinzentão desencantado.
Só os meus canários me alegram...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

A FRASE DO DIA

- O País precisa da força da Democracia - Francisco Louçã

A FRASE DO DIA 17

- Não tenho dinheiro para alugar camionetas - Manuel Alegre referindo-se a "certos e enormes" comícios...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

A FRASE DO DIA

- Estamos a regressar ao 24 de Abril - Jerónimo de Sousa, referindo-se à necessidade de emigrar devido à falta de emprego.

domingo, 15 de janeiro de 2006

"DO CASTELO" VI UM "VELHO DO RESTELO"

Na semana passada, numa noite de luar gélido e límpido de Janeiro, estava eu a descansar numa ameia “DO CASTELO”, quando visionei sentado um pouco mais à frente noutra ameia, um ancião de longas barbas e semblante carregado. Por não o conhecer por estas bandas perguntei-lhe quem era e o que o desgostava assim tanto para estar tão sorumbático. Eis a resposta que obtive:
- Eu sou um “Velho do Restelo”, daqueles que custam a perceber o porquê de certas coisas que dia a dia se cruzam no nosso caminho. Ouve-me com atenção e não me interrompas. Fico perplexo quando um Governo de um país onde dois milhões de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza tem o arrojo de ir construir um novo aeroporto onde vai “enterrar” literalmente milhões e milhões de contos...desculpa, ainda não me habituei a esta modernice do euro... Não concordo com isso como é lógico. Repara lá, meu filho, eu que já vi tantas coisas, tantos avanços técnicos, desde o tempo em que o Infante D. Henrique iniciou as descobertas, porque é que daqui a dez ou quinze anos os aviões não poderão descolar e aterrar na vertical, assim como os helicópteros? E se tal acontecer para quê um aeroporto novo? Outro esbanjamento de dinheiro mal gasto vai ser essa coisa do TGV. Mas para quê essas velocidades loucas? Vocês aqui no Alentejo, desculpa-me a brincadeira, mas se se descuidam já ele tem passado pelo Caia e ainda vocês estão a olhar para Lisboa à espera que ele de lá parta...Desculpa lá a gracinha.
- Mas o Sr. “Velho do Restelo” acha que os descobrimentos de nada serviram para nós? Tudo foi em vão?
- Disse-te para não me interromperes. Lembra-te dos Descobrimentos mas lembra-te de quantas vidas por lá ficaram. Ah! E não te esqueças de acrescentar as vítimas do Ultramar, alguns até teus amigos aqui de Avis e outros teus familiares. Olha, meu filho chega aqui mais para junto da Torre da Rainha. Vês ali aquelas obras na antiga Escola Primária? Então pensa lá um bocadinho comigo: a Escola 2,3 mestre de Avis não tem condições para albergar os alunos que a frequentam – deficientes instalações, falta de material didáctico e no entanto estão lá os alunos todos da Freguesia de Avis. Ora se este dinheiro gasto na remodelação da “Primária” fosse empregue na melhoria da 2,3 Mestre de Avis, se calhar ficava a ganhar toda uma comunidade escolar e com condições muito melhores para todos. A integração dos mais pequenos seria feita mais cedo no seio da Escola Mãe e com qualidade bastante.
- Mas ó Sr. “Velho do Restelo”......Olhei mas já não vi nada e fiquei a pensar naquelas palavras de alguém que eu agora já não sabia se eram reais se tinham sido fruto da minha imaginação.
Mas uma coisa é certa: deixou-me a pensar sózinho e quem sabe eu dia por lá encontrarei um qualquer D. Sebastião!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

SABE O QUE É E PARA QUE SERVE A CPCJ DE AVIS?

A CPCJ de Avis, é a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Avis.
Ultimamente têm vindo a lume notícias menos abonatórias em relação a CPCJ de outras localidades. Daí a reflexão que achei por bem fazer sobre esta matéria.
Para quem não sabe devo começar por informar que a CPCJ de Avis é composta por pessoas que nada auferem pelo desempenho dessa missão. A sua função é "promover os direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações susceptíveis de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento”. A competência de uma CPCJ exerce-se na área do município onde tem a sua sede. Como população alvo estão todas as crianças e jovens em perigo, sendo de salientar que se considera criança ou jovem a pessoa com menos de 18 anos ou a pessoa com menos de 21 anos que solicite a continuação da intervenção iniciada antes de atingir os 18 anos. Quanto à sua constituição pouco para aqui interessa, parecendo-me mais relevante desde logo sublinhar a dificuldade que estas comissões têm no “terreno” onde vão actuar. Não é fácil tratar com famílias que maltratam crianças ou jovens. Por vezes a violência é a resposta encontrada por parte de quem tenta solucionar estes problemas. A intervenção deverá efectuar-se tão precocemente quanto possível, sendo-o de imediato quando qualquer caso fôr detectado.
A nós todos cabe-nos uma responsabilidade acrescida na denúncia de situações anómalas. E a palavra “denúncia” não tem aqui qualquer sentido negativo, antes pelo contrário o seu significado é altamente positivo: denunciar atempadamente uma situação de maus tratos a crianças e jovens é desde logo estar a contribuir para uma melhor resolução de um problema que tratado mais tarde poderá ser de muito mais difícil resolução, se não mesmo insolúvel.
Para terminar deixo aqui os contactos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Avis:

Câmara Municipal de Avis
Apartado 25
7480-999 Avis
Telef.: 242 412 207/ fax 242 410 209

Mail: cpcjavis@cm-avis.pt

Não exite : se tiver conhecimento ou desconfiar de alguma situação anómala, informe a CPCJ de Avis.
As primeiras pessoas a agradecer-lhe serão certamente as crianças e jovens em risco!

domingo, 8 de janeiro de 2006

ESTOU ENCAVACADO!

Começou hoje a campanha eleitoral para a Presidência da República.
A minha Pré-Candidata à Presidência da República não passou disso mesmo, de pré-candidata. O processo de candidatura não foi aceite e Manuela Magno ficou-se pelas intenções. Já aqui expliquei as razões que me levaram a apoiar explicitamente esta senhora: o desencanto dos políticos sejam eles profissionais ou semi-profissionais e a esperança em algo de diferente que a Senhora Doutora pudesse trazer. É que parafraseando um meu amigo “são sempre os mesmos”. Quantas vezes é que o Garcia Pereira já tentou a sua sorte? E o Louçã, e o Soares? O “Manel” mais o Cavaco são novos nestas andanças mas são conhecidos de outras. E agora em quem vou votar? Se calhar em quem disser menos mal dos adversários. Sempre fui assim: desconfio de quem só sabe apontar os defeitos dos outros, preocupando-se menos em apontar as suas virtudes. Quem sabe se por tais serem escassas...
Tenho a convicção de que tudo se irá resolver à primeira volta o que, a acontecer, pelo menos irá poupar uma “pipa de massa” ao erário público. Com a esquerda tão fraccionada, o mais certo é o Cavaco ganhar sem grandes dificuldades, logo à primeira.
Concluindo: estou eu, e vocês, enCAVACadOs!

sábado, 7 de janeiro de 2006

RECONHECIMENTO PÚBLICO!

Já uma vez afirmei aqui “DO CASTELO” que o que me dá mais gozo é poder dar os parabéns a alguém. E como primeira crónica deste ano de 2006, sinto imenso orgulho em endereçar os parabéns a quatro senhoras que constituem a equipa da ADI. Para quem não sabe, as iniciais ADI significam Apoio Domiciliário Integrado e é um serviço assegurado pelas Santas Casas das Misericórdias. No caso presente, e como é óbvio, refiro-me à ADI de Avis e as minhas felicitações vão direitinhas para as Donas ANA, GRACIOSA, LEOPOLDINA e ROSA, pela forma empenhada e competente como desempenham o seu trabalho, dignificando não só o seu nome como o da Instituição que lhe assegura o salário mensal.
Bem hajam e continuem a demonstrar que ainda é possível cumprir com dignidade a profissão que cada um tem de desempenhar!

sábado, 31 de dezembro de 2005

ATÉ P'RÓ ANO E... DESENRASQUEM-SE!

Termina hoje mais um ano. E termina hoje mais um período de frases feitas do género: Bom Natal para si e sua família e, hoje mais que ontem, se já não nos virmos, uma boa passagem de ano e bom ano novo, é o que eu lhe desejo.
Devo confessar que nunca fui muito neste tipo de palavreado e muito menos em relação a essa de desejar um melhor Ano para o que vem. Mas será possível, na actual conjuntura ou em conjunturas anteriores, eu ter um melhor ano? A situação económica vai desagravar e eu posso gerir melhor a minha vida, economicamente falando? É mentira. Não vou. Para o ano vou rejuvenescer e as minhas atrozes vão ser só recordações? É mentira, não vai ser assim. Vou estar menos preocupado com o modo como os políticos governam mal este meu país, por o passarem a fazer melhor? É mentira. Não vão. Vou seguir o rifão de que “ano novo, vida nova”?. É mentira, amanhã, ano novo, será tudo igual a hoje , ano velho. O mundo continuará a ser assaltado por uma onda de ódio transformada em morte e miséria; continuará a morrer gente inocente, incluindo muitas crianças, em guerras injustas e onde os principais responsáveis sairão sempre a salvo; a natureza irá impor a sua disciplina com novos tremores de terra, cheias, secas, devastação.
No próximo ano irá morrer, não sei quem. Mas por certo gente que eu muito amo e respeito. Tudo se repetirá. Tudo, tal como há um ano atrás. Tudo, menos uma coisa: é que eu neste ano já não vou desejar Bom Ano para ninguém. Quem quiser ser mais feliz, que seja, mas não em atenção a ser ano novo.
Desenrasquem-se!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

QUE É FEITO DO GRUPO DE CANTARES DA ASRPICA?

Que aconteceu ao Grupo de Cantares da Associação de Reformados Pensionistas e Idosos do Concelho de Avis? Assisti a várias actuações deste grupo e penso que para além de ser um modo de entretenimento das pessoas mais idosas, representava uma mais valia para o nosso concelho. Ultimamente não tenho tido conhecimento de actuações e soaram-me uns “zunz-zuns” de que algo de meio complicado por lá se passa, mas estou em crer que não será nada que não possa ser ultrapassado. Certamente que dentro de pouco tempo podermos deliciar-nos de novo com as vozes do grupo e seus instrumentistas, de que realço, a título de exemplo, o modo exemplar como o Gaiato toca as suas castanholas.
Um Grupo de cantadores tem que ser um grupo e não poderá jamais ser um cantador ou um casal de cantadores...
Força, que o Grupo da ASRPICA faz-nos falta !

sábado, 24 de dezembro de 2005

DEIXEM-ME SONHAR E SEJAM FELIZES!

A noite caiu sobre Avis com um frio que, em meu entender, não é muito agreste. Digamos que estando frio não o está tanto de molde a podermos dizer que está frio de Natal. Das chaminés vai saindo o fumo sinalizador de que algumas famílias já se encontram reunidas para a noite da consoada.
Mas deixem-me recuar no tempo. Tirem-me cinquenta anos e devolvam-me os pinheiros que revestiam as serras da freguesia de S. Julião em Portalegre e que os incêndios de 2003 destruíram. Restituam-me a minha mãe e deixem-me sonhar um pouco....
...o ano é o de 1957, ali mesmo na segunda metade do século passado. O lume, tal como os de hoje em Avis, faz fumo que sobe lentamente pelas chaminés, mas o cheiro que anda no ar é o de lenha de esteva acendida com giestas secas. O lume de 1957 tinha outro cheiro...e a consoada também. O bacalhau era menos mas certamente mais saboroso. A esta hora já as filhoses tinham sido amassadas e “tendidas” pelas mãos habilidosas da minha saudosa mãe. Sobre a trempe, a sertã fumegava com intensidade, sinal evidente que o azeite – não havia óleo nessa altura- estava quente. O meu pai ajudava no que podia e, apesar de perceber pouco do assunto, atrevia-se a comentar:
- A massa ficou muito grossa...
- É para se mastigar melhor..., argumentava a minha mãe, como
que desculpando-se por algo que não tinha corrido bem.
O serão não era muito grande pois que o Menino Jesus tinha que distribuir as prendas por todas as casas antes da meia-noite. Quando o azeite por vezes “espirrava” por qualquer motivo menos conhecido, diziam os mais velhos que era o Menino Jesus que estava a fazer chi-chi lá da chaminé. Esta tinha sido devidamente vasculhada, por mor do Menino não se sujar quando a descesse. Não havia árvore de Natal. O sapatinho, quantas vezes roto, era posto ali bem junto às brasas, pois era certo e sabido que o Menino, quando por ali passasse se iria aquecer um pouco. A noite era mal dormida. Bem cedo lá me levantava eu na esperança de que algo mudasse em termos de prendas. Mas invariavelmente elas eram sempre as mesmas: uma tablete de chocolate espanhola ( ou a fronteira não estivesse ali tão perto!), um lencinho de mão e um brinquedo confeccionado pelo meu pai. Talvez uma roda de arame com um guiador do mesmo material. E com que sofreguidão, meu Deus, eu me dirigia para a chaminé mal o dia 25 rompia: Mãe, gritava, o Menino Jesus já cá passou! E era sempre só a 25 de manhã que as prendas se abriam. E esse hábito ainda hoje se mantém em minha casa. Como eram bons esses tempos em que não havia “modas” para árvores de natal nem Pai Natal, mas havia o carinho de uns pais que delegavam noutro menino, o Jesus, a incumbência de distribuir as prendas.
Mas o sonho tem que terminar. Mãe, lá onde estiveres recebe o agradecimento de tudo aquilo que me deste e de tudo aquilo que querias e já não tiveste tempo de me dar. Estarás sempre no meu coração e não haverá Natal nenhum em que tu não estejas presente.

QUANTO A VÓS QUE ME IDES LENDO (obrigado por me terem dedicado esse vosso tempo) “DO CASTELO” ENVIA DESEJOS DE UMA SANTA E FELIZ NOITE DE NATAL, EM COMPANHIA DE QUEM MAIS DESEJAREM!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

POR ESTES DIAS...

Assisti ao último debate televisivo entre os prováveis finalistas à conquista da Presidência da República e vi como um candidato se esforçou por denegrir a imagem do outro candidato, continuando a chamar a atenção para os pontos negativos do adversário sem apontar os seus próprios pontos positivos. É no mínimo de uma deselegância sem limites tratar o opositor por “ele”... Com o devido respeito, ou eu me engano muito ou o Dr. Mário Soares está a postar no "cavalo" errado...

Apercebi-me como é difícil comprar no comércio tradicional local, quando o nosso comércio tradicional local cobra pelos mesmos artigos quase o dobro do que cobra o comércio tradicional local de Ponte de Sôr...E não estou a falar do comércio tradicional local chinês....

Vi como o Benfica
, com braços do Luisão ou sem braços do Nuno Gomes lá se foi sorrateiramente abeirando do 2º lugar da classificação geral. Já temos campeão de Inverno, mas o que conta é o campeão da Primavera...

Chamaram-me a atenção para o facto de que o nome das ruas e respectiva colocação de placas não foi de iniciativa da Junta de Freguesia mas sim da Câmara. Ao fim e ao cabo o que interessa é que estão devidamente identificadas. Há dias tive dificuldade em explicar a uma visita que tive, qual a contribuição directa do Dr. Francisco Salgado Zenha para o desenvolvimento da vila de Avis. Pensava ele, que dada a localização da Rua, tinha inaugurado o Centro de Saúde. Mas isso são contas de outro rosário.

Hoje mesmo tive conhecimento que a candidata por mim apoiada para a Presidência da República conseguiu angariar o número de votos suficientes para se candidatar. O descrédito em políticos profissionais ou semi-profissionais, levaram-me a apoiar explicitamente a Srª Drª MANUELA MAGNO, professora na Universidade de Évora.
Claro que não é para ganhar mas o exercício de cidadania é um direito que diz respeito a todos nós e há que exercê-lo...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

FRANCISCO ALEXANDRE EXPÕE EM ALTER DO CHÃO!

Francisco Alexandre inaugurou hoje uma exposição de escultura em Alter do Chão, ultrapassando assim a sua fama as raias do nosso concelho. Avisense por adopção, este genial artista continua a ser um desconhecido por parte dos responsáveis pela Cultura da sua terra natal, Ponte de Sôr.

A exposição de Alter está muito bem concebida e poderá ser visitada até dia 31 de Janeiro no anfiteatro de acesso ao auditório daquela localidade.

Parabéns amigo e não pares, olha que mal a gente se descuida e já é tempo de Feira Franca outra vez!!!!!

Nota de rodapé: passei hoje à noite pelas aldeias de Figueira e Barros e Ervedal e há por lá iluminações de Natal. Talvez que as da nossa vila estejam a caminho. A estrela da Figueira até é muito parecida com a nossa...

O HOMEM ANDA CHEIO DE MEDO!

O candidato Mário Soares anda cheio de medo. Cheio de medo da direita, cheio de medo dos candidatos da Esquerda, cheio de medo do candidato Cavaco Silva. E vai daí, em vez de pedir para votarem nele por aquilo que ele - Mário Soares- se compromete a fazer, entretem-se a dizer mal, preferencialmente, do Anibal ( não, não é do pai do Manel, é do outro) e a achar que os restantes candidatos devem desistir em seu favor. Então porque não desiste ele em favor de um outro candidato da Esquerda? Mas afinal, ó Sr. Dr. Mário Soares, se o senhor não me diz o que vai fazer, como poderei votar em si?
Ou será que já está desesperadamente convicto de que vai perder e logo à primeira volta?
Cá por mim, vou nessa!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

2 - NOVIDADES -2

Abriu hoje ao público a AUTO-MARTINS, ( a tal que já havia sido referenciada aqui “DO CASTELO”) – 1ª novidade. Para substituir pneus, escapes e outros biscates de mecânica, não exite, dirija-se à R. António Alberto Ferreira Franco em Avis –( 2ª novidade) e ali será devidamente atendido. Oportunamente será distribuída a publicidade referente a este novo espaço, que segundo penso saber foi subsidiado pelo Centro de Emprego.Parabéns ao proprietário da Auto-Martins a quem “DO CASTELO” endereça os desejos dos maiores êxitos, e parabéns à Junta de Freguesia de Avis que já colocou as placas identificativas das ruas do Bairro situado nas imediações do Centro de Saúde e do Cemitério. Já era do domínio público os nomes que as mesmas iriam ter,( sem novidade), daí não adiantar mais qualquer comentário sobre esse assunto. Mas, já agora:
Sr. Presidente da Junta, aproveite a embalagem e coloque identificação nas ruas que, embora “baptizadas”, ainda não têm cédula pessoal visível....

NEM TUDO O QUE PARECE ...É!

Como nota introdutória quero relembrar que fez precisamente ontem oito dias que na Fundação Arquivo Paes Teles, em Ervedal,foi lançado o livro de Poesia intitulado “SENTIRES” da autoria da escritora Ervedalense Maria Albertina Dordio. Devo dizer que conheço a Professora Maria Albertina há ainda relativamente pouco tempo mas o necessário para compreender que existe nela uma Senhora com S muito grande. A sua generosidade manifestou-se mais uma vez, expressando que o produto da venda dos livros efectuados aquando do lançamento do mesmo revertesse a favor da Escola de Ervedal, nomeadamente para a aquisição de material escolar para as crianças mais desfavorecidas. Feita esta introdução prévia, passo a explicar a razão da minha conversa de hoje.
Como parte final da cerimónia houve a actuação do “GRUPO DE CANTARES DO ERVEDAL”, que foi para mim uma agradável surpresa. Aproveitei a ocasião para dar os parabéns ao Grupo na pessoa da “ensaiadora” bem como ao Sr. Presidente da Junta, com votos de que tal projecto não seja abandonado. Sou um “cota”, no dizer da minha afilhada, e daí gostar de ouvir música popular portuguesa. O grupo coral começou a actuação com 14 elementos adultos, sendo que 13 eram do sexo feminino e um do sexo masculino. Depois juntaram-se cinco crianças para cantar canções de Natal. Mas, o que despertou a minha curiosidade foi o facto das treze mulheres cantarem auxiliadas por uma cábula existente na pasta das canções, enquanto o cavalheiro cantava sem ser preciso tal muleta. O meu “machismo” veio ao de cima: valente homem, faz ver àquelas mulheres todas que não precisa de ler, pois sabe tudo de cor. Findo o espectáculo dirigi-me ao senhor, perguntei-lhe o nome e disse-me que se chamava Freixo ( esqueci-me do nome próprio) e dei-lhe os parabéns por actuar de maneira tão solta, sem ser preciso “muletas”. Surpresa das surpresas! A sorrir, disse-me:
- Sabe uma coisa? É que eu não sei ler e por isso ter pasta ou não ter é a mesma coisa...
Fiquei “banzado” com o caricato da situação, mas nem por isso deixei de admirar a coragem daquele “cantor” que apesar da sua proveta idade acompanha, e de que maneira!, o resto do Grupo e dei-lhe um abraço. Para todos, os renovados e repisados parabéns, mas ao Sr. Freixo aquele abraço especial de consideração!
Como se pode constatar, nem tudo o que parece, é!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

O FURA GREVES!

Havia vários dias que não dormia descansado por causa da greve. Por um lado sentia a obrigação moral de fazer greve, porque, se daí alguns proventos adviessem eles seriam repartidos por todos e ele, não fazendo greve estava a beneficiar de algo porque não lutara. Por outro lado, fazer greve e logo por dois dias, era um rombo no já magro ordenado mensal. A mulher não o largava:
- Tu não sejas parvo. Vai trabalhar que os gaiatos precisam de comer! Os do Sindicato andam só em grandes almoços, não os vejo fazer nada e tu é que fazes greve?
E a sua consciência a gritar-lhe:
- Faz greve, junta-te aos teus camaradas porque é a união que faz a força. Unidos vencerão!
No dia aprazado para a greve, alta madrugada, o Zé das Máquinas ainda se debatia com este terrível dilema. Não sabia o que fazer. A mulher às sete e meia lá foi para o trabalho no campo e ele indeciso entre ficar deitado, enquanto ela ia trabalhar, ou meter-se em cima da motorizada e rumar ao seu local de trabalho.
- Zé, os gaiatos precisam de comer! ...Zé a União faz a força!...que raio de baralhação a azucrinar-lhe a cabeça e o sentido!
Porque será que há dias em que é tão difícil tomarmos uma atitude minimamente aceitável? De repente, saltou da cama, bebeu o resto do que restava do caldo de farinha frio, comeu um naco de pão com toucinho e foi trabalhar. Chegado ao serviço, assinou o livro de ponto e ficou por ali sozinho, sem fazer nada ( mas isso era o menos, pois já estava habituado). Mas sentiu-se muito mal com a sua consciência. É certo que os gaiatos tinham que comer, mas os outros camaradas de serviço tinham feito greve. E se houvesse benefícios ele usufruiria deles de igual modo. A consciência “saltou-lhe” em cima:
- Zé, porque vieste?
Ao chegar a casa a mulher sentenciou:
- Assim é que tu és um bom chefe de família, a trabalhar! Já viste: então se fôssemos os dois empregados da “Cambra” descontavam-nos quatro dias? Era quase uma semanada...
Escusado será dizer que esta noite foi passada em claro. Não queria ir trabalhar por imperativos de consciência, mas tinha que o fazer por imperativos matrimoniais. Quando a mulher se levantou para ir para o campo, o Zé das Máquinas levantou-se também, convencendo assim a sua companheira que iria trabalhar, como era desejo desta. Mas não. Havia tomado uma decisão. Hoje, segundo dia da greve não iria. Estava solidário com os camaradas! Porque não tinha quintal onde, como alguns dos outros colegas, pudesse ir semear as favas e ervilhas ou pôr cinza nos alhos que já iam a ter “bico de pardal”, e nem sequer tinha nenhum outro “furo”, o Zé juntou-se casualmente com o Manel das Açordas. Foram até ao café, contaram das suas mágoas e afogaram-nas numas cervejas. “Umas”, porque lhe perderam o conto. Ah! E comeram uns chouriços assados e mais uns bocados de entremeada. Comeram muito, e beberam muito. Ao pedir das contas, o Zé disse que não tinha dinheiro e que no fim do mês logo lá iria pagar....
A mulher do Zé nem queria acreditar. Então aquele malandro além de não ter ido trabalhar para ganhar o dia ainda esbanjara o dinheiro que tanta falta fazia lá em casa? O Zé não estava em condições de perceber nada. Estava embriagado. Ouvia a mulher ralhar e ouvia a voz da consciência a elogiar-lhe a atitude de ter feito greve e ao mesmo tempo a repreendê-lo por ter gasto o que não devia. Perdera duplamente.
Ao outro dia, ao chegar ao emprego, os colegas olharam-no de soslaio e houve mesmo um que, entre dentes, lhe disse:
- Fura greves da merda....
O Zé sentiu como que um forte murro no estômago e um tremedalho nas entranhas, só por pensar que qualquer dia, quando menos esperado, poderá haver greve outra vez e ele ficará de novo entre a espada e a parede, que é como quem diz, entre a mulher e a consciência.
A vida de um pobre é muito dura!

Nota do autor: este texto é pura ficção. Qualquer semelhança com factos ou personagens reais, é pura coincidência.

domingo, 11 de dezembro de 2005

QUE É FEITO DO ESPÍRITO DE NATAL?

Ontem à noite estava frio. Não havia vento e o frio era daquele frio que antevê uma noite de geada e se tolera se nós nos pusermos a caminhar. E foi o que eu fiz. Meti-me num velho mas quente casacão, enrolei um cachecol ao pescoço e aí fui eu dar uma volta pela vila. Era minha intenção descobrir o “espírito de Natal”, dado que estamos em plena época natalícia. A primeira descoberta que fiz foi a dum Natal artificial que passa por iluminações das mais diversas variedades, algumas até muito pouco a ver com a época. Este é o espírito do Natal consumista que leva as pessoas a tentarem ter algo que as diferencie das vizinhas pela colocação de artefactos chamativos para realidades inexistentes. Mas é claro que estamos em pleno século XXI e Jesus já nasceu há tanto tempo... E lá fui, Machado dos Santos acima, rua do Convento, Serpa Pinto, Portas de Évora, Cisternas, Arrabaldes. E foi aqui, nos Arrabaldes que apurei o meu olfacto e perante aquelas colunas de fumo que das velhinhas chaminés subiam a pique, indicadoras de um brasido que por ali aqueciam alguns pés mais frios, retirei o cachecol do nariz e absorvi o ar frio mas deliciosamente perfumado: cheirava a “filhoses”. Haja Deus por haver quem faça filhoses em casa e não se limite a comprá-las, ainda que no comércio tradicional. Lá da outra banda da vila, já próximo da Mouraria cheirava a belhoses. Fiquei satisfeito. Bem sei que o Natal não é só fazer filhoses e belhoses. Mas também é. E lá regressei a casa com os pés muito mais quentes que as orelhas. De Natal além do apontado nada mais.
A habitual Estrela da Torre da Rainha deve estar a caminho.
Antes de me deitar e aproveitando os preços mais económicos, fui dar uma voltita pelos blogues da minha eleição. Como qualquer ser mortal tenho as minhas preferência. E voltei a esbarrar com o “espírito de Natal”, melhor com a tal falta de “espírito de Natal”. Então é assim, porque a Lena (da Biblioteca) tem boa memória, faça um clique na sua “boamemória” para ver os resultados da campanha de um brinquedo para as crianças mais desfavorecidas, por ela idealizada: ofereceram prendas 8 (oito) pessoas. Quanto ao número, de ofertas passem por lá para saberem. Como é possível, um evento desta natureza, tão publicitado e só oito almas se terem lembrado que há crianças que ficariam imensamente felizes se recebessem um brinquedo por este Natal.( não esquecer que nem sequer se pediam brinquedos ou livros novos!) Porque, e isto é importante que se diga, em Avis, como em tantos outros locais do mundo, há crianças que não vão receber nada! Arriscar-me-ia a dizer que muito mais de cem pessoas sabiam desta iniciativa: Referia-o o Portal de Avis, foi referido aqui “ Do Castelo” ( obrigado D. Manuela Mendes por ter respondido via correio ao pedido da Lena, referido neste espaço) e certamente na Agenda Municipal (desculpem mas não me lembro se também lá vinha). E as pessoas que habitualmente frequentam a biblioteca ou passaram na R. da Cantina, não se aperceberam de tal?
Afinal o espírito de Natal só vai existindo ( e se calhar de um modo cada vez mais esbatido) na recordação daqueles que ainda acreditaram que quem dava as prendinhas era o Menino Jesus, que descia pelas chaminés e não o Pai Natal que agora por aí chega montado num bom carro ou numa mota de quatro rodas!

Ainda falta tanto para o Natal que vai a tempo de ser solidário com os mais desfavorecidos do nosso concelho. Terá um Natal mais feliz, acredite: você e os "outros"!