quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

O FURA GREVES!

Havia vários dias que não dormia descansado por causa da greve. Por um lado sentia a obrigação moral de fazer greve, porque, se daí alguns proventos adviessem eles seriam repartidos por todos e ele, não fazendo greve estava a beneficiar de algo porque não lutara. Por outro lado, fazer greve e logo por dois dias, era um rombo no já magro ordenado mensal. A mulher não o largava:
- Tu não sejas parvo. Vai trabalhar que os gaiatos precisam de comer! Os do Sindicato andam só em grandes almoços, não os vejo fazer nada e tu é que fazes greve?
E a sua consciência a gritar-lhe:
- Faz greve, junta-te aos teus camaradas porque é a união que faz a força. Unidos vencerão!
No dia aprazado para a greve, alta madrugada, o Zé das Máquinas ainda se debatia com este terrível dilema. Não sabia o que fazer. A mulher às sete e meia lá foi para o trabalho no campo e ele indeciso entre ficar deitado, enquanto ela ia trabalhar, ou meter-se em cima da motorizada e rumar ao seu local de trabalho.
- Zé, os gaiatos precisam de comer! ...Zé a União faz a força!...que raio de baralhação a azucrinar-lhe a cabeça e o sentido!
Porque será que há dias em que é tão difícil tomarmos uma atitude minimamente aceitável? De repente, saltou da cama, bebeu o resto do que restava do caldo de farinha frio, comeu um naco de pão com toucinho e foi trabalhar. Chegado ao serviço, assinou o livro de ponto e ficou por ali sozinho, sem fazer nada ( mas isso era o menos, pois já estava habituado). Mas sentiu-se muito mal com a sua consciência. É certo que os gaiatos tinham que comer, mas os outros camaradas de serviço tinham feito greve. E se houvesse benefícios ele usufruiria deles de igual modo. A consciência “saltou-lhe” em cima:
- Zé, porque vieste?
Ao chegar a casa a mulher sentenciou:
- Assim é que tu és um bom chefe de família, a trabalhar! Já viste: então se fôssemos os dois empregados da “Cambra” descontavam-nos quatro dias? Era quase uma semanada...
Escusado será dizer que esta noite foi passada em claro. Não queria ir trabalhar por imperativos de consciência, mas tinha que o fazer por imperativos matrimoniais. Quando a mulher se levantou para ir para o campo, o Zé das Máquinas levantou-se também, convencendo assim a sua companheira que iria trabalhar, como era desejo desta. Mas não. Havia tomado uma decisão. Hoje, segundo dia da greve não iria. Estava solidário com os camaradas! Porque não tinha quintal onde, como alguns dos outros colegas, pudesse ir semear as favas e ervilhas ou pôr cinza nos alhos que já iam a ter “bico de pardal”, e nem sequer tinha nenhum outro “furo”, o Zé juntou-se casualmente com o Manel das Açordas. Foram até ao café, contaram das suas mágoas e afogaram-nas numas cervejas. “Umas”, porque lhe perderam o conto. Ah! E comeram uns chouriços assados e mais uns bocados de entremeada. Comeram muito, e beberam muito. Ao pedir das contas, o Zé disse que não tinha dinheiro e que no fim do mês logo lá iria pagar....
A mulher do Zé nem queria acreditar. Então aquele malandro além de não ter ido trabalhar para ganhar o dia ainda esbanjara o dinheiro que tanta falta fazia lá em casa? O Zé não estava em condições de perceber nada. Estava embriagado. Ouvia a mulher ralhar e ouvia a voz da consciência a elogiar-lhe a atitude de ter feito greve e ao mesmo tempo a repreendê-lo por ter gasto o que não devia. Perdera duplamente.
Ao outro dia, ao chegar ao emprego, os colegas olharam-no de soslaio e houve mesmo um que, entre dentes, lhe disse:
- Fura greves da merda....
O Zé sentiu como que um forte murro no estômago e um tremedalho nas entranhas, só por pensar que qualquer dia, quando menos esperado, poderá haver greve outra vez e ele ficará de novo entre a espada e a parede, que é como quem diz, entre a mulher e a consciência.
A vida de um pobre é muito dura!

Nota do autor: este texto é pura ficção. Qualquer semelhança com factos ou personagens reais, é pura coincidência.

domingo, 11 de dezembro de 2005

QUE É FEITO DO ESPÍRITO DE NATAL?

Ontem à noite estava frio. Não havia vento e o frio era daquele frio que antevê uma noite de geada e se tolera se nós nos pusermos a caminhar. E foi o que eu fiz. Meti-me num velho mas quente casacão, enrolei um cachecol ao pescoço e aí fui eu dar uma volta pela vila. Era minha intenção descobrir o “espírito de Natal”, dado que estamos em plena época natalícia. A primeira descoberta que fiz foi a dum Natal artificial que passa por iluminações das mais diversas variedades, algumas até muito pouco a ver com a época. Este é o espírito do Natal consumista que leva as pessoas a tentarem ter algo que as diferencie das vizinhas pela colocação de artefactos chamativos para realidades inexistentes. Mas é claro que estamos em pleno século XXI e Jesus já nasceu há tanto tempo... E lá fui, Machado dos Santos acima, rua do Convento, Serpa Pinto, Portas de Évora, Cisternas, Arrabaldes. E foi aqui, nos Arrabaldes que apurei o meu olfacto e perante aquelas colunas de fumo que das velhinhas chaminés subiam a pique, indicadoras de um brasido que por ali aqueciam alguns pés mais frios, retirei o cachecol do nariz e absorvi o ar frio mas deliciosamente perfumado: cheirava a “filhoses”. Haja Deus por haver quem faça filhoses em casa e não se limite a comprá-las, ainda que no comércio tradicional. Lá da outra banda da vila, já próximo da Mouraria cheirava a belhoses. Fiquei satisfeito. Bem sei que o Natal não é só fazer filhoses e belhoses. Mas também é. E lá regressei a casa com os pés muito mais quentes que as orelhas. De Natal além do apontado nada mais.
A habitual Estrela da Torre da Rainha deve estar a caminho.
Antes de me deitar e aproveitando os preços mais económicos, fui dar uma voltita pelos blogues da minha eleição. Como qualquer ser mortal tenho as minhas preferência. E voltei a esbarrar com o “espírito de Natal”, melhor com a tal falta de “espírito de Natal”. Então é assim, porque a Lena (da Biblioteca) tem boa memória, faça um clique na sua “boamemória” para ver os resultados da campanha de um brinquedo para as crianças mais desfavorecidas, por ela idealizada: ofereceram prendas 8 (oito) pessoas. Quanto ao número, de ofertas passem por lá para saberem. Como é possível, um evento desta natureza, tão publicitado e só oito almas se terem lembrado que há crianças que ficariam imensamente felizes se recebessem um brinquedo por este Natal.( não esquecer que nem sequer se pediam brinquedos ou livros novos!) Porque, e isto é importante que se diga, em Avis, como em tantos outros locais do mundo, há crianças que não vão receber nada! Arriscar-me-ia a dizer que muito mais de cem pessoas sabiam desta iniciativa: Referia-o o Portal de Avis, foi referido aqui “ Do Castelo” ( obrigado D. Manuela Mendes por ter respondido via correio ao pedido da Lena, referido neste espaço) e certamente na Agenda Municipal (desculpem mas não me lembro se também lá vinha). E as pessoas que habitualmente frequentam a biblioteca ou passaram na R. da Cantina, não se aperceberam de tal?
Afinal o espírito de Natal só vai existindo ( e se calhar de um modo cada vez mais esbatido) na recordação daqueles que ainda acreditaram que quem dava as prendinhas era o Menino Jesus, que descia pelas chaminés e não o Pai Natal que agora por aí chega montado num bom carro ou numa mota de quatro rodas!

Ainda falta tanto para o Natal que vai a tempo de ser solidário com os mais desfavorecidos do nosso concelho. Terá um Natal mais feliz, acredite: você e os "outros"!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

...E FINALMENTE A ASSOCIAÇÃO DE PAIS!

O último trimestre deste ano foi farto em eleições, pelo menos a nível de Freguesia de Avis. Foram as eleições Autárquicas, foram as eleições para a Santa Casa da Misericórdia de Avis, foram as eleições para a ASRPICA( Associação de Reformados Pensionistas e Idosos do Concelho de Avis) e finalmente ontem as eleições para a Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas do Concelho de Avis, doravante denominada simplesmente Associação de Pais. Desconheço se até ao fim do ano haverá mais alguma. Regozijo-me por se ter verificado um enorme envolvimento das pessoas, querendo tomar parte activa na resolução dos problemas da sociedade em que estão inseridas. Esse direito é lhe conferido pela própria Constituição e é assumidamente um direito de cidadania. Mas a participação activa na sociedade não se pode, não de deve esgotar com o terminar da contagem dos votos. Deve continuar para lá disso e em qualquer situação em que se verifiquem eleições. Quem ganhou não se pode dar ao privilégio de tomar conta do “poder” que lhe foi conferido e quem perdeu não pode pura e simplesmente alhear-se esfregando as mãos e dizendo “ isso agora é com eles que ganharam, até fiquei mais descansado porque perdi...”
As considerações que vou fazer são de âmbito estritamente pessoal e como sempre o faço retractam única e simplesmente a minha opinião : vou então falar da Associação de Pais.
Aqui aplica-se exactamente o atrás exposto. Há muita coisa a fazer na Associação de Pais. E, dada a movimentação conseguida em torno destas eleições, penso que não se deveria agora “desligarmo-nos” todos dela (Associação) deixando que os eleitos da Lista B ( a quem endereço os meus parabéns) sejam eles a fazer tudo que, se não tiverem uma demonstração de interesse por parte de todos os envolvidos, se poderá resumir a fazer muito pouco, como aliás tem sido feito até agora. Não poucas vezes a Senhora Presidente se me queixou de que as convocatórias de reuniões, para os pais e encarregados de educação seguiam e que às ditas reuniões iam os elementos da Direcção ( ...e nem sempre todos!) e mais uma ou duas pessoas. Para ela, isso era desmotivante e compreende-se porquê. Agora que, ao contrário do que vinha sendo habitual, houve duas listas a concorrer, há que se mudar o rumo dos acontecimentos. Não compreendo, por exemplo, como é que eu, que até já cheguei a fazer parte dos Órgãos Sociais desta Associação,( o que me leva a assumir publicamente de que enquanto tal também não fiz tudo o que deveria ter feito) ontem, para votar tive que preencher uma ficha de inscrição. Há que remodelar, há que melhorar, há que aparecer quando e sempre que as Assembleias sejam convocadas sejam elas convocadas pela Direcção ou pelos Sócios. (Sócios? Eu nunca paguei qualquer quotização...)
Continuo com a firme convicção de que uma Associação de Pais, devidamente organizada, sem compadrios e que exerça a sua actividade dentro da estrita e exclusiva finalidade de defender os interesses dos alunos, tem tanta força e é tão importante em Avis, quanto o é no Porto, em Lisboa ou Faro.
Estou certo que com estas eleições e a vontade de todos, vamos ter uma nova dinâmica na Associação de Pais em Avis,
que saiba responder às necessidades de toda a família escolar de Avis, não descurando, como é óbvio, também as excursões que são sempre um salutar meio de convívio, mas que sabem a muito pouco.
Assim todos nós o queiramos! Ah! se a lista a ganhar tivesse sido a "A" o meu comentário seria exactamente igual...

(Desculpem este remate a desprepósito, que não tem nada a ver com a matéria tão séria acima tratada, mas que está com toda a actualidade: sabem qual foi a chave do sucesso da vitória do Benfica sobre o Manchester?Foi uma chave inglesa!)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

BENFICA - 2 MANCHESTER - 1

AO MEU BENFICA – VIII

O BENFICA DESFALCADO
DEPOIS DE ESTAR A PERDER,
DEU A VOLTA AO RESULTADO
ACABANDO POR VENCER!

GRITAM NO ESTÁDIO DA LUZ
CHEINHO QUE NEM UM OVO:
É AQUI QUE SE PRODUZ

A ALEGRIA DUM POVO!

domingo, 4 de dezembro de 2005

A BARRAGEM VAI-SE COMPONDO!

Paulatinamente a nossa Barragem lá vai subindo o seu nível. A chuva caída ultimamente já fez subir bastante a reserva de água, embora eu pensasse que estivesse mais cheia. Passo a explicar: ontem fui à ponte para Valongo no pressuposto de que iria ver a Ribeira de Seda transbordando e invadindo ruidosamente a Barragem. Mas não. Na realidade apercebia-se perfeitamente que a água estava a chegar mas não na quantidade que eu supunha. Marquei uma referência – uma velha casa que estava rés-vés com o limite da água na parte superior – e hoje a casa já desaparecera engolida pelas águas. Sinal mais que evidente que as coisas se estão a recompor em termos de armazenamento de água. Os campos esses já estão verdes, tornando-se assim “bonitos” para quem não gosta do Alentejo: é que quem gosta, como eu gosto do Alentejo, não aprecia apenas os verdes, mas adora até os campos quando as temperaturas ultrapassam os mais de quarenta graus do Verão.
Ah! Antes que me esqueça, dois reparos que não são mais que dois apontamentos. Vi com pena, que tinha sido colocada uma vedação, com o respectivo arame farpado na fiada superior, delimitando o acesso às figueiras junto da ponte para Valongo. Agora será muito mais difícil aos Benavilenses e não só, irem-se ali aviar de figos, com as suas rocas. Certamente que saberão contornar a situação.
Outro registo e nada mais que isso, pois de pontes e sua conservação percebo tanto como de lagares de azeite. Mas o apontamento é este: a referida ponte para Valongo apresenta ao nível do alcatrão, duas fissuras em toda a largura da mesma, uma maior à entrada no sentido Avis-Valongo e outra menor do outro lado. Neste lado de cá (Avis-Valongo) cabem à vontade dois dedos travessos na abertura transversal. Mas, como disse, que percebo eu disto? Limito-me a referir a situação sem saber no entanto se é uma situação anómala ou normal. Apenas me chamou a atenção aquele buraco ali tão à vista desarmada.

sábado, 3 de dezembro de 2005

MARÍTIMO-0 BENFICA-1

AO MEU BENFICA - VII

INVALIDARAM-LHE UM GOLO,
AO NOSSO PEDRO MANTORRAS;
COMO O RAPAZ NÃO É TOLO
“BISOU”...POR CAUSA DAS PORRAS!

NESTE JOGO TÃO A SÉRIO
DISPUTADO À MANEIRA,
BENFICA TROUXE O "MINÉRIO"
DO BAILINHO DA MADEIRA!


(Para que conste: PARABÉNS aos miúdos do Avisense que chegando a estar a perder por 5-1 frente ao Alter, acabaram por ganhar, imagine-se, por 9 a 7!)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

CARTAZES E AUTÁRQUICAS 2005 : PONTO FINAL.

Tinha razão “alguém” que no Portal de Avis ( porque terá que ser sempre “alguém” que nós não conhecemos?) aconselhava a que “DO CASTELO” adquirisse uns óculos e isto ainda a propósito dos cartazes das Autárquicas 2005. Não comprei óculos mas regraduei as lentes dos óculos que tenho e depois de dar umas voltas pela nossa vila lá descobri ainda alguns dos cartazes referidos: nas escadas de acesso ao Jardim do Mestre, lá está um “ Vota CDU”, enquanto ali bem colado à AVISOURO (passe a publicidade) lá continuam as fotografias dos candidatos do PS, tiradas ainda quando a esperança era palavra de ordem. Como é óbvio, no largo dos Correios e no Humberto Delgado continuam os deteriorados cartazes do PSD.
Fui esta semana ao Alcórrego e aí,
meus amigos, não é necessário graduar ou usar óculos: pelo que me foi dado observar, fiquei convencido que dali ainda não foi tirado nada, parecendo que estamos por lá em plena campanha eleitoral, ou muito próximo do climax das mesmas...
Repito: obrigado a “alguém” e convença-se que eu não olho só para um lado, posso é às vezes não estar atento q.b., como aliás era desejável e espero que me releve por isso.
Cumprimentos!

terça-feira, 29 de novembro de 2005

ASSOCIAÇÃO DE PAIS VAI A VOTOS!

Li há dias no Portal de Avis, que muito me apraz visitar, um comentário que de algum modo me deixou a pensar alto e sozinho. Alguém, e os comentários no Portal de Avis são feitos por “alguém” que nunca sabemos efectivamente quem é, “alguém”, dizia eu, afirmava que se pretenderia acabar com a Associação de Pais. Estou convencido que quem o disse ou o fez sem ter noção da importância que uma Associação de Pais pode ter junto da comunidade escolar ou fê-lo no pressuposto de estar já a querer criticar algum elemento que supostamente pudesse integrar a Direcção da dita Associação e que não seria do seu agrado.
A Associação de Pais tem estado há vários anos entregue sempre à(s) mesma(s) pessoa(s). Por certo fará(ão) o que pode(m). Mas creio que não é muito, melhor, creio mesmo que não terá sido o suficiente. Muitos anos num mesmo lugar leva-nos a uma certa apatia, a um certo comodismo, pelo que a alternância é sempre salutar.
Por vezes não há quem queira preencher os lugares, mas segundo penso saber neste momento haverá quem queira tomar conta da Associação de Pais com vontade de mudar. E conviria que fossem educadores que tivessem educandos nos primeiros anos da escolaridade para assim poderem dar continuidade bastante às alterações que urge efectuar. Uma Associação de Pais bem estruturada, tem um poder altamente positivo e quando devidamente dinamizada não pode deixar indiferentes todos aqueles a quem a escola e a sua envolvência diz respeito.
Posto isto, não deixem passar esta oportunidade e agarrem-na com vontade de lutar pelo interesse dos vossos educandos. Mudem o que tiverem de mudar, legalizem o que houver que legalizar, mas não deixem perder mais esta oportunidade.
Eles, os vossos filhos e filhas, mais tarde, vos agradecerão.

sábado, 26 de novembro de 2005

MISERICÓRDIA!!!!

A esta hora continua a decorrer a votação para a eleição dos Corpos Sociais da Santa Casa da Misericórdia de Avis. A assembleia Ordinária começou a funcionar às 16h em virtude de às 15h não estarem presentes o número legal de irmãos para que a mesma pudesse funcionar. O Orçamento foi aprovado por maioria com uma abstenção e em seguida passou-se ao ponto quente da ordem de trabalhos: a Eleição dos Corpos Sociais. Agora não preciso que me expliquem mais nada. Isto é, o que eu deveria saber deveria ter sedo explicado até à Assembleia ou melhor ainda durante o decorrer da referida Assembleia. Das duas listas supostamente apresentadas a sufrágio apenas concorreu uma, a lista A, porque a lista B desistiu de ir a votos. Ali, em Assembleia Geral, onde se discutem e devem ser debatidos os assuntos mais prementes da Santa Casa ou de qualquer outra instituição que convoque reuniões de Assembleia, foi-nos dada a explicação do modo como decorreram as conversações quanto à constituição de uma lista única ( que para mim seria a lista ideal) e das razões porque tal não se conseguiu. As explicações foram dadas por um elemento afecto à lista A, logo à lista presente a votos. Ouvimos a sua opinião e perguntado se havia naquela Assembleia algum elemento da lista B que expusesse as suas razões, concluiu-se que não havia ninguém. O Sr. Presidente da Assembleia leu então uma comunicação da lista B fundamentando a sua desistência em factos inseridos no não cumprimento de uma série de decretos que como é lógico não sei enumerar e que tinham sido cometidos não por eles mas pela lista A. Seguidamente foi lida uma carta em que um dos elementos da lista B (desistente) expressava que fôra convidado para pertencer à referida lista como suplente e que pelo facto de ser incluído como efectivo declinava a sua participação na lista. Ultrapassados em Assembleia os impedimentos apresentados pela Lista B ( com maioria e com uma abstenção)procedeu-se então ao início da votação que, nos termos legais, decorrerá durante duas horas, o que quer dizer que irá até cerca das 19h00.
A mim que sou “irmão” votante, lamento que nenhum elemento da lista B tenha apresentado de viva voz a sua versão e as razões da desistência. Assim ficámos com a verdade da lista A .
Também registo situações como estas:
um “irmão” subscreveu ,como apoiante, a lista A e depois aparecia como candidato na lista B;

outro irmão apareceu inicialmente como candidato em ambas as listas;

um candidato da lista B só soube que a sua lista tinha desistido quando eu lhe disse, já dentro das instalações da Santa Casa, e quando ele ia disposto a defender a sua palavra.

A Santa Casa é uma Instituição demasiado importante para que se possa permitir a situações caricatas como as que rodearam estas eleições. Como é óbvio, e à falta de outra escolha, a lista A será a vencedora, a quem endereço desde já os meus parabéns, já que mais não seja, pelo facto de terem levado até ao fim um projecto a que meteram ombros.
Quanto ao futuro, esse, a Deus pertence, mas espero que seja melhor do que até aqui!

VAMOS TODOS SER SOLIDÁRIOS!

É altura de sermos solidários, respondendo ao apelo efectuado pela Lena, responsável pela Biblioteca Municipal de Avis. Se o seu filho tiver em casa um brinquedo ou livro que já não goste, entregue-o na Biblioteca, até dia 30 deste mês, para que os mesmos possam ser distribuídos pelas crianças mais desfavorecidas do nosso concelho. Se não tiver em casa nada que possa servir para o efeito, compre um brinquedo, barato, e ofereça-o do mesmo modo. Se por acaso ler esta mensagem e não residir em Avis, continue a ser solidário enviando a sua oferta pelos Correios para:

Biblioteca Municipal
Ao cuidado da Lena
Rua da Cantina
7480 AVIS

Você sentir-se-á imensamente bem consigo mesmo, a Lena agradece e as crianças que forem recebedoras das prendas sentir-se-ão incomensuravelmente felizes.
Sejamos solidários, até porque já existe no ar um cheirinho a Natal!

terça-feira, 22 de novembro de 2005

CONCURSOS DE FOTOGRAFIAS

Estando a quinze dias do fim do prazo da entrega das fotografias para o Concurso : Concelho de Avis - Gentes e Locais, e enquanto entrega e não entrega as suas fotos, ora carregue AQUI para ver fotos do Concurso de Fotografia AVIZ SÉCULO XXI.
A ACA recomenda-o!

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

É PRECISO MUDAR JÁ!

Eu diria mais: deveria ter sido mudado JÁ HÁ MUITO TEMPO. Como é óbvio estou-me a referir ao cartaz autárquico do PSD que hoje pelas 21 horas ainda permanecia no Largo Humberto Delgado. O facto de não ter sido retirado a tempo, levou a que o mesmo fosse deteriorado de uma maneira menos simpática, não só para o candidato e partido que o apoiou, como para o "artista" que fez aquele imundo trabalho.
É certo que só na semana passada as outras forças políticas retiraram os seus últimos cartazes, mas, ou este a que me refiro de lá sai brevemente, ou daqui a pouco não dá à conta retirá-lo e é mantê-lo para as próximas autárquicas...
Isto é que está uma moenga!

sábado, 19 de novembro de 2005

BRAGA - 3 BENFICA - 2

AO MEU BENFICA - VI



MEU CORAÇÃO NÃO RESISTE
É TAMANHA A MINHA MÁGOA...
FIQUEI AINDA MAIS TRISTE
COM OS GOLOS DO “BÉBÁGUA”!

O “FERREIRA” FOI AMIGO
DEU-NOS UM PENALTY E TUDO,
MAS ACABOU INIMIGO:

VIMOS BRAGA P’LO CANUDO!

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

CASTIGOS FÍSICOS NA EB 2,3 MESTRE DE AVIS

Não fui só eu que ouvi. Foi dito alto e em bom som: a professora da turma do 1º ano da EB 2,3 Mestre de Avis, castiga alguns dos seus alunos colocando-lhes fita-cola( adesivo?) na boca para que eles não falem. A afirmação foi feita com tal convicção por uma mãe de uma aluna dessa turma, que a mim não me restam grandes dúvidas de que tal possa ser verdade.
Este procedimento ( a ser verdade) é uma atrocidade, que merece ser denunciado publicamente, o que aliás penso já ter sido feito, inclusivamente a nível do Conselho Executivo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

AVIS VAI TER UM NOVO ESPAÇO COMERCIAL

Se as minhas fontes não me enganarem, (o que já não seria a primeira vez, como se sabe...), Avis vai ter a curto prazo um novo espaço comercial destinado à venda de pneumáticos, calibragem de rodas, alinhamento de direcções e similares. A sua localização será junto à Ziva, anexo ao espaço onde agora se transaccionam automóveis.
Vamos esperar para ver se é verdade, embora eu esteja em crer que sim!

terça-feira, 15 de novembro de 2005

EM BORBA OUVIU-SE: AVIS

Tal como prometido passo a transcrever o outro trabalho de um “Avisense” premiado no Concurso de Poesia Popular de Borba/2005.


MOTE:
Borba, vila hospitaleira
Que gosto de visitar,
Tem algo de feiticeira
Que me encanta e faz voltar.


I
EXAUSTO DE CAMINHAR
INTERROMPI A VIAGEM
POISANDO A MINHA BAGAGEM
QUIS UM POUCO DESCANSAR;
E ANTES DE ME SENTAR
À SOMBRA DUMA AZINHEIRA
(PENSANDO SER DA CANSEIRA)
ADMIROU-ME O QUE LIA
NUMA PLACA QUE DIZIA:
BORBA, VILA HOSPITALEIRA!

II
TINHA QUE ESTAR ALI PERTO
ESTE MEU PORTO DE ABRIGO
ONDE QUALQUER BOM AMIGO
ME ACOLHERIA POR CERTO;
ADORMEÇO MAS DESPERTO
COM VONTADE DE ENCONTRAR
ESSA TERRA ESSE LUGAR
QUE NO MEU IMAGINÁRIO
HÁ-DE SER ITINERÁRIO
QUE GOSTO DE VISITAR!

III
LÁ DO ALTO DUM CABEÇO
VEJO A TORRE DUMA IGREJA,
NÃO HÁ NADA QUE EU NÃO VEJA
E NÃO RENDA O MEU APREÇO!
SERÁ ALI O COMEÇO
DESTA HISTÓRIA PASSAGEIRA
COMO GATA BORRALHEIRA
SEM INVEJA DE NINGUÉM,
POIS BORBA, COMO CONVÉM,
TEM ALGO DE FEITICEIRA!

IV
DEI PASSEIOS SEM TER PRESSA
NUM PASSO INCERTO INDECISO
ESBOÇO UM LEVE SORRISO
AO PASSAR NUMA TRAVESSA
E OUVIR: ENTRE, ORA ESSA,
POIS FAÇA FAVOR DE ENTRAR
QUE NÃO VEM INCOMODAR!
...É O SER TÃO DIFERENTE
E A FRANQUEZA DESTA GENTE
QUE ME ENCANTA E FAZ VOLTAR!

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

ONTEM, EM BORBA, OUVIU-SE AVIS

Ontem, em Borba, teve lugar a sessão de encerramento do Concurso de Poesia Popular que coincidiu com o encerramento da festa da vinha e do vinho naquela localidade. De realçar que o nome de AVIS foi realçado duas vezes aquando da distribuição de prémios pois dois “filhos” de Avis foram premiados: um com o 2º lugar e outro com o 10º lugar. Porque o que menos interessa é saber qual dos trabalhos teve uma ou outra classificação, passo a transcrever hoje um dos trabalhos premiados e amanhã o outro. O de hoje é da autoria da D. Manuela Ascensão Mendes, moradora em Silves, que mais uma vez teve oportunidade de expressar que ,apesar de viver em Silves, é de Avis. Com um mote de Maria Aliete Cavaco Penha, poetisa de Faro, eis pois o trabalho da D. Manuela, com os meus renovados parabéns:

Mote:
Borba vila hospitaleira
Que gosto de visitar,
Tem algo de feiticeira
Que me encanta e faz voltar!

I
É grande a tua nobreza,
Muito branco é o teu manto
Transbordas o teu encanto
Fruto da tua beleza.
Recebes com gentileza
Não finges és verdadeira,
Honras a tua bandeira.
Bairrista é o teu povo,
Não digo nada de novo
BORBA VILA HOSPITALEIRA.
II
Da história és mensageira,
No celeiro tens cultura,
Na luta com vida dura
Sai o mármore da pedreira
E do operário a canseira
Que merece descansar.
Tens festas sabes reinar.
Repartes o teu carinho
És do país um cantinho
QUE GOSTO DE VISITAR!
III
Nos teus vinhedos verdinhos
Pendem cachos bem dourados
P’lo povo são vindimados
E são feitos os teus vinhos,
Tanto melhores se velhinhos...
És uma vila fagueira.
Tens recepção de primeira,
Murmura quem te visita
Borba é muito bonita
TEM ALGO DE FEITICEIRA!
IV
No Alentejo situada,
Essa província tão bela,
Tua gente por ti vela
Por todos tu és amada,
Para amar foste fadada.
Borba eu te quero saudar
Os teus manjares apreciar
Sem deixar de te dizer,
Que é teu modo de viver
QUE ME ENCANTA E FAZ VOLTAR!

domingo, 13 de novembro de 2005

AJUDA-ME "MANEL"

Manel, o que quer dizer isto... ?
Se é o que eu penso, o teu pai passou-se ou quê? Dá-lhe um puxão de orelhas por mim "porque afinal é preciso continuar a navegar". E imperioso!
Conto contigo, amigo!

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

ACONTECEU NO HOSPITAL DE SANTA LUZIA, EM ELVAS

Se calhar esta história verdadeira, embora sem qualquer razão de ser, poder-se-ia ter passado em qualquer outro lado. Mas não. Foi aqui e foi assim. Passemos aos factos.
No dia 7 deste mês, logo, na segunda-feira passada, a cama número 39 da enfermaria número doze da ala direita de medicina no Hospital de Santa Luzia em Elvas estava ocupado por uma doente de 75 anos de nome Eva. A D. Eva estava bastante debilitada, tendo-a eu próprio ajudado a ir à casa de banho mais do que uma vez. Na tarde desse mesmo dia 7 de Novembro de 2005 a D. Eva é transportada por uma auxiliar de acção médica numa cadeira de rodas para ir fazer um RX ao tórax. Passados alguns minutos chegou a notícia: a senhora tinha caído no local do RX, suspeitava-se de traumatismo craniano e foi transportada de urgência para o Hospital de S. José acompanhada de um médico e dois enfermeiros. A filha, desolada lamentava-se chorando. Por nos parecer a todos que se tratou de pura negligência e no sentido de apurar os factos, aconselhei-a a fazer uma reclamação no “livro” amarelo. Respondeu-me entre soluços:
- O que é que eu ganho? Além disso o meu marido está lá em baixo em S.O por estar pior do coração!
Hoje a notícia chegou bem cedo à ala direita do serviço de medicina do Hospital de Santa Luzia em Elvas: a D. Eva faleceu esta manhã em S. José. Na Rua de Olivença lá constava a sua foto na montra de uma Agência funerária: por atraso no levantamento do corpo não sabiam quando seria a missa e o funeral.

A notícia assume assim uma sobrecarga de dramatismo tanto maior por se ter passado dentro de um Hospital, onde, supostamente, alguém é internado para se curar dos seus males e vai ali encontrar a morte.
Ninguém vai ser chamado à responsabilidade. A incúria, desleixo e falta de profissionalismo de alguém, empurrou para a morte prematura uma mulher que procurou um hospital para se curar. E a filha nem pôde “protestar” porque o marido também lá está internado. Teve medo das represálias. E nós sabemos que as poderia haver.
À família enlutada que apenas conheci a partir do dia 31 de Outubro, as minhas condolências a que junto o meu sentimento de revolta e nojo pelo modo como as coisas se passaram. Ninguém jamais saberá exactamente o que aconteceu, pois a D. Eva, a única que poderia dizer a verdade, a única que poderia descrever a situação com isenção, já não está entre nós.
Paz à sua alma. Amanhã, se puder irei ao seu funeral.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

DICIONÁRIO DE FALARES DO ALENTEJO

Ofertaram-me um Livro intitulado “ DICIONÁRIO DE FALARES DO ALENTEJO”, da autoria de Vítor Fernandes Barros e Lourivaldo Martins Guerreiro.
Passo a transcrever alguns vocábulos atribuídos a Avis, a sua “tradução” e o número da página onde os mesmos são referidos:

ABASTRUZ - Avestruz ( Pág.19)
ABESPRA - Vespa; pessoa que se irrita facilmente ( 20)
ALDRAVAZ – Trapaceiro; aldrabão ( 27)
ALMOFEIRA – Água negra que escorre da talha da azeitona ( 29)
AMINTAR – Lembrar, recordar (31)
APILHAR – Acostumar um animal a certo sítio (33)
ARRIMADOR – Semicírculo de ferro para amparar as panelas ao lume ( 36)
ASSENTE – Assento, cadeira (37)
BARRANHÃO – Tacho (44)
BURGUEXO – Pedra pequena (49)
CACARRUÇO – Qualquer vasilha pequena
CHUVINHAR – Chover pouco; chuvisco (67)
CUCÉGAS – Cócegas (71)
ENDURINHA – Andorinha (80)
ESBURRUNDAR – Cair (84)
HOME – Homem (105)
INDURINHA – Andorinha (107)
INTÉ – Até (108)
ISBURRONDAR – o m.q. Esburrundar
MALACUECOS – Fritos de massa de trigo (119)
MEDA(É) – Amontoado de molhos de trigo, cevada, etc. na eira (125)
MILHARADA – Quantidade de espigas de milho que se transportam para a eira (126)

Prometo ainda voltar a dar mais notícias deste "Dicionário de Falares do Alentejo", quando o tiver lido na sua totalidade.