Fechou mais uma edição da “Feira do Livro de Avis”. Sem grandes novidades, de salientar no entanto, e sempre do meu ponto de vista como é óbvio, dois ou três apontamentos.
Não se verifica grande diversidade de livros que permitam uma escolha mais ampla. Vi este ano uma série de livros que já cá estiveram o ano passado. Não sei como é feita a “encomenda” dos livros. Porque é assim: se calhar as editoras não mandam mais livros porque não se vendem e as pessoas não compram mais porque não há um maior leque de escolha.
Mas penso que, daí a não se fazer nada, é sempre preferível fazer. Da animação, é de salientar os encontros de poesia popular. A assistência embora não sendo muito, dava a impressão que era boa,ou seja, que estava ali porque efectivamente gosta de ouvir poesia. O Grupo O Semeador animou a noite de sexta-feira com quinze elementos, mas os Amigos de Évora, no Domingo, embora sendo só quatro pediram meças e não ficaram em desvantagem em relação aos primeiros.
Ponto mais negativo (para mim) : a Ludoteca “serviu” bebidas e comida, na noite de sábado. Ontem, Domingo, à noite, ainda havia copos meios de imperial em cima das mesas e em cima do próprio balcão de umas das “barraquinhas” da referida Ludoteca, que ali tinham ficado da véspera. Não sei quem é que devia ter feito limpeza ao recinto mas que dava um mau aspecto, lá isso dava, tanto mais que ali bem perto ia ter lugar
o ponto mais alto da feira, para mim:
O lançamento do Livro SENTIRES de Maria Albertina Dordio. Senhora possuidora de uma dignidade altamente reconhecida em palavras e actos,
não se poupou a D. Maria Albertina a demonstrar o orgulho que sente em ter nascido no Ervedal. É para a senhora uma honra de tal modo importante que faz questão de o salientar sempre que é oportuno. Notei-lhe, ou terá sido impressão minha?, uma certa tristeza por
a Junta de Freguesia da sua terra natal, tão amada,
nem se ter feito representar neste evento tão importante, não só para ela, escritora, mas também para o próprio Ervedal. Se entre a assistência estava alguém ligado àquela instituição, estaria com caracter de particular, pois nos agradecimentos feitos pela autora às instituições presentes não foi mencionado o nome da J. F. de Ervedal.
Não fique triste minha querida, ás vezes é uma questão de agenda....Por eu ter escolhido então como ponto mais alto desta Feira o lançamento do livro de uma filha deste concelho - quando acontecerá outro, com outra “mãe” ou com outro “pai”? - e
com a devida vénia passo a transcrever um poema que, dada a recente reabertura do Arquivo Paes Telles,
vem a propósito e se encontra na página 37 do “SENTIRES”.
CASA MUSEU MÁRIO SAA
AQUI
PAIRA O ENCANTO TRANSPARENTE
DAS COISAS RARAS, VELHAS
E MUITO BELAS
QUE ME ATRAEM,
ME ABSORVEM
E, PELAS QUAIS,
INTEIRAMENTE ME ENTERNEÇO.
AQUI,
LATEJA O SONHO E ALMA ARDENTE
DE UM ANTEPASSADO,
DE UM PARENTE,
QUE MUITO PREZO,
A QUEM NÃO CONHECI...
MAS QUE CONHEÇO!Parabéns, minha senhora, por tudo que nos tem ensinado.
Para finalizar um reparo que não é novidade para ninguém e penso que já foi falado: as casas de banho do Jardim Público continuam por identificar. Que o diga
o Sr. Professor Ribeirinho Leal, autor do Prefácio do livro “SENTIRES” que, não sendo de cá, só deu com a casa de banho dos homens depois de ter entrado na das senhoras. Custará assim muito por umas placas( ou uns bonecos!)identificativas (os), ou aquilo será para ser tudo ao molho?
No comment....