terça-feira, 16 de agosto de 2005

SENHORA MÃE DOS HOMENS: A TRADIÇÃO AINDA É O QUE ERA...

De quando em vez surgem pequenos conflitos entre o poder civil e o poder eclesiástico, chamemos-lhe assim para simplificar. No caso presente o “conflito” que está latente prende-se com a feitura da festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Diz-nos a tradição que, desde que os vivos se lembram, sempre a referida festa tem sido efectuada no último Domingo de Agosto. Manhã cedo e a pé os peregrinos têm-se deslocado para aquele santuário anos e anos a fios no último domingo do mês de Agosto. É uma tradição e vale por isso. Entende agora o Sr. Padre Pacheco, digno pároco da nossa paróquia, que o dia em que Nossa Senhora nasceu ( incluindo a Mãe dos Homens, pois que Nossa Senhora há só uma, ainda que uma infinidade de nomes) é o dia 8 de Setembro, pelo que em termos eclesiásticos era muito mais correcto fazer a peregrinação à Senhora Mãe dos Homens em 11 de Setembro, por ser o Domingo mais perto daquela data. Daí uma série de indirectas lançadas na missa do passado Domingo, uma promessa de que iria repensar o seu regresso de férias antecipado para dia 28 e depois à noite, no final da procissão, a informação de que afinal a festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens sempre será a 28 de Agosto e que a missa e procissão em redor da capela será presidida pelo Pároco Amândio, de Malarranha.
De tudo isto o que me parece é que a festa deverá ser mantida no último Domingo de Agosto. É tradição, perde-se nos tempos esta data. No entanto, se a Igreja pelos seus Doutores decidisse que a data deveria ser outra, também não me pareceria que daí viesse mal ao mundo e muito menos aos paroquianos de Avis.
Se esta situação for encarada como um braço de ferro, digamos que para já, a sociedade civil levou a melhor sobre o poder eclesiástico.
Até quando?

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

O MISTÉRIO DA RUA SIMÃO TELES VARELA...

Mais poderá parecer um título de um livro policial, mas na verdade não o é. Eu passo a explicar: há vários dias que tenho andado intrigado com o facto de na Rua Simão Teles Varela ( no lado dos números ímpares) existirem vários garrafões cheios de água junto das portas e igualmente junto dos candeeiros. Com a crise de água que por aí há até cheguei a pensar que por ali se dispensasse água de algum furo para poupar a da rede. Puro engano. Explicaram-me o seguinte: os garrafões estão ali colocados ( eu contei sete ) para evitar que os cães façam daquelas portas e candeeiros casas de banho para as suas necessidades líquidas.
Não sei se resulta ou não, mas se calhar quanto à poupança de água é capaz de resultar, isto é, lavar a rua para evitar os maus cheiros do xi-xi canino sempre deveria levar mais que sete garrafões de cinco litros...

sábado, 13 de agosto de 2005

VOLTANDO A FALAR DE PLACAS...

Se calhar sou “chato” mas vou falar mais uma vez de placas de sinalização. E é curioso que, e confesso a minha ignorância, há cerca de dez minutos no programa televisivo “Um contra Todos” aprendi que a entidade responsável pela colocação de placas na via pública é a Câmara. Eu até pensava que teria a ver com a Direcção Geral de Viação...
Mas voltando às ditas: penso que faria todo o sentido a colocação de uma placa sinalizadora de aproximação de escola/crianças, aí por perto talvez da barbearia do Mestre Orlando. Isto porque quem desce a R. António José Almeida no sentido Jardim do Mestre/Largo dos Correios, se não for de cá, apenas se apercebe da dita escola já em frente da mesma. É certo que está lá uma passadeira e uma placa indicadora de passagem de peões, mas até esta está “encostada” à passadeira e não a alguma distância. É certo que se transitasse aos 30 Km regulamentares dentro da vila, era uma coisa, mas todos sabemos que isso é apenas teoria.

Junto à referida escola da “Primária”, e num sítio onde passam diariamente em tempo de aulas, dezenas de crianças existe uma placa da Região de Turismo de S. Mamede que tem os fios eléctricos à mostra e em condições de qualquer criança lhe mexer. A lâmpada que devia iluminar a placa há muito que está fundida. Alguém me dizia há dias que cada vez que ali passa “ mete os fios para dentro, para não lhe tocarem”. É um perigo, a não ser que estejam desligados...mas nesse caso era preferível lá não estarem.

Para terminar esta “sessão” de placas: ontem, sexta-feira, às cinco da manhã, três “jovens heróis” da nossa noite, resolveram vandalizar, destruindo, uns placares que se encontravam à entrada da nossa vila (estilo Rota dos Vinhos do Alentejo...), no sentido de quem tem acesso vindo dos lados do Alcórrego. Disse-me quem viu, que ainda teve vontade de pegar na espingarda e dar dois ou três tiros de intimidação (Para o ar?). Porque esta pessoa que presenciou o acto me identificou os indivíduos com nomes e tudo, e para que não recaiam suspeitas erradas, os “anormais” em causa não pertence a nenhuma minoria étnica e são residentes em Avis...

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

MOMENTO DE POESIA

A poesia que vos vou transcrever pertence a um autor desconhecido. Como sabemos, a língua portuguesa por vezes é traiçoeira e receoso de que as quadras que ides ler possa ferir susceptibilidades mais sensíveis, começarei por vos relembrar o que é um CUME. Segundo o Dicionário de Português, 4ª Edição da Porto Editora. Ldª, a páginas 410 diz assim: CUME, s.m. A parte mais elevada; cimo; alto; topo; coruto ou coruta; fig. Auge; apogeu. (lat. Culmen).
Dada esta explicação espero que desfrutem estes simples versos, que vieram acidentalmente parar a minhas mãos, com tanta alegria quanto eu desfrutei. Se forem lidos em voz alta e apressadamente ainda soarão melhor ao ouvido....

POESIA DO CUME

I
No alto daquela serra
Semeei uma roseira
O mato no CUME arde
A rosa no CUME cheira!
II
Quando cai a chuva grossa
A água do CUME desce
O orvalho no CUME brilha
O mato no CUME cresce
III
Mas logo que a chuva cessa
Ao CUME volta a alegria
Pois volta a brilhar depressa
O sol que no CUME ardia
IV
E quando chega o Verão
E tudo no CUME seca
O vento o CUME limpa
E o CUME fica careca
V
Ao subir a linda serra
Vê-se o CUME aparecendo
Mas começando a descer
O CUME se vai escondendo
VI
Quando cai a chuva fria
Salpicos no CUME caem
Abelhas no CUME picam
Lagartos do CUME saem
VII
À hora crepuscular
Tudo no CUME escurece
Pirilampos no CUME brilham
E a Lua no CUME aparece
VIII
E quando vem o Inverno
A neve no CUME cai
O CUME fica tapado
E ninguém ao CUME vai
IX
Mas a tristeza se acaba
E de novo vem o Verão
O gelo do CUME cai
E todos ao CUME vão


(Temos que confessar que pelo menos é deveras imaginativo. Parabéns ao seu autor)

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

CNF=Conversas de Café=Conversas não Confirmadas

- Então já sabes quem é que cá vem actuar para a Feira de Setembro?
- Parece que vem a Mafalda Arnaut, os Xutos e Pontapés..
- Outra vez?
- Pois pá, mais Os Anjos e mais....

Tive que sair do café porque estava quase a chover e eu não tinha chapéu de chuva.
Que raio de azar o meu que nunca oiço as conversas até ao fim!

CNF=Conversas No Café=Conversas Não Confirmadas

Dois elementos de um dos Partidos Sufragáveis nas próximas Autárquicas em Avis dialogavam no café:
- Então já temos as listas completas cá na freguesia de Avis?
- Não, pá, ainda não temos a lista toda.
- E já falaram com aquela que a gente sabe?
- Já, mas ela disse que este ano não pode fazer parte da lista porque a filha está quase a acabar o curso e depois tem que ver se a “encaixa” na Câmara...
- O quê? Disse isso a ....

... Eu estava de saída e acabei por não ouvir o nome nem saber quem é que não podia fazer parte da lista de um Partido Sufragável em Avis, só porque quer “encaixar” a filha na Câmara.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

PASSAGENS DE MENOS E PLACAS DE MAIS....

Com a reabertura do estabelecimento de Apostas Mútuas Desportivas em Avis, as ruas que lhe dão acesso são cada vez mais atravessadas...sem segurança. Ora acontece que não existe ali nenhuma passagem de peões, o que me parece seria de todo o interesse existir, nomeadamente no cruzamento da Rua Machado dos Santos com a Rua 1º de Maio, junto à Caixa Geral de Depósitos. Dir-me-ão que o trânsito não é tanto que não se possa esperar um minuto para que se possa atravessar sem perigo de atropelamento. Mas se calhar tal já não será a opinião de pessoas como o Mestre Orlando que diariamente ali tem que passar. De mais a mais já ali existiu uma passagem de peões devidamente assinalada no pavimento. Após um dos melhoramentos da via, apenas ficou o alcatrão, as “riscas” foram-se e não voltaram.
O que continua lá a mais é a placa sinalizadora dos pontos de interesse da vila. Obviamente que faz falta, mas não no local e com a altura que tem. Na passada segunda feira foi a minha vez de lá bater com a cabeça. Do embate ficou um galo e uns óculos torcidos, que não chegaram a quebrar. Que eu saiba já fui o quarto a bater-lhe, sendo que o caso mais grave terá sido do ex-gerente da Caixa Geral de Depósitos, Sr. Victor que teve de ser soturado no Centro de Saúde de Avis.
Até quando?

sábado, 6 de agosto de 2005

CONTO: "UMA QUESTÃO DE SENSIBILIDADES POLÍTICAS" - CONCLUSÃO

- Meus vizinhos e vizinhas. O que acabámos de ouvir não foi mais do que as sensibilidades de quatro pessoas boas que querem o bem da sua terra, que querem o bem da nossa gente. Cada um por si tem influências tão grandes que poderão, em conjugação de esforços mudar a nossa forma de vida. Mas reparai: se tivermos casas novas, não aprenderemos a ler e a escrever. Se tivermos mais vacas a dar leite teremos mais hipótese de apanhar a febre da malta porque continuaremos sem médico na nossa aldeia. Eu proponho: porque não avançar com um outro nome entre os presentes e estes quatro Paredenses ficarem como secretários ou tesoureiros da nossa Junta?
...................................................................................
“ Acta nº 17/97 : Aos 4/12/97 tomou posse como Presidente da Junta de Freguesia de Paredes da Ribeira Seca, Francisco Silva Esperto secretariado por Dr. Manuel..., e por Samuel.....; Tesoureira Ana...e Professor Malaquias... como Tesoureiro suplente”
FIM
AVIS, 27 DE JULHO DE 2004

AVIS SOB UM MANTO DE FUMO

Desde o início da noite ( das 21 horas de sexta e até agora, 1,30 da manhã de sábado) que um manto de fumo cobre Avis. À primeira vista quem olhar para a muralha fica com a sensação de que se trata de um denso nevoeiro. No entanto o cheiro a queimado não deixa dúvidas : existe fogo por perto. O cheiro introduziu-se pelas frinchas das portas e janelas fechadas, como que a querer alertar as mentes mais descuidadas de que o fogo é uma desgraça a nível nacional e que pode tocar a qualquer um e em qualquer altura. Lá fóra o ar está irrespirável, apesar de nos encontrarmos a distância do foco de incêndio que confesso desconhecer. O que será nas suas imediações? Aqui fica a minha solidariedade para todos aqueles que abnegadamente combatem esta praga que a pouco e pouco vai transformando Portugal num enorme brasido e que num futuro não muito distante virará semidesértico. Para os Bombeiros, populares, militares e às famílias atingidas renovo a minha solidariedade.
Enquanto isto, mais altos responsáveis políticos a nível nacional, continuam de férias como se nada de catastrófico se passasse no seu país ( ou este não será o seu país?).
Por coisas menos graves houve quem cancelasse viagens de estado, quanto mais férias...

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

CONTO: " UMA QUESTÃO DE SENSIBILIDADES POLÍTICAS" - PARTE 5

- Como sabem eu sou uma mulher de poucas palavras: “pão, pão, queijo, queijo” é o meu lema, na vida e na venda. Temos que arranjar mais vacas leiteiras para a nossa terra. Se assim não fôr, como podereis continuar a comprar a broa e o chouriço para o caldo verde? E a pouca produção leiteira torna tudo mais difícil, não se esqueçam que vai aumentar o quinhão com que eu fico para repartir com a Central Leiteira do Norte. Quando eu fôr Presidente tenho influências suficientes no IFADAP, para arranjarem dinheiro a juros bonificados para comprarem mais vacas. O futuro está em mim e nas vossas vacas. Se não fosse cá por coisas diria que sou tão importante para vós como as vossas vacas. Tenho dito!
Anotei : a Ana da venda quer mais vacas a produzir leite e entre parêntesis (ou quererá mais lucros na sua venda e na parte que cobra pelas recolhas ?).

Acabados o último aplauso da sessão, olhei para os meus apontamentos, enchi-me de coragem e disse:



(CONCLUI-SE AMANHÃ)

CONTO : " UMA QUESTÃO DE SENSIBILIDADES POLÍTICAS" - PARTE 4

- Meus caros eleitores: a situação é de tal modo grave e melindrosa que a grande maioria de vós que aqui estais, nem sabeis fazer uma cruz condigna num boletim de voto. Sabeis? Claro que não. E porquê? Porque ninguém vos iluminou com a sapiência da escrita. Comigo na Presidência, cada Paredense será um muro de sabedoria e eu serei o vosso explicador particular! Tenho influências pessoais para pôr aqui uma casa de explicações, donde brote a sabedoria que vós ignorais! Percebestes?
A Maria Pileca olhou para mim e sussurrou-me : “ Xico Esperto, perceber não percebi, mas lá que ele falou bem, falou”. Enquanto as palmas ecoavam pelo enorme salão anotei:
O Professor quer mais ensino e acrescentei entre parêntesis ( à custa de explicações dadas por ele e pagas pelos Paredenses
).

Finalmente discursou a Ana da venda, mulher de poucas palavras :



(CONTINUA AMANHÃ)

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

CONTO : "UMA QUESTÃO DE SENSIBILIDADES POLÍTICAS" - PARTE 3

- Certamente que acreditarão que me deu mais trabalho a escrever estas simples palavras que vos vou ler, do que a executar os planos que tenho em mente. Quem é que ainda não reparou no estado lastimoso das nossas estradas? Estradas, não, caminhos e de vacas. Ainda há dias a Ti Maria Pileca me pediu ajuda porque a vaca da filha estava atolada ali ao fundo da Rua do Meio. Não fosse a minha camioneta e não teríamos conseguido tirá-la de lá. Eu não sou mentiroso : não é verdade ti Maria Pileca?
Reparei na Ti Maria que abanava a cabeça que sim, enquanto a filha deitava uns olhos algo comprometedores para o Samuel empreiteiro. Este continuava:
- E as vossas casas? Quase todas a cair. Quando eu ganhar as eleições para Presidente tenho influências suficientes para arranjarem empréstimos bancários para que todos tenham as vossas próprias casinhas, além, claro, de estrada nova para a sede do concelho e ruas arranjadas. E mais, do meu próprio bolso arranjarei a viga da Santa Igreja que já está podre.
A assistência brindou o orador com uma enorme salva de palmas, enquanto o Sr. Padre Bento disse não muito alto mas perceptível no sítio onde eu me encontrava um “Amen” de esperança. Sublinhei no meu caderninho:
o Samuel empreiteiro quer mais casas e estradas novas ( ou quererá aumentar o seu negócio de construção civil?).
O Professor Malaquias era um letrado, um iluminado pelo dote oratório e assim foi rápido e directo ao assunto:


( CONTINUA AMANHÃ)

terça-feira, 2 de agosto de 2005

CONTO: " UMA QUESTÃO DE SENSIBILIDADES POLÍTICAS" - PARTE 2

- Antes de tomar a decisão de me candidatar ao cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Paredes da Ribeira Seca, estudei muito bem as necessidades da nossa terra. O que mais me preocupa é o estado de saúde da nossa população, cada vez mais envelhecida, cada vez mais a precisar de ajuda médica. As minhas influências pessoais permitem-me garantir a todos os Paredenses Secos que se fôr eleito Presidente, passará a vir diariamente à nossa freguesia um médico de família para nos acudir nas nossas doenças. Certamente que nenhum de vós será insensível ao grave problema que é a falta de assistência médica a que o Governo central nos obriga. Comigo vai haver mudança! Vacinas e remédios para todos, já!
A assistência irrompeu num farto aplauso, enquanto eu, tomei umas notas num caderninho que levava, tendo sublinhado o seguinte, que era afinal a ideia forte deste candidato:
O Dr. Manuel da farmácia quer mais consultas médicas. Entre parêntesis escrevi: (ou quererá vender mais remédios?).

A seguir e de acordo com a tal ordem previamente sorteada leu o seu discurso o empreiteiro Samuel, homem de pouco à vontade no falar de improviso, razão pela qual trazia o seu discurso alinhavado no verso de um orçamento que fizera há pouco. E leu assim:


(CONTINUA AMANHÃ)

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

CONTO : "UMA QUESTÃO DE SENSIBILIDAES POLÍTICAS"

Com o aproximar das eleições Autárquicas, em que todas as semanas nos vão “atirando” com candidatos salvadores das nossas Freguesias e Câmaras, lembrei-me que em Julho de 2004 escrevi um Texto/Conto que de algum modo poderá ter interesse em ser agora e aqui transcrito. Foi tão somente o desafio a um tema lançado pelo Município do Redondo e confesso que com este texto/conto não ganhei qualquer prémio. Por acaso ganhei com outro, mas este é o que considero mais pertinente para esta ocasião. No entanto, penso igualmente que um blogue não deve ser uma coisa demasiado massuda, deve ser “levezinho” de se ler. Por isso dividi o conto em seis partes e irei durante esta semana apresentar diariamente uma parte desse texto. Se não acharem interesse, não me desanimará pois tal foi já a opinião do júri que o analisou o ano passado. No entanto, gostaria de poder contar com a vossa opinião, via e-mail. Vamos pois à 1ª parte do conto, deixando desde já a chamada de atenção de que se trata de pura ficção e que qualquer semelhança com lugares, factos ou pessoas é pura coincidência. O tema proposto para concurso era "Sensibilidades".


TÍTULO : UMA QUESTÃO DE SENSIBILIDADES POLÍTICAS

Pseudónimo : XICO ESPERTO

As eleições para a Junta de Freguesia aproximavam-se a passos largos. Fartos de sermos enganados em sucessivos mandatos anteriores, resolvemos em Paredes da Ribeira Seca, organizar um comício com a presença de todos os candidatos à Junta. A hora aprazada foi a das oito da noite, o que, por ser Inverno, nos permitia já ter àquela hora feito a ordenha e a entrega do leite das vacas no respectivo posto de recolha. O jantar, invariavelmente composto de caldo verde das hortas, acompanhado com broa e rodelas de chouriço caseiro, também já tinha sido deglutido, pelo que se esperava que a Casa do Povo fosse demasiado pequena para albergar algumas das cerca de setecentas almas do povoado. É sabido que a estas coisas poucos aparecem, mesmo tratando-se dos seus interesses futuros, mas a realidade é que ainda assim por volta das oito e meia da noite estavam cerca de duzentas pessoas que enchiam por completo a Casa do Povo, tendo tido mesmo necessidade de ocuparem a parte habitualmente utilizada nos casamentos. Até o Sr. Padre Bento esteve presente.
Eram quatro os candidatos ao cargo de Presidente da Junta : o Dr. Manuel da Farmácia, o Professor Malaquias, o empreiteiro Samuel e a Ana da venda, que era onde se situava o posto de recolha do leite das vacas da nossa terra. Como se verá a seguir todos tinham sensibilidades diferentes perante as necessidades de uma mesma terra e uma mesma gente. O primeiro a falar, ou a “botar discurso” como nós costumávamos dizer foi o Dr. Manuel da Farmácia, não por ser Doutor, foi só porque calhou assim no sorteio efectuado anteriormente. Falou e disse:

(Continua amanhã...)

sábado, 30 de julho de 2005

NOVO FENÓMENO NA ALBUFEIRA DO MARANHÃO!

A história já a havia ouvido contar há tempos, na barbearia do Mestre Orlando. De tão caricata, pareceu-me demasiado evidente ser mentira, pelo que pura e simplesmente a esqueci. Ontem, sexta-feira, encontrei o protagonista da mesma e de repente a história veio-me à memória. E ele confirmou-me ser verdade. Então o que se discutia na barbearia era que o Tonho da Cabra teria apanhado um barbo, aqui no Maranhão, com um preservativo enfiado na cabeça! Eu próprio disse ao Mestre Orlando que “se calhar não era bem assim, mas que outras coisas poderiam ser mais impossíveis...”
Pois ontem eis que encontro o Tonho da Cabra e zás, passo ao ataque:
- Ó Tonho, então é verdade que apanhaste um barbo com um preservativo enfiado na cabeça?
- É verdade sim senhor, e era um belo barbo...

Por minha conta e risco passei a admitir que dado o tamanho do barbo indicado pelo pescador, o preservativo deveria ser de tamanho XXXL, e que possivelmente teria algum novo sabor, nada de banana, morango ou Licor Beirão, mas assim a dar para o sabor a engodo...
O que o Tonho não me disse foi a quem é que vendeu o referido barbo, mas isso agora também interessa pouco.
Ainda dizem que o Entroncamento é que é a terra dos fenómenos. E nós, senhores, e nós? Já não nos bastava o cação se não agora o Barbo Preservativado...

quinta-feira, 28 de julho de 2005

PARABÉNS E PARABÉNS!

É muito gratificante poder dar os parabéns. E hoje tenho dois “parabéns” para dar:

PARABÉNS Nº 1

À Câmara Municipal de Avis, por ter feito chegar às nossas caixas do correio a Agenda Municipal do mês de Agosto atempadamente. Hoje, dia 28 de Julho já cá estava. Assim, sim. Quatro das nossas freguesias vão estar em festa. E aqui vou ter que resolver um problema: no dia 13 de Agosto, sábado, gostava muito de ver a Ginna no Maranhão, mas não quero perder o Chico Moreno em Figueira e Barros. Como é que irei resolver este dilema? E logo no dia 27 não há festas!
Agora só espero é que esta situação da chegada a tempo e horas da Agenda se mantenha até Outubro e...depois de Outubro!

PARABÉNS Nº 2

Á 3 em 1 e Compª que finalmente abriu as suas portas ao público. Claro que já lá fui. Confesso que ia um pouco curioso e um pouco nervoso. Ao entrar senti a estranha sensação de que iria encontrar a figura característica que foi o Sr. Pedro e até encontrar por ventura o Xico Manaças a arrumar-lhe mais um carapulo de vinho vazado de uma garrafa de plástico metida no frigorífico, enquanto batia com a mão no peito, e descascava uns amendoins,qual Tarzan. Essa sensação desfez-se logo que ultrapassei o limiar da porta. Gostei sinceramente da decoração e acho o espaço acolhedor. Razão tínhamos quando nos insurgíamos pela demora na sua abertura. Agora os jogadores de Avis e não só, já podem tentar aqui a sua sorte, apesar do capitalismo ser aquele bicho execrável que todos nós sabemos....
Desejo as maiores venturas aos sócios desta casa, que penso terá tudo para ter sucesso, e mantenham as sopas de beldroegas que eu gosto tanto!
Apenas um reparo que nada tem a ver com a gerência referida: hoje o trânsito esteve caótico nas imediações do 3 em 1 e Compª. Apostadores houve, e foram vários, que estacionaram os carros em frente da Casa Rodrigues, dificultando a passagem de quem quisesse virar para o lado da GNR, vindo dos lados da Casa do Benfica, e vice-versa.
À atenção da nossa GNR!

segunda-feira, 25 de julho de 2005

O CONTRATO DE MÁRIO SOARES

DO CASTELO” teve acesso a um documento ultra-secreto que desvenda o mistério porque é que o Mário Soares ainda não assinou contrato com o P.S. por cinco anos presidenciais, eventualmente renováveis por novo contrato de mais cinco anos. É que o empresário de Mário Soares ( José Sócrates)está a negociar com o empresário de Jorge Sampaio ( que por acaso também é o José Sócrates) um acordo segundo o qual, Jorge Sampaio se compromete a candidatar-se a Presidente da República quando terminar o futuro segundo mandato da segunda Presidência de Mário Soares, ou seja em 2 016. No contrato final, a assinar entre o Partido Socialista, Mário Soares e Jorge Sampaio, ficará igualmente assegurado que no final do segundo mandato da segunda presidência de Jorge Sampaio, Mário Soares será de novo candidato e de novo presidente, ou seja em 2 026.
“DO CASTELO” sabe igualmente que um dos grandes sonhos de Mário Soares é a sua entrada para o Guinness Book of Records. Já o tentou quando dava conferências de imprensa em Francês com son ami Miterrand! O mundo, o incompreensível mundo, nunca o considerou como sendo o melhor Presidente da República, não francês, a falar aquela língua. Mais: é que o mundo cruel nem o considerou o pior...
Assim, e feitas as contas, em 2026 Mário Soares ao tomar posse da sua terceira presidência, contará a invejável idade de 101 anos. Ora não me digam que, sendo assim, não tem entrada directa no Guinness, como o mais velho presidente da República a tomar posse, desde a época dos dinossauros.Se tal não acontecer, certamente que o conseguirá em 2 036, no terminus do mandato!
A não ser que haja por aí algum Abexim desconhecido....

domingo, 24 de julho de 2005

UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA SOCIAL

Hoje o meu passeio matinal corria a 100% perfeito, dada a bela manhã fresquinha que tem estado. Mas há sempre qualquer coisa que nos desgosta...
Eu passo a contar. Quando percorria o perímetro do espaço dos mercados, detectei no chão um papel verde que me pareceu um recibo da água. Por curiosidade apanhei-o e verifiquei algo que me deixou a pensar alto e sozinho. O referido recibo indicava que, agora já em plena época de seca, o consumo de água de um determinado agregado familiar tinha sido de 0 (ZERO) metros cúbicos. Ora vamos lá raciocinar um pouco: por muitas medidas de austeridade que se instalem em cada lar, no sentido de poupar água, como é aliás obrigação de cada um de nós, nunca se consegue gastar ZERO metros cúbicos. E o recibo em questão refere-se a um agregado familiar, não é de nenhum idoso que viva só; é de alguém que aufere rendimentos acima da média, não é de ninguém com rendimentos mínimos. A conclusão primeira que tirei é de que o contador se encontra avariado, não fazendo assim a leitura da água consumida. Dir-me-ão: se calhar têm algum furo e não gastam água da rede, ao que eu contraponho: as pessoas em questão se tal acontecesse, nem sequer pagariam o aluguer do contador e as respectivas taxas de Resíduos e Saneamento.
Parece pois haver Munícipes de primeira e Munícipes dos outros aqui por Avis. Os Serviços do Município responsáveis pelo pagamento dos recibos, deveriam dar uma vista de olhos por estes casos, pois certamente este não será o único. Afinal de contas é até uma questão de Justiça Social !!!.
Ou será que os controladores das nossas águas ainda acreditam no Pai Natal?
Ah! Eu pago a água que efectivamente gasto!

sábado, 23 de julho de 2005

HOJE VAMOS FALAR DE MATEMÁTICA

PRIMEIRO QUE TUDO CORRIGIR UMA INJUSTIÇA:

No passado dia 27 de Junho informei que uma “embaixada” de matemáticos de Avis tinha ido até terras algarvias mostrar os seus dotes. Indiquei os nomes e depois alguém me alertou para o facto da lista não estar completa o “que era uma injustiça”. Concordei e pedi a essa pessoa que me desse a lista completa. Como até agora nada me disse indaguei de novo e aqui fica a devida correcção e o meu pedido de desculpas, mas a informação primeira foi a que me foi dada por alguém que foi ao Algarve. Assim, rectificando, pedindo desculpas e fazendo a devida justiça, aos nomes por mim indicados há a acrescentar o nome da HELENA CALHAU, do ex-6º ano, Turma B.

DEPOIS VAMOS FAZER UMAS CONTAS:

Alarmado com o insucesso a nível nacional dos exames do 9º ano na disciplina de matemática e que foi de 70% de reprovações, a minha curiosidade levou-me a verificar como é que as coisas tinham corrido aqui pelo Agrupamento de Escolas Mestre de Avis. Então, passo a transcrever os números que apurei, relativos aos resultados dos exames da disciplina de matemática, 9º Ano:

Fizeram exame 30 alunos

Tiveram nota “1” = 12 alunos

Tiveram nota “2” = 15 alunos

Tiveram nota “3” = 2 alunos - INÊS CASIMIRO , do 9ºA e JOSÉ DUARTE, do 9ºB

Teve nota “4” = 1 aluno - ALBERTO MARTINS, do 9ºB

Quer isto dizer que a média de negativas a matemática no nosso Agrupamento de Escolas foi superior à média Nacional pois cifrou-se nos 90%. Dito por outras palavras: em cada 10 alunos que fizeram exame, só um é que passou a matemática.
Mas, em termos de passagem de ano, a Turma B passou toda, enquanto na A chumbaram 6 alunos, havendo a referir que 4 eram de “situações especiais”. Em termos de passagem de ano a média melhora significativamente: 80% de aprovações. Mas pergunto-me : e agora em novo estabelecimento de ensino, qual será a percentagem de aprovações? Como irão os alunos preparados para enfrentarem o 10º ano?
Reservo-me o direito de deixar à consideração de cada um de vós os comentários que lhes aprouverem, sem que para isso os vá influenciar. ( podem sempre dialogar comigo via e-mail)


E DEPOIS UM DESTAQUE PELA POSITIVA


Para terminar, e espero não estar a cometer nenhuma outra injustiça, o melhor aluno de toda a Escola Básica Integrada mestre de Avis, com a classificação de “5” a todas as disciplinas foi a INÊS MENDES PINTO, do 6º B, a quem DO CASTELO endereça os seus mais sinceros parabéns.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

SAFEI-ME A UMA EMBOSCADA!

Ontem, quinta-feira, tive necessidade de ir a Abrantes. No sentido Ponte de Sôr-Abrantes e um bom bocado antes do cruzamento para os Foros do Arrão fizeram-me sinal de luzes, indicativo como sabemos da presença da polícia por perto. Eu que ia nos meus cem habituais, tirei o pé do acelerador, baixei para os noventa da ordem e lá fui atento para ver se encontrava os senhores polícias ou GNRs. Apercebi-me de uma viatura creme que estava aí uns bons 20 metros desviada da estrada e encostada a uma árvore lá estava a maquineta de filmar. Pareceu-me que a máquina estava disfarçada no meio de qualquer coisa que ao passar me pareceram tojos ou coisa assim.
Ao regressar tive o cuidado de parar no local e verifiquei que a árvore em causa era uma acácia que tinha sido podada, possivelmente para os ramos não caírem para cima da estrada e a máquina estava afinal disfarçada no meio da rama cortada. Fiquei fulo! Aquilo era uma autêntica emboscada. Aquilo era uma autêntica caça à multa e nada mais. De nada mais servia aquele elemento da Guarda ali a não ser para encher mais os cofres do Estado e ainda uma vez mais à custa dos condutores. E passo a explicar o porquê da minha indignação. Então é assim:
- Quem ali passasse a 120 ou 130 Km, não se apercebia da máquina e continuava à mesma velocidade, nada impedindo que mais à frente tivesse um acidente. O agente da autoridade estava “emboscado”, disfarçado, traiçoeiro. Não estava com o intuito de impedir nada, mas apenas de apanhar dinheiro de multas.
- Ora bem, então o que eu pergunto é o seguinte: se o dito Agente estivesse devidamente fardado e identificado na berma da estrada, em local bem visível, isso não seria motivo mais que suficiente para que quem fosse a conduzir tirasse imediatamente o pé do acelerador e passasse para velocidades mais moderadas? Eu não tenho dúvidas nenhumas de que quando vejo um agente na estrada instintivamente tiro o pé do acelerador. Mas também não tenho dúvidas nenhumas que se passar em excesso de velocidade por uma “máquina” que não veja, continuarei impávido e sereno a transgredir do mesmo modo como o vinha a fazer até passar pela bem disfarçada objectiva.
Contaram-me, ou eu imaginei, já nem sei, que em certos países colocam manequins de papelão fazendo lembrar autoridades da estrada em pontos estratégicos e bem visíveis das estradas para persuadir os condutores mais apressados a tirarem o pé do acelerador. Por cá em vez de “manequins” põem polícias a sério mas emboscados, como se estivessem numa missão no Afeganistão.
É de mais!